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Full text of "Tendencias Contemporaneas Das Ciencias Sociais Aplicadas V 2"

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Edilson Antonio Catapan 
(Organizador) 


Tendências contemporâneas 
das ciências sociais aplicadas 2 


Vol. 02 


Brazilian Journals Editora 
2020 


2020 by Brazilian Journals Editora 
Copyright O Brazilian Journals Editora 
Copyright do Texto O 2020 Os Autores 

Copyright da Edição O 2020 Brazilian Journals Editora 
Editora Executiva: Barbara Luzia Sartor Bonfim 
Diagramação: Sabrina Binotti 
Edição de Arte: Sabrina Binotti 
Revisão: Os Autores 


O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de 
responsabilidade exclusiva dos autores. Permitido o download da obra e o 
compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a 
possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. 


Conselho Editorial: 

Profº Dr? Dariane Cristina Catapan 

Profº. Dr? Fátima Cibele Soares 

Prof. Dr. Gilson Silva Filho 

Prof. Msc. Júlio Nonato Silva Nascimento 
Prof. Msc. Adriana Karin Goelzer Leining 
Prof. Msc. Ricardo Sérgio da Silva 

Prof. Dr. Haroldo Wilson da Silva 

Prof. Caio Henrique Ungarato Fiorese 





Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 


C357a Catapan, Edilson Antonio 
Tendências contemporâneas das ciências sociais aplicadas 2 / 
Edilson Antonio Catapan. São José dos Pinhais: Editora 
Brazilian Journals, 2020. 
763 p. 


Formato: PDF 

Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader 
Modo de acesso: World Wide Web 

Inclui: Bibliografia 

ISBN: 978-65-86230-03-1 


1. Desenvolvimento urbano. 2. Comportamento social. 
|. Catapan, Edilson Antonio Il. Título 











Brazilian Journals Editora 
São José dos Pinhais — Paraná — Brasil 
www .brazilianjournals.com.br 
editora brazilianjournals.com.br 





APRESENTAÇÃO 


A obra intitulada “Tendências Contemporâneas das Ciências Sociais Aplicadas 
2 vol. 02”, publicada pela Brazilian Journals, apresenta um conjunto de quarenta e 
quatro capítulos que visa abordar diversas temáticas ligadas à área da administração, 
possibilitando melhor entendimento a aqueles que desejam ampliar seus 
conhecimentos sobre os aspectos importantes relacionados a uma sociedade: suas 
origens, processos históricos, funcionamento, aspectos de desenvolvimento, 
transformações sociais, conflitos, características culturais, econômicas e políticas. A 
seguir são apresentados os estudos que compõem os capítulos deste livro. 

O primeiro capítulo intitulado “Desenvolvimento urbano como dissipador de 
gases poluentes emitidos por veículos automotores durante o ano de 2015 no 
município de Castelo-ES, Brasil”. O segundo capítulo intitulado “Reflexões sobre 
abordagem da inteligência competitiva em pesquisas nacionais”. O terceiro capítulo 
tem como título “Saint-exupéry: um estudo sobre a extensão do alcance da influência 
do líder sobre seus liderados”. O quarto capítulo intitulado “Conflitualidade na África — 
uma temática atemporal”. O quinto capítulo tem como título “As abordagens da bitcoin 
e blockchain em artigos acadêmicos. O sexto capítulo é intitulado “As perspectivas do 
Balanced Scorecard: uma abordagem nas instituições financeira”. 

O sétimo capítulo é intitulado “Estudo comparativo dos meios de transporte 
utilizados na coleta seletiva”. O oitavo tem como título “Análise Entre Segurado e 
Segurado: um estudo sobre o olhar normas e contratos no mercado de seguros”. O 
nono capítulo intitulado “Melhoria contínua: implementando um método e reduzindo 
custos”. O décimo capítulo intitulado “Decisões de investimento: Uma análise 
descritiva em que alocar nossos recursos”. O décimo primeiro capítulo tem como título 
“Demandas motivacionais dos empregados em uma revendedora de veículos”. O 
décimo segundo capítulo intitulado “Levantamento de requisitos no desenvolvimento 
de jogos.” O décimo terceiro capítulo tem como título “A utilização das mídias 
alternativas e suas contribuições na esfera pública”. 

O décimo quarto título tem como título “Vamos brindar? Um estudo sobre as 
experiências de consumo de cervejas artesanais”. O décimo quinto capítulo 
“Economía circular, innovación y sustentabilidad”. O décimo sexto capítulo “Projeto 
de um sistema de controle para uma bancada de laboratório para ensino em controle 


de processos”. O décimo sétimo capítulo “MediatizacióÓn de la política y la 


democracia en la comunicación política colombiana”. O décimo oitavo é intitulado 
“Os papéis da ação política de o estado de São Paulo durante a ditadura militar de 
1964-1985”. O décimo nono capítulo traz a “Educação empreendedora e as novas 
diretrizes curriculares nacionais em engenharia”. O vigésimo capítulo tem como 
título “Dimensões da inovação no setor público: um estudo de caso nas prefeituras 
do oeste do Paraná”. 

O vigésimo primeiro capítulo é intitulado “O plano diretor e a urbanização: um 
estudo do crescimento da região noroeste de Anápolis-GO”. O vigésimo segundo 
capítulo “A última ceia de Sergipe Del Rei: identificação e mapeamento de cores em 
superfícies arquiteturais”. O vigésimo terceiro capítulo é intitulado “Histórias de vida 
em uma relação transdisciplinar com a universidade da maturidade”. O vigésimo 
quarto capítulo traz como título “Modelo de gestão da informação e do conhecimento 
de uma instituição de ensino superior”. O vigésimo quinto capítulo “Comportamento 
de compra e consumo de produtos de moda da geração Z”. O vigésimo sexto 
capítulo “Reutilzação do copo descartável triturado como fibra no concreto”. O 
vigésimo sétimo capítulo traz como título “Aplicação de uma História em Quadrinhos 
Para o Ensino e Aprendizagem de Conteúdos Relacionados ao Ciclo do Nitrogênio 
e o Princípio de Le Chatelier”. 

O vigésimo oitavo capítulo é intitulado “A administração e a importância da 
gestão de pessoas em pequenas empresas”. O vigésimo novo capítulo “Los libros de 
texto espafoles del siglo XVIII de para La formación de agrimensores: sistemas de 
representación y fenomenologia”. O trigésimo capítulo “Fonte alternativa para 
aproveitamento de água da chuva para uso comercial em postos de combustíveis”. O 
trigésimo primeiro capítulo “Análise da viabilidade técnica e econômica de um sistema 
de aproveitamento de água da chuva para racionalização do consumo de água potável 
no canteiro de obra”. O trigésimo segundo capítulo “Estudo dos métodos utilizados 
para desenvolver pessoas em um time do interior Alagoano”. O trigésimo terceiro 
capítulo tem como título “Adolescência e juventude na contemporaneidade: reflexões 
a partir de uma abordagem psicopolítica”. O trigésimo quarto capítulo é intitulado “A 
Produção bibliográfica sobre política social na área de conhecimento do serviço 
social”. O trigésimo quinto capítulo tem como título “Síntese e avaliação antitumoral 
do (t)-4-O-demethylKadsurenin M um composto natural e seus análogos”. O trigésimo 
sexto capítulo “Clima e cultura organizacional na gestão democrática: um estudo de 


caso no Centro de Ensino Vinícius de Moraes”. O trigésimo sétimo capítulo é intitulado 


“Identificação do programa compliance nas empresas de médio porte listadas no 
ranking da great place to work”. 

O trigésimo oitavo capítulo “Um estudo do desempenho econômico-financeiro 
e operacional de concessionárias de rodovias federais”. O trigésimo nono capítulo traz 
o título “Responsabilidade civil pelo dano moral à pessoa pública - aplicação do 
superior tribunal de justiça — STJ”. O quadragésimo capítulo é intitulado “A geração 
dos custos ocultos: um estudo sobre essa vertente como um dos fatores de redução 
do lucro”. O quadragésimo primeiro capítulo “Decifrando as capacidades 
organizacionais do setor público da rede inovagov para a inovação sustentável: 
evidências para o inca”. O quadragésimo segundo capítulo traz o título “Centro de 
memória e de pesquisa histórica da pontifícia universidade católica de Minas Gerais 
(1989-2009): 20 anos de história”. O quadragésimo terceiro capítulo é intitulado “A 
Tríplice Responsabilidade Ambiental no Brasil e na Alemanha: o Caso Mariana — 
Samarco e o Caso Dieselgate — Volkswagen”. E por fim, o quadragésimo quarto 
capítulo “Recursos e competências organizacionais para a competitividade: um estudo 
de caso utilizando o método Vrio.” 

Dessa forma, agradecemos aos autores por todo esforço e dedicação que 
contribuíram para a construção dessa obra, e esperamos que este livro possa 
colaborar para a discussão e entendimento de temas relevantes para a área de 
administração, orientando docentes, estudantes, gestores e pesquisadores à reflexão 
sobre os assuntos aqui apresentados. 


Edilson Antonio Catapan 


SUMÁRIO 


CAPITULO Ossos SÓ 1 
DESENVOLVIMENTO URBANO COMO DISSIPADOR DE GASES POLUENTES 
EMITIDOS POR VEÍCULOS AUTOMOTORES DURANTE O ANO DE 2015 NO MUNICÍPIO 
DE CASTELO-ES, BRASIL. 

Caio Henrique Ungarato Fiorese 

Michaela Picoli Scolforo Gouvêa 

Donizete Andrade 

Gilson Silva-Filho 

DOI 10.35587/brj.ed.0000103 


CAPITULO O sa RR A 12 
REFLEXÕES SOBRE ABORDAGEM DA INTELIGÊNCIA COMPETITIVA EM PESQUISAS 
NACIONAIS. 

Renata Giacomin Menezes 

DOI 10.35587/brj.ed.0000104 


CAPAS a E De a 37 
SAINT-EXUPÉRY: UM ESTUDO SOBRE A EXTENSÃO DO ALCANCE DA INFLUÊNCIA 
DO LÍDER SOBRE SEUS LIDERADOS. 

Warley Robson 

Prof. Dr. João Pinheiro de Barros Neto 

DOI 10.35587/brj.ed.0000105 


CAPAO As ss a O a aa a a aan AO Sra 55 
CONFLITUALIDADE NA ÁFRICA — UMA TEMÁTICA ATEMPORAL. 

Alan da Silva Vinhaes 

Tamires Regina Rocha 

DOI 10.35587/brj.ed.00004106 


CAPIILO E a 72 
AS ABORDAGENS DA BITCOIN E BLOCKCHAIN EM ARTIGOS ACADÊMICOS. 

Patrick Anderson Matias de Araújo 

Eder Ahmad Charaf Eddine 

DOI 10.35587/brj.ed.0000107 


CAPITULO DO aaa aaa 79 
AS PERSPECTIVAS DO BALANCED SCORECARD: UMA ABORDAGEM NAS 
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. 

Luana Andrea Cardoso de Oliveira 

Rosângela Queiroz Souza Valdevino 

Adriana Martins de Oliveira 

Rafael Ramon Fonseca Rodrigues 

Larissa Karoline Souza Silva 

DOI 10.35587/brj.ed.000010 


CAPRULO ss  pa  an  aio  d 103 
ESTUDO COMPARATIVO DOS MEIOS DE TRANSPORTE UTILIZADOS NA COLETA 
SELETIVA. ; 

Giovani Manso Avila 

Moises Leão Gil 

DOI 10.35587/brj.ed.0000109 


CAPÍTULO 08 saia ss ae SE ad 119 
ANÁLISE ENTRE SEGURADO E SEGURADO: UM ESTUDO SOBRE O OLHAR NORMAS 
E CONTRATOS NO MERCADO DE SEGUROS. 

Beatriz Maria de Souza Arnor 

Fernanda Gercilene de Sousa Rodrigues 

Jamille Carla Oliveira Araújo 

Raimundo Nonato Vieira Costa 

DOI 10.35587/brj.ed.0000110 


CAPULO OS SS O TS a 134 
MELHORIA CONTÍNUA: IMPLEMENTANDO UM MÉTODO E REDUZINDO CUSTOS. 
Marcelo Paranzini 
Roberto Kanaane 
DOI 10.35587/brj.ed.0000111 


CAPITULO O: idas 144 
DECISÕES DE INVESTIMENTO: UMA ANÁLISE DESCRITIVA EM QUE ALOCAR NOSSOS 
RECURSOS. 

Tiago de Vasconcelos 

Denis Forte 

DOI 10.35587/brj.ed.0000112 


CAPITULO las SS Dq DR 154 
DEMANDAS MOTIVACIONAIS DOS EMPREGADOS EM UMA REVENDEDORA DE 
VEÍCULOS. 

Macário Neri Ferreira Neto 

Jéssyca Lages de Carvalho Castro 

Renata Torquato de Araújo Pitombeira 

Samara Renata Victor da Silva 

Franciclei de Rocha 

DOI 10.35587/brj.ed.0000113 


CAPITULO 10 pri SR 171 
LEVANTAMENTO DE REQUISITOS NO DESENVOLVIMENTO DE JOGOS. 

Airon Wellington Lima dos Santos 

Fábio de Jesus Lima Gomes 

DOI 10.35587/brj.ed.0000114 


CAPIUDO Dc O a 178 
A UTILIZAÇÃO DAS MÍDIAS ALTERNATIVAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA ESFERA 
PUBLICA. 

Naiara Cristina Gonçalves Rocha Passos 

Andreia Ferraz Fernandes 

DOI 10.35587/brj.ed.0000115 


CAPITDLO A 2225 SS 189 
VAMOS BRINDAR? UM ESTUDO SOBRE AS EXPERIÊNCIAS DE CONSUMO DE 
CERVEJAS ARTESANAIS. 

Heitor de Castro Muniz 

Sheila Farias Alves Garcia 

Gustavo Barbieri de Lima 

DOI 10.35587/brj.ed.0000116 


CAPMULO O 2 A IS A SS A Sn 215 
ECONOMÍA CIRCULAR, INNOVACIÓN Y SUSTENTABILIDADE. 

Claudemir Ramos 

Moisés Ari Zilber 

Lucio Flavio Silva Freitas 

Paula Gabriela Lhama 

Felipe Jaime Davila 

DOI 10.35587/brj.ed.0000117 


CAPIQULO dh ss GR id E E ie 244 
PROJETO DE UM SISTEMA DE CONTROLE PARA UMA BANCADA DE LABORATÓRIO 
PARA ENSINO EM CONTROLE DE PROCESSOS. 

Geraldo Luiz Souto Neto 

Ericson Ferraz Rocha 

Rodrigo Baleeiro Silva 

José Osmane Lopes Júnior 

Vânia Ereni Lima Vieira 

DOI 10.35587/brj.ed.0000118 


CAPITULO A SD 256 
MEDIATIZACIÓN DE LA POLÍTICA Y LA DEMOCRACIA EN LA COMUNICACIÓN 
POLÍTICA COLOMBIANA. 

Cristian García Villalba 

Maira Alexandra Rodríguez Tovar 

DOI 10.35587/brj.ed.0000119 


CAPINILO SD 269 
OS PAPÉIS DA AÇÃO POLÍTICA DE O ESTADO DE SÃO PAULO DURANTE A DITADURA 
MILITAR DE 1964-1985. 

Thiago Vieira Pereira 

Daniel Pereira Brandi 

DO! 10.35587/brj.ed.0000120 


CAPIULO O O LS 279 
EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA E AS NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES 
NACIONAIS EM ENGENHARIA. 

Cynara Silde Mesquita Veloso 

Vânia Ereni Lima Vieira 

Rodrigo Baleeiro Silva 

Leandro Pimenta Peres 

DOI 10.35587/brj.ed.0000121 


CAPITULO O corta assa DR Ra 284 
DIMENSÕES DA INOVAÇÃO NO SETOR PÚBLICO: UM ESTUDO DE CASO NAS 
PREFEITURAS DO OESTE DO PARANA. 

Marcio Thales da Silva 

Douglas Pereira Pavan 

Eduardo Cesar Dechechi 

Vanderlei da Silva Sampaio 

Luciano Panek 

DOI 10.35587/brj.ed.0000122 


CAPRULOO a E a 310 
O PLANO DIRETOR E A URBANIZAÇÃO: UM ESTUDO DO CRESCIMENTO DA REGIÃO 
NOROESTE DE ANAPOLIS-GO. 

Karuliny Ferreira Rodrigues 

Rafael Ávila Cintra 

Carlos Eduardo Fernandes 

DOI 10.35587/brj.ed.0000123 


CAPHULO O ss a a 333 
A ÚLTIMA CEIA DE SERGIPE DEL REI: IDENTIFICAÇÃO E MAPEAMENTO DE CORES 
EM SUPERFÍCIES ARQUITETURAIS. 

Adriana Dantas Nogueira 

Eder Donizeti da Silva 

Mayra Lima 

Ualisson Castro 

DOI 10.35587/brj.ed.0000124 


CAPITULO DS si 357 
HISTÓRIAS DE VIDA EM UMA RELAÇÃO TRANSDISCIPLINAR COM A UNIVERSIDADE 
DA MATURIDADE. 

Glauce Gonçalves da Silva Gomes 

Adriana da Costa Pereira Aguiar 

Amanda Pereira Costa 

Silvanis dos Reis Borges Pereira 

Neila Barbosa Osório 

DOI 10.35587/brj.ed.0000125 


CAPITULO 24 a GS PES pa Da 363 
MODELO DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO DE UMA INSTITUIÇÃO 
DE ENSINO SUPERIOR. 

Andrey Sartori 

Anderson Nunes de Carvalho Vieira 

Rubens de Oliveira 

Rosicley Nicola de Siqueira 

Fabrício Moraes 

Moisés Phillip Botelho 

Bárbara Yadira Mellado Perez 

Dayane Sandri Stellato 

DOI 10.35587/brj.ed.0000126 


CAPITULO OS assada da E a 382 
COMPORTAMENTO DE COMPRA E CONSUMO DE PRODUTOS DE MODA DA GERAÇÃO Z. 

Silvana Saionara Gollo 

Luciele Thalia da Rosa Souza 

Angelita Freitas da Silva 

Keila Cristina da Rosa 

Jeferson Bottoni 

DOI 10.35587/brj.ed.0000127 


CAPRULÕO SS SS 400 
REUTILIZAÇÃO DO COPO DESCARTÁVEL TRITURADO COMO FIBRA NO CONCRETO. 
Laécio Guedes do Nascimento 
Aleff Oliveira Coelho Moura 
Welliton Romão de Sousa 


Gustavo José da Costa Freitas 
Samuel Campelo Dias 

Phillype Dowglas Lopes 

Diego Silva Ferreira 

Francisco Honeidy Carvalho Azevedo 
DOI 10.35587/brj.ed.0000128 


CAPITULO O aaa AD 407 
APLICAÇÃO DE UMA HISTÓRIA EM QUADRINHOS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM 
DE CONTEÚDOS RELACIONADOS AO CICLO DO NITROGÊNIO E O PRINCÍPIO DE LE 
CHATELIER. 

Lilian da Silva Miguêz 

Madson de Godoi Pereira 

Genira Carneiro de Araujo 

DOI 10.35587/brj.ed.0000129 


CAPITULO O sa IR DD e 428 
A ADMINISTRAÇÃO E A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE PESSOAS EM PEQUENAS 
EMPRESAS. 

Danielle de Souza Saad 

Gisele Medianeira Cardoso 

Jean Carlos Cavalheiro 

Andréa Vieira Brasil 

DOI 10.35587/brj.ed.0000130 


CAPRULO OO sais a o cr dd pa 438 
LOS LIBROS DE TEXTO ESPANOLES DEL SIGLO XVII PARA LA FORMACIÓN DE 
AGRIMENSORES: SISTEMAS DE REPRESENTACIÓN Y FENOMENOLOGIA. 

Carmen León-Mantero 

Alexander Maz-Machado 

María José Madrid 

Noelia Jiménez-Fanjul 

DOI 10.35587/brj.ed.0000131 


CAPITULO DOG rsss iara sia dana adiada 451 
FONTE ALTERNATIVA PARA APROVEITAMENTO DE ÁGUA DA CHUVA PARA USO 
COMERCIAL EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS. 

Frederico Fernandes de Souza Mulina Pereira 

Elaine Garrido Vazquez 

DOI 10.35587/brj.ed.0000132 


CAPITULO Ss ia e Ta a 473 
ANÁLISE DA VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA DE UM SISTEMA DE 
APROVEITAMENTO DE ÁGUA DA CHUVA PARA RACIONALIZAÇÃO DO CONSUMO DE 
AGUA POTAVEL NO CANTEIRO DE OBRA. 

Douglas de Farias Lessa 

Elaine Garrido Vazquez 

DOI 10.35587/brj.ed.0000133 


CAPHULO a a 501 
ESTUDO DOS MÉTODOS UTILIZADOS PARA DESENVOLVER PESSOAS EM UM TIME 
DO INTERIOR ALAGOANO. 

Cledison Santos Silva 

Katia Jeane Alves Mota Ramos 

Lyslane Melo de Almeida 


Orlando Ramos do Nascimento Júnior 
José Gevones Barbosa da Silva 
DOI 10.35587/brj.ed.0000134 


CAPÍTULO DA DU 515 
ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE NA CONTEMPORANEIDADE: REFLEXÕES A PARTIR DE 
UMA ABORDAGEM PSICOPOLÍTICA. 

Mérly Luane Vargas do Nascimento 

Angela Maria Pires Caniato 

DOI 10.35587/brj.ed.0000135 


CAPITULO AD SS o 537 
A PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE POLÍTICA SOCIAL NA ÁREA DE 
CONHECIMENTO DO SERVIÇO SOCIAL. 

Angela Kaline da Silva Santos 

Lucicleide Cândido dos Santos Pereira 

Bernadete de Lourdes Figueiredo de Almeida 

DOI 10.35587/brj.ed.0000136 


CAPRULO O ese SS 554 
SYNTHESIS AND BIOLOGICAL EVALUATION OF LICARIN A DERIVATIVES. 

Bruno Hanrry Melo de Oliveira 

Luiz André Araujo Silva 

Fernando Ferreira Leite 

Gabrielly Diniz Duarte 

Sâmia Sousa Duarte 

Daiana Karla Frade Silva 

Marianna Vieira Sobral 

Luis Cézar Rodrigues 

DOI 10.35587/brj.ed.0000137 


CAPNULOSO ss a 570 
CLIMA E CULTURA ORGANIZACIONAL NA GESTÃO DEMOCRÁTICA: UM ESTUDO DE 
CASO NO CENTRO DE ENSINO VINÍCIUS DE MORAES. 

Deborah Medeiros de Ataíde Costa 

Orlando Silvestre Fragata 

DOI 10.35587/brj.ed.0000138 


CAPITULO ST a a eng a a 593 
IDENTIFICAÇÃO DO PROGRAMA COMPLIANCE NAS EMPRESAS DE MÉDIO PORTE 
LISTADAS NO RANKING DA GREAT PLACE TO WORK. 

Camila Attilio Pereira 

Eloir Trindade Vasques Vieira 

Fortunato Lopes Bennett 

Jyudie Hellen Claro Yamashiro 

Lucélia da Costa Nogueira Tashima 

DOI 10.35587/brj.ed.0000139 


CAPIVBO O SI A 612 
UM ESTUDO DO DESEMPENHO ECONÔMICO-FINANCEIRO E OPERACIONAL DE 
CONCESSIONÁRIAS DE RODOVIAS FEDERAIS. 

Lorena Furbino Magalhães Gomes 

Antônio Artur de Souza 

DOI 10.35587/brj.ed.0000140 


[8-4 aa UE o ee (é MERDA SN TOR END 638 
RESPONSABILIDADE CIVIL PELO DANO MORAL À PESSOA PÚBLICA - APLICAÇÃO 
DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA — STJ. 

Aila Tiemi Werneck de Castro da Silva 

Henrique Galate Moraes Lima 

Alexandre Pereira Bonna 

DOI 10.35587/brj.ed.0000141 


CAPIULOMO ss 651 
A GERAÇÃO DOS CUSTOS OCULTOS: UM ESTUDO SOBRE ESSA VERTENTE COMO 
UM DOS FATORES DE REDUÇÃO DO LUCRO. 

José Arilson De Souza 

Márcia Eliza Moreira Da Rocha 

Elder Gomes Ramos 

Elizângela Maria Oliveira Custódio 

Isabelly Caroline Gask De Souza 

DOI 10.35587/brj.ed.0000142 


CAPITULO 4 cia gi ns 674 
DECIFRANDO AS CAPACIDADES ORGANIZACIONAIS DO SETOR PÚBLICO DA REDE 
INOVAGOV PARA A INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL: EVIDÊNCIAS PARA O INCA. 

Leandro da Silva Goulart Rodrigues 

Osvaldo Luiz Gonçalves Quelhas 

Fernando Neves Pereira 

DOI 10.35587/brj.ed.0000143 


CAPITULO AD sans 701 
CENTRO DE MEMÓRIA E DE PESQUISA HISTÓRICA DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE 
CATÓLICA DE MINAS GERAIS (1989-2009): 20 ANOS DE HISTÓRIA. 

Marina Carolina Rezende Costa 

DO! 10.35587/brj.ed.0000144 


CAPITULO AS ses id ii nin 713 
A TRÍPLICE RESPONSABILIDADE AMBIENTAL NO BRASIL E NA ALEMANHA: O CASO 
MARIANA — SAMARCO E O CASO DIESELGATE — VOLKSWAGEN. 

Thaisa Toscano Tanus 

Elder Antônio Lunardi 

DOI 10.35587/brj.ed.0000145 


CAPITULO MA, ssa ici espa iestarts a paipaai deal dssid sic aidasaa aaadaadaças 736 
RECURSOS E COMPETÊNCIAS ORGANIZACIONAIS PARA A COMPETITIVIDADE: UM 
ESTUDO DE CASO UTILIZANDO O METODO VRIO. 

Flavia Massuga 

Simone Soares 

Sérgio Luis Dias Doliveira 

Adriana Queiroz Silva 

Patricia Konceruk Mustefaga 

DOI 10.35587/brj.ed.0000146 


SOBRE O ORGANIZADOR aususinenisatanaamas aiinndage dasiiita dera ieain ac ria dicas iara dad 763 


CAPÍTULO 01 


DESENVOLVIMENTO URBANO COMO DISSIPADOR DE GASES POLUENTES 
EMITIDOS POR VEICULOS AUTOMOTORES DURANTE O ANO DE 2015 NO 
MUNICIPIO DE CASTELO-ES, BRASIL. 


Caio Henrique Ungarato Fiorese 

Graduado em Engenharia Ambiental pelo Centro Universitário São Camilo 
Instituição: Centro Universitário São Camilo 

Endereço: Rua Alvino Marques, nº 195 - Vila Barbosa, Castelo — ES, Brasil 
E-mail: caiofiorese(Dhotmail.com 


Michaela Picoli Scolforo Gouvêa 

Graduada em Engenharia Ambiental pelo Centro Universitário São Camilo 
Instituição: Centro Universitário São Camilo 

Endereço: Rua Waldemar Teixeira da Vitória, nº 22 - Aracuí, Castelo — ES, Brasil 
E-mail: michaelapicoli(Ohotmail.com 


Donizete Andrade 

Graduando em Engenharia Ambiental pelo Centro Universitário São Camilo 
Instituição: Centro Universitário São Camilo 

Endereço: Rua Eulina Jacond de Andrade, nº 84 - Alto Monte Cristo, Cachoeiro de 
Itapemirim — ES, Brasil 

E-mail: donizete123andradehotmail.com 


Gilson Silva-Filho 

Doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal do Norte 
Fluminense Instituição: Centro Universitário São Camilo 

Endereço: Rua São Camilo de Léllis, nº 01 - Paraíso, Cachoeiro de Itapemirim — ES, 
Brasil 

E-mail: silva.filho.gilson(Ogmail.com 


RESUMO: O objetivo deste trabalho foi avaliar o inventário de emissões de poluentes 
do ar para identificar as principais fontes de poluição e, analisar tendências anuais de 
redução ou aumento de determinados poluentes, principalmente monóxido de 
carbono e hidrocarbonetos, no município de Castelo, para o ano de 2015, e associado 
ao desenvolvimento urbano e melhor qualidade das cidades. Com base na 
metodologia adotada pela CETESB, essa estimativa considerou o número de veículos 
de acordo com o ano de fabricação e os fatores médios de emissão, que foram 
corrigidos. A frota do município foi estimada em 19365 veículos, com a maior parte 
compreendida dos anos 2001 a 2005. Veículos mais antigos apresentaram os 
maiores índices de poluição. As emissões decresceram, de acordo com o tempo de 
uso veicular, mas foram elevadas: 802,187 toneladas de CO e 128,857 toneladas de 
HC. A metodologia apresentada se mostrou eficaz, porém não totalmente precisa, pois 
considera uma variável de obtenção complicada: o fator de emissão. Como medida 
mitigadora, as construções urbanas deverão permitir maior dissipação dos poluentes. 


PALAVRAS-CHAVE: Emissões Veiculares; Gases Poluentes; Poluição Atmosférica. 


1 


ABSTRACT: The objective of this work was to evaluate the inventory of emissions of 
air pollutants to identify the main sources of pollution and to analyse annual trends of 
reduction or increase of certain pollutants, mainly carbon monoxide and hydrocarbons, 
in the municipality of Castelo, for the year 2015, and associated with urban 
development and better quality of cities. Based on the methodology adopted by 
CETESB, this estimate considered the number of vehicles according to the year of 
manufacture and the average emission factors, which were corrected. The 
municipality's fleet was estimated to be 19365 vehicles, most of which comprised from 
2001 to 2005. Older vehicles had the highest pollution rates. Emissions decreased, 
according to the time of vehicle use, but were high: 802,187 tons of CO and 128,857 
tons of HC. The methodology presented was effective, but not totally accurate, since it 
considers a complicated obtaining variable: the emission factor. As mitigation, the 
urban buildings should allow greater dissipation of pollutants. 


KEYWORDS: Vehicle Emissions; Pollutant Gases; Atmospheric pollution. 


1. INTRODUÇÃO 

O crescimento da urbanização, a carência de planejamento de 
desenvolvimento urbano, a existência de construções verticais adensadas e ruas 
estreitas, bem como a escassez de políticas públicas de transporte coletivo e de 
qualidade e os incentivos à produção e consumo de veículos no país, têm acarretado 
no crescimento da chamada motorização individual, além de apresentar cenários de 
forte expansão nos segmentos de automóveis e motocicletas (BRASIL, 2006). 

A evolução da frota de veículos automotivos tem proporcionado o aumento das 
emissões de gases poluentes e a dificuldade de dispersão devido à disposição dos 
prédios (SÃO PAULO, 2015). Isso ocorre, principalmente, nos centros das cidades, 
pois permite a manutenção dos gases emitidos próximos à altura das pessoas. Isso 
gera maiores problemas de saúde, decorrentes das emissões de monóxido de 
carbono, sendo este o principal poluente emitido pelos automóveis (ALVES et al., 
2009). 

Em 1988, a Resolução CONAMA nº 18 criou o Programa de Controle de 
Poluição do Ar por Veículos Automotores — PROCONVE, para definir os primeiros 
limites de emissão para veículos leves e contribuir para o atendimento aos padrões de 
qualidade do ar. Em 1993, a lei nº 8.723 ratificou a obrigatoriedade de reduzir os níveis 
de emissão dos poluentes veiculares, contribuindo para alavancar o desenvolvimento 
tecnológico dos combustíveis, motores e autopeças, e permitindo que os veículos 
passassem a atender aos limites estabelecidos (BRASIL, 2013). 


A lei nº 8.723 contribuiu para impor a utilização de ferramentas (catalisadores, 
por exemplo) nos veículos como forma de reduzir as emissões de poluentes. Contudo, 
a imposição veio acompanhada do crescimento da frota de veículos particulares 
devido à facilidade de acesso ao crédito e a redução dos tributos na gasolina. Nas 
grandes cidades, a poluição do ar tornou-se numa grave ameaça à qualidade de vida 
da população (TESTA, 2015). 

Segundo Teixeira et. al (2008), a qualidade do ar nas cidades é determinada 
por um conjunto de fontes fixas e móveis. Veículos movidos a diesel emitem grandes 
parcelas de óxidos de nitrogênio, enquanto os movidos à gasolina e álcool liberam 
grandes quantidades de monóxido de carbono e hidrocarbonetos. Assim, nas cidades 
com os centros comerciais com prédios elevados, há redução da circulação de ar, 
principalmente em regiões de baixo planejamento urbano, o que potencializa os danos 
a sociedade por concentrar grande parte das emissões veiculares. 

Nesse sentido, esse trabalho teve como principal objetivo avaliar as emissões 
atmosféricas oriundas de veículs automotores, por meio da quantificação e análise de 
tendência de redução ou aumento das emissões de monóxido de carbono (CO) e 
hidrocarbonetos (HC) no município de Castelo durante o ano de 2015, e associá-lo ao 


desenvolvimento urbano municipal como melhoria na qualidade do ar na cidade. 


2. MATERIAIS E MÉTODOS 

A pesquisa em questão foi realizada por discentes do Centro Universitário São 
Camilo (ES) e baseou-se nos métodos de criação de inventários utilizados pela 
Agência Ambiental do Estado de São Paulo — CETESB. A metodologia utilizada nesse 
trabalho é semelhante à utilizada no Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões 
Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (BRASIL, 2006). Foi fundamentada em 
procedimentos matemáticos, por meio de equações e utilização de valores tabelados, 
e buscou avaliar a quantidade de emissões atmosféricas por veículos automotores. 
Também foi realizada a análise das construções na cidade de Castelo, por meio da 
comparação com as emissões veiculares. Para a realização do inventário, foram 
necessários o levantamento do número de veículos em circulação no município, os 
fatores de emissão dos veículos novos conforme o ano de fabricação e a 
quilometragem média rodada de acordo com o ano de fabricação. Esses dados foram 
obtidos, respectivamente, junto ao Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) 
(BRASIL, 2016), a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de 


3 


São Paulo (CETESB) (SÃO PAULO, 2015) e ao Ministério da Ciência e Tecnologia 


(BRASIL, 2006). A estratégia utilizada nos cálculos é mostrada na figura 1. 


Figura 1- Esquema para cálculo das emissões. 





Entrada dos Dados da Frota 


PN 








| Número de veículos Ano de Fabricação 
Quilometragem Quulometrape | For de emissão 
média percormda m acumulada | CETESB (gkm) 
(km/ano veiculo) (km) 


to 4 —A — 


| 


Fmor de Deterioração 


Fator de Emissão Corrigido 


Taxa Emissão Total (Vano) 





Fonte: (PINTO et al, 2016). 


A quilometragem média rodada por veículos, de acordo com seu ano de 
fabricação, é mostrada na tabela 1. No entanto, segundo Lima et al. (2009), essas 
distâncias percorridas foram estimadas para a cidade de São Paulo em 1982 e podem 


não representar a quilometragem registrada nos dias atuais. 


Tabela 1 - Quilometragem média rodada por veículos. 

















Idade | Dist. média anual [Idade | Dist. média anual |Idade || Dist. Média anual 
(anos) |(Km) (anos) | (km) (anos) |(km) 

Até 1 22.000 5 14.000 9 13.000 

2 19.000 6 14.000 10 13.000 

3 17.000 Fá 14.000 +11 9.500 

4 15.000 8 13.000 


























Fonte: (LIMA et al., 2009). 


Depois, foi determinada a quilometragem acumulada dos veículos de acordo 
com o ano de fabricação, que consistiu na soma dos valores da quilometragem média 
anual conforme o tempo de uso. Em seguida, foram calculados os fatores de 
deterioração para cada poluente. De acordo com Brasil (2006), os fatores de 
deterioração para monóxidos de carbono (CO) e hidrocarbonetos (HC), são 
estimados, conforme o ano de fabricação, a partir das seguintes expressões 
matemáticas (Figura 2): 


Figura 2 - Equações utilizadas para estimar o fator de deterioração. 











78,27 25Y 56,34 2,55Y 





FD 


pi 78,27 há 56,34 
5 
FD, as SA 8Y FD, ai id 





Fonte: (BRASIL, 2006). 


Em que Y é a distância percorrida, em mil milhas, e calculada por meio da 
equação (1): 


Distância percorrida (em Km) (1 ) 
16100 


Y= 

O valor de Y é limitado quando a distância percorrida é maior ou igual a 
100000 km. Ou seja, acima dessa quilometragem, utilizou-se Y — 6,21 (BRASIL, 
2006). Posteriormente, foram calculados os fatores de emissão dos veículos novos, 
em gramas por quilômetro, para cada ano de fabricação e poluente, por meio de uma 
média aritmética desses valores. Durante esse cálculo, foram considerados os 
veículos à gasolina, diesel, etanol e flex, e não houve diferenciação por tipo de 
combustível, por conta da insuficiência de dados. Em seguida, foram determinados o 
fator de emissão corrigido de cada poluente, por meio da multiplicação entre o fator de 
emissão do veículo novo e o fator de deterioração, ambos específicos para cada ano 
de fabricação. Depois, através dos fatores de emissão corrigidos, da quilometragem 
anual e do número de veículos, foi determinada a taxa de emissão de cada poluente, 
de acordo com o ano correspondente, através da seguinte fórmula (PINTO et al., 
2016): 


E=FexkmxNx 108 (2) 

Em que: 

E = Taxa de emissão do poluente i (t/ano); Fe = Fator de emissão do poluente 
| (g/km); Km = Quilometragem média rodada por veículo (km/ano); N = Número de 


veículos; 108 = Fator de conversão de g para toneladas. 
Em todos os procedimentos matemáticos para obtenção das variáveis, foram 
utilizados o software Excel e a calculadora científica. 


3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Os congestionamentos das grandes cidades, bem como de cidades 
relativamente pequenas, mas com centro comercial de edifícios comerciais 
construídos sem o planejamento urbano, ocasiona um consumo maior de combustível, 
eliminando elevadas quantidades de substâncias tóxicas na atmosfera, que, em 
contato com o sistema respiratório, podem causar riscos à saúde humana (PINTO et 
al., 2016). 

No intuito de monitorar, reduzir o volume de poluentes e evitar os problemas de 
saúde, o Brasil, mediante várias agências estaduais de controle e planejamento 
ambiental e centros de pesquisa, vem realizando este tipo de trabalho nos grandes 
centros urbanos, com intuito de identificar as principais fontes de poluição e propor 
medidas mitigadoras (UEDA; TOMAZ, 2011). Dentre elas, associadas ao plano de 
desenvolvimento urbano, são o planejamento de ruas mais largas e de um sistema 
inteligente de cidades, onde todos os semáforos, estacionamentos estivessem 
conectados aos tags automotivos, como forma de evitar os congestionamentos em 
períodos de picos, de acordo com Andre Gomyde (Frase proferida pelo especialista 
em cidades inteligentes, André Gomyde, em sua palestra sobre cidades inteligentes 
no Teatro Municipal de Cachoeiro de Itapemirim — ES, no ano de 2016). 

Outra forma mitigadora seria a construção de prédios com os estacionamentos 
ao nível do solo (andar térreo) e no primeiro pavimento do prédio e evitar, em 
estabelecimentos comerciais, estacionamentos sem sistemas de exaustão de gases. 
Isso proporciona a melhor circulação de ar e a dissipação das emissões de CO e 
hidrocarbonetos. O município de Castelo não apresenta problemas relacionados com 
o sistema descrito, pois são poucos os prédios existentes e as ruas, em geral, são 


largas. Assim, o maior impacto das emissões de CO e HC é devido ao número de 


veículos automotivos. 

A frota do município de Castelo para o ano de 2015 foi estimada em 19365 
veículos, sendo a maior parte composta por carros fabricados de 2001 a 2005. Os 
fatores de deterioração, de emissão dos veículos novos e de emissão corrigidos, bem 
como o número de veículos, são mostrados nas tabelas 2 e 3, por ano de fabricação. 


Tabela 2 - Dados utilizados para estimar as emissões de CO. 




































































Ano de Número de Fator de Fator de emissão | Fator de emissão 
fabricação veículos deterioração CETESB corrigido 
(DENATRAN) (veículo novo) 
1929-1970 286 1,198 10,418 12,485 
1971-1980 2155 1,223 10,418 12,478 
1981-1990 1788 1,281 8,059 10,324 
1991-1995 1707 1,281 4,107 5,262 
1996-2000 3046 1,281 Eos Za 
2001-2005 3254 1,281 1,120 1,435 
2006 900 1,281 0,910 1,167 
2007 1217 1,281 0,934 1,198 
2008 1471 1,281 0,818 1,049 
2009 1084 1,281 0,673 0,862 
2010 1138 1,276 0,633 0,808 
2011 1432 1,240 0,578 0,717 
2012 1317 1,201 0,477 0,5/4 
2013 1140 1,160 0,391 0,455 
2014 981 1,115 0,379 0,423 
2015 302 1,061 0,362 0,38 








Fonte: Os autores (2019). 


Tabela 3 - Dados utilizados para estimar as emissões de HC. 





















































Ano de Número de Fator de Fator de Fator de 

fabricação veículos deterioração emissão emissão 

(DENATRAN) (veículo novo) corrigido 
1929-1970 286 1,149 1,255 1,442 
1971-1980 2155 1,059 1,255 1,329 
1981-1990 1788 1,350 1,091 1,474 
1991-1995 1707 1,350 0,/52 1,016 
1996-2000 3046 1,350 0,526 0,/12 
2001-2005 3254 1,350 0,310 0,419 
2006 900 1,350 0,183 0,248 
2007 1217 1,350 0,190 0,258 
2008 1471 1,350 0,120 0,163 
2009 1084 1,350 0,094 0,127 
2010 1138 1,350 0,115 0,156 
2011 1432 1,305 0,106 0,138 
2012 1317 1,256 0,078 0,098 
2013 1140 1,203 0,067 0,082 
2014 981 1,144 0,066 0,076 
2015 302 1,077 0,052 0,057 























Fonte: Os autores (2019) 


Veículos mais antigos apresentam maiores valores de emissões de poluentes, 
pois a tecnologia disponível para esses veículos é menos eficiente no tratamento de 


gases, principalmente aqueles fabricados de 1971 a 1980 (Tabela 4). 


Tabela 4 - Emissões de CO e HC, em toneladas, por ano de fabricação. 

































































Ano de Fabricação CO HC 
1929-1970 33,921 3,919 
1971-1980 260,875 27,203 
1981-1990 175,362 25,038 
1991-1995 85,990 16,474 
1996-2000 78,792 20,591 
2001-2005 44,371 12,955 

2006 13,652 2,898 
2007 18,947 4,077 
2008 20,006 Sig 
2009 13,086 2,014 
2010 12,873 2,482 
2011 14,383 2,1 16 
2012 11,341 1,941 
2013 8,809 1,584 
2014 7,887 1,419 
2015 2,551 0,376 





Fonte: Os Autores (2019) 


As emissões totais de CO e HC, em toneladas, para o ano de 2015 foram, 


aproximadamente, 802 e 129 toneladas, respectivamente (Tabela 5). 


Tabela 5 - Emissões veiculares totais, em toneladas, de CO e HC em 2015. 


CO HC 
Emissões totais 802,187 128,857 


Fonte: Os Autores (2019) 























Veículos que possuem ano de fabricação após 1980 apresentaram tendência 
de diminuição das emissões. Isso decorre, provavelmente, devido à criação do 
PROCONVE e à implantação da lei nº 8.723, de 1993, que exigiram às montadoras a 
redução das emissões veiculares. No entanto, em alguns casos, houve pequenos 
aumentos nos Índices de emissão para veículos fabricados depois de 2006, o que 
pode ser atribuído ao número maior de veículos em circulação fabricados após esse 
ano. Nota-se, também, maiores emissões de monóxidos de carbono do que de 


hidrocarbonetos e, por isso, percebe-se que esse é o principal poluente emitido pelos 
escapamentos dos veículos automotores do município. Isso pode indicar, por 
exemplo, que há uma frota muito elevada de veículos abastecidos à gasolina e etanol. 


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Os índices de emissões veiculares apresentaram tendência de diminuição 
conforme a idade da frota para o município de Castelo, em 2015. A taxa de emissão 
de poluentes atmosféricos depende de muitas variáveis. Entre elas, está o fator de 
emissão, cuja variável é de difícil obtenção, pois varia conforme os tipos de veículo e 
combustível, o ano de fabricação, a quilometragem acumulada, etc. Com isso, a 
metodologia apresentada se mostrou eficaz, porém não totalmente precisa. Os índices 
de CO e HC foram elevados. 

Por isso, os maiores problemas das emissões decorrem desses poluentes, por 
conta do grande número de veículos em circulação. Dessa forma, a existência de 
construções centros comerciais da cidade que promovam a maior circulação de ar e 
projetos eficazes de mobilidade urbana, são alternativas viáveis para maior circulação 


de gases. 


10 


REFERÊNCIAS 


ALVES, K. M. da S., ALVES, A. E. L.; SILVA, F. M. Poluição do ar e saúde nos principais 
centros comerciais da cidade de Natal/RN. Revista Holos. Natal, v. 04, s.n., p. 81-95, 2009. 


BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões 
Antrópicas de Gases de Efeito Estufa. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2006. 


BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. PROCONVE: Programa de Controle de Poluição 
do Ar por Veículos Automotores. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2013. 


BRASIL. Departamento Nacional de Trânsito. Frota de veículos. Brasília: Departamento 
Nacional de Trânisto, 2016. Disponível em: 

<htip://www .denatran.gov.br/index.php/estatistica/23 7-frota- veiculos>. Acesso em: 15 mar. 
2017. 


LIMA, E. P; GIMENES, M. L., LIMA, O. C. da M. Estimação das emissões originadas de 
veículos leves na cidade de Maringá para o ano de 2005. Revista Acta Scientiarum. 
Technology, Maringá, v. 31, n. 1, p. 43-50, abr. 2009. 


PINTO, W. de P. et. al. Estimativa das emissões de poluentes atmosféricos geradas por 
veículos leves em Santa Maria de Jetibá, ES. Revista Ciência e Natura, v. 38, s.n., p.337- 
341, 2016. 


SÃO PAULO. Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo. 
Relatórios e publicações. São Paulo: Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental 
do Estado de São Paulo, 2015. 


TEIXEIRA, E. C. et. al. Estudo das emissões de fontes móveis na região metropolitana de 
Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Revista Química Nova, Porto Alegre, v. 31, n. 2, p. 244- 
248, jan. 2008. 


TESTA, J. F. A poluição atmosférica por veículos automotores na Região Metropolitana de 


São Paulo: causas e impactos. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia 
Ambiental, v. 19, n. 2, p. 1209-1221, 2015. 


11 


CAPÍTULO 02 


REFLEXÕES SOBRE ABORDAGEM DA INTELIGÊNCIA COMPETITIVA EM 
PESQUISAS NACIONAIS. 


Renata Giacomin Menezes 

Doutora em Administração pela Universidade FUMEC 

Endereço: Rua André Rodrigues da Silva 90, Campo Alegre, Conselheiro Lafaiete/MG 
E-mail: renatagiacomin84(Ogmail.com 


RESUMO: A atividade de Inteligência Competitiva é normalmente apontada como 
fator essencial para as empresas enfrentarem osambientes competitivosde forma 
mais eficaz, capaz de levar adiante as decisões de modo antecipado, buscando 
garantir uma melhor performance e permanência no mercado. Assim, este artigo tem 
como objetivo descrever como a Inteligência Competitiva vem sendo abordada em 
pesquisas nacionais publicadas na base brasileira Scientific Periodicals Electronic 
Library (SPELL). A metodologia utilizada foi a pesquisa bilbliográfica descritiva, 
analisando os artigos da base escolhida, o período de publicação dos trabalhos em 
estudo não foi delimitado, no entanto, encontraram-se artigos sobre IC a partir de 
1993. A pesquisa foi realizada em julho de 2018 e os resultados apresentaram 75 
artigos que exploraram como foco a inteligência competitiva em diferentes 
abordagens de estudo de campo sendo relevante também ressaltar a amplitude 
destes estudos (foco, setores e países). Este artigo avança na discussão acerca do 
tema inteligência e instiga novos estudos a partir dos exemplos descritos. 


PALAVRAS-CHAVE: Inteligência Competitiva. Pesquisa bibliográfica. Base Spell. 


ABSTRACT: The activity of Competitive Intelligence is usually pointed out as an 
essential factor for companies to face the competitive environments in a more effective 
way, able to carry out the decisions in advance, seeking to guarantee a better 
performance and permanence in the market. Thus, this article aims to describe how 
the Competitive Intelligence has been approached in national research published in 
the Brazilian Scientific Periodicals Electronic Library (SPELL). The methodology used 
was the descriptive bibliographical research, analyzing the articles of the chosen 
database, the period of publication of the studies was not delimited, however, articles 
on HF were only found after 1993. The research was carried out in July 2018 and the 
results presented 75 articles that explored how to focus the competitive intelligence in 
different approaches of field study being also relevant to emphasize the amplitude of 
these studies (focus, sectors and countries). This article advances in the discussion 
about the subject of intelligence and instigates new studies from the examples 
described. 


KEYWORDS: Competitive Intelligence. Performance. Base Spell 


12 


1. INTRODUÇÃO 

O atual ambiente de negócios pode ser considerado mais turbulento, 
competitivo e caracterizado pelo avanço da informação, tecnologias e globalização, 
onde as organizações são pressionadas e desafiadas por esses fenômenos, enquanto 
se esforçam parao sucesso ou mesmoa sua sobrevivência (Yap & Rashid, 2011; La 
Falce, Giacomin & De Muylder, 2016). Assim, a Inteligência Competitiva (IC) surge 
como uma das medidas para as empresas enfrentarem os ambientes competitivos de 
forma mais eficaz, capaz de levar adiante as decisões (Bose, 2008), de modo 
antecipado, para se adaptar ou estabelecer novas estratégias (Du Toit, 2013; 
Fleisher&Bensoussan, 2003), e visando garantir uma melhor performance e 
permanência no mercado assediado pela concorrência (McGonagle & Vella, 1990). 

De acordo com a Society of Competitive Intelligence Professionals (SCIP, 
2010) a IC está focada em monitorar o ambiente competitivo e tecnológico de uma 
organização, com intuito de, segundo Reginato e Gracioli (2012) encontrar as forças 
que regem os negócios, minimizando os riscos e facilitando a tomada de decisão, e 
assim, conforme relatam Fleisher & Wright (2009), Pellissier & Nenzhelele (2013) 
sustentando uma vantagem competitiva. 

Nesta perspectiva, de explorar a IC nas organizações,este artigo tem como 
objetivo descrever como a Inteligência Competitiva vem sendo abordada em 
pesquisas nacionais publicadas na base brasileira Scientific Periodicals Electronic 
Library (SPELL). A escolha da base foi intencional e por acessibilidade, pois trata-se 
de um repositório de artigos científicos que proporciona acesso gratuito à informação 
técnico-científica. 

A metodologia utilizada foi a pesquisa bilbliográfica descritiva, analisando os 
artigos da base escolhida, o período de publicação dos trabalhos em estudo não foi 
delimitado, no entanto, encontraram-se artigos sobre IC apenas a partir de 1993. A 
pesquisa foi realizada em julho de 2018 e os resultados apresentaram 75 artigos 
publicados até Junho do mesmo ano, que exploraram a IC em diferentes abordagens 
de estudo de campo sendo relevante também ressaltar a amplitude destes estudos 
(foco, setores e países). 

Este estudo é relevante diante da perspectiva atual de busca por melhor 
performance das organizações e necessidade de monitoramento ambiental como 
sugerido por Viviers, Saayman, Calof & Muller (2002). Academicamente, tem a 
pretensão de disseminar os estudos realizados na base brasileira pesquisada como 


13 


forma de suporte a pesquisadores para futuras pesquisas relacionadas a IC, mesmo 
que alguns países estejam mais avançados que outros e que os obstáculos e desafios 


a serem superados sejam distintos. 


2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

2.1 INTELIGÊNCIA COMPETITIVA (IC) 

A inteligência competitiva surgiu a partir da necessidade que as organizações 
manifestaram em se antecipar às mudanças ocorridas no mercado e em resposta ao 
ambiente tecnológico e globalizado (Marcial & Grumbach, 2005; Miller, 2002). 

De acordo com Hagiu & Tanascovici (2013), a IC tornou-se mais presente cerca 
de 40 anos atrás, nos EUA. Esse conceito já chegou à Europa há cerca de 20 anos, 
sendo hoje presente em mais de 80% das organizações europeias (Hagiu & 
Tanascovici, 2013). No Brasil, segundo estudo prospectivo realizado pela Associação 
Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva - ABRAIC, iniciou-se a discussão 
sobre IC em meados da década de 1990, que apresentou mais crescimento a partir 
do início do século XXI (Marcial & Grumbach, 2005). 

Cabe ressaltar a diversidade de nomenclaturas de inteligência competitiva 
encontradas na literatura, tais como inteligência social (Choo, 2002); inteligência de 
negócios (Gilad & Gilad, 1988); inteligência competitiva (Tarapanoff, 2006); 
inteligência empresarial/organizacional, inteligência econômica (Martre, Clerc & 
Harbulot, 1994); inteligência coletiva (Lévy, 2007); inteligência estratégica 
antecipativa e coletiva (Janissek-Muniz, Freitas & Lesca, 2007) inteligência 
estratégica (Liebowitz, 2006); inteligência de marketing ou de mercado (Lodi, 2006); 
inteligência técnica (McGonagle & Vella, 1990); varredura ambiental (Saxby, Parker, 
Nitse & Dishman, 2002); análise da concorrência (Ghoshal & Westney, 1991); 
informação sobre o mercado (Maliz& Kohli, 1996); inteligência competitiva 
tecnológica, inteligência competitiva tática, inteligência competitiva para concorrência 
e inteligência competitiva estratégica (McGonagle & Vela, 1990); vigilância 
estratégica (Costa, 2002). 

As atividades de IC vêm se consolidando no mundo dos negócios como uma 
atividade de suporte ao processo estratégico, buscando informações sobre os 
ambientes interno e externo à organização, que propiciarão identificar as ameaças e 
oportunidades (Fleisher & Wright, 2009; Pellissier & Nenzhelele, 2013) criando o 


cenário para uma resposta eficaz e competitiva a fim de melhorar a performance da 


14 


empresa (Aldasoro, Jordi, Zarrabeitia & Larrea, 2015). Nessa perspectiva, faz-se 
necessário que a organização desenvolva um eficiente processo de sistematização e 
difusão, a fim de fornecer informações rápidas e seguras, reduzindo incertezas e 
riscos nas tomadas de decisões (Miller, 2002). 

A partir da necessidade de mais inteligência na maioria das organizações, 
conforme relatado por Gilad (2000) algumas das maiores organizações empresariais 
têm um departamento dedicado à IC, enquanto as pequenas organizações muitas 
vezes praticam IC numa base Ad Hoc. A Price Water House Coopers (2002) revelou 
que os Chief Executive Officer (CEO) cresceram suas receitas em 14,2 %, contra 
11,8 % para todos os outros, e aumentou a performance a partir das informações do 
concorrente. 

Tao & Prescott (2001) retratam que as organizações chinesas têm operações 
informais de IC e que as práticas ainda estão evoluindo. Bensoussan (2003) 
complementa que organizações australianas estão adotando IC como uma ferramenta 
para melhorar a competitividade. Em comunicado de imprensa chamado Market Wire 
(2007), foi relatado que 1.000 organizações americanas planejavam investir em 
pessoal e atividades associadas à IC pelo menos $ 10 bilhões até 2012 das despesas 
correntes de cerca de $ 1 trilhão. 

Fuld (2007) comentou sobre a American Airlines, que em 1980, diante da 
desregulamentação no mercado de transporte aéreo, esta investiu no 
desenvolvimento de um software que inspecionava com precisão diversos fatores 
(horários, tempo em solo, tempo no ar, entre outros) que constituíam os serviços dos 
concorrentes, em comparação aos da própria organização. A partir dos dados obtidos, 
percebeu-se a necessidade de criar um sistema de reservas em computador que 
retivesse os clientes mais frequentes, denominado SABRE. Além disso, concedeu 
lugares em forma de milhagem para os passageiros e adotou o sistema hub-and- 
spoke (aeroporto como centro de distribuição dos voos). Com isso, a partir de uma 
imagem de mercado ainda em formação, de maneira proativa antecipando-se aos 
concorrentes e conquistando maior número de clientes, a organização assumiu o risco 
de investir grandes recursos financeiros durante anos para mudar sua estrutura de 
negócio, em busca de vantagem competitiva futura (Fuld, 2007). 

Ainda nesse viés, Muller (2007) revela que o Japão reuniu tecnologia inovadora 
e informações comerciais sensíveis ao longo de muitos anos; na África do Sul, as 


práticas experimental de IC estão sendo substituídas por aquelas que são mais 


15 


formais, focadas e sofisticadas; na França, Japão, Suécia e EUA, a IC ganhou o seu 
lugar como reconhecida disciplina de negócios e tornou-se uma importante fonte de 
obtenção de vantagem competitiva; a Coreia começou a construir programas formais 
de IC no início de 1980 e está continuamente melhorando suas práticas de IC; na 
França, Israel, Suécia e Canadá, o governo desempenha importante papel como 
provedor de inteligência para as organizações. 

Em levantamento com 520 profissionais de IC em todo o mundo realizado pela 
Competitive Intelligence Foundation, em 2006, notou-se que mais de 25% dos 
entrevistados declararam que os gastos de sua organização com IC no ano de 2000 
superou $ 100,000 e 14 % informaram que sua organização gastou mais de $ 500,000 
com IC ou com atividades relacionadas a ela (Calof & Wright, 2008). Bayandin & 
Kretov (2012) relataram que as organizações americanas como a Motorola, IBM, 
Cisco e Texas Instruments criaram suas próprias unidades de IC. Os autores 
prelecionam que em 1996 apenas 10-15 % das grandes organizações ocidentais 
tinham unidades de IC e até 2012, o número de tais organizações aumentou para 
80 %. 

Contudo, Reginato e Gracioli (2012) sintetizam que a partir do processo de IC 
a organização poderá compreender o ambiente que a cerca, levantando pontos fortes 
e fracos da concorrência, identificando necessidades do público-alvo, de que forma 
os fornecedores podem atender, bem como tecnologias novas disponíveis. A IC 
destina-se principalmente a ser utilizada para o estado da arte, tendências e desafios 
tecnológicos, com uma visão estratégica sobre a competitividade e clientes (Fleisher 
& Bensoussan, 2008). 

Portanto, mais do que um processo ou um setor formalmente instituído na 
organização, a busca pela inteligência é um desejo dos tomadores de decisão, que 
reflete na atitude organizacional de buscar e disseminar informações (Wright & Calof, 
2006). A IC pode ser considerada uma ferramenta para o processo de inovação, de 
observação de mercado, análise de comportamentos estratégicos de ambos os 
concorrentes e clientes, incluindo os seus valores, expectativas e necessidades 
(Krúcken-Pereira, Debiasi & Abreu 2001). O verdadeiro valor da IC, se bem conduzida, 
reside na sua capacidade de fornecer uma imagem bastante clara do futuro ambiente 


de negócios em que a organização opera (Muller, 2007). 


16 


3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, cujo objetivo é descrever como a IC 
vem sendo abordada em pesquisas nacionais publicados na base brasileira Scientific 
Periodicals Electronic Library (SPELL). A escolha da base de dados brasileira foi 
intencional, que de acordo com Costa Neto (1977) a amostra intencional 
deliberadamente escolhe certos elementos para pertencer à amostra, por julgar tais 
elementos bem representativos da população. Massukado-Nakatani (2009) 
complementa que o emprego deste tipo de amostra requer conhecimento da 
população e dos elementos selecionados. 

A base SPELL, iniciada em 2012, consiste em uma ferramenta virtual que 
agrega a produção científica disponibilizada eletronicamente por periódicos nacionais 
das áreas de Administração Pública e de Empresas, Contabilidade e Turismo, 
reunindo artigos científicos, artigos tecnológicos, pensatas, entrevistas, editoriais, 
resenhas, casos de ensino, resumos de teses e dissertações, apresentações de 
fóruns, assim como seus similares, todos disponíveis livremente para consulta e 
download (Spell, 2018). Durante a pesquisa, o banco de dados da base contava com 
43.925 documentos publicados, 12.681.699 downloads e 39.660.440 acessos (Spell, 
2018). O período de publicação dos trabalhos em estudo não foi delimitado; todavia, 
encontraram-se artigos sobre IC apenas a partir de 1998. 

Para o levantamento dos dados, apesar da vasta nomenclatura ao termo 
inteligência competitiva, conforme abordado no referencial teórico, utilizou-se como 
base a palavra-chave: inteligência competitiva, sem a seleção de filtros, o que permitiu 
uma busca completa sobre o tema e relacionados a ele. A pesquisa foi realizada em 
Julho de 2018 e foi possível identificar um total de 89 artigos publicados até Junho do 
mesmo ano na SPELL que abordaram o tema IC. Posteriormente, foi efetuada uma 
análise descritiva, por meio da leiturados títulos, resumos, palavras-chave e 
metodologias, buscando selecionar apenas os artigos que abordaram a IC como foco 
da pesquisa. Os resultados apresentaram 75 artigos que exploraram a inteligência 
competitiva em diferentes abordagens de estudo de campo sendo relevante também 
ressaltar a amplitude destes estudos (foco, setores e países). 


A seguir, serão apresentados e discutidos os resultados da pesquisa. 


17 


4. RESULTADOS E DISCUSSÃO DA PESQUISA 
A tabela 1, descreve como a IC vem sendo abordada em pesquisas nacionais 
publicados na base brasileira SPELL, com o intuito de demonstrar a amplitude de sua 


utilização em relatos científicos e sobre organizações distintas. 


Tabela 1— Abordagens da IC em pesquisas nacionais. 





Autores 


Abordagens da IC em pesquisas nacionais 





Sapiro (1993) 


A pesquisa apresentou o estado da arte da inteligência 
empresarial, discutindo sua importância no planejamento 
estratégico, processo decisório, implantação de programas de 
qualidade total e competitividade. 





Barroso e Gomes 
(1999) 


Realizaram uma revisão do tema gestão do conhecimento e suas 
interrelações com outras disciplinas, e, ainda, uma experiência de 
implementação de uma unidade de IC no Brasil. 





Alvarenga-Neito e 
Barbosa (2003) 


Observaram que a IC e a gestão do conhecimento, constitui 
território fértil para estudos empíricos que possam expandir o 
saber das organizações no contexto das atividades produtivas. 





Rodarte (2003) 


Apresentaram a integração de IC, Inteligência Tecnológica e 
Mapeamento Tecnológico, dentro do novo paradigma do processo 
de planejamento institucional estratégico. 





Rodrigues, 
Antunes e Dutra 
(2008) 


Na pesquisa, estudaram a integração da gestão da qualidade 
total, do conhecimento e IC e do capital intelectual com foco em 
inovação. 





Colauto, Beuren e 
Santána (2004) 


Mostraram a integração do benchmarking e IC para realizar 
comparações de processos em empresas reconhecidas como 
portadoras das melhores práticas. 





Colauto, 
Gonçalves, Beuren 
e Santos (2004) 


Pesquisaram uma empresa brasileira fabricante de compressores 
e mostraram que a atividade de IC está integrada ao modelo 
estrutural e operacional e que os fatores críticos de sucesso 
subsidiam o plano estratégico com o foco no concorrente. 





Lana, Perfeito, 
Dalfovo e Selig 
(2005) 


Realizaram um estudo com intuito de contribuir com o campo de 
estudos sobre IC por meio da teorização e reflexão sobre alguns 
dos seus principais conceitos. 





Quinello e Nicoletti 
(2005) 


O estudo pesquisou profissionais da área de IC e a 
sistematização do processo em um departamento-piloto do setor 
automotivo e os resultados mostraram a utilização de fontes 
formais e informais e a não-sistemátização de IC. 





Rodriguez e 
Fontana (2005) 


Pesquisaram 26 MPMES brasileiras exportadoras de sólidos de 
madeira certificados e os resultados reforçaram que uma minoria 
das empresas pesquisadas faz uso efetivo e regular de um 
processo estruturado de IC. 








Ferraresi e Santos 
(2006) 





Concluíram em um ensaio teórico que a IC se constitui numa 
prática gerencial ligada à gestão do conhecimento, fundamental 
para a tomada de decisões. 





18 





Oliveira (2006) 


Apresentaram fundamentos teóricos sobre a orientação ao 
mercado e o conhecimento de mercado. 





Sauner e Balestrin 
(2006) 


Pesquisaram duas empresas de TI da região de Porto Alegre, Sul 
do Brasil e os resultados indicaram dificuldades na realização do 
processo de IC, sendo estas atividades de IC atribuídas aos 
profissionais da área de marketing. 





Cunha e Medeiros 
(2007) 


Estudaram um banco múltiplo e chegaram a conclusão que o 
processo de IC na organização ainda não se consolidou e que a 
rede estudada possui conectividade, mas não coerência. 





Silva e Barbosa 
(2007) 


Verificaram empresas integrantes do Arranjo Produtivo Local 
(APL)de Nova Friburgo, e observaram a IC como facilitadora de 
inserção e de obtenção de maior participação destas no mercado 
exterior, e constataram baixa presença de recursos para o 
desenvolvimento de IC no APL. 





Tarapanoff (2007) 


Defendeu a gestão da informação e a gestão do conhecimento 
apresentam para o processo de tomada de decisão uma 
propriedade que é a inteligência institucional. 





Fernandez e Lana 
(2008) 


Observaram que ainda não há uma metodologia proposta de 
implantação das tecnologias de informação necessárias para 
proporcionar suporte em um processo sistêmico de 
implementação da IC nas organizações. 





Guedes e Cândido 
(2008) 


Mostraram como a ferramenta de TI Personal Brain contribui para 
a prática da IC e da Gestão do Conhecimento no Ministério da 
Saúde no Estado da Paraíba. 





Hofmann, Pelaez, 
Melo e Aquino 
(2008) 


Apresentaram um sistema de IC chamado MaqMad projetado 
como uma ferramenta para apoiar a tomada de decisões na 
indústria brasileira de máquinas para madeira. 





Russo, Frederick e 
Nogueira (2008) 


Estudaram que a utilização da decisão naturalista para a criação 
de sentido podem auxiliar a IC na tomada de decisão. 





Lins, Silva e 
Quandt (2009) 


Mostraram que a implantação sistemática de IC em uma empresa 
de telecomunicações brasileira contribuiu para uma melhoria de 
eficiência nos processos de auditoria de fraude. 





Panizzon, Conto e 
Malafaia (2009) 


Analisaram a estrutura de IC de uma grande empresa gaúcha do 
setor automotivo e concluíram que o modelo de alianças 
estratégias adotadas aumentou o fluxo e a troca de informações. 





Rodrigues, 
Zoschke, Vieira, 
Bonocielle Júnior e 
Galeano (2009) 


Estudaram a empresa ATT Transbordo e os resultados indicaram 
que as redes de contato pessoais, tanto internas, quanto externas, 
constituem o mecanismo básico para operação da IC, principal 
responsável pelo sucesso do negócio da empresa. 





Cristofoli e Dias 
(2010) 


Pesquisaram a alta direção de duas organizações privadas na 
região metropolitana de São Paulo, e detectaram a relevância da 
IC e o compromisso entre os colaboradores envolvidos. 








Oliveira, 
Gonçalves e Paula 
(2010) 





Apresentaram um modelo teórico que integra a Visão Baseada em 
Recursos da empresa (VBR), Inteligência Competitiva (IC) e 
Balanced Scorecard (BSC), nos planos da formulação e 
implementação estratégicas. 








19 





Maccari, Alonso, 
Tanaka e Júnior 
(2010) 


Realizaram uma pesquisa em uma indústria brasileira do ramo de 
louças sanitárias e os resultados encontrados, constataram que 
há oportunidades de melhorias no processo de IC com o intuito de 
sistematizar as informações. 





Ribeiro Filho, 
Lopes, 
Pederneiras, Silva 
e Mulatinho (2010) 


A pesquisa estudou o Tribunal de Contas do Estado de PE e 
concluiram, com base na IC, que há fragilidades que podem 
comprometer a eficácia da implementação das recomendações 
emitidas pela auditoria operacional 





Três e Cândido 
(2010) 


O estudo descreveu o Projeto SIS SEBRAE/SC como ferramenta 
inovadora para empresas associadas em APLs e mostrou que é 
possível estruturar com sucesso um modelo de IC que aborde um 
setor ou segmento da economia. 





Dalfovo, Schirmann 
e Correia (2011) 


Apresentaram a utilização de um sistema de informação como IC 
em uma Instituição de Ensino Superior como vantagem 
estratégica. 





Lopes, De Muylder 
e Judice (2011) 


Estudaram empresas de um APL no Vale da Eletrônica de Santa 
Rita do Sapucai (MG) e obseravram compartilhamento de 
informações estratégicas e de inteligência, e processo de 
disponibilização de IC compartilhada. 





Macedo, 
Rodrigues e 
Silveira (2011) 


Analisaram a gestão de dois Programas de Pós-Graduação Stricto 
Sensu em Administração e os resultados indicam que em ambos 
os Programas há indícios de utilização de Inteligência Acadêmica 
(IA). 





Ozaki, Rey e 
Almeida (2011) 


Propuseram uma ferramenta denominada Radar de Monitoramento 
Tecnológico, e esta mostrou-se bastante útil para uma empresa 
que precise monitorar o ambiente em busca de sinais de mudança. 





Pelissari, 
Gonzalez, Vanalle 
e Soares (2011) 


Analisaram a prática da IC de pequenas empresas do Município 
de Vila Velha/ES e os resultados apontaram que, estas não 
desenvolvem um processo global de IC empreendedora de modo 
sistemático. 





Oliveira, 
Gonçalves e Paula 
(2012) 


Conclufram que o valor estratégico da IC está concentrado no 
conhecimento tácito dos seus profissionais e nos relacionamentos 
construídos ao longo do tempo. 





Parreiras e 
Antunes (2012) 


Verificaram a importância da monitoração de aspectos atuais, por 
meio de técnicas de IC, e da prospecção de aspectos futuros, a 
partir de técnicas de foresight. 





Prestes, Olea, 
Nodari, Ganzer, 


Pesquisaram os principais executivos dos hospitais de Caxias do 
Sul e observaram que os hospitais além da infraestrutura de TI, 








Guimarães e tem pouco esforço sistematizado e poucos critérios para 

Dorion (2012) selecionar fontes de informação. 

Rodrigues, Analisaram a empresa brasileira Frimesa e os resultados indicam 
Rechziegel, que o sistema de IC estruturado pela empresa é o determinante 
Esteves e do perfil de seu modelo de negócio, mas também sustenta o 
Fernandes (2012) | processo de inovação desejado pela empresa. 

Silva e Bicca Pesquisaram uma empresa do setor de Tecnologia da Informação 
(2012) e verificaram que a aplicação de Inteligência Estratégica 





Antecipativa e Coletiva é de bastante utilidade, e fornecendo 
subsídios para a tomada de decisão estratégica. 








20 





Fachinelli, Luchesi, 
Crespi e Machado 
(2013) 


Pesquisaram 80 empresas do setor moveleiro do Rio Grande do 
Sul e concluíram que nestas, existe uma relação fraca entre IC e 
exportação, e entre IC e distância psíquica. 





Fachinelli, 
Giacomello e 
Bertolini (2013) 


Desenvolveram uma escala para avaliar o nível de percepção da 
informação e o nível de estruturação dos processos de 
inteligência estratégica em uma empresa do setor moveleiro do 
Rio Grande do Sul. 





Feitosa (2013) 


Estudou uma empresa brasileira e constatou, que por meio da IC, 
a organização pode igualar os concorrentes, inovar e criar 
vantagem competitiva. 





Oliveira (2013) 


Realizaram uma pesquisa com 29 estrategistas de empresas 
mineiras e os resultados revelaram que a utilização de produtos 
de IC é influenciada pela intensidade concorrencial existente no 
setor. 





Rodrigues, Sierra e 
Rechziegel (2013) 


Pesquisaram uma instituição financeira em um país emergente e 
os resultados apresentaram a IC descentralizada e que o modus 
operandi da IC nesta organização é intuitivo e avançado para seu 
nível de maturidade. 





Azevedo e 
Santana (2014) 


Apresentam uma revisão de literatura mostrando que a Web 2.0 
tornou-se um fator de competitividade no ambiente organizacional 
no processo decisório da IC. 





Araújo e Castilho 


Pesquisaram duas empresas prestadoras de serviço de IC e 





Júnior (2014) concluíram que a aplicação da gestão da informação é importante 
para o desenvolvimento da coleta, tendo em vista que a 
informação está diretamente ligada ao processo de IC. 

Francisco, Pesquisaram uma instituição privada da educação superior e os 


Nakayama, Melo, 
Pitta e Oliveira 
(2014) 


resultados mostram que a IC guarda relações com o Sistema 
Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) e permite 
estratégias alinhadas com a tomada de decisão. 





Oliveira (2014) 


Realizaram um estudo em indústrias de estanho, da cidade de 
São João Del Rei-MG e os resultados apresentaram diferenças 
nos sistemas de IC decorrente dos perfis dos profissionais 
diretamente envolvidos com os respectivos processos. 





Panizzon, Roesch, 
Olea e Milan 
(2014) 


Realizaram um caso de ensino com os temas de planejamento e 
estratégia, IC, mudança organizacional, gestão do conhecimento 
e valor para o cliente. 





Quadros, Vieira, 
Consoni e Quintão 
(2014) 


Discutiram sobre a implementação de um banco de dados com 
informações quantitativas e qualitativas sobre as competências 
tecnológicas brasileiras aplicáveis à indústria automotiva em 
diversas áreas tecnológicas. 








Câmara, Lara e 
Sousa (2015) 


Deliberal, D'Arrigo 
e Fachinelli (2015) 





Analisaram como se configuram as estratégias de orientação para 
o mercado no varejo farmacêutico em Belo Horizonte/ MG e 
aferiram que o modelo precisa de ajustes para a orientação para o 
mercado desse varejo. 


Realizaram um caso de ensino sobre os problemas vivenciados 
por uma indústria metalúrgica de pequeno porte e o processo de 
tomada de decisão dos gestores, utilizando como base as 
abordagens teóricas da IC e dos sinais fracos. 








21 





Moraes, Toledo e 
Garber (2015) 


Conclufram na pesquisa que mudanças culturais e 
comportamentais representam fatores determinantes para a 
implementação e manutenção tanto do Sistema de IC quanto de 
uma orientação para o mercado nas organizações. 





Oliveira, Pechin, 
Meyer, Paulo e 
Santos (2015) 


Constataram que o processo de IC ainda não está devidamente 
estruturado para apoiar a tomada de decisão estratégica no setor 
imobiliário da cidade de Ouro Branco/MG. 





Almeida e Hirata 
(2016) 


Descreveram a implantação de dispositivos de monitoramento em 
duas empresas estrangeiras situadas em um contexto brasileiro e 
o método usado demonstrou ser eficaz, gerando resultados 
significativos para as empresas estudadas. 





Cavalcanti, Oliveira 
e Bronzo (2016) 


Por meio de uma base de dados de Clientes da empresa SAS no 
Brasil, o estudo concluiu que Business Analytics tem forte impacto 
na inovação de processos e que o constructo estratégia possui 
uma grande relevância preditiva em BA. 





Falcão, Mazzero e 
Campomar (2016) 


Conclufram que o papel desempenhado pela IC tem como 
responsabilidade colaborar para a melhoria dos resultados de 
marketing da empresa e suportar o desenvolvimento de 
relacionamentos duradouros com os clientes. 





Jorge e Sutton 
(2016) 


A pesquisa apontou a dificuldade da aplicação da gamificação 
como estratégia nos processos de gestão do conhecimento no 
contexto da inteligência organizacional. 





Morejón-Bravo 
(2016) 


Demonstraram a importância dos produtos da inteligência, 
especificamente os perfis de setor e os estudos de mercado, para 
a tomada de decisões nas empresas. 





Nascimento, 
Santos, Valentim e 
Cabero (2016) 


Compreenderam em seu estudo que conhecer os sujeitos 
organizacionais, no intuito de utilizar esse conhecimento em 
benefício da organização, é essencial para a implantação do 
processo de IC. 





Nunes e Lequain 
(2016) 


Verificaram como a IC auxilia no desenvolvimento da seleção de 
mercado para exportação e identificaram quatro dimensões 
estratégicas: distância psíquica, análise setorial, etapas de 
seleção e indicadores. 





Passos e Ferreira 
(2016) 


Realizaram um estudo nas 200 maiores empresas da Região 
Autónoma dos Açores e concluíram que não se pode afirmar que 
existe IC na totalidade das empresas pesquisadas. 





Pizzol, Todesco e 
Todesco (2016) 


Aplicaram um modelo no setor de Eletricidade e Gás, para 
identificação, seleção e classificação da informação que facilita a 
recuperação e uso dos dados na etapa de coleta do ciclo de IC. 





Santarém e 
Vitoriano (2016) 


Conclufram que a IC deve ser capaz de obter informações, 
analisá-las e avaliar corretamente quais são relevantes para as 
decisões estratégicas da organização. 








Santos, Santos e 
Belluzzo (2016) 


Santos, Zilber e 
Toledo (2016) 





Apresentaram que para a otimização dos processos da IC, os 
colaboradores devem ter competências e habilidades de análise e 
avaliação crítica das informações. 


Realizaram uma pesquisa em diferentes níveis funcionais das 
empresas e mostraram que a inovação está relacionada com a 
orientação para o mercado. 








22 





Silva, Bassetto, Apresentaram uma análise considerando a competência em 
Ottonicar e Yafushi | informação elemento essencial tanto para o desenvolvimento de 
(2016) processos de IC, quanto para o alcance de bons resultados em 
indicadores de inovação. 





Teixeira e Valentim | Expuseram um estudo teórico sobre IC, a geração de inovação e 
(2016) a implementação de estratégias de ação. 





Ciupak e Concluíram que todas as abordagens das correntes de IC 
Rodrigues (2017) identificadas na pesquisa permitem às organizações uma melhor 
estruturação estratégica. 





Garcia (2017) Revelaram que as práticas de IC ainda estão em estágio inicial de 
aplicação nas empresas brasileiras. 





Pimentel e Almeida | Conclufram em sua pesquisa uma relação entre o modo como 
(2017) uma organização monitora o seu ambiente externo e a sua 
orientação estratégica. 





Pereira, Jeunon, Analisaram como se configura a IC nas MPE da Aerotrópole de 
Barbosa e Duarte Belo Horizonte e constataram uma relevante oportunidade de 
(2017) melhoria nos processos de gestão das empresas pesquisadas, 


nas práticas de monitoramento do mercado e de IC. 





Zenaide e Castro Pesquisaram executivos de IC em 8 empresas brasileiras de 
(2017) telecomunicações, e perceberam que a coleta de dados e uso dos 
outputs de IC devem ser aperfeiçoados para tornar a prática mais 
próxima possível da estratégia das companhias. 





Nolasco, Silva, El- | Concluíram que a Gestão do Conhecimento auxilia a organização 





Aouar, Barreto e no desempenho estartégico, e é capaz de ajudar no processo de 
Vasconcelos IC, como suporte para gestão da inovação, solução de problemas 
(2018) e no processo de tomada de decisão. 

Reche e Muniz Os resultados do estudo demonstraram uma proximidade entre os 
(2018) métodos de Design Thinking e Inteligência Estratégica, além da 


complementariedade ou sequencialidade de sua utilização com 
foco em inovação. 














Fonte: elaborado pelos autores. 


Com relação aos critérios de seleção dos estudos, os artigos foram organizados 
uma análise descritiva, por meio da leiturados títulos, resumos, palavras-chave e 
metodologias, buscando selecionar apenas os artigos que abordaram a IC como foco 
da pesquisa. No entanto, os resultados apresentaram 75 artigos que descrevem a IC 
no seu estado da arte e em diferentes abordagens de estudo de campo, sendo 
relevante também ressaltar a amplitude destes estudos (foco, setores e países). 

Dentre os artigos selecionados, 44 estudaram a aplicação de IC nas 
organizações em diferentes abordagens, buscando ressaltar que as informações 
fornecidas pela ferramenta de IC contribuem para melhor performance das 
organizações (Competitive Intelligence Foundation, 2006). Dentre as diferentes 


23 


abordagens dos estudos, podemos citar: vantagem competitiva; inovação; alianças 
estratégicas; tecnologia da informação; P&D; tamanho da empresa como fator 
relevante; comprometimento dos profissionais da área; sistematização do processo 
de IC; infraestrutura. Na reflexão destes estudos, pudemos perceber a IC como uma 
ferramenta estratégia capaz de levar adiante as decisões (Bose, 2008; Du Toit, 2013) 
e que pode ser utilizada para apoiar o desenvolvimento da inovação nas organizações 
(Fleisher & Benssoussan, 2003) visando garantir melhor performance. Nessa 
perspectiva, faz-se necessário que a organização desenvolva um eficiente processo 
de sistematização das informações (Miller, 2002), e o que pode ser notado nos 
estudos, é uma insinuante fragilidade nos processos sistêmicos de IC nas empresas 
pesquisadas. Assim, Herring (1999) sugere a implantação de um Sistema de 
Inteligência Competitiva (SIC), que trata de um processo organizacional de coleta e 
análise sistemática da informação que deve monitorar todo o ambiente, para a 
organização agir de forma rápida e precisa para obter vantagem competitiva. 

No entanto, nos estudos descritos, pode-se perceber a falta de infraestrutura 
em algumas das empresas pesquisadas. Mencionaram a falta de investimento em 
tecnologia, que segundo Valentin, Cervantes, Carvalho, Garcia, Lenzi, Catarino e 
Tomaél (2003) a tecnologia é uma das partes necessária do processo de IC. 
Revelaram problemas também quanto a gestão e profissionais envolvidas no 
processo de IC, e que de acordo com Miller (2002) deve ocorrer o envolvimento e 
capacitação dos funcionários da organização para a coleta das informações que 
possibilitem mais socialização das oportunidades micro e macroambientais. Ainda 
neste viés, P&D e as alianças estratégicas foram citadas nos estudos que conforme 
relatado por Tidd, Bessant & Pavitt (2013) podem servir como um mecanismo de 
aprendizagem, transferência e de partilha de conhecimentos intra e 
interorganizacionais. Birkinshaw & Gibson (2004) atentam também para os princípios 
da ambidesteridade organizacional, que trata da capacidade de adaptabilidade, isto 
é, a habilidade de mover-se rapidamente em direção a novas oportunidades, e de 
alinhamento, com habilidade de prover ajustes estruturais desenvolvendo um senso 
de coordenação e racionalização de processos capazes de criar valor no curto prazo. 

Também pode-se observar, dentre os 44 artigos que estudaram a aplicação de 
IC nas organizações, que organizações de grande porte são mais propensas ao 
processo de IC, mas de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e 
Pequenas Empresas -SEBRAE (2017) as organizações e empresas de qualquer porte 


24 


e segmento devem implementar o processo de IC, que para Murphy (2006), a 
diferença fundamental na implementação de IC está na atitude e adoção de um 
propósito planejado pela organização. 

Ainda nos resultados, foram observados 6 artigos onde a IC é associada a 
gestão do conhecimento, e que é corrobado por Tarapanoff (2006) que relata sobre a 
relevância da criação do processo da gestão da informação e do conhecimento, que 
se vai elaborando um sistema útil às organizações, integrado em sua cultura e em 
seus cenários voltados ao futuro. 

Os resultados ainda mostraram 13 artigos que realizaram ensaios teóricos com 
intuito de contribuir com o estado da arte da IC por meio da teorização e reflexão sobre 
alguns dos seus principais conceitos e práticas. Segundo Meneghetti (2011), na 
administração em que o imperativo da objetividade domina a produção de 
conhecimento, o ensaio é importante recurso para ampliar a interdisciplinaridade e 
promover a construção de saberes por meio da relação intersubjetiva. Todavia, há 
dificuldades visíveis, devido à tendência totalitária em acreditar que o método 
científico é o único que pode levar à administração o verdadeiro conhecimento 
(Meneghetti, 2011, p. 331). 

Ainda nos resultados da pesquisa, 2 artigos relacionaram práticas de marketing 
e IC, e de acordo com Fleisher e Bensoussan (2003) a IC combina sinais, eventos, 
percepções e dados para identificar padrões e tendências em ambientes de negócios, 
que para Malhotra (2006) pode auxiliar os gerentes de marketing com informações 
para reagirem a produtos e outras ofertas de marketing. 

Também pode-se observar 8 artigos que mostraram a Tecnologia da 
Informação (TI) e ferramentas de TI para a viabilização de práticas da IC. Fuld (2007) 
diz que investir em recursos pode auxiliar as organizações a controlar o volume de 
informações que recebe, estabelecendo critérios e limites para o seu fluxo. Segundo 
Ashton & Klavans (1997), a inteligência tecnológica quando bem executada, pode 
resultar em uma economia entre 10 e 100 vezes ao investimento inicialmente 
realizado. 

Ainda analisando os resultados, 2 artigos propuseram modelos integrando IC 
nas implementações estratégicas, que conforme Schiffman & Kanuk (2000), um 
modelo pode ser definido como uma representação da realidade designada para 
mostrar relacionamentos entre vários elementos de um sistema ou processo sob 
investigação. 


25 


Os resultados ainda apontaram para 2 artigos que realizaram casos de ensino 
propondo análises, reflexões e relações de IC nas organizações. Barney & Hesterly 
(2011) afirmam que, por meio do método caso de ensino, o aluno irá conhecer e 
discutir os desafios reais enfrentados pelas empresas, o que propiciará o 
desenvolvimento da capacidade de julgamento e de aplicação dos conceitos. 


5. CONCLUSÃO 

No decorrer dos últimos anos, percebe-se o deslocamento das discussões 
sobre IC para as características internas das empresas, sem deixar de lado a 
influência das forças ambientais que afetam o comportamento e a performance 
empresarial. Percebeu-se nesta pesquisa, com objetivo de descrever como a IC vem 
sendo abordada em pesquisas nacionais publicados na base brasileira SPELL, 
resultados práticos de IC como ferramenta que contribui para o delineamento de 
estratégias de competitividade, inovação e melhor performance. 

Dentre as lições aprendidas podemos destacar que a essência da utilização de 
IC está na sua contribuição para um processo decisório melhor e mais oportuno, já 
que seu objetivo primordial é auxiliar os tomadores de decisão a evitar surpresas do 
ambiente competitivo e identificar ameaças e oportunidades atuais e potenciais 
(Hohhof, 1994). Nesse contexto, a capacidade de reagir e o tempo de reação são 
qualidades fundamentais para a definição de estratégias das organizações para que 
estas possam se tornar claramente orientadas para o mercado e aproveitar as 
oportunidades (Pozzebon, Freitas & Petrini, 1997). Fatores que também 
apresentaram relevância são: estudos apontando fatores que limitam e/ou instigam as 
práticas de IC nas organizações; outros artigos ressalvam o tamanho da organização 
como fatores que interferem no processo de IC; e também alguns artigos abordaram 
a necessidade de recursos e investimentos em IC. 

Outras contribuições do presente trabalho referem-se ao referencial onde 
constou aplicações de IC em diversos setores, países e a conceituação do temo IC 
desenvolvidos a partir de uma vasta revisão da literatura, podendo perceber 
apropriadas contribuições ao termo e com posicionamentos baseados em conceitos 
extraídos da literatura clássica. Mesmo assim, alguns conceitos ainda estão 
sendo discutidos em nível teórico, como por exemplo, a própria definição do termo. 
Isso corroba com Fleisher & Wright (2009), que argumentam que os profissionais de 


IC raramente têm tempo para definições e preferem se concentrar em fazer o seu 


26 


trabalho melhor. Para Brody (2008) a IC é um processo definido em situações que são 
dinâmicas e em que os jogadores avançam em um ambiente de negócios em 
constante mudança, por isso a variedade de definições pode ser um reflexo desse 
processo de mudança. 

Por fim, observamos que o foco das atividades de IC está voltado para Gestão 
Estratégica e apoio a tomada de decisão em uma organização. Para o meio 
acadêmico, a perda recai sobre a baixa produção sobre IC nas pesquisas nacionais 
publicadas, e alinhamento dos esforços organizacionais, o que seria oportuno para a 
geração de inovação e melhor performance. 

Considerando as limitações da pesquisa, por utilizar como amostra apenas a 
base selecionada, alerta-se que tais informações não podem ser generalizadas, assim 
como não foi o foco da pesquisa. Contudo se observa que os resultados contribuem 
para o entendimento da produção científica acerca de IC na base nacional 
pesquisada, podendo contribuir como suporte a pesquisadores para futuras pesquisas 
relacionadas ao tema, mesmo que alguns países estejam mais avançados que outros 
e que os obstáculos e desafios a serem superados sejam distintos. Como sugestões 
para futuras pesquisas, recomenda-se que sejam feitos estudos com maior número 
de bases de periódicos, podendo também incluir análises em rede e ainda análises 


da produtividade dos grupos de pesquisa. 


21 


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36 


CAPÍTULO 03 


SAINT-EXUPÉRY: UM ESTUDO SOBRE A EXTENSÃO DO ALCANCE DA 
INFLUENCIA DO LIDER SOBRE SEUS LIDERADOS. 


Warley Robson 
MBA em Liderança e Gestão Organizacional (UNISUL) 


Instituição: Aluno-Pesquisador do MBA da Universidade do Sul de Santa Catarina 


End: Av. Pedra Branca, 25, Cidade Universitária Pedra Branca - Palhoça/SC, Brasil 


E-mail: warleyrobson(Oglobo.com 


Prof. Dr. João Pinheiro de Barros Neto 

Pós-Doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 

Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC SP) 

End: Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais, Rua Monte 
Alegre, 984 - ERBM - Sala 122 - Perdizes - São Paulo — SP, Brasil. 

E-mail: jparrosQ pucsp.br; professorbarros(hotmail.com 


RESUMO: O fenômeno da liderança vem sendo estudado e apontado por 
diversos autores e pesquisas pela sua importância para as organizações, 
pessoas e sociedades. Um dos conceitos mais atuais, diz respeito à liderança 
servidora, segundo a qual o líder é a pessoa que exerce influência sobre seus 
liderados, em busca do bem comum. Este artigo apresenta a análise dos 
resultados de uma pesquisa que visou identificar e compreender até onde essa 
influência pode chegar, e qual a consciência e a responsabilidade do líder em 
decorrência disto. Ele demonstra que, diferente da percepção que se tem essa 
influência não se restringe à área da vida do liderado à qual o líder está 
diretamente ligado. Além disso, que a longevidade dessa influência é muito 
maior do que normalmente se pensa, permanecendo ativa muito além do período 
de convivência entre líder e liderado, ou seja, como disse Saint-Exupéry: “Tu te 
tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”. 


PALAVRAS-CHAVE: Liderança. Gestão de Pessoas. Comportamento 
Organizacional. Competências. Relacionamento Interpessoal. 


ABSTRACT: The phenomenon of leadership has been studied and pointed out 
by several authors and researches for their importance to organizations, 
individuals and societies. One of the most current concepts concerns servant 
leadership, according to which the leader is the person who exerts influence over 
his or her people in search of the common good. This article presents the analysis 
of the results of a research that aimed to identify and understand to what extent 
this influence can reach, and what the leader's awareness and responsibility as 
a result. He demonstrates that, unlike the perception of this influence, it is not 
restricted to the area of the life of the leader to whom the leader is directly 
attached. Moreover, the longevity of this influence is much greater than is 
commonly thought, remaining active far beyond the period of coexistence 
between leader and leader, that is, as Saint-Exupéry said: "You become eternally 
responsible for what you captivate”. 


37 


KEYWORDS: Leadership; People management; Organizational behavior; Skills; 
Interpersonal. 


1. INTRODUÇÃO 

Diversos autores e pensadores da administração têm estudado 
profundamente o fenômeno da liderança. Seus conceitos, causas e origens, sua 
importância, de onde vem seu poder de influência, quais as competências 
necessárias para se tornar um líder e ultimamente tem-se falado muito sobre o 
impacto do estilo e da eficácia da liderança para os resultados econômicos de 
uma organização. 

Ao se adotar um olhar de longo prazo considerando a longevidade da 
organização como prioridade sobre os resultados econômicos de curto prazo, 
percebe-se que o maior impacto que o líder pode causar não está nos números 
do balanço anual, que são apenas uma fotografia temporal e efêmera, mas sim 
nas pessoas que são a origem, a razão, a sustentação e a finalidade de toda e 
qualquer organização (STAREC; GOMES; BEZERRA, 2006; MCGRATH, 2013). 

Eis uma forte e suficiente razão para que o contínuo estudo do fenômeno 
da liderança seja tão importante para as organizações, pessoas e, 
consequentemente, sociedades. 

Em abril de 1943, enquanto as escolas administrativas desenvolviam a 
Teoria das Relações Humanas e, no que tange a liderança, o pensamento 
administrativo migrava da teoria dos traços para a teoria do comportamento 
(JUNIOR et al., 2014, p. 10; DAVEL; MACHADO, 2015, p. 109), o “Conde de 
Saint-Exupéry, popularmente conhecido como Antoine de Saint-Exupéry (Lyon, 
29 de junho de 1900 — Litoral sul da França, 31 de julho de 1944), [...] escritor, 
ilustrador e piloto francês” (WIKIPÉDIA, 2012, p. 1), publicou nos Estados Unidos 
a primeira edição do seu, atualmente célebre e clássico, livro Le Petit Prince (O 
Pequeno Príncipe), imortalizando, dentre outras, a famosa frase: “Tu te tornas 
eternamente responsável por aquilo que cativas.” (SAINT-EXUPÉRY, 2009, p. 
72, grifo nosso). Saint-Exupéry (2009, p. 66) completa ainda dizendo que 
“cativar” é “criar laços”. 

De acordo com os conceitos mais atuais, liderança é um processo social, 


através do qual se estabelece uma ligação (laços) entre líder e liderado, em que 


38 


O primeiro exerce grande influência sobre o segundo, visando alcançar objetivos 
comuns a ambos (HUNTER, 2004; LIMA NETO; MARQUES; ROSA, 2016; 
MAXWELL, 2011). 

Para ajudar a elucidar a relação entre a frase de Saint-Exupéry e a 
liderança, vale ressaltar que Hunter (2004, p. 116) ainda completa afirmando que 
“ficamos presos àqueles a quem prestamos atenção, com quem passamos o 
tempo ou a quem servimos”. 

Diante da já comprovada importância do fenômeno da liderança, esta 
pesquisa buscou elucidar: o nível de influência que os líderes possuem em áreas 
da vida de seus liderados diferentes daquela com a qual estão diretamente 
ligados; como essa mesma influência se comporta depois de findo o contato 
direto entre líder e liderado; a consciência que ambos possuem sobre essa 
realidade; e, em consequência de tudo isso, compreender melhor a real 
responsabilidade do líder no desenvolvimento pessoal e profissional dos 
liderados. 

A escolha do tema desta pesquisa se deu com base em trabalhos e 
estudos de diversos autores e pesquisadores, somada a sincero interesse e 
satisfação por parte dos autores no estudo do relacionamento interpessoal, e 
ainda muito inspirada pela famosa frase de Saint-Exupéry (2009), que acabou 
demonstrando grande relação com os conceitos atuais de liderança e o próprio 
tema de estudo. 

Devido ao contexto de trabalho de um dos autores, o que lhe concedia 
maior acesso, o estudo foi delimitado para um grupo de colaboradores de 
organizações brasileiras atuantes no do setor de extração, beneficiamento e 
comercialização de rochas ornamentais, bem como empresas ligadas à cadeia 
de suprimentos destas. 

Além destes, alguns participantes da pesquisa foram professoras do 
ensino médio da grande Vitória e Guaçuí, ES, escolhidas devido a dois fatores: 
a grande influência, e, por conseguinte liderança, que essas profissionais 
exercem sobre seus alunos (liderados), atuais e antigos, o que, como esperado, 
contribuiu para o enriquecimento da pesquisa; e ao fácil acesso que um dos 
pesquisadores possui a essas profissionais devido ao seu relacionamento 


pessoal. 


39 


A pesquisa foi realizada de forma exploratória e com uma abordagem de 
análise quanti-qualitativa, através da qual, além da apresentação e análise de 
dados numéricos coletados e de gráficos, contou com a observação participante 
do pesquisador, no que diz respeito à compreensão e interpretação dos dados, 
que foi muito utilizada para a busca pela solução do problema. 

As informações pesquisadas foram coletadas direta e indiretamente sobre 
fatos concretos, através do questionário respondido online, entrevistas pessoais 
e telefônicas semiestruturadas e observações diretas durante as atividades 
profissionais do autor ocorridas entre os dias 15 de outubro e 11 de novembro 
de 2017, sendo assim uma pesquisa empírica. 

Na sequência, são apresentados os resultados, interpretações e análises 
da pesquisa, bem como sua relação com o estudo e o trabalho de diversos 


autores. 


2. À INFLUÊNCIA E A RESPONSABILIDADE DOS LÍDERES 

O interesse pelo estudo da liderança pode ser observado desde os 
tempos de Platão, ainda que sua sistematização tenha ocorrido apenas após 
metade do século XIX (JUNIOR et al., 2014). 

O velho paradigma do líder que chefia e gerencia as pessoas, que utiliza 
do método cenoura-chicote, que visa à execução de determinada tarefa como o 
objetivo fim de sua função, já vem sendo desconstruído há décadas, com 
diversos exemplos práticos de fracasso. 

2.1. A INFLUÊNCIA DOS LÍDERES ENTRE AS DIVERSAS ÁREAS DA 
VIDA DE SEUS LIDERADOS 

O conceito de liderança desenvolveu-se muito, passando por diversas 
teorias, chegando, atualmente, ao conceito da liderança servidora, segundo o 
qual liderança “é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem 
entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o 
bem comum” (HUNTER, 2004, p. 28, grifo nosso). 

O reconhecimento e a boa aceitação do paradigma da Liderança 
Servidora, da qual somente podemos chamar de novidade o seu estudo 
aprofundado e conceituação, uma vez que sua existência e aplicação remontam 


de milênios, conhecida e defendida hoje por diversos autores e estudos, tem nos 


40 


mostrado a ineficácia do velho sistema contra a eficácia deste novo, 
especialmente em longo prazo. (HUNTER, 2004; COVEY, 2005; CURY, 2012). 

Corroborando com essa visão, Lima Neto, Marques e Rosa (2016, p. 2), 
grifos nossos, afirmam que liderança é um processo social no qual se 
estabelecem relações de influência entre pessoas. O processo de liderança se 
verifica em infinitas situações. Ao observar que toda pessoa é capaz de exercer 
influência sobre os outros e, portanto, que toda pessoa é, potencialmente, um 
líder. 

Todos os resultados obtidos nesta pesquisa corroboram os conceitos 
descritos acima, principalmente a respeito da influência que o líder exerce sobre 
seus liderados. Conforme ilustra o gráfico |, para 83,3 % dos respondentes, o 
nível de influência exercida por um atual líder, na área à qual este está 
diretamente ligado, é muito alto ou alto. 

A pesquisa, contudo, vai além e demonstra que a influência deste mesmo 
líder ultrapassa os limites da área à qual ele está diretamente ligado e atinge 
outros aspectos da vida dos seus liderados. Para 44,4 % dos entrevistados, essa 
influência em outras áreas ocorre em nível muito alto ou alto, conforme podemos 


observar no gráfico | abaixo. 


Gráfico | - Grau de Influência do líder, área direta x outras áreas. 


60,0% 
50,0% 
40,0% 
30,0% 


20,0% 
10,0% [| 
0,0% 
Muito Alto Alto Médio Baixo Muito Baixo Nenhum 


Márea direta E Outras áreas 


Fonte: Pesquisa. 


Vale ressaltar também que, além de todos os respondentes concordarem 
com a transcendência dessa influência em outras áreas, nenhum deles 
considera-a de nível muito baixo. 

De acordo com a Endeavor (2015, p. 10) o velho conceito de que os 


funcionários devem deixar sua vida pessoal em casa quando estiverem no 


41 


trabalho não cabe mais nos dias atuais, pois, comprovou-se ser impossível e 
contraproducente. 

É necessário olhar o indivíduo como um todo, afinal de contas, temos uma 
vida só. Em razão disto, “as melhores empresas estão lidando com valores 
compartilhados, não com regras e diretrizes” (2015, p. 4). E, como valores não 
estão limitados a uma área específica da vida, mas se aplicam para a vida toda, 
é compreensível que os valores percebidos e assimilados pelos liderados 
promovam influências em diversas áreas de suas vidas. 

A pesquisa mostrou também que, mesmo quando questionado no papel 
de líder, o respondente identifica a influência que exerce sobre seu liderado em 
outras áreas. Podemos verificar no gráfico Il que apenas uma pequena parcela 
dos entrevistados (5,6 %) não reconheceu essa influência enquanto no papel de 
líder. 


Gráfico Il - Grau de Influência do líder em outras áreas. 


50,0% 
40,0% 
30,0% 


20,0% 

po mM h 

0,0% E] Es E 
Muito Alto Alto Médio Baixo Muito Baixo Nenhum 


EH Como liderado m Como Líder 


Fonte: Pesquisa. 


Durante as entrevistas pessoais realizadas, os respondentes reafirmaram 
essa transcendência da influência dos líderes em suas vidas através de áreas 
diversas. Observou-se, porém, que essa transcendência, segundo 53 % dos 
respondentes, é mais forte e mais presente em direção a aspectos pessoais, 
como caráter e valores, do que em direção a aspectos profissionais e técnicos. 

Em outras palavras, é mais intensa e perceptível a influência do líder 
ligado a áreas profissionais, técnicas e acadêmicas, transcendendo esses limites 
e atingindo aspectos pessoais, do que o contrário. Exemplos de “humildade”, 
“caráter”, “honestidade”, “valorização dos relacionamentos pessoais” e 


“valorização da família” foram abundantemente citados como influências 


42 


advindas de líderes ligados à área profissional. Em outros casos, mesmo em 
áreas profissionais, perceberam-se aspectos de um relacionamento entre 
mentor e mentorado, e até mesmo entre pai e filho, presentes entre líder e 


liderado. 


Gráfico III — Outras áreas sobre as quais o líder exerce influência, diferente daquela a que estão 
diretamente ligados. 





= Familiar / Pessoal =» Profissional = Acadêmica 


O gráfico Ill mostra que, além da área pessoal e familiar, a área 
acadêmica também foi mencionada como fortemente influenciada por líderes de 
outras áreas, especialmente líderes profissionais. Isto quer dizer que várias 
decisões quanto à vida acadêmica do liderado são influenciadas por seus líderes 
de outras áreas. 

Essa transposição dos limites da influência de um líder sobre seus 
liderados foi mencionada por Silva (2010) ao tratar sobre o processo de 
Mentoring. Segundo este autor, apesar de o Mentoring ser direcionado a 
profissionais inseridos no mercado de trabalho, em geral tendo como Mentor um 
profissional mais experiente, responsável por compartilhar seus conhecimentos 
e experiências, é possível a construção de uma relação de companheirismo e 
apoio. 

Silva (2010, p. 303) completa dizendo que “esse apoio não se restringe 
apenas aos aspectos de ordem profissional, mas pode estender-se a qualquer 
aspecto da vida do mentorado”. Tendo como base os conceitos de liderança já 
apresentados neste documento, podemos afirmar que todo processo de 


43 


Mentoring é um perfeito processo de liderança, ainda que a recíproca nem 
sempre se aplique. 

Maxwell (2011, p. 181) afirma que “Liderança é influência — nada mais, 
nada menos”. Se já não bastasse a enorme influência que os líderes exercem 
sobre seus liderados na área à qual estão ligados para determinar a grande 
importância da liderança, esta pesquisa vem confirmar que tal influência vai 
muito além, interferindo no desenvolvimento de valores, caracteres, princípios e 
objetivos. 

2.2. O COMPORTAMENTO DA INFLUÊNCIA EXERCIDA PELOS 
LÍDERES SOBRE OS LIDERADOS AO LONGO DO TEMPO 

Um aspecto importante sobre a dinâmica da influência na liderança é 
abordado pelo Dr. Covey (2017), para o qual nós podemos até comprar o 
trabalho de uma pessoa, mas jamais poderemos comprar seu coração, dentro 
do qual estão seu entusiasmo e lealdade. Bem como podemos comprar sua 
força de trabalho, mas jamais seu cérebro, dentro do qual estão sua criatividade, 
engenhosidade e potencial. 

Todos esses atributos, indispensáveis diante do atual cenário de 
concorrência globalizada e do fim da vantagem competitiva (MCGRATH, 2013), 
que não podem ser comprados, somente nos serão concedidos de livre e 
espontânea vontade, isto é, voluntariamente. 

O estudo de Davel e Machado (2001) explica que essa voluntariedade por 
parte dos liderados em fornecer o seu melhor, depende da capacidade de 
influência do líder, que por sua vez depende direta e proporcionalmente do 
vínculo, que eles chamam de identificação, entre líder e liderados. 

Ashforth e Mael (1989) explicam que essa identificação advém da 
necessidade individual de pertencimento, isto é, de se autocategorizar como 
membro de um ou mais grupos, com os quais deverá existir afinidade, atração e 
certa dependência e dos quais serão incorporados crenças, valores e atitudes. 

Hirschhorn (1997), reforçando a relevância deste vínculo voluntário nas 
organizações da sociedade pós-moderna, explica que, para os colaboradores 
(liderados) destas organizações, não bastam chefes que comandam e micro 
gerenciam suas atividades. Para estes novos trabalhadores pensantes se fazem 


necessárias uma verdadeira identificação e 


44 


aceitação dos propósitos e valores da organização e do líder, os quais 
devem ser compatíveis com seus próprios objetivos e princípios. 

Com base nesta realidade, outro ponto abordado e elucidado por esta 
pesquisa diz respeito a essa identificação e aceitação dos propósitos e valores 
do líder para a efetivação da liderança, ao longo do tempo. Analisando-se o atual 
grau de influência de antigos líderes, com os quais os liderados não possuem 
mais o mesmo contato direto de antigamente, observou-se que essa 
identificação, e sua consequente influência, sobrevivem muito tempo depois de 


terminado ou enfraquecido esse contato direto. 


Gráfico IV - Grau atual de Influência de líderes atuais e antigos (mesmo depois de findo o contato 
direto, na área em que estavam diretamente ligados), na visão dos liderados. 


60,0% 


50,0% 

40,0% 

300 

pero il) DN 
Muro Alto Aro 


Médio Baixo Muito Baixo Nenhum 
BAtual mAântigo 


Fonte: Pesquisa. 


Apesar de verificarmos uma redução no grau de influência quando 
comparamos líderes atuais com antigos, gráfico IV, ela está longe de cessar, 
mantendo-se, segundo a maioria dos respondentes, em nível Alto. 

Respostas como: “ela [antiga líder] sempre está presente em minha vida” 
e, várias outras similares, foram obtidas pela pesquisa e confirmam a força dessa 
influência ao longo do tempo, mesmo que não haja mais contato direto entre líder 
e liderado. 

É possível notar nos dados do gráfico V que a maior parte dos 
respondentes (72,2 %), quando questionados no papel de liderados, considera 
ainda Alta ou Média a influência de seus antigos líderes na área em que 
estiveram diretamente ligados. Apenas uma pequena parcela (5,6 %) considerou 
nula essa influência atualmente. 

Da mesma forma, ao serem questionados sobre a influência que 


acreditam ainda exercer na vida de antigos liderados, a maior parte respondeu 


45 


considera-la Alta ou Média. Contudo, curiosamente, uma parcela maior a 


considerou nula: 11,1 %. 


Gráfico V - Grau atual de Influência de antigos líderes sobre seus liderados, mesmo depois de 
findo o contato direto, na área em que estavam diretamente ligados. 


50,0% 
40,0% 


30,0% 

20,0% 

10,0% É eg 
0,0% E Ea 


Muito Alto Médio Baixo Muito Baixo Nenhum 


E Como Liderado E Como Líder 


Fonte: Pesquisa. 


Foi também notória, durante as entrevistas pessoais, certa dúvida a 
respeito dessa influência. Essa diferença de percepção, entre o papel de liderado 
e de líder, será mais bem abordada no próximo tópico (2.3). 

Observou-se também, conforme gráfico VI, que essa influência de antigos 
líderes persiste, da mesma forma, em áreas às quais eles não possuíam ligação 
direta, ainda que em menor intensidade. Dentre os respondentes, 33,3% 
consideraram essa influência em outras áreas ainda presente em grau Muito Alto 
ou Alto. Este resultado confirma expressamente a alta longevidade da influência 
dos líderes sobre seus liderados. 


Gráfico VI - Grau atual de Influência de antigos líderes sobre seus liderados, mesmo depois de 
findo o contato direto. 


30,0% 


o | l 
10,0% 
00% E = eme = 


Muito álto Médio Baixo Muito Baixo Nenhum 


Márea dreta mOutras áreas 


Fonte: Pesquisa. 


46 


As entrevistas e observações pessoais também elucidaram um aspecto 
interessante sobre a influência ao longo do tempo: à medida que o tempo passa, 
a transcendência da influência advinda de líderes ligados a áreas profissionais 
para áreas pessoais se intensifica. 

Acredita-se, pelas respostas obtidas e fatos observados, que este fato se 
deve pela maior maturidade e reflexão sobre a identificação e aceitação dos 
propósitos e valores do líder que naturalmente ocorre com o passar do tempo. 

2.3. A CONSCIÊNCIA DOS LÍDERES A RESPEITO DA INFLUÊNCIA 
QUE EXERCEM AO LONGO DO TEMPO 

Maxwell (2011, p. 92, grifo nosso) afirma que “os melhores líderes são 
aqueles que conscientemente promovem o desenvolvimento de sua equipe”. Os 
resultados da pesquisa mostraram que a percepção do respondente sobre o 
grau de influência exercida em uma liderança atual, enquanto no papel de 


liderado, é ligeiramente superior à sua percepção enquanto no papel de líder. 


Gráfico VII — Nível de consciência do atual líder sobre sua influência. 


60,0% 


50,0% 

40,0% 

30,0% 

20,0% i 

10,0% | 
0,0% a) 


Muito Alto Ako Médio Baixo Muito Baixo 


E Como Liderado E Como Líder 


Fonte: Pesquisa. 


O gráfico VIl demonstra essa diferença de percepção. Na figura de 
liderado, a percepção do grau de influência é de nível Muito Alto para 33,3 % 
dos respondentes; enquanto na figura de líder essa percepção cai para 5,6 %. É 
compreensível que o liderado, enquanto a pessoa que recebe a influência tenha 
maior consciência disso. Por outro lado, a falta de real consciência por parte do 
líder certamente interfere negativamente na eficácia do seu papel. 

Quando comparamos a consciência dos líderes sobre sua influência entre 
áreas, conforme gráfico VIIl nota-se que, na visão dos liderados, essa 
consciência é maior com relação às áreas diretamente ligadas do que a outras 


áreas. 


47 


vá 


Mas o que realmente chama a atenção é o resultado ao serem 
questionados sobre influências ainda presentes oriundas de lideranças antigas. 
Neste caso, o grau de influência percebido no papel de liderado é 57 % mais 


forte do que no papel de líder (Gráfico V). 


Gráfico VIII — Nível de consciência do atual líder sobre sua influência. 
50,00% 
40,005 


30,005 


em 2H | l i 
Ê [| —— 


Muito Alto Médio Baixo Muilto Baixo Nenhuma 
Márea Direta MOutras Areas 


Fonte: Pesquisa. 


As entrevistas pessoais indicaram que essa diferença se deve ao fato de, 
enquanto líder, o respondente não acreditar que ainda exerça muita influência 
sobre antigos liderados. Vários alegaram que, em situações em que foram 
abordados por antigos liderados, onde estes mencionaram a influência que ainda 
recebem do tempo em que a relação de liderança existiu (exemplos, conselhos 


etc.), sentiram-se surpresos. 


Gráfico IX — Nível de consciência do antigo líder sobre sua influência. 
60,00% 
50,00% 


40,00% 


30,00% 
20,00% 
10,00% 
Re na E mo a 


Muito Alt Baixo Mufto Baixo Nenhuma 


Márea Direta mm Outras Áreas 


Fonte: Pesquisa. 


Sobre a consciência da influência de líderes antigos entre áreas, gráfico 
IX, vemos que, na visão dos liderados, ela é maior em relação à área em que 


estes estavam diretamente ligados, do que em reação a outras áreas. 


48 


Considerando que, conforme já demonstrado no tópico 2.1, a influência dos 
líderes em outras áreas da vida de seus liderados é real e intensa, mais uma vez 
a maior consciência a este respeito poderia aumentar a eficácia da liderança. 

Compreendemos assim que os líderes não possuem total consciência do 
grau de influência que exercem sobre seus liderados, especialmente sobre 
antigos liderados e em relação a áreas distintas. 

2.4. A RESPONSABILIDADE DOS LÍDERES 

A responsabilidade dos Líderes na promoção do desenvolvimento de seus 
liderados é bem defendida por Hunter (2004, p. 8) ao afirmar que “o teste 
definitivo da liderança é saber se, depois de algum tempo sob o comando de um 
líder, as pessoas saem da experiência melhores do que eram antes”. Na mesma 
linha, Maxwell (2011, p. 17) afirma que “promover a ascensão de outros é 
requisito fundamental para a liderança eficaz”. 

Ao apresentar o conceito de liderar como sendo “comunicar às pessoas 
seu valor e seu potencial de forma tão claras que elas acabem por vê-los em si 
mesmas”, o Dr. Covey (2005) nos leva a entender, reforçando a afirmativa de 
Hunter sobre o teste definitivo da liderança, mencionada anteriormente, que: a 
responsabilidade maior da liderança, e por consequente do líder, está nas 
pessoas lideradas e, principalmente, na grandeza da influência que este pode e 
deve ter sobre seus liderados. 

Ao demonstrar a alto nível de influência que o líder exerce sobre seus 
liderados, transcendendo muito os limites da área da vida à qual estão 
diretamente ligados, e ainda, subsistindo ao longo do tempo, mesmo depois de 
terminado o contato direto entre líder e liderados, esta pesquisa demonstra a 
enorme responsabilidade dos líderes no desenvolvimento profissional e pessoal 
dos seus liderados. 

Uma recente pesquisa publicada pela ManpowerGroup (2016, p.01), grifo 
nosso, afirma que: 

Estamos vendo o surgimento de uma Revolução das Competências — na 
qual ajudar as pessoas a aumentar sua qualificação e se ajustar às rápidas 
mudanças no mundo do trabalho será o desafio que definirá o nosso tempo. [...] 
Agora é hora de os líderes serem ágeis e responsáveis. 

Os resultados obtidos nesta pesquisa chamam a atenção exatamente 
para a responsabilidade do líder para com seus liderados. Mesmo que esta 


49 


responsabilidade sempre tenha existido, percebemos que ela é hoje muito maior 
do que antes, dada a necessidade constante das pessoas em se desenvolver, 
aumento suas qualificações, para se ajustarem às rápidas mudanças do mundo. 

Maxwell (2011, p. 31), reforçando essa responsabilidade dos líderes, 
chega a firmar que um líder não presta contas apenas por suas ações, mas 
também pelas ações dos seus liderados. 

Neste mesmo aspecto, outra linha de estudos que vai ao encontro dessa 
responsabilidade do líder no desenvolvimento de seus liderados, é o Coaching, 
juntamente com outros métodos (mentoring, counseling etc.) similares, que 
possuem, na base, os mesmos objetivos, mas variam de acordo com cada 
situação e pessoas envolvidas. 

Silva (2010, p. 303) afirma que o trabalho do coach é “liberar o potencial 
existente dentro de uma pessoa para que ela maximize seu desempenho”, ou 
seja, “estimular a pessoa para que seu potencial aflore”. 

Trazendo este conceito para o foco desta pesquisa, vemos que Silva 
(2010, p. 308, grifo nosso) afirma que o foco do processo de Coaching está 
“diretamente relacionado com o alcance de metas para a obtenção de resultados 
que tragam benefícios para a vida do cliente”. 

O exposto leva-nos novamente a afirmar o amplo alcance da influência, e 
consequentemente responsabilidade, que o líder, utilizando-se conscientemente 
ou não das técnicas de Coaching, exerce na “vida do cliente” (liderado) — e não 
apenas na área da vida à qual ele está diretamente ligado. 

Ao final da pesquisa, 77,8 % dos respondentes afirmaram considerar-se 
hoje uma pessoa e também um profissional melhor do que no passado e o(s) 
líder(es) com o(s) qual(ais) já se relacionaram contribuíram de forma significativa 
para essa melhoria. É exatamente conforme afirma Maxwell (2011, p. 96): “os 
melhores líderes ajudam os liderados não só em relação à carreira, mas também 
em relação à vida pessoal. Eles os ajudam a se tornar pessoas melhores, e não 


apenas melhores profissionais.”. 


3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A influência que os líderes exercem sobre seus liderados, em aspectos 
aos quais estes estão diretamente ligados, é enorme e de grande importância. 


Liderar é exatamente influenciar. Porém, essa influência transcende, em muito, 


50 


Os limites da área da vida dos liderados aos quais os líderes estão diretamente 
ligados, atingindo, especialmente, questões pessoais como valores, caracteres 
e princípios. 

Conforme afirmam Covey (2005, p. 275) e Maxwell (2011, p. 158), a 
identificação existente entre líder e liderado baseia-se no envolvimento entre 
eles, na admiração existente, que por sua vez decorre do compartilhamento de 
valores e princípios. 

A influência de líderes ligados à vida pessoal, como pais e amigos, tem 
consequências na vida profissional, uma vez que, em geral, tratam de aspectos 
que interferem em quaisquer circunstâncias. 

Contudo, os resultados desta pesquisa mostraram ser muito comum e 
intensa a interferência de líderes ligados a áreas profissionais atingindo aspectos 
da vida pessoal de seus liderados. 

O comportamento, os valores, as decisões, as palavras e atitudes do líder 
têm enorme impacto sobre a vida pessoal de seus liderados, independentemente 
de o relacionamento ser pessoal ou profissional. 

É como diz Maxwell (2011, p. 90, grifo nosso): “os líderes invariavelmente 
melhoram ou complicam a vida das pessoas que os seguem”. Liderados que 
tem, no líder, exemplo de desenvolvimento constante pessoal e profissional, são 
muito mais motivados a se desenvolverem. 

Outro aspecto importante desta pesquisa foi verificar o nível de 
consciência que líderes e liderados tem a respeito dessa influência. Enquanto 
liderados, os resultados mostram que as pessoas percebem a importância e 
grandeza dessa influência. Porém, enquanto líderes verificou-se que essa 
consciência está aquém da realidade, principalmente em relação à influência em 
outras áreas da vida de seus liderados e ao longo do tempo. 

A propósito da longevidade da influência exercida pelos líderes, ela vai 
muito além do tempo de convívio entre líderes e liderados, permanecendo ativa 
e interferindo em decisões e comportamentos, mesmo depois de findo o contato 
direto entre eles. 

Novamente, apenas os liderados têm consciência desta realidade. Isso 
significa que os líderes podem fazer muito mais diferença na vida dos seus 
liderados se tiverem maior consciência do poder que a sua influência tem ao 


longo do tempo. 


51 


É indispensável refletirmos sobre a imensa responsabilidade, como 
líderes, de termos seres humanos confiados ao nosso cuidado (HUNTER, 2004, 
p. 135). Ampliar essa consciência, enquanto líderes, tornará nossa liderança 
muito mais efetiva no seu objetivo final, que é buscar o bem comum. Ao mesmo 
tempo, enquanto liderados, devemos fazer nossa parte, dando o devido 
feedback a nossos atuais e antigos líderes, auxiliando assim a sua melhor 
conscientização. 

Apesar de o resultado da pesquisa ter mostrado grande coincidência entre 
a figura do líder e a do chefe, alguns autores ressaltam que liderança e chefia 
muitas vezes não andam juntas. Outra pesquisa com foco específico neste 
aspecto, ou seja, na liderança desvencilhada da autoridade formal, poderia 
elucidar melhor essa questão, permitindo aumentar ainda mais a consciência de 
líderes informais sobre sua responsabilidade. 

Por todo o exposto acima, podemos concluir que são verdadeiras e 
perfeitamente aplicáveis à liderança as sábias palavras de Antoine de Saint- 
Exupéry (2009, p./2, grifo nosso): “Tu te tornas eternamente responsável por 
aquilo que cativas”. 

O professor, escritor e palestrante especialista em liderança James C. 
Hunter (2004, p. 118) também concorda com esta conclusão ao dizer que a 
liderança começa com uma escolha: a de encararmos as tremendas 
responsabilidades que vem com o papel do líder e alinhar nossas ações com as 
boas intenções. 

Ao concluir este trabalho, as elucidações permitiram ao autor ampliar a 
visão sobre o alcance da influência do líder sobre seus liderados e como essa 
influência transcende a área na qual eles estão diretamente ligados. 

Enfim, verificou-se que influência sobrevive ao próprio líder, o que amplia 
consequentemente, a compreensão da enorme responsabilidade dos líderes 


diante de seus liderados e influenciados. 


52 


REFERÊNCIAS 


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Academy of Management Review, v. 14, p. 20-39, 1989. Disponível em: 
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53 


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Janeiro, Elsevier: 2018. 


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01/07/2017. 


54 


CAPÍTULO 04 


CONFLITUALIDADE NA ÁFRICA — UMA TEMÁTICA ATEMPORAL. 


Alan da Silva Vinhaes 

Mestrando pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho 
Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente 

Endereço: Rua Roberto Simonsen, 305 - Centro Educacional - P. Prudente/SP 
CEP: 19060-900 

E-mail: asvinhaes201 3(Ogmail.com 


Tamires Regina Rocha 

Mestranda pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho 
Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente 

Endereço: Rua Roberto Simonsen, 305 - Centro Educacional - P. Prudente/SP — 
CEP: 19060-900 

E-mail: tamiresrerocha(Dhotmail.com 


RESUMO: Ao longo do período do neocolonialismo, houve a divisão da África em 
fronteiras “artificiais”, em conformidade com interesses dos europeus. Deste modo, os 
acentuados conflitos existentes na Africa (alguns que se penduram até os dias atuais), 
são ocasionados por problemas territoriais, devido as delimitações de fronteiras 
definida pelos europeus na época da colonização, neste processo, fatores como 
identidade cultural das tribos não foram consideradas, favorecendo para o conflito de 
etnias no continente, afinal, tribos aliadas foram separadas e tribos inimigas foram 
unidas. Toda está conjuntura proporciona consequências, como a fome, guerras civis, 
corrupções e epidemias, em que, vive grande parte da população africana. Sendo 
assim, o presente artigo, visa analisar o continente africano considerando os principais 
conflitos existentes nos dias atuais, pois a conflitualidade é atualmente um fenômeno 
sem fronteiras e atemporal, em que, as fronteiras não limitam as causas nem as 
consequências dos conflitos. 


PALAVRAS-CHAVE: neocolonialismo; fronteiras artificiais; conflitualidade. 


ABSTRACT: Throughout the period of neocolonialism, there has been the division of 
Africa into "artificial" frontiers, in accordance with the interests of Europeans. In this 
way, the marked conflicts existing in Africa (some that hang until the present day), are 
caused by territorial problems, due to the delimitations of borders defined by the 
Europeans at the time of the colonization, in this process, factors like cultural identity 
of the tribes were not considered, favoring the ethnic conflict on the continent, after all, 
allied tribes were separated and enemy tribes were united. All this conjuncture brings 
consequences, such as hunger, civil wars, corruption and epidemics, in which a large 
part of the African population lives. Thus, this article aims to analyze the African 
continent considering the main conflicts that exist today, because conflict is currently 
a phenomenon without frontiers and timeless, where borders do not limit the causes 
and consequences of conflicts. 


KEYWORDS: neocolonialism; artificial borders; conflictuality. 


55 


1. INTRODUÇÃO 

A África é palco de uma série de conflitos, consequência da intervenção 
colonialista principalmente no fim do século XIX início do século XX. Este processo de 
intervenção interferiu diretamente nas condições políticas, econômicas sociais da 
população africana, que afetam até os dias atuais. 

A divisão territorial do continente teve como critério apenas os interesses dos 
colonizadores europeus, desprezando as diferenças étnicas e culturais da população 
local. Diversas comunidades, muitas vezes rivais que historicamente viviam em 
conflitos, foram colocadas num único território, enquanto grupos de mesma etnia 
foram separados. 

Com o término da Segunda Guerra Mundial, ocorreu um intenso processo de 
independência das nações africanas. Porém, novos países se formaram sobre mesma 
base territorial construída pelos colonizadores europeus, desrespeitando a cultura e a 
história das comunidades, consequentemente inúmeros conflitos pela disputa de 
poder foram desencadeados no interior desses países. 

As metodologias utilizadas para o desenvolvimento do artigo foram: 
levantamento bibliográfico a partir da temática em questão (Conflitualidade da África) 
e coleta de dados de fonte secundária (econômicos e políticos) em sites de 
organizações internacionais, como por exemplo, Organização das Nações Unidas 
(ONU). 

O artigo encontra-se estruturado em cinco seções, além da introdução, 
considerações finais e referências bibliográficas. Na primeira seção uma abordagem 
sobre o conceito de conflito; na segunda, características da África, considerando as 
teorias da Geopolíticas Clássicas; na terceira seção, os determinantes que levaram a 
ocorrer os conflitos na África; na quarta, abordagem dos principais conflitos africanos, 
considerando os aspectos étnicos, territoriais, religiosos, de recursos naturais, etc. E 
por fim, a última seção, abordando possíveis soluções para o término dos conflitos. 


2. SIGNIFICADO E TIPOLOGIA DE CONFLITO 

O conflito pode ser definido de forma variada pelos estudiosos. Para Almeida 
(1994, p.70) conflito é uma relação particular entre estados ou facções rivais dentro 
de um estado que implica tensões manifestadas em subjetividade e hostilidades 


econômicas ou militares. Correia (2002), por sua vez, vê o conflito como uma luta 


56 


pelos valores, em que, os objetivos das partes conflitantes é de prejudicar ou eliminar 
seus rivais. 

Foram identificadas duas grandes categorias de conflitos. Conflitos internos (ou 
conflito intra-estados) é aquele em que o governo e as autoridades de um estado são 
opostos por grupos dentro desse estado, procurando derrubar essas autoridades com 
a força de armas (Correia, 2002 p. 23). O conflito também pode ser visto como aquele 
em que, a violência armada ocorre principalmente dentro das fronteiras de um único 
estado (Correia, 2002). Conflito internacional ou conflitos interestaduais, por outro 
lado, ocorrem entre mais nações e envolve forças de mais de um estado (Ferreira, 
2001 p. 60). 

Ferreira (2001) também ressalta que é provável que a África experimentou 
ambos os tipos de conflito ao longo dos anos. No entanto, a África também 
testemunhou um terceiro tipo de conflito, a saber, "Conflito armado interno 
internacionalizado”. Esses conflitos, que são essencialmente guerras civis, têm vários 
graus de envolvimento externo. Exemplos incluem os conflitos na República 


Democrática do Congo (RDC), Angola e Serra Leoa. 


3. UMA VISÃO DA ÁFRICA NAS TEORIAS GEOPOLÍTICAS CLÁSSICAS 

De acordo com Correia (2002), uma das principais características da África é a 
enorme quantidade de estados encravados, sem acesso ao mar. Mali, Burkina Faso, 
Níger, Chade, República Centro Africana, Uganda, Ruanda, Burundi, Zâmbia, Malawi, 
Zimbabué, Botswana, Lesotho, Suazilândia e mais recentemente Etiópia (que perdeu 
a sua costa marítima com a independência da Eritreia), estão limitados nas suas 
potencialidades pela falta de acesso ao mar. A República Democrática do Congo, 
embora tenha um pequeno porto de acesso ao mar, está claramente geobloqueada, 
tendo em conta a sua enorme massa territorial. 

O caso da Etiópia é paradigmático de um foco de conflitualidade, pois quando 
a Eritreia se tornou independente, a Etiópia perdeu o seu acesso ao mar, e poderá 
tentar recuperá-lo num futuro próximo. Entretanto, tem estendido a sua influência ao 
vizinho Djibuti, atual ponto de saída das suas mercadorias para o mar. Por outro lado, 
segundo Correia (2004, p.15) “olha para a caótica Somália, pode ter pretensões de 


anexar territórios que lhe garantam o acesso à costa”. 


57 


No que diz respeito às teorias geopolíticas tradicionais (onde se incluem 
teóricos como Mahan, Mackinder, Haushoffer e Spykman), Correia (2004), ressalta 
que: 


A África aparece muitas vezes como um continente ignorado. As teses do 
poder marítimo, por exemplo, nunca explicaram as razões que impediram o 
desenvolvimento de talassocracias no continente africano. Mackinder, o 
principal teorizador do poder terrestre, situou-a inegavelmente ligada com a 
Europa e a Ásia, embora tivesse nela distinguido um “Heartland” do Sul. As 
teses do poder aéreo, exploradas por Renner ou Seversky, mostram Africa 
como um continente isolado, alheado das principais rotas transoceânicas. 
Para Spykman, África faz parte das “Ilhas e Continentes Exteriores”, afastada 
da zona pivot do “Heartland” e também do “Rimland”. (CORREIA, 2004, p. 28) 


Como se vê, a África ou é ignorada, ou surge numa posição de submissão face 
a potências externas à área, que se servem dela como fonte de matérias-primas e 
que usufruem da acrescida profundidade estratégica que ela lhes confere. Na 
verdade, se a África conseguir estabilidade e combater a violência e a pobreza quase 
endémicas, tem grandes trunfos a seu favor. 

Segundo Correia (2002), o chamado “Heartland” do Sul, que têm o seu 
epicentro na República Democrática do Congo e se estende por outros países, 
constitui um verdadeiro apoio natural, autossuficiente em recursos e com 
potencialidade para dele emergir um grande poder continental. Por outro lado, a África 
do Sul ocupa uma posição privilegiada no Cone Austral, servindo de articulação entre 
o Atlântico e o Índico, por onde passa grande parte do tráfego marítimo mundial. 

Por último, um país como a Angola, pode desenvolver grandes capacidades, 
adquirindo capacidade de projetar a sua influência não só no Cone Austral, mas 
principalmente no Heartland do Sul dada a posição hegemónica que a África do Sul 
ocupa no primeiro. Além do mais, está posicionada para estabelecer importantes 
parcerias estratégicas do outro lado do Atlântico, especialmente com o Brasil. 


4. DETERMINANTES DOS CONFLITOS NO CONTINENTE AFRICANO 

Os conflitos na África podem ter sido causados por uma multiplicidade de 
fatores como: fronteiras arbitrárias criadas pelas potências coloniais, composição 
étnica heterogênea dos estados africanos, política inepta de liderança, corrupção, 
efeito negativo do peso da dívida externa e da pobreza. 

O processo de colonização europeu implantado no continente africano durante 
o século XX, foi o principal fator de origem dos conflitos na África. Devido ao intenso 


desenvolvimento industrial, as grandes potências europeias, impulsionaram a 


58 


exploração do continente africano, como forma de garantir o abastecimento de 
matérias-primas em suas indústrias. 
Segundo Visentini e Ribeiro (2007), ressaltam que: 


a colonização europeia conduz ao surgimento de guerrilhas africanas, em 
prol da independência nacional, sendo que muitas têm continuado, em 
tempos hodiernos, nas disputas pelo poder. A partir disso, observa-se que a 
formação de nações africanas, na segunda metade do século XX, recrudesce 
diversos conflitos no continente africano. Então, muitas ressurgências 
culturais, entre grupos diferentes no continente, devem passar por um estudo 
etiológico. (VISENTINI; RIBEIRO, 2007, p. 15). 


Sendo assim, o continente africano foi “repartido” entre os países europeus que 
implantaram um sistema imperialista, desrespeitando a cultura e a diversidade étnica 
na região. De acordo com Wesseling (1998), a diferenciação cultural é usada como 
pretexto para a colonização, visto que a sociedade europeia julga a sua cultura 
superior à africana. 

O processo de divisão do continente africano foi definido pela Conferência de 
Berlim nos anos de (1884-1885). 


Figura 1 - Domínios coloniais na África (1884-1885). 


Oceano “a / Oceano 
Atlântico y b; Índico 


BD) Possessão belga 

E Possessão francesa 

ED Possessão italiana 

[E Possessão portuguesa 
1 Possessão espanhola 
D Possessão inglesa 

BB Antigas colônias alemãs 
EE País independente 





Fonte: Adaptado de L'Atlas Jeune Afrique du continent african. Paris: Les Editions du Jaguar, 1993. 


De acordo com Visentini (2012), desde a Conferência de Berlin, marco do início 
da colonização na África, até o começo da descolonização, foram, aproximadamente, 
75 anos. Este tempo significou a introdução da dinâmica de produção e consumo do 


59 


capitalismo nos países africanos, a inserção do continente na economia internacional 
e o surgimento dos movimentos de independência política dos países africanos. 

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, há um enfraquecimento das potências 
europeias, portanto, os países africanos foram conquistando a sua independência. 
Entretanto, apesar de terem se tornado independentes, a maior parte dos estados, 
desenvolveu-se sem uma identidade nacional ou condições básicas de sobrevivência, 
devido a uma colonização que se fundamentou na exploração dos recursos naturais 
do continente e na produção de produtos agropecuários, proporcionando estados 
enfraquecidos, e não favorecendo para o desenvolvimento econômico e social. 

Desde o período da descolonização, a África é área com maior número de 
conflitos armados no globo terrestre, em comparação com sua população (VISENTINI, 
2012). E muitos pesquisadores associam o subdesenvolvimento no continente 
africano à pobreza e à fragmentação étnica nos Estados, a exemplo de Wesseling 
(1998), contando que o aspecto econômico tende a prevalecer. Entretanto, muito 
antes dos indicadores econômicos, há outras características que explicam o atual 
momento na África. 

De acordo com Visentini e Ribeiro (2007), sob a análise da sociedade africana, 
a inserção de uma comunidade diferente em outra área ocasiona um choque cultural, 
de tal maneira que se torne um dos primeiros fatores de conflitos armados. 

Além destes aspectos, vale ressaltar que com toda está conjuntura exposta, 
grande parte dos países da África não foram formados a partir de uma nação ou da 
própria convivência natural de várias nações, mas sim, por um conjunto de etnias, 
caracterizando características culturais muito diferentes, que mesmo após a 
independência e formação dos estados, continuam a fazer parte de um mesmo 
território. 

Deste modo, sem a interferência das potências europeias, que antes reprimiam 
os conflitos em território africano com extrema violência, surgiram vários conflitos 
internos na maioria dos países africanos. Os conflitos mais violentos aconteceram em 
Ruanda, Mali, Senegal, Libéria, Congo, Somália, Serra Leoa, Sudão, e Nigéria, em 
que, alguns se penduram até os dias atuais, sendo motivados por razões étnicas, 


religiosas e territoriais, etc., toda está abordagem será retrata na próxima seção. 


60 


5. A ÁFRICA EM CONFRONTO - QUESTÕES ÉTNICAS, TERRITORIAIS, 
RELIGIOSAS E DE RECURSOS NATURAIS 

A África em geral, e alguns países em particular, naufragou em conflitos 
internos, sendo motivados por que questões étnicas, religiosas, territoriais, e disputa 
por recursos naturais. 

De acordo com dados fornecidos pela (ONU) Organização das Nações Unidas, 
a África é o segundo maior e mais populoso continente do mundo. É também o 
continente com maior número de conflitos duradouros em todo o planeta, De um total 
de 54 países que compõem a África, 24 encontram-se atualmente em guerra civil ou 
em conflitos armados, de acordo com um levantamento do site Wars in the World. As 
batalhas mais devastadoras ocorrem, hoje, em Ruanda, Somália, Mali, República 
Centro-africana, Darfur, Congo, Líbia, Nigéria, Somalilândia e Puntlândia (Estados 
declarados independentes da Somália em, respectivamente, 1991 e 1998). Esses 
combates envolvem 111 milícias, guerrilhas, grupos separatistas ou facções 
criminosas (ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS, 2005). 

Os conflitos em África são diversos e complexos, e os esforços para gerenciá- 
los e resolvê-los são mistos. Em alguns aspectos, a notícia é boa, segundo as 
Organizações das Nações Unidas, o número de conflitos parece estar em uma 
trajetória descendente desde a década de 1990 e início dos anos 2000. Muitos 
conflitos africanos foram resolvidos e a paz voltou a uma série de sociedades 
anteriormente afetadas pela violência organizada. 

A criação organizações regionais africanas com mandatos relativamente 
robustos na arena da paz e da segurança oferece uma base institucional aprimorada 
que inclui uma forte rede de organizações continentais e sub-regionais. Uma série de 
grandes figuras regionais, incluindo o falecido Nelson Mandela, o ex-presidente sul- 
africano Thabo Mbeki e o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, desempenharam 
papéis significativos na mediação no continente. 

Várias instituições da sociedade civil dedicadas à pesquisa de políticas 
públicas, paz e segurança ou resolução de conflitos fornecem uma confiança para o 
desenvolvimento de políticas e lições aprendidas. 

No entanto, a necessidade de gerenciamento de conflitos ultrapassa a 
demanda. Os conflitos não tradicionais envolvendo grupos como Boko Haram, Al- 
Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), fizeram manchetes mundiais por sua violência e 
extrema hostilidade em relação a seus governos e sociedades. Esses conflitos não 


61 


tradicionais envolvem atores não estatais cujas motivações e meios de operação são 
apenas vagamente compreendidos pelas instituições oficiais (FERREIRA, 2001). Os 
conflitos baseados em identidade, que refletem as divisões étnicas, religiosas e tribais, 
entraram profundamente na sociedade e exigem o gerenciamento de conflitos nos 
níveis de base, de instituições sociais, bem como nos níveis político e nacional. 

Outros elementos - migração, preocupações com a saúde, pobreza, 
desemprego - continuam a ser socialmente desestabilizadores (FISAS, 2004). 
Embora a rede formal das instituições africanas de gestão de conflitos possa ter uma 
aparência robusta, a sua capacidade é bastante limitada e as relações entre os 
governos africanos podem impedir a cooperação. Outro fator de importância para a 
origem dos conflitos são os recursos, atualmente é aceito que recursos naturais 
podem tanto iniciar como manter um conflito violento. Segundo Ferreira (2001): 

Tais conflitos se desenvolvem em torno de acesso, distribuição e direitos de 
posse sobre recursos naturais e os lucros podem tornar-se um motivo de 
sustentação desses conflitos. Consequentemente, uma vez que a fonte é 
retirada, o sustento do conflito torna-se difícil. (FERREIRA, 2001, p. 22) 

Ferreira (2001) ressalta o conflito na República Democrática do Congo, sendo 
palco da segunda maior missão de paz da ONU, com mais de 19 mil soldados. Nesse 
país gigantesco no coração da África, os soldados asseguram uma paz frágil, selada 
em 20083, que interrompeu quase uma década de guerra. 

A origem do conflito remonta à 1994, quando centenas de milhares de 
refugiados hutus de Ruanda ingressaram no leste do país, desestabilizando a região, 
habitada pelos tutsis. Apesar do término oficial da guerra, a tensão étnica prossegue 
no Leste, onde milícias rivais e tropas do governo se enfrentam e disputam o controle 
das riquezas minerais da região, principalmente diamante e ouro. A violência atinge 
essencialmente a população civil, vítima de massacres e estupros, apesar da 
presença de tropas da ONU. Segundo o Comitê Internacional de Resgate, mais de 5 
milhões de pessoas morreram no país entre 1998 e 2008, em sua maioria de fome e 
de doenças. 

Outro país analisado pela autora é o Mali, em que as disputas de intensificam 
devido aos recursos naturais e as diferenças étnicas, o país é muito rico em matéria 
prima útil à grande indústria americana e europeia, (ouro, urânio, fosfato, caulim, sal e 
calcário) e uma vez que não poderia abrir mão destes recursos, é a própria Europa e 
os Estados Unidos que fomentam e alimentam estes conflitos de forma a gerir 
indiretamente o acesso às matérias primas. Chaliand (1982) ainda expõe que: 


62 


a região vive na pele as consequências de fronteiras impostas em função de 
interesses imperialistas europeus, resultando em problemas que se arrastam 
até hoje. Diversas nações foram fracionadas sob o mesmo território a partir 
de hierarquias artificialmente criadas e desigualdades de toda ordem entre 
os povos, em que, a população acaba naufragando na pobreza generalizada 
e na falta de políticas públicas. (CHALIAND, 1982, p. 25) 


Portanto, é evidente que as guerras na África, ocorreram devido a uma 
variedade de questões - terra, recursos, poder político, lucros, segurança, religião e 
identidade. Na maioria dos casos, essas questões se cruzam. Os conflitos que 
começam como lutas elite pelo poder rapidamente se transformam em violência 
baseada na identidade, pois membros de um grupo religioso ou étnico visam membros 


de outros grupos. 


Figura 2 - Principais Causas dos Conflitos na África. 


E Guerra civi 
Pd Altos índices de violência 
interna 


14 Movimentos separatistas 

«& Crescimento do 
fundamentalismo islâmico 

JK Contitos de fronteira 

& Anexação de território 





Fonte: Repositório Unb. Disponível em: http://www .repositorio.unb.br/ Acesso em: 25/05/2019. 


Esses conflitos são agravados por outras dificuldades, algumas das quais são 
universais (por exemplo, a corrupção), de acordo com informações da ONU (2003), a 
própria União Africana reconhece o impacto debilitante da corrupção sobre a 
estabilidade política e socioeconômica dos estados africanos. Isso talvez explique a 
adoção da "Convenção de África sobre Prevenção e Combate à Corrupção" pela 2º 
Sessão Ordinária da Assembléia da União em 11 de julho de 2003. A convenção 
destina-se, entre outras coisas, a promover e fortalecer o desenvolvimento na África. 


por cada Estado Parte, dos mecanismos necessários para prevenir, detectar, punir e 


63 


erradicar a corrupção nos setores público e privado (ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES 
UNIDAS, 2003). 

Infelizmente, a realidade na maioria dos países africanos revelaram que grande 
parte dos líderes são fracos, corruptos e antipatriótico. Além de retardar a integração 
nacional e os desenvolvimentos socioeconômicos, as atitudes desses governantes 
desencadearam a violência sangrenta generalizada. As guerras civis sudanesas, 
nigerianas, argelinas e liberianas emprestam credibilidade ao fato de que os líderes 
africanos não conseguiram forjar a unidade nacional em seus respectivos países. A 
julgar pela observação acima, não podemos deixar de concordar com Visentini (2009), 
quando afirma que: 


o que os países africanos faltaram durante a maior parte da sua história, 
como estados independentes são líderes que são unifiers, chefes no 
verdadeiro sentido, que atacam feridas, mantêm tudo e todos juntos, 
mobilizam e motivam seus povos, perseguem uma política de inclusão e não 
exclusão e são vistos por todos e todos como sendo de maior integridade e 
além de suspeita. (VISENTINI, 2009. p. 11) 


Política, má governança, corrupção e pobreza estão intimamente relacionadas 
a Nigéria, sendo uma consequência da outra. A política nigeriana é movida pelo 
dinheiro e o país é considerado como um dos mais corruptos. Quando só a corrupção 
não funciona, os políticos apelam para “chefões”, e por vezes para grupos como o 
Boko Haram, que usam da violência para intimidar os oponentes e manter o poder em 
suas áreas de influência. A população nigeriana é em sua maioria pobre e sofre com 
aumento de preços, a estagnação dos salários, péssima infraestrutura e problemas 
crônicos de energia elétrica. 

Segundo Visentini (2012), a má governança provoca desgosto e frustração da 
população, perfazendo as condições para o crescimento de grupos extremistas que 
usam esses problemas, além da questão religiosa, para se fortalecer e ganhar 
seguidores. 

Um dos atos que ficou marcante na história da Nigéria foi o sequestro realizado 
pelo grupo Boko Haram no dia 14 de abril de 2014, sequestrando 276 meninas em 
uma escola de Chibok. “Muitos ativistas pelos direitos humanos afirmaram que as 
meninas podem ter sido vendidas como escravas a membros do grupo ou utilizadas como 
bombas | humanas nos ataques dos | jihadistas.” (Disponível em: 
http://91 .globo.com/mundo/noticia/2015/08/sequestro-de-estudantes-pelo-boko-haram- 
na-nigeria-completa-500-dias.html Acesso em: 25/05/2019) 


64 


Vale ressaltar também o caso de uma das guerras civis mais destrutivas e 
persistentes e, no entanto, pouco conhecida em todo o mundo, decorre num país da 
África Ocidental - a Libéria. Segundo informações das Organizações das Nações 
Unidas, desde que, o conflito se iniciou, há cinco anos, mais de 800.000 liberianos, de 
uma população total de 2.4 milhões, foram forçados a exilar-se. Um número 
semelhante, se não superior, de pessoas foram deslocadas no interior do próprio país. 
Destas, meio milhão não são abrangidas pelos programas de assistência de 
emergência. 

Podemos citar também o genocídio de 1994 em Ruanda cerca de 800 mil 
ruandeses foram massacrados, devido os conflitos entre os grupos étnicos hutus 
(90 % da população) e tutsis (9 %), até os dias atuais a população sofre com as 
consequências do conflito, convivem com vários problemas socioeconômicos, vivendo 
abaixo da linha da pobreza, subnutrição e alta taxa de mortalidade infantil. O mesmo 
pode ser dito sobre a Serra Leoa, em que cerca de 200 mil pessoas foram mortas 
durante a guerra civil do país entre 1991 e 2001. 

Entretanto talvez a situação mais patética tenha ocorrido no Sudão. A guerra 
civil no Sudão foi uma das maiores e mais caras do continente, com estimativas de 
dois milhões de vidas perdidas para a guerra (Global Coalition, 2004). 

De acordo com SCHNEIDER (2008, p. 55), no Sudão os conflitos históricos e 
disputas internas acontecem em seu território desde a sua independência frente ao 
Reino Unido, concretizada na década de 1950. Desde então, já ocorreram guerras 
civis e até a independência do Sudão do Sul, que era uma região de maioria cristã, 
em contraste com a maioria islâmica do norte. Após a independência do Sudão do Sul 
os conflitos com os vizinhos do norte foram retomados em função das indefinições no 
estabelecimento das fronteiras entre os dois países, que disputam regiões ricas em 
petróleo. Em resumo, pode-se dizer que uma guerra civil (até então, a mais longa em 
atividade na África), em vez de acabar, foi apenas transformada em um conflito 
internacional. 

Além do embate entre o norte e o sul, os conflitos de atualmente se concentram 
na região de Darfur, uma província semiárida na região Oeste do Sudão. Segundo a 
Organização das Nações Unidas, mais de 300.000 pessoas já foram mortas e mais 
de 2,7 milhões tiveram de abandonar suas áreas de origem, migrando principalmente 
para o Chade, país vizinho a oeste. De acordo com SCHNEIDER (2008), as causas 


dos conflitos de Darfur estão nos desníveis regionais em termos de desenvolvimento 


65 


social e atuação do governo do Sudão. Sob a alegação de que o poder público 
sudanês abandonou completamente as regiões do oeste, grupos armados de maioria 
não árabe ergueram-se e começaram a atacar alvos do governo, que responde, desde 
então, pesadamente com ataques diretos e também com o auxílio de milícias e 


organizações armadas, embora os órgãos oficiais do país neguem essa prática. 


Figura 3 - Localização Geográfica do Sudão, Sudão do Sul e Darfur. 


Cartum 


DARFUR 


SUDÃO DO SUL 





Fonte: www .lume.ufrgs.br. 


Portanto, de acordo com as informações transpostas na Figura 3, a oeste, a 
região de Darfur, que luta contra o governo com sede em Cartum, a capital do Sudão. 
Ao sul, o Sudão do Sul, que, embora esteja em uma trégua temporária, mantém uma 
relação instável com o norte, sobretudo pela disputa de fronteiras e pelo escoamento 
da produção de petróleo por gasodutos que passam pelo território sudanês. 

A Somália também enfrenta uma intensa guerra civil, o governo desapareceu 
após a queda da ditadura pró soviética, em 1991. Os "senhores da guerra" tomaram 
conta do país esfacelado. Desde então, a Somália vive em guerra civil intermitente, a 
qual matou dezenas de milhares de somalis. Não existe mais unidade nacional, e o 
país fragmentou-se em regiões. Em 1991, surgiu a Somalilândia, que chegou a 
declarar sua independência da Somália no mesmo ano. Apesar da sua relativa 
estabilidade, em comparação com a tumultuosa região sul, não foi reconhecida como 


estado independente por nenhum governo estrangeiro. 


66 


Atualmente a Somália vivencia o pior ataque terrorista da sua história, 
passando de 300 o número de mortos, foram dois ataques em sequência na capital da 
Somália. No mais mortal, um caminhão carregado de explosivos foi colocado em uma 
esquina movimentada do coração de Mogadíscio próximo a um caminhão de combustível, 
o que aumentou o poder de destruição. Uma bola de fogo varreu quarteirões inteiros. Uma 
bola de fogo atingiu quarteirões inteiros, a explosão atingiu hotéis, embaixadas, prédios 
do governo. (Disponível em: http://g1 .globo.com/noticia/2017/10/passa-de-300-0-numero- 
de-mortos-no-pior-ataque-terrorista-da-somalia.html - Acesso em: 25/05/2019.) 

O governo da Somália acusa o Al-Shabab pelo atentado. O grupo terrorista ligado 
à Al-Qaeda briga para dominar o país, que vive em uma guerra civil desde a década de 
1990. Isto posto, os conflitos além de proporcionar todo este caos nos países 
africanos, a outro fator sendo consequência desses conflitos armados, o número de 
refugiados, milhares de africanos abandonam as suas regiões de origem para se 
refugiarem em zonas de maior segurança fora das fronteiras dos seus países. De 


acordo com Braga (2011): 


O termo refugiado aplica-se a qualquer pessoa que, receando com razão, ser 
perseguida em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, ligação em certo 
grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontra fora do país da sua 
nacionalidade e não possa, ou em virtude daquele receio, não queira requerer 
a proteção daquele país; ou que, se não tiver nacionalidade e estiver fora do 
país da sua anterior residência habitual após aqueles acontecimentos, não 
possa ou, em virtude desse receio, não queira lá voltar. (BRAGA, 2011, p. 18) 


Abaixo na Figura 4, é exposto o número de refugiados na África entre os anos 
de 1998 e 2014. 


Figura 4 - Número de conflitos e refugiados na África, entre os anos de 1998/2014. 


Refugees and Conflict in Africa 


5,000,000 


Number of 

Refugees from 4,000,000 
Africa 

Number of 3,000,000 


African Countries 
in Conflict 2,000,000 


1,000,000 


0 
1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 


Compiled by the Africa Center for Strategic Studies based 
on data from the World Bank and the Uppsala Conflict Data 
Program. 





Fonte: http://www. acnur.org.br. 


67 


Ao analisar a Figura 4, percebemos que houve uma diminuição dos conflitos se 
comparamos os anos de 1998 e 2014, entretanto o ano de 2014 é marcado por um 
número muito maior de refugiados do que no ano de 1998. 

De acordo com Braga (2011), isto ocorre devido estes conflitos distinguir-se 
dos tradicionais combates interestatais por não buscarem unicamente a destruição de 
forças inimigas e a ocupação de territórios, mas principalmente a pilhagem e o 
domínio da população local. Os habitantes destas regiões veem-se forçados a 
abandonarem seus lares, a fim de fugir dos efeitos causados pelos conflitos. Enquanto 
alguns buscam outras áreas do próprio país para viver — os chamados deslocados 
internos — outros atravessam a fronteira e rumam para outro Estado em busca de 
proteção. O destino dessas pessoas é, na maioria dos casos, um só: um campo de 
refugiados. 

Por fim, na próxima seção, será exposto possíveis soluções para os conflitos 
no continente africano, considerando a problemática que os países vivenciam 


constantemente, como já foi supracitado nas seções anteriores. 


7. CONFLITUALIDADE - POSSÍVEIS SOLUÇÕES 

Como uma saída para a situação das guerras e dos conflitos que prejudicaram 
a África, é pertinente oferecer algumas sugestões valiosas com base em uma análise 
aprofundada das causas do problema. Nesse sentido, duas grandes soluções amplas 
podem ser experimentadas para libertar África de conflitos e guerras recorrentes. 

A primeira sugestão está relacionada a liderança comprometida e sincera, os 
estados africanos precisam de líderes comprometidos e sinceros que liderem e que 
atuem com responsabilidade para todas as seções e povos componentes em seus 
países, de modo a promover a paz e a harmonia dentro dos limites de seus respectivos 
países. De acordo com Carvalho (2010), isso pode ser feito de várias maneiras: 


1 - Distribuição uniforme de recursos: os líderes africanos devem garantir uma 
distribuição uniforme de recursos entre as várias zonas geopolíticas em seus 
países. A marginização de uma unidade/grupo não deve ser permitida para 
ganhar o apoio e a cooperação de todos e para evitar qualquer sentimento 
de alienação; 2 - Promoção da regra da lei: os líderes africanos também 
devem se esforçar para promover o estado de direito. Isso envolve acesso 
igual a justiça por todos os cidadãos, independentemente do seu status, 
respeito pelas decisões judiciais pelo governo e influente, e realização de 
eleições periódicas e legais, entre outras. Quando e onde os líderes 
promovem o estado de direito, como indicado acima, há uma garantia da 
coexistência pacífica entre as pessoas e uma transição pacífica de poder de 
um governo para o outro. Os conflitos relacionados à disputa de sucessão 


68 


que são muito desenfreados na África podem, assim, ser facilmente 
eliminados; 3 - Proteção dos direitos humanos fundamentais, os líderes 
africanos também devem promover, proteger e garantir os direitos humanos 
fundamentais de seus cidadãos. Em particular, os direitos fundamentais da 
liberdade de expressão, associação e religião devem ser garantidos. As 
pessoas devem ser livres para avaliar e criticar o desempenho do governo 
sem medo de perseguição. A oposição deve ser tolerada enquanto o quarto 
domínio do governo, a imprensa, não deve ser censurado. Nestes sábios, os 
governos sempre seriam mantidos em seus dedos para fornecer liderança 
qualitativa e sincera em seus países. (CARVALHO, 2010, p. 70) 


Outra sugestão de modo a amenizar os conflitos na África, é a erradicação da 
pobreza. Sem muita controvérsia, a pobreza é a raiz de todos os males na África. Um 
pobre homem, que foi humilhado economicamente e financeiramente traumatizado, 
pode não ser dito em seus sentidos certos. Portanto, pode ser apropriado observar 
que um homem faminto é um homem louco. Ele pode roubar, matar, mutilar e destruir. 
A pobreza degrada um homem e afeta sua psicologia negativamente. 

Por isso, um importante instrumento de política para a paz e a estabilidade na 
África que vivencia intensas guerras e conflitos é a erradicação ou, na pior das 
hipóteses, a redução da pobreza. De acordo com Carvalho (2010) isso pode ser 


alcançado de várias maneiras, conforme sugerido abaixo: 


1 - Igual acesso à educação qualitativa, os governos da África devem dar aos 
seus cidadãos igual acesso à educação qualitativa. A importância da 
educação para o desenvolvimento socioeconômico de uma nação foi bem 
articulada no Objetivo de Desenvolvimento do Milênio. A educação, sem 
dúvida, é uma alavanca para o desenvolvimento humano e social. Além de 
transmitir habilidades e conhecimentos aos cidadãos, também eliminará a 
ignorância. A educação também capacitará os cidadãos para o emprego no 
futuro. Isso torna o trabalho mais móvel em todo o mundo. As oportunidades 
de sobrevivência estão muito disponíveis para as pessoas educadas; 2 - 
Provisão de emprego remunerado para os jovens, os governos da Africa 
também devem se esforçar para proporcionar emprego remunerado a todos 
os seus cidadãos, especialmente os jovens. Indústrias e fábricas devem ser 
estabelecidos para absorver os recém-formados de instituições de ensino 
superior em países africanos. O governo também deve incentivar a 
agricultura através da agricultura mecanizada. Devem ser fornecidos 
implementos agrícolas e tecnologia para agricultores a preços acessíveis. 
Além de erradicar o problema da fome, isso sem dúvida aumentará 
igualmente o empoderamento econômico dos jovens e erradicar a 
ociosidade; 3 - Remuneração adequada dos funcionários públicos, os 
trabalhadores do governo devem ser adequadamente remunerados. Seus 
salários devem ser suficientes para sustentar suas famílias. Isso ajudará a 
reduzir a incidência de apropriação indevida e desvio de fundos públicos que 
sempre privaram os governos africanos do tão necessário fundo para o 
desenvolvimento. (CARVALHO, 2010, p. 73) 


Conclui-se que os povos da África não querem mais conflitos, querem sim a 
paz e a estabilidade, que proporcionam bem-estar. Que os políticos africanos 


compreendam que as populações do continente estão à espera de atos que vão ao 


69 


encontro das suas reais aspirações. Trabalhar constantemente para o fim das guerras 


no continente tem de estar sempre na agenda dos políticos e governantes africanos. 


8. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Desde a independência no final do século XX, os países africanos têm 
apostado no problema das guerras civis e dos conflitos interestatais. Durante o 
período de Guerra Fria, envolvendo os Estados Unidos e a União Soviética, ocorreu 
o financiamento de armamentos para os países africanos, fornecendo aparato técnico 
e financeiro para os distintos grupos de guerrilheiros, que muitas vezes possuíam — e 
ainda possuem - crianças que são forçadas, através de uma manipulação ideológica, 
a odiarem os diferentes grupos étnicos. 

Esse é apenas um dos exemplos de conflitos de cunho étnico, porém como 
retratado no decorrer do artigo, à conflitos por disputas territoriais como Serra Leoa, 
Somália e Etiópia; questões religiosas, é o que acontece na Argélia e no Sudão, além 
de conflitos por recursos naturais como no Congo e no Mali, além de tantas políticas 
ditatoriais. Todos estes aspectos tem afetado o desenvolvimento de África de várias 
maneiras, especialmente na alienação dos povos, impedindo o processo de 
integração. Por fim, é necessário criar estabilidade na África, para que o continente 
possa testemunhar um crescimento e desenvolvimento de modo a competir 
favoravelmente com outros continentes do mundo. É necessário alcançar a paz, isso 
não só aumentará a segurança adequada da vida e da propriedade nos países 
africanos, mas também atrairá investidores estrangeiros para a adequada exploração 
de seus numerosos recursos naturais promovendo o crescimento e o 


desenvolvimento. 


70 


REFERÊNCIAS 
ALMEIDA, Políbio Valente de. Ensaios de Geopolítica. 1º Ed. Lisboa, ISCSPY/IICT, 1994. 


BRAGA, J. L. R. Os campos de refugiados: um exemplo de “espaços de exceção” na política 
contemporânea. In: 3º ENCONTRO NACIONAL ABRI 2011. São Paulo: Associação 
Brasileira de Relações Internacionais, Instituto de Relações Internacionais — USP, 2011. 


CARVALHO, Daniel Duarte Flora. Conflitos no Chifre da África: Oportunidades e 
Constrangimentos da Difusão de Poder. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) 
Programa pós Graduação em Relações Internacionais. San Tiago Dantas, PUC — São 
Paulo, 2010. 


CHALIAND, Gérard. A Luta pela África: Estratégias das Potências. São Paulo: editora 
Brasiliense, 1982. 


CORREIA, Pedro de Pezarat. Manual de Geopolítica e Geoestratégia. Vol 1. Conceitos, 
Teorias e Doutrinas, 1º Ed., Coimbra, Quarteto, 2002. 


CORREIA, Pedro de Pezarat. Manual de Geopolítica e Geoestratégia. Vol 2. Análise 
Geoestratégica de um Mundo em Conflito, 1º Ed, Coimbra, Quarteto, 2004. 


FERREIRA, P. M. Conflitos em África Guerras do esquecimento: Causas e Natureza dos 
conflitos na Africa Subsahariana. Lisboa: Instituto Estudos Estratégicos Internacionais. nº 
15, 2º sem, 2001. 


FISAS, Vicenç (2004) — Cultura de Paz y Gestión de Conflictos. Barcelona: Edicones 
UNESCO, 4º Edição. ISBN 84-7426-357-3. G1 GLOBO. Ataque terrorista na Somália. 
Disponível em: http://g1 .globo.com/noticia/2017/10/passa-de-300-0-numero-de-mortos-no-pior- 
ataque-terrorista-da-somalia.html - Acesso em: 25/05/2019. 


G1 GLOBO. Sequestro de estudantes Boko Haram na Nigéria. Disponível em: 
http://g1 .globo.com/mundo/noticia/2015/08/sequestro-de-estudantes-pelo-boko-haram-na-nigeria- 
completa-500-dias.html Acesso em: 25/05/2019. 


NAÇÕES UNIDAS. Relatório Conflitos na África - Comissão Internacional - 2005. Disponível 
em: http:/Anww.un.org.br. Acesso em: 28/05/2019. 


NAÇÕES UNIDAS. Sítio de Missão da ONU - 2003 Disponível em: 
http://Awww.un.org/Depts/missions/bsckground.html Acesso em: 27/05/2019. 


SCHNEIDER, Luiza G. As Causas Políticas do Conflito no Sudão: Determinantes estruturais 
e estratégico. Monografia (graduação em Relações Internacionais) UFRGS, Porto Alegre, 
2008. 

VISENTINI, P.F; RIBEIRO, L. D. Breve História da África. Porto Alegre, Leitura XXI, 2007. 


VISENTINI, P. F. Os Países Africanos: Diversidade de um continente. Porto Alegre, Leitura 
XXI, 2009. 


VISENTINI, P. F. As revoluções Africanas: Angola, Moçambique e Etiópia. São Paulo, 
Unesp. 2012. 


WESSELING, H.L. Dividir para dominar: A partilha da África (1880-1914). Rio de Janeiro: 
UFRJ/Revan, 1998. 


71 


CAPÍTULO 05 


AS ABORDAGENS DA BITCOIN E BLOCKCHAIN EM ARTIGOS ACADÊMICOS. 


Patrick Anderson Matias de Araújo 

Graduando em Ciência da Computação (UFT) 

Instituição: Universidade Federal do Tocantins (UFT) 
Endereço: Quadra 109 Norte, Avenida NS-15, ALCNO-14 
Plano Diretor Norte | 77001-090 | Palmas/TO 

E-mail: patrick.araujo(Omail.uft.edu.br 


Eder Ahmad Charaf Eddine 

Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) 
Instituição: Universidade Federal do Tocantins (UFT) 
Endereço: Quadra 109 Norte, Avenida NS-15, ALCNO-14 
Plano Diretor Norte | 77001-090 | Palmas/TO 

E-mail: ederanmad( mail.uft.edu.br 


RESUMO: O presente artigo estabelece uma metodologia de consulta na plataforma 
de divulgação científica, SciELO sobre bitcoin e blockchain. O objetivo do trabalho é 
analisar a moeda virtual e a tecnologia blockchain. Foram encontrados quatro artigos 
na plataforma, o que favorecerá a análise de todos os trabalhos encontrados. Os 
objetivos dessa verificação são, no primeiro momento, verificar quais abordagens as 
ferramentas recebem em textos acadêmicos; e, em segundo, situar as ferramentas 
nas abordagens acadêmicas aqui no Brasil. Esses dois objetivos servirão para 
analisar de que maneira as ferramentas têm sido avaliadas pela comunidade 
acadêmico-cientifica e, assim, discutir possíveis justificativas para tais abordagens. 


PALAVRAS-CHAVE: Moeda Eletrônica, Blockchain, Revisão de Literatura 


ABSTRACT: This paper establishes a scientific methodology of a query in the 
scientific platform SciELO about bitcoin and blockchain. The objective is to examine 
the virtual currency and the blockchain technology. Was found four papers on the 
platform, that made possible analyze all papers found. The purposes of this 
examination were, in the first moment, to see which approaches the tools receives in 
academic texts; and furthermore, find the approaches that the tools receive in Brazilian 
academic texts. Both of the purposes will help to analyze which way the tools were 
analyzed by the scientific community, and so, discuss possible justifications for such 
approaches. 


KEYWORDS: Eletronic Currency, Blockchain, Literature Review. 


72 


1. INTRODUÇÃO 

A palavra bitcoin é formada por dois termos: bit e coin, ambos de origem 
inglesa. Bit é um termo que, na Computação descreve a menor unidade de informação 
que pode ser armazenada. Coin, por sua vez, significa moeda. 

Apresentada em 2008, a primeira moeda digital bitcoin cresceu tanto que uma 
unidade, atualmente, ultrapassa os US$ 10.000". A moeda se diferencia de outras 
(das moedas físicas) por não estar ligada a um banco central e não possuir 
administrador. A sua criação também não possui autoria explícita. Acreditava-se que 
quem criou a unidade virtual se chamava Satoshi Nakamoto, por ser o nome de um 
usuário de um fórum online que introduziu a moeda nesse mesmo fórum. Satoshi 
Nakamoto, um engenheiro japonês que reside nos Estados Unidos, por sua vez, alega 
nunca ter criado a bitcoin. As transações ocorrem através da tecnologia chamada 
blockchain, estima-se que cada transação leva em torno de 10 minutos para ser 
processada. Esse tempo se deve ao fato da blockchain ser uma rede de banco de 
dados onde as informações são armazenadas. 

Sendo uma rede, ela é descentralizada e é atualizada toda vez que uma 
transação é realizada, por essa razão é que cada transação leva um tempo para ser 
efetuada. Esse processo se chama mineração, onde cada transação passa pelos 
mineradores — um usuário que mantém uma cópia do registro e recebe uma 
recompensa por ser integrante da rede - onde a operação vai ser validada e 
registrada. 

Por usar a tecnologia blockchain se torna muito difícil acontecer fraudes nas 
operações de bitcoin, visto que ao atacar certa informação é necessário que esse 
ataque ocorra em todos os mineradores o que se torna impossível por ser uma rede 
descentralizada. A organização dos dados dentro do blockchain é igual ao conceito 
de pilha. Pilha é uma Estrutura de Dados em que cada dado novo aponta para o seu 
antecessor. Muitos consideram a b/lockchain como uma tecnologia revolucionária. 

Um dos exemplos da aplicação na blockchain atualmente é o uso de serviços 
de mensagens instantâneas nos smartphones. Esses serviços enviam a mensagem 
do usuário A para o usuário B sem intermediários. Muitos desses serviços possuem 
criptografia para impedir que os dados estejam sob ataque. Muitos argumentam que 


diferentemente de moedas comuns que são controladas por governos a bitcoin não 


“Valor obtido no dia 28 de novembro de 2017. Fonte: <https://www.mercadobitcoin.com.br>. 


13 


sofre por desvalorizações deliberadas. Por outro lado, também se fala que a 
popularização da bitcoin parece inviável tendo em vista que cada pessoa deve esperar 
10 minutos para efetuar transações. 

A sociedade, as intuições financeiras e governos não sabem como lidar com a 
realidade da bitcoin e da blockchain. O futuro parece incerto em relação a bitcoin mas 
a aceitação do blockchain está sendo crescente por empresas e outras iniciativas. Os 
textos utilizados nesse paper são: Análise dos benefícios sociais da bitcoin como 
moeda, The Digital Currency Challenge for the Regulatory Regime, A MIXED 
BLESSING: RESILIENCE IN THE ENTREPRENEURIAL SOCIO-TECHNICAL 
SYSTEM OF BITCOIN e A few South African centsworth on bitcoin. 

O período anunciado no título desse paper diz respeito às ocorrências 
encontradas. De fato, esse período bianual resume a produção acadêmica sobre o 
assunto na atualidade. Ao chegarmos no limite final do ano de 2017, talvez as 
publicações periódicas guardem outros materiais a respeito. 


2. BREVE ANÁLISE DOS ARTIGOS ENCONTRADOS 

O primeiro texto disposto na plataforma, “A few South African cents worth on 
bitcoin”, de 2015, se configura como uma introdução do conceito de moedas virtuais 
no mercado financeiro. O cenário descrito é específico e desenha a situação de não 
utilização da bitcoin, já que o país, A África do Sul, não possui, à época, uma 
legislação que autorize essa utilização. 

Do corpus encontrado, esse foi o único texto publicado em 2015. As demais 
ocorrências são de 2016. É interessante notar essa avaliação de uma moeda digital 
em um contexto de não legalidade porque o momento e cenário descritos desafiam a 
política local para o entendimento de utilização da tecnologia e, em certa medida, para 
o desenvolvimento de leis que o façam. 

O texto se posiciona como elemento detonador dessas discussões que 
envolvem avanço tecnológico e mercado financeiro, além da alteração de alguns 
conceitos do Direito. Discutir a utilização da moeda virtual significará, na África do Sul, 
formular novas formas de atuação econômica. O artigo defende, então, que a 
utilização da bitcoin, a mais comum dessas moedas virtuais, é positiva ao mercado 
financeiro sul-africano. No fim, o texto serve como apelo para que uma legislação seja 
criada em torno da utilização das moedas virtuais. O texto se coloca, de maneira clara, 


como veículo de defesa da tecnologia. 


74 


O segundo trabalho, “The Digital Currency Challenge for the Regulatory 
Regime”, segue a linha de definição encontrada no primeiro texto. Assim, definir o que 
é uma moeda digital é o primeiro objetivo do artigo. Em seguida, os autores 
investigaram a funcionalidade da moeda. Em seguida, será preocupação do texto 
estabelecer a relação das moedas com o mercado financeiro virtual, apontado como 
ponto inicial nessa cadeia comercial. Por último, assim como o texto da África do Sul, 
o desafio do texto será tratar de uma ferramenta cuja legalidade não se encontra 
regulamentada. 

Ao pensar nas vinculações institucionais dos dois autores, universidades do 
Chile e da Austrália, respectivamente, posso inferir que o problema da legalização, 
agora, foi expandido para mais dois continentes. Isso serve para uma conclusão de 
que, mesmo com o passar do tempo, a tecnologia continua desafiando os 
interessados numa escala global. O texto aponta o suposto criador da bitcoin, Satoshi 
Nakamoto, como um programador talentoso. A sua invenção, descrita como maneira 
de ganhar de dinheiro de forma fácil, seria a prova da configuração de uma mente 
brilhante. O contexto da internet facilita o desenvolvimento de moedas digitais. No 
entanto, mais uma vez, a dificuldade de definição desse recurso é apontada. O texto 
aponta uma possibilidade comum quando se deseja definir a moeda digital. Essa 
possibilidade estaria ligada a uma ideia de combinação de palavras (ciber-moedas, e- 
coin, por exemplo). Essa construção liga a ideia de algo eletrônico com o dinheiro 
material em si. 

A segunda movimentação do texto refere-se a uma abordagem mais técnica 
das moedas digitais. Aponta, assim como no primeiro texto, o caráter de avanço da 
bitcoin no mercado. Por fim, trata dos papeis do Estado na regulação da utilização das 
moedas digitais. Esses desafios passam pela definição das melhores maneiras de um 
serviço utilizado, basicamente, na internet, cuja natureza dificulta tal utilização 
regulamentada. Outro aspecto que não fica de fora dessa discussão é a mudança do 
comportamento social quando a adoção de serviços mais virtuais começaria a dividir 
espaço com as alternativas mais físicas. 

Mas o texto reconhece que é difícil falar de comportamento do consumidor. 
Porém, o escrito garante uma coisa: é difícil representar essa moeda virtual no 
cotidiano prático do consumidor. As representações materiais mais usuais do dinheiro, 
ouro, sal, açúcar, trigo ou metais de toda a natureza, ainda desafiam o entendimento 


dessa moeda de materialidade volátil, de impressão e representação quase 


15 


impossíveis. Assim como o primeiro texto, esse artigo encerra defendendo o caráter 
inovação e praticidade das moedas digitais. O potencial econômico também é 
apontado. A utilização das moedas necessita de novas relações econômicas e 
financeiras. As conclusões não alteram muito que se afirmou no primeiro texto, mas 
posso entender que o contexto de afirmação está ampliado. Agora, não só um país 
africano, mas um sul-americano e outro da Oceania definem, e defendem, a utilização 
das moedas, bem como a necessidade de se legislar esse potencial tecnológico. 

O terceiro texto, “A mixed blessing: resilience in the entrepreneurial socio- 
technical system of bitcoin”, também de 2016, mais complexo que os dois primeiros, 
utiliza a teoria da Resiliência, a princípio da Psicologia, para investigar a utilização da 
bitcoin através de entrevistas com oito empreendedores de países europeus. Os 
autores, de universidades europeias, uma da Suécia e outra da Alemanha, ampliam, 
então, o raio de abrangência da moeda virtual porque agora o continente europeu foi 
inserido na discussão. 

O texto está preocupado em responder as formas de atuação desses oito 
empreendedores diante da falência de uma grande empresa chamada Mt.Gox. A 
investigação buscará, por meio das entrevistas, as formas de recuperação apresentas 
pelos profissionais. Nesse sentido, o texto não apresenta um interesse direto para 
esse paper. Pela configuração do terceiro texto, passo ao quarto e último, de duas 
autoras brasileiras, intitulado, “Análise dos benefícios sociais da bitcoin como moeda”, 
também de 2016. Em seus objetivos, a verificação dos efeitos positivos da moeda está 
anunciada logo no título. 

O texto aponta a relação entre tecnologia e Economia como possibilidade para 
solucionar problemas sociais. O Artigo sinaliza o método dedutivo (em que o raciocínio 
lógico é obtido via dedução) como base da metodologia. As fases da metodologia 
serão obtidas por meio da análise um corpus adquirido via pesquisa bibliográfica. 
Assim como os dois primeiros textos, o artigo brasileiro aponta o desenvolvimento de 
inovações como base da qualidade de vida humana. Essas inovações envolvem 
técnicas agrícolas, comerciais e sociais, a exemplo do aprimoramento dos meios de 
transporte e de comunicação, por exemplo. 

O dinheiro material aparece como uma das principais conquistas tecnológicas. 
O seu emprego, nesse sentido, pode ser visto como um grande avanço nas relações 
sociais. A sua condição de adaptação também aparece sinalizada no artigo. Essa 


76 


condição se mostrou coerente, por exemplo, com o avanço da internet. Nesse caso, 
esse processo aparece mais destacado que nos outros dois textos. 

Desse modo, o desenvolvimento de uma moeda virtual como a bitcoin desafia 
tais configurações quando exige a adaptação do mercado financeiro. O que não se 
mostra diferente na história evolutiva das negociações econômicas. Mesmo assim, a 
moeda eletrônica mais conhecida não encontra, por outro lado, uma garantia de 
utilização em longo prazo. O passo futuro será, segundo o texto, a sua regulação legal. 
Esse processo confirmará ou não a consolidação desse tipo de moeda. Essa 
discussão deverá fazer parte das pautas de consumidores, operadores financeiros e 
legisladores no mundo todo. Outra grande conquista advinda de tais discussões será 
o impacto positivo de relações mais transparentes entre governos e governados. 

Um avanço do texto brasileiro é o tratamento do blockchain como alternativa 
viável em meio a todo esse processo de utilização de moedas virtuais. Essa defesa 
não acontece de maneira mais detalhada nos outros três artigos. Trata-se, aqui, de 
um processo de registro de dados, tecnologia que visa à descentralização como 
medida de segurança. A disposição da informação em diversos servidores impede o 
ataque sistemático mais eficaz, o que o artigo das estudiosas brasileiras insinua nas 


suas considerações finais. 


3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A leitura comparativa dos quatro textos e, mais especificamente, dos três 
artigos que tratam especificamente de moedas virtuais, aponta para um cenário de 
concordância com relação à utilização da bitcoin nos últimos dois anos. Trata-se da 
mais comum entre as disponíveis no mercado por conta da sua configuração e 
divulgação. Sendo tratada como uma tecnologia inerente aos processos de 
sociabilização, a moeda material não poderia ficar de fora da revolução que a internet 
apresenta. Nessa configuração, o aparecimento das moedas virtuais segue essa 
evolução. 

Em todos os textos lidos, os autores apontam que esse surgimento tecnológico 
impulsiona discussões no campo da Economia, Direito e Legislação estatal. No caso 
do texto brasileiro, encontro a defesa de que caminhamos, sim, para a legalização das 
moedas digitais. Somente a partir daí poderemos analisar se essa utilização se 


acentua ou não. 


177 


REFERÊNCIAS 


Arias Acuna, G.; Sanchez Pullas, A.. “The Digital Currency Challenge for the Regulatory 
Regime”. Em Rev. chil. derecho tecnol., Santiago, v. 5, n. 2, p. 173-209, dic. 2016. 
Disponível em: https://scielo.conicyt.cl/pdf/rchdt/vôn2/0719-2584-rchdt-5-02-00173.pdf. 
Ultimo acesso: Novembro, 2017. 


Boff, S. O., Ferreira. N. A.. “Análise dos benefícios sociais da bitcoin como moeda”. Em Anu. 
Mex. Der. Inter, México, v. 16, p. 499-523, dic. 2016. Disponível em: 

http://www .scielo.org.mx/pdf/amdi/v16/1870-4654-amdi-1 6-00499.paf. Ultimo acesso em 
Novembro, 2017. 


Morisse, M.; Ingram, C.. “A MIXED BLESSING: RESILIENCE IN THE ENTREPRENEURIAL 
SOCIO-TECHNICAL SYSTEM OF BITCOIN”. JISTEM J.Inf.Syst. Technol. Manag., São 
Paulo, v. 13, n. 1, p. 3-26, Apr. 2016. Disponível em: ; 

http://www .scielo.br/pdf/jisim/v13n1/1807-1775-jistm-13-1-0003.paf. Ultimo acesso: 
Novembro, 2017. 


Nieman, A.. “A few South African cents worth on bitcoin”. PER, Potchefstroom, v. 18, n. 5, p. 


1979-2010, 2015. Disponível em: http://www .scielo.org.za/pdf/pelj/v18n5/26. pdf. Último 
acesso em: Novembro, 2017. 


18 


CAPÍTULO 06 


AS PERSPECTIVAS DO BALANCED SCORECARD: UMA ABORDAGEM NAS 
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. 


Luana Andrea Cardoso de Oliveira 

Graduada em ciências contábeis pela Universidade do Estado do Rio Grande do 
Norte - UERN 

Endereço: Rua Alexandre Lima, 673, Aterro, Aracati — CE, Brasil 

E-mail: luanaandreaí 991 (Dhotmail.com 


Rosângela Queiroz Souza Valdevino 

Doutoranda em administração de empresas pela Universidade de Fortaleza — Unifor 
Instituição: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — UERN 

Endereço: Rua José Simplício, 11, Apodi RN, Brasil. 

E-mail: rosangelaqueiroz84(Dyahoo.com.br 


Adriana Martins de Oliveira 

Doutora em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) 
Instituições: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e Faculdade Católica 
do Rio Grande do Norte 

Endereço: Av. Prof. Antônio Campos, S/N - Costa e Silva — Mossoró/RN - Brasil 
E-mail: adrimartinso(Ogmail.com 


Rafael Ramon Fonseca Rodrigues 

Doutorando em ciências contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - 
Unissinos 

Endereço: Rua Joaquim Afonso, 08, casa 117, condomínio Alto da bela vista — 
Planalto 13 de Maio, Mossoró/RN, Brasil. 

E-mail: rafaelrcontador(O gmail.com 


Larissa Karoline Souza Silva 

Mestranda em Administração e Controladoria pelo Programa de Pós-graduação em 
Administração e Controladoria da Universidade Federal do Ceará 

Endereço: Rua Ana Neri, 175, Apto 502, Jardim América, Fortaleza/CE, Brasil 
E-mail: larissakaroline2009Dhotmail.com 


RESUMO: O objetivo deste estudo é identificar como as perspectivas da ferramenta 
Balanced Scorecard estão sendo utilizadas na gestão estratégica das instituições 
financeiras. O estudo caracterizou-se como uma pesquisa descritiva e qualitativa, 
fundamentou-se em um estudo de caso. Os dados foram coletados por meio de um 
roteiro de entrevista, estruturado com 21 perguntas, sendo 5 fechadas e 16 abertas, 
subdivididas em três categorias. A entrevista foi realizada com uma população de 3 
instituições financeiras de economia mista, que estão localizadas nas cidades de 
Aracati/CE, Palhano/CE e Mossoró/RN, utilizadas para apuração dos resultados e 
análise do conteúdo. Diante dos resultados obtidos concluiu-se que as empresas 
mostram conhecimento sobre BSC e fazem uso desta ferramenta de gestão 
estratégica. Contudo, faz-se necessário observar que suas perspectivas estão 
inseridas em seu meio organizacional e seus gerentes a reconhecem como 


19 


ferramenta eficiente para a tomada de decisões, de maneira que a perspectiva clientes 
e a perspectiva aprendizado e crescimento são de fácil entendimento e por isso se 
destacammais. 


PALAVRAS-CHAVE: Balanced Scorecard. Instituições Financeiras. Gestão 
Estratégica. 


ABSTRACT: The purpose of this study is to identify how the perspectives of the 
Balanced Scorecard tool are being used in the strategic management of financial 
institutions. The study was characterized as a descriptive and qualitative research, 
based on a case study. The data were collected through an interview script, structured 
with 21 questions, 5 closed and 16 open, subdivided into three categories. The 
interview was carried out with a population of 3 mixed-economy financial institutions, 
located in the cities of Aracati / CE, Palhano / CE and Mossoró / RN, used to calculate 
the results and analysis of the content. In view of the obtained results it was concluded 
that the companies show knowledge about BSC and make use of this tool of strategic 
management. However, it is necessary to observe that their perspectives are 
embedded in their organizational environment and their managers recognize it as an 
efficient tool for making decisions, so that the perspective clients and the perspective 
learning and growth are easy to understand and therefore more. 


KEYWORDS: Balanced Scorecard. Financial Institution. Strategic management. 


1. INTRODUÇÃO 

Na atualidade as entidades estão em constantes mudanças para se adaptarem 
ao mercado competitivo. A gestão é influenciadora do ambiente operacional das 
empresas aonde provoca alterações na forma da gestão destas. Desse modo é que 
a gestão estratégica procura estabelecer um equilíbrio entre os ambientes internos e 
externos das entidades, bem como a interação de todos os setores destas para que 
estes recursos possam atingir seus objetivos. É relevante que as empresas utilizem 
no processo de tomada de decisão, instrumentos que transpareçam confiança e 
fidedignidade para auxiliar no processo decisório. 

A Gestão Estratégica dispõe de ferramentas que auxiliam no processo 
decisório, não basta tomar decisões de maneira intuitiva ou apenas por experiências 
do gestor. Por isso, é que é abordado sobre uma ferramenta utilizada na gestão 
estratégica que é o Balanced Scorecard (BSC). Por meio deste é possível montar 
perspectivas que auxiliem os usuários da Contabilidade no processo de tomada de 
decisão. 


80 


Diante disso, Marques e Leite (2014), abordam sobre instituições financeiras, 
que se apropriam de ferramentas gerenciais que são necessárias para a condução de 
seus objetivos e propósitos. Além de que a concorrência no setor bancário é bastante 
acirrada, e as incertezas são maiores, assim, diversificar e inovar é necessário para 
que as instituições financeiras se mantenham sustentavelmente rentáveis. 

Desta forma, a pesquisa pretende resolver a seguinte problemática: como as 
perspectivas da ferramenta Balanced Scorecard estão sendo utilizadas na gestão 
estratégica das Instituições Financeiras? Assim, o objetivo geral deste estudo é 
identificar se as perspectivas da ferramenta Balanced Scorecard, estão sendo 
utilizadas na gestão estratégica das Instituições Financeiras. 

Martins e Heckert (2014) relatam sobre o Balanced Scorecard a respeito do 
trabalho desenvolvido por este, ao qual é responsável por minimizar os fatores de 
falha em prol de alcançar metas, assim oferece aos gestores indicadores sobre várias 
perspectivas: perspectiva financeira, perspectiva sobre clientes, perspectivas sobre 
processos internos e perspectivas diante do aprendizado e crescimento. 

Diante disso, o trabalho mostra-se relevante, pois na medida em que os 
ambientes da empresa se relacionam tem a necessidade de que a gestão interfira 
para que sejam sintetizadas metas levando assim em consideração aos gestores 
responsáveis de cada departamento da empresa para que cada setor aponte seus 
pontos fortes e fracos dentro da entidade para procurar metas e objetivos que se 
encaixem em suas perspectivas. 

A metodologia aplicada para alcançar tal finalidade é de cunho primeiramente 
bibliográfico, seguido de pesquisa de campo finalizado com estudo de caso aplicado 
em instituições financeiras. Trata-se de uma pesquisa descritiva e qualitativa, com 
dados primários coletados por meio de entrevista estruturada em questionário 
aplicado aos gerentes das instituições financeiras. Os dados secundários foram 
artigos científicos, pesquisas bibliográficas e pesquisas eletrônicas. Fazendo assim 


um comparativo entre as mesmas. 


2. REFERENCIAL TEÓRICO 

Gestão estratégica é a maneira de gerenciar que procura definir metas e 
objetivos da instituição que é de grande relevância dentro do processo de gestão. 
Existem ferramentas que auxiliam a gestão estratégica no seu processo de tomada 


de decisão. Estes mesmos autores definem que o Balanced Scorecard (BSC) é uma 


81 


ferramenta de auxílio que funciona entre a relação dos projetos e a estratégia 
organizacional. Esta ferramenta de medição de desempenho está baseada em dados 
financeiros e não financeiros (SOUZA et al., 2015). 

Reis (2015), retrata que o BSC surgiu como sistema de medição de 
desempenho, e com sua evolução transformou-se em sistema de gestão estratégica, 
assim é perceptível a ligação entre a criação e a implementação da estratégia. 

2.1 GESTÃO ESTRATÉGICA 

Silva (2010) define a gestão estratégica como o procedimento responsável pela 
tomadade decisões dentro da instituição. Visto que na atualidade a palavra estratégia 
está voltada para a competição das entidades que procuram se sobressair no 
mercado de trabalho em comparação com as concorrentes. A gestão estratégica visa 
o processo de desenvolvimento e execução de ações competitivas que destaca o 
sucesso presente e futuro da entidade. Busca avaliar a situação atual da entidade 
bem como elaborar projetos e mudanças que são acompanhadas e gerenciadas. Tem 
por objetivo ajudar entidades para a tomada de decisões. Para concentrar suas 
estratégias a entidade deverá estar ciente da sua missão e visão para que a partir daí 
trace seus objetivos e estratégias que deverão ser alcançadas num dado momento. 

Segundo Vendruscolo, Hoffmann e Freitas (2012) ferramentas de gestão 
estratégica são aquelas que são utilizadas na elaboração e na definição de estratégia 
das entidades. Por isso, o processo que determina gestão estratégica, vem a cada dia 
a procura de enfrentar desafios, sejam a respeito da captura de oportunidades que 
auxiliem na tomada de decisões da entidade, ou a neutralização de possíveis crises 
que poderão surgir, bem como à sustentação de posição conquistada no mercado 
pela entidade, ou ainda no equacionamento de crises internas ou externas da 
entidade. Então, para se começar a pensar em gestão estratégica é necessário 
conhecer primeiramente o ambiente em que a entidade está inserida. 

2.2 GESTÃO ESTRATÉGICA NAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 

A Gestão Estratégica nas Instituições Financeiras é a escolha criteriosa, 
racional e intencional das formas mais adequadas para a entidade chegar aos seus 
objetivos. 

Portanto, para que os objetivos sejam alcançados e sua estratégia seja bem 
sucedida deve ser escolhido o produto que tome de conta do mercado e dos seus 
recursos disponíveis. Procurar a sinergia entre o produto e todos os restantes à 


procura de satisfazer as necessidades dos seus clientes. A saber, que o objetivo 


82 


principal dessas entidades é as atividades que geram valor com o objetivo de retorno 
do investimento que é realizado pelos seus acionistas. 

Quanto à perspectiva de gestão estratégica as instituições financeiras, não são 
diferentes em relação a qualquer outra entidade. Como qualquer entidade estas 
instituições requerem um processo de planejamento estratégico elaborado com o 
apoio de gestores especializados. Conforme Kaplan e Norton (2000 apud FERREIRA; 
MONTEIRO, 2012), estas entidades necessitam da utilização de modelo de 
representação, comunicação e acompanhamento do processo de implementação 
estratégico. Entretanto, Almeida (1998 apud FERREIRA; MONTEIRO, 2012), discute 
que há quatro diferenças entre outras entidades e instituições financeiras: o grau de 
regulamentação destas; além da natureza dos produtos e serviços ofertados; seguida 
da dinâmica de mercado; e também da amplitude das informações. Em resumo, que 
para as entidades financeiras sejam rentáveis é necessário que estas conheçam seus 
concorrentes e conheçam também suas melhores práticas e que direcione de maneira 
descentralizada, para que tudo isso gere as metas para que a partir disso sejam 
cumpridas e cheguem os resultados esperados. 

2.3 FERRAMENTAS UTILIZADAS NA GESTÃO ESTRATÉGICA 

No mundo globalizado atual a concorrência ficou ainda mais acirrada em 
decorrência da maneira em que as informações se espalham mais rapidamente. E 
para aquelas entidades que desejam continuar no mercado de trabalho e que 
procuram mais do que isso, se sobressair na frente de suas concorrentes, terá 
inúmeras possibilidades, no entanto deverão inovar e exigir que através disto a 
entidade se torne eficiente e eficaz. Uma dessas possibilidades é o uso das 
ferramentas estratégicas que podem ser utilizadas nas instituições financeiras, para 
que se tornem mais competitivas e rentáveis, através de seus objetivos e propósitos. 

De acordo com Marques e Leite (2014), este modelo de gestão inovador propõe 
tornar uma empresa mais competitiva e adaptável para qualquer situação de 
emergência que ocorrer e com isso estará disposta as mudanças do cenário que se 
encontra o mercado atual. Este modelo permite um conhecimento sobre o 
desempenho da empresa de maneira tempestiva e imediata através dos relatórios 
fornecidos que irão além do orçado ou realizado. Faz-se necessário que toda a 
entidade esteja interligada desde a alta administração, até seus gestores e 
funcionários. Então, é necessário que todos possam compreender as estratégias para 
que o resultado esperado seja encontrado. 


83 


Na opinião de Souza e Lavarda (2011) definem sobre o Beyond Budgeting e o 
consideram que esta além de uma ferramenta de gestão, mas é um modelo de gestão 
em que os processos são flexíveis desde a implantação até as decisões gerenciais, 
com responsabilidades divididas entre os envolvidos da entidade e avaliação de 
resultados voltada para a comparação de resultados internos e principalmente 
externos. De acordo com Marques e Leite (2014), dentre as ferramentas que estão 
inseridas no Beyond Budgeting tem-se: Balanced Scorecard (BSC); Empowerment, 
Rolling Forecast, Capital intelectual e Benchmarking. Sendo o BSC o objeto de estudo 
para esta pesquisa. 

2.4 BALANCED SCORECARD 

As mudanças na economia mundial dada nas últimas décadas fizeram com que 
aumentasse a competitividade já existente entre as entidades no mercado econômico. 
As entidades tiveram que procurar se sobressair das suas concorrentes com 
ferramentas estratégicas que proporcionasse maior visão a respeito do aspecto 
financeiro e não financeiro destas. 

Segundo Martins e Heckert (2014), o BSC surgiu em meados da década de 
1990, este só foi possível por causa da associação entre o Instituto Nolan Norton e a 
Consultoria KPMG, os quais patrocinaram o estudo que foi denominado por Measuring 
Performance in the Organization of the Futuro, o mesmo foi desenvolvido por David 
Norton e Robert S. Kaplan, professores da Harvard Business School. Este estudo 
comprovou a ineficiência do antigo sistema de avaliação de desempenho. Outros 
autores vêm completar novos conceitos que buscam aperfeiçoar assim a gestão 
estratégica. 

Montoya (2011), aborda que o Balanced Scorecard, no princípio era uma 
ferramenta de gerenciamento de medição de desempenho. Oqual se tornou um 
modelo para muitas organizações na América Latina. Assim, o BSC traduz objetivos 
estratégicos das respectivas empresas, em um conjunto coerente de perspectivas 
para medir a gestão. 

O BSC deve ser desenvolvido pelos altos níveis gerenciais da entidade que 
fornece perspectivas globais da mesma. Com o objetivo de facilitar a decisão da 
gestão. Este serve como um canal de comunicação entre os diferentes níveis da 
entidade e através deste será retratada a resolução dos objetivos da estratégia. 
Conceição (2014) define que o BSC não é um projeto estático e sim dinâmico, o qual 
desde a sua origem em 1992 sempre está em evolução, com o objetivo de aprimorar 


84 


a incorporação da aprendizagem e os novos conhecimentos conquistados desde sua 
criação em centenas de empresas ao redor do mundo. 

Para facilitar o entendimento e o funcionamento do BSC este é dividido entre 
quatro perspectivas, são estas: perspectivas financeiras, perspectivas relacionadas 
aos clientes, perspectivas quanto aos processos internos, e perspectivas em relação 
ao aprendizado e crescimento. Os mesmos indicadores financeiros e não financeiros, 
cumprem o objetivo de alcançar suas metas e estratégias. Montoya (2011) define o 
BSC por suas quatro perspectivas para medir o desempenho da gestão, são elas: 
financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. Esses são 
considerados simultaneamente, o que permite uma relação de causa e efeito, de 
forma que cada departamento faça a sua parte, a fim de atingir os objetivos planejados 
através da avaliação clara das perspectivas. Na Figura 01 é possível visualizar relação 
entre todas as perspectivas do BSC. 


Figura 01 - Relação entre todas as perspectivas do BSC. 


Visão e 
Estratégia 


Aprendizado e 





Fonte: Figura baseada de Kaplan e Norton (1997, p.10). 


Na opinião de Reis (2015), discute que o BSC foi desenvolvido como 
ferramenta de medição de desempenho, a partir disso, evoluiu para um sistema de 
gestão estratégica. A gestão estratégica traduz a visão e a estratégia da entidade. 
Diante disso, é possível abordar objetivos e indicadores. O BSC direciona a entidade 
para o sucesso, definem quais são as metas para conseguir os objetivos desejados. 

2.4.1 PERSPECTIVAS FINANCEIRAS 

Os objetivos financeiros são fundamentais para definir o desempenho 
econômico que pretende alcançar através da estratégia. Esta perspectiva está 
preocupada com a saúde financeira da entidade. Para Martins e Heckert (2014), as 


85 


medidas e os objetivos são segmentados e devem considerar o ciclo da vida da 
instituição. 

Na opinião de Reis (2015), as seguintes explanações dizem sobre o objetivo 
desta perspectiva. Que são: de que forma a entidade deverá ser vista pelos seus 
acionistas; e como a entidade deverá ser vista pelos seus investidores. Esta 
perspectiva é responsável por dar atenção aos acionistas, em consideração aos 
capitais investidos, receita operacional e margem bruta e além, de enfatizar o fluxo de 
caixa, na busca de retorno financeiro certo e imediato, a meta é maximizar o caixa, 
como consequência de todo o investimento feito no passado. 

Tem-se o conhecimento de que os objetivos financeiros são o alicerce para os 
objetivos e metas referentes às outras perspectivas do BSC. Portanto, o objetivo desta 
perspectiva é dar atenção aos interesses dos acionistas e investidores por causa dos 
capitais investidos por estes. 

2.4.2 PERSPECTIVAS QUANTO AOS CLIENTES 

Essa perspectiva esta voltada para a identificação da organização bem como 
a melhor estratégia para atender as demandas internas e externas. Procura identificar 
através desta os mercados adequados para as entidades, seus grupos de clientes e 
categorias, qual serão seu público alvo e a região em que a entidade será inserida. 
Xavier (2012), afirma que para manter a instituição no mercado de maneira rentável é 
necessário ter clientes. E sem estes, a entidade não subsiste. De forma que estes são 
os responsáveis pelo sucesso financeiro. 

Nessa perspectiva se deve converter a missão e a estratégia da entidade em 
objetivos específicos no que se devem respeito a clientes e mercados nos quais a 
empresa pretende se inserir. Os fatores que estão relacionados a clientes são: 
satisfação, fidelidade e rentabilidade. 

Conceição (2014), afirma que o objetivo desta perspectiva é criar valor de 
maneira digna para seus clientes de forma que satisfaça as necessidades deste 
segmento. Diante de resultados que satisfaçam seu público-alvo, além da 
lucratividade que virá por meio destes, bem como a participação do mercado. 

Portanto, a entidade tratará de conhecer seus clientes e identificar qual o 
diferencial que estes optam em relação a outras instituições por procurar esta. A partir 
disso, possa determinar os indicadores que captem novos clientes e assim, poder se 
sobressair dos demais. 


86 


2.4.3 PERSPECTIVAS QUANTO AOS PROCESSOS INTERNOS 

Os processos desempenhados por cada entidade estarão de comum acordo 
com a atividade e a necessidade do público da clientela interessada. Xavier (2012), 
retrata que nesta perspectiva assegura o cumprimento dos objetivos traçados para as 
demais expectativas, de clientes e financeira. Conceição (2014), define que neste 
quesito fica explícito a procura pela satisfação de seus clientes e acionistas, para que 
a entidade procure alcançar seus objetivos. 

Para Souza et. al (2015), conceituam que na perspectiva de processos internos 
tenta demonstrar diretamente a satisfação dos clientes e acionistas sem deixar de 
retratar sobre os processos que também estão voltados para os objetivos financeiros 
da entidade. Quesado e Letras (2015) definem que o processo interno designa para 
que a instituição crie valor para os seus clientes e acionistas. Onde deverá procurar 
atingir objetivos que vão desde reduzir risco operacional à procura da melhoria da 
eficiência comercial e procurar aumentar a qualidade do serviço. 

Portanto, na perspectiva de processos internos é necessário conhecer as 
expectativas dos clientes. Para que isso fosse possível se deve recorrer a medidas 
não financeiras. Para a entidade é necessário conhecer a qualidade de seus produtos 
e processos, da criatividade da gestão, a capacidade de produção, além da qualidade 
dos sistemas de informação e comunicação interna. 

2.4.4 PERSPECTIVAS DO APRENDIZADO E CRESCIMENTO 

O objetivo desta perspectiva é auxiliar as entidades na melhor maneira possível 
com os recursos que possuem. Bem como a introdução de novos recursos já que para 
que as entidades consigam se manter no mercado estas devem procurar se 
sobressair de suas concorrentes. 

Xavier (2012) define que nesta perspectiva é relevante identificar a 
infraestrutura que a entidade deve construir para poder crescer em longo prazo. No 
sentido de se investir para o futuro como novos equipamentos e novos produtos em 
processo contínuo para manter a sua posição competitiva ou melhorá-la quando 
preciso. Este mesmo autor retrata que a satisfação profissional dos trabalhadores 
deve ser um dos principais fatores que a entidade deverá levar em consideração. Visto 
que, se os trabalhadores estiverem satisfeitos com suas funções, trabalharão mais 
motivados para executá-los. No sentido de ser condição indispensável para aumentar 
a produtividade, a responsabilidade e a qualidade da entidade. 


87 


De acordo com Conceição (2014), a capacidade organizacional das entidades 
em preparar o ambiente interno, além do mais, é autorizar os planejamentos e metas 
traçados nas três perspectivas anteriores. 

Portanto, o objetivo é avaliar a capacidade dos funcionários e a motivação 
através dos sistemas de informação para identificar as lacunas entre as capacidades 
atuais, com isso, encontrar o que é necessário para obter um desempenho inovador 
para alcançar os objetivos traçados. 

2.5 BALANCED SCORECARD NAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 

As Instituições Financeiras em função da Gestão Estratégica, que dispõem de 
ferramentas estratégicas que poderão auxiliar nas decisões dos gestores, para que 
estas decisões favoreçam o sucesso ao invés do fracasso das entidades. O Balanced 
Scorecard surge como ferramenta de medição de resultados. 

Para Quesado e Letras (2015), o BSC é uma ferramenta de grande utilidade 
para o setor bancário já que estes definem e seguem um conjunto de indicadores 
coerentes com a estratégia, pois o BSC proporciona informações relevantes e 
concisas a respeito aos fatores da estratégia. Embora que nem todas as instituições 
que utilizam o BSC possam afirmar que este se encontra completo, pois não 
abrangem todas as expectativas que são ansiadas pelas entidades. Dessa forma cada 
entidade procura adaptar de forma mais completa e dinâmica para que este fique de 
acordo com a realidade de cada, pode-se também fazer necessária constantes ajustes 
para que fiquem de acordo com cada realidade. 

Conforme explanação de Kaplan e Norton (1997), foi registrado o uso do BSC 
em uma instituição financeira, Metro Bank, em estudo realizado no ano de 1993. Com 
isto, pode ser observado que serviu de comunicação e crescimento dos proveitos e 
com a melhoria da produtividade. Por meio da perspectiva de clientes ficaram claros 
três processos de vendas: compreender os clientes, desenvolver novos produtos e 
serviços além de efetuar vendas cruzadas de diversos produtos e serviços. Já na 
perspectiva de aprendizado e crescimento teve a necessidade de que os vendedores 
tivessem mais habilidade no sentido de se tornarem consultores financeiros com 
amplo conhecimento da área de negócios. Além de melhorar o acesso às 
informações. A implantação da ferramenta teve resultado positivo visto que, a 
instituição conseguiu incentivar o trabalho em equipe e criar um programa de 


consolidação e integração do processo de mudança. Portanto, fica conhecido que o 


88 


BSC é utilizado como ferramenta da gestão estratégica para as instituições financeiras 
com a finalidade de auxiliar no processo decisório. 


3. METODOLOGIA 

Para a elaboração de uma pesquisa científica faz-se necessário à 
apresentação dos aspectos metodológicos, para encontrar respostas ao problema 
proposto nesta pesquisa, foram realizadas entrevistas com uma população de três 
instituições financeiras. Tendo como objetivo identificar se as perspectivas da 
ferramenta Balanced Scorecard, estão sendo utilizadas na gestão estratégica das 
Instituições Financeiras. A área da pesquisa está limitada as cidades de Aracati - CE, 
denominada de empresa A; Palhano - CE, empresa B; e Mossoró RN, empresa C. A 
proposta de utilizar cidades diferentes teve o intuito de fazer a comparação entre os 
bancos e como cada instituição utiliza a ferramenta BSC. 

De acordo com a elaboração dos objetivos propostos a pesquisa é classificada 
como descritiva. Prodanov e Freitas (2013), afirmam que a pesquisa descritiva retrata 
o pesquisador apenas como o registrador de maneira que observa, registra, analisa e 
ordena dados sem intervir nestes. Quanto à abordagem do problema esta pesquisa é 
qualitativa. Prodanov e Freitas (2013), afirmam que se faz por meio do ambiente 
abordado que é fonte direta de coleta de dados de forma que a interpretação dos 
fenômenos e atribuição de seus significados, sem a utilização de medição numérica. 

Quanto aos procedimentos a pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso 
e bibliográfica, conforme Gil (2010) a pesquisa bibliográfica é elaborada com base no 
material que já foi publicado. Suas modalidades de pesquisa são livros, revistas, 
jornais, teses, dissertações e anais de eventos científicos. É necessária uma revisão 
bibliográfica para dar fundamentação teórica ao trabalho para o conhecimento do 
tema. 

Para a coleta de dados foi utilizado um roteiro aplicado por meio de uma 
entrevista estruturada com 5 perguntas fechadas e 16 perguntas abertas, subdivididas 
em três categorias. Sendo aplicado para os gerentes destas instituições financeiras. 
Essas questões foram extraídas e adaptadas do estudo de Cunha (2014). O tempo 
para a análise correspondeu ao período de fevereiro de 2016 a novembro de 2016. 

O tratamento dos dados foi feito mediante comparação com o referencial 
teórico e as respostas obtidas com a entrevista realizada nas três instituições 
financeiras: Aracati - CE; Palhano - CE; e Mossoró - RN. Desta maneira, por meio do 


89 


confronto entre as bases teóricas e a opinião dos respondentes foi possível analisar 
os resultados e resolver o problema proposto. O método utilizado para identificação 
dos resultados foi à análise de conteúdo, que segundo Bardin (2011), descreve que 
este é um apanhado de procedimentos de análise que utiliza técnicas sistemáticas e 
objetivos de descrição do conteúdo de mensagens. A partir desta metodologia, foi 


possível confrontar os resultados obtidos a fim de solucionar o problema de pesquisa. 


4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A análise dos resultados foi realizada a partir de um roteiro com 5 perguntas 
fechadas e 16 perguntas abertas de caráter qualitativo aplicado em 3 Instituições 
Financeiras, onde as mesmas foram respondidas por gerentes dos referidos bancos. 
A instituição Asitua-seem Aracati/CE; a B em Palhano/CE; e a C em Mossoró/RN. Por 
meio do roteiro da entrevista, foi possível verificar o perfil dos respondestes e 
evidenciar as quatro perspectivas do BSC. 


Quadro 1 - Perfil dos respondentes. 
































Entidades A B C 

Sexo Feminino Masculino Masculino 

Faixa Etária 30 a 39 anos 30 a 39 anos 30 a 39 anos 

Tempo de 6a 10 anos 6a 10 anos Entre 5 anos ou menos 

atuação 

Grau de Ensino superior Ensino superior Ensino superior 

Escolaridade completo, graduação | incompleto, completo, graduação em 
em pedagogia graduação em ciências contábeis e pós 

teologia graduação na área 
Função da Gerente da agência Gerente da agência | Gerente da agência 
Organização 








Fonte: Dados da Pesquisa (2016) 


Diante disso, foi possível verificar que dentre as três instituições financeiras 
entrevistadas, a gerência da maior parte delas é feita por profissionais de nível 
superior completo, confirmando assim, o entendimento de Marques e Leite (2014), 
quando cita o Capital Intelectual como uma ferramenta diferencial para bancos, onde 
o conhecimento fará toda a diferença, já que o conhecimento adicionado de produtos 
e serviços de qualidade será o maior ativo de um banco. 

A princípio foi questionado a cada gerente, sobre como os mesmos se sentiam 
em relação às cobranças das metas e objetivos traçados. A gerente do Banco A, 


90 


afirmou que estas cobranças são essenciais para o desenvolvimento da empresa, de 
maneira que também são excessivas de forma que a entrevistada se sente 
sobrecarregada. O gerente do Banco B, respondeu que quanto às cobranças sobre 
metas e objetivos são necessárias para o crescimento da empresa. De maneira que 
quanto maior for à confiança no funcionário maior também será a cobrança sobre os 
resultados que vier deste. O gerente da agência C disse que se sente confortável em 
relação às cobranças das metas e objetivos impostos pela instituição financeira, pois 
antes de entrar para a instituição sabia que iria trabalhar em cima de metas e objetivos 
traçados pela instituição. Ainda completa com a ideia de que são os objetivos da 
empresa que são traduzidos em orçamento. 

Silva (2010) comenta que a Gestão Estratégica é o procedimento responsável 
pela tomada de decisões dentro da instituição concentrando estratégias para a 
entidade que deve estar ciente da sua missão e visão para que a partir disso trace 
seus objetivos e metas que devem ser alcançados em um dado momento. 

Diante disso, verificou-se que a opinião dos entrevistados está em consonância 
com o conceito e entendimento do autor citado. Destacou-se o Banco B na medida 
em que enfatiza que quanto maior for à cobrança no funcionário maior será a cobrança 
nos esperados por este funcionário. Dessa forma, pode-se concluir que as empresas 
têm conhecimento das metas e objetivos traçados para poder chegar aos resultados 
desejados. 

Em continuidade foi indagado aos respondentes, qual a opinião deles, 
enquanto funcionários, a respeito das perspectivas do BSC (perspectiva financeira; 
perspectiva sobre clientes; perspectivas sobre os processos internos; e perspectivas 
sobre o aprendizado e crescimento). E se estas perspectivas são de total clareza para 
os funcionários. Todas as instituições afirmaram que as perspectivas são de total 
entendimento para com o seu corpo funcional. Para a empresa A, o BSC é uma 
ferramenta que engloba perspectivas que avaliam processos financeiros e não 
financeiros que auxiliam nas decisões da instituição. A empresa B, acredita que o BSC 
torna a instituição do ponto de vista organizacional uma ferramenta de inteira 
relevância no mercado e enquanto aos funcionários vem permitir avaliar o 
desempenho de maneira linear e específica para cada função. Cada perspectiva tem 
sua relevância para a instituição. Quanto à empresa C, considera que esta é uma boa 
ferramenta de gestão. 


91 


Montoya (2011) aborda que o BSC é uma ferramenta que avalia medidas 
financeiras e não financeiras através de perspectivas que medem a gestão. De modo 
a auxiliar as instituições a se diferenciar com as demais no mercado. 

Ao confrontar as respostas à questão com o referencial teórico, foi possível 
verificar que o BSC é uma ferramenta relevante que utiliza quatro perspectivas que 
analisamos aspectos financeiros e não financeiros da situação da empresa. Destacou- 
se a empresa B das demais no sentido em que define as perspectivas como uma 
ferramenta de inteira relevância no mercado e que permite aos funcionários avaliar o 
desempenho de cada função e também definem que todas as perspectivas tem seu 
peso relevante para compor toda instituição. 

Posteriormente foi perguntado se existe alguma dificuldade perante os 
funcionários da instituição a respeito da implantação e do uso destas perspectivas. E 
se esta implantação trouxe mudança quanto ao desempenho dos funcionários de 
maneira que estes trabalham com mais afinco e determinação. O respondente da 
instituição A, afirmou que não houve nenhuma dificuldade a respeito da implantação 
e do uso das perspectivas. E que houve mudança no sentido de crescimento do plano 
de carreira para cada funcionário. Já que a imposição das estratégias começou da 
alta administração até preencher todo o nível hierárquico, assim as funções e 
responsabilidades foram divididas para corroborar para o sucesso do trabalho. Na 
empresa B, teve muita mudança e continua ainda mudando conforme sua conjuntura 
vigente. Diante disso, os funcionários acabam se enquadrando numa cultura 
organizacional de acordo com essas mudanças, mesmo que nem sempre se tenha 
unanimidade de pensamento, mas que em sua grande maioria consiga assimilar os 
objetivos da instituição. Para a empresa C, todos os mecanismos e ferramentas 
implantadas na empresa são de forma profissional e eficiente tentando traduzir em 
prática o que as perspectivas repassam em teoria. 

Filgueiras, Barros e Gomes (2010) definem a implantação das perspectivas do 
BSC em qualquer empresa é um exemplo de uma atividade nada fácil. Na medida em 
que os executivos delegam todas as estratégias do processo de implementação a 
todo o nível hierárquico. Então, a alta administração deve dividir as funções que 
caberá a cada um desses níveis com o intuito de evitar o isolamento de cada 
departamento durante a implementação, e que todos os esforços dos funcionários 


envolvidos corroborem para o sucesso da empresa. 


92 


Pode-se observar que os respondentes estão de acordo com o conceito dos 
autores. A implantação e o uso das perspectivas do BSC inseridas nessas instituições 
estão de comum acordo com a teoria. 

A respeito das perspectivas utilizadas pelo BSC foi possível verificar a 
perspectiva mais importante para cada instituição. A empresa A ver que todas as 
perspectivas do BSC são utilizadas nesta instituição e que não dar para mensurar qual 
é a mais importante. A empresa B, define que todas as perspectivas estão inseridas 
na empresa e que a perspectiva clientes é a mais relevante de tal maneira que está 
explícita na missão da instituição. De forma que o modelo de desempenho adotado 
pelo banco, tem como pilar os desafios e movimentos propostos na estratégia 
corporativa possibilitando equilíbrio entre todas as perspectivas. A instituição C, afirma 
que todas as perspectivas são relevantes para a empresa e que todas estão inseridas. 
De maneira que a perspectivas clientes é o componente mais relevante de qualquer 
organização. 

Diniz, Godoy e Stefano (2012) definem que as perspectivas do BSC são 
coerentes com os objetivos e metas distribuídas nas quatro perspectivas e tem relação 
de causa e efeito. Então para cada uma é importante ser bem sucedida para que se 
consiga obter o sucesso da perspectiva seguinte. Para Xavier (2012), a perspectiva 
clientes é a mais importante porque para que a empresa consiga se manter no 
mercado de maneira rentável é necessário ter clientes que consumam seus produtos 
e utilizem seus serviços. 

Assim, verificou-se que a opinião dos gerentes está em consonância com os 
conceitos e entendimentos dos autores citados, visto que observa-se que as 
empresas B e C pensam da mesma maneira e que a perspectiva clientes é a mais 
relevante em seus pontos de vista. 

Em continuidade foram indagados aos respondentes, sobre quais foram as 
principais mudanças ocorridas com a implantação das perspectivas do BSC na 
instituição e como os funcionários avaliam estas mudanças ocorridas com a 
implantação das perspectivas do BSC. 

A empresa A avalia que os funcionários veem isto de maneira positiva já que 
auxilia na sistemática da meritocracia. Diante de tal questionamento o entrevistado do 
banco B disse que as perspectivas do BSC nas instituições financeiras têm um 
horizonte de três anos. De maneira que esta ferramenta foi analisada de forma positiva 


pelos funcionários, uma vez que esta se fez necessária no mundo corporativo de ser 


93 


competitivo e eficiente procurou por uma ferramenta adequada para atender a 
necessidade da empresa. Fica exposto que eventuais ajustes podem ser necessários 
na medida em que durante o ciclo avaliativo podem ser efetuados em decorrência de 
revisões estratégicas e mudanças de cenários empresariais. O Banco C explica que 
para os funcionários melhoram a avaliação de desempenho profissional e avaliação 
mais precisa das competências, o que dá subsídios técnicos para o crescimento dos 
funcionários por meio da sistemática da meritocracia. 

Filgueiras, Barros e Gomes (2010) relatam que a implantação do BSC é uma 
tarefa árdua, mais os envolvidos devem estar dispostos a melhorar sempre. E que cria 
oportunidades para aprendizado sistemático dos funcionários para o sucesso da 
empresa. 

Portanto, os bancos definiram que os funcionários analisam o uso dessas 
perspectivas de maneira positiva nas instituições financeiras. Os bancos A e C 
explicam ainda que o uso dessas perspectivas que melhoraram o desempenho 
profissional dos funcionários por meio dos subsídios técnicos que auxiliam os 
funcionários na sistemática da meritocracia. 

Em continuidade foram indagados aos respondentes se o banco está 
preocupado como será visto pelos seus acionistas e investidores. E o que a instituição 
procura fazer para manter o compromisso com os seus acionistas e investidores. A 
empresa A define que a instituição se preocupa sim com os seus acionistas e 
investidores e busca atingir objetivos e metas para se chegar ao resultado. A empresa 
B respondeu que toda instituição que possui ações no mercado tem uma preocupação 
com sua imagem perante a sociedade e acionistas. Todas as estratégias na área 
específica são pensadas para atender seus investidores e acionistas, além de manter 
sua função com os demais clientes de maneira eficiente. A empresa C retornou com 
a seguinte resposta, que todos os compromissos da instituição perante clientes 
internos, externos e acionistas são cumpridos dentro do estabelecido na Governança 
Corporativa. 

Reis (2015) define que a perspectiva financeira tem por objetivo também se 
preocupar como será vista pelos seus acionistas e investidores, pois, estes são os 
responsáveis pelos capitais investidos. Pois, segundo o autor, o objetivo desta 
perspectiva é dar atenção aos interesses dos acionistas e dos investidores por causa 
dos capitais investidos por estes. 


94 


Portanto, os entrevistados admitem em consonância com o autor, que é 
relevante para a empresa procurar dar atenção merecida aos seus investidores e 
acionistas já que foram estes que apostaram de início no sucesso da entidade. A 
empresa B destacou-se quando admitiu que a instituição preocupa-se como será vista 
por seus acionistas por meio de uma área especifica que são pensadas estratégias 
para aprimorar as necessidades deste gênero de modo eficiente. 

Foram questionados aos entrevistados a respeito da perspectiva dos clientes e 
procurou analisar se esta perspectiva é de total clareza para os funcionários desta 
instituição e se quanto a esta perspectiva a empresa esta preocupada como será vista 
por seus clientes. 

O banco À também concorda com tal questionamento assim como a instituição 
C que justifica que os clientes são os responsáveis pelo consumo de seus produtos e 
serviços e procura evidenciar a satisfação dos seus clientes, sua fidelidade e também 
sua rentabilidade. O banco B respondeu que sim, pois são os clientes que mantém o 
banco no mercado de trabalho de maneira rentável e que é necessário ter cliente que 
consumam seus produtos e utilizem seus serviços. 

Para Xavier (2012) afirma que para o banco se manter no mercado é 
necessário ter clientes que consumam seus produtos e utilizem seus serviços. De 
maneira que sem os clientes a empresa não subsiste sendo estes os responsáveis 
pelo sucesso financeiro. Já Conceição (2014) define que esta perspectiva procura 
criar valor de maneira digna para os clientes com o intuito de satisfazer as 
necessidades do segmento. 

Portanto, fica claro que a opinião dos respondentes em comparação com a 
opinião dos autores está em consonância. Visto que, os clientes são importantes, na 
medida em que, consomem os produtos e serviços da empresa. Sendo que se isso 
não existisse, a empresa também não subsiste. 

Em seguida foram abordados se atualmente o melhor para a empresa seria 
manter a clientela fidelizada ou captar novos clientes. E se é realizada alguma 
campanha para fidelização destes clientes e em quais meios de comunicação essas 
campanhas são realizadas. 

A empresa A define que fidelizar clientes é mais importante. E que sim, há 
campanha de fidelização através de meios de comunicação e redes sociais e também 
campanhas internas. O entrevistado B respondeu que é necessário fidelizar clientes 
mais não pode perder oportunidade de conquistar novos clientes e que tem 


95 


campanhas de fidelização por meios de comunicação. O entrevistado C disse que 
todo cliente de qualquer empresa deve ser fidelizado e o ingresso de novos faz parte 
do ciclo de vida destes dentro da organização. A empresa traz no seu orçamento 
estratégias de atração, fidelização, rentabilidade e inúmeras outras que merecem 
serem estudadas mais aprofundamento, sem a generalização aqui proposta e que 
tem campanha para fidelizar clientes e conquistar novos clientes. 

Na visão de Quesado e Letras (2015) definem que esta perspectiva clientes se 
foca em criar satisfação para seus clientes de maneira sustentável a fim de 
proporcionar qualidade no atendimento e preços justos para que a partir disso, 
continuem com os seus respectivos clientes e possam captar novos. 

Portanto, a entidade tratará de conhecer seus clientes e identificar qual o 
diferencial que estes optam em relação a outras instituições por procurar esta. A partir 
disso, possa determinar os indicadores que captem novos clientes e assim, poder se 
sobressair dos demais no mercado. 

Neste quesito o objetivo foi analisar se os processos internos do banco são 
bem definidos e as tarefas executadas diariamente por seus funcionários passam por 
alguma supervisão. A entrevistada A ver de forma positiva todos os comandos e que 
são vistos e confirmados por nível gerencial. O entrevistado B concorda, pois, 
contemplar indicadores de controle e que deverão ser propostos pelo setor 
competente que é a área responsável. O entrevistado C também acha necessário. Há 
segregação de função com definição de níveis de competências. 

Conceição (2014) define a relevância de um sistema tecnológico capaz de 
monitorar a troca de informações entre os vendedores e o escritório responsável pela 
supervisão para diminuir o tempo entre solicitações e compras de produtos ou 
prestação de serviços. 

Portanto, em consonância com a opinião dos autores os entrevistados ditam 
sobre a supervisão das tarefas executadas pelos funcionários através de um sistema. 
Dessa forma pode-se concluir que o entrevistado A está à frente dos demais no que 
se diz respeito à supervisão dos processos internos que é feita por meio do nível 
gerencial. 

Depois foram analisados se a instituição financeira utiliza algum sistema que 
facilita o fluxo de informações dentro da organização. E se procura manter o 
relacionamento com o cliente após a prestação do serviço. E também de qual maneira 


esse contato é feito. A respondente A concordou, pois afirma ter vários meios para 


96 


recebimento dessas informações. E sim, o banco procura manter um relacionamento 
com o cliente após a prestação do serviço e a entrega do produto, dentro de cada 
segmentação. O contato varia conforme o perfil do cliente. O respondente B disse que 
tem o banco possui sistema de informações interno. O relacionamento com o cliente 
é constante na medida em que o serviço precisar de ajustes. É mantido por meio da 
procura entre a empresa e o cliente ou então do cliente para com a empresa. O 
respondente C definiu que sim, pois o relacionamento banco versus cliente é 
constante e retroalimentado permanentemente. Em duas vias. O cliente tem vários 
canais de comunicação e por sua vez a empresa também se utiliza os seus. 

Xavier (2012) nos processos internos inicia-se por meio do processo de 
inovação e em seguida o processo operacional e finaliza com o processo do serviço 
pós-venda. O processo de inovação é a etapa da teoria da criação de produtos e 
serviços para satisfazer as necessidades emergentes. Já o processo operacional cria 
e fabrica os produtos e serviços para serem entregues aos clientes. Para finalizar tem 
o processo pós-venda que é aonde tem as atividades de manutenção e reparação dos 
defeitos dos produtos e a devolução; e o processo de liquidar dívidas. Já Conceição 
(2014) define o serviço pós-venda que é prestado para o cliente após a venda do 
produto como garantia e manutenção. 

Diante disso foi possível destacar que há um sistema que facilita o fluxo de 
informações no interior da empresa e que a mesma procura manter relacionamento 
com o cliente após a prestação do serviço através de canais de comunicação entre o 
cliente e a empresa. 

Neste quesito procurou identificar se a instituição faz uso de planos de cargos 
e salários e oferece cursos preparatórios para seus funcionários. Para a empresa A 
define que sim. Esta instituição se utiliza de Universidade própria e já recebeu prêmios 
pela sua eficiência. Também oferece cursos institucionais, presenciais, cursos de 
língua estrangeira, bolsas para graduação e pós-graduação dentre outras 
modalidades. Para a empresa B definiu que na instituição existe o Plano por 
antiguidade e por mérito. Para a empresa C disse que sim. Os funcionários são 
capacitados acima do orçado. 

Na opinião de Xavier (2012) cita que esta perspectiva define que os gestores e 
todos os funcionários deverão estar envolvidos em um processo contínuo de 
aprendizagem e aperfeiçoamento, para assim manter uma posição de competição 
melhorada da organização, só será possível se esta se dotar de colaboradores que 


97 


sejam criativos e que estejam ligadas as perspectivas dos processos internos e das 
perspectivas dos clientes. Para Martins e Heckert (2014), definem que para uso 
dessas perspectivas as entidades procuram atender exigências do mercado a fim de 
melhorar seu processo, além de aprender a trabalhar com as pessoas através da 
estrutura organizacional e sistemas eficientes. 

Portanto, as instituições A, Be C, têm planejado cursos de aprendizagem e 
aperfeiçoamento para os seus funcionários. Esta afirmativa está em consonância com 
a base teórica. Na medida em que os autores definem que as empresas têm em seu 
planejamento o processo contínuo de aprendizagem e aperfeiçoamento dos cargos. 
A empresa A destacou-se das demais quando citou que a instituição tem sua própria 
Universidade e por isso recebeu prêmios pela sua eficiência. 

Foram questionados aos entrevistados que eles dessem nota de 1 a 10, sobre 
qual a importância do funcionário dentro da instituição. E qual a sua opinião, quanto 
funcionário que tem nível intelectual, influenciará no crescimento da organização. 
Para a entrevistada A nota foi 7. Há necessidade de maior valorização na perspectiva 
financeira. Concordou que sim, o funcionário que tem nível intelectual influência no 
crescimento da organização. E o banco trabalha com meritocracia. Para o 
entrevistado B, a nota dada foi 10. O banco sempre afirma a importância do nível 
intelectual para o crescimento da organização, reconhecidos através dos programas 
de bolsa de pesquisadores, pontuações extras nas concorrências, cargos específicos 
para cada área de atuação, dentre outras modalidades. Para o entrevistado C, a nota 
foi 10. Nível intelectual influência na vida do banco e também no seu trabalho na 
empresa. 

Xavier (2012) define que a satisfação profissional dos trabalhadores deve ser 
um dos principais fatores que a entidade deverá levar em consideração. Marques e 
Leite (2014) define que muitas empresas têm programas de educação continuada que 
procura incentivar os seus funcionários que continuem os seus estudos. 
Desenvolvendo programas de treinamento e capacitação voltados para os seus 
funcionários. 

Portanto, a opinião dos entrevistados está em consonância com as ideias dos 
autores. As empresas B e C afirmam a relevância dos funcionários na instituição onde 
teve nota 10, pois o banco entende a necessidade do nível intelectual da organização. 
Já na empresa A a nota foi 7, discorda das outras afirmando que a perspectiva 


98 


financeira merece mais relevância do que as outras. Concluindo que o principal ativo 


intangível de qualquer empresa é o capital intelectual. 


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Para atingir os objetivos propostos nesta pesquisa, como as perspectivas da 
ferramenta Balanced Scorecard foram utilizadas na gestão estratégica das instituições 
financeiras das cidades de Aracati/CE; Palhano/CE e Mossoró/RN. Primeiramente foi 
realizado um estudo bibliográfico, a fim de dar uma fundamentação teórica ao trabalho 
e possibilitar elaboração de perguntas. Posteriormente realizou-se um estudo de caso 
com a realização de entrevista aplicada em uma população de 3 instituições 
financeiras. 

Por meio dos resultados levantados, conclui-se que na perspectiva financeira 
destacou- se a empresa B quando afirmou ter clareza para com a perspectiva 
financeira e que esta perspectiva procura evidenciar os objetivos financeiros na 
medida em que definem o desempenho econômico que a empresa pretende alcançar. 
Em relação como a empresa se preocupa como será vista por seus acionistas e 
investidores e o que poderá ser feito para manter esse compromisso. 

Na perspectiva de clientes, pôde-se observar que a perspectiva é de total 
clareza e que a empresa está sim preocupada como será vista por seus clientes. 
Destacaram-se os bancos B e C. A empresa B quando cita que os clientes são os 
responsáveis por manter a empresa rentável na medida em que consumem seus 
produtos e serviços. A empresa C quando citou que procura satisfazer seus cientes 
mantendo estes fies para que sejam rentáveis para a empresa. Em relação a 
fidelização ou captação de novos clientes, destacou-se a empresa C, quando esta 
informou que traz estratégias de atração, fidelização e rentabilidade e que mantém 
campanhas para fidelizar e captar novos clientes. 

Por fim, no que se refere à perspectiva do aprendizado e crescimento, foi 
identificado que há relevância de se investir na capacitação dos funcionários da 
instituição. Todas as empresas se sobressaíram em algum item. A empresa A 
destacou-se na medida em que cita que a capacitação dos funcionários está definida 
nas metas desenvolvidas pela instituição. A empresa B pode-se considerar que no 
acordo da instituição tem metas para que cada funcionário seja capacitado. Já a 
empresa C ressaltou que a capacitação dos funcionários é relevante para o contínuo 


desenvolvimento do banco. 


99 


Diante disso pôde-se concluir que a problemática foi resolvida na medida em 
que as instituições financeiras utilizam as perspectivas da ferramenta do BSC. Foi 
possível verificar a presença de todas as perspectivas. Percebeu-se também que os 
gerentes têm entendimento acerca das perspectivas abordadas e reconhecem a sua 
relevância dentro da instituição. 

No que diz respeito às limitações ao estudo, pode-se dizer que a falta de dados 
financeiros limitou o estudo. Além da quantidade de bancos utilizados na pesquisa. 
Outra limitação encontrada no trabalho foi que a entrevista apenas questionou os 
gerentes, pois não houve a possibilidade de ter sido estendido aos demais envolvidos 
na empresa como sócios, acionistas, investidores, clientes. 

Para pesquisas futuras, sugere-se que seja feito um estudo sobre a 
implantação do BSC em instituições financeiras com outros tipos de economia que 
não seja instituições de economia mista. E por meio da pesquisa seja feito 
questionários que envolvam sócios, acionistas, investidores, clientes, todos os 
envolvidos na empresa para que se possa comparar melhor a visão de cada um sobre 
a utilização das perspectivas do BSC, conforme os resultados negativos e positivos 
advindos da implantação e do uso do Balanced Scorecard. 


100 


REFERÊNCIAS 


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CONCEIÇÃO, L. D. Proposta de um planejamento estratégico utilizando a ferramenta 
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em Ciências Contábeis). Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mossoró, 2014. 


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102 


CAPÍTULO 07 


ESTUDO COMPARATIVO DOS MEIOS DE TRANSPORTE UTILIZADOS NA 
COLETA SELETIVA. 


Giovani Manso Ávila 

Doutor em Engenharia de Transportes pela COPPE/UFRJ 

Instituição: Programa de Engenharia Urbana/UFRJ 

Endereço: Cidade Universitária, Centro de Tecnologia Bloco H sala 209 RJ/RJ Brasil 
E-mail: giovani(Dpoli.ufrj.br 


Moises Leão Gil 

Mestre em Engenharia Urbana pelo Programa de Engenharia Urbana/UFRJ 
Instituição: Programa de Engenharia Urbana/UFRJ 

Endereço: Cidade Universitária, Centro de Tecnologia Bloco H sala 209 RJ/RJ Brasil 
E-mail: moiseslgilO hotmail.com 


RESUMO: Este artigo visa avaliar a eficiência econômica e ambiental e os impactos 
no tráfego urbano de modelos de coleta e transporte de materiais recicláveis porta-a- 
porta, por meio da análise dos três modelos em execução no Brasil, a saber: caminhão 
compactador, caminhão baú e veículo de motor à combustão não tripulado, associado 
a um ponto de apoio. Devido à escassa literatura encontrada relacionada ao 
transporte de coleta seletiva, esta análise pretende contribuir como subsídio à tomada 
de decisão por parte dos órgãos e instituições responsáveis pela gestão de resíduos 
sólidos municipais e no planejamento do melhor meio de transporte para este fim, 
levando em consideração as características locais. O trabalho corrobora com a tese 
de que o planejamento adequado para a otimização de recursos, eficiência e 
qualidade na prestação de serviços é fundamental para a implementação e 
manutenção dos programas de coleta seletiva, tendo em vista o 
atendimento à Política Nacional dos Resíduos Sólidos. 


PALAVRAS-CHAVE: Transporte, Veículos, Resíduos Sólidos, Coleta Seletiva. 


ABSTRACT: This article aims to analyze the economic and environmental efficiency 
and impacts on urban traffic models for collection and transportation of recyclable 
materials door-to-door, through a comparative study of three models running in Brazil, 
namely: truck compactor, box truck and motor vehicle combustion, unmanned, 
associated with a point of support. This study is important to give subsidy for decision 
making by the bodies responsible for managing municipal solid waste and planning the 
best model of transport for this purpose, according to the local characteristics. The 
work confirms the thesis that proper planning for resource optimization, efficiency and 
quality in service delivery is a key activity to the implementation and maintenance of 
selective collection programs, in a way to keep compliance with the National Policy on 
Solid Waste. 


KEYWORDS: Transport, Vehicles, Solid Waste, Selective Collect. 


103 


1. INTRODUÇÃO 

Com o crescente aumento populacional, resultado da vida em comunidade, e 
a voraz ocupação dos espaços, evidenciado de forma desenfreada a partir do século 
XVIII com a revolução industrial, aflora um dos mais graves problemas ambientais: o 
aumento constante de resíduos sólidos nas cidades. Tomando como base esta 
premissa, poder-se-ia considerar o lixo como um dos mais antigos focos abordados 
em trabalhos de natureza social, econômica e ambiental. 

A problemática do lixo urbano decorreu da associação entre a precária ou total 
inexistência de infraestruturas adequadas às cidades e à falta de consciência 
ecológica, conduzindo a um quadro de caos (SILVA et al, 2001). 

Dentro do saneamento básico, que é composto pelos sistemas de 
abastecimento de água, de esgotamento sanitário, de manejo de águas pluviais e de 
resíduos sólidos, parece existir uma importância maior para o sistema de 
abastecimento de água, relegando a segundo plano o sistema de coleta e tratamento 
dos esgotos urbanos, seguido da limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos e do 
manejo das águas pluviais urbanas. 

Os problemas ocasionados pela disposição inadequada de resíduos sólidos 
estão relacionados a poluição visual, poluição de corpos d'água e águas subterrâneas, 
poluição atmosférica, degradação de ecossistemas, doenças relacionadas à saúde 
pública, entupimento de galerias de escoamento pluvial e problemas de ordem social. 

No Brasil, o crescimento populacional desenfreado acarretou também num 
aumento de mão de obra, porém, sem postos de trabalhos suficientes para suprir esta 
demanda, expondo às pessoas desempregadas a situações desumanas, encontrando 
no lixo uma forma de sustento próprio e de suas famílias (MARTINS, et al., 2004). 

Essa questão torna imprescindível pautar o tema, tanto no âmbito legislativo 
quanto das políticas públicas. Bringhenti (2004) atenta para o fato da destinação dos 
resíduos sólidos, significar uma ameaça à saúde pública e ao meio ambiente. Nesse 
sentido, faz-se necessário um bom planejamento para seu gerenciamento, com base 
em conhecimentos de engenharia sanitária, economia, administração, e demais áreas 
afins, utilizando técnicas mais adequadas de manejo e evitando custos elevados que 
inviabilizem a sua execução. 

Dessa maneira, o presente estudo pretende relacionar a infraestrutura de 


transporte adequada na coleta seletiva, às características de cada cidade, através da 


104 


comparação dos custos envolvidos, capacidade e abrangência de cada uma das 
infraestruturas analisadas. 

1.2 RECICLAGEM E COLETA SELETIVA 

Quadros de crise financeira, limitação de recursos naturais, associados ao 
prejuízo do meio e à saúde pública, devido à disposição inadequada dos resíduos, 
fzeram com que a sociedade se conscientizasse quanto à necessidade da 
reciclagem. Com isso, o retorno dos resíduos recicláveis à cadeia produtiva como 
matéria-prima para a produção de novos produtos estabeleceu-se por necessidades 
eventuais, como em épocas de crise e escassez, vivenciadas durante as duas últimas 
grandes guerras (WELLS, 1995 apud PERIOTTO, 2013). 

Primeiros registros de programas de coleta seletiva e reciclagem são datados 
no período da segunda guerra mundial, onde países europeus e os Estados Unidos 
faziam campanha para que a população destinasse as sucatas metálicas e de papel 
para reciclagem, afim de abastecer a indústria bélica de matéria prima (SANTOS, 
1995 apud RIBEIRO, 2000). 

Martins (2002), apud Besen (2006), aponta que nos países desenvolvidos a 
gestão dos resíduos sólidos passou por 3 momentos específicos: o primeiro, durante 
os anos 70, centrado na destinação final; o segundo, durante os anos 80, na redução 
e reciclagem; e o terceiro, depois da década de 90, com o estabelecimento de leis e 
normas para a implantação da coleta seletiva, reciclagem e aproveitamento 
energético. 

No Brasil, com o advento da lei 12.305/2010, Política Nacional dos Resíduos 
Sólidos, todos os municípios da federação ficam obrigados a encerrar seus lixões e 
destinar os seus resíduos, que não forem passíveis de reciclagem, para aterros 
sanitários. A lei também prevê a implantação e expansão progressiva da coleta 
seletiva solidária municipal com a participação de organizações de catadores de 
materiais recicláveis. A coleta seletiva solidária é um instrumento de gestão ambiental 
que deve ser implementado visando à recuperação de material reciclável para fins de 
reciclagem (BRASIL, 2010). 

Segundo Ribeiro e Besen (2011), a coleta seletiva desempenha uma função 
fundamental na gestão integrada dos resíduos sólidos sob diversos modos: promove 
a prática da segregação dos resíduos sólidos diretamente no gerador para posterior 
aproveitamento, fomenta a prática de ações de redução de consumo e desperdício 


105 


através da educação ambiental, promove a inclusão socioeconômica de catadores de 
materiais recicláveis e propicia um melhor resíduo orgânico para a compostagem. 

Contudo, um dos principais gargalos para que a reciclagem se torne eficiente 
é a etapa de coleta dos materiais recicláveis. Devido ao planejamento e ao fato de os 
materiais recicláveis possuírem um volume elevado em relação ao seu peso, muitas 
vezes a coleta acaba não sendo economicamente viável. 

Grimberg e Blauth (1998) apontam que no Brasil existem duas modalidades 
básicas de coleta seletiva: a de porta-a-porta, onde agentes de limpeza e/ou agentes 
ambientais percorrem as ruas juntamente com o veículo coletor, recolhendo os 
materiais recicláveis previamente separados e dispostos na frente dos domicílios e 
estabelecimentos comerciais; e os Pontos de Entrega Voluntária (PEV's), no qual a 
população se desloca até locais estrategicamente definidos para dispor o material 
segregado em casa. Entretanto, os mesmos autores observam que é difícil de 
mensurar a adesão da comunidade à coleta seletiva através dos PEV's, bem como o 
risco de vandalismo que pode apresentar-se desde o depósito de lixo orgânico e/ou 
animais mortos nos coletores até na danificação e destruição deles. 

Quanto a coleta seletiva porta-a-porta, embora necessite de maior 
infraestrutura e apresente custos mais elevados para coleta e transporte, proporciona 
uma maior comodidade à população, que resulta numa maior participação da 
sociedade nos programas de coleta seletiva, além de possibilitar um melhor controle 
e fiscalização por parte dos órgãos responsáveis pela execução do serviço, permitindo 
a tomada de medidas específicas para que se tenha uma maior participação popular 
(GRIMBERG e BLAUTH, 1998). 


2. OBJETIVOS 

O presente artigo visa avaliar a eficiência econômica e ambiental, de modelos 
de coleta e transporte de materiais recicláveis porta-a-porta por meio da análise dos 
três modelos em execução no Brasil, a saber: caminhão compactador, caminhão baú 
e veículo de motor de combustão não tripulado associado a um ponto de apoio. Este 
último modelo, que tem como base o veículo de motor de combustão não tripulado 
associado a um ponto de apoio vem sendo utilizado recentemente por cidades de 
pequeno, médio porte e grande porte, a exemplo do município de Caetité/BA, 
Jacobina/BA, João Monlevade/MG e Belo Horizonte/MG. 


106 


3. BRASIL E A COLETA SELETIVA 

A coleta seletiva ainda é tema recente no Brasil, sendo a maior parte das 
iniciativas e ações nesse sentido, ainda informais, realizadas por organizações de 
catadores de materiais recicláveis. No país tem-se apenas 16,66 % dos 5.561 
municípios operando programas de coleta seletiva, o que corresponde a 927 
experiências implantadas e em funcionamento, conforme demonstra uma pesquisa 
sobre o tema, desenvolvida pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem 
(CEMPRE, 2014). 

O Ministério das Cidades, através do Sistema Nacional de Informações sobre 
Saneamento (SNIS), divulga anualmente o "Diagnóstico do Manejo de Resíduos 
Sólidos Urbanos", que em sua décima terceira edição referente ao ano de 2014, 
aponta que de um total de 3.765 municípios pesquisados, 1.322 informaram realizar 
qualquer tipo de coleta seletiva, seja por PEV ou porta-a-porta. Contudo, não foi feita 
uma avaliação da abrangência da coleta seletiva nesses municípios, podendo ser 
apenas em uma localidade, em parte do município, ou em toda a cidade. Destes 1.322 
municípios, 1.178 disseram que realizam a coleta seletiva porta-a-porta, atendendo a 
um total de 52 milhões de habitantes, valor bem superior ao apresentado pelo 
CEMPRE (2014), que apresentou a quantidade de 28 milhões de pessoas atendidas 
com coleta seletiva no país. 

3.1 VEÍCULOS UTILIZADOS 

A coleta seletiva pode ser realizada com o uso de diversos equipamentos, 
desde veículos de tração animal/humana, passando por caminhões de carroceria 
aberta e compactadores, estes capazes de diminuir o volume inicial dos resíduos em 
um terço (Roth et al., 1999). A ABNT(1993), através da NBR 12980, apresenta dois 
desses veículos: Caminhões com carroceria sem compactação, que se tratam de 
carrocerias retangulares metálicas com abertura traseira e/ou lateral e sua descarga 
ocorre por basculamento; e Caminhão com compactador, que são veículos com 
carroceria fechada, dotados de elementos mecânicos que possibilitam a compactação 
do material em seu interior, sendo que sua descarga pode ser feita por ejeção ou 
basculamento. 

Recentemente, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas visando reduzir 
impactos no tráfego e no meio, diminuir custos e otimizar o processo da coleta seletiva 
de materiais recicláveis. Em 2007, através do programa de energias renováveis da 
Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional - ITAIPU, foi lançado um veículo elétrico não 


107 


tripulado para coleta seletiva movido a puxão, com capacidade para até 1000 kg e 
baixa velocidade de operação, alcançando até 8 km.h'! (LAZZARI, 2010). Contudo, 
apesar de apresentar autonomia de 30 km com a carga completa, o veículo não foi 
muito bem aceito por organizações de catadores que pela experiência de uso, 
alegaram que o veículo vai perdendo potência no final da carga, acabando por 
completo antes de chegar à base novamente, causando grandes dificuldades para 
sua locomoção, pois vazio, o mesmo pesa em torno de 400 kg e não existem pontos 
para reabastecimento com facilidade. 

Por volta de 2009, a empresa TECSCAN, criou o “Coletortec”. Trata-se de um 
veículo de motor de combustão não tripulado movido a gasolina, com gaiola de carga 
com capacidade de aproximadamente 3 mº e até 500 kg. A velocidade desse veículo 
é de 4 e 6 km.h'! (velocidade média de uma pessoa comum andando) e autonomia 
média de 30 km. IH! (TECSCAN, 2017). A possibilidade de abastecimento com 
gasolina acabou sendo um diferencial em relação ao veículo elétrico da ITAIPU, pois 
é possível carregar um tanque extra de combustível junto ao veículo, ou abastecê-lo 


no posto mais próximo, podendo retornar para a base sem maiores problemas. 


4. METODOLOGIA 

Levando em consideração que existem poucos trabalhos na literatura que 
abordam o transporte de coleta seletiva no Brasil, o presente trabalho apresenta uma 
pesquisa exploratória de caráter quali-quantitativo, baseada nas informações 
recolhidas dos meios de transporte utilizados para realização dessa coleta, com foco 
no caminhão sem compactação (carroceria gaiola ou baú), caminhão compactador e 
veículo não tripulado com motor de combustão associado a um ponto de apoio - 


Ecoponto (fotos 1 e 2). 


Fotos 1 e 2 - Ecoponto e catadores com carrinho de coleta mecanizado no município de Jacobina/Ba. 





Fonte: O próprio autor (2016). 


108 


É importante mencionar que devido à dificuldade da obtenção de dados, as 
áreas de influência escolhidas não são as mesmas para cada caso, o que pode gerar 
algumas diferenças principalmente nos custos e rotas, entretanto, a intenção do 
trabalho é mostrar as características dos veículos e a forma da coleta, observando os 
distintos casos de estudo e áreas escolhidas 

Foi realizado um levantamento de dados primários e secundários, 
posteriormente, foram definidos os parâmetros a serem analisados, tais como; 
abrangência da coleta, levando em consideração a capacidade dos equipamentos e 
o tamanho das rotas; ocupação de espaços das vias públicas, com vistas nos 
impactos no tráfego decorrentes dos diferentes meios. 

A abrangência da coleta foi definida com base nas rotas e nas capacidades dos 
dispositivos dos meios de transportes analisados. Para isso, foram avaliados dados 
de coleta de três organizações de catadores e da Companhia Municipal de Limpeza 
Urbana — COMLURB do município do Rio de Janeiro/RJ. Cada uma opera com um 
veículo estudado, a saber: Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente Ltda — 
COOPAMA, que recebe o material da coleta seletiva da COMLUREB, feita com o uso 
do caminhão com compactador; Associação dos Trabalhadores da Limpeza e de 
Materiais Recicláveis de João Monlevade — ATLIMARJOM, que realiza a coleta 
seletiva no município de João Monlevade/MG com o uso do caminhão com carroceria 
tipo Baú; Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis Recicla Jacobina, que 
opera a coleta seletiva em Jacobina/BA utilizando o veículo não tripulado com motor 
de combustão. 

A obtenção das informações, referente as rotas dos veículos, foi realizada de 
duas formas: Por meio do aplicativo “Minha Rota”, disponível de forma gratuita para 
aparelhos Smartphone; usado para os dados do veículo não tripulado com motor de 
combustão da Recicla Jacobina e do caminhão baú da ATLIMARJOM. As rotas de 
cada veículo foram medidas pelo período de uma semana e o material coletado 
durante o roteiro mensurado foi posteriormente pesado; Por meio do formulário 
“Boletim diário de operações”, para conseguir os dados da rota do caminhão 
compactador da Companhia Municipal de Limpeza Urbana — COMLUREB, que destina 
o material a COOPAMA. Neste formulário o motorista informa os horários e 
quilometragem do veículo nas seguintes situações: ao sair da garagem, no primeiro e 
demais pontos de coleta (vias e/ou estabelecimentos específicos), no último ponto de 
coleta, ao chegar na balança rodoviária e ao depositar na COOPAMA. 


109 


Figura 1 e 2 - Rotas do caminhão da ATLIMARJOM (17,1 km) e do veículo não tripulado com motor de 


combustão da Recicla Jacobina (3,6 km), respectivamente, mensuradas com o aplicativo “minha rota”. 


Companhia Siderúrgica 
Belgo Mineira 


Arcelor Mitial Monlevas 





Fonte: O próprio autor (2016). 


Com relação a capacidade dos dispositivos de armazenamento, cabe ressaltar 
que segundo o Ministério do Meio Ambiente (2012), a densidade aparente dos 
materiais recicláveis é de 0,25 ton.m?, enquanto para os resíduos misturados e 
compactados, é atribuído o valor de 0,6 ton.m*º. 

As informações referentes à capacidade foram obtidas dos fabricantes, por 
meio de cotações, acesso ao endereço eletrônico dos mesmos, e dos dados coletados 
das organizações de catadores acompanhadas neste estudo. Assim, foram 
comparados os valores de capacidade máxima com valores coletados das 
organizações de catadores estudadas. Outro aspecto considerado foi a depreciação 
dos veículos num período de um ano. 

Os custos operacionais foram calculados com o uso da planilha de simulação 
dos custos de operação do transporte rodoviário de cargas, disponibilizada pela 
Agência Nacional de Transportes Terrestres — ANTT que foi elaborada com base na 
Resolução ANTT nº 4.810, de 19 de agosto de 2015 (ANTT, 2015). A planilha divide 
os custos operacionais em dois: custos fixos e custos variáveis. 

Os custos fixos têm como parâmetros os custos do caminhão e dispositivo, a 
depreciação do veículo e do equipamento, remuneração mensal do capital aplicado 
no veículo, custo da mão de obra do motorista (com base no piso salarial da 
categoria), tributos e seguro do veículo. Os custos variáveis levam em consideração 
os custos de manutenção, combustível, lubrificantes, lavagem e pneus. 

Da mesma maneira, foi analisado em paralelo o custo da força de trabalho dos 


agentes de coleta, onde a composição da equipe varia de acordo com o meio utilizado, 


110 


sendo considerada da seguinte forma no presente estudo: caminhão com 
compactador e caminhão com carroceria tipo baú compostas por um motorista e três 
agentes de coleta; veículo não tripulado com motor de combustão, dois agentes de 
coleta. 

A planilha da ANTT foi preenchida com dados coletados em campo e pesquisa 
de mercado, calculados com base na quilometragem rodada por mês, obtidos por 
meio da mensuração das rotas, levando em consideração, também, o tempo gasto 
por rota. Cabe lembrar que devido as diferentes capacidades, há diferença na 


distância percorrida entre os diferentes meios. 


5. RESULTADOS 

A seguir serão apresentados os resultados das informações coletadas de cada 
um dos três meios apresentados. A Tabela 1 apresenta uma comparação das 
dimensões e capacidades levantadas para cada meio de transporte. 


Tabela 1 - Comparação das dimensões e capacidades levantadas para cada meio de transporte 



































estudado. 
Veículo 
Caminhão Caminhão Veículo 
compactador sem . motorizado 
compactação |não tripulado 
Peso nominal (kg) |9.000 4.860 500 
Capacidade | Peso aparente (kg) |3.170 500 200 
Volume (m?) 15 26 3 
Comprimento (m) 7,9 7 1,5 
Dimensões |Altura (m) 3,4 3,4 2 
Largura (m) Pia 2,1 1,2 
Tempo médio por rota 6h37m 1h5im 2h27m 
Km médio rodado por rota 76,0 19,5 4,1 

















Fonte: Elaborada pelo próprio autor (2016). 





Com relação a capacidade de cada equipamento, as informações obtidas pelos 
fabricantes do compactador, baú e veículo motorizado não tripulado foram de 
9.000 kg, 4.860 kg e 500 kg, respectivamente. Contudo, os valores obtidos das 


organizações de catadores apresentaram uma média de 3.140 kg por viagem do 


111 


compactador, 700 kg por viagem do baú e 200 kg por viagem do veículo motorizado 
não tripulado. 

Com relação ao tempo por viagem, o caminhão compactador leva na faixa de 
8 horas por viagem, resultando em apenas uma viagem por dia. Já as viagens do 
caminhão baú e o veículo motorizado não tripulado duram na faixa de 2 horas, 
possibilitando que sejam feitas de 2 a 3 viagens por dia. A Tabela 2 apresenta uma 
comparação dos custos dos fixos e variáveis para cada meio de transporte utilizado. 


Tabela 2 - Comparação dos custos dos fixos e custos variáveis para cada meio de transporte utilizado. 
























































Veículo 
Caminhão Caminhão sem ao ado 
compactador | compactação não tripulado 
Veículo R$ 177.500,00 |R$ 140.000,00 |R$ 16.700,00 
Depreciação* R$ 44.375,00 |R$35.000,00 |R$4.175,00 
Dispositivo de 
armazenamento R$ 70.000,00 |R$14.800,00 |R$ - 
Custos | Depreciação dispositivo | R$ 17.500,00 | R$3.700,00 R$ - 
Fixos Motorista R$ 3.562,48 R$ 3.562,48 R$ 
Tributos R$ 7.290,38 R$ 5.790,38 R$ 
Seguro veículo R$ 6.100,00 R$ 4.500,00 R$ 
Seguro dispositivo R$ 3.000,00 R$ -IR$ 
Custo fixo mensal R$ 15.594,15 | R$8.538,98 R$ 444,36 
Manutenção/Km R$ 0,96 R$ 1,48 R$ 1,77 
Combustível/km R$ 1,61 R$ 0,82 R$ 0,11 
Custos | Lubrificante/km R$ 0,02 R$ 0,02 R$ - 
Variáveis | Lavagem/km R$ 0,20 R$ 0,20 R$ - 
Pneu/km R$ 0,22 R$ 0,20 R$ 0,40 
Custo variável por km |R$ 3,01 R$ 2,72 R$ 2,28 




















* Depreciação de 25% ao ano. 


Fonte: Elaborada pelo próprio autor (2016). 


Os custos fixos utilizados como parâmetros são: veículo, dispositivo de 
armazenamento, depreciação, motorista, tributos e seguros. Pode-se evidenciar que 
o veículo motorizado não tripulado não apresenta custos do dispositivo de 
armazenamento e do motorista, pois o mesmo já vem com o dispositivo de 
armazenamento instalado e não é necessário o profissional habilitado para conduzir 


o veículo, conforme apresentado na foto 1, diferente dos caminhões, onde o 


112 


dispositivo de armazenamento não é um opcional de fábrica e precisa ser adquirido 
por separado de outro fabricante. Já os custos variáveis considerados foram: 
manutenção por quilometro, combustível por quilometro, lubrificante por quilometro, 
lavagem por quilometro e pneu por quilometro. 

Quanto ao consumo de combustível por mês, os dados coletados das 3 
organizações de catadores apresentaram os seguintes quantitativos: o caminhão com 
compactador percorre na faixa de 76 km.viagem"!; o caminhão com baú viaja em torno 
de 19,5 km.viagem"!; e o veículo motorizado não tripulado circula por volta de 4,1 
km.viagem"!. Considerando uma jornada mensal de 24 dias de trabalho, que 
caminhão compactador faz apenas uma viagem por dia, enquanto o caminhão baú e 
o veículo motorizado não tripulado fazem 3 viagens por dia, teremos o caminhão 
compactador percorrendo 1824 km.mês!, o baú 1404 km.mês! e o veículo não 
tripulado km.mês"!. Cabe ressaltar que o veículo motorizado não tripulado inicia a 
coleta ao sair do Ecoponto, enquanto o caminhão compactador percorre 
aproximadamente 76 km para realizar a coleta, destinar o material para a cooperativas 
e retornar à garagem. 

As informações obtidas dos fabricantes e das organizações de catadores 
indicam um consumo médio de quilometro por litro do caminhão compactador de 
2 km.l!, caminhão baú de 4 km.l! e do veículo motorizado não tripulado de 35 km.l-. 
Os valores dos combustíveis encontrados foram de R$ 2,79 para o diesel e R$ 3,79 
para a gasolina. 

A tabela 3 apresenta uma simulação com os custos totais por tonelada, a cada 
10 quilômetros e por viagem. Verifica-se que o veículo motorizado não tripulado 
apresenta os menores custos nos três casos, seguido pelo caminhão compactador e 


caminhão sem compactação. 


Tabela 3 - Simulação dos custos totais por tonelada, 10 quilômetros rodados e viagens. 
































Veículo 
Caminhão Caminhão sem Veículo E 
compactador | compactação motorizado nao 
tripulado 
Tonelada | R$208,49 R$ 418,94 R$ 70,96 
e 10 Km R$ 86,14 R$ 150,39 R$ 35,48 
Viagens R$ 654,65 R$ 293,26 R$ 42,58 








Fonte: Elaborada pelo próprio autor (2016). 


113 


O veículo motorizado não tripulado apresentou R$ 70,96.ton”!, para cada 10 
quilômetros R$ 35,48.km”! e R$ 42,58.viagem"!. Em relação ao custo por tonelada o 
caminhão compactador apresentou o valor de R$ 208,49.ton! e o caminhão sem 
compactação R$ 418,40.ton!. Quanto aos custos para cada 10 quilômetros, o 
caminhão compactador exibiu o valor de R$86,14.km! e o caminhão baú 
R$ 150,39.km"!. Ao analisar a simulação de custos por viagem, vemos que o 
caminhão sem compactação se mostra menos oneroso que o caminhão compactador, 


com o custo de R$ 293,26 por viagem e o compactador R$ 654,65 por viagem. 


6. DISCUSSÕES 

Conforme apresentado na Tabela 1, o veículo com o dispositivo compactador 
apresentou uma maior capacidade de coleta, com valores em torno de 3.140 quilos 
por viagem, seguido do caminhão com carroceria tipo baú, com 500 quilos e veículo 
motorizado não tripulado, com 200 quilos por viagem. Entretanto, vale observar que 
segundo dados da COOPAMA, a taxa de perda do material reciclável chega a 10,5 % 
devido a compactação do material. Nota-se, também, que nenhum dos dispositivos 
conseguiram alcançar sua capacidade máxima de carga, sendo o volume um fator 
limitante para o planejamento da coleta. 

Observa-se também que os caminhões, devido a seu porte, causam 
interferências negativas significativas no tráfego, o que não acontece com o veículo 
motorizado não tripulado; que apresenta uma largura equivalente à metade da dos 
caminhões, com possibilidade de subir em parte no meio fio, não causando impactos 
significativos no trânsito. Também é importante ressaltar que os caminhões 
apresentam certas restrições, como impossibilidade de acessar áreas específicas, 
dificuldades de realizar manobras em ruas sem saída e circulação restrita em algumas 
regiões. 

Com relação ao custo total, a tabela 3 e figura 3 apresentam a simulação dos 


valores dos três meios estudados. 


114 


Figura 3 - Comparação dos custos totais por tonelada, 10 quilômetros rodados e viagem dos três 


meios. 


Custos Totais 


Caminhão 


compactador 
R$800,00 


R$600,00 
R$400,00 
R$200,00 
RS> 
Veiculo 


motorizado não 
tripulado 


Caminhão sem 
compactação 


—o— Tonelada —o—10km | —o— Viagens 


Fonte: Elaborada pelo próprio autor (2016). 


Conforme observado anteriormente, o veículo motorizado não tripulado 
apresenta custos inferiores nas simulações. Entretanto, de uma forma geral, ao 
analisar os custos totais, observa-se que a capacidade e, consequentemente, 
abrangência da coleta do caminhão compactador acaba sendo superior quando 
comparada com os demais meios, sendo seis vezes superior em relação ao caminhão 
baú e quinze vezes superior ao do veículo motorizado não tripulado. 

Verifica-se que o custo mais elevado se dá principalmente, devido aos custos 
dos equipamentos e os custos de manutenção e combustível, tendo em vista que o 
caminhão faz na faixa de 2 km.l!, o caminhão baú 4 km.l!e o veículo não tripulado 
35 km.l. 

Levando em consideração, as diferenças das áreas de estudo assim como 
outros parâmetros envolvidos no transporte da coleta seletiva, resulta difícil indicar 
apenas um dos veículos como melhor meio de transporte, não sendo esse o foco 
deste trabalho, no entanto, a avaliação de cada caso com a finalidade de adequação 


para outras regiões, representa um suporte para um planejamento futuro. 


7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O planejamento adequado visando a otimização de recursos, eficiência e 
qualidade na prestação de serviços são fundamentais para a implementação e 
manutenção dos programas de coleta seletiva, tendo em vista o atendimento à Política 
Nacional dos Resíduos Sólidos. Uma análise dos fatores relativos a aspectos locais, 


115 


densidade populacional, renda e gravimetria é essencial para a definição do meio mais 
adequado para ser utilizado. 

Embora apresente menores custos e menos impacto ao tráfego urbano, o 
veículo não tripulado com motor de combustão proporciona uma baixa capacidade de 
armazenagem, fazendo-se necessário um ponto de apoio local (Ecoponto) para 
transbordo do material coletado, sendo uma boa opção para regiões de difícil acesso 
para caminhões e áreas de ocupação urbana mais horizontais, mas não sendo uma 
boa alternativa para uma região de alta densidade demográfica. 

Já o caminhão baú, apesar de ter custos significativos, tem uma capacidade 
média de transporte e um custo de manutenção relativamente inferior ao do 
compactador, além de possuir uma autonomia maior, o que pode representar uma 
alternativa em regiões com densidades demográficas maiores, no entanto, é 
importante analisar as condições de tráfego. 

O veículo compactador apresenta melhor eficiência com relação a abrangência 
da coleta, sendo consideravelmente superior aos demais meios estudados. Contudo, 
o uso deste meio requer investimentos elevados, além de apresentar alto custo 
operacional, tanto no referente ao consumo de combustível, quanto de manutenção, 
conforme também apontado por MILANEZ (2002). 

O uso do caminhão compactador apresenta-se como uma boa alternativa para 
regiões de densidade demográfica elevada, onde ocorre uma alta geração de resíduos 
por área. Entretanto, segundo os dados da COOPAMA, onde a perda deste material 
chega a 10,5 %, são necessárias análises mais precisas no que se refere a qualidade 
em que esse material chega nas áreas de triagem, pois a premissa da coleta seletiva 
é o retorno deste produto à cadeia produtiva, mitigando os impactos negativos 
causados pela inadequada gestão e disposição incorreta desses materiais no meio 
ambiente, reduzindo, assim, a extração de matéria prima da natureza. 

Desta maneira, o presente estudo é importante no subsídio de informações 
para a tomada de decisão por parte dos órgãos e instituições responsáveis pela 
gestão de resíduos municipais no planejamento, para assim determinar qual seria a 
melhor opção de meio de transporte a ser utilizado de acordo com as características 


locais. 


116 


REFERÊNCIAS 


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MILANEZ, Bruno. Resíduos sólidos e sustentabilidade: princípios, indicadores e 


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(UFSCAR). Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia. 


117 


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Disponível em: <http:/Ayww .tecscan.com.br> Acesso em: 27/08/2019. 


118 


CAPÍTULO 08 


ANÁLISE ENTRE SEGURADO E SEGURADO: UM ESTUDO SOBRE O OLHAR 
NORMAS E CONTRATOS NO MERCADO DE SEGUROS. 


Beatriz Maria de Souza Arnor 

Bacharel em ciências contábeis 

Instituição: Universidade Federal Rural da Amazônia- UFRA 

Endereço: Estr. Principal da Ufra, 2150-2476 - Curió Utinga, Belém - PA 
E-mail:beatrizarnor(Ogmail.com 


Fernanda Gercilene de Sousa Rodrigues 

Bacharel em ciências contábeis 

Instituição: Universidade Federal Rural da Amazônia- UFRA 

Endereço: Estr. Principal da Ufra, 2150-2476 - Curió Utinga, Belém - PA 
E-mail: fgps nandaDhotmail.com 


Jamille Carla Oliveira Araújo 

Mestre em Administração 

Instituição: Universidade Federal Rural da Amazônia — UFRA 
Endereço: Estr. Principal da Ufra, 2150-2476 - Curió Utinga, Belém - PA 
E-mail: jamillecarlaOgmail.com 


Raimundo Nonato Vieira Costa 

Licenciado em Matemática ( UEMA) 

Bacharel em ciências contábeis 

Instituição: Universidade Federal Rural da Amazônia- UFRA 

Endereço: Estr. Principal da Ufra, 2150-2476 - Curió Utinga, Belém - PA 
E-mail: nonatinhoprofmat(Ogmail.com 


RESUMO: As Empresas Seguradoras estão se consolidado no mercado 
apresentando inúmeros produtos, as quais serão adquiridos mediante diversas 
obrigações. Desta forma o estudo tem por objetivo principal, evidenciar a relação entre 
segurado e seguradora dos planos de seguros. Para isto, selecionado aleatoriamente, 
para fins de parâmetro, o Regulamento do Plano de Seguro Multiproteção Banco X— 
Versão 08/2014, que concede cobertura por sobrevivência e morte, com a pretensão 
de verificar se suas condições gerais se associam com as diretrizes e normas aceitas 
pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados). Para otimizar o resultado do 
trabalho, foi aplicado um questionário virtual elaborado a partir dos questionários 
online para pessoas de diferentes regiões do Brasil. Os resultados demonstraram que 
possuem seguro, informaram não estarem satisfeitos, porém estes admitiram não 
lerem os documentos que assinam na íntegra, o que favorece a insciência do que de 
fato está determinado, provocando um dos possíveis futuros desentendimentos nessa 
relação. 


PALAVRAS-CHAVES: Análise; Segurado; Seguradora; Regulamentos; SUSEP. 


ABSTRACT: Insurance companies are consolidated in the market by presenting 
numerous products, which will be acquired through various obligations. Thus, the 


119 


study's main objective is to highlight the relationship between insured and insurer of 
insurance plans. To this end, randomly selected for parameter purposes, the Bank X 
Multiprotection Insurance Plan Regulation - Version 08/2014, which provides coverage 
for survival and death, with the intention of verifying if its general conditions are 
associated with the guidelines and norms accepted by SUSEP (Private Insurance 
Superintendence). To optimize the result of the work, a virtual questionnaire elaborated 
from online questionnaires was applied to people from different regions of Brazil. The 
results showed that they have insurance, said they were not satisfied, but they 
admitted not reading the documents they sign in full, which favors the unaware of what 
is in fact determined, causing one of the possible future misunderstandings in this 
relationship. 


KEYWORDS: Analysis; Insured; Insurance company; Regulations; SUSEP. 


1. INTRODUÇÃO 

Em face às crises econômicas e possíveis mudanças que o Governo do atual 
pretende implantar, inúmeros riscos se potencializaram para os brasileiros, situações 
que fomentam a reflexão e construção de um planejamento para o futuro (CÉSAR e 
MYRRHA, 2014; CONSEG, 2015). A provável Reforma Previdenciária, por exemplo, 
vêm sendo motivo de insônia para os cidadãos, tratando-se de um alerta para aqueles 
que até então não possuem nenhum tipo de previdência complementar. 

Além disso, existe a insegurança da estabilidade do patrimônio, situação 
determinante no processo de aquisição do Seguro, sua provável perca parcial ou total, 
acarreta a preocupação e consequente “vontade” de se prevenir. É visível que a vida 
é cheia de riscos e o seu gerenciamento de forma responsável podem reduzi-los, 
assumi-los de forma direta ou transferi-los (FRADE, 2013, CARVALHO, 2017). 

Nesse sentido, o mercado de seguros se torna alvo certo de procura, pois 
oferece produtos das mais variadas modalidades, atendendo os diversos perfis de 
interessados em aderir segurança e confiança, que até então, estão reduzidas. A 
Superintendência de Seguros Privados - SUSEP é o órgão responsável pelo controle 
e fiscalização desse mercado, tendo o compromisso de supervisionar se as diretrizes 
e normas fixadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados -CNSP estão sendo 
adotadas pelas seguradoras (BRASIL, 2007, 2012). Tendo em vista um futuro incerto, 
a adesão por seguro tem sido aceita pela sociedade, mesmo em meio insatisfações e 
contratempos. A partir desse pressuposto, como podemos evidenciar os motivos que 


ocasionam tais situações? 


120 


Para isto, o objetivo de realizar uma análise entre segurado e seguradora dos 
planos de seguro. O resultado da pesquisa estimulará aos interessados uma 
autoavaliação sobre seus comportamentos, elucidando pontos até então 
desconsiderados. Além disso, existe a possibilidade de fornecer uma nova concepção 
acerca do mercado de seguros, o que motiva o desenvolvimento do trabalho. 

Dessa forma, busca-se encontrar tais respostas, com o intuito de compreender 
e elucidar algumas questões, que ocasionarão as duas partes, uma visão diferenciada 
que permitirá a adesão de estratégias positivas para um relacionamento válido e 
transparente, assim, se fará um abordagem conceitual sobre seguro, seu 
desenvolvimento nos últimos anos e a vinculação evidenciada entre segurado e 


seguradora. 


2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 CONCEITO BÁSICO DE SEGURO 

A possibilidade de se ter uma perda, irá afetar negativamente a pessoa 
inerente ao fato, a essa ação, podemos denominar de risco. Assim, o receio e a 
insegurança suscitam a necessidade de se buscar alternativas para ao menos, reduzir 
a ocorrência de uma situação indesejável. Com base nesses fatores, surgiu o que hoje 
designamos de Seguro, que veio para “transferir” os riscos a partir de um valor 
calculado e acordado entre duas partes. 

O Seguro, segundo AZEVEDO (2008, p. 2), é uma operação que toma forma 
jurídica por meio de um contrato, em que uma das partes (segurador) se obriga com 
a outra (segurado ou beneficiário), mediante o recebimento de uma importância 
estipulada (prêmio), a compensá-la (indenização) por um prejuízo (sinistro), resultante 
de um evento futuro, possível e incerto (risco), indicado no contrato. O cálculo 
realizado para definir o valor do prêmio do seguro não possui um padrão, as 
Seguradoras são livres para estabelecer os seus métodos. Contudo, é necessário o 
envio de Nota Técnica Atuarial, onde constará o equacionamento do Seguro para a 
Superintendência de Seguros Privados (BRASIL, 2012). 

Dessa forma, entende-se seguro como uma maneira de se proteger de 
eventuais riscos, e as suas características e coberturas dependerão da necessidade 
do interessado, que buscará dentre as diversas modalidades oferecidas no mercado, 
aquela que irá melhor se adaptar. Embora, se deseje que o pior não aconteça, ele 
pode chegar e, sem avisar. 


121 


2.2 PLANO DE SEGUROS NOS TRÊS ÚLTIMOS ANOS 

Perante aos desafios vividos no País e a incerteza da tão sonhada estabilidade 
futura, os cidadãos despertam para a necessidade e possibilidade de se contratar um 
Seguro, seja para bens patrimoniais, saúde ou até para garantir uma previdência 
complementar, já que devido à proposta de Reforma da Previdência, muitos pontos 
negativos podem surgir, dentre eles a demora em se aposentar. No ano de 2015, 
conforme Camillo (2015) as Empresas de Seguros, apesar de enfrentarem um período 
onde a crise já era evidente, tinha um cenário positivo, decorrente da sua pujança e 
capacidade de superar dificuldades. Dentre os ramos de Seguro, o de Pessoas teve 
faturamento de R$ 33,2 bilhões, com variação positiva de 6% em relação ao ano 
anterior. A liderança ficou com o grupo Bradesco (20,4 %), seguido pelos grupos 
Banco do Brasil-Mapfre (16,9 %) e Itaú (12,2 %) MARRACINE (2015). 

Para o ramo de seguros de automóveis, MARRACCINE (2015) e Federação 
Nacional de Seguros Gerais — FENSEG informam que esse apresentou um 
faturamento de R$ 32,5 bilhões, e tal desempenho, foi influenciado pelo panorama 
conjuntural do País. Três segmentos tiveram destaque no quesito crescimento, com 
evolução significativa, são eles: o Seguro Rural com volume de prêmios de 13 %; o 
Seguro Habitacional com 17,6 % e o Seguro de Crédito e Garantia de Obrigações com 
aumento de 22,3 %. A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida - FENAGRI, 
através do seu presidente, Edson Franco, relata ter ocorrido um aumento nos planos 
individuais de 2015 para 2016, considerando que a modalidade ainda é nova no País, 
mas que sua expansão é evidente. 

Segundo dados obtidos através da Confederação Nacional das Empresas de 
Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização - 
CNSEG, houve um aumento de 8,2 % na arrecadação do Setor de Seguros no período 
de janeiro a novembro do ano de 2016, em relação ao mesmo período do ano anterior 
( BRASIL, 2012; CONSEG, 2015). 

Para Coriolano (2016) aponta que o ramo de seguro de vida individual 
representa 2,8 % da arrecadação e, resulta em uma das principais contribuições do 
Setor nesse período. É evidente, portanto, o aumento da atitude preventiva por parte 
dos brasileiros, que buscam se resguardar de um futuro incerto. 

De acordo com Galiza (2017) prevê que no ano de 2017 (e próximos anos), a 
forte tendência da taxa de crescimento de Seguros de Pessoas aumentarem, e um 


dos motivos para justificar esse crescimento, é a Reforma da Previdência. A proposta 


122 


da Reforma da Previdência leva o cidadão a pensar que o Estado não irá disponibilizar 
uma aposentadoria digna, o que sugere uma renda complementar. 

Para o CNSEG a reforma trabalhista e previdenciária é de fundamental 
importância para o crescimento sustentável do Mercado de Seguros e, a medida que 
o governo consiga direcionar e aprová-las no Congresso, os investidores terão mais 
determinação e pretensão na adesão dos planos. 

2.3 A RELAÇÃO ENTRE SEGURADO E SEGURADORA 

Em todo o tipo de relação entre partes distintas, à possibilidade de ocorrer 
conflitos de interesses é real, no mercado de Seguros não é diferente, sempre 
existirão os dois lados, onde será necessária a harmonia pré-estabelecida, para dirimir 
eventuais discrepâncias. Dessa forma, a partir de um contrato, serão estabelecidos 
os direitos e deveres de ambas as partes, cabendo a elas, a ciência e o cumprimento 
do que for fixado. 

A Teoria da Agência define estes dois lados como sendo o Principal e o Agente, 
e reflete sobre dois entes, que compartilham um objeto em comum, com diferentes 
(HENDRIKSEN e VAN BREDA, 1999). De acordo com pesquisas consumadas nas 
áreas da contabilidade, economia e finanças apontam uma percepção sobre o 
estímulo a compartilhamentos de riscos diante as incertezas. De fato, as formalidades 
e exigências visam à conformidade e tranquilidade dos trâmites, sendo essencial para 
o Segurado e a Seguradora, a transparência e o comprometimento. 

Outra teoria que explica a relação entre segurado e seguradora é o Mutualismo 
que é o princípio fundamental das operações de seguro, onde as partes integrantes 
(segurados) se juntam para formar um grupo (massa segurada) que cumprirão 
deveres de solidariedade mútua, colaborando com recursos (prêmios) para um fundo 
que será administrado por uma sociedade empresária especializada (seguradora), 
que será usado unicamente para benefício dos participantes em caso de ocorrência 
ou predeterminação de risco (sinistro), o qual venha a causar dano físico ou material 
(RODRIGUES, 2010). 

No mutualismo os riscos são divididos, e se o segurado vier a sofrer algum 
dano ou perda, ele não se responsabiliza individualmente diminuindo o prejuízo que 
poderia ser causado se tivesse que assumir sozinho os iminentes riscos. 

No site da SUSEP, entre todas as normas disponíveis, estão as normas 
específicas de Seguros de Pessoas, as quais serão analisadas no estudo, sendo para 
a Cobertura de Riscos (Resolução CNSP 117/2004, Circular SUSEP 302/2005 e 


123 


Circular SUSEP 317/2006) e para a Cobertura por Sobrevivência (Resolução CNSP 
140/2005 - com redação alterada pela Resolução CNSP 148/2006 e Circular SUSEP 
339/2007) (BRASIL, 2004, 20054, , 2005, 20064, 2006, 2007) 

Foi selecionado aleatoriamente, para fins de parâmetro, o Regulamento do 
Plano de Seguro Multiproteção Bradesco — Versão 08/2014, que concede cobertura 
por sobrevivência e morte, com a pretensão de verificar se suas condições gerais se 
associam com as diretrizes e normas aceitas pela SUSEP. 

Assim, sob a condição de se viver em um mundo contemporâneo, onde a 
sociedade implanta regulamentos que definem os procedimentos a serem adotados 
diante dos fatos, se torna primordial a dedicação e interesse das partes em todas as 


minúcias, a fim de anular qualquer inconveniente futuro. 


3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 

Foi utilizada, como fundamento teórico, a teoria do agenciamento, que revela 
a relação de duas partes, que são o principal (seguradora), o agente (segurado) e a 
do mutualismo (seguro). 

É possível interligar disciplinas como Economia, no sentido de seus resultados 
impactarem a rentabilidade de indivíduos e o Mercado de Seguros, a Contabilidade, 
por ser capaz de analisar os demonstrativos e procedimentos adotados e a Atuária, 
quando existe realização dos métodos e cálculos para a determinação de prêmios, 
capital segurado etc. 

Assim, se evidencia e caracteriza o campo de conhecimento do trabalho como 
interdisciplinar, por unir três ciências dentro de uma mesma teoria, que tem como foco 
a relação entre Segurado e Seguradora. A abordagem é quanti qualitativa, pois traduz 
em números, opiniões dos entrevistados, sendo possível classificar e analisar seus 
resultados e, ao mesmo tempo permite uma visão em que há interpretação dos fatos 
mediante recursos bibliográficos disponíveis (FARIAS FILHO e ARRUDA FILHO, 
2013). 

O objetivo do estudo se classifica como: exploratória, por realizar 
levantamentos bibliográficos, entrevistas com pessoas e busca de informações em 
web sites; descritiva por utilizar o questionário para a coleta de informações e 
explicativa por utilizar o método observacional, com a pretensão de se entender como 


é a relação entre o Segurado e a Seguradora. 


124 


Foram elaboradas a partir do programa “questionário via Google”, tendo como 
abrangência um estudo transversal, pois o intuito é conhecer a opinião dos 
entrevistados em um determinado momento. Estes questionários encaminhados 
eletronicamente via: facebook, e-mails, whats app e instagram. 

O procedimento técnico evidenciou o levantamento de respostas sobre o 
Mercado de Seguros através de 100 (cem) questionários, com 14 (quatorze) 
perguntas, sendo considerados 88 % válidos. Apurou-se os dados no excel de modo 
estatístico, para mapear os investidos por: gênero, idade, importância do seguro, 
renda e satisfação. A partir destes dados foram confeccionados gráficos para melhor 
visualização das respostas obtidas. Trata-se de uma pesquisa pura básica que visa à 
criação de enunciados gerais voltada ao Seguro, através da coleta de informações em 
âmbito nacional. Tanto as consultas bibliográficas, quanto a aplicação de questionário, 
seguiram estes princípios, não estando limitadas apenas a uma região. 

Importante dizer, que a pesquisa se limitou quanto ao número de entrevistados, 
pelo fator tempo, que impediu os autores de intensificar a sua proporção, através de 
divulgações. Vale ressaltar que, não existiu um público específico, as perguntas 
alcançaram diferentes partes do Brasil. Outro ponto importante se refere, ao confronto 
das condições gerais do Regulamento Multiproteção Bradesco — Versão 08/2014 com 
as diretrizes e normas aceitas pela SUSEP, o intuito não foi de esgotar o estudo com 
a análise de todas as cláusulas, e sim, de demonstrar, a partir de alguns pontos, sua 


relação. 


4. ANÁLISE DE RESULTADOS 

4.1 ANÁLISE DE CLASULAS DE CONTRATO COM NORMAS E DIRETRIZES 
SUSEP 

O estudo se dividiu em dois momentos, o primeiro buscou evidenciar a 
associação entre as Condições Gerais do Plano Multiproteção Bradesco — Versão 
08/2014 com as normas e diretrizes aceitas pela SUSEP, e o segundo foi a realização 
da aplicação de questionário virtual elaborado a partir do “Questionário Google”, onde 
alcançou pessoas de diferentes regiões do Brasil. 

Tendo em vista, a complexidade dos regulamentos, e a possível falta de 
compreensão, leitura ou desinteresse em assimilar o conteúdo dos documentos que 


tramitam nessa relação, por parte do interessado e, a provável carência na 


125 


transparência das informações, pela Seguradora, esse estudo tem por objetivo 
principal, evidenciar a relação entre segurado e seguradora dos planos de seguros. 

De acordo com o TÍTULO Il - DAS DEFINIÇÕES, do Regulamento do Plano 
Multiproteção Bradesco — Versão 08/2014, é possível identificar a analogia ou a 
igualdade com as definições estabelecidas pela SUSEP, de acordo a Resolução 
CNSP Nº 140/2005, o que transmite o consenso entre eles (BRASIL, 2005). 

Outro ponto destacado é a SEÇÃO Il - DO CARREGAMENTO, onde se é 
mencionado o percentual sobre a taxa de carregamento equivalente a 30%, que se 
refere às despesas relativas à colocação, administração e corretagem. No site da 
SUSEP, este tipo de percentual fica disponível para as optantes da modalidade de 
Benefício Definido (informação obtida através do glossário disponível no sítio 
eletrônico). O Plano Multiproteção Bradesco — Versão 08/2014 atende a essa 
modalidade, evidenciado no seu Art. 1º, do TÍTULO | - DAS CARACTERÍSTICAS 
(BRASIL, 2005). O Plano analisado está de acordo com a Resolução CNSP Nº 
140/2005, descritos no TÍTULO Ill, Art. 7º, Inciso VI, no que diz respeito aos tipos de 
Planos. Desse modo, Multiproteção Bradesco — Versão 08/2014 é um plano do tipo 
Dotal Misto, que não possui reversão de resultados financeiros e está estruturado na 
modalidade de Benefício Definido, entre outras definições contidas no inciso. 

A Circular SUSEP Nº 339, de 31 de janeiro de 2007, traz no seu título IV, a 
relação de todos os materiais informativos que o plano deve possuir, a fim de fornecer 
transparência e compreensão aos proponentes, segurados e assistidos. No 
Regulamento Multiproteção Bradesco — Versão 08/2014, no seu título IV ficam visíveis 
as informações aos Segurados e Disposições Comuns, o que estabelece mais um 
ponto positivo (BRASIL, 2005). 

4.2 QUESTIONÁRIO APLICADO A PARTIR DO QUESTIONÁRIOS “GOOGLE” 
COM ABRANGÊNCIA NACIONAL 

Com o intuito de aperfeiçoar o resultado do estudo, foi aplicado um questionário 
virtual elaborado a partir do “Questionário Google” para pessoas de diferentes regiões 
do Brasil. Foram recebidos cem (100) questionários, sendo que apenas 88 % foram 
consideradas válidas, após a análise dos dados. Dentre os questionários 
considerados válidos, 47,72 % foram respondidos por mulheres e 52,28 % foram 
respondidos por homens, o que revela um equilíbrio entre os gêneros. Ao avaliar o 
agrupamento de questões, foi possível destacar quatro relações consideradas 
essenciais para o resultado da pesquisa, como pode ser visto no gráfico 1. 


126 


Gráfico 1 — Relação entre gêneros. 








R 52% 
Gênero 





" 50% 
Não possuem seguro 





50% 
Possuem Seguro 








40% 45% 50% 55% 60% 
masculino E feminino 











Fonte: Questionário Google — Relação entre segurado e seguradora 2017. 


No gráfico apresentado acima, temos a quantidade total de entrevistados, 
divididos por gênero, e a sua referente proporção dos que possuem e dos que não 
possuem seguro. No que tange ao percentual da amostra que possui seguro, é visível 
que 50 % dos homens e 48 % das mulheres afirmam possuírem algum tipo de seguro. 
Estas informações estão de acordo com Frade (2013), Rodrigues (2010), Camillo 
(2015) e Coriolano (2016) ao ratificar o crescente aumento pela adesão aos seguros, 
podendo ser vistos como investimento, o que nos repassa que quase metade possui 
algum tipo de seguro, sendo este um número relevante, que pode ser justificado pelo 
mercado que está em processo de expansão. Assim, outro item de análise é a relação 
de idade, seguro e o a identificação da importância de se possuir seguro de vida nos 


dias de hoje. 


Gráfico 2 - Relação idade e seguro e a importância de se possuir seguro. 


Considera importante ter o seguro ER 61% 
Preferência por Poupança FE 47% 
Possuem seguro ESA 37% 
Idade 30 a 40 anos | 43% 


20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 55% 60% 65% 70% 




















Fonte: Questionário Google — Relação entre segurado e seguradora 2017. 


127 


O gráfico 2 demonstra que ao consultar a faixa etária com maior índice de 
respostas, percebemos que ela está entre 30 a 40 anos, atingindo 43 % dos 
questionários. Destes respondentes, apesar de 61 % considerarem importante ter um 
seguro, apenas 37 % possuem. Fatores externos podem explicar essa discrepância, 
como renda, conhecimento dos benefícios, entre outros. Importante destacar que, 
dos entrevistados entre os 30 a 40 anos, 47 % afirmaram preferir uma poupança ao 
invés do seguro, circunstância que pode estar associada aos receios de investir a 
longo prazo e diante à crise. 

Tendo em vista, a possibilidade de a renda influenciar na posse de algum tipo 
de plano, o próximo gráfico, apresenta o diagnóstico de três das cinco opções dadas 
aos respondentes em relação as suas respectivas rendas. Foram consideradas 
apenas as opções mencionadas, devido ao fato dos entrevistados que informaram 
não possuir renda ou tê-la abaixo do salário mínimo vigente (as duas opções não 
consideradas), não possuírem nenhum tipo de seguro. 

Estas informações confirmam os argumentos de Granda (2016) e Farias (2017) 
ao avaliar que ao passar dos anos a opção por seguros de vida, tem maior adesão 
para aqueles acima de 30 anos. Além disso, com esta maior adesão aos planos de 
seguros, maior será a necessidade de se ter profissionais capacitados nos ramos de 
atuária, para fazer este tipo de contabilidade (CÉSAR e MYRRHA, 2014). O gráfico a 
seguir demonstrar a relação da adesão de seguros de vida com o grau de 
escolaridade e seguro. 


Gráfico 3 — Relação entre grau de escolaridade e seguro. 





Relação de seguro de vida com o grau de escolaridade 





45% 56% 60% 
44% 40% 


5% 
EE 








5% 4% 1% 


Ens. Superior Ens. Médio Ens. Fundamental 














mPossui seguro Não possui seguro 








Fonte: Questionário Google — Relação entre segurado e seguradora 2017. 


128 


O gráfico 3 demonstrar que do total de questionários, 44 % dos respondentes 
que possuem o ensino médio, declararam possuir algum tipo de seguro, com uma 
proporção bem próxima a 56 % que se declaram não possuir seguro. Outro ponto a 
se destacar são os entrevistados com o ensino fundamental do qual 40 % deles 
disseram possuir seguro e 60 % não possui seguro. Então como se imagina nem 
sempre apenas os que têm ensino superior são os que possuem seguro, pois muitos 
do que tem apenas o ensino médio ou fundamental também podem possuir. Em 


alguns casos apenas o seguro de um automóvel ou outro. 


Gráfico 4 - Relação da renda dos entrevistados com o seguro (com os que possuem). 








70% 
60% 





60% 
51% 





50% 





na 31% E1a2 Salários 





30% || 2a 3 Salários 





20% "| E acima de 3 Salários 


9% õ 
o — HH 
Possuinte do Seguro Possuem mod. Veículos Não possui modalidade 
veículo 





7% 9% 


= 
=== 























Fonte: Questionário Google — Relação entre segurado e seguradora 2017. 


Conforme revela o gráfico 4, pessoas com renda acima de 3 salários são mais 
suscetíveis a possuir seguro, representando 60% do total de respondentes que 
afirmaram ter alguma modalidade. Fica evidenciado também que, 51 % são usuários 
de seguros de veículo e apenas 9 % de outras modalidades que não se inclui 
modalidade veículos. Nas outras opções, a representatividade de possuir um seguro 
é menor, sendo para os que recebem de 1 a 2 salários, apenas 9 % e para os que 
recebem de 2 a 3 salários 31 %. A partir da possibilidade de falta de leitura influenciar 
nos resultados futuros, foram feitas as seguintes perguntas: “Você costuma ler todo o 
documento antes de assinar?”; “Você está satisfeito com o plano que possui?”. 
Realizando uma filtragem, foi possível evidenciar que, 67 % dos entrevistados que 


possuem algum tipo de seguro e afirmam não ler o contrato na íntegra, 36 % dizem 


129 


se sentir insatisfeitos em contrapartida a 31 % que não possuem queixas. O gráfico a 


seguir, demonstra o relatado. 


Gráfico 4 - Relação entre os entrevistados que possuem seguro e afirmaram não ler todo o contrato e 
o seu nível de satisfação. 








70% 67% 





60% "| 





50% "| 





40% | 


31% 








30% "| 








20% "| 








10% 1 














0% — 











Fonte: Questionário Google — Relação entre segurado e seguradora 2017. 


Nesse sentido, a pesquisa alcançou o seu objetivo de evidenciar a relação entre 
segurado e seguradora dos planos de seguros. A análise de resultados revela em um 
primeiro momento, a coerência do regulamento do Multiproteção Bradesco — Versão 
08/2014 (que foi escolhido aleatoriamente pelos autores), com as diretrizes e normas 
aceitas pela SUSEP e, em um segundo momento traz o perfil do público das 
Seguradoras, estando este, limitado a uma amostra relativamente pequena, contudo 
satisfatória para o objeto de estudo. 

Ficou visível, que existem lacunas a serem preenchidas, como uma atenção 
maior das Seguradoras em esclarecer as cláusulas referentes às propostas, contratos 
e apólices, tendo em vista que, o Regulamento estudado não continha desacordos 
com a SUSEP. Além da dedicação do interessado em tomar conhecimento do 
conteúdo do documento a ser assinado, para que tanto o seu grau de satisfação, 
quanto à determinação das Seguradoras em alcançar o maior número de clientes, 


sejam otimizados. 


130 


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Nesse trabalho buscou-se analisar a relação entre segurado e seguradora dos 
planos de seguros, para tanto, foi realizado a aplicação de questionário, além de 
pesquisas em sítios eletrônicos e livros. A pesquisa utilizou como fundamento, a teoria 
do agenciamento, ponto considerado relevante por tratar de duas partes com um 
objeto em comum. 

Os dados revelam que, dentre os respondentes, 49 % possuem seguro, um 
número significativo, mas que pode expandir. No que tange a satisfação, 36 % que 
possuem seguro, informaram não estarem satisfeitos, porém estes admitiram não 
lerem os documentos que assinam na íntegra, o que favorece a insciência do que de 
fato está determinado, provocando um dos possíveis futuros desentendimentos nessa 
relação. 

É notório que o Brasil vem vivendo momentos difíceis nos últimos anos, que 
impactam diretamente a população de um modo geral. A crise e mudanças no 
Governo despertam receios e dúvidas, sendo necessária a cautela na hora da tomada 
de decisão. Portanto, planejar o futuro está sendo essencial, e a escolha em adquirir 
um seguro, é uma opção que concede a redução de riscos incertos, cabendo somente 


ao interessado e a Seguradora, a execução de uma relação transparente e eficiente. 


131 


REFERÊNCIAS 


AZEVEDO, Gustavo H. W. de. Seguros, Matemática Atuarial e Financeira: uma abordagem 
introdutória. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2010. 


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em:http:/Avww.bradescoseguros.com.brAwps/portal/TransforDigital/Site/Produtos/Vida/Plano 
s/multiprotecao-bradesco/multiprotecao-bradesco.Acesso em 27 de junho de 2017. 

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132 


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Paulo: Atlas, 1999. 


IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da contabilidade. 11 ed. São Paulo: Atlas, 2015. p. 73. 
RODRIGUES, Vera Maria de C. Pinto. Fundamentação filosófica do princípio do mutualismo 


nos contratos de seguro. 2010. 167 f. Tese (Doutorado em Direito) — Programa de Pós- 
graduação em Direito, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010. 


133 


CAPÍTULO 09 


MELHORIA CONTÍNUA: IMPLEMENTANDO UM MÉTODO E REDUZINDO CUSTOS. 


Marcelo Paranzini 

Mestre em Gestão e Tecnologia em Sistemas Produtivos - Centro Estadual de 
Educação Tecnológica Paula Souza - CPS 

Instituição: Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza - Unidade de 
Pós Graduação, Extensão e Pesquisa 

Endereço: Rua Dos Bandeirantes, 169, Bom Retiro — São Paulo/SP. 

CEP: 01124-010 

E-mail: marceloparanziniQuol.com.br 


Roberto Kanaane 

Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo - USP - Instituto de Psicologia 
Instituição: Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza - Unidade de 
Pós Graduação, Extensão e Pesquisa 

Endereço: Rua Dos Bandeirantes, 169, Bom Retiro — São Paulo/SP. 

CEP: 01124-010 

E-mail: kanaanhe(O gmail.com 


RESUMO: Este artigo tem como objetivo apresentar um método de melhoria contínua 
o qual traz a redução de custos nas negociações com fornecedores estratégicos. 
Trata-se de um relato de caso em uma empresa de telecomunicações multinacional, 
em sua regional no Brasil. Implementando-se esta metodologia obtém-se redução de 
custos com a redução de matérias-primas utilizadas, de retrabalhos por defeitos, bem 
como a melhoria de produtividade com a redução de tempos durante os processos e 
melhor disposição do layout. 


PALAVRAS CHAVES: Teoria das Restrições (TOC); Melhoria contínua; Gargalo. 


ABSTRACT: This article aims to present a continuous improvement method which 
brings cost reduction in negotiations with strategic suppliers. This is a case report from 
a multinational telecommunications company in its regional office in Brazil. 
Implementing this methodology reduces costs by reducing raw materials used, 
reworking defects, as well as improving productivity by reducing process times and 
better layout. 


KEYWORDS: Theory of Constraints (TOC); Continuous improvement; Neck. 


134 


1. INTRODUÇÃO 

A busca de uma maior competitividade caracteriza-se como uma alternativa 
para que as empresas se diferenciem em seus mercados, sendo a adoção da 
otimização de seus recursos um caminho para gerar um resultado que traga a 
perenidade. 

A simples prática de ferramentas e técnicas de Gestão já consagradas não 
levam a obtenção das vantagens competitivas necessárias. 

Percebe-se empresas que incessantemente tentam sobreviver em seu 
mercado, muitas vezes abrindo mão de recursos significativos, sejam de pessoas ou 
de equipamentos, esquecendo-se que existem possibilidades a serem exploradas 
internamente em seus processos antes de chegar a tais medidas. 

A implementação de um método de melhoria contínua simples, sem a 
necessidade de grandes investimentos financeiros e de capacitação de pessoal, pode 
ser uma destas possibilidades. Assim sendo, como a empresa pode melhorar seus 
processos internos, identificando e atuando nos pontos que levarão aos resultados de 
eficiência operacional reduzindo seus custos? 

Este artigo tem como objetivo principal, apresentar um método que possibilite 
atuar sobre uma ou mais etapas do processo, identificando e definindo ações de baixo 
investimento focada nos processos gargalos. 


2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 MELHORIA CONTÍNUA 

Tanaka et. al (2012) define melhoria contínua como um grupo de pessoas em 
busca das melhores práticas nas atividades de trabalho, de forma organizada, com 
eficiência dos recursos. 

A melhora nas práticas de processos obtém-se com estratégias para obtenção 
de inovações em processos, com ferramentas de melhoria contínua, que tenham 
como foco eliminar desperdícios, melhorar produtos, aumentar a produtividade, 
implementando soluções que motivem e aguce a criatividade dos colaboradores 
(Guimarães et al. 2013). 

Kennedy (2012) conceitua melhoria contínua como um processo onde as 
corporações buscam a melhoraria de seus serviços, processos e produtos. Ainda 
segundo o autor, os processos de melhoria contínua de sucesso incorporam 


mecanismos de medição, avaliação e monitoramento, que levam em consideração as 


135 


necessidades dos clientes. Essa visão do autor nos remete a ligação do processo de 
melhoria contínua com os sistemas de qualidade das organizações. 

Por meio da avaliação dos processos busca-se a melhoria contínua, analisando 
a capacidade do estado atual para atingir os objetivos, após a identificação os 
processos críticos e a prioridade de melhoria (Fernandes, 2012). 

Segundo Mesquita e Alliprandini (2003), as competências existentes nas 
organizações quando utilizadas na prática da melhoria contínua, podem levar ao 
aperfeiçoamento continuado dos processos. A visão dos autores demonstra que as 
competências existentes nas organizações através de seu corpo de colaboradores, 
devem ser canalizadas para os processos de melhoria contínua. Ainda segundo os 
autores é possível verificar em várias organizações, atividades e processos de 
melhoria que são denominados processos de “melhoria contínua”. 

Oprime et al. (2011) cita que a melhoria contínua pode ser considerada como 
um fundamento dos modelos de gestão da produção baseados na gestão da 
qualidade total e produção enxuta. 

A melhoria contínua pode ser implementada em quaisquer organizações por 
meio de um programa independente, que produz avanços cumulativos nos 
indicadores de resultados de uma organização (Oprime et al. 2011). 

2.2 TEORIA DAS RESTRIÇÕES (THEORY OF CONSTRAINTS — TOC) 

A Teoria das Restrições (Theory of Constraints — TOC) originou-se de um 
Sistema de Informação denominado Optimized Production Technology (OPT), 
englobando planejamento da produção, administração de gargalo e sincronização da 
manufatura, desenvolveu-se para obtenção de ganho, por meio da gestão eficiente 
dos recursos e restrições de cada empresa (Ferreira 2007). 

De acordo com Reis (2007), buscando-se a diferenciar os temas restrição e 
gargalo dentro da TOC, tem-se que uma restrição pode ocorrer em qualquer parte da 
empresa, ou mesmo fora dela, como no caso das restrições de mercado e a existência 
de um gargalo dependerá da relação entre capacidade e volume de demanda dos 
recursos fabris. 

A base da TOC está em que qualquer sistema tem ao menos uma restrição, 
caso contrário o mesmo poderia produzir uma quantidade infinita do seu produto 
(Zattar 2004). 

Segundo Goldratt e Cox (2014), a TOC leva a uma melhoria que abrange não 
só os custos (despesas operacionais), mas principalmente o aumento dos ganhos 


136 


atuando sobre os gargalos existentes. Neste sentido, Alves et al. (2011) apontam que 
a TOC, coloca em primeiro lugar o ganho; o inventário em segundo; e em terceiro, o 
custo (despesas operacionais). 

Evidencia-se que com a aplicação da TOC, obtém-se melhoria nos resultados, 
que por sua vez impactam positivamente no desempenho organizacional (Pacheco 
2014). Segundo Zattar (2004) com a TOC propõe-se 9 princípios de otimização: 
balanceamento do fluxo e não da capacidade do sistema; não é o potencial do recurso 
que determina seu nível, e sim outra restrição do sistema; utilização e ativação de um 
recurso não são sinônimos; uma hora perdida no gargalo é uma hora perdida em todo 
sistema; uma hora economizada em recurso que não é gargalo não gerará resultado 
no sistema; os gargalos ditam o ganho e o inventário; lotes de transferência e de 
processamento não podem, e muitas vezes, não deve ser iguais; o lote de processo 
deve ser variável e não fixo e os programas devem ser estabelecidos considerando 
todas as restrições simultaneamente. 

A aplicação da TOC consiste basicamente em: identificação do gargalo do 
sistema; tomada de decisão de como explorar os gargalos; subordinação de todos os 
recursos a decisão anterior; elevação dos gargalos do sistema e atuação contínua nos 
recursos que terão a migração do gargalo (Goldratt e Cox 2014). 


3. METODOLOGIA 

Utilizou-se como método de pesquisa o relato de caso, como investigação 
exploratória e escolheu-se como amostra uma empresa, objeto deste estudo, por 
conveniência, a partir da experiência prática de um dos autores que trabalhou na 
empresa entre abril de 2000 a março de 2008, na unidade brasileira de uma 
multinacional do Segmento de Telecomunicações, posicionada entre as maiores do 
mundo. Sendo um dos responsáveis por monitorar os resultados obtidos pelas 
empresas fornecedoras que integravam a cadeia de suprimentos e tendo acesso a 
documentação do método de melhoria contínua aplicado, possibilitou-se o 
acompanhamento em mais de 10 (dez) empresas fornecedoras. Por questões de 
sigilo e confidencialidade contratual, o nome da empresa e dos processos serão 
preservados, pois por serem específicos, possibilitaria a identificação da mesma. 

Para fundamentação teórica, executou-se pesquisa bibliográfica de materiais 
já publicados tais como: livros, revistas, publicações em periódicos, artigos científicos, 


monografias, internet, entre outros. 


137 


Também foram pesquisadas bases de dados (Google Acadêmico; Portal de 
Periódicos CAPES e EBSCO), as seguintes palavras-chave: Teoria das Restrições, 
Gargalos, Melhoria Contínua. Os estudos exploratórios são aplicáveis para descrever 
completamente determinado fenômeno, tanto descrições quantitativas e qualitativas 
quanto acumulação de informações detalhadas como as obtidas por intermédio da 
observação do participante (Marconi e Lakatos 2003). 

Implementou-se o seguinte método de melhoria contínua na empresa 
fornecedora: Formação de 02 (dois) grupos de trabalho; Reunião de sensibilização 
com os grupos de trabalho, envolvendo também dois executivos da empresa; 
Esclarecimento do método e esclarecimentos de dúvidas; Mobilização dos grupos de 
trabalho, a princípio os gestores da empresa; Medição de parâmetros iniciais antes 
das melhorias; Identificação dos processos gargalos a serem explorados; Descrição 
detalhada dos processos gargalos; Levantamento dos pontos potenciais de melhoria 
dos processos descritos, identificando suas causas; Propostas de soluções para os 
pontos potenciais levantados, de modo a solucionar todas causas identificadas; 
Simulação das soluções propostas visando sua aplicabilidade; Cálculo do retorno 
sobre o investimento para as soluções que contemplavam investimento financeiro; 
Medição dos resultados obtidos pós-melhorias implementadas; Preenchimento dos 
relatórios do trabalho realizado; Preparação do trabalho realizado para apresentação; 
Apresentação dos resultados aos executivos. 

Aplicando-se a metodologia descrita, trabalhou-se para verificar qual o 
resultado obtido nos processos da empresa fornecedora. 


4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Inicialmente a empresa compradora objeto do estudo foi procurada pelo 
fornecedor para obtenção de um reajuste no contrato de fornecimento na ordem de 
R$ 5.000.000,00 anuais. Neste momento foi apresentado e proposto para o 
fornecedor a implementação de um método de melhoria contínua com potencial 
resultado para a redução dos custos, para que posteriormente ao trabalho fossem 
retomadas as negociações. 

Tendo sido aceito pelo fornecedor, implementou-se o método de melhoria 
contínua conforme descrito no item anterior deste artigo, tendo sido identificados dois 
processos gargalos a serem trabalhados, com a respectiva formação de dois grupos 
de trabalhos, sendo dois integrantes da empresa contratante e 07 integrantes da 


138 


empresa fornecedora, tendo sido o segundo processo gargalo trabalhado após a 


conclusão dos trabalhos sobre o primeiro processo gargalo. 


Mediu-se os parâmetros iniciais antes da melhoria, conforme coluna “Inicial” da 


tabela 1, e em seguida após a descrição detalhada dos processos gargalos, procedeu- 


se a identificação de 45 pontos de melhorias nos gargalos e foram propostas e 


implementadas 19 soluções para aliviar os gargalos, Grupo A. Quanto ao Grupo B, 


procedeu-se a identificação de 47 pontos de melhorias nos gargalos e foram 


propostas e implementadas 11 soluções para aliviar os gargalos. 


Testou-se por simulação as soluções propostas, e após evidenciar-se a 


viabilidade das mesmas, procedeu-se ao cálculo do resultado do trabalho, conforme 


colunas “Final”, 


Tabela 1 - Parâmetro antes e pós melhoria. 


Diferença” e “Melhoria (%)” da tabela 1. 









































troca de rolos 
(m/operador) 














Parâmetros Inicial (antes | Final (após Diferença Melhoria 
da melhoria) a melhoria) (Inicial-Final)| (%) 

Camada média de 3,30 3,00 0,30 9,09 

tinta paládio (g/folha) 

Defeito elétrico por | 1,64 1,20 0,44 26,80 
Grupo A riscos/sujeira (%) 

Camada baixa SnPb | 1,60 1,20 0,40 25,00 

(4%) 

Camada alta SnPb | 0,82 0,50 0,32 39,00 

(4%) 

Tempo Setup 25,00 13,50 11,50 46,00 

reposição de anodo 

(minutos) 

Tempo de setup 60,00 40,00 20,00 33,00 

troca/verificação 

Clamp's (minutos) 

Produtividade 16.823.664,00 | 16.971.712,00 | 148.048,00 | 0,88 
Grupo B| (peças/mês) 

Superfície (m2) 21,40 8,96 12,44 58,00 

Deslocamento Setup| 49,70 35,70 14,00 28,00 

reposição anodo 

(m/operador) 

Deslocamento Setup | 161,70 0,00 161,70 100,00 








Fonte: Autores 


139 


Após implementação do método de melhoria, obteve-se como resultado final 
os seguintes valores de melhoria: 9,09 % na camada média de tinta paládio; 26,80 % 
de redução no defeito elétrico por riscos/sujeira; 25,00 % na camada baixa de 
estanho-chumbo(SnPb); 39,00% na camada alta de estanho-chumbo(SnPb); 
46,00 % no tempo de setup para reposição de anodo; 33,00 % no tempo de setup 
para troca/verificação de Clamp's; 0,88 % na produtividade; 58,00 % em área utilizada 
no processo (superfície); 28,00 % no deslocamento no setup para reposição do anodo 
e 100,00 % no deslocamento no setup para troca de rolos. 

Em valores, estes resultados obtidos propiciaram que quando retornou-se a 
negociação do reajuste contratual, a empresa fornecedora que a princípio pedia um 
aumento de R$ 5.000.000,00 no ano, acabou por conceder um desconto de 
R$ 1.000.000,00 no ano. 

Com estes resultados a empresa fornecedora identificou que sua estratégia 
para melhoria do resultado estava internamente em seus processos e não em buscar 
externamente um reajuste de valor junto a empresa contratante. 

Evidencia-se ainda que a melhoria contínua é uma forma que a empresa obteve 
para repensar seus processos, seus fluxos, seus recursos, humanos, físicos, 
financeiros, entre outros, e assim possibilitar ainda inovações de processos, as quais 
são de baixo investimento e alto retorno. 

Para empresa contratante, tal método apresentou-se totalmente rentável junto 
ao contrato de fornecimento do produto em questão. Obtém-se resultados financeiros 
positivo ao implementar um processo de manufatura enxuta, na liquidez, atividade e 
lucratividade (Silva, et al. 2016). Também neste sentido Schemes (2014), nos traz que 
a melhoria na eficiência operacional com processos mais aderentes proporciona 
segurança na performance, redução de tempos de espera e dos serviços e redução 


dos custos operacionais, tornando a operação mais rentável. 


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Este artigo buscou demonstrar que aplicando-se um método de melhoria 
contínua é possível a identificação de pontos internos de melhoria que se, 
identificadas, propostas e implementadas as soluções, levarão a empresa a obter 
eficiência operacional, e possibilitando assim a redução dos custos e 
consequentemente redefinição de suas estratégias e políticas de preços. 


140 


Apresentou-se um método que envolveu uma estratégia pelas partes cliente- 
fornecedor, possibilitando que prioridades de atuação fossem identificadas, e que o 
foco de atuação direcione-se para estas visando a redução dos custos, sem a 
necessidade da realização prévia de treinamento por parte dos integrantes das 
equipes da empresa fornecedora. 

Percebeu-se que com a metodologia obteve-se maior valor agregado, pois ao 
melhoras os processos gargalos, possibilita-se que os fluxos das atividades sejam 
reduzidos, e assim, a empresa evolui em sua eficiência operacional. 

Este método, após os resultados obtidos, foi aplicado para diversas outras 
empresas fornecedoras, que conseguiram também obter resultados de eficiência 
operacional, comprovando a viabilidade da adoção como uma metodologia para 
melhoria contínua, baseada na Teoria das Restrições. 

Este relato apresenta um caminho para futuros estudos por empresas e 
instituições de qualquer outro segmento e porte em aplicar esta metodologia, 
adequando sua estrutura por meio da priorização de pontos de atuação inerentes a 
sua realidade, cultura e estratégias, uma vez que a Teoria das Restrições possibilita 
que cada empresa otimize seus processos, reduzindo os desperdícios de processo e 
consequentemente os custos, bem como proporciona que os resultados obtidos possa 
gerar condições das empresas expandirem-se e conquistar perenidade em seu 


mercado. 


141 


REFERÊNCIAS 


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das Restrições para a Melhoria Contínua da Produção: um Estudo Aplicado a uma Fábrica 
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gestão da produção: um estudo multicaso. 167 f. Dissertação (Mestrado em Administração 
das Organizações), Departamento de Administração da faculdade de Economia, 
Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão 
Preto. 


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Fernandes, D.G. 2012. Melhoria contínua na gestão de projetos: desenvolvimento e 
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104f. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial). Faculdade de Ciências e 
Tecnologia Universidade Nova de Lisboa. 


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Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção). Faculdade de Engenharia, Arquitetura 
e Urbanismo, da Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba. 


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método de estudo de caso no setor de concessionárias de veículos automotores. 109 f. 
Dissertação (Mestrado em Economia). Faculdade de Ciências Econômicas, da Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 


Silva, M.M.; Lima, S.R.; Izabel Cristina Zattar, |. C.; Cleto, M. G.. 2016. O Impacto da 


implementação da Manufatura Enxuta nos indicadores financeiros de uma indústria Fordista: 
um estudo de caso. Produção em foco, v. 6 n. 1, p. 163-182. 


142 


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finita nos diversos níveis da administração da manufatura através de estudos de caso. 136 f. 
Dissertação (Mestrado em Engenharia). Universidade Federal de Santa Catarina, 
Florianópolis. 


143 


CAPÍTULO 10 


DECISÕES DE INVESTIMENTO: UMA ANÁLISE DESCRITIVA EM QUE ALOCAR 
NOSSOS RECURSOS. 


Tiago de Vasconcelos 

Doutor em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie 
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie - Centro de Ciências Sociais 
Aplicadas 

Endereço: Rua Maria Antônia,163, Higienópolis, São Paulo - SP, Brasil 

E-mail: tiagodevasconcelos(Dyahoo.com.br 


Denis Forte 

Doutor em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie 
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie - Centro de Ciências Sociais 
Aplicadas 

Endereço: Rua Maria Antônia, 163, Higienópolis, São Paulo - SP, Brasil 

E-mail: denis.forte(Omackenzie.br 


RESUMO: O propósito deste estudo é a análise da decisão de investimento por meio 
de uma análise descritiva das rentabilidades das modalidades de investimento no 
Brasil. A verificação é feita por meio da variação das rentabilidades das modalidades 
de investimentos: caderneta de poupança, fundos de renda fixa, fundo de ações, 
índice Bovespa, ouro, dólar e CDl, após o imposto de renda. A abordagem 
metodológica é uma pesquisa quantitativa por meio de testes com a utilização de uma 
análise estatística comparativa. A amostra é extraída da base de dados do Banco 
Central (BACEN) no período de 2011 a 2015, com frequência mensal. Como resultado 
é constatado que a caderneta de poupança apresenta uma melhor rentabilidade 
líquida após a tributação entre os investimentos estudados. 


PALAVRAS-CHAVE: Decisão de investimento. Caderneta de Poupança. Fundo de 
Ações. Fundos de Renda Fixa. Ouro. Dólar. 


ABSTRACT: The purpose of this study is the analysis of the investment decision 
through a descriptive analysis of the return on investment modalities in Brazil. The 
verification is made by varying the return on investment modalities: savings account, 
fixed income funds, equity fund, Bovespa index, gold, dollar and CDI, after income tax. 
The methodological approach is a quantitative research through tests using a 
comparative statistical analysis. The sample is extracted from the Central Bank 
database (BACEN) from 2011 to 2015, with monthly frequency. As a result it is found 
that the savings account has a better net return after taxation among the investments 
studied. 


KEYWORDS: Investment decision. Savings account. Equity Fund. Fixed Income 
Funds. Gold. Dollar. 


144 


1. INTRODUÇÃO 

A globalização dos mercados e a velocidade das relações e informações 
transformam o atual cenário econômico mundial que é impactado pelas rápidas 
mudanças decorrentes de fatores advindos de diferentes partes do mundo (KOTLER, 
2009). 

Diante de um cenário financeiro volátil, os investidores procuram aplicações 
seguras, com rentabilidade satisfatória, e que permitam diversificar e aumentar os 
rendimentos; isso envolve investimentos em curto, médio e longo prazo. Atualmente, 
o mercado financeiro brasileiro oferece aos investidores diversas linhas de produtos 
voltados a diversos tipos de investidores e níveis de renda, bem como títulos públicos 
que são colocados a negociação e geram caixa para o governo (INFOMONEY, 2016). 

Nos últimos dez anos, a indústria de fundos no Brasil apresentou um 
crescimento bastante expressivo, mais que triplicando seu patrimônio líquido 
(BORGES; MARTGELANC, 2015, p. 196). Os dados nacionais de fechamento de 
2010, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais 
(ANBIMA), classificam o Brasil como o sexto maior mercado de fundos do mundo, 
com mais de 10 mil produtos e cerca de 11 milhões de investidores, com taxa de 
crescimento anual de 20% e ainda, com o patrimônio líquido superior a US$ 1 trilhão 
(MATOS; PENNA; SILVA, 2015). 

Pesquisas anteriores já estudaram sobre investimentos, como por exemplo o 
estudo de Trindade e Malaquias (2015) que teve o objetivo de analisar o desempenho 
dos fundos de investimento brasileiros entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2014, 
utilizando como referência a divisão entre fundos de renda fixa e fundos de renda 
variável. O estudo de Borges e Martelanc (2015) teve o objetivo de analisar os 
retornos dos fundos de investimento em ações ativos no Brasil para verificar se 
ocorrem retornos anormais e se esses retornos decorrem da habilidade dos gestores 
ou apenas do fator sorte. 

O crescimento observado no mercado de fundos de investimentos no Brasil 
apresenta uma oportunidade para a realização de estudos sobre este tema. Entre os 
diferentes estilos de fundos existentes no mercado de fundos investimentos, podem- 
se destacar os fundos de renda fixa, os fundos multimercados e os fundos de ações 
(TRINDADE; MALAQUIAS, 2015, p.77) 

Considerando-se a importância do assunto e as oportunidades de pesquisa 
sobre o tema em questão, o presente estudo teve o objetivo de apresentar uma 


145 


análise comparativa da variação das rentabilidades de algumas das principais 
modalidades de investimentos, após o imposto de renda, com o Certificados de 
Depósito Interbancário (CDI), no período de janeiro de 2011 à dezembro de 2015. 
Para isso, foram considerados nesse estudo as seguintes modalidades de 
investimentos, disponíveis no país: caderneta de poupança, fundos de renda fixa, 
fundo de ações, índice Bovespa, ouro, dólar e CDI. 

Para o desenvolvimento da pesquisa, os dados de rentabilidade de cada uma 
das modalidades de investimentos abordadas foram coletados do site do Banco 
Central do Brasil (BACEN). 

Sempre que um investidor toma a decisão de aplicar o seu dinheiro, adquirindo 
um ativo qualquer, ele espera um retorno sobre o investimento que está sendo 
empreendido, entretanto, exposto a um certo grau de risco (ASSAF NETO, 2008). 
Cada ativo, isoladamente, possui um risco individual, sendo preferível ao investidor 
diversificar sua carteira entre várias ações e títulos. Apostar todo o dinheiro em um 
único investimento é muito arriscado. A diversificação permite compensar as perdas 
de uma aplicação com os ganhos de outra. Com base nisso, é importante conhecer a 
rentabilidade das principais modalidades de investimentos disponíveis no Brasil, 


motivo que justifica a relevância do presente estudo. 


2. REVISÃO DA LITERATURA 

A revisão literária visa apresentar os conceitos associados aos investimentos, 
enfatizando as modalidades de investimentos abordadas pela pesquisa. 

2.1 INVESTIMENTOS 

Para Bodie, Kane e Marcus (2015, p. 1), investimento “é o comprometimento 
de dinheiro ou de outros recursos no presente com a expectativa de colher benefícios 
futuros.” 

Grande parte das análises que abordam as potencialidades de crescimento do 
país dão ênfase aos fatores limitantes da expansão da economia: a baixa taxa de 
investimentos, que superou o PIB brasileiro em 18 % somente três anos (1995, 2008 
e 2010). Para que seja sustentado um crescimento do PIB em torno de 5 %, seria 
esperado investimentos estimados em torno de 22 % do PIB (PINHEIRO, 2011). 


146 


3. MODALIDADES DE INVESTIMENTOS 

3.1 POUPANÇA 

A caderneta de poupança é o investimento mais popular entre pessoas de baixa 
renda, além de não haver grandes riscos de perda, é muito fácil e rápido aplicar nessa 
modalidade. “É a aplicação mais simples e tradicional, sendo uma das poucas, senão 
a única, em que se podem aplicar pequenas somas e ter liquidez, apesar da perda de 
rentabilidade para saques fora da data de aniversário” (FORTUNA, 2002, p. 249). 

Segundo Siqueira (2010), existem algumas vantagens de se aplicar na 
caderneta de poupança, entre elas podem ser destacadas: Liquidez imediata; não há 
prazos, porém, valores mantidos a menos de um mês não têm remuneração; 
Transação de baixo risco, ou seja, para os investimentos de até R$ 60.000,00 em uma 
conta poupança, são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito que em caso de 
falência ou liquidação de uma instituição financeira, este valor será coberto; Pessoas 
físicas têm isenção de IR. 

A remuneração da caderneta de poupança segundo o Banco Central do Brasil 
(2013), de acordo com a lei 8.177 de 1º de março de 1.991 é composta por duas 
parcelas: | - Remuneração básica dada pela taxa referencial (TR); Il - Remuneração 
adicional, correspondente a: 0,5 % a.m enquanto a meta da taxa Selic ao ano for 
superior a 8,5 %; ou 70 % da meta da taxa Selic ao ano, de modo mensal, vigente na 
data de início do período do rendimento, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for 
igual ou inferior a 8,5 %. 

O país necessita de medidas que incentivem e fomentem a poupança e elevem 
a eficiência com que essa é intermediada no Brasil (PINHEIRO, 2011). 

3.2 IBOVESPA 

O Índice Bovespa é o mais importante indicador do desempenho médio das 
cotações do mercado de ações brasileiro, uma vez que apresenta o comportamento 
dos principais papéis negociados na Bovespa (FORTUNA, 2002). 

O Ibovespa é o resultado de uma carteira teórica de ativos, elaborada de acordo 
com os critérios estabelecidos em sua metodologia. Aplicam-se ao Ibovespa todos os 
procedimentos e regras constantes do Manual de Definições e Procedimentos dos 
Índices da BM&FBOVESPA. 

É composto pelas ações e units exclusivamente de ações de companhias 
listadas na BM&FBOVESPA que atendem aos critérios de inclusão descritos em sua 
metodologia (BM&FBOVESPA, 2016). 


147 


O objetivo do Ibovespa é ser o indicador do desempenho médio das cotações 
dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações 
brasileiro. O Ibovespa é um índice de retorno total (INFOMONEY, 2016). 

3.3 RENDA FIXA 

A Renda Fixa é uma aplicação na qual o investidor compra títulos de bancos, 
empresas ou do governo e recebe uma rentabilidade que pode ser determinada já no 
momento da aplicação. A rentabilidade será o valor da aplicação, mais os juros pelo 
período em que o dinheiro ficar investido (CERBASI, 2008). Para Varga e Wengert 
(2011), um fundo para ser considerado de renda fixa deve ter a sua carteira composta 
com pelo menos 80% de títulos de renda fixa, e ainda que esses títulos tenham 
dependência das taxas de juros internas (domésticas) ou da inflação. 

De acordo com Siqueira (2010), entre os títulos de Renda Fixa existem os pré- 
fixados e pós-fixados. Os pré-fixados são aqueles em que o valor a ser resgatado é 
definido no momento da aplicação, ou seja, a soma do valor investido mais a taxa de 
juros pré-determinada. Já nos pós-fixados, os investidores só saberão o valor do 
rendimento no momento do resgate, que será a soma do valor aplicado mais a taxa 
de juros pré-determinada e o desconto da taxa inflacionária do período. As aplicações 
em renda fixa são mais indicadas para investidores que não querem correr riscos, e 
gostam de ter noção do quanto vão lucrar, porém, é necessário um pouco de atenção 
na variação da Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), e na inflação, 
pois, influenciam diretamente na rentabilidade. Dependendo dos papéis que forem 
aplicados os ganhos podem ficar acima da Selic. 

Segundo Cerbasi (2008), os investimentos em renda fixa caracterizam se como 
aqueles que geram rendimentos fixos, onde a rentabilidade é previamente 
determinada no momento da aplicação ou no momento do resgate da mesma. Em 
geral o potencial de rendimento proporcionado por tais aplicações são menores que 
os rendimentos de aplicações variáveis, porém os riscos de perda também são 
menores. Esse tipo de aplicação é geralmente procurado por investidores mais 
conservadores, que não querem arriscar seu dinheiro. 

A vantagem de se investir em renda fixa é que os riscos são pequenos, porém, 
eles existem, pode ocorrer que o emissor deixe de cumprir a obrigação, falência, ou 


ainda se torna inviável se os juros e a inflação caírem (SIQUEIRA, 2010). 


148 


3.4 RENDA VARIÁVEL 

A renda variável depende de eventos futuros expostos ao mercado através de 
seu risco, oferta e demanda, possibilitam ganhos maiores, e em contrapartida, os 
riscos de perda são bem maiores também. São classificados como instrumentos de 
renda variável, aqueles produtos cujos rendimentos não são conhecidos ou não 
podem ser determinados, pois dependem de eventos futuros. O exemplo mais comum 
de renda variável são as ações (ABREU, 2012). 

Para que um fundo seja classificado como de renda variável, ou seja, fundo de 
ações, a sua composição deve ter investimentos de no mínimo 67 % do seu 
patrimônio em ações negociadas na Bolsa de Valores ou mercado de balcão 
organizado (MATOS; NAVE, 2012). Conforme Faria (2003), os títulos de renda 
variável “são ações de empresas nacionais e multinacionais e as debêntures 
conversíveis em ações.” 

“Os fundos de renda variável são mencionados pelo mercado financeiro como 
sendo voláteis, em virtude de apresentarem a impossibilidade de determinar a 
rentabilidade futura do investimento” (TRINDADE; MALAQUIAS, 2015, p. 81). 

3.5 DÓLAR 

“Dólar comercial é a cotação da moeda norte-americano (US$) com paridade 
na moeda brasileira (R$), usado como parâmetro de pagamento nas transações 
com exportações e importações de produtos do e para o Brasil” (IPEA, 2016). 

“O mercado de câmbio é aquele que envolve a negociação de moedas 
estrangeiras e as pessoas interessadas em movimentar essas moedas” (FORTUNA, 
2002, p. 305). Entre as moedas estrangeiras, tem-se o dólar, apresentado como uma 
das modalidades de investimento abordadas pelo presente estudo. 

As operações de câmbio no país não podem ser praticadas livremente, 
precisam ser dirigidas por meio de estabelecimento bancário com devida autorização 
para operar em câmbio (FORTUNA, 2002). 

3.6 OURO 

De acordo com Fortuna (2002), o mercado de ouro integra o grupo de mercado 
de risco, pois as suas cotações variam de acordo com a lei da oferta e da procura, 
bem como influenciados por fatores exógenos ao mercado. 

Ativo internacionalmente aceito, o ouro é uma alternativa de investimento para 
quem busca rentabilidade, segurança e proteção. A negociação do ouro como produto 
financeiro no Brasil é realizada na BM&FBOVESPA, sob forma de lingotes de ouro 


149 


fino, fundido por empresa refinadora e custodiado em instituição depositária, ambas 
credenciadas pela BM&FBOVESPA (EMPIRICUS, 2016). 
Segundo FORTUNA (2002, p. 491): 


No Brasil, o maior volume de comercialização de ouro se faz através da Bolsa 
de Mercadorias e Futuros (BM&F), que é a única no mundo que comercializa 
ouro no mercado físico. As cotações do ouro, no exterior, são feitas em 
relação à onça troy, que equivale a 31,104g. No Brasil, a cotação é feita em 
reais por grama de ouro puro. O preço do ouro, no Brasil, vincula-se, 
historicamente, às cotações de Londres e Nova York, refletindo, portanto, as 
expectativas do mercado internacional. Sofre, entretanto, influência direta das 
perspectivas do mercado interno e, principalmente, das cotações do dólar 
flutuante. Assim o preço interno é calculado diretamente segundo as 
variações do preço do dólar no mercado flutuante e dos preços do metal na 
bolsa de Nova York. 


O preço do grama do ouro em reais, calculado a partir do preço da onça em 
dólares (pela cotação do dólar flutuante) fornece um referencial de preços. 
Tradicionalmente, a cotação da BM&F mantém a paridade com este valor referencial 
variando 2 %, em média, para baixo ou para cima (EMPIRICUS, 2016). 

Segundo FORTUNA (2002, p. 492): 


Existem dois tipos de investidores no mercado de ouro no Brasil: o investidor 
tradicional, que utiliza o ouro como reserva de valor, e o especulador, que 
está à procura de ganhos imediatos e de olho na relação ouro/dólar/ações 
procurando a melhor alternativa do momento. 


Atualmente, há dois mercados no Brasil para o ouro, o mercado de balcão e o 
mercado spot nas bolsas. No mercado de bolsas, trocam se certificados de 
propriedade. Em qualquer caso, a responsabilidade pela qualidade do metal é da 
fundidora e não do banco, que é apenas o depositário (EMPIRICUS, 2016). 

3.7 CDB E CDI 

As instituições financeiras disputam no mercado os recursos disponíveis para 
captação. Devido à volatilidade das taxas dos diferentes papéis em mercado, os 
recursos financeiros disponíveis estarão procurando as melhores aplicações, quer 
seja em CDB, LC ou Li. 

CDB significa Certificado de Depósito Bancário. Esses certificados são títulos 
que os bancos emitem para captar dinheiro das pessoas. Dessa forma, o banco 
remunera com juros, que varia de acordo com o valor emprestado, a quem emprestou 
(FORTUNA, 2002). De forma a garantir uma distribuição de recursos que atenda ao 
fluxo de recursos demandados pelas instituições, foi criado, em meados da década 
de 1980, o Certificados de Depósitos Interbancários (CDI). 


150 


Para Fortuna (2002), os Certificados de Depósitos Interbancários são os títulos 
de emissão das instituições financeiras monetárias e não-monetárias, que lastreiam 
as operações do mercado interbancário. Suas características são idênticas às de um 
CDB, mas sua negociação é restrita ao mercado interbancário. Sua função é, portanto, 
transferir recursos de uma instituição financeira para outra. Em outras palavras, para 
que o sistema seja mais fluido, quem tem dinheiro sobrando empresta para quem não 
tem. Existem basicamente 2 tipos de CDBs: Os pré-fixados e os pós-fixados. O CDB 
Pré-Fixados, o investidor sabe exatamente quanto irá receber no 
vencimento. Exemplo: um título que possui uma taxa pré-fixada de 10 % a.a. significa 
que o investidor receberá exatamente 10 % ao ano ao emprestar um valor X. 

O CDB Pós-fixados, o investidor receberá um valor de acordo com o indexador. 
No geral, é utilizado o valor do CDI como base para o CDB. CDI é medido de acordo 
com o valor médio diário que os bancos emprestam dinheiro entre si. Exemplo: O 
investidor investe em um CDB que paga 95 % do CDI. Se o CDI estiver pagando 10 % 
ao ano, o investimento em CDB irá render 9,5 % ao ano. O investidor não deve se 
esquecer que o CDI pode variar anualmente (Infomoney, 2016). 

As operações se realizam fora do âmbito do Banco Central, tanto que, neste 
mercado, não há incidência de qualquer tipo de imposto, as transações são fechadas 
por meio eletrônico e registradas nos computadores das instituições envolvidas e nos 
terminais da Câmara de Custódia e Liquidação (CETIP) (FORTUNA, 2002). 

A maioria das operações CDI é negociada por um só dia, como no antigo 
overnigh (FORTUNA, 2002). Portanto, pode-se definir como sua função manter a 
fluidez do sistema, ou seja, quem tem dinheiro em excesso empresta para quem 
estiver precisando. 

Apesar disso, tem as vantagens de ser rápido, seguro e não sofrer nenhum tipo 
de taxação. Agora, os CDI's também podem ser negociados em prazos mais dilatados 
e com taxas pré-fixadas e pós-fixadas. Os Certificados de Depósitos Interbancários 
negociados por um dia, também são denominados Depósitos Interfinanceiros e detém 
a característica de funcionarem como um padrão de taxa média diária, a CDI over. As 
taxas do CDI over vão estabelecer os parâmetros das taxas referentes às operações 
de empréstimos de curtíssimo prazo, conhecidas como hot money que embuste, na 
maioria dos casos, o custo do CDI over acrescido de um spread mínimo, além do 
custo do PIS (FORTUNA, 2002). 


151 


A taxa média diária do CDI é utilizada como parâmetro para avaliar a 
rentabilidade de fundos, como os Dl, por exemplo. O CDI é utilizado para avaliar o 
custo do dinheiro negociado entre os bancos, no setor privado e, como o CDB 
(Certificado de Depósito Bancário), essa modalidade de aplicação pode render taxa 
de prefixada ou pós-fixada. 

Como o CDI quantifica o custo do dinheiro para os bancos em um determinado 
dia, ele é utilizado pelo mercado como parâmetro para fundos de renda fixa e DI. O 
CDI é usado também como parâmetro para operações de Swap (contrato de troca de 
qualquer tipo, seja ele de moedas, commodities ou ativos financeiros), na Bolsa de 
Mercadoria & Futuros (BM&F) para o ajuste diário do Dl futuro (ANBID, 2016). 


4. METODOLOGIA 

O presente estudo teve o objetivo de apresentar uma análise comparativa da 
variação das rentabilidades de algumas das principais modalidades de investimentos, 
após o imposto de renda, com o Certificados de Depósito Interbancário (CDI), no 
período de janeiro de 2011 a dezembro de 2015. Para isso, foram considerados nesse 
estudo as seguintes modalidades de investimentos, disponíveis no país: caderneta de 
poupança, fundos de renda fixa, fundo de ações, índice Bovespa, ouro, dólar e CDI. 

Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, que adotou metodologia 
descritiva para o seu desenvolvimento. 

Os dados de rentabilidade dos investimentos foram coletados do site do Banco 
Central do Brasil (BACEN), abordando o período de janeiro de 2011 à dezembro 
de 2015. 

A seguir, são apresentadas as premissas básicas para o desenvolvimento do 
estudo: O capital ficou aplicado de janeiro de 2011 à dezembro de 2015; Alíquota de 
Imposto de Renda de 15 % para ganho de bens de capital; Alíquota de Imposto de 
Renda de 15 % para fundos de investimento conforme tabela regressiva versus prazo 
de aplicação; Índices extraídos do Banco Central; Taxa de administração dos fundos, 
corretagem e demais tarifas já excluídos da rentabilidade. 


O Imposto de Renda foi calculado, de acordo com a fórmula: 





IR = Alíquota x (Montante Final — Montante Inicial) Equação (1) 














152 


A análise comparativa de dados de rentabilidade dos investimentos foi 
realizada com o auxílio de planilhas do Microsoft Excel, para possibilitar uma visão 
mais abrangente das rentabilidades de cada uma das modalidades de investimentos 


estudadas, ao longo do período abordado pela pesquisa. 


5. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS 

O presente tópico apresenta e discute os resultados da presente pesquisa, 
desenvolvido com o objetivo de comparar a variação das rentabilidades de algumas 
das principais modalidades de investimentos, após o imposto de renda, com o 
Certificados de Depósito Interbancário (CDI), no período de janeiro de 2011 à 
dezembro de 2015. 

Como premissa de investimento, tomou-se como base um montante de 
R$ 100.000,00 (cem mil reais) aplicados no mês de janeiro de 2011, e permanecendo 
investido até dezembro de 2015. Ressalta-se que todas as rentabilidades dos 
investimentos estão líquidas do imposto de renda, taxas de administração, 
entre outras. 

A seguir, é apresentada uma Tabela Resumo (Tabela 1), que torna possível 
analisar comparativamente os rendimentos dos investimentos de cada uma das 
modalidades de investimentos, disponíveis no país, considerados pela presente 
pesquisa. A primeira coluna apresenta cada um dos meses abordados pela pesquisa. 
A segunda coluna contempla a taxa percentual mensal da rentabilidade da caderneta 
de poupança, seguida da terceira coluna que apresenta o valor do saldo da poupança 
em cada um dos meses. Na sequência das colunas, são apresentadas as taxas 
mensais e os respectivos saldos de cada uma das modalidades de investimentos 
(Ibovespa, fundo de renda fixa, fundo de ações, dólar e ouro). Por fim, as penúltimas 
e últimas colunas apresentam a taxa mensal de rendimentos e os saldos em cada um 
dos meses do investimento na modalidade CDI. A última linha da Tabela totaliza as 
rentabilidades acumuladas no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2015 de 
cada uma das modalidades de investimento, permitindo o comparativo entre cada uma 
delas com o CDI. 

De acordo com a Tabela 1, tem-se que o maior valor líquido, ou seja, 
rentabilidade do período abordado pelo estudo, de 2011 a 2015, foi de R$ 199.723,42, 
representada pelo dólar comercial. É observado que o investimento em dólar 


153 


apresentou a maior rentabilidade, ou seja, mostrou-se mais vantajoso em relação aos 
demais investimentos, principalmente devido à desvalorização do Real em 2015. 

A valorização do dólar frente ao Real ocorreu principalmente a partir de 
setembro de 2014, em contrapartida é observada a acentuada desvalorização do 
Ibovespa, totalizando R$ 62.540,73 acumulado no período. 

Em termos de rentabilidade, a segunda posição após o dólar foi a caderneta de 
poupança, que totalizou uma rentabilidade de R$ 140.833,72, acumulada no período. 
Como a poupança é um investimento isento de imposto de renda e de taxa de 
administração após a tributação dos investimentos de acordo com a lei vigente, a 
poupança apresentou o segundo melhor resultado, ficando atrás apenas dos 
investimentos indexados ao dólar. 

Os fundos de ações e fundo multimercado totalizaram uma rentabilidade de 
R$ 68.954,56 e $ 140.198,04, respectivamente, ficando abaixo do CDI que totalizou 
R$ 164.092,68 no período. 

Esse resultado contraria a menção de Borges e Martelanc (2015, p. 197): “O 
sucesso dos fundos está na oferta de um serviço especializado para gestão de 
patrimônio, e a promessa de retornos esperados superiores ou anormais.” 

O ouro totalizou uma rentabilidade de R$ 140.491,17, acumulado no período, 
ficando abaixo do dólar (R$ 199.723,42), do CDI (R$ 164.092,68) e da caderneta de 
poupança (R$ 140.833,72). 


154 


Tabela 1: Rendimentos dos mvestimentos de jan. 2011 a dez. 2105 no valor de R$100.000.00 
7828 — Dep.Poupança| 7832 - Ibovespa —|7833 - Fundo BB-|7834-Fundos deações| 7831 -  Dólar| 7830 Ouro 
até 03.05.2012 | Variação % mensal - Rentabilidade | comercial - | Variação % mensal 
Rentabilidade m. Variação % mensal 


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0.5719 [100,571.90 100.840.00 |-1.28 [98,720.00 [0.72 [100,720.00 |-939 [90.610,00 
0.5527 [10112776 [122 [9723193 [0.83 [10167697 0.73 [9998474 [552 [9561167 


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0.5371 [102,303.11 |-358 [9542917 [08  [103,423.05 34 [9469219 [14 [9695024 03,505.13 

0.6578 | 102976.06 93.243.84 104.436.60 96 

15 


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dez'1l |0.5942 [10745029 [-021 [8188979 [091 [11157134 [2.64 [9284333 
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98,876.24 13,858.26 
mail) [0547 [11045308 |-1186 [7861423 [122 [117,77149 |-56 [9333917 15.979.62 
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7.29 | 104,659.48 12,586.89 
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109,658.34 116,712.06 [0.81 [11433874 
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18,965 .42 
outi2 [0.5 [11327247 |-356 [8233380 [13 [12331237 |-004 [9751534 [003 [12224838 |-2.76 | 13744652 0.61 | 

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fevi3 [05  [115,55497 |-391 8284899 ]007 | 125,395.18 [0.59 |100,487.14 |-0.65 | 11889109 |-654 [12197012 [0.48 | 12227309 | 
mari3 [05 | 116,13274 ]-187  ]81,299.71 [031 [125,78390 [004 [100,52733 [194 [12119758 [3.5 [12623907 [0.54 [12293337] 
abr13 [0.5 [11671341 ]-078 [8066557 [093 [12695369 [131 [10184424 ]|-06 [12047040 |-821 [11587485 [0.6 [12367097 | 





148 


5 
: 


7832 - Ibovespa -|7833 - Fundo BB-|7834-Fundos deações| 7831  -  Dólar/7830 - Ouro -/4391 - Taxa de 
Variação % mensal extramercado — Rent. | - Rentabilidade | comercial —| Variação Y% mensal | juros - CDI açum. 
Acum. % am. acumulada - % am. Variação “% mensal ês Yam. 


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28.770.13 670.88 34,203.82 |-12.88 | 114,668.68 127,780.84 


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86 | 136.123.85 
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[dez'i5 |0.7261/140,833.72 |-393 |62,540.73 [121 [16493887 |-8.55 |81,12301 [141 [23496873 [2.65 | 165,283.73 | 1.16 | 164,092.68 | 
[C)IRenda [| oo ASA To i5% |. 2474083 [15% — |- 12,168.45]15% |- 35,24531/15% |-2479256 [| [o 
GO YrLig) [14083372 | 16254073 | | [14019804 | [6895456 | | [19972342] [14049117 | [16409268 | 


0. 70 


1.05 


1 


a 


76 
E 
17 
5 

2 
- 
3 
17 
17 





149 


Exceto o investimento em dólar, nenhum outro investimento superou a 
rentabilidade do CDl, que apresentou rentabilidade acumulada no período de 
R$ 164.092,68. 

Comparativamente, o estudo de Trindade e Malaquias (2015) indicaram que os 
fundos de renda variável conseguiram alcançar médias de rentabilidade um pouco 
superiores em relação aos fundos de renda fixa, proporcionado, especificamente, 
pelos resultados alcançados pelos fundos multimercado. Ao se fazer comparação 
entre os fundos de renda fixa e os fundos de ações, foi observado que os primeiros 
apresentaram rentabilidade média superior, o que talvez possa ser explicado pela 
menor volatilidade de suas rentabilidades. 


6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Este trabalho teve o intuito de apresentar uma análise comparativa da variação 
das rentabilidades de algumas das principais modalidades de investimentos com o 
Certificados de Depósito Interbancário (CDI), no período de janeiro de 2011 à 
dezembro de 2015. Para isso, foram considerados nesse estudo as seguintes 
modalidades de investimentos: caderneta de poupança, fundos de renda fixa, fundo 
de ações, índice Bovespa, ouro, dólar e CDI. Foi realizada análise e comparação entre 
essas modalidades de investimentos e o acumulado do CDI neste período, 
demonstrando seus respectivos rendimentos. 

Cada investimento é caracterizado por um nível de risco, um percentual de 
rendimento, e diferentes taxas e impostos. Os investimentos mais arriscados são os 
de renda variável, como investimentos em índice Bovespa, ações, opções e mercados 
futuros e os menos arriscados são os investimentos de rendimento fixo como 
caderneta de poupança e fundos de renda fixa, que possuem liquidez imediata. 

Como resultado, observou-se que o investimento em dólar apresentou a maior 
rentabilidade, ou seja, mostrou-se mais vantajoso em relação aos demais 
investimentos, no período abordado pelo estudo, principalmente devido à 
desvalorização do Real em 2015. A alta valorização do dólar frente ao real é 
caracterizado pela crise econômica atual, sendo considerada uma anomalia do 
mercado. Serão necessários estudos futuros a fim de se observar se esta tendência 
de valorização é constante, ou se foi apenas um momento econômico. 

Os investimentos de renda variável, apesar de oferecerem mais riscos aos 


investidores em geral, são os que geralmente oferecem melhores resultados. Porém, 


150 


não foi o que ocorreu no período de 2011 a 2015, conforme os resultados 
apresentados na presente pesquisa. 

A caderneta de poupança é isenta de imposto de renda e taxas de 
administração, o que possibilitou uma melhor rentabilidade entre os investimentos 
estudados, com exceção do investimento em dólar, que foi o único investimento que 
superou a rentabilidade do CDI. 

De acordo com a teoria, quanto maior o risco, maior deve ser o retorno obtido, 
este estudo foi contra a teoria vigente pois a caderneta de poupança apresentou o 
maior retorno com o menor risco conceitual. 

É importante ressaltar que a rentabilidade do passado não é fator de garantia 
de rentabilidades futuras. Com base nisso, ressalta-se que a presente pesquisa 
apresentou um comparativo de algumas das principais modalidades de investimentos 


disponíveis no Brasil, num período de tempo específico. 


151 


REFERÊNCIAS 


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desempenho de fundos de investimento de renda fixa e renda variável. Revista Auditoria 
Governança e Contabilidade, v. 3, n. 5, 2015. 


153 


CAPÍTULO 11 


DEMANDAS MOTIVACIONAIS DOS EMPREGADOS EM UMA REVENDEDORA DE 
VEÍCULOS. 


Macário Neri Ferreira Neto 

Doutorando em Administração de Empresas pelo Programa de Pós-graduação de 
Administração 

Instituição: Universidade de Fortaleza - UNIFOR 

Endereço: Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz, CEP: 60811-905 — 
Fortaleza/CE, Brasil 

E-mail: macario(dmacario ferreira(Dhotmail.com 


Jéssyca Lages de Carvalho Castro 

Doutoranda em Administração de Empresas pelo Programa de Pós-graduação de 
Administração 

Instituição: Universidade de Fortaleza - UNIFOR 

Endereço: Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz, CEP: 60811-905 — 
Fortaleza/CE, Brasil 

E-mail: jessycalcastro(Dgmail.com 


Renata Torquato de Araújo Pitombeira 

Mestranda em Administração de Empresas pelo Programa de Pós-graduação de 
Administração 

Instituição: Universidade de Fortaleza - UNIFOR 

Endereço: Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz, CEP: 60811-905 — 
Fortaleza/CE, Brasil 

E-mail: renatatorquatoaraujo(Dgmail.com 


Samara Renata Victor da Silva 

Graduanda em Administração de Empresas Instituição: Faculdade Uninassau 
Mossoró 

Endereço: Av. João da Escóssia, s/n, Nova Betânia, CEP: 59607-330, Mossoró/RN, 
Brasil 

E-mail: samararenata2015(Dhotmail.com 


Franciclei de Rocha 

Graduanda em Administração de Empresas 

Endereço: Av. João da Escóssia, s/n, Nova Betânia, CEP: 59607-330, Mossoró/RN, 
Brasil 

Instituição: Faculdade Uninassau Mossoró 

E-mail: cleidinha201 5rocha(Dhotmail.com 


RESUMO: Valores são conceitos que orientam o comportamento do indivíduo e que 
demandam ações que satisfaçam seus objetivos, ademais, o funcionário motivado 
tende a render melhor. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é identificar as 
demandas que motivam os empregados de uma revendedora de veículos. A pesquisa 
é de abordagem quantitativa, explicativa, com amostragem por conveniência, 


154 


utilizando-se de pesquisa bibliográfica e aplicação de questionários junto aos 
funcionários da empresa. A análise foi efetuada com o uso de instrumentos 
estatísticos. Como resultados, constatou-se que os funcionários demandam por mais 
autonomia e controle na execução das atividades e por um clima organizacional mais 
harmônico, e menos por necessidade de reconhecimento e prestígio social. 


PALAVRAS-CHAVE: Motivação. Valores. Valorização do empregado. Valores 
motivacionais. 


ABSTRACT: Values are concepts that guide the behavior of the individual and 
demand actions that satisfy their goals, in addition, the motivated employee tends to 
yield better. In this sense, the objective of this paper is to identify the demands that 
motivate the employees of a car dealer. The research is quantitative, explanatory 
approach, with convenience sampling, using bibliographic research and 
questionnaires with company employees. The analysis was performed using statistical 
instruments. As a result, it was found that employees demand more autonomy and 
control in the execution of activities and a more harmonious organizational climate, 
and less for the need for recognition and social prestige. 


KEYWORDS: Motivation. Values Appreciation of the employee. Motivational values. 


1. INTRODUÇÃO 


O ser humano através de seu desenvolvimento intelectual passa a reconhecer 
necessidades e como buscar satisfazê-las de forma que aprendeu em seu meio, e 
com sua socialização torna-se capaz de comunicar essas necessidades (OLIVEIRA; 
TAMAYO, 2004). Neste sentido, valores são construções psicológicas inerentemente 
ligados à personalidade, motivação e comportamento (LINDEMAN; VERKASALO, 
2005). 

Como consequência, os valores vêm sendo estudados desde muito tempo, 
porém, cientificamente começou quando em 1928, na Alemanha, onde se produziu 
uma espécie de esquema para mensurar os estudos dos valores e da personalidade 
(TAMAYO; PORTO, 2009). 

Entretanto, Schwartz (1992) apresentou uma teoria com proposta unificadora 
dos valores humanos, a qual estava estruturada em categorias de valores 
motivacionais, onde as pessoas apresentam elevado interesse para os tipos 
adequados e desejados e, baixa prioridade para os conflitivos. Além de proposições 
sobre o conteúdo universal de valores, a teoria especificava um conjunto de relações 


dinâmicas entre os tipos de valores motivacionais. 


155 


Neste contexto, valores podem ser definidos como convicções que orientam a 
forma que as pessoas avaliam eventos e indivíduos por meio de critérios e ordenados 
por ordem de importância (SCHWARTZ, 1999). Ademais, “os valores pessoais 
pautam os valores organizacionais e do trabalho, indicando comportamentos que 
podem ser funcionais, ou não, no que diz respeito aos objetivos organizacionais” 
(PAIVA; DUTRA, 2017, p. 45). 

Portanto, os valores humanos são motivados por concepções pessoais que 
guiam o comportamento do indivíduo proporcionando que se integrem aos valores das 
organizações, podendo estar relacionado a objetivos específicos da vida do indivíduo, 
formando estruturas onde ambos dividem objetivos que satisfaçam as necessidades 
básicas dos indivíduos (OLIVEIRA; TAMAYO, 2004; PORTO; TAMAYO, 2007). 

Atualmente, existem diversas teorias e estudos que buscam um modelo que 
represente de forma mais fidedigna os valores que motivam as pessoas a tomar 
decisões. Por conseguinte, este trabalho está fundamentado na Teoria dos Valores 
de Schwartz (1992, 1999 e 2012), e buscou responder a seguinte problemática: quais 
as demandas motivacionais dos empregados em uma revendedora de veículos no 
município de Mossoró? 

O objetivo principal desta pesquisa é verificar as demandas motivacionais dos 
empregados de uma empresa do ramo automotivo na cidade de Mossoró. 

A pesquisa se justifica pela carência de estudos a nível organizacional sobre 
as demandas dos empregados junto as empresas. Este trabalho tem abordagem 
quantitativa, explicativa, com amostragem por conveniência, utilizando-se de pesquisa 
bibliográfica e aplicação de questionários para medição de atitude, do tipo escala 
Likert, junto aos funcionários da empresa. A análise foi efetuada com o uso de 
instrumentos estatísticos. 

Espera-se contribuir para o mercado com informações sobre as demandas dos 
funcionários, nem sempre manifestadas de forma direta, e para ampliar a discussão 


em torno da teoria e sua aplicabilidade no contexto organizacional. 


2. VALORES E MOTIVAÇÃO 

Os valores são representações universais de três requisitos cognitivo do 
indivíduo: as necessidades biológicas, requisitos para interações sociais e demandas 
em busca do bem-estar e subsistência do grupo (SCHWARTZ; BILSKY, 1987). 


156 


Mais ainda, valores são conceitos ou crenças, sobre estados ou 
comportamentos desejáveis, que superam situações específicas e direcionam para 
escolha ou avaliação de comportamentos e eventos e são ordenados por importância 
relativa (SCHWARTZ; BILSKY, 1987). Assim sendo, os valores culturais são a 
representação do bom e do correto que a sociedade almeja, onde esses valores são 
a base que orienta as pessoas sobre como agir nas diversas situações, refletindo no 
ambiente de trabalho, como a cooperação entre os trabalhadores em desfavor a 
individualidade (OLIVEIRA; TAMAYO, 2004). 

Deste modo, os valores possuem seis características principais inerentes a 
todos. O que difere os dois é o tipo de motivação ou objetivo que ele expressa 
(SCHWARTZ, 2012): Valores são crenças ligadas indissociavelmente ao afeto; 
Valores referem-se a metas desejáveis que motivam a ação; Os valores transcendem 
ações e situações específicas; Os valores servem como padrões ou critérios; Os 
valores são ordenados por importância em relação um ao outro; A importância relativa 
de múltiplos valores orienta a ação. 

Por conseguinte, entende-se por valores organizacionais as representações 
mentais repartidas pelos membros de uma organização, que trabalham no mesmo 
ambiente, sobre os conceitos que orientam as práticas corporativas (PORTO; 
FERREIRA, 2016). Inclusive, os valores relativos as atividades trabalhistas, podem ser 
conceituados como concepções sobre as recompensas, que os indivíduos perseguem 
mediante seu trabalho na busca de cumprir os objetivos propostos pela empresa, bem 
como valores estão relacionados ao comportamento das pessoas e suas decisões no 
trabalho (PORTO; TAMAYO, 20083). 

Na revisão de sua teoria, Schwartz (1992) elencou dez tipos de valores 
motivacionais, amplos de acordo com a motivação subjacente a cada um deles, 
fundamentados em requisitos universais. O Quadro 1 apresenta os dez tipos de 
valores motivacionais, que demonstram a estrutura motivacional do sujeito, composta 
por conjuntos motivacionais, ao que parece, presente em pessoas de todas as 
culturas (TAMAYO; PASCHOAL, 2003). 


157 


Quadro 1 — Tipos motivacionais de valores. 





Tipos Objetivos 





Autodeterminação | O objetivo definidor desse tipo de valor é o pensamento e a ação 
independentes, criando, explorando. 





























Estimulação O objetivo motivacional dos valores de estimulação é emoção, 
novidade e desafio na vida. 

Hedonismo O objetivo motivacional desse tipo mais nitidamente como prazer ou 
gratificação sensual para si mesmo (prazer, curtir a vida). 

Realização O objetivo definidor desse tipo de valor é o sucesso pessoal, 
demonstrando competência de acordo com os padrões sociais. 

Poder O objetivo central é a obtenção de status e prestígio social e controle 
ou domínio sobre pessoas e recursos. 

Segurança O objetivo motivacional desse tipo de valor é segurança, harmonia e 
estabilidade da sociedade, dos relacionamentos e da própria pessoa. 

Conformidade O objetivo é a restrição de ações e impulsos suscetíveis de perturbar 
ou prejudicar os outros e violar as expectativas ou normas sociais. 

Tradição O objetivo da tradição é respeito, comprometimento e aceitação dos 
costumes e ideias que a cultura ou religião impõe ao indivíduo. 

Benevolência O objetivo da benevolência é a preservação e o aprimoramento do bem- 
estar das pessoas que se mantém contato pessoal frequente. 

Universalismo O objetivo motivacional do universalismo é compreender, valorizar, 








tolerar e proteger o bem-estar de todas as pessoas e a natureza. 








Fonte: Schwartz (1992). 


Embora a teoria discrimine dez valores, postula que, em um nível mais básico, 
valores formam um continuum de motivações relacionadas. Esse continuum dá origem 
a uma estrutura circular. Para esclarecer a natureza do continuum, observo as ênfases 
motivacionais compartilhadas de valores adjacentes (SCHWARTZ, 2012, p. 9): poder 
e realização - superioridade e estima social; realização e hedonismo - satisfação 
egocêntrica; hedonismo e estimulação - desejo de excitação afetivamente agradável; 
estímulo e autodeterminação - interesse intrínseco pela novidade e domínio; 
autodeterminação e universalismo - confiança no próprio julgamento e conforto com a 
diversidade da existência; universalismo e benevolência - aprimoramento de outros e 
transcendência de interesses egoístas; benevolência e tradição - devoção ao próprio 
grupo; benevolência e conformidade - comportamento normativo que promove 
relacionamentos íntimos; conformidade e tradição - subordinação do eu em favor do 
imposto socialmente expectativas; tradição e segurança - preservando os arranjos 


A 


sociais existentes que garantem segurança à vida; conformidade e segurança - 


158 


proteção da ordem e harmonia nas relações; segurança e poder - evitando ou 
superando ameaças, controlando relacionamentos e recursos. 

A motivação existe a partir de uma ação que busca satisfazer a necessidade 
intrínseca e única do indivíduo, encontrando nas emoções sua fonte de energia, sendo 
compreendido como algo interno de cada um, ou seja, motivo é a necessidade, e os 
fatores de motivação estão externos ao sujeito, podendo ou não satisfazer essas 
necessidades (BERGAMINI, 1990; MATA; COLTRE, 2007). Neste sentido, “o objetivo 
motivacional é perseguido a cada momento de forma diferente e a direção dessa busca 
será prioritariamente determinada por um fator interno, individual e, na maioria das 
vezes, permanente” (BERGAMINI, 1990, p. 33). 

Porquanto, Lobos (1975), conceitua motivação se utilizando de quatro 
elementos: a) motivos são condições derivadas de um objetivo; b) objetivo é a 
finalidade que conduz e orienta a satisfação de uma necessidade; c) valor, neste caso 
inerente a cada indivíduo; e, d) condições temporárias, ou seja, os motivos não são 
permanentes. 

Assim sendo, as organizações ao invés de buscar meios de motivar seus 
funcionários, deveriam demandar estratégias que visam impedir a desmotivação 
daqueles que chegaram motivados quando contratados pelas empresas 
(BERGAMINI, 1990). 


3. DEMANDAS DO EMPREGADO 

Os pleitos do funcionário no ambiente laboral estão fundamentados no 
tratamento e respeito recebido da empresa, e nas oportunidades encontradas para 
satisfazer suas necessidades, atingindo seus objetivos, seja por intermédio de suas 
competências, conhecimento, experiência no trabalho ou de sua intensidade 
laborativa (TAMAYO; PASCHOAL, 2003). Portanto, “a ideia de motivação no ambiente 
organizacional está intimamente ligada à concepção que se tem a respeito da 
percepção do empregado relativamente à tarefa ou atividade que este executa” 
(GOMES; QUELHAS, 2008, p. 9). 

Neste sentido, para Oliveira e Tamayo (2004), a organização é uma 
coletividade que para sobrevir precisar superar alguns impasses: a) conciliar os 
interesses individuais e coletivos devido a capacidade existente de conflitos internos; 
b) estabelecer uma estrutura que proporcione o cumprimento dos objetivos da 


159 


empresa; e, c) incorporar na organização uma relação com o meio ambiente físico e 
social. 

Para Tamayo e Paschoal (2003), a forma ideal de valorizar o empregado é 
oferecer-lhe condições e oportunidades para que ele possa se realizar pessoalmente. 
O Quadro 2 apresenta algumas formas de valorizar o trabalhador conforme seus 


objetivos e interesses. 


Quadro 2 —- Demandas motivacionais do empregado. 





Demanda Perspectiva de valorização 





Autodeterminação | Autonomia na execução das tarefas, controle na execução do trabalho. 





























Estimulação Trabalho interessante, variado, desafiador, criativo. 

Hedonismo Atividades prazerosas associadas ao trabalho. 

Realização Treinamento, desenvolvimento profissional, promoções e avanços na 
carreira, gerenciamento do desenvolvimento profissional. 

Poder Prestígio dos papeis e tarefas laborais, participação nas decisões, 
reconhecimento do mérito. 

Segurança Estabilidade no emprego, transparência, seguro médico. 

Conformidade Socialização organizacional, supervisão adequada, sistema de 
controle eficiente e justo, redução da incerteza do comportamento. 

Tradição Normas claras e precisas, divulgação de informações relacionadas 
ao trabalho. 

Benevolência Proteção familiar, atividades que envolvem a família. 

Universalismo Clima organizacional harmônico, respeito à natureza. 














Fonte: Tamayo e Paschoal (2008, p. 46). 


Para uma organização é uma tarefa difícil fomentar, estimular a motivação em 
seus colaboradores. Melhorar processos, automatizar a produção, novos sistemas de 
gestão, pode até trazer vantagens na competição acirrada do mercado, somente com 
funcionários motivados a empresa poderá ter sucesso (GOMES; QUELHAS, 2003). 
Na Figura 1, tem-se a demonstração de um modelo de diagnóstico. 


160 


Figura 1 - Vantagens do diagnóstico motivacional. 





Diagnósticos das causas de baixa motivação 


evita Possibilita 
y Y 


Busca da solução do problema 
motivacional por meio da correção 
dos efeitos da baixa motivação 














Decisões voltadas à remoção das 
causas da baixa motivação 





o que gera O que proporciona 





Custos desnecessários e frustração Aumento da produtividade e da 
de expectativas competitividade 








Fonte: Gomes e Quelhas (2008, p. 24) 


Antes de implementar qualquer programa que traga motivação, como forma de 
melhorar a satisfação e aumentar a produtividade para seus funcionários, o adequado 
seria elaborar um diagnóstico adequado para que se evite custos desnecessários e 
para que os programas tragam realmente benefícios que satisfação e motivem os 
empregados (GOMES; QUELHAS, 2003). 

Por conseguinte, “a melhor forma de manejar o conceito de motivação é 
relacioná-lo ao significado que as pessoas dão ao seu trabalho e como essa relação 
acontece descobrindo suas visões, valores e comportamentos frente ao 
desenvolvimento de sua atividade” (MATA; COLTRE, 2007, p.4). Portanto, motivar 
deve fazer parte de qualquer estratégia organizacional, tendo em vista a importância 
de ter funcionários dedicados e comprometidos com o futuro da empresa. 

3.1 QUESTIONÁRIO DE PERFIS DE VALORES (QPV) 

O QPV é um questionário que inclui retratos verbais curtos de 40 pessoas 
diferentes, correspondentes ao gênero e ao entrevistado. Cada retrato descreve os 
objetivos, aspirações ou desejos de uma pessoa que apontam implicitamente para a 
importância de um valor. Por exemplo: “Pensar em novas ideias e ser criativo é 
importante para ele. Ele gosta de fazer as coisas à sua maneira original, descreve uma 
pessoa para quem os valores de autodeterminação são importantes. É importante para 
ele ser rico. Ele quer ter muito dinheiro e coisas caras descreve uma pessoa que 
aprecia o poder valores (SCHWARTZ, 2012). 


161 


Para cada item o indivíduo responde conforme as seguintes alternativas: “não 


” [ ” [7 ” [7 


se parece nada comigo”, “não se parece comigo”, “se parece pouco comigo”, “se 


” 


parece mais ou menos comigo”, “se parece comigo” e “se parece muito comigo”. Este 
questionário foi aplicado e validado pelo uso da técnica de escalonamento 
multidimensional (TORRES; SCHWARTZ; NASCIMENTO, 2016). 

Oliveira e Tamayo (2004), buscaram validar o QPV com a aplicação do 
questionário para 833 funcionários públicos e privados e aplicação da análise fatorial, 
concluindo que o instrumento é válido para identificar perfis de valores 
organizacionais. No mesmosentindo, o questionário foi validado por Tamayo e Porto 
(2009), que utilizaram da técnica de escalonamento multidimensional, onde os 
resultados direcionaram para validação do QPV. O questionário foi considerado 
adequado para o uso na vida útil do adulto e em estudos longitudinais (BURR; SANTO; 
PUSHKAR, 2014), e demonstrado que os valores são empiricamente distinguíveis e 
que a maioria das dimensões possui índices de consistência interna bons ou 
aceitáveis (VECCHIONE; ALESSANDRI, 2017). Assim sendo, o questionário possui 
as qualidades necessárias para sua utilização considerando as validações que foi 
submetido. 


4. METODOLOGIA 

A metodologia utilizada neste trabalho é de finalidade explicativa, considerando 
que tem como objetivo identificar os fatores que contribuem para ocorrência de 
determinado fenômeno, tendo como coleta de dados a pesquisa bibliográfica 
desenvolvida a partir de material já elaborados como livros, artigos e pesquisas de 
outros autores (GIL, 2014). 

Como instrumento de coletas se utilizou do questionário QPV, originalmente 
desenvolvido por Schwartz (1992, 1999), que possui questões que buscam identificar 
curtas descrições das pessoas, como objetivos, desejos e aspirações. A aplicação do 
questionário ocorreu no mês de setembro/2019, nas dependências da empresa 
TOYOLEX, revendedora de veículos localizada na cidade de Mossoró, que autorizou 
a pesquisa e a divulgação de seu nome. 

Os questionários foram entregues aos funcionários que, depois de respondido, 
devolveram aos pesquisadores. Para Marconi e Lakatos (2002), questionário é um 
instrumento constituído por perguntas em séries, devendo ser respondido por escrito 


e sem a presença do pesquisador. 


162 


O instrumento de coleta dos dados, é composto por 4 questões sobre: idade, 
gênero, estado civil e tempo de empresa. E, quarenta quesitos com a finalidade de 
avaliar as motivações para o trabalho dos empregados da organização. 

A amostra constou de 37 respondentes, sendo na sua maioria do gênero 
masculino (73 %), com idade média de 29,4 anos. Com relação ao estado civil, 37,8 % 
se declarou solteiro e a maior parte dos funcionários (37,8 %) estão na empresa entre 
2 a 5 anos. O universo de funcionário era de 45 indivíduos, a diferença deve-se as 
ausências legais (férias, licença médica, folga). 

Efetuou-se o teste de confiabilidade com a utilização do software SPSS da IBM, 
onde apresentou um alfa de Cronbach de 0,778, superior ao limite mínimo geralmente 
aceito, demonstrando a consistência interna da tabela (HAIR JÚNIOR et al, 2009). 

No quadro 3, demonstra-se as questões referentes aos valores motivacionais 


presentes no questionário. 


Quadro 3 - questionário de perfis de valores. 


















































Variável Pergunta Valores 

ADO1 Pensar em novas ideias e ser criativa é importante para Autodeterminação 
ele. 

ADO2 É importante para ele tomar suas próprias decisões sobre | Autodeterminação 
o que faz. 

ADOS3 Ele acha que é importante demonstrar interesse pelas Autodeterminação 
coisas. 

ADO4 É importante para ele ser independente. Autodeterminação 

ES01 Ele acha que é importante fazer várias coisas diferentes Estimulação 
na vida. 

ES02 Ele gosta de se arriscar. Estimulação 

ES03 Ele está sempre procurando aventuras. Estimulação 

HEO1 Ele gosta de surpresas. Hedonismo 

HE0O2 Ele procura todas as oportunidades para se divertir. Hedonismo 

HEOS Aproveitar os prazeres da vida é importante para ele. Hedonismo 

REO1 Ele realmente quer aproveitar a vida. Realização 

REO2 É muito importante para ele demonstrar suas habilidades. | Realização 

REO3 Ser muito bem-sucedido é importante para ele. Realização 

REO04 Ele acha que é importante ser ambiciosa. Realização 

PDO1 Progredir na vida é importante para ele. Poder 

PDO2 Ser rico é importante para ele. Poder 

PDOS É importante para ele estar no comando e dizer aos Poder 
demais o que fazer. 

















163 







































































mesmo desconhecido. 


SGO1 Ele sempre quer ser aquele a tomar decisões. Segurança 

SG02 É importante para ele viver em um ambiente seguro. Segurança 

SGos A segurança de seu país é muito importante para ele. Segurança 

SG04 É importante para ele que as coisas estejam organizadas e| Segurança 
limpas. 

SG05 Ele se esforça para não ficar doente. Segurança 

CFO1 Contar com um governo estável é importante para ele. Conformidade 

CFO2 Ele acredita que as pessoas deveriam fazer o que lhes Conformidade 
é ordenado. 

CFOs É importante para ele se comportar sempre corretamente. | Conformidade 

CFO4 Ele acredita que deve sempre respeitar seus pais e Conformidade 
os mais velhos. 

TRO1 É importante para ele ser sempre educada com os outros. | Tradição 

TRO2 Ele acha que é importante não querer mais do que se tem. | Tradição 

TROS Ser religiosa é importante para ele. Tradição 

TRO4 Ele acha que é melhor fazer as coisas de maneira Tradição 
tradicional. 

BE01 É importante para ele ser humilde e modesta. Benevolência 

BEO2 É muito importante para ele ajudar as pessoas ao Benevolência 
seu redor. 

BEO3 É importante para ele ser fiel a seus amigos. Benevolência 

BE04 É importante para ele entender às necessidades dos Benevolência 
outros. 

UNO1 Perdoar as pessoas que lhe fizeram mal é importante para | Universalismo 
ele. 

UNO2 Para ela é importante que todas as pessoas sejam Universalismo 
tratadas com igualdade. 

UNOS É importante para ele ouvir as pessoas que são diferentes | Universalismo 
dele. 

UNO4 Ele acredita firmemente que as pessoas deveriam Universalismo 
preservar a natureza. 

UNOS Ele acredita que todas as pessoas do mundo deveriam Universalismo 
viver em harmonia. 

UNO6 Ele quer que todos sejam tratados de maneira justa, Universalismo 











É importante para ele se adaptar e se ajustar à natureza. 


Fonte: Schwartz (1992, 1999), Oliveira e Tamayo (2004). 





164 





5. ANÁLISE E DISCUSSÕES 


A Tabela 1 apresenta, de forma geral, as respostas com as frequências (F) e 


as frequências relativas (F %), referentes a cada variável. 


Tabela 1 — Quadro geral de respostas. 


















































































































































Não se Não se Se parece | Se parece Se parece 
parece nada| parece pouco mais ou Se parece muito MedianalModa 
comigo comigo comigo menos comigo comigo 
Cr Ts ES DIE E IE ES DE EDER F 
ADO1 |0 |10,0% 10 10,0% |1 2,7% |1 |27% 18/48,6% | 17/45,9% 15,00 5 
ADO2 |0 |10,0% |1 |27% |3 |81% |6 116,2% | 10/27,0% | 17/45,9% |5,00 6 
ADOS |0 |10,0% |2 54% 1 2,7% |3 181% 13/35,1% | 18/48,6% 15,00 6 
ADO4 |1 2,7% 10 10,0% |3 [81% |2 |5,4% 7 |18,9% | 24]64,9% |6,00 6 
ES01 |0 100% |3 |81% |7 |18,9%|7 [18,9% | 10/27,0% | 10/27,0% |5,00 5 
ES0O2 |3 |81% |6 116,2% |6 |16,2%|7 [189% | 6 [16,2% | 9 |24,3% |4,00 6 
ES0O3 |0 |0,0% |2 |54% |9 |243%|9 |24,3% |8 121,6% | 9 |24,3% |4,00 3 
HEO1 |0 |0,0% 10 10,0% |3 81% |1 |2,7% 110 /27,0% | 23/62,2% |6,00 6 
HEO2 |2 |54% |5 |135% |5 |13,5%|7 |18,9% |13 135,1% | 5 [13,5% |4,00 5 
HEO3 |0 |0,0% J|0 10,0% |0 10,0% |8 |21,6% |13 135,1% | 16/43,2% [5,00 6 
REO1 |1 |2,7% |5 [135% |3 |81% |9 [24,3% |10 |127,0% | 9 |24,3% |5,00 5 
REO2 |6 |16,2% |7 |18,9% |9 |24,3%|5 [13,5% |6 116,2% | 4 [10,8% |3,00 3 
REOS3 |7 |18,9% |5 13,5% |3 18,1% |6 [16,2% |10 |27,0% | 6 |16,2% |4,00 5 
REO4 |1 |2,7% 10 10,0% |2 |54% |8 |21,6% |12 132,4% | 14/37,8% |5,00 6 
PDO1 |4 [10,8% |13 35,1% |8 121,6%|7 |18,9% |3 |8,1% 2 154% 13,00 2 
PDO2 |11|29,7/% |8 |21,6% |8 121,6%|7 |18,9% |3 18,1% O 10,0% 12,00 1 
PDOS |4 |10,8% |1 |2,77% |5 |13,5%|9 |24,3% |11 129,7/% | 7 [18,9% |4,00 5 
SGO1 |0 10,0% |2 |54% I|3 |81% |6 |16,2% [10 |27,0% | 16/43,2% |5,00 6 
SGO2 |1 |27% |1 |27% |2 |54% |5 |13,5% |15 |40,5% | 13/35,1% |5,00 5 
SGO3 |1 |27% |1 |2,7% I|4 110,8%]3 |81% [14 37,8% | 14/37,8% |5,00 5 
SG04 10 10,0% |0 |0,0% |2 [5,4% |11 129,7% |12 /32,4% | 12/32,4% |5,00 5 
SG05 |2 |54% |1 |2,7% 16 [16,2%/10 [27,0% | 9 |24,3% | 9 |24,3% |4,00 4 
CFO1 |1 |27% |3 |81% |7 |[18,9%|4 [10,8% | 16/43,2% | 6 [16,2% |5,00 5 
CFO2 |4 /10,8% |7 |18,9% |4 [10,8%|4 [10,8% | 7 |18,)9% | 11/29,7% |4,00 6 
CFO3 |0 /0,0% |0 |0,0% |2 [5,4% |1 |2,7% 12/32,4% | 22/59,5% 16,00 6 
CFO4 |0 /0,0% |0 |0,0% |1 |2,7% |3 |8,1% 19/51,4% | 14/37,8% 15,00 5 
TRO1 |4 |10,8% [10 /27,0% |8 121,6%|4 [10,8% | 6 [16,2% | 5 |13,5% |3,00 2 
TROZ2 |3 |81% |2 54% |3 |81% |9 [24,3% |12 132,4% | 8 |21,6% |5,00 5 
TROS |2 |54% |4 |10,8% |8 121,6%/10 |27,0% |10 |27,0% |3 |81% 14,00 4 
TRO4 |0 |0,0% |2 |54% |2 154% |2 |[54% 115 |40,5% |16 |43,2% |5,00 6 
BEO1 |0 /0,0% |2 [54% I|3 |81% |1 |2,77% [11 /29,7/% |20 |54,1% 16,00 6 
BEO2 |0 |0,0% |0 10,0% |1 2,7% |4 |10,8% |15 |40,5% |17 |45,9% |5,00 6 
BEOS |0 /0,0% 10 10,0% |0 |0,0% |6 |16,2% |17 |45,9% |14 |37,8% 15,00 5 















































165 





























BEO4 |0 |0,0% |3 |81% |8 |21,6%|8 |21,6% |11 |29,7% |7 |18,9% |4,00 |5 
UNO1 |1 |2,7% |0 |/0,0% |0 |0,0% |1 |2,7% |12 |32,4% |23 [62,22% |6,00 |6 
UNO2 |0 |0,0% |1 |2,7% |3 |81% |6 [16,2% |11 |29,7% 116 |43,2% |5,00 |6 
UNOS |0 |0,0% |0 /0,0% |0 |0,0% |3 |81% 120 [54,1% |14 |37,8% |5,00 |5 
UNO4 |0 |0,0% |1 |2,7% |0 |0,0% |5 [13,5% |12 [32,4% 119 |51,4% |6,00 |6 
UNOS |0 /0,0% |1 |2,7% |1 |27% |7 [189% [11 /29,7% |17 |45,9% |5,00 |6 
UNO6 |0 [0,0% |4 |10,8% |2 |5,4% |4 |10,8% [17 |45,9% 110 |27,0% |5,00 |5 















































Fonte: Dados da pesquisa (2019) 


fornecidos pelas questões se 


Demonstra-se na tabela 1 que, a maioria de 64,4 %, respondeu que os retratos 


“pareciam” 


ou 


“pareciam muito” 


com eles, 





caracterizando fortemente as demandas motivacionais dos empregados. O valor mais 
baixo refere-se a variável “é importante para ele estar no comando e dizer aos demais 
o que fazer”, demonstrando a baixa intensidade na demanda por cargos de gestão 
(TAMAYO; PASCHOAL, 2003). 

A Tabela 2, apresenta os dados referentes as respostas: “se parece comigo” e 
“se parece muito comigo”, divididas por gêneros e demonstradas na forma de 


frequência (F) e frequência relativa (F %). 


Tabela 2 — Valores por gênero. 






































Valores Masculino (F) Masculino Feminino (F) Feminino 

(F%) (F%) 
Autodeterminação 90 83,3 34 85,5 
Estimulação 36 44,4 16 583,3 
Hedonísmo 54 66,7 26 86,7 
Realização 50 46,3 21 52,5 
Poder 18 22,2 8 26,/ 
Segurança 87 64,4 E TÁ 74,0 
Conformidade 78 72,2 29 72,5 
Tradição 53 49,1 22 550 
Benevolência 80 14,1 32 80,0 
Universalismo 133 82,1 49 81,7 




















Fonte: Dados da pesquisa (2019) 


166 


No geral, a Tabela 2 demonstra que o gênero feminino se considerou mais 
representativa no questionário, implicando uma necessidade de demandar mais 
valorização do empregador. Chama a atenção a necessidade de um trabalho mais 
prazeroso, divertido, representado pelo valor hedonismo. Esses resultados 
assemelham-se ao trabalho de Lindeman e Verkasalo (2005), onde a maioria das 
respostas tiveram o gênero feminino com as médias mais alta. 

Para a análise dos itens Likert do Quadro 4, foi utilizado o cálculo do Ranking 
Médio (RM). Neste modelo atribui-se um valor de 1 a 6 para cada resposta a partir da 
qual é calculada a média ponderada para cada quesito, conforme sua frequência. 
Quanto mais próximo de 6 o RM estiver maior será o nível de demanda motivacional 
por parte dos empregados (OLIVEIRA, 2005). 

O quadro 4, apresenta a classificação proposta pelos autores, como forma de 
hierarquizar as respostas dos entrevistados. 


Quadro 4 — Valores por ordem de classificação. 









































Valores RM 

Autodeterminação| 5,24 | Autonomia na execução das tarefas, controle na execução 
do trabalho. 

Universalismo 5,16 | Clima organizacional harmônico, respeito à natureza. 

Benevolência 5,00 | Proteção familiar, atividades que envolvem a família. 

Hedonísmo 4,90 | Atividades prazerosas associadas ao trabalho. 

Segurança 4,81 | Estabilidade no emprego, transparência, seguro médico. 

Conformidade 4,75 | Socialização organizacional, supervisão adequada, sistema 
de controle eficiente 

Estimulação 4,24 | Trabalho interessante, variado, desafiador, criativo. 

Tradição 4,16 | Normas claras e precisas, divulgação de informações sobre 
o trabalho. 

Realização 4,05 | Treinamento, desenvolvimento profissional, promoções na 
carreira. 

Poder 3,22 | Prestígio dos papeis e tarefas laborais, participação nas 
decisões. 











Fonte: Os autores, dados da pesquisa (2019) 


O Quadro 4 demonstra que os funcionários demandam por mais autonomia e 
controle na execução das atividades e por um clima organizacional mais harmônico. A 


menor demanda, referente a necessidade de participação nas decisões, prestígio na 


167 


empresa e reconhecimentos, treinamentos e promoção na carreira (TAMAYO; 
PASCHOAL, 2003). 

Ademais, para Schwartz (2012), a autodeterminação origina de necessidades 
orgânicas de controle e domínio e requisitos interacionais de autonomia e 
independência, os valores de universalismo derivam das necessidades de 
sobrevivência de indivíduos e grupos, enquanto a variável “poder” são transformações 
de indivíduos, necessidades de domínio e controle, para realização o valor éo sucesso 
pessoal perante a sociedade. Percebe-se que as demandas estão apontando para um 
tipo de trabalho mais informal, familiar, em detrimento a burocracia, encarreiramento 


e de participar das decisões da empresa. 


6. CONCLUSÕES 

Este trabalho teve como objetivo de verificar as demandas motivacionais dos 
empregados de uma empresa do ramo automotivo na cidade de Mossoró, baseada 
na teoria dos valores motivacionais de Schwartz (1992, 1999, 2012). 

Os resultados demonstraram que as demandas dos funcionários se direcionam 
para uma liberdade maior para exercer seu trabalho, bem como uma maior 
informalidade. O estudo também mostrou que o gênero feminino foi mais influente 
neste direcionamento, embora em menor número de funcionários. 

De acordo com Schwartz (2012), os valores se ordenam pela importância em 
relação ao outro, com prioridades que os caracterizam como indivíduos. Ademais, a 
junção entre autodeterminação e universalismo, indica confiança no próprio 
julgamento e conforto com a diversidade da existência. Portanto, conclui-se que os 
funcionários demandam por mais autonomia e controle na execução das atividades e 
por um clima organizacional mais harmônico, e menos por necessidade de 
reconhecimento e prestígio social, com isso, responde- se ao objetivo proposto. 

Como sugestões para novas pesquisas, uma amostra maior para que os 
resultados sejam mais significativos e uma diversificação dos locais de trabalho. Além 
disto, temas como os motivos pelos quais os funcionários almejam mais autonomia. 
Assim como, comparativo de empresas do mesmo ramo que dão autonomia aos 


funcionários e outra que não fornece esta autonomia. 


168 


REFERÊNCIAS 


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170 


CAPÍTULO 12 


LEVANTAMENTO DE REQUISITOS NO DESENVOLVIMENTO DE JOGOS. 


Airon Wellington Lima dos Santos 

Unidade de Tecnologia e Segurança da Informação (UNITEC) 

Secretaria Estadual de Fazenda — Governo do Piauí — Teresina, PI — Brasil 
E-mail: aironwellington(Ogmail.com 


Fábio de Jesus Lima Gomes 

Departamento de Informação, Ambiente, Saúde e Produção Alimentícia (DIASPA) 
Instituto Federal do Piauí (IFPI) — Campus Teresina Central — Teresina, PI — Brasil 
E-mail: fabioDifpi.edu.br 


RESUMO: O desenvolvimento de jogos digitais exige o envolvimento de diversas 
áreas: música, gráficos, programação, enredo, artes e muitos outros. Ao analisar o 
processo de criação de jogos pode-se constatar a aplicação de várias práticas de 
Engenharia de Software (ES), incluindo métodos da engenharia de requisitos (ER). O 
objetivo desse artigo é mostrar boas práticas da ER no processo de criação de jogos. 


PALAVRAS-CHAVE: Desenvolvimento, jogos, digitais, engenharia, requisitos, 
software 


ABSTRACT: The development of digital games requires the participation of a wide 
range of area: musician, graphics, programming, history and much others. When 
analyzing the game create process, find out engineering software application, includes 
requirements engineering. This paper aims to show the best practices of requirements 
engineering on the games creation process. 


KEYWORD: Development, games, digital, engineering, requirements, software 


171 


1. INTRODUÇÃO 

Sistemas de software são recursos imprescindíveis nas empresas 
principalmente pelo papel estratégico em que foram incorporados. Sua construção e 
manutenção exigem organização e um conjunto de técnicas que quando utilizadas 
dão uma margem maior ao tempo de vida/sucesso desses softwares. Necessita-se 
que estes sistemas estejam completamente de acordo com os requisitos listados 
pelos clientes. Neste contexto, o processo pelo qual os requisitos de um produto de 
software são coletados, analisados, documentados e gerenciados ao longo do seu 
ciclo de vida é chamado de Engenharia de Requisitos (ER) [Sommerville 2011]. 

A ER é aplicada na construção de softwares convencionais, que são aqueles 
voltados para comércio, indústria, saúde e outros mercados existentes e que partem 
de um problema inicial até ser transformado em uma solução tecnológica. Entretanto, 
jogos digitais possuem perspectivas diferentes dos convencionais sistemas de 
software, apesar de se tratar de um tipo de software, eles são feitos na maioria dos 
casos para proporcionar diversão, interatividade e lazer. Não existe um problema 
inicial, a qual eles se propõem a solucionar, há somente a premissa de que devem 
absorver o máximo de atenção dos seus usuários. 

O objetivo deste trabalho é auxiliar os profissionais envolvidos no 
desenvolvimento de um jogo digital na escolha dos melhores métodos de 
levantamento de requisitos. A organização do conteúdo abordado neste artigo foi feita 
da seguinte forma: a seção 2 discorre sobre o desenvolvimento de jogos digitais de 
uma maneira geral. A seção 3 enfatiza a ER no desenvolvimento de jogos digitais. A 
seção 4 apresenta os resultados e discussões oriundos deste trabalho e na seção 5 


encontra-se uma proposta de trabalhos futuros. 


2. O DESENVOLVIMENTO DE JOGOS DIGITAIS 

Hoje, o processo de desenvolvimento de jogos digitais não é trivial e deve ser 
tratado de maneira peculiar, dada a natureza do produto final, a multidisciplinaridade 
das áreas envolvidas, e ainda o conjunto de ativos que são produzidos durante o 
processo. [Kanode et al. 2009] definiu 3 fases no processo desenvolvimento de jogos 
digitais, são elas: pré-produção, produção e teste. 

A pré-produção é a fase onde se realiza a concepção de um jogo e de um dos 
ativos mais importantes, o game design document (GDD). O GDD é um trabalho 


criativo escrito pelo time de design do jogo e deve ser bem detalhado, mas não 


172 


necessariamente formal, ou seja, sua estrutura não precisa obedecer a um esqueleto 
previamente estabelecido ou a uma notação matemática dos programadores. O GDD 
pode ser considerado um documento de requisitos, cuja estrutura não deve ser 
rigorosamente padronizada, pois se argumenta que a sua estruturação pode ser 
altamente prejudicial para a criatividade, e pode prejudicar os elementos intangíveis 
que criam a experiência agradável para os jogadores. 

A produção é onde a maioria dos ativos é criada, incluindo o código do jogo. 
Esta fase pode ser problemática se o GDD construído na fase anterior não estiver 
completo e coeso. Na produção, os desenvolvedores podem produzir protótipos, 
incrementos e/ou iterações do jogo. 

A fase de teste é geralmente a última antes de o jogo ser disponibilizado para 
o mercado. A fase de teste tem como objetivo explorar o máximo dos recursos do 
jogo. A Figura 1 mostra o gráfico de demonstração do processo de desenvolvimento 
de jogos com a relação entre o nível de abstração e cada fase do processo. 


Figura 1 - Processo de desenvolvimento de jogos digitais [Callele, et. al 2005]. 













Implementation 
Process 
Production. ii 
Control Flow 
Dataflow 
Graphical 


Textual 


Concept Gameplay Specifications Design 


Abstraction 
Story Requirements Architecture Implementation 


3. ENGENHARIA DE REQUISITOS NO DESENVOLVIMENTO DE JOGOS DIGITAIS 

A ER é o processo que tem como objetivo criar e manter um documento de 
requisitos de sistema de software [Sommerville 2011]. Geralmente a ER aborda quatro 
subprocessos de alto nível: o estudo de viabilidade, obtenção de requisitos, conversão 
dos requisitos em uma forma padrão e validação desta forma padrão. 

Para os jogos digitais a atividade de estudo de viabilidade pode ser feita durante 
a elaboração do projeto, antes de iniciar a atividade propriamente dita de 
desenvolvimento do jogo, durante a elaboração do projeto em nível de gerenciamento. 


173 


Assim que o estudo de viabilidade estiver completo e o projeto possuir a 
aprovação dos gerentes começa-se a fase de pré-produção. Ao final desta fase deve 
ser disponibilizado o documento de requisitos e o GDD. Os engenheiros de sistemas, 
analistas e todos os interessados no projeto devem participar da obtenção de 
requisitos. 

No desenvolvimento de jogos digitais, principalmente na fase de pré-produção 
é confeccionada a especificação de requisitos, documento cujo objetivo principal é 
elencar requisitos funcionais (funcionalidade do sistema) e requisitos não funcionais 
(comportamento do sistema, por exemplo: tempo de resposta, disponibilidade, 
entretenimento) e requisitos de domínio (comportamento do sistema relativo à área 
em que está relacionado, por exemplo, movimentos de um personagem dentro do 
jogo). Além de conter requisitos, o documento deve ser estruturado de tal forma que 
os desenvolvedores do sistema possam simplesmente preocupar-se com a 
programação. 

A transformação do GDD em especificação de requisitos é considerada a fase 
mais complexa durante o desenvolvimento do jogo uma vez que não há técnicas 
estabelecidas para elicitação de requisitos emocionais. Outro fator importante ao 
elaborar o documento de requisitos é que utilizar feedbacks contínuos e fazer uso de 
engenharia de maneira proativa no desenvolvimento de jogos pode prover retornos 
da produção para pré-produção em resposta da otimização de versões iniciais de 
documentação da pré-produção. 

Dentro do processo de obtenção de requisitos deve-se (1) identificar os 
interessados, (2) reconhecer o ponto de vista e (3) trabalhar em busca de colaboração. 
[Pressman 2016] defende que são essas as etapas necessárias para estabelecer as 
bases para um entendimento dos requisitos de software e para que o projeto avance 
na direção de uma solução bem sucedida. 

Neste intuito, é possível realizar workshops entre as equipes e pedir para que 
um usuário final (jogador) do sistema seja o facilitador. O workshop tem o objetivo de 
acionar o trabalho em equipe. Uma técnica bastante utilizada dentro do workshop é o 
brainstorming. O brainstorming é uma técnica que consiste em uma ou várias 
reuniões onde os participantes podem sugerir e explorar ideias. Ao final do workshop 
são produzidos documentos que refletem os requisitos e decisões tomadas sobre o 
jogo. 


174 


Atualmente, jogos digitais utilizam diversos tipos de tecnologias de terceiros, 
como engines”, animações de personagens, e outros tipos de componentes. Esses 
tipos de recursos facilitam a construção de protótipos e diminuem custos. Com isso é 
muito comum utilizar a prototipagem no desenvolvimento de jogos digitais. A 
prototipagem tem por objetivo explorar aspectos críticos dos requisitos de um produto, 
implementando de forma rápida um pequeno subconjunto de funcionalidades. 

Outra técnica que pode ser utilizada para capturar requisitos é o JAD (Joint 
Application Design). O JAD é uma técnica para promover cooperação, entendimento 
e trabalho em grupo entre os usuários desenvolvedores. O JAD facilita a criação de 
uma visão compartilhada do que o produto de software deve ser. Através da sua 
utilização os desenvolvedores ajudam os usuários a formular problemas e explorar 
soluções. 

É importante ressaltar que as técnicas aqui apresentadas são aplicadas na fase 
de elaboração do documento de requisitos, ou seja, o processo de criação do GDD. 
Os responsáveis por este processo são os artistas e designers. Uma das fases mais 
críticas de muitos projetos é a transição do GDD para o documento de requisitos, pois 
os erros cometidos nesta transição podem implicar no fracasso da implementação do 


projeto. 


4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Com base nas técnicas de ER descritas nos trabalhos expostos ao longo deste 
artigo concluímos que as melhores práticas para elencar requisitos de jogos digitais 
são aquelas em que a equipe multidisciplinar consegue mitigar a disparidade de 
desenvolvimento de cada subárea envolvida no processo de criação de jogos de 
vídeo. 

Algumas práticas de levantamento de requisitos para jogos digitais são: JAD, 
prototipagem, brainstorming e workshops, uma vez que conduzem os 
desenvolvedores à cooperação na fase de produção do GDD e especificação de 
requisitos. 

É importante ressaltar que apesar das técnicas mencionadas serem 


consideradas práticas adequadas no processo de criação de ativos na fase de pré- 


* Uma engine é uma biblioteca com um pacote de funcionalidades que são disponibilizadas para facilitar 
o desenvolvimento de um jogo, fornecendo um bom visual e diversos itens da jogabilidade, tais como, 
o sistema de colisão entre personagens e objetos e a inteligência artificial de inimigos ou parceiros. 


175 


produção de jogos, elas não estabelecem um protocolo que atenda o processo como 
um todo, uma vez que a criação de jogos envolve também requisitos não funcionais 


como jogabilidade, entretenimento e diversão. 


5. TRABALHOS FUTUROS 

As limitações referentes ao presente estudo deixam em aberto a necessidade 
de formalizar as técnicas apresentadas no desenvolvimento de jogos digitais. É difícil 
definir qual a melhor técnica a se utilizar, precisando-se realizar uma análise 
minuciosa de cada uma delas, conhecendo suas limitações e vantagens. Idealmente, 
necessita-se aplicar essas técnicas em empresas profissionais de desenvolvimento 
de jogos digitais para avaliar os resultados obtidos com o uso de cada uma. 

Em suma, a perspectiva de trabalho futuro está relacionada a explorar em 
detalhes as técnicas aqui apresentadas através da criação de um questionário online 
destinado a empresas de desenvolvimento de jogos digitais, onde os usuários 
(empresas) devem informar quais técnicas vem utilizando no desenvolvimento de 
jogos e como é o passo-a-passo de aplicação da técnica informada na sua empresa. 
As respostas obtidas com o questionário servirão como indicadores de qualidade para 
as práticas que mais são utilizadas, e ao mesmo tempo servirão de apoio para aqueles 
que pretendem aderir ao uso das melhores práticas e desejam saber como utilizá-las. 

Esses indicadores e informações de apoio serão baseados nos resultados 
obtidos por meio das empresas e assim teremos condições de nortear os interessados 
neste assunto de forma mais segura e precisa sobre como fazer o levantamento de 


requisitos no processo de desenvolvimento de jogos digitais. 


176 


REFERÊNCIAS 


CALLELE, D.; NEUFELD, E.; SCHNEIDER, K. (2005) Requirements Engineering and the 
Creative Process in the Video Game Industry. In: 13th IEEE International Conference on 
Requirements Engineering, Washington, DC, USA. Proceedings: IEEE Computer Society, 
2005. Disponível em: <http://eeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?arnumber=1531045>. 
Acesso em: 30 ago 2016. 


KANODE, C. M.; HADDAD, H. M. (2009) Software Engineering Challenges in Game 
Development. In: 6th IEEE International Conference on Information Technology: New 
Generations, Las Vegas, USA. Proceedings: IEEE Computer Society, 2009. Disponível em: 
<http://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?arnumber=5070627>. Acesso em: 30 ago 2016. 


PRESSMAN, R.S.; MAXIM, B. R. (2016) Engenharia de Software: Uma abordagem 
Profissional. 6º. Edição. Editora McGraw Hill - Bookman. 


SOMMERYVILLE, |. (2011) Engenharia de software. 9º edição. Editora Pearson. 


177 


CAPÍTULO 13 


A UTILIZAÇÃO DAS MÍDIAS ALTERNATIVAS E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA 
ESFERA PUBLICA. 


Naiara Cristina Gonçalves Rocha Passos 

Doutora do curso de pós graduação em Estudos de Culturas Contemporâneas, 
Mestre pelo mesmo programa, formada em Radialismo 

Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso 

Endereço: Av. Fernando Correa da Costa, 2367, Boa Esperança, Cuiabá/MT 
CEP: 78060-900 

E-mail: naiararochapassos(O gmail.com 


Andreia Ferraz Fernandes 

Jornalista, mestre em Ciências da Comunicação (ECA/USP), doutora em Ergonomia 
da Informação (UPC/ Espanha), professora do curso de Comunicação Social da 
UFMT. 

Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso 

Endereço: Av. Fernando Correa da Costa, 2367, Boa Esperança, Cuiabá/MT 

CEP: 78060-900 

E-mail: andreaferrazQufmt.br 


RESUMO: Este artigo trata da categoria de mídia alternativa a partir de uma 
perspectiva teórica, onde é discutido, a partir das perspectivas do autor Christian 
Fuchs, uma definição e distinção desses meios alternativos. O artigo é uma 
contribuição para fundamentos teóricos de estudos de mídia alternativa e questiona a 
dominação hegemônica, que estabelece domínios, hierárquicos de política, economia, 
e cultura, assim como os meios de comunicação de massa, como TV, Rádio e Jornal. 
Assim as mídias alternativas expressam o ponto de vista dos oprimidos, grupos e 
indivíduos dominados e defende o avanço de uma sociedade cooperativa. A forma de 
produto da mídia alternativa visa o avanço da imaginação; é dialético porque envolve 
dinâmica, não-identidade, rupturas e o inesperado. A categoria de mídia alternativa 
está conectada a noção de Habermas sobre a esfera pública. O presente trabalho foi 
realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 
Superior - Brasil (CAPES) 


PALAVRAS-CHAVE: mídias alternativas; esfera pública; produto 


ABSTRACT: This article deals with the alternative media category from a theoretical 
perspective, where it is discussed, from the perspectives of the author Christian Fuchs, 
a definition and distinction of these alternative media. The article is a contribution to 
the theoretical underpinnings of alternative media studies and questions hegemonic 
domination, which establishes domains, hierarchies of politics, economics, and culture, 
as well as mass media such as TV, Radio, and Newspaper. Thus the alternative media 
expresses the point of view of the oppressed, dominated groups and individuals and 
advocates the advancement of a cooperative society. The alternative media product 
form aims at the advance of the imagination; It is dialectical because it involves 
dynamics, non-identity, ruptures and the unexpected. The alternative media category 
is connected to Habermas's notion of the public sphere. The present work was carried 


178 


out with the support of the Higher Education Personnel Improvement Coordination 
(CAPES) 


KEYWORDS: alternative media; public sphere; product 


1. INTRODUÇÃO 

O presente artigo pretende desenvolver uma definição e distinguir diferentes 
dimensões de mídia alternativa, e para isso é preciso fazer uma pergunta: Como e por 
quem estão sendo utilizadas as mídias alternativas? 

Segundo o autor Souza, (2003, p. 172) “a mídia altemnativa é contra- 
hegemônica, isto é, desafia os sistemas estabelecidos, hierárquicos de política, 
economia, e cultura”, sendo assim a mídia alternativa assume muitas formas. O que 
é necessário, além de estudos empíricos, são também maiores esforços no sentido 
de oferecer abordagens teóricas dos meios alternativos de comunicação. A mídia 
alternativa não deve ser entendida apenas como práticas alternativas de mídia, mas 
também como meios de comunicação que “oferecem” liberdade de questionamento a 
sociedade e temas não convencionais. 

Dentro do que é conhecido como comunicação de massa, os jornalistas por 
exemplo são atores que produzem conteúdo, com a ajuda de regras, procedimentos, 
estruturas e tecnologias específicas. Este sistema visa informar um público mais 
amplo, e informar o público neste contexto significa que os jornalistas / produtores 
visam uma transformação da consciência do público. O conteúdo fornecido pode ter 
valor de notícia, valor de entretenimento ou valor artístico-estético (Fuchs, 2010). A 
distribuição do conteúdo para que alcançasse o público e os potenciais destinatários, 
era armazenada e transmitida através de tecnologias de transmissão e estruturas 
organizacionais. O autor segue explicando que a “distribuição de conteúdo é a base 
da recepção, se a recepção parar, não há mais necessidade de produção, os bens 
produzidos só são significativos se forem consumidos, produção implica necessidade 
de distribuição e consumo” (Fuchs 2010, p. 120). 

Na recepção, os usuários interpretam o conteúdo da mídia com base em suas 
experiências vividas e contextos sociais. O significado dos objetos sempre depende 
do contexto societal e histórico, eles são determinados pelo contexto social da 
produção e uso de sistemas de sinais. Diferentes significados podem ser atribuídos 


179 


ao mesmo objeto, o autor Stuart Hall (1999) apontou que certo grau de determinismo 
na forma de hegemonia, bem como um certo grau de indeterminismo na forma de 
negociar o significado opositivo está presente no processo de recepção cultural. A 
principal conquista de Hall é que ele mostrou que não há correspondência necessária 
entre codificação e decodificação, diferentes interpretações podem existir em paralelo 
e mesmo com oposição e antagonismo entre si. 

Os meios de comunicação não são apenas sistemas sociais, são sistemas 
sociais que atingem um público amplo e são, portanto, parte dos processos de 
comunicação nas esferas públicas, portanto, a noção de esfera pública é importante 
para uma teoria social da mídia em geral e como resultado também por uma teoria 
social de mídia alternativa. 

Para Habermas (1974), a esfera pública como tipo ideal é um reino que é 
acessível a todos os cidadãos, para que possam controlar e limitar o poder do Estado 
através das discussões, crítica, controle e eleições (formação da opinião pública). Na 
luta pelo iluminismo e contra a monarquia, a esfera pública burguesa, baseada em 
princípios constitucionais de direitos, os meios de comunicação surgiriam e, ao longo 
de seu desenvolvimento, no entanto, seriam deformados e controlado por interesses 
especiais que constituem "um clima de opinião não pública” (Habermas, 2001, p.77) 
que é manipulada pela mídia e publicidade, Habermas imagina e defende uma 
verdadeira esfera pública, na qual todos os grupos e partidos tornam a informação 
acessível ao público, envolvem-se em discussões públicas, e fazer compromissos 
políticos que são "legitimados através deste processo de comunicação” (Habermas, 
2001. p. 78). 

Para Habermas, uma verdadeira esfera pública é compatível com a sociedade 
capitalista, ele imagina a transformação do sistema político, mas não das relações de 
produção e propriedade. Como o capitalismo é baseado no controle desigual de 
recursos pela classe social, pode-se argumentar que a desigualdade de recursos 
resultará em vantagens materiais injustas na formação da opinião pública (como 
através da estrutura de propriedade dos meios de comunicação de massa) para certos 
grupos e que a noção de Habermas da esfera pública é, portanto, idealista. 

Em relação à mídia, o autor distingue entre uma "esfera pública manipulada” / 
publicidade manipulada (Habermas, 1989, p.217) e "uma publicidade crítica”. Para o 
autor, a publicidade crítica é a qualidade de uma verdadeira esfera pública baseada 


na ação comunicativa. Não é visto como publicidade que luta no capitalismo contra o 


180 


capitalismo, mas como uma visão ideal. Habermas não ignora a "colonização da 
esfera pública por imperativos de mercado", mesmo assim ele não vê a abolição 
destes imperativos como necessária (Habermas, 1989. p, 469). 

Essa esfera pode ser lida tanto como uma crítica socialista quanto como uma 
radicalização da abordagem do autor. Para ele, a função crítica de um público 
proletariado é contribuir com meios intelectuais para as lutas de classes. Ele 
caracteriza o proletário contrário ao público como sendo radicalmente diferente e 
oposta à esfera pública burguesa, como uma expressão do grau e emancipação da 
classe trabalhadora, “uma esfera de comunicação autônoma de proletariados, uma 
sociedade dentro da sociedade, uma expressão da auto-organização e 
desdobramento dos interesses dos trabalhadores, e uma autodefesa da organização 
da classe trabalhadora” (Habermas, 2006. p, 480). Esta esfera generaliza e unifica as 
experiências coletivas do proletariado, especialmente suas experiências na produção 
e seu contexto de vida. Podemos citar a utilização das mídias digitais como um meio 
de mídia alternativa, sites, redes sociais, blogs dentre outros, onde a produção de 
conteúdo tem liberdade para auxiliar e tratar de lutas e anseios das classes de 


maneira mais generalizada. 


2. FORMULAÇÕES SOBRE AS MÍDIAS ALTERNATIVAS 

Os autores Cammaeris e Carpentier (2008) nos elucida com uma tipologia das 
teorias dos meios alternativos, onde eles distinguem entre três tipos de abordagens 
para definir meios alternativos de maneiras diferentes. 

Primeiro, eles tratam que a abordagem da mídia alternativa precisa ser 
comunitária (um espaço com a participação de todos) e argumentam que a 
participação de membros de uma comunidade na produção de conteúdo e 
organização dessa mídia é central para se fazer das mídias alternativas um meio de 
mídia crítica ao sistema. Os autores vêem o fornecimento de conteúdo por mídia 
alternativa como alternativa à mídia convencional (em larga escala, estatal ou 
comercial, hierárquica e dominantes). Em segundo lugar, que essa abordagem e 
utiliza da noção de meios contra-hegemônicos que fazem parte da sociedade civil e 
formam uma terceira voz entre mídia estatal e mídia comercial. E, finalmente, pode- 
se identificar abordagens que falam de meios rizomáticos que são relacionados porque 
ligam diferentes grupos de protesto e movimentos, conectam o local ao global, e 
estabelecem diferentes tipos de relações com o mercado e / ou o estado. 


181 


Segundo Fuchs (2010) nem todos os cidadãos podem facilmente se tornarem 
escritores, as abordagens de processo são principalmente orientadas para a 
comunidade de pequena escala auto-organizadas e meios de comunicação que 
permitem a participação do cidadão. O perigo que existe nessa orientação é que tais 
mídias permaneceram insignificante e incapaz de ter um potencial político 
transformador porque eles terão mais dificuldades em atingir o público de massa e, 
portanto, não podem ser incorporados em uma grande esfera contra-pública. Esses 
meios tendem a produzir conteúdos fragmentados e desconectados ao público, e que 
só são acessados por subgrupos isolados comprometendo a possibilidade de uma 
grande esfera de comunicação política, que é acessada por todos os explorados, 
oprimidos, e excluídos grupos de indivíduos. Firmino (2013) caracteriza a alternativa 
de pequena escala midiática como um gueto "alternativo" que carece de recursos e, 
portanto, relevância o autor fala da ameaça da mídia alternativa permanecer 
insignificante e sem fins lucrativos. 

Não estamos dizendo que as mídias comunitárias em pequena escala não 
devem ser consideradas formas de mídias alternativas, mas é importante enfatizar 
que elas não são adequadas para apoiar e avançar processos de mudança política 
em larga escala. O ideal de praticar a democracia popular em um mundo dominado 
pela economia e as elites políticas que controlam recursos econômicos e políticos 
podem se tornar problemáticas para mídia alternativa. Se eles não têm recursos, 
então a auto-exploração e o trabalho precário será o resultado. A escassez de 
recursos pode resultar em tempos e conflitos internos e divisões que consomem 
energia que minam ainda mais os potenciais de mídias alternativas (Fuchs, 2010). 

Um cenário midiático pluralista, em que cada consumidor pode se tornar um 
produtor de mídia com a ajuda de mídia alternativa, não é automaticamente um 
movimento de democracia midiática. Se apenas alguns são ouvidos, então uma 
situação de tolerância repressiva, emerge e legitima a existência continuada do 
capitalismo dominante e corporações de mídia que centralizam lucros, riqueza, poder, 
destinatários e influência. 

Mídia alternativa é a mídia que desafia as formas capitalistas dominantes da 
mídia de produção, estruturas de mídia, conteúdo, distribuição e recepção. No 
jornalismo convencional, encontra-se jornalistas como uma classe de trabalho 
assalariado um profissional que é confrontado com pressões corporativas e políticas, 
e tem sua produção jornalística condicionada por processos de poder, e o acúmulo 


182 


de capital de status jornalístico. O modelo de jornalismo cidadão, em que se encontra 
a independência dos escritores das empresas e dos influenciadores, desafia este 
modelo de produção. Qualquer um pode ser um autor sem treinamento ou experiência 
específica. Cidadãos comuns podem se tornar jornalistas, então o jornalismo se torna 
controlado pelos cidadãos. 

Indivíduos ou grupos que são afetados por certos problemas, tornam-se 
jornalistas ou, pelo menos, o assunto positivo do jornalismo cidadãos. Tal prática 
jornalística é frequentemente parte das práticas do movimento de protesto. Os 
consumidores se tornam produtores e o público se torna ativo. O conteúdo e a forma 
da mídia tradicional são ideológicos. O conteúdo é estritamente definido por o que é 
considerado popular e vendável (Fuchs, 2010). 

A busca pelo lucro pode resultar na falta de qualidade, complexidade e 
sofisticação, o conteúdo leva em uma forma ideológica, seja por relatar que é baseado 
em manipulação ou por histórias que são relatados como importantes, mas não são 
realmente importantes para a sociedade em geral. Em qualquer caso, tal conteúdo 
visa distrair os destinatários do confronto com problemas sociais reais e suas causas. 

A mídia alternativa, em contraste, é caracterizada por formar conteúdos críticos, 
que fornece alternativas às perspectivas que refletem o domínio do capital, 
patriarcalismo, racismo, sexismo, nacionalismo, bem como para transcender a 
filtragem e censura de informações por monopólios de informações corporativas, 
monopólios estatais ou monopólios culturais em informação e comunicação. 

Muitas vezes as mídias alternativas são organizações de mídia de base. Em 
tais sistemas, há um coletivo na tomada de decisão de propriedade e consenso 
por parte daqueles que trabalham na organização, sem hierarquias e autoridades. 
Há um foco em mídias não comerciais que não são financiadas por anúncios ou 
venda de mercadorias, mas por doações, financiamento público, recursos privados, 
ou sem estratégias de custo. A divisão do trabalho é sublimada: os papéis de 
autores, designers, editores, impressores e distribuidores estão sobrepostos. 

Na mídia tradicional, a distribuição é uma forma de marketing que faz uso de 
alta tecnologia departamentos de distribuição, marketing e relações públicas, 
especialistas e estratégias, vendas departamentos, anúncios e contratos de 
distribuição. Em mídia alternativa, também são usadas tecnologias que permitem 
reprodução fácil e barata. Estratégias como anticopyright, acesso livre ou conteúdo 


183 


aberto permite que o conteúdo seja compartilhado, copiado, distribuído, ou mudado 
de forma aberta. 

Além disso, encontra-se também distribuidores alternativos ou alternativas 
instituições (por exemplo, livrarias ou bibliotecas alternativas) que se concentram na 
distribuição de títulos alternativos. 

No nível da recepção, uma distinção entre recepção manipulativa e crítica pode 
ser desenhado. No primeiro caso, o conteúdo é interpretado de maneiras que criam 
falsa consciência. No segundo caso, o conteúdo é interpretado de forma a permitir 
que os destinatários questionem a dominação. Uma interpretação do conteúdo de 
mídia alternativa é críticar a forma consumida ou, o conteúdo provocar insights 
subjetivos que permitem aos destinatários questionar certas formas de dominação, 
desenvolver idéias de modelos alternativos de existência de cooperação e pode 
potencialmente orientar ações transformadoras e lutas sociais. (Fuchs, 2010) 

Um aspecto importante aqui é que há um julgamento objetivista de que a 
cooperação é a forma verdadeira, original e essencial da existência humana (Fuchs, 
2010). Manipulação, em contraste à recepção crítica, significa que os destinatários 
interpretam o conteúdo e, consequentemente, a realidade em formas que não 
questionam a dominação, mas avançam, legitimam ou deixam estruturas 
dominantes/heterônomas intocadas. 

As categorias de crítica e manipulação da consciência referem-se a estados de 
consciência. Certamente, o caso ideal dentro da sociedade contemporânea é que 
todas essas alternativas práticas e estruturas são dadas. Nesses casos, as mídias 
alternativas são baseadas na produção de conteúdo crítico de jornalistas cidadãos 
autogeridos amplamente disponível, distribuído, e atinge um grande público, que 
criticamente recebe conteúdo e se torna a própria ativação na produção jornalística 
crítica. 

Nesse caso, há uma dialética de produção de mídia autogerida e estruturas 
críticas de mídia, onde o caso ideal para o jornalismo é um quadro societal diferente, 
que permite que todos os cidadãos tenham tempo, habilidades e recursos para que 
todos possam atuar como jornalistas críticos e destinatários críticos ao mesmo tempo 
e suas práticas constituem uma esfera pública, na qual as decisões são tomadas 
coletivamente em processos participativos de base. A distinção entre produção e 
recepção desaparece completamente e as mídias alternativas se tornam o padrão da 


maneira de fazer mídia. 


184 


Um requisito mínimo para falar de um meio alternativo é o conteúdo crítico ou 
a sua forma crítica. O autor Marx nos adianta sobre a teoria da mídia crítica nos seus 
escritos sobre a imprensa. Para Marx, a essência da imprensa é que é crítica, e não 
comercial. “O escritor, claro, deve ganhar para poder viver e escrever, mas ele não 
deve de modo algum viver e escrever para que ganhe... A principal liberdade da 
imprensa está em não ser um comércio” (Marx, 1842, p. 71), assim o argumento é que 
as estruturas capitalistas são prejudiciais à livre expressão crítica com a imprensa. O 
argumento de Marx mostra que o objetivo é uma imprensa livre em uma cooperativa, 
não uma sociedade capitalista. 

Crítica aqui é entendida como oposição a toda dominação, entendemos que a 
crítica marxicista não é apenas uma crítica econômica que ignora formas não 
econômicas de dominação baseadas, por exemplo, no gênero, raça, etnia, nação, 
etc., mas que é uma forma de crítica em que todas as formas de dominação são vistos 
como injustificados e injustos. 

O autor (Fuchs, 2008) discorre que a mídia alternativa é crítica por causa de 
quatro qualidades, a primeira qualidade de mídia crítica é a negação do nível de 
conteúdo, o conteúdo expressa um interesse e tenta prestar atenção à realização de 
possibilidades suprimidas de desenvolvimento social. Tal mídia não aceita estruturas 
sociais existentes como elas são, elas não estão interessadas na sociedade como é, 
mas no que poderia ser e poderia se tornar. Seu objetivo é o fortalecimento da 
cooperação, participação e a criação de uma sociedade participativa e cooperativa. 

Por isso, subjacente é o julgamento de que a cooperação e a participação são 
mais essenciais, verdadeira e desejável do que competição e exclusão. Conteúdo 
crítico desconstrói ideologias que afirmam que algo não pode ser mudado e mostram 
um conteúdo potencial contra-tendências e modos alternativos de desenvolvimento. A 
mídia crítica tem como objetivo avançar nas lutas que transformam a sociedade para 
a realização de potenciais cooperativos. 

A segunda qualidade da mídia alternativa é o realismo dialético no nível de 
conteúdo. Primeiro de tudo, é baseado na realista suposição de que existe um mundo 
fora da cognição que pode ser percebido, analisado, publicado, criticado e alterado e 
assim a tarefa da mídia crítica é descobrir e revelar a essência por trás da existência 
que é ideologicamente distorcida, a mídia crítica analisa os fenômenos socias não 


baseados na razão instrumental e na lógica unidimensional (Fuchs, 2008). 


185 


A terceira qualidade da mídia alternativa é o realismo dialético no nível da 
forma, significa que a forma envolve ruptura, mudança, não-identidade, dinâmica e o 
inesperado - a forma é ela própria contraditória. (Fuchs, 2008). 

A quarta qualidade dos meios críticos é a expressão materialista dos interesses 
dos dominados no nível de conteúdo. O conteúdo da mídia crítica é materialista no 
sentido de que aborda fenômenos e problemas não em termos de idéias absolutas e 
predeterminado desenvolvimento social, mas em termos de distribuição de recursos 
e de lutas sociais. (Fuchs, 2008). 

Eles são com base na visão de que os recursos básicos são altamente 
desigualmente divididos na contemporaneidade sociedade. Os meios críticos em um 
ou outro aspecto tomam o ponto de vista das classes oprimidas ou exploradas a 
considerar que as estruturas de opressão e exploração beneficia certas classes em 
detrimento de outros e, portanto, deve ser transformada. 

Os meios alternativos são baseados no julgamento de que a cooperação é mais 
desejável do que concorrência (Fuchs, 2008), que é apenas outra maneira de dizer 
que as estruturas de exploração e a opressão precisa ser questionada, criticada e 
sublocada. Estruturas de base não comerciais e de pequena escala que usam 
distribuição alternativa podem ser uma vantagem em situações em que a mídia tem 
como objetivo mobilizar as comunidades locais e para a auto-organização de cidadãos 


interessados podem se tornar produtores de mídia por si próprios. 


3. O PÚBLICO E AS MÍDIAS ALTERNATIVAS 

Meios alternativos têm o potencial de estimular o debate público (Downing, 
2001). Eles não são apenas mídia, mas mídia embutida na sociedade. É preciso 
analisá-los juntamente com seu contexto social, a fim de evitar o essencialismo da 
mídia. Portanto a mídia crítica deve ser vista como parte de um contexto político 
mais amplo. Como já dito a mídia alternativa é mídia da multidão, elas expressam as 
experiências dos dominados e emergem no processo de lutas e são uma forma de 
luta de classes e organização proletária. Considerando que no 1970 e 1980, as 
lutas políticas foram fortemente orientadas para o reconhecimento de identidades 
(mulheres, gays e lésbicas, transexuais etc.) essas lutas específicas têm até certo 
ponto tornar-se unificado pelo reaparecimento de questões de classe devido à 
ascensão de fortes desigualdade. 


186 


Tipos de mídia crítica: Dada a condição de que a forma e o conteúdo sejam 
considerados decisivos no caráter alternativo da mídia, não se pode argumentar que 
toda a produção, não-comercial, "livre", independente, auto-gerida, auto-organizada, 
auto-propriedade etc., são alternativas, embora muitas delas sejam porque 
apresentam conteúdo crítico, eles são mais propensos a serem críticos do que os 
meios de comunicação convencionais. Existe uma distinção entre forma crítica e 
conteúdo crítico, onde forma crítica é possível sem conteúdo crítico e conteúdo crítico 
é possível sem forma crítica. Mas ambos podem também estar presente 
simultaneamente. 

Existem meios alternativos onde a forma é geralmente mais importante que o 
conteúdo e vice-versa. Na mídia, que são tipos de arte como teatro, literatura, artes 
visuais, filmes, música, concertos, a forma é de importância específica porque a arte 
vive através de formas não idênticas que visam fortalecer a imaginação. 

Herbert Marcuse (1978) argumenta que a arte só pode ser um fator socialcomo 
arte autônoma. A arte seria uma parte da sociedade, mas uma que transcende a 
sociedade capitalista, constituindo uma esfera autônoma de formas que transcendem 
o capitalismo. A beleza da arte não é um retrato da sociedade como ela é, mas uma 
metáfora para a sociedade como poderia ser. A noção de autonomia da arte que 
Adorno e Marcuse descreveram pode ser generalizado não apenas para a arte, mas 
para todos os produtos de mídia alternativa (incluindo também a expressão na área 
de cultura, não apenas as artes altas). 


187 


REFERÊNCIAS 


ADORNO T W (1970) Teoria crítica da escola de. Frankfurt . Alemanha Edt. Oxford: Oxford 
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FIRMINO DA SILVA, F. Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade. São Paulo: Momento 
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Organização Socia. Austria European edf. Journal of Social Theory (2003) 


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—— (1992) Reflexões adicionais sobre a esfera pública e observações finais, em Habermas 
e na esfera pública. (ed.). Cambridge, MA: MIT Press, - (1974) 


— Comunicação política na sociedade de mídia: a democracia ainda desfruta de uma 
dimensão epistêmica? O Impacto da Teoria Normativa na Pesquisa Empírica, Teoria da 
Comunicação (ed.). Cambridge, MA: MIT Press, - (1989) 


Hall S. Codificação / Decodificação, em Simon Durante (ed) O Cultural Studies Reader. 
Nova York edt. Routledge, (1999) 


MARCUSE H (1969) Repressive Tolerance, a Critique of Pure Tolerance. Boston. Edt 
Beacon (1972) 


MARX. K Debates sobre a liberdade de imprensa e publicação das negociações do Estado, 
em MEW. Berlim. Eat. Dietz (1842) 


A proibição do " Leipziger Allgemeine Zeitung ", no MEW. Berlim: Dietz, (1843) 
Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel, em MEW. Berlim: Dietz. Edt (1844) 


SOUZA, C.A. de; JASPER, A.; KALIBERDA, A. História da fotografia e do fotojornalismo em 
Ponta Grossa: por um projeto de resgate. Ouro Preto, edt Mg 2013. 


188 


CAPÍTULO 14 


VAMOS BRINDAR? UM ESTUDO SOBRE AS EXPERIÊNCIAS DE CONSUMO DE 
CERVEJAS ARTESANAIS. 


Heitor de Castro Muniz 

Bacharel em Administração pela Universidade Estadual Paulista 

Instituição: UNESP 

Endereço: Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n CEP 14.884-900 
Jaboticabal, SP - Brasil 

E-mail: heitormuniz.adm(Ogmail.com 


Sheila Farias Alves Garcia 

Doutora em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) 

Instituição: UNESP 

Endereço: Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n CEP 14.884-900 
Jaboticabal, SP - Brasil 

E-mail: sheila.garciadunesp.com 


Gustavo Barbieri de Lima 

Mestre em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) 

Instituição: Centro Universitário Unifafibe 

Endereço: Rua Prof. Orlando França de Carvalho, 325 - Centro CEP 14.701- 
070 Bebedouro, SP- Brasil 

E-mail: barbieri.lima(dyahoo.com.br 


RESUMO: A busca por novas sensações e sentimentos é um dos principais 
elementos motivadores do consumo de cervejas artesanais, sugerindo que, nesse 
nicho de mercado, o consumidor estaria inserido em um fenômeno social repleto de 
simbologias, com o propósito de comunicar seus valores pessoais por meio do 
consumo. Por decorrência, esse consumidor poderia se utilizar da posse ou consumo 
do produto, a cerveja artesanal, com o intuito de viver uma experiência única, repleta 
de significados simbólicos. Para atingir esse objetivo é provável que o comportamento 
ritualístico desempenhe um importante papel. Tal raciocínio, apesar de lógico sob o 
ponto vista teórico, necessita de evidências empíricas que o comprovem. Esse foi o 
propósito que orientou a realização desta pesquisa. A presente pesquisa teve como 
objetivo analisar o fenômeno de consumo de cervejas artesanais, a fim de 
compreender como os significados simbólicos envolvidos nas experiências de 
consumo são evidenciados pelo consumidor e qual o papel dos rituais nesse 
processo. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa, por meio de entrevistas 
em profundidade, com consumidores de cervejas artesanais. A análise do material, 
aportada pela visão experiencial, consumo simbólico e estudos de comportamento 
ritualísticos, revelou que há evidências empíricas de que o consumo de cervejas 
artesanais está fortemente relacionado ao consumo de elementos simbólicos e 
hedônicos e que os rituais (vestuário, copos, modo de servir a bebida, maneira de 
degustar a bebida) ocupam um importante papel nesse contexto. 


PALAVRAS-CHAVE: Experiências de Consumo, Consumo simbólico, Rituais de 
Consumo. 


189 


ABSTRACT: The search for new sensations and feelings is one of the main motivating 
elements of the craft beer consumption, suggesting that, in this niche market, the 
consumer would be inserted in a social phenomenon full of symbologies, with the 
purpose of communicating their personal values through consumption. As a result, this 
consumer could use the possession or consumption of the product, craft beer, in order 
to live a unique experience, full of symbolic meanings. To achieve this goal, ritualistic 
behavior is likely to play an important role. Such reasoning, although logically logical, 
needs empirical evidence to support it. This was the purpose that guided this research. 
This research aimed to analyze the phenomenon of craft beer consumption in order to 
understand how the symbolic meanings involved in consumer experiences are 
evidenced by the consumer and what is the role of rituals in this process. To this end, 
a qualitative research was conducted through in-depth interviews with craft beer 
consumers. The analysis of the material, supported by the experiential view, symbolic 
consumption and studies of ritualistic behavior, revealed that there is empirical 
evidence that the consumption of craft beers is strongly related to the consumption of 
symbolic and hedonic elements and that the rituals (clothing, glasses, mood). of 
serving the drink, manner of tasting the drink) play an important role in this context. 


KEYWORD: Consumption Experiences, Symbolic Consumption, Consumption 
Rituals. 


1. INTRODUÇÃO 

Nos estudos de marketing, o consumidor é, preferencialmente, analisado de 
forma racional e positivista. No entanto, as decisões de compra são permeadas de 
aspectos emocionais. Em alguns casos, a compra tem como propósito cumprir uma 
função hedônica, portanto não podem ser eminentemente racionais os elementos que 
pautam o processo de escolha. Recentemente, a literatura de marketing, em especial 
em seu viés cultural (Arnould & Thompson, 2005; Gaião, Souza, & Leão, 2012), tem 
buscado compreender o papel simbólico do consumo, sobretudo no mercado de 
alimentos. Um ponto que tem despontado na área é o papel fundamental do marketing 
e das pesquisas na compreensão de processos de consumo alimentar simbólico 
(CRONIN et al. 2014) Thompson & Coskuner-Balli, 2007). Apesar do interesse 
crescente por esse tipo de abordagem em pesquisa de marketing, ainda há muitas 
lacunas e oportunidade de estudo nessa área. Este artigo estudou o consumo 
simbólico no universo das cervejas artesanais. 

A cerveja é uma bebida antiga, cujo consumo está permeado de elementos 
sociais e culturais. Geralmente associada a momentos de celebração, a cerveja é vista 


como uma bebida para ser compartilhada. Estes aspectos sociais que circundam o 


190 


contexto estudado estão intimamente relacionados a passagens históricas que 
relatam o consumo compartilhado da cerveja ao longo dos séculos (MORADO, 2009). 

A bagagem cultural que o produto carrega traz à tona diversos elementos 
simbólicos e hedônicos enraizados nesse fenômeno de consumo e, esses elementos, 
se configuram como uma rica fonte de estudo para o consumo hedônico. O hedonismo 
é caracterizado pela busca por prazer e o consumo hedônico é um fluxo de fantasias, 
sentimentos e sensações (HOLBROOK, HIRSCHMAN, 1982). 

Ao escolher a cerveja para o estudo de um fenômeno de consumo, deve-se 
atentar para o fato de que a mesma não poderá ser analisada apenas pelos seus 
benefícios utilitários, uma vez que a bebida não tem caráter eminentemente funcional. 
Desta forma, a análise do consumo através da ótica positivista, dominante na 
academia de marketing, não resultaria em insights relevantes para o presente 
trabalho, pois os estudos clássicos analisam as decisões de compra do consumidor, 
partindo das características objetivas do produto para realizar a compra, como a 
potência, o consumo de combustível e a segurança de um carro, por exemplo. Além 
disso, estes estudos costumam priorizar a generalização dos resultados, obtidos 
através da aplicação de técnicas de pesquisa quantitativas. Este trabalho por sua vez, 
utiliza métodos qualitativos de análise, a fim de explorar e compreender em 
profundidade o fenômeno estudado e observar suas características singulares 
(HOLBROOK E HIRSCHMAN, 1982). 

A busca por novas sensações e sentimentos é um dos principais elementos 
motivadores do consumo de cervejas artesanais, sugerindo que, nesse nicho de 
mercado, o consumidor estaria inserido em um fenômeno social repleto de 
simbologias, com o propósito de comunicar seus valores pessoais por meio do 
consumo. Por decorrência, esse consumidor poderia se utilizar da posse ou consumo 
do produto, a cerveja artesanal, com o intuito de viver uma experiência única, repleta 
de significados simbólicos. Para atingir esse objetivo é provável que o comportamento 
ritualístico desempenhe um importante papel. Tal raciocínio, apesar de lógico sob o 
ponto vista teórico, necessita de evidências empíricas que o comprovem. Esse foi o 
propósito que orientou a realização desta pesquisa. 

Diante das reflexões expressas nesta seção e com o objetivo de buscar 
evidências empíricas para o raciocínio hipotético apresentado, formulou-se o seguinte 


problema de pesquisa: como os significados simbólicos envolvidos nas experiências 


191 


de consumo são evidenciados pelo consumidor e qual o papel dos rituais nesse 


processo? 


2. OBJETIVO 

A presente pesquisa teve como objetivo central analisar o fenômeno de 
consumo de cervejas artesanais, com foco nas emoções e sensações resultantes das 
experiências de consumo do produto, a fim de buscar evidências empíricas dos 


aspectos simbólicos presentes nas práticas de consumo e sua relação com os rituais. 


3. REFERENCIAL TEÓRICO 

Os referenciais teóricos clássicos que fundamentaram a investigação empírica, 
cobrindo o tema experiências e rituais de consumo, são apresentados nesta seção. 

3.1 DIMENSÕES EXPERIENCIAIS DO CONSUMO SEGUNDO HOLBROOK E 
HIRSCHMAN (1982) 

No início da década de 80, Holbrook e Hirschman trouxeram à tona uma série 
de aspectos teóricos divergentes da corrente teórica tradicional e dominante nos 
estudos do consumidor, ao afirmar que importantes fenômenos de consumo, como as 
atividades de lazer, os prazeres sensoriais, as respostas emocionais, os aspectos 
simbólicos, as respostas hedônicas e os rituais de consumo, não eram levados em 
conta nas abordagens que antecederam a chamada visão experiencial. Ao se darem 
conta de que esses importantes elementos deveriam ser estudados, os autores 
desenvolveram um modelo que se opôs à visão clássica behaviorista/cognitivista. 
Para fundamentar esse conhecimento, os autores buscaram técnicas de pesquisa 
com abordagem qualitativa, utilizadas por sociólogos e antropólogos. 

Apesar de terem apresentado uma visão contrastante com o modelo 
dominante, ressaltaram que as contribuições das teorias clássicas do comportamento 
do consumidor não deveriam ser desconsideradas. Os autores propuseram uma 
complementação do modelo clássico, defendendo a ideia de que o comportamento do 
consumidor é o resultado fascinante e infinitamente complexo de uma interação 
multifacetada entre o organismo e o meio ambiente. Em seu trabalho, os autores 
apresentam um diagrama que contrasta o “modelo de processamento de informação” 
da linha cognitivista com a “visão experiencial”, calcada na experiência de consumo. 
No primeiro, o consumidor é considerado um processador de informações que, sem 


ligação afetiva ou emocional, busca a solução de um problema. Na segunda visão, 


192 


considera-se o fluxo de fantasia, de sentimentos e de diversão envolvidos na 
experiência de consumo de um bem ou serviço, além de significados simbólicos, 
hedonismo e critérios estéticos que a experiência de consumo proporciona ao 
indivíduo. Posicionadas à esquerda da barra ficam as definições da corrente 
tradicional, do outro lado, à direita, ficam as definições da nova abordagem 


apresentada. 


Figura 2 - Modelo sintético da visão experiencial. 


Enracas 
Ambleniais 





Tipo de Emvoivimento 


Respostas, Orentação 
coro / eg 





Cérebro; Oleoro 
Esquerdo / Dito 














Fonte: Traduzido e adaptado de Holbrook e Hirschman (1982) 


Como se pode observar na figura 2, as diferenças entre as duas abordagens 
percorrem todas as etapas do processo de decisão e consumo. Destaca-se a 
diferença apresentada pelos autores em relação aos recursos de entrada do 
consumidor. Segundo Holbrook e Hirschman (1982) ao analisar os trabalhos da 


193 


corrente clássica, é possível perceber que quando tratam dos recursos que são 
ofertados pelo consumidor no momento da transação, o foco recai somente sobre os 
recursos monetários e a questão do preço. Assim, teoricamente, a decisão de compra, 
sob o ângulo do consumo experiencial, nem sempre terá o preço como fator 
determinante, sendo que a variável tempo que pode assumir um papel tão ou mais 
importante que o preço. 

3.2 RITUAIS SEGUNDO ROOK (1985) 

O termo ritual, bastante associado aos estudos de experiências de consumo, 
refere-se a um tipo de atividade simbólica expressiva, construída através de vários 
comportamentos e que difere de atividades corriqueiras por ocorrer em uma 
sequência com começo, meio e fim, dentro de episódios fixos e que tendem a serem 
repetidos, de forma semelhante, ao longo do tempo. O ritual segue um roteiro, onde 
os atores o realizam com seriedade e intensidade interior. Esta definição considera 
que, qualitativamente, é possível distinguir um ritual de outros comportamentos 
semelhantes, pois ainda segundo o autor, nem todos os hábitos envolvem rituais, mas 
Os rituais, necessariamente, se encontram em uma atividade habitual. Além disso, o 
autor ainda defende que o estudo do comportamento ritual serve como instrumento 
conceitual para auxiliar a interpretação do comportamento de consumo (ROOK, 1985). 

Para Bell (1992) os rituais são uma janela para a compreensão das dimensões 
culturais e através deles as pessoas constroem, reconstroem e alimentam a sua visão 
de mundo. Quando pensamos no contexto de consumo escolhido para a observação 
no presente trabalho, podemos encontrar rituais coletivos praticados por um grupo de 
amigos, por exemplo, ou rituais individuais, que segundo Rook (1985) são mais 
profundos, variados, complexos e significativos. Ao nos aprofundarmos nas pesquisas 
sobre rituais de Rook (1985) iremos encontrar os elementos tangíveis que, segundo 
o autor, estão presentes em um ritual (quadro 2). 

Rook (1985) afirma que pelo fato de darem forma ao consumo, acompanhando 
ou sendo consumidos durante o ritual (comidas, bebidas, joias, velas e etc.), os 


artefatos transmitem significados simbólicos que integram a experiência completa. 


194 


Quadro 2 - Elementos de um ritual. 





COMPONENTES | DESCRIÇÃO 





TANGÍVEIS 

Dão forma ao consumo, acompanham e são consumidos no ritual. 
Artefatos do Por este motivo transmitem significados simbólicos que compõem 
ritual uma experiência completa. Exemplo: recipientes, comidas, bebidas, 


velas, joias, medalhas. 


Descrevem quais serão os artefatos consumidos e quais serão as 
funções desempenhadas durante o ritual. Em casos de rituais 
Roteiro do ritual individuais estes roteiros podem ser mais flexíveis, de acordo com 
o que o indivíduo deseja. Exemplo: sair para jantar em um 
restaurante em uma ocasião especial. 


Define a tarefa que cada indivíduo deve executar, a cada passo, 
durante o ritual. 


Podem ou não interagir durante o ritual, no entanto, em casos de 
Platéia do ritual rituais individuais, podem ser constituídas apenas pessoas que 
estiverem por perto no momento. 


Fonte: Rook, 1985, p. 259. 








Papéis no ritual 

















Já quando trata dos roteiros, o autor afirma que ele informa, não apenas quais 
artefatos serão usados, mas a sequência e por quem serão usados. Após definir esse 
ponto, ele trata dos papéis desempenhados no ritual e afirma que são 
desempenhados por indivíduos que muitas vezes tem papéis explícitos, como em um 
casamento. 

Em outros casos, como nos rituais individuais, o roteiro pode ser mais flexível 
e de acordo com o que a pessoa busca no momento do ritual, como em um 
restaurante. Por fim, alguns rituais podem ter um público ou uma plateia envolvida, e 
neste caso o ritual poderia ser encenado e direcionado a este público, mas em se 
tratando de rituais individuais, a plateia seria qualquer pessoa que estivesse em volta, 
mesmo que o ritual não seja direcionado a ela. 

O que pode diferenciar um ritual de um hábito é o fato do primeiro, em geral, 
“ser mais longo, ter experiências plurais, ser mais roteirizado, ter uma dimensão mais 
dramática e envolvimento psicológico, como casamentos e aniversários. 
Diferentemente, hábitos tendem a ser singulares, menos roteirizados e de menores 
envolvimento e significado pessoal, como amarrar os cabelos ou tomar pílulas todos 
os dias de manhã” (CUPOLLILO, CASOTTI, CAMPOS, 2013, p.31). 

Segundo Belk (1988) os rituais são importantes para a representação da 


autoimagem do indivíduo e, assim sendo, podemos levantar a hipótese de que os 


195 


rituais individuais podem dizer algo sobre as pessoas, principalmente em um contexto 
de consumo como o selecionado. 

Segundo Arcuri (2016) os estudos dos rituais no campo dos estudos sobre 
consumo se tornaram um campo fértil para ser explorado pelos pesquisadores, isso 
porque, quando os consumidores adquirem e interagem com os objetos, eles criam 
valores e podem perpetuar os significados através de uma conexão entre os sistemas 
de valores e as práticas observadas. Desta forma os rituais têm a capacidade de 
comunicar os valores sociais dos objetos através das práticas relacionadas a eles. 

Para McCracken (1986), o ritual é uma ação de caráter social direcionada à 
manipulação cultural, que pode ter objetivos coletivos ou individuais de categorização 
social. Em outras palavras, através dos rituais seria possível afirmar, evocar ou revisar 
os símbolos convencionais e seus significados de ordem cultural. O autor também 
considera que o estudo dos rituais nos proporciona ferramentas para a compreensão 
da dimensão simbólica do consumo, pois são práticas de fixação de símbolos dos 
bens de consumo que validam estes atributos perante o sistema de consumo. 

Diante dessas definições, podemos constatar que existe um caráter 
singularizador dos objetos presentes nos rituais. E sobre isso, o trabalho de Arcuri 
(2016) apresenta outro ponto interessante ao destacar que o estudo dos rituais e dos 
fenômenos de consumo se toca, por meio do colecionismo, que pode ser interpretado 
como um ritual singularizador (ARCURI, 2016). 

Dado que a experiência de consumo é permeada de elementos hedônicos, 
tangibilizar a experiência é algo importante para os consumidores. Segundo a autora, 
o colecionar cria valor aos bens através das experiências de consumo, e o 
colecionador passa a ter um grande envolvimento com o objeto de coleção, 
pesquisando, conhecendo e conquistando estes objetos. A curiosidade é uma 
habilidade importante a ser destacada de um colecionador, além disso, ele deve 
apreciar a procura dos itens raros de sua coleção, e então, passa a ser reconhecido 


como referência no assunto. 


4. MÉTODOS DE PESQUISA 

O trabalho em questão foi estruturado como uma pesquisa de natureza 
exploratória, com abordagem qualitativa (VERGARA, 2004, p.47). A abordagem 
qualitativa foi usada para identificar percepções, motivações, sentimentos e 


sensações de consumo dos entrevistados. Nesse estudo, buscou-se entender os 


196 


porquês de determinadas opiniões e comportamentos. Assim, a abordagem escolhida 
mostra-se mais adequada ao problema e contexto de pesquisa (KOTLER; KELLER, 
2006, p.105). 

Foram aplicadas as técnicas de entrevista em profundidade, com o auxílio de 
um roteiro semiestruturado, que foi confeccionado a partir das teorias analisadas na 
revisão: dimensões experienciais de consumo (Holbrook e Hirschman, 1982); (Veblen, 
1965; Belk, 1988; Silva, 2011; Belk, 2013); Rituais de consumo (Rook, 1985; Bell, 
1982; McCracken 1986) . 

Esta investigação empírica é parte de um trabalho investigativo mais robusto, 
que envolve uma observação não participante do comportamento de consumo de 
cerveja artesanal, em um bar, a fim de conhecer os aspectos ritualísticos ligado ao 
consumo desse produto. Para dar mais consistência ao trabalho, as entrevistas foram 
realizadas com os frequentadores do mesmo estabelecimento selecionado para a 
realização da observação não participante. Os resultados da observação não 
participante não serão abordados neste estudo em função da limitação de espaço. 

Foram realizadas quatro (4) entrevistas em profundidade, em todas as terças- 
feiras do mês de julho de 2013. As entrevistas foram feitas em locais públicos ou por 
vídeo conferência, através da internet e foram conduzidas com base em roteiro 
semiestruturado, elaborado com base na teoria citada. Todas foram gravadas em um 
smartphone, no entanto, três delas foram realizadas através do software de vídeo 
conferência Skype. A duração média das entrevistas foi de 70 min. 

Adotou-se o seguinte critério para selecionar os entrevistados: (1) ser maior de 
18 anos e (2) já ter visitado o local selecionado para a pesquisa (bar com eventos 
musicais). A indicação dos potenciais entrevistados foi feita pelos próprios 
funcionários do estabelecimento selecionado. Após serem contatados, seis indivíduos 
se dispuseram a realizar as entrevistas, no entanto, dois deles não puderam 
comparecer ao local sugerido para a realização da coleta. 

Um desses indivíduos ainda se dispôs a realizar a entrevista por telefone, no 
entanto, os dados da mesma foram descartados por não qualidade para a correta 
transcrição. Desta forma, considerou-se como dados válidos: uma entrevista pessoal 
e outras três, via Skype. 

Após a minuciosa transcrição dos áudios das entrevistas gravadas, teve início 
o processo de análise. Os dados coletados foram analisados com o suporte da técnica 
de análise de conteúdo. Para isso, seguiram-se as três etapas propostas por Bardin 


197 


(2008). Na pré-análise foi realizada a preparação do material: após a transcrição das 
entrevistas teve início a sua leitura flutuante, que consiste em uma leitura profunda e 
repetida das transcrições, que permitiu maior contato com o material e o conhecimento 
de seu conteúdo, ideias e conceitos. 

A segunda etapa, exploração do material, consistiu na busca de palavras e 
ideias repetidas pelos entrevistados, e posteriormente a identificação de unidades de 
registro, que segundo Bardin (2008), são as unidades de significação que 
correspondem ao “segmento de conteúdo a considerar como unidade base, visando 
a categorização e análise frequencial”.Procurou-se localizar os elementos que se 
relacionavam às teorias apresentadas anteriormente. Feito isso, foram realizadas as 
categorizações, que é o processo de agrupar as unidades de significado comuns 
(BARDIN, 2008). 


5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Apresentam-se nesta seção os resultados da investigação empírica. Eles foram 
agrupados em duas categorias de análise: 1) Dimensões experienciais do consumo: 
a partir da estrutura conceitual utilizada no trabalho (diagrama de HOLBROOK, 
HIRSCHMAN,1982) apresenta-se uma descrição da experiência de consumo da 
cerveja artesanal, com os dados colhidos nas entrevistas em profundidade, realizadas 
com os frequentadores de um bar que comercializa cervejas artesanais; 2) 
Comportamento ritualístico no consumo de cervejas artesanais: em um segundo 
momento, procura-se destacar os aspectos ritualísticos do consumo, a partir da 
estrutura conceitual de Rook, 1985. 

5.1 DIMENSÕES EXPERIENCIAIS DO CONSUMO 

Como mencionado na metodologia, para a realização das entrevistas em 
profundidade, cujos resultados serão apresentados a seguir, o ponto de partida foi a 
etapa de observação não participativa realizada no pub, cujo objetivo foi identificar os 
aspectos ritualísticos ligados ao consumo de cervejas artesanais. Os sujeitos 
entrevistados são frequentadores do referido pub e seus contatos foram passados por 
funcionários da casa. As características e informações principais acerca dos 


entrevistados podem ser encontradas no quadro 2. 


198 


Quadro 2 - Relação dos entrevistados na pesquisa. 

















Pseudônimo Sexo Idade Ocupação 
L Feminino 38 Ortodontista 
R Feminino 22 Estudante 
N Masculino 24 Economista 
D Masculino 36 Jornalista 




















Ao relacionar os dados coletados com a visão experiencial de consumo, 
pudemos notar que o prisma pelo qual Holbrook e Hirscnman (1982) entendem que 
devem ser analisados os fenômenos de consumo com foco nas experiências, se 
mostrou um instrumento extraordinário para a análise dos elementos que permeiam o 
consumo de cervejas artesanais. Esta análise vai além do modelo racionalizado e 
objetivo, amplamente difundido na academia. 

Primeiramente, efetuando a leitura da experiência de consumo, a partir da 
estrutura conceitual apresentada no diagrama de Holbrook e Hirschman (1982), 
adotada neste trabalho (figura 1), foram investigados os aspectos ligados às “entradas 
ambientais” e, sobre essas, pudemos notar que os “Produtos” buscados pelos 
consumidores no caso do pub, são os serviços oferecidos pela casa, ou seja, a música 
ao vivo das bandas que lá se apresentam, as comidas que são servidas e, 
principalmente, o amplo leque de opções de rótulos de cervejas presentes no 
cardápio. 

Esses elementos, sensoriais e hedônicos, estão carregados de significados e 
símbolos. Além disso, as pessoas que frequentam o pub o fazem buscando 
experiências em momentos de lazer. Alguns frequentadores gostam de assistir futebol 
ou uma luta de MMA, com os amigos, sentados à mesa, comendo e/ou bebendo. 

Outros preferem apenas sentar-se junto ao balcão e passar um tempo, 
enquanto outros preferem ainda destinar suas atenções à banda que está tocando no 
palco principal. Portanto, pode-se observar que as “Consequências e Saídas” 
decorrentes das experiências de consumo são o prazer de um momento de 
relaxamento, ou um momento de diversão, em que se desligam das atividades do dia- 
a-dia. Pelo fato do local escolhido não se tratar de um ambiente de consumo ordinário, 
até por ser cobrada uma taxa de entrada, através das entrevistas foi possível notar 
que, quando algumas pessoas consomem no pub, enxergam a experiência como algo 
extraordinário. Por esse motivo, consomem produtos diferentes do que estão 


habituados. 


199 


É possível analisar que, a companhia no momento do consumo, para um dos 
entrevistados, é um elemento que define se a experiência será ou não ordinária, deste 
modo, ele baliza o que será consumido naquela noite: “Quando eu saio para beber 
cerveja, no Vila Dionísio, por exemplo, eu vou com minha namorada, e lá eu bebo 
cerveja diferente. Agora quando vou com meus amigos eu tomo cerveja normal.” N, 24 

Neste depoimento, vale ressaltar que, quando N, 24 afirma beber “cerveja 
diferente” se refere às cervejas artesanais, sejam elas nacionais ou não. Pelo que fora 
demonstrado nas entrevistas N, 24 considerava estas cervejas como “diferentes” por 
estarem associadas à momentos com a namorada, ou seja, experiências com alto 
envolvimento do entrevistado, momentos que gostaria de tornar especial através de 
uma “cerveja diferente”. 

É apresentado um trecho da entrevista concedida por uma jovem de 22 anos, 


que destaca o consumo como um momento especial; 


Pra mim é um momento especial, porque o dia-a-dia é muita correria, ali é o 
momento que eu tenho pra se sentar, pra relaxar, pra sentir todos os fatores 
da cerveja, então é um momento que é pra mim. Ou se eu estou com algum 
amigo meu, e ele quer encher a cara eu faço ele não encher a cara, eu faço 
ele tomar uma cerveja especial comigo para ele sentir todos os fatores da 
cerveja pra depois falar: Se você quiser encher agora pode que eu já estou 
feliz. R, 22 


A jovem em questão nos mostra que para que a noite seja agradável ela 
procura transformar o primeiro momento em um momento extraordinário. A primeira 
cerveja da noite, com o paladar ainda “virgem” deve ser uma cerveja especial. Afirma 
que este momento é só dela, mas pode ser compartilhado com quem estiver com ela, 
desde que o acompanhante “entre no clima” da experiência da mesma maneira que 
ela. Para isso, orienta o consumo dos colegas, compartilha informações sobre as 
características sensoriais esperadas para a cerveja a ser degustada (os sabores, 
aromas e sensações quanto à carbonatação e a presença pronunciada ou não de 
álcool na cerveja) e, segundo afirmou, quando consegue fazer isso, sente-se 
realizada. Por fim, durante a entrevista D,36, afirmou que produzia sua própria cerveja, 
artesanalmente. No entanto, é interessante notar que as experiências de consumo 
extraordinárias para ele não são quando consome sua própria bebida em casa, como 


nos conta em um trecho da entrevista: 


Em casa, eu costumo tomar a cerveja que eu faço ou cervejas especiais que 
eu compro, e eventualmente eu tomo Heineken em casa, mas fora de casa, 
quando eu vou a algum bar especializado em cerveja, eu tomo alguma 
cerveja que eu tenho vontade de experimentar. D, 36 


200 


Quanto às “Propriedades de estímulo” presentes no ambiente, como ficou 
exemplificado com as imagens do local da pesquisa, existem diversos pôsteres, 
cartazes, placas com a temática voltada às cervejas do mundo, à arte pop, filmes 
clássicos, personalidades icônicas da música e dos cinemas. Além disso existem 
elementos que remetem a outros lugares do mundo, como o poste com o nome das 
ruas onde se localizam as unidades do Vila Dionísio tem seu texto em inglês, além da 
cabine telefônica vermelha, símbolo típico das ruas inglesas. Todos estes elementos 
contêm estímulos visuais e comunicação não verbal, eles compõem o ambiente e 
fazem com que as pessoas que visitam o pub tenham a sensação de estarem em 
vários outros lugares do mundo sem sair de Ribeirão Preto. 

O entrevistado N, ao ser questionado sobre a estrutura oferecida pelo Vila 
Dionísio, afirmou que: “faz parecer um Pub mesmo, com aquela mesa de madeira, eu 
acho bem legal lá por causa disso. Acho um pouco caro algumas cervejas, mas em 
geral, está na média para um bar.” N,24 

Assim, N. 24, evidencia que os estímulos sensoriais emanados pelo 
estabelecimento ajudam a compor a experiência de consumo, e em seguida comenta 
sobre o preço praticado pelo estabelecimento. Interessante ressaltar neste ponto que 
o preço, mesmo demonstrando ser um problema para o entrevistado, não é um fator 
que impeça o consumo, uma vez que o mesmo afirmou ser frequentador do 
estabelecimento. 

Ao analisarmos outra parte do diagrama Holbrook e Hirschman (1982), que são 
as Entradas dos consumidores é possível perceber os elementos destacados pelos 
autores nas experiências narradas pelos entrevistados. Em relação aos “Recursos” 
investidos no consumo, devemos nos lembrar da importância do elemento dinheiro 
para a realização da atividade de lazer em questão. Por outro lado, o tempo é um 
recurso também empregado nesta atividade. Não é possível estabelecer nenhum tipo 
de regra para o uso destes dois recursos frente às atividades de consumo de cerveja, 
isto porque, por se tratar de um produto com características subjetivas (sabor) não é 
possível afirmar que a cerveja mais cara é também a que agrada mais aos paladares. 
Naturalmente, associa-se o preço do bem à sua qualidade, no entanto, em relação às 
cervejas especiais não podemos fazer tal afirmação. 

O que se nota é que as pessoas que mais investem em cerveja acabam tendo 


um número maior de experiências extraordinárias por vários motivos, dentre eles, o 


201 


que mais se destaca é o prazer da experimentação, da descoberta, como nos 


demonstra um trecho retirado da entrevista com D, que afirma: 


Eu tive uma fase de querer experimentar muitas cervejas. Então eu não 
media muito o preço da cerveja, eu saia mais e procurava. Quando tinha um 
lançamento, eu queria experimentar aquilo logo e não me preocupava muito 
com o valor daquilo. Hoje eu já estou um pouco mais, eu acho até que, 
experiente, em perceber que não é porque o rótulo é novo que a cerveja é 
muito nova e muito diferente. Eu procuro até consumir até as cervejas que eu 
já experimentei e gosto mais e que eu percebi que tem um bom custo- 
benefício. Tem cervejas que são fantásticas, mas são caras, então eu acabo 
consumindo muito menos do que outras. D, 36 


Sobre a questão dos preços das cervejas especiais frente às cervejas de 
massa, outra entrevistada afirma que este fator é extremamente relevante no que 
tange à experimentação voluntária, conforme foi destacado no trecho a seguir: 


Eu acho que grande parte das pessoas não experimenta cervejas diferentes 
pelo preço. Isso é importantíssimo. Até porque em outros países onde 
algumas cervejas são fabricadas, por exemplo, na Bélgica e na Alemanha, 
se você for a um supermercado lá você vai pagar o mesmo preço que você 
paga nas gôndolas de supermercado do Brasil de uma cerveja feita em 
grande escala. E lá são cervejas com qualidade, então, acho que precisa de 
alguma forma mudar isso. L, 38 


Além dela, outro entrevistado fez a comparação entre os preços das cervejas 
no Brasil em relação a outros países no mundo, ilustrando a disparidade entre os 
preços praticados aqui com uma cerveja importada da Bélgica que é facilmente 
encontrada em grandes redes de supermercado: “tenho um amigo que morava na 
Bélgica, e me disse que a Chimay custa 3 euros e aqui ela custa 16 reais, quase 6 
vezes o preço de lá.” N, 24 

Ele, ainda afirma que as cervejas artesanais: 


[..] estão focadas em um público com um poder aquisitivo maior. 
Considerando que ela tem um custo de produção alto, e não tem o mesmo 
lucro de escala que a AMBEV para produzir cerveja regular. E um hobby, uma 
coisa que você já sabe que é um pouco mais caro. Se você sabe que você 
não pode pagar é difícil você começar. N, 24 


Com esse excerto é possível também aproximar os recursos à discussão 
acerca da “atividade de busca”. Como citado por N, 24, as pessoas que se interessam 
por algum hobby ou passatempo buscam experiências que as aproximem cada vez 
mais desses itens, como também com mais frequência. Com um novo objeto de 
prazer, as pessoas tendem a pesquisar mais sobre o assunto e a conversar mais com 
outras pessoas sobre temas ligados a esse objeto, seja com uma atividade esportiva 
ou sobre um concerto que pretende assistir. No caso da cerveja podemos traçar um 
paralelo com esse tipo de experiência, por óbvio quando os consumidores se 


202 


interessam por determinado tema eles tendem a buscar mais informações e isto 
demanda um recurso muito importante: tempo. Isto é evidenciado quando o 
entrevistado afirma que este consumo é um “hobby”, uma atividade de lazer com alto 
envolvimento, demonstrando também características de comportamento colecionista. 

Ao ser questionado durante a entrevista como escolhia as cervejas que 
degustava, N afirmou possuir um guia de cervejas, que norteava suas 
experimentações, com isso, o entrevistado podia planejar quais seriam as próximas 
cervejas a serem degustadas, bem como, tinha todas as informações necessárias 
para uma experiência completa (o copo e a temperatura ideal que deveria ser servida, 
quais eram os sabores e aromas encontrados naquela cerveja, e etc.): “Eu tenho um 
livro que chama “1001 cervejas para beber antes de morrer, e é bem bacana para 
ajudar a escolher. Tenho alguns amigos que bebem algumas cervejas diferentes, e 
acabam comentando e também me ajudam a escolher. Então eu já vou com uma 
cerveja na cabeça, se eu encontrar eu tomo.” N, 24 

No trecho transcrito, o entrevistado detalha que tem um livro que consulta em 
busca de informações sobre as cervejas. Este livro por sua vez seria um guia com 
mais de mil cervejas diferentes, o que demonstra um espírito colecionador por parte 
do entrevistado. Uma vez que o mesmo dispõe de mil opções para escolher “a 
próxima” cerveja nos demonstra uma postura curiosa, aventureira e experimentadora. 

Outros tipos de atividades de busca foram identificados em outras entrevistas. 
Uma das entrevistadas afirma que solicitava informações dos garçons e em específico 
dos sommeliers de cerveja da casa. Isto mostra que os funcionários do local, por terem 
recebido treinamento especializado em cervejas, poderiam indicar as melhores 


opções ou as novidades, como mostra o trecho destacado a seguir: 


No começo, quando a gente começou a conhecer cerveja, a gente trocava 
uma ideia com o garçom, ou com o sommelier de lá, para saber o que tinha 
de novidade, qual estilo de cerveja escolher, como ela é, se é mais amarga, 
pouco amarga. Hoje a gente já tem algum conhecimento de cerveja tomando 
há alguns anos, a gente já chega e já sabe o que quer. Lógico que quando 
tem muitas cervejas novas sempre tem alguma pra conhecer, mas as 
artesanais nacionais, justamente da nossa região, a maioria a gente já 
conhece. Então já chega sabendo o que vai pedir. L, 38 


Os resultados sugerem que os consumidores vivenciam e valorizam as 
experiências com esses produtos. Fazendo inclusive com que mudem sua maneira 
de consumir, se tornando mais criteriosos quanto à escolha, em função do sabor e da 


sensação que esperam de uma cerveja. Aprimoram o paladar à medida que adquirem 


203 


mais conhecimento através da experimentação, assim definem suas preferências e 
balizam seus hábitos de consumo. 
Sobre essas sensações e em relação às primeiras experiências com as 


cervejas artesanais, R, 22, afirmou que: 


[...] eu era traumatizada antes de começar a tomar cerveja. Porque quando 
eu entrei na primeira faculdade eu só bebia as cervejas tradicionais nossas, 
SKOL, Brahma, e eu achava horrível, achava amarga, e aí quando me 
apresentaram a cerveja, me apresentaram, uma frutada, de cereja. Era uma 
coisa que eu nunca esperava, era uma cerveja de cereja, eu adorei, foi a 
Bacchus. R, 22. 


Um ponto importante que deve ser ressaltado nesse excerto é que, a 
entrevistada, mostra que não gostava de cerveja por conhecer apenas o estilo 
erroneamente difundido no Brasil como “PILSEN”. Estas cervejas são classificadas 
como “American Standart Lagers” segundo o BJCP (2008). O que nos leva a crer que 
outras pessoas poderiam se interessar por cervejas que agradassem mais seu 
paladar do que as principais marcas produzidas em massa pelas grandes cervejarias. 
Em outro trecho, R elucida ainda mais esta primeira experiência dizendo que: A 
primeira cerveja que eu tomei, a Bacchus que era de cereja, eu não acreditava que 
aquilo era cerveja, eu falava: “Isso é muito bom! Cerveja é amarga! R, 22. 

Neste ponto, cabe outra análise interessante, pois ao relatar o fato, a 
entrevistada trata a Bacchus, degustada por ela, como uma bebida que não 
aparentava ser cerveja. Sobre isso é interessante ilustrar com um trecho da entrevista 
com L, 38, que mudou seu hábito de consumo depois de ter experimentado outros 


estilos e marcas: 


Cervejas sem ser artesanais, o “Branmão” da vida, eu comecei a 
experimentar na adolescência, mas eu não tinha o hábito de tomar muita 
cerveja. Eu não gostava dessas cervejas, então quando eu saía eu não fazia 
isso. Eu saía para tomar outros tipos de bebida e não a cerveja. Então eu não 


sou uma consumidora de cerveja de larga escala que é “Skol”, “Brahmão”, 
isso eu acho que só experimentei com 17 ou 18 anos, mas não era uma 
cerveja que eu saía pra beber não. Agora depois que apareceram as cervejas 
que dá pra se degustar que a gente sai pra tomar cerveja. L, 38 


Neste trecho, a entrevistada usa uma expressão que contém o nome de uma 
cerveja conhecida no mercado de cervejas nacionais, que, no entanto, não oferece 
características sensoriais expressivas, deste modo, ao se referir a uma cerveja 
“comum” a entrevistada as chama de “Brahmão da vida”. Por outro lado, ao se referir 
as cervejas artesanais, usa a expressão “cervejas que dá pra se degustar”, 
demonstrando que são cervejas mais elaboradas e saborosas, que resultam em 


experiências extraordinárias. 


204 


Outro entrevistado, N, 24, afirma que hoje prefere as cervejas artesanais, mas 
que ainda consome cervejas tradicionais do mercado, conforme é narrado por ele 


neste trecho de sua entrevista: 


Eu tento evitar algumas cervejas ruins, que eu não gosto, mas dependendo 
da situação eu bebo também. Não sou radical. Por exemplo, às vezes eu vou 
em algum lugar e tem Itaipava, eu bebo também. Mas se eu pudesse evitar 
de tomar [...] Tomar esse tipo de cerveja acaba sendo mais consequência do 
que escolha. N, 24 


Ainda afirma que se pudesse evitar este tipo de cerveja, e aí não fica claro se 
o principal motivo seria o preço, tomaria outras cervejas. Além disso, afirma que, por 
não ser radical, acaba aceitando tomar outras cervejas sem muito problema, isto é 
evidenciado quando diz que “tomar este tipo de cerveja acaba sendo mais 
consequência do que escolha”. Mostra que, caso não possa degustar as cervejas de 
sua preferência ele acaba escolhendo outra, pois prefere beber qualquer cerveja do 
que ficar sem beber. 

Já para R, 22, o consumo das artesanais interferiu na percepção das cervejas 
regularmente fabricadas e vendidas no Brasil. Considera as cervejas de massa como 
genéricas, explica: 


[...] eu digo genéricas porque são as mais comuns, que a gente vê em 
qualquer lugar pra vender. E genérica porque, inclusive discuti isso ontem 
com meu professor na faculdade, Original, SKOL, tirando Bud e Heineken, e 
olhe lá porque estas duas são meio duvidosas, eu não considero mais 
cerveja. E que a legislação brasileira permite que aquilo seja chamado de 
cerveja, mas se a cerveja for pra Europa ela não é considerada cerveja. 
Porque ela não tem o mínimo necessário pra ser uma cerveja, então pra mim 
elas são genéricas. R, 22 


Quando a entrevistada afirma que uma cerveja de massa “não tem o mínimo 
necessário pra ser uma cerveja” está se pautando na análise das características 
sensoriais que uma cerveja pode oferecer baseada em suas experiências. Assim, 
caracteriza todas as cervejas que considera ter características sensoriais inferiores ao 
que deseja, como “genérica”, destituídas de valor, de pontos de paridade com a 
categoria “cerveja”. 

A entrevistada L, 38, por sua vez, expressa suas experiências com cerveja de 
forma ampla e holística, abarcando os aspectos simbólicos e hedônicos ligados ao 


consumo do produto: 


Experiências boas são várias, as amizades são a primeira. Você faz novos 
amigos, se socializa mais, fica mais relaxado, então quando você está 
estressado e toma só um golinho, nem precisa ser grandes quantidades, já é 
um prazer, então tem grandes experiências. Você viaja o mundo, você 
conversa com pessoas sobre cervejas, e troca ideias, a cerveja acho que só 
traz coisas legais. L, 38 


205 


No depoimento de L. 38, fica evidenciado que, além dos elementos sensoriais 
da bebida, é muito valorizado pela entrevistada os elementos sociais presentes nas 
experiências de consumo das cervejas, de modo que valoriza as relações pessoais e 
as amizades feitas durante tais experiências, inclusive em viagens ao redor do mundo. 
Além disso, complementa descrevendo que o prazer resultante da experiência afeta 
o humor e propicia uma sensação de relaxamento. Por outro lado, D, 36, o 
entrevistado que produz sua própria cerveja afirma que: 


A cerveja que eu gosto, eu admiro porque ela é muito bem-feita. E o 
sentimento de prazer que me dá quando consumo a cerveja. Dar aquele gole 
e sentir, mesmo sabendo que aquela cerveja é muito boa, na hora de beber 
sentir que ela realmente é. E a sensação mesmo do momento. D, 36 


No entanto, buscou-se investigar sobre experiência e sensações negativas com 
a cerveja durante a entrevista, isto para contrastar as emoções que são despertadas 
em uma experiência positiva com experiências negativas, sobre isso, R, 22, foi 


categórica ao afirmar que: 


Cerveja pra mim é um motivo de prazer, é um motivo de estudo, é um motivo 
de interação com as pessoas porque quando você conhece pessoas que 
interagem com as cervejas especiais você tem um outro campo de assunto, 
porque se eu parar pra conversar com alguém só sobre cerveja vai umas 2 
ou 3 horas. Então cerveja pra mim é uma mistura de coisas boas, porque 
nunca a cerveja me trouxe coisa ruim. Desde que eu conheci a cerveja ela só 
me abriu um leque de oportunidades maravilhosas. R, 22 


Quando afirma que é um “motivo de prazer” pode-se relacionar a diversos 
elementos que são apresentados na sequência, como por exemplo, a oportunidade 
de aprender mais sobre as cervejas e as interações sociais, isso se confirma quando 
finaliza afirmando que a cerveja lhe “abriu um leque de oportunidades maravilhosas”. 

Outros entrevistados tiveram sensações diferentes às expostas acima, como 
por exemplo, a entrevistada L, 38, afirma que já presenciou experiências ruins 
provocadas pelo consumo de cerveja. No caso relatado a experiência negativa não 
foi com o produto em si, mas com o efeito que o produto produziu, mas: 


[...] só quando tem excessos, aí complica pelo efeito do álcool. Porque 
algumas cervejas artesanais tem um teor de álcool elevado e aí você embala 
e pode causar estragos, mas nada que um colega do seu lado para te cutucar 
e ajudar. Então julgo que nunca tive uma experiência ruim não. L, 38 


N, 24, por outro lado, ao tratar de uma experiência negativa que teve com uma 
cerveja, relembra um momento em que a cerveja não o agradou. Neste caso o aspecto 
negativo está associado aos atributos intrínsecos ao produto, como mostra o trecho 


retirado de sua entrevista: “Foi uma cerveja que eu comprei porque estava na 


206 


promoção, chama Black Princess, e foi horrível, era muito ruim a cerveja [...] Não foi 
uma experiência muito boa.” N, 24 

D, 36, por sua vez, destacou que as experiências negativas mais marcantes 
que teve com cerveja estavam relacionadas às características sensoriais, ou seja, ao 
sabor. Assim narrou: “Já tive experiências ruins da cerveja ser muito insípida, muito 
sem gosto ou muito artificial, não muito bom.” D, 36 

Estas impressões são de grande contribuição para o trabalho, pois elucida 
como os entrevistados se recordam de suas experiências negativas com a cerveja. 
No primeiro relato, a entrevistada R, 22, estava extremamente empolgada em poder 
compartilhar suas experiências positivas que nem localizou em sua memória 
episódios negativos, que possivelmente existiram, no entanto, ela demonstra que 
estes são irrelevantes frente às experiências positivas que teve. 

L, 38, se mostrou uma apreciadora consciente, que é cautelosa e ponderada 
em relação à quantidade que consome, justamente, por ter tido o exemplo de 
experiências negativas de pessoas próximas. N, 24, por outro lado, se recorda de 
experiências com cervejas que não o agradaram, desta forma, quando pensa em uma 
experiência ruim com a bebida, associa rapidamente a uma marca ou um estilo que 
não pretende repetir. 

Por fim, D, 36, por ter um conhecimento técnico grande acerca da bebida em 
questão, se remete às experiências de cervejas mal elaboradas, cervejas que, para o 
paladar de um produtor, causam aversão por suas características sensoriais pobres. 
É notável o fato de que os entrevistados, ao serem estimulados a discorrer sobre 
eventos negativos com a bebida, se remeteram a facetas diferentes do consumo, 
como beber em excesso, experimentar uma cerveja que desagrade o paladar e tentar 
lembrar seu nome, ou simplesmente por guardarem certas lembranças de dias ruins 
em que estas cervejas estavam presentes. 

5.2 COMPORTAMENTO RITUALÍSTICO NO CONSUMO DE CERVEJAS 
ARTESANAIS 

Uma parte da entrevista foi dedicada a investigar os aspectos ritualísticos 
ligados ao consumo da cerveja. As entrevistas trouxeram vários pontos de 
convergência com a teoria utilizada para fundamentar o trabalho, principalmente em 
trechos destacados, em que os indivíduos narram a importância de alguns artefatos 
para o consumo ritualístico, elevando o consumo a uma experiência extraordinária, 


carregada de aspectos simbólicos. É interessante analisar que esses, não são 


207 


considerados por alguns, como elementos determinantes para que a experiência seja 
completa, mas, para outros, se mostram essenciais. A seguir, os resultados da 
investigação empírica serão apresentados. 

N. 24, destaca a importância dos artefatos-elementos que autenticam o 
consumo como um comportamento ritualístico [...] sobre ele podemos elencar os 
copos em que as cervejas são servidas (Rook, 1985) —, que compõem uma 
experiência extraordinária quando afirma que “uma professora minha dizia que, uma 
coisa é você tomar um vinho em um copo de pinga, outra coisa é tomar vinho em uma 
taça”. 

O interessante deste trecho é analisar que, a associação feita entre a cerveja 
e o vinho mostra que o entrevistado põe a cerveja no mesmo patamar do vinho, que 
é tido como uma bebida mais requintada, cujo consumo é permeado de rituais. Desta 
forma, fica claro que, ele provavelmente não degustaria uma boa cerveja em qualquer 
copo. 

Para R, 22, a atenção aos detalhes vem com o tempo. Ela não julga que para 
a primeira experiência com cerveja todos os artefatos devam estar presentes à mesa. 
E vai além, dizendo que o mais importante nesses casos é a orientação de uma 
pessoa que já degustou a bebida, pois com uma pessoa para servir como 
“apresentador” da cerveja, seria possível identificar melhor como as características 
sensoriais da bebida devem ser observadas no momento do consumo, isto é 


demonstrado no trecho a seguir: 


Quando você está na sua primeira experiência você pode não estar 
acompanhado de alguém que vai te falar tudo isso. As vezes você está 
curioso, em um bar, você pede, o garçom vai te servir e você não vai sentir 
cheiro, você vai tomar. Mas você já vai sentir uma grande diferença. E aí, se 
você gostou daquilo, você vai procurar, você vai atrás, se você perguntar pro 
garçom eles vão te falar. R, 22 


Outro ponto importante do consumo ritualístico observado no campo foi a 
relação temporal: o tempo de consumo deste tipo de cerveja se mostrou muito mais 
longo por parte dos entrevistados. Todos afirmam que este tipo de bebida deve ser 
apreciado lentamente, até por causa do preço das bebidas em questão. N,24, justifica 
este comportamento no trecho em que diz: “Eu costumo beber mais devagar. 
Geralmente com calma, conversando. Como é muito caro, eu tomo só algumas, então 
tem que administrar bem o tempo de beber.” N, 24 

Por outro lado, para a entrevistada R, 22, o preço não é o fator determinante 


na relação temporal. Para ela, o ponto mais importante é a própria experiência. Afirma 


208 


que o que a leva a degustar a cerveja com calma são as próprias características 


sensoriais da bebida e as sensações que emanam do consumo da mesma: 


[...] Você abre a garrafa, sente o aroma da garrafa rápido porque o aroma 
muda, cada tipo de cerveja tem um copo específico e um jeito de colocar no 
copo, aí você analisa a cor, vê se tem detrito, por que tem cerveja que não é 
filtrada, sente o aroma de novo e aí você experimenta a primeira vez [..] Então 
aí você fica uma hora tomando a cerveja. R, 22 


Para a entrevistada L, 38, o copo ideal para a cerveja é o artefato mais 
importante do ritual, depois da própria cerveja. Então, para poder elevar sua 
experiência, ela busca informações antes do consumo, como nos demonstra no trecho 


abaixo: 


A gente sempre procura tomar as cervejas no copo próprio pra elas. Se você 
entra na internet você encontra, de acordo com o estilo da cerveja tem um 
copo apropriado. Com certeza fica mais gostosa ainda. Esse é o ritual que a 
gente geralmente faz, do copo, de ter o copo pra sua cerveja ou ter um copo 
parecido de acordo com o estilo da cerveja. L, 38 


Vale ressaltar que a palavra “ritual” é usada pela entrevistada para descrever o 
processo que vai da busca pelas informações necessárias sobre a melhor maneira de 
consumir a bebida, à aquisição dos artefatos (copo e cerveja), até o momento do 
consumo. 

Outro importante ponto ressaltado por outra entrevistada, está intimamente 
ligado à questão do treinamento dos funcionários. Isto porque, o próprio ato de servir 
alguns tipos de cerveja pressupõe um ritual específico. Este é o caso das cervejas de 
trigo, e sobre este tema R, 22, se mostrou espantada ao observar o garçom servindo 
a bebida da maneira indicada: 


[...] aí, um dia eu os vi servindo uma cerveja de trigo lá no Vila Dionísio e eu 
perguntei: Nossa mas porque você está girando a garrafa?” Aí ele parou pra 
me explicar, que cerveja de trigo tem que girar por causa dos detritos, as 
frutadas você já tem que sentir o aroma, a Kasteel Rouge muda de cor 
suavemente quando você coloca no copo, então se você não reparar nestes 
detalhes você perde muita coisa. E à partir do momento que eu comecei a 
reparar nisso eu não consegui mais deixar de fazer isso. R, 22 


Estes rituais associados à maneira de degustar a bebida estiveram muito 
presentes tanto através das observações não-participantes, quanto nas entrevistas. 
De certa forma, cada indivíduo escolhe qual ritual seguirá, ou não, para completar sua 
experiência. No entanto, podemos inferir que, pelo fato de ser uma experiência com 
alto grau de envolvimento dos consumidores, todos tendem a elevá-la ao patamar 
máximo que desejam, seja tomando no copo e na temperatura certa, ou 


complementando a experiência com outros artefatos como uma comida específica. 


209 


É de fato interessante analisar a possibilidade de que determinado tipo de 
estímulo, como a música, pode interferir na decisão de um consumidor quanto ao que 
pedir, e isto não foi evidenciado através das observações. No entanto, a entrevistada 
R, 22, frequentadora do Vila Dionísio, teoriza sobre esta questão ao ser questionada 
se a música seria um elemento relevante no momento das experiências e rituais de 
consumo, e sobre isso, afirma: 


Sim, eu tenho uma teoria que eu estava conversando com o pessoal do “Vila” 
há uns 2 meses atrás, que pra mim, a música influencia no tipo de cerveja 
que eu peço. Se for um rock mais suave, um rock mais pesado, se for blues, 
se for jazz, eu peço um tipo de cerveja diferente, um tipo de cerveja que pra 
mim combina mais com esse estilo de música R, 22 


Quando questionado sobre o mesmo tema, N, 24, foi categórico ao dizer que: 
“T...] a música influencia com certeza, não dá para beber uma cerveja diferenciada 
ouvindo pagode, por exemplo.” N, 24 

D, 36, também comentou que apesar da música de qualidade no momento do 
consumo ser agradável, não é determinante para ele, e explanou sobre isso, além 
disso, salientou outro ponto muito importante: 


A música é bacana, mas para mim não é o mais importante. Em momentos 
que eu quero ouvir a música, eu não vou lá necessariamente para beber 
cerveja. Muitas vezes eu vou com o objetivo de tomar cerveja, e iria lá 
independente da música. Em outros momentos eu vou lá pela música, e que 
bom que tem uma cerveja especial, diferente que dá para beber. E lá no Vila, 
agora que saiu a lei do fumo, privilegiou bastante quem vai para apreciar a 
cerveja, sentir o aroma, sentir o sabor, porque o ambiente ficou mais limpo. 
Antes era negativo isso. Nunca tomaria uma cerveja boa lá porque eu não 
conseguiria sentir o aroma dela. Agora melhorou bastante, embora se está 
muito lotado e o ambiente está muito movimentado, para mim incomoda um 
pouco se eu quero realmente experimentar uma cerveja especial. D, 36 


Fica claro com este excerto que não é somente a música que pode contribuir 
com a experiência, mas os aromas e odores do ambiente podem também interferir 
sobre o resultado do que será consumido. O entrevistado afirma que o odor de cigarro 
no ambiente prejudica sua experiência de degustação da cerveja. Além dele, L, 38, 
também tocou neste ponto ao dizer que: “[...] um ambiente agradável, com ar 
condicionado, uma música que me agrade, com certeza isso muda tudo. Porque se 
você está em um lugar que tenha fritura, com cheiros fortes, já atrapalha, pra você 


degustar, apreciar, sentir aroma.” L, 38 


6. CONSIDERAÇÕES FINAIS E IMPLICAÇÕES GERENCIAIS 
Neste trabalho, exploraram-se os aspectos simbólicos do consumo de cervejas 


artesanais, lançando-se mão de um corpo de conhecimento teórico destinado a 


210 


investigar os aspectos subjetivos e socioculturais utilizados, continuamente, para 
gerar e modificar os significados simbólicos do consumo (ROOK, 1985, 
MCCRACKEN, 1986, HOLT, 2002, HOLBROOK; HIRSCHMAN, 1982), assim como 
para compor sua própria identidade (BELK, 1988, 2013). 

O fenômeno de consumo abordado neste trabalho apresenta ainda muitas 
facetas a serem exploradas, no entanto, dentro do que se propôs, o trabalho atingiu o 
objetivo, permitindo identificar evidências empíricas de que o consumo de cervejas 
artesanais está fortemente relacionado ao consumo de símbolos. 

Uma vez que os símbolos em questão se manifestam nas mais variadas 
formas, seja através do vestuário, do bem consumido ou apenas por fazer parte do 
público que aprecia determinado grupo musical, os consumidores revisitavam estes 
símbolos com o intuito de se comunicar no contexto de consumo. Além disso, 
demonstravam a todo tempo suas emoções e sentimentos, fosse brindando, rindo ou 
cantando a plenos pulmões algumas canções. Estes consumidores demonstravam 
um sentimento de “pertencer” àquele estilo de vida, mesmo que apenas por aquela 
noite. 

O consumo do produto, visto como fenômeno cultural, propícia ao consumidor 
experiências ricas, complexas e ao mesmo tempo desafiadoras. Isto porque, uma vez 
que o consumidor decide se lançar na jornada de experimentação, passa a se 
deslumbrar com as sensações, lugares, pessoas e experiências que o universo das 
cervejas artesanais pode proporcionar. 

Por outro lado, quando o consumidor conhece este tipo de bebida, atenta-se 
para uma gama de novas experiências que demandam novos saberes, levando-o a 
percorrer um ciclo evolutivo de conhecimento, que começa como papel de 
principiante, passa pelo de apreciador e pode chegar ao de sommelier de cervejas ou 
mestre cervejeiro, dependendo do nível de engajamento do consumidor com o 
consumo do produto. 

Com intuito de demarcar o caminho percorrido nessa jornada de 
experimentações, esses consumidores se utilizam de práticas colecionistas, expostas 
por Arcuri (2016), como uma maneira de tangibilizar a experiência. Com isso, 
singularizam os objetos consumidos e planejam os próximos itens que completarão 
sua coleção, o que nos leva à constatação de que cada item da coleção, aos olhos 


deste consumidor, detém uma enorme carga emocional e simbólica. 


211 


Os entrevistados se mostraram adeptos de um consumo mais lento, prestando- 
se mais atenção nas características da bebida e consumindo em menores 
quantidades. Afirmam que este tipo de comportamento é resultante de uma bagagem 
de experiências, tanto positivas, quanto negativas frente à bebida. Ainda sobre isso, 
deve-se ressaltar que através da valorização dos detalhes, o consumidor eleva as 
cervejas artesanais ao patamar bebida “refinada”, lugar ocupado principalmente pelos 
vinhos e alguns destilados. 

Além disso, o ato de brindar se mostrou um ritual indispensável que antecede 
O primeiro contato com a cerveja. Este dado é relevante pois demonstra que, mesmo 
se tratando de um ritual de celebrações e consumo de bebidas alcoólicas solidificado 
através dos séculos, o momento do brinde permanece como um elemento agregador 
e assume características democráticas, porque, é neste momento que todos os atores 
participantes do ritual encontram seus copos, independente do que estejam 
consumindo e de que posição no grupo ocupam. 

Outro ponto que merece destaque, extraído da análise das entrevistas em 
profundidade, se relaciona à proibição imposta pelos órgãos estaduais em relação ao 
ato de fumar em ambientes fechados. Diversos indivíduos observados levantaram-se 
e foram para a área externa dedicada aos fumantes. Para os apreciadores de cerveja 
isso favoreceu o consumo, na medida em que os odores presentes no ambiente 
deixaram de prejudicar o ritual de sentir o aroma emanado dos copos, antes do 
primeiro gole. 

Desta forma, algo que era nocivo à experiência e à saúde dos indivíduos 
frequentadores desses ambientes, fora banido dos estabelecimentos, favorecendo 
ainda mais aqueles consumidores que buscam uma experiência completa em relação 
as características sensoriais das cervejas. 

A companhia para a experiência de consumo demonstrou ser outro ponto 
relevante observado. Geralmente em momentos com amigos ou em encontros 
românticos a cerveja figurou nas mesas de muitas pessoas que buscavam boas 
conversas no contexto observado. Este ponto só reforça a tese de que a cerveja é 
uma bebida que tem suas origens associadas ao consumo em grupo. Seja em 
celebrações sociais, ritos de passagem ou até, por mais curioso que pareça, em rituais 
sagrados. 

A variável preço, que figurou em diversos depoimentos, foi considerada pelos 


consumidores um elemento capaz de inibir o consumo frequente da bebida, e mais, 


212 


mostrou-se um elemento inibidor da postura experimentadora dos potenciais 
consumidores de cervejas artesanais. Ainda que muito relevante, o elemento preço 
traz consigo outra importante reflexão. 

Ainda, através das lentes da visão experiencial, a análise das entrevistas em 
profundidade apresentou uma gama enorme de sentimentos e sensações, que foram 
identificados, em sua grande maioria, como positivos. Extremamente rica em detalhes 
e repletas de sentimentos, as declarações obtidas através das entrevistas ilustraram 
muito bem os outputs de uma experiência de consumo extraordinária. Além disso, 
elucidaram diferentes estágios de conhecimento acerca do universo das cervejas e 
características presentes no perfil experimentador do consumidor. Estes pontos foram 
considerados importantes insights para outras investigações que venham a relacionar 
experiências de consumo e cervejas artesanais. 

Entre as contribuições gerenciais, destaca-se um importante aspecto 
mercadológico do fenômeno estudado: os resultados sugerem que há uma 
valorização por parte dos consumidores em relação às cervejas produzidas em 
Ribeirão Preto, de modo que, entendendo o esforço dos empresários locais para 
colocar no mercado um produto com características sensoriais superiores ao que 
anteriormente estava disponível, os consumidores se envolvem ainda mais com o que 
lhe é ofertado. 

Além disso, ainda sobre implicações gerenciais, é interessante ressaltar que as 
variáveis utilizadas para categorizar os consumidores nos estudos positivistas 
clássicos (gênero, faixa etária, formação, renda) não demonstram relação com os 
resultados obtidos, uma vez que foram apresentados dados em que jovens de 20 anos 
estavam no mesmo contexto de consumo de senhores de 50 anos, consumindo a 
mesma bebida e desfrutando da mesma experiência com os mesmos sentimentos. 
Cabe então a esses profissionais, se utilizar destas informações de maneira criativa 
com intuito de se aproximar de públicos bem distintos, repensando o processo de 
segmentação de mercado calcado em variáveis demográficas. 

Por fim, esses dados e constatações apresentadas enaltecem a imagem da 
cerveja artesanal como fenômeno cultural e como fenômeno cultural local, uma vez 
que o município tem sua história associada às grandes cervejarias e a uma choperia 


específica, que é até hoje um dos símbolos da cidade. Brindemos! 


213 


REFERÊNCIAS 


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relação pessoa-objeto. São Paulo: FGV, 2016 


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VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 1º Ed. São Paulo: 
Atlas: 2004. 


214 


CAPÍTULO 15 


ECONOMÍA CIRCULAR, INNOVACIÓN Y SUSTENTABILIDADE. 


Claudemir Ramos 

Doutorando em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie 
(MACKENZIE) 

Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Endereço: Av. Giovanni Gronchi, 4325, apto 82 - Vila Andrade, São Paulo/SP, Brasil 
E-mail: crs.economista3 141 0(Ogmail.com 


Moisés Ari Zilber 

Doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) 
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Endereço: Rua da Consolação, 930, Consolação, São Paulo/SP, Brasil 
E-mail: moises.zilber(Omackenzie.br 


Lucio Flavio Silva Freitas 

Doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) 
Instituição: Universidade Municipal de São Caetano do Sul 

Endereço: Av. Goiás, 3400, Barcelona, São Caetano do Sul/SP, Brasil 
E-mail: lucio.freitas( prof.uscs.edu.br 


Paula Gabriela Lhama 

Mestra em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP) 
Instituição: Universidade Cidade de São Paulo 

Endereço: Rua Cesário Galeno, 448, Tatuapé, São Paulo/SP, Brasil 

E-mail: gabrielalhama(Dyahoo.com.br 


Felipe Jaime Davila 

Mestre em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (USP) 
Instituição: Universidade Anhembi Morumbi 

Endereço: Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia, São Paulo/SP, Brasil 
E-mail: felipejaimedavila(Ogmail.com 


RESUMEN: Ante el uso excesivo de bienes y servicios ambientales; y dada la 
reacción de los mercados, como el aumento de los precios de las commodities 
minerales; surgió el concepto de Economía Circular (EC). Con efecto, una retomada 
de la idea de cierre de los ciclos de materiales en la producción. El cambio a un rumo 
hacia una EC requiere innovaciones, y para tanto, este concepto debe estar articulado 
al concepto de innovación económica, e integrado a la noción de competencia 
capitalista. Sin embargo, la proyección internacional que haya alcanzado permita 
afirmar el concepto de EC es capaz de influenciar el ambiente selectivo de 
innovaciones; algunas limitaciones del concepto, en lo que concierne a las 
innovaciones y también a la sustentabilidad, carecen de mayor atención. Es el caso 
de la cobertura geográfica; efectos “boomerang” y otros. 


PALABRAS-CLAVES: Economía Circular; Innovación; Sustentabilidad; Ciclo de vida 
material. 


215 


ABSTRACT: Facing the overuse of environmental goods and services; and given the 
reaction of the markets, such as the increase of the prices of mineral commodities; the 
concept of Circular Economy (CE) emerged. Effective, a resumption of the idea of 
closing the cycles of materials in production. The move toward to a CE requires 
innovation, and therefore, this concept must be linked to the concept of economic 
innovation and integrate with the notion of capitalist competition. Although, the 
international projection achieved allow us to affirm that the concept of CE is able to 
influence the selective environment of innovations; some limitations of the concept 
regarding to innovations and sustainability, require more attention. This is the case of 
geographical coverage; "boomerang" effects and others. 


KEYWORDS: Circular Economy; Innovation; Sustainability; Material life cycle. 


1. INTRODUCCIÓN 

La emergencia de las cuestiones ambientales, junto con el aumento en el precio 
de las commodities agrícolas y minerales, llevó al retomada del tema: 
reaprovechamiento y cierre de los ciclos materiales en la actividad productiva. En 
particular, el concepto de Economía Circular (EMF, 2013) ganó destaque en el mundo 
empresarial, ratificando así el concepto del Triple Bottom Line (Profit + Planet + 
People) propuesto por John Elkington en la década de 1980, en que unió al 
desempehio en las corporaciones, el valor ambiental y social que ellas aumentan y 
destruyen (Elkington, 2012). 

Pese a varios trabajos que discuten los orígenes del concepto (Korhonen, 
Honkasalo & Seppala, 2018; Kirchherr, Reike & Hekkert, 2017), los modelos teóricos 
del cierre de los ciclos materiales (Ayres, 1999; Georgescu-Roegen, 1971; 1976) o los 
ejemplos y pruebas empíricas (Kalmykoca, Sadagopan & Rosado, 2017); el cambio 
para una economía más sustentable presupone innovaciones tecnológicas, y la 
articulación entre los conceptos de Economía Circular y de cambio tecnológico todavia 
exige atención. 

Este trabajo discute las implicaciones que la Economía Circular (EC) trae para 
el proceso de cabio tecnológico, dado el paradigma de la sustentabilidad. El objetivo 
es buscar elementos que justifiquen la hipótesis de que la emergencia de la Economía 
Circular transforma el ambiente selectivo de nuevas tecnologias en favor de 
trayectorias más 'amigables' a los recursos naturales. El texto fue elaborado sobre la 
perspectiva evolucionaria de la competencia, de donde obtiene elementos para 
comprender las fuerzas que actúan sobre el proceso de cambio tecnológico en favor, 


u oposición, la adopción de una trayectoria de producción sustentable. 


216 


Fue indicado que la Economía Circular tiene gran potencial para promover 
innovaciones benéficas al medio ambiente; sin embargo, en términos de concepto, 
requiere algo de profundidad. Especialmente, en lo que concierne al alcance territorial, 
a los posibles “efectos boomerang” de las innovaciones, a las características de la 
regulación ambiental y al respeto a una escala máxima de transformación de los 
recursos naturales. 

Además de esta nota introductoria, el artículo cuenta con tres secciones más. 
En la próxima, se presenta el marco teórico, en especial, el papel de las innovaciones 
en la competencia capitalista y la noción de un paradigma tecnológico; la idea de 
sustentabilidad, que somete el sistema económico al ecosistema global, y finalmente, 
el concepto de Economía Circular. La sección siguiente discute como la Economía 
Circular está articulada a la dinâmica de la economía capitalista y a la sustentabilidad 


socioambiental. 


2. MARCO TEÓRICO 

Asumir una perspectiva evolucionaria del sistema económico significa que el 
crecimiento es visto como un proceso no lineal, path-dependent es orientado a los 
beneficios de corto plazo, y no a la optimalidad de largo plazo. La inducción del 
crecimiento y del desarrollo económico, entendido como el cambio cualitativo en las 
formas de producción, es inherente a las relaciones sociales e históricas y, en el 
capitalismo, avanza del proceso de acumulación de capital basado en la competencia 
entre las firmas (Schumpeter, 1982). La forma más eficaz de una firma sobrevivir o 
ampliar su influencia en un mercado competitivo es a través de la introducción de 
innovaciones. 

La innovación confiere a la firma poder de monopolio temporal, donde vienen 
lucros extraordinarios. Una vez que la actividad productiva puede ser radicalmente 
modificada en función de una innovación, el crecimiento económico pasa a ser no 
lineal. De hecho, asume las características de un proceso de “destruición creadora”, 
en que nuevos sectores económicos surgen y superan aquellos anteriormente 
establecidos, retirándolos del mercado y transformando la producción de bienes y 
servicios (Schumpeter, 1984). 

Ya el proceso de cambio tecnológico es condicionado por la selección de un 
modelo o patrón de solución de problemas, que establece un paradigma y apunta un 


conjunto de tecnologias que irán a avanzar y así reforzar este mismo paradigma (Dos, 


217 


1982). O sea, las opciones y cambios tecnológicos, en cada paradigma, son 
restringidas y acumulativas, de este modo el patrón de crecimiento actual dependerá 
del camino seleccionado en el pasado. 

La irreversibilidad del tiempo y de recursos empleados insinúa todavia que 
algunas opciones sean irrevocables, o revertidas apenas a un costo bastante elevado. 
Es sabido que la sustentabilidad ambiental requiere un cambio tecnológico, por 
ejemplo, por la reducción en la emisión de gases de efecto invernadero (Jackson, 
2009). 

A su vez, la sustentabilidad ecológica puede ser comprendida como la fijación 
del total de energía/materia utilizado por el sistema económico para producción y 
consumo de mercancías y servicios, dentro de los límites establecidos por la 
capacidad de carga de polución del do medio ambiente y la velocidad de renovación 
de sus recursos (Daly, 1996). En este punto, la economía estaría funcionando en 
estado estacionario. No obstante, el avance tecnológico permite que el estoque de 
artefactos y personas varíe, crescendo, temporalmente, cuando nuevas técnicas de 
producción aumenten la vida útil de los artefactos o la productividad de los recursos 
naturales. 

La EC consiste en establecer un ciclo de producción continuo; que preserva el 
capital natural, optimiza la producción y minimiza riesgos sistémicos, administrando 
estoques finitos y flujos renovables de los recursos naturales. La EC aboga la creación 
de valores disociados del consumo de recursos finitos (Martins, 2013). 

En particular, la EC tiene origen en el arquitecto suizo Walter R. Stahel que tuvo 
bastante influencia en el desarrollo del área de la sustentabilidad industrial, sobre todo 
después de ser reconocido en 1982 por su artículo The Product-Life Factor con la 
atribución de un premio, el prestigioso U.S. Mitchell Prize”. El concepto fue 
posteriormente expandido a las cuestiones ambientales. Lo que está en causa, como 
ya mencionado, es la utilización del excedente físico del proceso productivo y de 
consumo y sus subproductos. En contraste con el modelo lineal de producción, esto 
es la retirada de recursos de la naturaleza, seguido de la producción y consumo y 
entonces de la liberación de los residuos en el ambiente; la EC propone un abordaje 


“Al introducir las leyes de la termodinámica en los modelos económicos, Georgescu Roegan ya había 
anticipado la inevitabilidad de la generación de resíduos, energéticos o materiales, y defendido que la 
producción debería caber en los límites dados por el ecosistema. Robert Ayres propuso un modelo 
que lleva al cierre de los ciclos materiales utilizados en la producción. 


218 


restaurativo y regenerativo, del tipo de la cuna a la cuna (Braungart, Mcdonough & 
Bollinger, 2007). 

En otras palabras, el objetivo de la EC es mantener productos, componentes y 
materiales en su más alto nivel de utilidad y valor todo el tiempo, distinguiendo entre 
ciclos técnicos y biológicos. Ese modelo económico busca, en última instancia, 
disociar el desarrollo económico global del consumo de recursos finitos (Stahel, 2010). 

La figura 1 demuestra cómo funciona la cadena de la economía restaurativa, 


según el influyente informe de la Fundación Ellen MacArthur.” 


Figura 1 - Cadena de la economía restaurativa. 





FIGURA 1: DEFINIÇÕES DA ECONOMIA CIRCULAR 


















PRINCÍPIO 
Preservar e aprimorar Renováveis Materiais finitos 
o capital natural 
controlando estoques 
finitos e equilibrando Regenerar Substituir materiais Virtualizar Restaurar 
os fluxos de recursos 
renováveis Gestão do fluxo de renováveis Gestão de estoques 
CICLOS BIOLÓGICOS | , y CICLOS TÉCNICOS 
Agrjedltura/coleta! 
Fabricante de peças 
PRINCÍPIO Matérias-primas y y 
bioquímicas Fabricante de 
Regeneração Biosfera | | Reciclar 
Fe Prestador de 
clrcular produtos, Reptsoa Comporta urar 


componentes e 
materlais em uso no 
mais alto nível de 
utilidade o tempo todo, 
tanto no ciclo técnico 
quanto no biológico. 


Aproveitamento 
em cascata 





Biogás 


Digestão WESSS 
anaeróbica 


Extração de 

matérias-primas 

bioquímicas 
PRINCÍPIO 

f Minimizar perdas 
Estimular a efetividade Ê sistêmicas e 
do sistema revelando + externalidades 
e excluindo as negativas 1Caçao! 
porca 

externalidades 2. Poda aproveitar tanto resíduos pós-colheita como pós- 
negativas desde o à aácad 
princípio 


Fonte: Ellen MacArthur Foundation, SUN, and McKinsey Center 
for Business and Environment: Drawing from Braungart & 


Fuente: http://www .ellenmacarthurfoundation.org/business/reporis. 


De acuerdo con la EMF (2016), tres principios básicos rigen la economía 
circular. El primer principio está relacionado a la preservación y mejoramiento del 


capital natural, controlando estoques finitos y equilibrando los flujos de recursos 


“Complementariamente, cabe resaltar la interesante propuesta de “nuevos loops en la estructura de 
la Economia Circular” desarrollada por Barderi (2017), donde trata de acciones de compartir, aun de 
manera especifica, pero que podría facilmente ser expandida para otros contextos. 


219 


renovables. Eso comienza, según la Fundación, con la desmaterialización de los 
productos y servicios —con su entrega virtual, siempre que eso fuera lo ideal. Cuando 
hay necesidad de recursos, el sistema circular los selecciona con sensatez y, siempre 
que sea posible, escoge tecnologías y procesos que utilizan recursos renovables o 
que presenten mejor desempefio. “Una economia circular también mejora el capital 
natural estimulando flujos de nutrientes dentro del sistema y creando las condiciones 
necesarias para la regeneración, por ejemplo, del solo” (EMF, 2016, s/p). 

A su vez, el segundo principio es la optimización del rendimiento de recursos, 
haciendo circular productos, componentes y materiales en el más alto nivel de utilidad 
todo el tiempo, tanto en el ciclo técnico como en el biológico. Eso significa, proyectar 
hacia la remanofactura, la renovación y el reciclaje, de modo que componentes y 
materiales técnicos continúen circulando y contribuyendo a la economía. “Sistemas 
circulares usan los menores circuitos internos (p. ex.: mantenimiento, em vez de 
reciclaje) siempre que sea posible, preservando así, más energía y otros tipos de valor 
inculcados en los materiales y componentes” (EMF, 2016, s/p). Esos sistemas también 
maximizan el número de ciclos consecutivos y/o el tiempo dedicado a cada ciclo, 
prolongando la vida útil dos productos e intensificando su reutilización. A su vez, el 
compartir amplía la utilización de los productos. 

Los sistemas circulares también estimulan la reinserción segura de nutrientes 
biológicos en la biosfera para descomposición, de modo a transformarlos en materias 
primas valiosas para un nuevo ciclo. En el ciclo biológico, los productos son 
proyectados para ser consumidos o metabolizados por la economía y regenerar 
valores. Para los materiales biológicos, la esencia de la creación de valor está en la 
oportunidad de extraer más valor de productos y materiales aprovechándolos en 
cascada, en otras aplicaciones. Como en cualquier sistema lineal, la búsqueda de 
ganancia de productividad en todas esas palancas es útil y requiere mejoras continuas 
del sistema. No obstante, diferentemente de lo que ocurre en un sistema lineal, un 
sistema circular no comprometería la efectividad (EMF, 2016, s/p). 

Finalmente, el tercer principio dice respecto al estímulo de la efectividad del 
sistema revelando y excluyendo las externalidades negativas desde el principio. Eso 
incluye, la reducción de dafias a sistemas y áreas como alimentos, movilidad, 
habitación, educación, salud y entretenimiento, y la gestión de externalidades, como 
uso de la tierra, aire, agua y polución sonora y de la liberación de substancias tóxicas. 


220 


3. DISCUSIÓN 

La EC pretende alterar la linealidad actual del sistema productivo, extracción - 
manofactura/consumo — disposición de residuos; para lo tanto, cuenta con buena 
audiencia de sus principios en el medio corporativo y gubernamental, y necesitará 
inducir una serie de innovaciones, en favor de la sustentabilidad. Este aspecto 
requiere mayor atención. 

El trabajo seminal de Dosi (1982) discute tres puntos acerca de la evolución 
tecnológica: i) el grado de independencia del avance tecnológico de los mecanismos 
de mercado; ii) el papel de los factores institucionales en el avance tecnológico y iii) 
los determinantes de la tasa y dirección de las actividades innovativas. Al discutir el 
primer punto el autor hace una breve revisión crítica de la literatura acerca de los 
cambios técnicos, y observa dos abordajes distintos. 

El primero - demand pull - asume que el cambio técnico es resultante del 
impulso y dirección dados por las fuerzas de mercado. La segunda entiende que los 
condicionantes técnicos son más importantes para el direccionamiento e inducción de 
las innovaciones y cambios. En términos generales, el abordaje demand pull 
presupone los siguientes pasos: i) hay un conjunto de necesidades de los 
consumidores a ser satisfechas; ii) el patrón de demanda expresa la preferencia de 
los consumidores; iii) el aumento en la renta hace que los consumidores busquen 
bienes que satisfagan mejor sus necesidades; iv) en este punto los productores entran 
en acción, observando los precios relativos e infiriendo las “dimensiones de la utilidad” 
que tienen mayor peso; v) el proceso innovativo se inicia para atender a tales 
necesidades. 

Aunque el esquema sea la descripción de un caso extremo, lo fundamental es 
que existe la posibilidad de conocimiento, antes del proceso de innovación ser 
iniciado, de la dirección que el mercado está empujando la actividad inventiva de los 
productores, y que parte importante de este proceso de sefialización ocurre por medio 
del mecanismo de precios relativos. Por lo tanto, subyace la hipótesis de que el 
resultado del proceso inventivo sea conocido a priori. Este abordaje es incapaz de 
responder como ciertos desarrollos tecnológicos ocurren, y no otros, y por qué en 
ciertos momentos, y no en otros. También es inconsistente con el hecho del cambio 
en la capacidad inventiva no guardar relación con los cambios ocurridos en el 
mercado. La sefialización a través del mecanismo de precios, representando las 


demandas potenciales, también parece incapaz de explicar el surgimiento de 


221 


innovaciones radicales, que transforman significativamente el sistema productivo y 
social. 

En alguna medida, el reconocimiento de las externalidades, previsto en la EC, 
presupone que el sistema de precios sea capaz de orientar la toma de decisiones en 
pro de la sustentabilidad. En que pese a los límites del abordaje demand pull, es un 
hecho de que el ajuste de los precios relativos estimula la selección de materiales y 
tecnologias existentes más sustentables. Contribuye, aunque sea insuficiente para 
orientar la trayectoria tecnológica de la economía. 

Ya el segundo abordaje, que valoriza más los determinantes tecnológicos, o 
technology push, retiene algunos hechos estilizados de la generación de 
innovaciones, cuales sean: el aumento del contenido científico en los procesos de 
innovación; la complejidad que hace de la P&D una actividad de planeamiento también 
de largo plazo y no apenas una reacción a los cambios en el mercado; la corrección 
existente entre P&D e innovaciones, y la ausencia de correlación entre mercado e 
innovaciones; la incerteza en el proceso innovativo. No obstante, es preciso evitar 
interpretaciones unidireccionales, es decir, del tipo de ciencia-tecnologia-producción. 
La propuesta ofrecida en Dosi (1982) es basada en los conceptos de trayectoria y 
paradigmas tecnológicos. La tecnología es definida como “un conjunto de 
conocimientos (o partes de conocimientos) prácticos, es decir, relacionados a 
problemas y mecanismos concretos, o teóricos, desde que sean factibles de 
aplicación práctica, know-how, métodos y procedimientos, experiencias de éxito y 
fracaso y equipos y mecanismos físicos” (p. 21). 

Un paradigma tecnológico es “un modelo y un patrón de solución de problemas 
seleccionados, basados en principios seleccionados, derivados de la ciencia natural y 
tecnologias materiales seleccionados” (p. 22). Ya una trayectoria tecnológica “es el 
patrón normal” de solución de problemas, o sea, el progreso, dentro de un paradigma 
tecnológico” (p. 22). (el término “normal” hace alusión a la ciencia normal, que, para 
Kuhn, es la actualización de las promesas fijadas por un paradigma científico, 
actualización por el avance del conocimiento). 

é Cómo emerge un paradigma en detrimento de otros? Las fuerzas de mercado 
y las instituciones operan como mecanismos de selección de las innovaciones. Una 
trayectoria tecnológica probablemente presenta características acumulativas. 
Diferentes trayectorias presentan complementariedades. A depender de los fatores 
tecnológicos y del ambiente de selección, una trayectoria puede ser más fuerte o débil, 


222 


más general o restringida. Además, no necesariamente es posible saber, a priori, la 
mejor trayectoria, hecho que resulta de la incerteza de la actividad de investigación 
(Dosi, 1982). 

Mientras tanto, es perfectamente pertinente una lectura en que intereses e 
instituciones establecidas actúen en oposición al surgimiento de nuevas trayectorias 
o paradigmas tecnológicos más ecológicamente eficientes. Aun hoy la industria del 
petróleo recibe voluminosos subsidios de muchos gobiernos (IEA, 2018). El 
agotamiento de los recursos naturales puede determinar el límite de una trayectoria o 
paradigma. Por ejemplo, una de las consecuencias más evidentes del calentamiento 
global es el desafío que impone a la continuidad del modelo de generación de energia 
basado en el combustible fósil, en uso desde la primera Revolución Industrial. 

En efecto, la economicidad es uno de los factores conducentes a la EC. Por 
ejemplo, según la Fundación Ellen MacArthur “La actual economia es 
sorprendentemente derrochadora en su modelo de creación de valor”, en el modelo 
actual de producción y consumo habría pérdidas económicas y generación estructural 
de residuos (EMF, p. 3). Aunque perduren desperdícios, la EC enfrenta retos para la 
promoción de tecnologias más sustentables. Cambios tecnológicos en un sector 
pueden implicar pérdidas a otros sectores. No hay garantias sobre cuales 
innovaciones serán preferidas, estén o no asociadas a la EC. En función de los 
intereses ya establecidos, bien como del conocimiento acumulado, el avance 
tecnológico es dependiente del camino. 

Otro agente importante en el ambiente de selección de nuevas tecnologias es 
el Estado. Mowery y Rosenberg (2005) discuten sobre la evolución de la tecnologia 
en los EUA en el siglo XX. Una de las conclusiones de los autores fue afirmar la 
importancia decisiva del sector público en el desarrollo tecnológico de aquel país, sea 
a través del financiamiento o demanda de equipos e investigaciones. Algunas 
prácticas instituidas por el Estado también fueron de suma importancia para la 
trayectoria seguida por las principales industrias. Por ejemplo, la diseminación de 
informaciones y el elevado nivel de competición entre las empresas del sector de 
microelectrónica fueron fomentados por la exigencia de los militares, principales 
demandantes de los primeros computadores, de un segundo proveedor de equipos. 
La regulación ambiental por el Estado también cumple papel decisivo en la inducción 


y selección de tecnologias “verdes”, bien como, posiblemente confiere ventajas 


223 


competitivas a los países que adoptan regulación más eficaz (Porter & Linde, 1995; 
Costantini & Crespia, 2008). 

Además de las instituciones, Estados e incentivos del mercado, las 
expectativas de los completan el ambiente selectivo de nuevas tecnologias. Conforme 
Rosemberg (2005) las expectativas de los empresarios con respecto al curso futuro 
de las innovaciones están entre los determinantes de la adopción de nuevas 
tecnologias, de fundamental importancia, por lo tanto, para que una trayectoria 
tecnológica se establezca. Vale recordar que tal decisión es tomada en un ambiente 
de incerteza y que las expectativas envuelven otras variables, como las tecnologias 
complementarias o la obsolescencia, así el curso entre el cambio tecnológico, la 
innovación y su proceso de difusión no son triviales y, muchas veces, puede requerir 
significativo período de tiempo entre cada etapa. 

La EC es promovida por muchos gobiernos, incluyendo China, Japón, Francia, 
Canadá, y también la Unión Europea, además del sector empresarial (Korhonen et al, 
2018). En este sentido, existe la atención de los Estados y de productores; y puede 
facilitar la adopción de tecnologias sustentables. 

También en la perspectiva evolucionaria, Kemp y Soete (1992) trazan los 
eslabones existentes entre la tecnología, la economía y el medio ambiente. Para los 
autores, algunas trayectorias tecnológicas alcanzaron sus límites ecológicos y 
necesitan ser substituidas por trayectorias más “amigables con el medio ambiente”. 
No obstante, ese cambio enfrenta algunos retos, pues aún no habrían sido 
beneficiadas por las escalas dinâmicas (dynamic scales) y efectos del aprendizaje 
(learning effects), y también porque el ambiente selectivo de las tecnologias estaría 
adaptado al antiguo régimen. 

El primer eslabón discutido es la externalidad del cambio tecnológico. Desde el 
punto de vista estático, la apropiación tanto de los costos como de los beneficios de 
una nueva tecnología puede ser difusa o concentrada. La presuposición más común 
sugiere una paradoja, la difusión de los beneficios y concentración de los costos. 
Aunque, otros patrones también pueden ser observados, de ahí la ineficiencia del libre 
mercado en promover cambios en favor de las tecnologias menos intensivas en 
recursos naturales y emisión. Se justifica entonces la regulación sobre la actividad 
productiva, que, preferencialmente, debe todavía preceder la organización de 


intereses que amenacen su aplicación. 


224 


Según los autores, las tecnologias envuelven creciente grado de complejidad. 
En primer lugar, porque dependen crecientemente del conocimiento científico y 
equipos, en segundo lugar, su operación exige organización fabril compleja. De este 
modo, las consecuencias ambientales de las tecnologias contemporáneas no tienen 
precedentes, o sea, al mismo tiempo en que los pequefios impactos sobre el medio 
ambiente son más fácilmente evitados, los dafios ambientales potenciales de las 
tecnologias aumentaron significativamente. 

Se notan algunos retos que la complejidad ambiental y también del proceso de 
cambio tecnológico traen a la EC. Por ejemplo, se toma la cobertura geográfica. Una 
innovación dada puede representar en una región el cierre de un ciclo material, como 
el reciclaje de un residuo antes dispuesto en el ambiente. Ocurre que este cambio 
puede inducir el aumento del transporte de ese residuo, inclusive de otras regiones, y 
así generar mayor emisión de gases de efecto invernadero o algún otro dahfio 
ambiental. 

Hay todavia el “efecto boomerang” (rebound effect) de la reducción de costos 
por el avance tecnológico, que llevan a una utilización aun mayor de los recursos 
naturales cuya productividad en el uso fue aumentada. Por ejemplo, ganancia de 
eficiencia en motores movidos por combustible fósil reducen los costos de aquellos 
que utilizan ese combustible como insumo; el dislocamiento a la derecha de la oferta 
de esos sectores (aumento de la oferta), disminuyendo el precio de sus bienes, deberá 
estimular las ventas, y Ilevar al aumento de la cantidad consumida de combustible; 
que puede superar la ganancia inicial de eficiencia. 

Desde el punto de vista dinámico, sea por la complejidad tecnológica o por la 
complejidad del mundo natural, las externalidades ecológicas de las nuevas 
tecnologias no son fácilmente aprehensible a priori. Luego, la regulación de la 
actividad productiva no debe ser pautada en la categorización de las externalidades, 
al contrario, la regulación debe ser tal que modifique el ambiente selectivo de nuevas 
tecnologias en pro de aquellas menos nocivas a los recursos naturales. El 
establecimiento de normas de emisiones, estandarización de productos y 
prohibiciones acaban favoreciendo las medidas de fin de tubo para el control de la 
polución, o sea, acaban induciendo el desarrollo de tecnologias orientadas para tratar 
los daÃios ambientales o emisiones ya existentes, y no tecnologias que los eviten, más 


limpas”. La regulación adecuada requiere la correcta atribución de los derechos de 


225 


propriedad, a través de mecanismos del tipo quien contamina, paga (Kemp & Soete, 
1992). 

Con efecto, EMF (2014) argumenta que la regulación de la economía favorece 
el modelo lineal actual; sin embargo, una de las sefiales de que el cambio para la EC 
ya comenzó, son los estándares ambientales más rigurosos. “Además de eso, la 
reglamentación en las áreas de consumidores y responsabilidad corporativa, 
contabilidad, certificación y estandarización puede ayudar a alcanzar rápidamente 
escala” (EMF, 2014, 06). Claramente, la EC va más allá de la inclusión de las 
externalidades ambientales a los precios de los bienes. En este sentido, se solicita 
una regulación ambiental bien ajustada; aunque, todavia falte clareza acerca del 
disefão más adecuado de la misma. 

EL otro eslabón discutido por Kemp e Soete (1992) es la transición de los 
patrones tecnológicos de crecimiento económico. Para os autores, “en la medida en 
que cada sistema de infraestructura y tecnologias de red crece y se desarrolla, ocurren 
externalidades cada vez más negativas. Congestionamiento de congestionamiento de 
todos los tipos, etc, irá aumentar gradualmente, de modo que la trayectoria de 
crecimiento acabará por alcanzar sus límites” (p. 442). 

El cambio para una nueva trayectoria implica tiempo para que sus 
externalidades positivas sean desarrolladas, aunque, la trayectoria dominante compite 
para que esto no suceda. 

La tecnología de información ya permite el desarrollo de nuevos negocios, del 
tipo recomendado por la EC, por ejemplo, el consumo compartido de bienes y 
servicios. Sin embargo, tales negocios deben superar retos como regulaciones no 
apropiadas, intereses establecidos o la exigencia de grandes modificaciones en la 
infraestructura institucional o física. En ese sentido, se puede entender la estrategia 
corporativa de la sustentabilidad como vector de los cambios socioambientales 
necesarios al nuevo contexto mundial (Porter & Kramer, 2006; Kotler, 2015), pues el 
valor compartido resulta de prácticas que promueven la mejoría de las condiciones 
sociales y económicas en las comunidades en que actúa (Porter & Kramer, 2006, 
2011), puesto esto, se tiene que este nuevo paradigma conectó la responsabilidad 
ambiental con la competitividad de las empresas (Porter & Linde, 1995). 

Al discutir sobre el cambio de trayectoria tecnológica, Kemp e Soete (1992) 
agregan a la de los paradigmas y trayectorias tecnológicas los conceptos de “escala 
dinámica y efectos del aprendizaje”. Para los autores, el ambiente selectivo de nuevas 


226 


tecnologias consiste en los siguientes elementos: i) la naturaleza de los costos y 
beneficios evaluados por las organizaciones que decidirán sobre la adopción de una 
innovación; ii) el modo como las preferencias de los consumidores o la regulación 
determinan lo que es más lucrativo; iii) la relación entre el lucro e la expansión o 
contracción de organizaciones o unidades en particular y; iv) la naturaleza de los 
mecanismos por los cuales las organizaciones aprenden sobre las innovaciones 
exitosas de otras organizaciones y los factores que facilitan o dificultan la imitación (p. 
445). Lo importante es observar que una innovación debe estar insertada en un 
sistema tecnoeconómico que envuelve elementos sociales e institucionales. 

La escala dinámica está relacionada a las ganancias de escala que una 
tecnologia trae a la medida que es difundida. Inicialmente una nueva tecnologia es 
relativamente cara y poco conocida, tales costos tienden a ser diluidos apenas a la 
medida que la tecnologia se difunde y la producción aumenta. 

Los efectos del aprendizaje son de tres tipos: el learning-by-doing, resultante 
de la optimización del proceso de producción, el learning-by-using, resultante de 
informaciones del usuario, y el learning-by-interacting, como resultado de la 
interacción entre ofertante y usuario de la nueva tecnologia. En la opinión de los 
autores, para una sobrevivir a la fase inicial de selección es necesario que la nueva 
tecnología obtenga un nicho de mercado. En conjunto, estos factores ayudan a 
comprender las dificultades que el cambio del paradigma tecnológico rumbo a la 
sustentabilidad enfrenta. 

La demanda por innovaciones que impactan menos sobre el medio ambiente 
es menor que la demanda por otros tipos de innovación, ya que, para las firmas, el 
objetivo de la sustentabilidad es desaprobado por el objetivo del lucro. De este modo, 
la difusión de estas tecnologías dependerá, principalmente, de fatores institucionales 
y organizacionales, y no de las fuerzas del mercado (sefialización de los precios). 

Porter y Linde (1995) argumentaron que una regulación ambiental adecuada 
podría inducir innovaciones capaces de generar beneficios que superen parcialmente 
o más de lo que completamente sus costos. En esta línea, EMF (2014) presenta una 
serie de sectores en que habría oportunidad de voluminosas ganancias económicas. 
En otras palabras, la atención a las regulaciones ambientales puede representar 
aumento de la productividad y de los lucros de las firmas, y no aumento en los costos. 

Tales ganancias puede ser difundidas en la economía, dado que la regulación 


puede cumplir seis propósitos distintos: i) senalizar a las firmas sobre ineficiencias en 


227 


el uso de materiales y recursos; ii) recolección de informaciones que permitan 
aumentar concientización de las firmas; iii) la regulación reduce la incerteza sobre las 
inversiones pro medioambiente; iv) la regulación crea presión que motiva la innovación 
y el progreso; v) la regulación nivela las firmas en el período de transición de 
tecnologias, o sea, evita el comportamiento oportunista cuando la inversión en nuevas 
tecnologias aun es alto e incierto y; vi) la regulación es necesaria para mejorar los 
patrones ambientales cuando las innovaciones no generan resultados que 
compensen sus costos. Los autores basan sus conclusiones en estudios de caso. De 
hecho, sugieren que la generación de residuos y emisión de contaminantes son, 
muchas veces, indicios de la utilización ineficiente de los recursos materiales por las 
firmas. 

Vale observar, desde el punto de vista ecológico, Porter y Linde (1995) permite 
una interpretación en que variables ambientales sean consideradas endógenas a las 
actividades productivas, en la forma de materia prima o descarga de residuos y 
contaminantes. De este modo, pueden aproximar se del concepto de sustentabilidad 
como el respeto a una escala de producción sustentable. Sin embargo, cuando 
presentan sugerencias sobre la regulación ambiental más adecuada, los autores no 
piensan en una escala máxima de utilización de los recursos naturales, lo que puede 
implicar cierto optimismo de que el avance tecnológico per se será suficiente para 
asegurar la sustentabilidad. 

El concepto de EC aun no incorpora la noción de un límite para el sistema 
económico; sin embargo, enfatiza la producción que privilegie los recursos renovables, 
respetando la capacidad de renovación. No obstante, una vez que los limites 
ecológicos no son asumidos explicitamente, tampoco las fronteras del sistema 
económico pueden ser delimitadas. Una plantación de soya, orgánica y con ciclo de 
materiales (residuos) perfectamente cerrado, aun así podría cruzar límites 
ambientales caso avance sobre la selva amazónica, colocando en riesgo su 


biodiversidad. 


4. CONCLUSIÓN 

En los últimos afios, el concepto de Economía Circular ganó atención 
internacional, sobre todo en el medio corporativo, pero también gubernamental, 
proponiendo alterar el modo de producción y consumo en favor de la sustentabilidad 


ambiental. El concepto y la atención que mereció son óptimas noticias en front de una 


228 


economía más amigable con los recursos naturales. No obstante, requiere algunas 
cualificaciones. 

En especial, la EC presupone innovaciones tecnológicas y también 
institucionales que la viabilicen. Aquí fueran destacadas la necesidad de una mayor 
preocupación como la cobertura espacial de sus iniciativas; los efectos inesperados y 
“efectos boomerang” de la ganancia de productividad en el uso de un recurso 
ambiental; la necesidad de mayor cualificación del debate sobre la regulación 
económica y ambiental, además de la importancia de la explicitación de los límites 
ambientales y del sistema económico. 

Sobre pena de tornar se inocuo o insuficiente, desde el punto de vista 
estrictamente ecológico, el concepto de EC debe incorporar tales preocupaciones. Sin 
embargo, dada su aceptación y el debate que provocó, la EC tienen la ventaja de 


favorecer la selección de tecnologías menos intensivas en recursos naturales. 


229 


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231 


CAPÍTULO 16 


PROJETO DE UM SISTEMA DE CONTROLE PARA UMA BANCADA DE 
LABORATORIO PARA ENSINO EM CONTROLE DE PROCESSOS. 


Geraldo Luiz Souto Neto 

Graduado em Engenharia Mecatrônica pelo Centro Universitário FIPMoc - 
UNIFIPMoc. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
E-mail: geraluizneto(Ogmail.com 


Ericson Ferraz Rocha 

Graduado em Engenharia Mecatrônica pelo Centro Universitário FIPMoc - 
UNIFIPMoc. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
E-mail: ericsonferrazr(Ogmail.com 


Rodrigo Baleeiro Silva 

Mestre em Modelagem Computacional e Sistemas - Unimontes. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
E-mail: rodrigo.baleeiro(dgmail.com 


José Osmane Lopes Júnior 

Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. 
Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
E-mail: eng.mecatronicaDunifipmoc.edu.br 


Vânia Ereni Lima Vieira 

Mestranda em Relações Internacionais e Direito da Integração na UDE — 
Universidad de La Empresa - Uruguai. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
E-mail: vaniaerenilimavieiradyahoo.com.br 


RESUMO: Este trabalho apresenta o projeto de um sistema de controle para uma 
bancada acadêmica utilizada para experimentos da disciplina de Mecânica dos 
fluidos. Observou-se que a bancada também pode ser utilizada para ensino de temas 
e experimentos relacionados à área de controle de processos. Portanto, foi proposto 
projetar um sistema de monitoramento e controle automático de vazão para a 
bancada. A princípio, os materiais da bancada foram analisados e testados para 
confirmar quais poderiam ser utilizados. Realizou-se uma pesquisa pelos 
equipamentos que deveriam ser acrescentados e seus dados foram estudados. O 
fluxo de água nos tubos da bancada é controlado através da variação na rotação de 
uma bomba centrífuga. Portanto, utilizou-se um controlador lógico programável (CLP) 
conectado a um inversor de frequência para controlar a bomba e modificar a vazão 


232 


nos tubos de acordo com o valor desejado. Um transmissor de medição de pressão 
diferencial foi utilizado para enviar sinais de realimentação ao CLP. Desta forma, o 
sistema de controle projetado acrescentou uma nova funcionalidade à bancada ao 
permitir realizar experimentos e simulações na área de controle de processos e redes 
industriais. Tanto professores quanto alunos podem utilizar o sistema aplicando 
conceitos expostos nas aulas. 


PALAVRAS-CHAVE: Controle de vazão, Automação industrial, Bancada de 
laboratório, Medição de pressão diferencial, Controlador lógico programável. 


ABSTRACT: This paper presents the design of a control system for an academic 
bench used for experiments in the discipline of fluid mechanics. It was observed that 
the bench can also be used for teaching themes and experiments related to the 
process control area. Therefore, it was proposed to design an automatic flow 
monitoring and control system for the bench. At first, the bench materials were 
analyzed and tested to confirm which could be used. A search was made for the 
equipment that should be added and their data were studied. The flow of water in the 
bench tubes is controlled by varying the rotation of a centrifugal pump. Therefore, a 
programmable logic controller (PLC) connected to a frequency inverter was used to 
control the pump and modify the flow in the pipes to the desired value. A differential 
pressure measurement transmitter was used to send feedback signals to the PLC. In 
this way, the designed control system has added new functionality to the workbench 
by allowing experiments and simulations to be carried out in the area of process control 
and industrial networks. Both teachers and students can use the system by applying 
concepts exposed in class. 


KEYWORDS: Flow control, industrial automation, laboratory bench, differential 
pressure measurement, programmable logic controller. 


1. INTRODUÇÃO 

O ato de ensinar requer o exercício constante da reflexão crítica sobre as 
práticas cotidianas docentes, de forma que também é preciso que se esteja inserido 
no processo de formação, a fim de aprimorar os conhecimentos, buscar novos 
saberes, apreender novas estratégias de ensino. Tais mecanismos que favorecem a 
tomada de consciência pelo próprio educador e são estreitamente complementares 
entre si (PERRENOUD, 2001). Segundo Bazzo e Pereira (2011), para formar 
profissionais preparados e competentes, é necessário que os cursos ofereçam um 
conjunto de conhecimentos consistentes através de disciplinas teóricas bem 
fundamentadas, estágios no mercado de trabalho e aulas práticas. 

O MEC (2018), no artigo 4º do capítulo | das Diretrizes curriculares nacionais 
para o curso de graduação em engenharia, trata do conjunto de atividades que 
asseguram a formação do perfil desejado do aluno do curso de engenharia. De acordo 


233 


com o artigo e seus incisos, o projeto pedagógico do curso de engenharia deve conter 
planos de ação para melhoria da aprendizagem, como atividades laboratoriais, 
exercícios que relacionem teoria, prática e contexto de aplicação, mecanismos para 
incentivo do trabalho individual e em equipe, atividades interdisciplinares para 
integração de conhecimentos. Silva, Lopes e Amaral (2012) desenvolveram uma 
planta didática para um Laboratório do curso de Engenharia de Controle e Automação 
para relacionar disciplinas como Controladores Lógicos Programáveis, Acionamento, 
Instrumentação, Eletrônica de Potência e Controle de Processos. De acordo com os 
autores do trabalho, plantas didáticas são utilizadas em laboratórios como um 
complemento ao conteúdo curricular para possibilitar o contato do aluno com 
situações semelhantes às que ocorrem no ambiente industrial. 

De acordo com Garcia, Stein e Schaf (2012), o controle de processos é uma 
disciplina geralmente ministrada de forma teórica, o que não permite o entendimento 
do processo real de forma prática e visual, pois os resultados de experimentos teóricos 
são diferentes dos realizados em laboratórios. A demonstração do comportamento 
dos processos em equipamentos reais e materiais educacionais permite demonstrar 
que a teoria pode resolver problemas reais. Um sistema de controle é composto 
basicamente de um transmissor-sensor, responsável pela medição e transmissão do 
sinal da variável ao controlador. Este último é outro componente, que toma decisões 
ao enviar sinais para o sistema, com base na medição para manter a variável no valor 
desejado. O elemento de controle final, ou atuador, efetua uma ação a partir da 
decisão do controlador. O controle de realimentação é uma estratégia utilizada para 
compensar qualquer distúrbio que a variável controlada apresentar, retornado-a ao 
set point. Os controladores de realimentação funcionam através de uma equação 
baseada na diferença entre a variável controlada e o set point. Desta forma, há alguns 
tipos de controladores, dentre eles, há o PID (SMITH; CORRIPIO, 2015). 

Dispositivos importantes como os controladores lógicos programáveis (CLPs) 
expandem as possibilidades de automação na indústria. Este dispositivo digital 
permite controlar máquinas e processos executando funções específicas que podem 
ser programadas e armazenadas em sua memáória. A programação pode ser feita por 
meio de computadores pessoais em uma linguagem amigável, que se assemelha a 
esquemas e circuitos lógicos (MORAES; CASTRUCCI, 2010). 

O controle de nível e vazão são situações recorrentes no ambiente industrial. 


As aplicações didáticas servem para simular as condições encontradas nestes 


234 


ambientes para se colocar em prática os conceitos sobre medição das variáveis 
citadas (JÚNIOR; MUNARETO; TELLO, 2018). 

Segundo Fialho (2010), uma das formas de se medir a vazão de um fluido em 
um tubo é utilizar uma placa de orifício, em conjunto com um manômetro, para leitura 
da diferença de pressão entre os lados anterior e posterior da placa. Trata-se de um 
disco com um orifício usinado, inserido perpendicularmente ao movimento do fluido, 
para se produzir uma diferença de pressão. A queda de pressão é medida através de 
tomadas, que podem ser feitas pelos flanges (SMITH; CORRIPIO, 2015). 

O inversor de frequência é um equipamento eletrônico de potência que permite 
o controle de torque ou velocidade de motores elétricos, de zero até a frequência 
máxima nominal. Desta forma, ele é usado com motores de indução trifásicos no lugar 
de sistemas mecânicos de variação de velocidade e tem vasta aplicação na indústria. 
Este dispositivo converte a tensão alternada da rede em tensão contínua de amplitude 
frequência constantes e esta, em tensão de amplitude e frequência variáveis. Nos 
sistemas atuais o inversor substitui as válvulas de estrangulamento que, em sistemas 
convencionais, eram comandadas por controladores vazão, pressão e temperatura 
(GOMES; SOARES; TEIXEIRA, 2009). 


2. BANCADA DE ESTUDOS DE FENÔMENOS DE TRANSPORTE 

A bancada, mostrada na Figura 1, é utilizada para estudos sobre fenômenos 
de transporte na disciplina de Mecânica dos fluidos nas aulas realizadas no Centro de 
prática de Engenharia, Arquitetura e Gestão, do Centro Universitário FIPMoc. É um 
material utilizado para experimentos de medição com instrumentos utilizados em 


Engenharia. 


Figura 1 - Bancada de estudos de fenômenos de transporte. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


235 


O projeto iniciou-se com análises, testes e pesquisa sobre os materiais da 
bancada para confirmar quais deles poderiam ser utilizados. A Tabela 1 mostra os 
principais elementos que compõem a bancada. 


Tabela 1 - Lista de instrumentos da bancada. 





Componentes da bancada Quantidade 
Tubo de PVC %, liso, com válvula tipo esfera de mesmo diâmetro 1 





Tubos de PVC 34”. lisos 

'Válvulas tipo esfera de 34" de diâmetro 

Tubo de PVC 34” rugoso 

Hidrômetro 

Placa de orifício 

Tubo venturi 

Reservatório de aprox. 7 litros com escala de leitura de nível em 
“mm”, com batente de aço acoplado à mangueira 
Reservatório principal para recirculação de água de 
aproximadamente 100 litros 

Bomba centrífuga de 1/2 CV e 3500 rpm 

Inversor de frequência 

Botão liga/desliga 

Potenciômetro 

Manômetro de Bourdon com glicerina na saída da bomba 
Indicador de pressão diferencial 














ejejetfe atu 








[o 























elejejelejelo 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


Foi possível observar que os instrumentos da bancada podem ser usados de 
forma mais abrangente. A implementação de um sistema de controle permite realizar 
experimentos e estudos em áreas como Controle de Processos, Redes Industriais, 
Instrumentação e Automação Industrial, além de simular o contato do acadêmico com 


situações próprias de um ambiente industrial. 


3. SISTEMA DE CONTROLE DE VAZÃO 

Foi estruturado um sistema em malha fechada, ilustrado no diagrama da Figura 
2, composto por um CLP como controlador do sistema, um transmissor de medição 
de pressão diferencial para envio de sinais de realimentação para o controlador e, 
como elemento de controle final, a bomba centrífuga, cuja rotação é controlada pelo 


inversor de frequência. 


Figura 2 - Diagrama do sistema. 


Computador 


Setpoint, EA SA Vazão no tubo 
FteLe|Sjreevo |ofpente fone 
Transmissor 


Fonte: Elaborado pelos autores. 












236 


O inversor de frequência utilizado é o CFWOS8, que "é um acionamento de 
velocidade variável, destinado ao controle e variação de velocidade de motores 
elétricos de indução trifásicos" (WEG, 2018). Assim com em outros dispositivos, o 
CFWOB recebe dados na forma de sinais corrente de 4 a 20 miliamperes, além de 
possuir uma saída analógica para o controle do motor. A bomba centrífuga da 
bancada é fabricada pela WEG, trabalha com potência de 3 KW, (1/2 cv) e suporta 
tensões de 220 e 380. A Figura 3 mostra o esquema de ligação do inversor com um 


motor trifásico. 


Figura 3 - Ligação CFWO8 com motor trifásico. 





Fonte: (WEG, 2006, p.45). 


O CLP é um elemento importante que integra o sistema de controle. O modelo 
pretende-se utilizar é o Micro820 que é projetado "(...) para aplicações de controle de 
pequenas máquinas autônomas e automação remota que necessitam de recursos de 
E/S e comunicações flexíveis" (ROCKWELL AUTOMATION, 2019 a). O controlador 
pode ser programado a partir do software Connected Components Workbench, que 
permite a configuração, criação de programas em Ladder e em outras linguagens, 
além da integração do controlador com um editor de interfaces gráficas (ROCKWELL 
AUTOMATION, 2019b). 

O LD301 que também compõe este projeto, é um transmissor inteligente para 


medição de pressão diferencial, absoluta, manométrica, nível e vazão. O transmissor 


237 


é baseado num sensor capacitivo que proporciona uma operação segura e um 
excelente desempenho em campo (SMAR, 2019). 

O esquema de ligação da Figura 4, que mostra a conexão do transmissor com 
o CLP, foi desenvolvido com base nos datasheets desses equipamentos. Os pinos de 
entrada e saída do Micro820, do inversor de frequência foram colocados 
separadamente para ilustrar melhor as ligações. A saída analógica do controlador é 
conectada à entrada analógica do inversor de frequência. 


Figura 4 - Esquema elétrico. 









Conexões de controle do 
Bloco dos terminais nda is 
do módulo 2080 IF4 E- - DI -Lga (Start) 


O O » Di2- Dediga( Stop) 
Q 


“ DB 


* DI4- Sertido de 
Giro 


* COM 





“AM 


0 


“AZ 


“A01 
NF 







+DC24 Eua mom amo am ao ram em 
(CCC CS) (8) (7) (8) Co )(10) (11) (12) (13) (14) (15 (16) 
No a ad a a a a 


“DC24 VOO Mom mi das 


* Comum 


E NA 








+24VDC -24VDC 


Fonte: (Adaptado de SMAR, 2019; ALLEN-BRADLEY, 2019a; ALLEN-BRADLEY, 2019b; WEG, 
2018). 


O Micro 820 pode usar sinais analógicos para serem aplicados em sistema de 
controle através dos módulos de expansão das entradas analógicas, que convertem 
sinais analógicos em digitais para as entradas e digitais em analógicos para as saídas. 
Estes módulos são utilizados para leitura dos sinais do transmissor pelo CLP (ALLEN- 
BRADLLEY, 2019a, tradução dos autores). Os sinais analógicos (tensão, corrente, 
temperatura e outros) enviados dos dispositivos de entrada (transdutor, conversor, 
termopar) podem ser convertidos em sinais digitais pelos módulos analógicos de 
entrada (GEORGINI, 2007). Desta forma, pretende-se utilizar o módulo analógico de 
entrada 2080-IF4 no Micro 820 para receber os sinais do LD301. 


238 


4. RESULTADOS 
O sistema foi montado e conectado à bancada, como mostrado na Figura 5. 


Figura 5 - Sistema montado. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


Foram realizados alguns testes de funcionamento do sistema. A Figura 6 
mostra o teste realizado com o transmissor LD301, que mede a vazão e envia o sinal 


para o CLP. 


Figura 6 - Teste com CLP e transmissor. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


A Figura 7 mostra o ambiente de programação do CLP. A variação nos valores 
analógicos de entrada, medições do transmissor (bloco de baixo), e saída, sinais de 
controle do CLP enviados ao inversor de frequência (bloco de cima), podem ser 


visualizados nos blocos de conversão destes valores. 


239 


Figura 7 - Testes de variação na entrada e saída. 








Fonte: próprios autores. 


Como mostrado na Figura 8, foi desenvolvido um programa para controle PID 
da vazão em um dos tubos da bancada. No canto superior direito é mostrado um teste 


do programa em execução. 


Figura 8 - Programa e teste em /adder do controle PID de vazão. 


























Fonte: próprios autores. 


240 


A partir dos testes, concluiu-se que o sistema projetado funciona como 
esperado e junto com a bancada. A rotação da bomba pôde ser controlada através do 
CLP, de acordo com o programa que estiver em execução. 


5. CONCLUSÕES 

O sistema possibilita demonstrar alguns conceitos de forma prática, aplicar em 
situações reais o que foi aprendido em sala de aula, além de simular o contato do 
acadêmico com o ambiente industrial. A bancada possui uma nova funcionalidade 
através de um sistema composto por materiais disponíveis no próprio centro de 
práticas do UNIFIPMoc. Além de experimentos relacionados à disciplina de Mecânica 
dos Fluidos, é possível realizar práticas de Controle de Processos, Redes Industriais, 
Instrumentação e Automação Industrial, que fazem parte da grade curricular do curso 
Engenharia Mecatrônica da instituição. É possível realizar aulas práticas sobre 
desenvolvimento de programas em Ladder e implementação no CLP para controlar 


um processo. 


241 


REFERÊNCIAS 


ALLEN-BRADLEY. Micro800 expansion I/O modules: User Manual. p. 7. 2019. Disponível 
em: <https://ab.rockwellautomation.com/pt/Programmable-Controllers/Micro820Hoverview>. 
Acesso em: 10 mai. 2019a. 


ALLEN-BRADLEY. Micro820 programmable controllers: User Manual. 2019. Disponível em: 
<https://ab.rockwellautomation.com/pt/Programmable-Controllers/Micro8204documentation>. 
Acesso em: 6 mai. 2019b. 


BAZZO, Walter Antonio; PEREIRA, Luiz Teixeira do Vale. Introdução à engenharia: 
conceitos, ferramentas e comportamentos. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2011. 


FIALHO, Arivelto Bustamante. Instrumentação industrial: Conceitos, aplicações e análises. 7 
ed.. São Paulo: Erica, 2010. p. 204-205. 


GARCIA, Thiago Rodrigues; STEIN, Gean Marciel; SCHAF, Frederico M. Criando cenários 
práticos alternativos para o ensino de engenharia de controle e automação: interface remota 
para planta didática multiprocessos. In: Congresso Brasileiro de educação em Engenharia, 
40, 2012, Belém. Anais. Belém: Associação brasileira de educação em engenharia, 2012. 
Disponível em: <http://wnww.abenge.org.br/cobenge/interna.php?ss=7&ctd=88>. Acesso em: 
16 abr. 2019. p.2. 


GEORGINI, Marcelo. Módulos analógicos. In: - Automação aplicada: Descrição e 
implementação de sistemas sequenciais com PLCs. 9 ed. São Paulo: Erica, 2007. p. 64-65. 


GOMES, Jorge Maurício de Sousa; SOARES, Márcio Abreu; TEIXEIRA, Samuel Ramalho. 
Aplicação do inversor de frequência no controle de nível. Monografia (Tecnologia em 
Automação e Controle). Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense. 
Campos dos Goytacazes, RJ.2009. Disponível 
em:<http://bd.centro.iff.edu.br/jspui/handle/123456789/423>. Acesso em: 30 maio 2018. 


JÚNIOR, Adjuto M. Vasconcelos; MUNARETO, Saul; TELLO, Richard J. M. G. Uma planta 
didática de avaliação da medição e totalização de vazão para tubulações de pequeno 
diâmetro através de sensor de efeito hall. In: Congresso Brasileiro de educação em 
Engenharia, 46,2018, Salvador. Anais. Salvador: Associação brasileira de educação em 
engenharia, 2018. Disponível em: <http://Anww.abenge.org.br/sis artigos.php>. Acesso em: 
10 mai. 2019. 

MEC. Projeto de resolução, Agosto de 2018. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do 
Curso de Graduação em Engenharia e dá outras providências. Consulta pública - diretrizes 
curriculares nacionais para o curso de graduação em engenharia, DF, ago. 2018. P. 11-21. 
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/docman/agosto-2018-pdf/9386 1-texto-referencia- 
dcn-de-engenharia/file>. Acesso em: 19 mar 2019. 


MORAES, Cícero Couto de; CASTRUCCI, Plínio de Lauro. Arquitetura da automação 
industrial: Computadores para automação. In: - Engenharia de automação industrial. 
2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. p.14-15. 


PERRENOUD, Philippe. Formando Professores Profissionais: Quais estratégias? Quais 
Competências?. Artmed. São Paulo: 2001. 


ROCKWELL AUTOMATION. Sistemas de controlador lógico programável Micro820. 2019. 


Disponível em: <https://ab.rockwellautomation.com/pt/Programmable- 
Controllers/Micro8208overview>. Acesso em: 7 mai. 2019a. 


242 


ROCKWELL AUTOMATION. Design and configuration software. 2019. Disponível em: 
<https:/Awww.rockwellautomation.com/pt BR/capabilities/industrial-automation- 
control/overview.page?pagetitle=Design-and-Configuration- 
Software&docid=6b8425507e679dd6b2587d385b7b26e1>. Acesso em: 10 mai. 2019b. 


SILVA, Rodrigo Baleeiro; LOPES, Murilo P.; AMARAL, Leonardo S. Projeto e construção de 
uma planta didática para ensino de estratégias de controle de nível, vazão e temperatura em 
cursos de engenharia. In: Congresso Brasileiro de educação em Engenharia, 40, 2012, 
Belém. Anais. Belém: Associação brasileira de educação em engenharia, 2012. Disponível 
em: <http:/Avww.abenge.org.br/cobenge/interna.php?ss=7&ctd=88>. Acesso em: 16 abr. 
2019. 


SMAR. LD301 - Manual de instruções, operação e manutenção. 2019. p. 3. Disponível em: 
<htip://www.smar.com/brasil/produto/Id301 -hart-4-to-20-ma-transmissores-inteligentes-de- 
pressao>. Acesso em: 7 mai. 2019. 


SMITH, Carlos A.; CORRIPIO, Armando B.. Princípios e prática do controle automático de 
processo. 3 ed.. Rio de Janeiro: LTC, 2015. 


WEG. CFW 08: Inversor de frequência. 2018. Disponível em: 
<http://ecatalog.weg.net/files/wegnet/WEG-cfw08-inversor-de-frequencia-10413066- 
catalogo-portugues-br.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2018. 


WEG. CFW 08: Inversor de frequência. 2018. p. 45. Disponível em: 


<http://ecatalog.weg.net/files/wegnet/WEG-cfw08-inversor-de-frequencia-10413066- 
catalogo-portugues-br.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2018. 


243 


CAPÍTULO 16 


PROJETO DE UM SISTEMA DE CONTROLE PARA UMA BANCADA DE 
LABORATORIO PARA ENSINO EM CONTROLE DE PROCESSOS. 


Geraldo Luiz Souto Neto 

Graduado em Engenharia Mecatrônica pelo Centro Universitário FIPMoc - 
UNIFIPMoc. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
Email: geraluizneto(Ogmail.com 


Ericson Ferraz Rocha 

Graduado em Engenharia Mecatrônica pelo Centro Universitário FIPMoc - 
UNIFIPMoc. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
Email: ericsonferrazr(O gmail.com 


Rodrigo Baleeiro Silva 

Mestre em Modelagem Computacional e Sistemas - Unimontes. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
Email: rodrigo.baleeiro(dgmail.com 


José Osmane Lopes Júnior 

Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. 
Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
Email: eng.mecatronicaQDunifipmoc.edu.br 


Vânia Ereni Lima Vieira 

Mestranda em Relações Internacionais e Direito da Integração na UDE — 
Universidad de La Empresa - Uruguai. 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc - UNIFIPMoc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
Email: vaniaerenilimavieiraDyahoo.com.br 


RESUMO: Este trabalho apresenta o projeto de um sistema de controle para uma 
bancada acadêmica utilizada para experimentos da disciplina de Mecânica dos 
fluidos. Observou-se que a bancada também pode ser utilizada para ensino de temas 
e experimentos relacionados à área de controle de processos. Portanto, foi proposto 
projetar um sistema de monitoramento e controle automático de vazão para a 
bancada. A princípio, os materiais da bancada foram analisados e testados para 
confirmar quais poderiam ser utilizados. Realizou-se uma pesquisa pelos 
equipamentos que deveriam ser acrescentados e seus dados foram estudados. O 
fluxo de água nos tubos da bancada é controlado através da variação na rotação de 
uma bomba centrífuga. Portanto, utilizou-se um controlador lógico programável (CLP) 
conectado a um inversor de frequência para controlar a bomba e modificar a vazão 


244 


nos tubos de acordo com o valor desejado. Um transmissor de medição de pressão 
diferencial foi utilizado para enviar sinais de realimentação ao CLP. Desta forma, o 
sistema de controle projetado acrescentou uma nova funcionalidade à bancada ao 
permitir realizar experimentos e simulações na área de controle de processos e redes 
industriais. Tanto professores quanto alunos podem utilizar o sistema aplicando 
conceitos expostos nas aulas. 


PALAVRAS-CHAVE: Controle de vazão, Automação industrial, Bancada de 
laboratório, Medição de pressão diferencial, Controlador lógico programável. 


ABSTRACT: This paper presents the design of a control system for an academic 
bench used for experiments in the discipline of fluid mechanics. It was observed that 
the bench can also be used for teaching themes and experiments related to the 
process control area. Therefore, it was proposed to design an automatic flow 
monitoring and control system for the bench. At first, the bench materials were 
analyzed and tested to confirm which could be used. A search was made for the 
equipment that should be added and their data were studied. The flow of water in the 
bench tubes is controlled by varying the rotation of a centrifugal pump. Therefore, a 
programmable logic controller (PLC) connected to a frequency inverter was used to 
control the pump and modify the flow in the pipes to the desired value. A differential 
pressure measurement transmitter was used to send feedback signals to the PLC. In 
this way, the designed control system has added new functionality to the workbench 
by allowing experiments and simulations to be carried out in the area of process control 
and industrial networks. Both teachers and students can use the system by applying 
concepts exposed in class. 


KEYWORDS: Flow control, industrial automation, laboratory bench, differential 
pressure measurement, programmable logic controller. 


1. INTRODUÇÃO 

O ato de ensinar requer o exercício constante da reflexão crítica sobre as 
práticas cotidianas docentes, de forma que também é preciso que se esteja inserido 
no processo de formação, a fim de aprimorar os conhecimentos, buscar novos 
saberes, apreender novas estratégias de ensino. Tais mecanismos que favorecem a 
tomada de consciência pelo próprio educador e são estreitamente complementares 
entre si (PERRENOUD, 2001). Segundo Bazzo e Pereira (2011), para formar 
profissionais preparados e competentes, é necessário que os cursos ofereçam um 
conjunto de conhecimentos consistentes através de disciplinas teóricas bem 
fundamentadas, estágios no mercado de trabalho e aulas práticas. 

O MEC (2018), no artigo 4º do capítulo | das Diretrizes curriculares nacionais 
para o curso de graduação em engenharia, trata do conjunto de atividades que 
asseguram a formação do perfil desejado do aluno do curso de engenharia. De acordo 


245 


com o artigo e seus incisos, o projeto pedagógico do curso de engenharia deve conter 
planos de ação para melhoria da aprendizagem, como atividades laboratoriais, 
exercícios que relacionem teoria, prática e contexto de aplicação, mecanismos para 
incentivo do trabalho individual e em equipe, atividades interdisciplinares para 
integração de conhecimentos. Silva, Lopes e Amaral (2012) desenvolveram uma 
planta didática para um Laboratório do curso de Engenharia de Controle e Automação 
para relacionar disciplinas como Controladores Lógicos Programáveis, Acionamento, 
Instrumentação, Eletrônica de Potência e Controle de Processos. De acordo com os 
autores do trabalho, plantas didáticas são utilizadas em laboratórios como um 
complemento ao conteúdo curricular para possibilitar o contato do aluno com 
situações semelhantes às que ocorrem no ambiente industrial. 

De acordo com Garcia, Stein e Schaf (2012), o controle de processos é uma 
disciplina geralmente ministrada de forma teórica, o que não permite o entendimento 
do processo real de forma prática e visual, pois os resultados de experimentos teóricos 
são diferentes dos realizados em laboratórios. A demonstração do comportamento 
dos processos em equipamentos reais e materiais educacionais permite demonstrar 
que a teoria pode resolver problemas reais. 

Um sistema de controle é composto basicamente de um transmissor-sensor, 
responsável pela medição e transmissão do sinal da variável ao controlador. Este 
último é outro componente, que toma decisões ao enviar sinais para o sistema, com 
base na medição para manter a variável no valor desejado. O elemento de controle 
final, ou atuador, efetua uma ação a partir da decisão do controlador. O controle de 
realimentação é uma estratégia utilizada para compensar qualquer distúrbio que a 
variável controlada apresentar, retornando-a ao set point. Os controladores de 
realimentação funcionam através de uma equação baseada na diferença entre a 
variável controlada e o set point. Desta forma, há alguns tipos de controladores, dentre 
eles, há o PID (SMITH; CORRIPIO, 2015). 

Dispositivos importantes como os controladores lógicos programáveis (CLPs) 
expandem as possibilidades de automação na indústria. Este dispositivo digital 
permite controlar máquinas e processos executando funções específicas que podem 
ser programadas e armazenadas em sua memáória. A programação pode ser feita por 
meio de computadores pessoais em uma linguagem amigável, que se assemelha a 
esquemas e circuitos lógicos (MORAES; CASTRUCCI, 2010). O controle de nível e 
vazão são situações recorrentes no ambiente industrial. As aplicações didáticas 


246 


servem para simular as condições encontradas nestes ambientes para se colocar em 
prática os conceitos sobre medição das variáveis citadas (JÚNIOR; MUNARETO: 
TELLO, 2018). 

Segundo Fialho (2010), uma das formas de se medir a vazão de um fluido em 
um tubo é utilizar uma placa de orifício, em conjunto com um manômetro, para leitura 
da diferença de pressão entre os lados anterior e posterior da placa. Trata-se de um 
disco com um orifício usinado, inserido perpendicularmente ao movimento do fluido, 
para se produzir uma diferença de pressão. A queda de pressão é medida através de 
tomadas, que podem ser feitas pelos flanges (SMITH; CORRIPIO, 2015). 

O inversor de frequência é um equipamento eletrônico de potência que permite 
o controle de torque ou velocidade de motores elétricos, de zero até a frequência 
máxima nominal. Desta forma, ele é usado com motores de indução trifásicos no lugar 
de sistemas mecânicos de variação de velocidade e tem vasta aplicação na indústria. 
Este dispositivo converte a tensão alternada da rede em tensão contínua de amplitude 
frequência constantes e esta, em tensão de amplitude e frequência variáveis. Nos 
sistemas atuais o inversor substitui as válvulas de estrangulamento que, em sistemas 
convencionais, eram comandadas por controladores vazão, pressão e temperatura 
(GOMES; SOARES; TEIXEIRA, 2009). 


2. BANCADA DE ESTUDOS DE FENÔMENOS DE TRANSPORTE 

A bancada, mostrada na Figura 1, é utilizada para estudos sobre fenômenos 
de transporte na disciplina de Mecânica dos fluidos nas aulas realizadas no Centro de 
prática de Engenharia, Arquitetura e Gestão, do Centro Universitário FIPMoc. É um 
material utilizado para experimentos de medição com instrumentos utilizados em 


Engenharia. 


Figura 1 - Bancada de estudos de fenômenos de transporte. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


247 


O projeto iniciou-se com análises, testes e pesquisa sobre os materiais da 
bancada para confirmar quais deles poderiam ser utilizados. A Tabela 1 mostra os 


principais elementos que compõem a bancada. 


Tabela 1 - Lista de instrumentos da bancada. 





Componentes da bancada Quantidade 
Tubo de PVC %, liso, com válvula tipo esfera de mesmo diâmetro 1 





Tubos de PVC 34”. lisos 

Válvulas tipo esfera de 4" de diâmetro 

Tubo de PVC 34” rugoso 

Hidrômetro 

Placa de orifício 

Tubo venturi 

Reservatório de aprox. 7 litros com escala de leitura de nível em 
“mm”, com batente de aço acoplado à mangueira 
Reservatório principal para recirculação de água de 
aproximadamente 100 litros 

Bomba centrífuga de 1/2 CV e 3500 rpm 

Inversor de frequência 

Botão liga/desliga 

Potenciômetro 

Manômetro de Bourdon com glicerina na saída da bomba 
Indicador de pressão diferencial 

















ejejetfe atu 





[= 























elejejelejelo 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


Foi possível observar que os instrumentos da bancada podem ser usados de 
forma mais abrangente. A implementação de um sistema de controle permite realizar 
experimentos e estudos em áreas como Controle de Processos, Redes Industriais, 
Instrumentação e Automação Industrial, além de simular o contato do acadêmico com 


situações próprias de um ambiente industrial. 


3. SISTEMA DE CONTROLE DE VAZÃO 

Foi estruturado um sistema em malha fechada, ilustrado no diagrama da Figura 
2, composto por um CLP como controlador do sistema, um transmissor de medição 
de pressão diferencial para envio de sinais de realimentação para o controlador e, 
como elemento de controle final, a bomba centrífuga, cuja rotação é controlada pelo 


inversor de frequência. 


Figura 2 - Diagrama do sistema. 


Computador 


Setpoint, EA SA Vazão no tubo 
teLero Inversor E Bomba K + 
Transmissor 


Fonte: Elaborado pelos autores. 












248 


O inversor de frequência utilizado é o CFWOS8, que "é um acionamento de 
velocidade variável, destinado ao controle e variação de velocidade de motores 
elétricos de indução trifásicos" (WEG, 2018). Assim como em outros dispositivos, O 
CFWOB8 recebe dados na forma de sinais corrente de 4 a 20 miliamperes, além de 
possuir uma saída analógica para o controle do motor. A bomba centrífuga da 
bancada é fabricada pela WEG, trabalha com potência de 3 KW, (1/2 cv) e suporta 
tensões de 220 e 380. A Figura 3 mostra o esquema de ligação do inversor com um 


motor trifásico. 


Figura 3 - Ligação CFWO8 com motor trifásico. 





Fonte: (WEG, 2006, p.45). 


O CLP é um elemento importante que integra o sistema de controle. O modelo 
pretende-se utilizar é o Micro820 que é projetado "(...) para aplicações de controle de 
pequenas máquinas autônomas e automação remota que necessitam de recursos de 
E/S e comunicações flexíveis" (ROCKWELL AUTOMATION, 2019 a). O controlador 
pode ser programado a partir do software Connected Components Workbench, que 
permite a configuração, criação de programas em Ladder e em outras linguagens, 
além da integração do controlador com um editor de interfaces gráficas (ROCKWELL 
AUTOMATION, 2019b). 

O LD301 que também compõe este projeto, é um transmissor inteligente para 


medição de pressão diferencial, absoluta, manométrica, nível e vazão. O transmissor 


249 


é baseado num sensor capacitivo que proporciona uma operação segura e um 
excelente desempenho em campo (SMAR, 2019). 

O esquema de ligação da Figura 4, que mostra a conexão do transmissor com 
o CLP, foi desenvolvido com base nos datasheets desses equipamentos. Os pinos de 
entrada e saída do Micro820, do inversor de frequência foram colocados 
separadamente para ilustrar melhor as ligações. A saída analógica do controlador é 
conectada à entrada analógica do inversor de frequência. 


Figura 4 - Esquema elétrico. 









Conexões de controle do 
Bloco dos terminais nda is 
do módulo 2080 IF4 E- - DI -Lga (Start) 


O O » Di2- Dediga( Stop) 
Q 


“ DB 


* DI4- Sertido de 
Giro 


* COM 





“AM 


0 


“AZ 


“AO1 
NF 







+DC24 Eua mom amo am ao ram em 
(CCC CS) (8) (7) (8) Co )(10) (11) (12) (13) (14) (15 (16) 
No a ad a a a a 


“DC24 VOO Mom mi das 


* Comum 


E NA 








+24VDC -24VDC 


Fonte: (Adaptado de SMAR, 2019; ALLEN-BRADLEY, 2019a; ALLEN-BRADLEY, 2019b; WEG, 
2018). 


O Micro 820 pode usar sinais analógicos para serem aplicados em sistema de 
controle através dos módulos de expansão das entradas analógicas, que convertem 
sinais analógicos em digitais para as entradas e digitais em analógicos para as saídas. 
Estes módulos são utilizados para leitura dos sinais do transmissor pelo CLP (ALLEN- 
BRADLLEY, 2019a, tradução dos autores). 

Os sinais analógicos (tensão, corrente, temperatura e outros) enviados dos 
dispositivos de entrada (transdutor, conversor, termopar) podem ser convertidos em 
sinais digitais pelos módulos analógicos de entrada (GEORGINI, 2007). Desta forma, 
pretende-se utilizar o módulo analógico de entrada 2080-IF4 no Micro 820 para 
receber os sinais do LD301. 


250 


4. RESULTADOS 
O sistema foi montado e conectado à bancada, como mostrado na Figura 5. 


Figura 5 - Sistema montado. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


Foram realizados alguns testes de funcionamento do sistema. A Figura 6 
mostra o teste realizado com o transmissor LD301, que mede a vazão e envia o sinal 


para o CLP. 


Figura 6 - Teste com CLP e transmissor. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


A Figura 7 mostra o ambiente de programação do CLP. A variação nos valores 
analógicos de entrada, medições do transmissor (bloco de baixo), e saída, sinais de 
controle do CLP enviados ao inversor de frequência (bloco de cima), podem ser 


visualizados nos blocos de conversão destes valores. 


251 


Figura 7 - Testes de variação na entrada e saída. 





Fonte: próprios autores. 


Como mostrado na Figura 8, foi desenvolvido um programa para controle PID 
da vazão em um dos tubos da bancada. No canto superior direito é mostrado um teste 
do programa em execução. 


Figura 8 - Programa e teste em /adder do controle PID de vazão. 





| ANYTO REAL 





























Fonte: próprios autores. 


252 


A partir dos testes, concluiu-se que o sistema projetado funciona como 
esperado e junto com a bancada. A rotação da bomba pôde ser controlada através do 
CLP, de acordo com o programa que estiver em execução. 


5. CONCLUSÕES 

O sistema possibilita demonstrar alguns conceitos de forma prática, aplicar em 
situações reais o que foi aprendido em sala de aula, além de simular o contato do 
acadêmico com o ambiente industrial. A bancada possui uma nova funcionalidade 
através de um sistema composto por materiais disponíveis no próprio centro de 
práticas do UNIFIPMoc. Além de experimentos relacionados à disciplina de Mecânica 
dos Fluidos, é possível realizar práticas de Controle de Processos, Redes Industriais, 
Instrumentação e Automação Industrial, que fazem parte da grade curricular do curso 
Engenharia Mecatrônica da instituição. É possível realizar aulas práticas sobre 
desenvolvimento de programas em Ladder e implementação no CLP para controlar 


um processo. 


253 


REFERÊNCIAS 


ALLEN-BRADLEY. Micro800 expansion I/O modules: User Manual. p. 7. 2019. Disponível 
em: <https://ab.rockwellautomation.com/pt/Programmable-Controllers/Micro820Hoverview>. 
Acesso em: 10 mai. 2019a. 


ALLEN-BRADLEY. Micro820 programmable controllers: User Manual. 2019. Disponível em: 
<https://ab.rockwellautomation.com/pt/Programmable-Controllers/Micro8204documentation>. 
Acesso em: 6 mai. 2019b. 


BAZZO, Walter Antonio; PEREIRA, Luiz Teixeira do Vale. Introdução à engenharia: 
conceitos, ferramentas e comportamentos. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2011. 


FIALHO, Arivelto Bustamante. Instrumentação industrial: Conceitos, aplicações e análises. 7 
ed.. São Paulo: Erica, 2010. p. 204-205. 


GARCIA, Thiago Rodrigues; STEIN, Gean Marciel; SCHAF, Frederico M. Criando cenários 
práticos alternativos para o ensino de engenharia de controle e automação: interface remota 
para planta didática multiprocessos. In: Congresso Brasileiro de educação em Engenharia, 
40, 2012, Belém. Anais. Belém: Associação brasileira de educação em engenharia, 2012. 
Disponível em: <http://Anww.abenge.org.br/cobenge/interna.php?ss=7&ctd=88>. Acesso em: 
16 abr. 2019. p.2. 


GEORGINI, Marcelo. Módulos analógicos. In: - Automação aplicada: Descrição e 
implementação de sistemas sequenciais com PLCs. 9 ed. São Paulo: Erica, 2007. p. 64-65. 


GOMES, Jorge Maurício de Sousa; SOARES, Márcio Abreu; TEIXEIRA, Samuel Ramalho. 
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didática de avaliação da medição e totalização de vazão para tubulações de pequeno 
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<http://ecatalog.weg.net/files/wegnet/WEG-cfw08-inversor-de-frequencia-10413066- 
catalogo-portugues-br.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2018. 


255 


CAPÍTULO 17 


MEDIATIZACIÓN DE LA POLÍTICA Y LA DEMOCRACIA EN LA COMUNICACIÓN 
POLITICA COLOMBIANA. 


Cristian García Villalba 

Máster en Investigación en Comunicación y opinión pública por la Facultad 
Latinoamericana de Ciencias Sociales - FLACSO Sede Ecuador. 

Instituição: Corporación Universitaria Minuto de Dios 

Endereço: Carrera 10 Nº 36-106b - Barrio Rosablanca; Girardot - Cundinamarca, 
Colombia 

E-mail: cristian.garcia.v(Ouniminuto.edu; crisgavo7(Dhotmail.com 


Maira Alexandra Rodríguez Tovar 

Máster en Ciencias Económicas por la Universidad Santo Tomás 

Instituição: Corporación Universitaria Minuto de Dios 

Endereço: Carrera 10 Nº 36-106b - Barrio Rosablanca; Girardot - Cundinamarca, 
Colombia 

E-mail: maira.rodriguez(Ouniminuto.edu; mairarodriguez28(D gmail.com 


RESUMEN: En las últimas décadas, la comunicación política ha tenido un 
perfeccionamiento en relación con las condiciones socioeconómicas, políticas, 
culturales y tecnológicas de la población a nivel global. El escenario de la 
comunicación política está inmerso en el régimen representativo moderno, reducido 
no solo al poder configurativo de la sociedad, sino también, a la adopción de métodos 
y técnicas de persuasión, espectacularización y entretenimiento en los países 
industrializados, que articulados a los diferentes medios de comunicación y empresas 
en el escenario público y privado de la esfera social, buscan conocer las necesidades 
y miedos de los ciudadanos en pro del beneficio propio, conforme a las lógicas 
económicas y neoliberales. Este artículo hace un análisis descriptivo del poder 
económico de las campahas políticas y su incidencia en la relación de gastos de la 
mediatización de la elección popular. 


PALABRAS CLAVE: Mediatización, Política, Democracia, Comunicación. 


ABSTRACT: In recent decades, political communication have had an improvement in 
relation to the socio-economic, political, cultural and technological conditions of the of 
the world population. The scenario of political communication is immersed in the 
modern representative regime, reduced not only to the configurative power of society, 
also to the adoption of methods and techniques of persuasion, spectacularization and 
entertainment in industrialized countries, which articulated to the different media and 
companies in the public and private scenario of the social environment; seek to know 
the needs and fears of citizens for their own benefit, in accordance with economic and 


neo-liberal logic. This article makes a descriptive analysis of the economic power of 


256 


political campaigns and their impact on the expense ratio of the mediation of the 


popular election. 


KEYWORDS: Mediation, Politics, Democracy, Communication 


1. INTRODUCCIÓN 

El neoliberalismo, vertiente de la modernización, pretende lograr el desarrollo 
mediante la liberación de mercados, especialmente los financieros, éste, propio de la 
teoría de la modernización, se enfoca en el crecimiento económico que se logra con 
una gran afluencia de capital especialmente en los países desarrollados (Angulo, 
2012). Bajo este modelo se incentiva la inversión privada, se motiva el individualismo 
y el trabajo para que la acumulación de capital se distribuya junto a los recursos, 
automáticamente para todos (Angulo, 2012). Bajo esta teoría economicista, la 
comunicación política, se justifica bajo las lógicas del marketing y del beneficio 
individual, dejando de lado el contexto social y comunitario. De esta forma se puede 
entender que la comunicación política, al igual que la idea de desarrollo en la 
actualidad, sea tan amplia que llegar a una definición concreta no es tarea fácil. 

La comunicación política, es diferenciada dependiendo del enfoque tanto 
práctico como utilitarista al que se le relacione o por el medio por donde se desarrolle. 
Desde diferentes autores, se sesga a la práctica política en los medios, donde la 
política de forma reduccionista es entendida como las campafias en los procesos 
electorales o como la designación de poder de las instituciones del Estado. Igual, que 
la idea de democracia, que desde la comunicación política se reduce al acto de elegir 
un representante por medio del sufragio, en los que, los medios de comunicación han 
instrumentalizado no solo el significado sino su práctica participativa, según Muhoz- 
Alonso y Rospir (1999, p.16), los modernos medios de comunicación, sobre todo los 
audiovisuales y muy en primer lugar la televisión, han llegado a cambiar 
negativamente la naturaleza y el propio modo de funcionar de la democracia. 

Por tal razón, es posible entender y relacionar cómo la idea de democracia está 
unida a la comunicación política, que ha servido para que el discurso mediático se 
enfoque en buscar estrategias tendientes a dejar de lado el tema sobre el 
subdesarrollo y la superación de la pobreza en los escenarios políticos de la sociedad. 
A la par del discurso político - democrático, la comunicación política, ha fungido como 


257 


instrumento de persuasión en el escenario desde donde se desea superar y alcanzar 
el desarrollo económico y social. La comunicación política ha servido como 
articuladora de la idea de “superación de la pobreza”, ejemplo de ello, es la imagen 
difundida por la televisión y otros medios, en campafas filantrópicas y de compasión 
en contra del hambre, en el que, el discurso político y del desarrollo describía al 
individuo de occidente con hambre, arcaico y sin oportunidades, de lo cual, la 
comunicación política estaba en función de calmar las necesidades, desde las 


políticas Estatales de los mandatarios de la época. 


2. REFERENTE TEÓRICO 

El ejemplo de las campafas filantrópicas es tomado del recorrido histórico que 
hace Angulo 2012, de las teorías del desarrollo, donde el autor toma como ejemplo 
los discursos mediáticos y la comunicación política, que trazó la idea de desarrollo 
después de la Segunda Guerra Mundial, menciona la campafia Freedom From Hunger 
emprendida en 1960 por la Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura 
y la Alimentación (FAO) (Angulo, 2012). Se trae a colación este ejemplo, para 
comprender cómo la idea de desarrollo está en función de la comunicación política 
norteamericana, con la idea de superar la pobreza que habían dejado las guerras 
mundiales, junto a las formas en que cambian las maneras de hacer comunicación 
política, como la instrumentalización mediática de la comunicación política, que 
justifica la creación de entidades como la ONU, el Banco mundial y el Fondo Monetario 
Internacional. 

La comunicación política ha servido entonces para que los discursos de 
poderes absolutistas, monárquicos y democráticos tengan impacto en la sociedad. En 
las últimas décadas, ha estado cada vez más articulada a las relaciones mediáticas y 
económicas entre canales de comunicación, políticos de turno y periodistas 
influyentes en el medio y la sociedad. Por tal razón, es posible pensar los diferentes 
escenarios en que se concibe la idea de política y a lo que se reduce el significado de 
la comunicación política. Autores como Manuel Castell (2010), la entienden como la 
forma de un proceso mediático que tiene la finalidad de ganar contiendas electorales 
y que es practicada por los gobiernos, partidos, líderes y actores sociales no 
gubernamentales, donde de manera simplificada, la práctica política, se forma de 
manera mediática. Para Castell, las organizaciones, políticos y líderes que no son 


mediáticos, no existen en la sociedad. 


258 


Según Castell (2010, p. 262), la política mediática es la forma de hacer política 
eny a través de los medios de comunicación, es un mecanismo primario para que se 
desarrolle la democracia, esta está reducida a las elecciones competitivas para un 
cargo político y la influencia de los contenidos de los medios de comunicación como 
estrategia política. Por tal razón, desde esta visión instrumental, la comunicación 
política es reducida a un comportamiento de la política desde lo económico y lo 
mediático, la cual se mide en el caso de Colombia por “el Índice de Costos de las 
Campafas Electorales — ICCE” que tiene como “objetivo medir la variación anual de 
los costos de bienes y servicios que forman parte de la estructura de costos de las 
campafas electorales” (DANE 2019) que se destina en su mayor parte a propaganda 
mediática y se traduce en la victoria electoral. 

No obstante, también se podría pensar que la comunicación política, se 
relaciona a la idea de la teoría democrática, la que espera de los periodistas y medios 
de comunicación: 1) informar a los ciudadanos sobre los centros de poder y sus ideas; 
2) interpretar las acciones y decisiones de los políticos; y 3) controlar estos poderes y 
movilizar a los ciudadanos (Esser, Strômbácky deVreese, 2012 citado por Oller, 
Chavero, Carrillo y Cevallos, 2015). Sin embargo, con las nuevas tecnologias, es 
posible entender el proceso de transformación de la práctica de la política mediática, 
en el cual los medios ejercen ciudadanía a través del poder político y viceversa 
(Castell, 2010). Según Castell, “tampoco significa que los medios de comunicación 
ostenten el poder. No son el cuarto poder. Son mucho más importantes: son el espacio 
donde se crea el poder. Los medios de comunicación constituyen el espacio en el que 
se deciden las relaciones de poder entre los actores políticos y sociales rivales” 
(Castell 2010, p. 262). Los políticos, deben entender las lógicas de los medios y sus 
intereses, además, estos se encuentran directamente relacionados no solo con las 
dinámicas económicas de los medios, sino también, del propio Estado, de su entorno 
empresarial, patrocinadores, militantes y financiadores de la campafia, “las reglas del 
juego político en los medios de comunicación dependerán de sus modelos de negocio 
concretos y de su relación con los actores políticos y la audiencia (Castell, 2010). 

De ahí que, Manuel Castell piensa que la comunicación política se ejerce desde 
y para los medios, que es donde se configuran las relaciones de poder, el poder 


político y socioeconómico. Por tal razón, los medios de comunicación, han trazado 


* https://www.dane.gov.coffiles/investigaciones/boletines/ICCE/Resultados ICCE 2018.pdf 
259 


lógicas para que la captación de audiencia específica de las campahias políticas, sean 
formas de ejercer una democracia, los medios tienen intereses, no son neutrales, 
responden a las lógicas del poder; según Castell, la democracia como práctica social 
e institucional, se desarrolla no solo en la sociedad sino también en los medios, la 
democracia se constituye como una dimensión constante y fundamental de la política 
que se ejerce en los medios de comunicación y desde los cuales se forma la opinión 
pública (Castell, 2010). 

La comunicación política se puede definir entonces, desde los planteamientos 
de Castell, como la persuasión comunicativa que se ejerce en los medios, para influir 
en las decisiones que lleve a posiciones de poder no solo electoral, sino también, 
poder de credibilidad y reconocimiento. Los medios son una vía democrática y de 
dominación, permiten que los ciudadanos desde las lógicas propias de la persuasión 
comunicativa, por la trascendencia del discurso político que se practican en los 
medios, a partir de la construcción de imágenes, funden significados y modelen la 
mente de los públicos. A la par de esto, la inversión y el gasto económico de las 
campanas electorales hace que el apoyo monetario sea preponderante, pues en 
ultimas los medios, más allá de querer posicionar el candidato, también buscan el 
beneficio económico. Como lo muestra la tabla 1, en la que se relaciona los gastos de 
propaganda política a través de los medios de comunicación social y del espacio 
público en las pasadas elecciones presidenciales, afo 2018 en Colombia, en donde 
el gasto en este rubro para la primera vuelta ascendió a USD $ 17.166.544. 


Tabla 1 - Relación de gasto de propaganda política a través de los medios de comunicación social y 
del espacio público. Elecciones presidenciales Colombia 2018. 
































Nombre del Candidato Total USD 
German Vargas Lleras $ 4.499.999 
Gustavo Francisco Petro Urrego $ 3.768.938 
Iván Duque Márquez $ 4.719.253 
Humberto De la Calle Lombana $ 2.565.232 
Sergio Fajardo Valderrama $ 1.597.713 
Jorge Antonio Trujillo Sarmiento $ 12.839 
Piedad Esneda Córdoba Ruiz $ 2.569 
Viviane Aleyda Morales Hoyos $ 13.204 
Total $ 17.166.544 














Los candidatos con una mayor opción destinaron más del 50 %, como se puede 


observar en la gráfica 1, de este rubro en gastos en medios de comunicación social 


260 


tales como redes sociales, programas radiales, avisos publicitarios en televisión, 
pautas publicitarias en periódicos nacionales y regionales, como una estrategia de 
masificación y persuasión activa ante la comunidad, lo que demuestra que los 
candidatos apuestan a la mediatización de sus campafas y las redes sociales se 
convierten en el medio más utilizado; para el afo 2018 se invirtieron USD 591.164 en 
campahias en redes sociales y la empresa Facebook Colombia recibió directamente 
USD 277.020, lo que sefala que, en la actualidad, las redes sociales como medio de 
comunicación son las que más reciben lucro gracias al impacto que estas tienen en 
términos de imagen hacia el candidato. 

En este orden de ideas, la mediatización de la política no solamente está 
conexa al rubro económico de las campafias políticas, sino que ha migrado de los 
medios tradicionales a plataformas digitales, redes sociales y espacios virtuales. Lo 
anterior permite inferir que, la política mediática y con ella la comunicación política 
desde los planteamientos de Castell, también se respalda desde el 
infoentretenimiento que se da con el auge de las nuevas tecnológicas, no solo se debe 
informar, sino entretener, pues cada vez es más necesaria la inmediatez de la 
información, que se consolidan desde la diversidad, necesitan de entretenimiento para 
que captar audiencias y son los medios digitales en su mayoría los encargados de tal 


función. 


Gráfica 1 - Proporción gasto en medios de comunicación social. 


aperrava O 772 
VALDERRAMA º 
e omBaNA 7 
LOMBANA e 
IVAN DUQUE MARQUEZ NS 30% 
o RO RR 07 
PETRO URREGO A 
GERMAN VARGAS LLERAS O 69% 


0% 20% 40% 60% 80% 100% 


E Série3 


Fuente: Registraduría Nacional del Estado Civil Republica de Colombia. Cuentas Claras. Recuperado 
19 de junio de 2019. 


261 


Siguiendo con el gasto económico de las campafias electorales de Colombia 
en el afio 2018, los candidatos (Gustavo Petro e Iván Duque) ya para la segunda 
vuelta en los comicios, asignaron su presupuesto de propaganda y comunicación 
política en el desarrollo de piezas audiovisuales que ascendieron a USD$ 2.474.163 
y el 30 % restante fue destinado en propaganda en espacio público. Al hacer un 
comparativo entre los dos candidatos (Gustavo Francisco Petro Urrego e Iván Duque 
Márquez) como lo muestra la tabla 2, el entonces candidato y hoy presidente electo 
Iván Duque Márquez, focalizó sus recursos en estrategias de comunicación digital, 
televisiva y radial que representan el 85 % del total de gastos como se puede observar 
en la tabla 2. Por su parte, Gustavo Francisco Petro Urrego, destino el 51 %. En este 
orden de ideas, la comunicación digital, televisiva y radial, si se observa el 
comportamiento de los electores, fueron fundamentales para que Iván Duque 
Márquez se quedara con la presidencia de Colombia y le ganara al hoy Senador de la 
República Gustavo Francisco Petro Urrego. 


Tabla 2 - Total de gasto en propaganda política segunda vuelta. Elecciones presidenciales Colombia 
2018. 


























Tipo de estrategia | Iván Duque Márquez Epa a 
Material POP USD$ 315.195,46 USD $ 715.325,67 
Medios Digitales USD $ 292.799,20 USD $ 30.802,70 
Prensa USD $ 64.337,63 USD $ - 

Radial USD $ 177.506,84 USD $ 1.739,98 
Televisivo USD $ 1.189.852,34 USD $ 722.395,83 
Total general USD $ 2.039.691 USD $ 1.470.264 














Fuente: Registraduría Nacional del Estado Civil Republica de Colombia. Cuentas Claras. Recuperado 
19 de junio de 2019 


Lo anterior permite entonces entender que, la comunicación política, más allá 
de establecerse desde los medios de comunicación, también es una forma de 
persuasión mediática y digital. Esta, podría entenderse como un instrumento de los 
medios para, no solo captar audiencias, sin votantes en las contiendas políticas y 
electorales, las cuales están articuladas en el establecimiento de la agenda de los 
medios, pues la política mediática se enfoca en la captación de votantes, sino también, 
a la información que los medios transmiten y configuran para la formación de 
relaciones y posiciones de poder económico en la sociedad. Lo anterior, se conoce 


como información asimétrica, en la que bajo una lógica de mercado en la que uno de 


262 


los agentes, los medios de comunicación, tienen más información que los votantes, 
por lo tanto, lo que se transmite se hace bajo la hegemonia del poder y estará afiadido 
a la imagen que se desea proyectar de candidato; por lo tanto, el posicionamiento de 
un candidato en los medios emitirá sefiales de que este es el indicado. De ahí que 
Castell entiende que el poder de los medios establece la Ilamada comunicación 
política, en la cual, el ejercicio del poder responda a las lógicas de los medios y son 
estos los que configuran las dinámicas políticas de la sociedad, sin entender que la 
comunicación política se da en cualquier esfera social y no solo en la mediática, 
mucho menos separada de la sociedad, la política y la democracia. 

Junto a los planteamientos de Castell sobre la política mediática, es posible 
también entender la democracia mediática que sustenta Mufoz-Alonso y Rospir, 
donde se establece la relación entre el sistema de medios y el sistema político; y 
apuntan que la unión de estos ha invisibilizado la democracia, pues son los medios 
los que establecen la participación ciudadana y son los que trazan las formas de 
opinión del público, “los medios han conservado un papel valioso, mientras disminuía 
el de los partidos políticos y el de los ciudadanos (...) a los ojos del público los medios 
se han convertido en los adversarios de todas las instituciones, incluido el propio 
público” (Carey citado por Mufioz-Alonso y Rospir 1999, p. 16). Por tal razón, la 
democracia, desde la perspectiva de Mufioz-Alonso y Rospir 1999, es entendida como 
la participación del pueblo en las decisiones de las instituciones constitucionales, sin 
embargo para estos autores, este proceso de comunicación política, el de la 
democracia mediática, ha generado que los procesos de comunicación desde los 
medios, invisibilicen el público, lo que ha ocasionado una democracia sin ciudadanos, 
pues los políticos y los medios han perdido la credibilidad del pueblo, haciendo que 
estos se refugien en su individualismo, que genera el aislamiento de los individuos de 


la política y de la democracia misma. 


3. COMENTARIOS FINALES 

La comunicación política y la economía en la democracia mediática 
desempefiia un papel importante en la transmisión de información y captación de 
votantes, pues impulsa la transformación del sistema de medios (redes sociales, 
medios tradicionales y plataformas virtuales) y en la relación del ciudadano con la 
política, en la cual, la comunicación política se fundamenta como un proceso en el 


cual el votantes y el medio son ejes fundamentales en el establecimiento y la 


263 


formación del Estado democrático; “el papel que juegan los procesos de comunicación 
política y, muy especialmente, la información política, que es una auténtica columna 
vertebral de los presentes sistemas democráticos, es la mejor vía de acceso para 
comprender la naturaleza y el perfil de esta democracia mediática” (Mufioz-Alonso y 
Rospir 1999, p. 17). 

Por su parte, la economía hace que las campafias estén mediadas por el 
patrocinio de empresas privadas, las cuales, “una vez alguien ha pagado el coste fijo 
de confeccionar un buen resumen de los datos relevantes para una buena decisión 
pública, la transmisión de este resumen tiene un coste por unidad (un coste marginal) 
muy bajo.” (Cabrales, 2010), lo que permite, posicionar al candidato de acuerdo a la 
comunicación política, direccionada a la persuasión de la audiencia frente a la imagen 
de este y configurar un mecanismo comunicativo y digital direccionado al acceso a un 
cargo político de elección popular del pagador del coste fijo. 

Asi, la democracia mediática, puede entenderse como la forma en que 
participan los ciudadanos en el establecimiento de la información política y en la 
formación de los procesos democráticos en los medios de comunicación, no obstante, 
desde el planteamiento MuÃioz-Alonso y Rospir, que no dista de los planteamientos 
de Castell sobre la política mediática, para éste, el poder se genera en los medios, la 
política la generan los medios con finalidades electorales, persuasión de votantes y 
posiciones de poder; para Alonso y Rospir, la democracia estaría unida a esa política 
mediática, pues es esta la que genera la opinión pública en la sociedad, opinión que 
está condicionada por la información mediática — digital, y genera una supuesta 
democracia debido a la participación de los ciudadanos en los medios. 

No obstante, pensar que la participación que se da en los medios a partir de lo 
emitido, forja democracia es algo que los autores han puesto en cuestionamiento, 
pues como se mencionó anteriormente, la participación de la política en la esfera 
mediática ha tenido efectos en la economía nacional, dado que los medios de 
comunicación generan expectativas sobre el candidato por lo que los agentes, en este 
caso la comunidad, hacen pronósticos sobre su comportamiento y decisiones de 
política económica que al no ser cumplidas generan perturbaciones en el mercado, 
invisibilizado la participación de los ciudadanos por la falta de recursos para acceder 
a los medios. Según Mufioz-Alonso y Rospir, esta idea de democracia mediática ha 
generado un sentimiento generalizado de escepticismo, cinismo, falta de credibilidad 


de los políticos, en suma, que lleva a muchos ciudadanos a refugiarse en el reducto 


264 


íntimo de su vida privada y de sus intereses personales, lo que reduce la participación, 
objetivo principal de la democracia. Pues, según Martínez 2011, la democracia 
mediática ha propiciado, la acumulación de graves distorsiones en el funcionamiento 
de la esfera pública democrática hasta convertirsse en uno de los factores 
desencadenantes de la crisis generalizada de las democracias representativas, pues 
la representación invisibiliza la figura del representado y no permite que haya una 
verdadera participación, además, los medios empobrecen el debate público, para que 
este sea transmitido debe responder no solo a las técnicas de transmisión, sino 


también, a las lógicas de intereses de los duefios de los medios. 


4. RESUMEN DE RESULTADOS 

En la actualidad la comunicación política, esta instaurada como la 
comunicación que se desarrolla en los medios, y que tienen un contenido político, 
perteneciente a una corriente ideológica, donde no solo se expresa el interés del 
partido, sino también, el interés del medio de comunicación por crear una imagen, 
acorde a las necesidades de los individuos, entonces, tanto políticos como líderes de 
opinión, dedican sus esfuerzos para ser cada vez más mediáticos, y tener vigencia en 
los medios, “como consecuencia necesaria de este carácter central que tienen los 
medios en las modernas sociedades democráticas, se comprueba que en la 
actualidad los mayores esfuerzos y el mayor tiempo de los políticos están dedicados 
a los medios de comunicación” (Mufoz-Alonso y Rospir 1999). 

Es posible entender que la comunicación política, ha estado relacionada a los 
medios de comunicación y su poder para establecer una nueva forma de política y 
democracia, reducida a elecciones políticas. La comunicación política, se establece a 
partir de las lógicas de persuasión y discursos mediáticos que se han creado y 
estudiado a lo largo de las últimas décadas, y que responden a la victoria en las 
contiendas electorales. Reducida al estudio de la política en los medios, y no se tiene 
en cuenta el papel que desempefia en las comunidades y las ciudades en la 
cotidianidad. 

De forma reduccionista, los autores entienden la comunicación política, como 
la que se desarrolla en los medios de comunicación y atafen a la información de 
carácter electoral y de poder, “un determinismo comunicativo, es decir la suposición 
de que son exclusiva o preferentemente los cambios en el subsistema mediático los 


que impulsan la transformación del entero sistema de la comunicación política” 


265 


(Martínez 2011), no obstante, no tienen en cuenta que la comunicación política se 
puede desarrollar en diferentes esferas. “la comunicación política es una 
comunicación específica dentro del âmbito público y se define, porque el contenido 
del mensaje es político” (Costa 2008) sin importar si se desarrolla en los medios de 
comunicación. 

Desde una visión de mercado, los medios de comunicación se convierten en el 
espacio en la que los políticos emiten la información, que de acuerdo a sus intereses 
esta puede estar sesgada, además, es responsabilidad de los medios lograr que la 
información sea simétrica ante los ciudadanos y de esta manera evitar que los 
votantes de tengan un proceso de selección adversa; en la cual, no están lo bastante 


informados para establecer un criterio claro sobre su elección de voto. 


5. CONCLUSIONES 

La idea de comunicación política, puede ser vista desde diferentes 
perspectivas, la comunicación política que se desarrolla en los medios a partir de las 
contiendas electorales, a partir de los discursos de los políticos de turno, las maneras 
de persuasión y elaboración de mensajes para ganar las elecciones desde la visión 
más reduccionista. También, puede ser vista como la que se desarrolla en los medios 
(privados o comunitarios) y generan opiniones públicas no solo de los contenidos 
políticos, sino de los diferentes programas que se transmiten en los medios (noticieros, 
novelas, realitys), y la comunicación que se desarrolla en cualquier sociedad o 
comunidad, que no está reducida a las lógicas de los medios de comunicación, que 
se origina por la interacción comunicativa entre individuos, y la comunicación política 
que se da en las nuevas plataformas digitales. 

La comunicación política, se puede pensar como la interacción social y 
comunicativa que se da en la sociedad, sin importar si se forma por y desde los medios 
de comunicación, es la que como asegura Costa, el mensaje tiene un sentido político, 
y sería todo lo que contiene una postura ideológica, de creencia; ejemplo de ello, 
podría ser el intercambio de conocimiento en una escuela o universidad; así como, el 
discurso de un cura o un pastor en un iglesia, en donde el mensaje político expresa 
como debe ser el comportamiento de los fieles para no desagradar a Dios, en estos 
espacios se genera una comunicación política entre fieles y pastores, pues algunos 


estarán de acuerdo a sus posiciones religiosas y otros no. 


266 


Se podría entonces pensar que, toda interacción social, puede ser 
comunicación política, cuando un padre reprende a su hijo en su forma de hablar, en 
su comportamiento en la escuela que está afectando a sus compaferos; cuando un 
docente ensefia como sentarse a los alumnos, hay comunicación política, sin importar 
la postura ideológica, la comunicación política podría ser transversa a cualquier 
comunidad y a cualquier práctica cotidiana, que como asegura Costa, es importante 
que sea una comunicación específica dentro del ámbito público, “Para que la 
comunicación política sea legítima, es necesario que el mensaje se transmita de 
emisor a receptor se dirija a toda la comunidad o se haga en beneficio de toda la 
comunidad” (Costa, 2008). 

Para concluir, la comunicación política, puede ser utilizada de manera 
instrumental en la política mediática desde la teoría del poder y la comunicación que 
sustenta Castell que sería más una comunicación electoral (Costa, 2008), o puede 
verse en la democracia mediática, como lo sustenta Mufioz-Alonso y Rospir, la 
participación se da por el debate político que los medios generan en la sociedad, sin 
embargo, aunque son posturas reduccionistas de la comunicación política, en la 
actualidad puede pensarse la comunicación política, desde los diferentes escenarios 
que se fundamentan en la igualdad y el beneficio propio, en donde el desarrollo 
endógeno de las poblaciones sea a partir de una posición crítica de la actualidad, y se 
generen procesos de comunicación política que permitan la integración social, más 
allá de las lógicas del poder capitalista. 

La comunicación política, si bien debe tener un mensaje ideológico que 
contribuya al beneficio de toda comunidad, también debe ser la que permite que los 
individuos establezcan un desarrollo humano y local, a partir de la interpretación de 


los contenidos mediáticos como de la interacción social entre iguales. 


267 


REFERENCIAS 


Angulo, L. (2012). Televisión y periodismo comunitarios en la ruta del desarrollo humano: 
modelos y fundamentos. Universidad del Tolima. ISBN 9789588747057, editorial: 
Universidad del Tolima. 


CABRALES, A. (2010). La economía de los medios de comunicación. Communication & 
Society. 


CASTELLS, M. (2010). Comunicación y poder. Madrid: Alianza Editorial. (Capítulo 4. 
Reprogramando las redes de comunicación: política mediática, política del escándalo y crisis 
de la democracia, pp. 261-393.) 


COSTA, P. (2008). Estrategias de comunicación en campafas electorales. En Cómo ganar 
unas elecciones: comunicación y movilización en las campafias electorales. Barcelona: 
Paidós Ibérica. pp. 3-69 


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concepts in research on political news journalism: Conceptualizations, operationalizations 
and propositions for future research, Journalism, 13:139-148. 


MARTINEZ, N. (2011). De la democracia mediática a la democracia digital, Grupo de 
Estudios Avanzados de Comunicación (GEAC). Universidad Rey Juan Carlos (URJC). 
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MUNOZ-ALONSO, A. (1999). La democracia mediática. En Mufioz-Alonso, A. y Rospir, J. |. 
(Eds.). Democracia mediática y campahias electorales. Barcelona, Espaha: Editorial Ariel. 


OLLER M, CHAVERO P, CARRILLO J, CEVALLOS P. (2015). La autopercepción de los 


roles profesionales de los periodistas en Ecuador, en Quórum Académico, Vol. 12, Nº 1, 
enero-junio 2015 


268 


CAPÍTULO 18 


OS PAPÉIS DA AÇÃO POLÍTICA DE O ESTADO DE SÃO PAULO DURANTE A 
DITADURA MILITAR DE 1964-1985. 


Thiago Vieira Pereira 

Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe 
Instituição: Universidade Federal de Sergipe 

Endereço: Rua João Figueiredo Neto, 129, Santos Dumont, Aracaju/SE, Brasil 
E-mail: th91 vidgmail.com 


Daniel Pereira Brandi 

Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Sergipe 
Instituição: Universidade Federal de Sergipe 

Endereço: Rua Francisco de Assis Delmondes, 200, Ecoville Park, Torre 
Sementeira, Ap. 104, Ponto Novo, Aracaju/SE, Brasil 

E-mail: danielbrandi(Dhotmail.com 


RESUMO: Nas comemorações pelo fim da última ditadura militar no Brasil, os jornais 
que atuaram na época têm a oportunidade de contar suas narrativas e versões dos 
fatos ocorridos durante o período, sua atuação e os ataques que sofreram dos 
militares. Pesquisadores contestam as narrativas construídas por estes veículos de 
imprensa, que se identificam como defensores da liberdade política e de imprensa, 
apontando o silêncio que os veículos mantêm sobre os momentos em que apoiaram 
ativamente a instauração da ditadura militar. Este estudo faz uma revisão bibliográfica 
e de conteúdo para corroborar a tese de que nosso objeto de estudo, o jornal impresso 
O Estado de São Paulo, teve atuação política na consolidação e legitimação da 
ditadura militar, impactando diretamente sobre a percepção pública e formação de 
políticas da época. 


PALAVRAS-CHAVE: História do jornalismo. Ditadura Militar. O Estado de São Paulo. 


ABSTRACT: In commemorations of the end of the last military dictatorship in Brazil, 
the newspapers that acted at the time have the opportunity to tell their narratives and 
versions of the facts that occurred during the period, their performance and the attacks 
they suffered from the military. Researchers contest the narratives constructed by 
these press vehicles, who identify themselves as advocates of political and press 
freedom, pointing to the silence that the vehicles maintain about the moments in which 
they actively supported the establishment of the military dictatorship. This study makes 
a bibliographic and content review to corroborate the thesis that our object of study, 
the printed newspaper O Estado de São Paulo, had political action in the consolidation 
and legitimation of the military dictatorship, directly impacting the public perception and 
politics formation. of the time. 


KEYWORDS: History of journalism. Military dictatorship. The state of Sao Paulo. 


269 


1. INTRODUÇÃO 

A ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985 ainda deixa marcas na 
atual vida política do país, sendo que muitos dos agentes que tiveram influência 
durante o período ainda se encontram atuantes. Muitos dos grandes veículos de 
imprensa existentes na época lembram do período de maneira ambígua. 

Em editorial publicado em 30 de março de 2014, “Editorial: 1964”, o jornal Folha 
de São Paulo afirma que o apoio do jornal ao golpe foi um erro, mas que parecia a 
melhor escolha para a época, declarando que “É fácil, até pusilânime, porém, 
condenar agora os responsáveis pelas opções daqueles tempos, exercidas em 
condições tão mais adversas e angustiosas que as atuais. Agiram como lhes pareceu 
melhor ou inevitável naquelas circunstâncias” (FOLHA DE SÃO PAULO, 2014). 

Sobre o papel da oposição política à ditadura, o jornal afirma que “parte da 
esquerda forçou os limites da legalidade na urgência de realizar, no começo dos anos 
60, reformas que tinham muito de demagógico”, também declarando que aquela 
esquerda tinha a intenção de instaurar uma “ditadura comunista” (FOLHA DE SÃO 
PAULO, 2014). 

De forma parecida, O Globo já havia publicado, em 31 de agosto de 2013, o 
editorial “Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”, forçado pelas manifestações civis 
que surgiram em todo o Brasil em junho do mesmo ano, onde movimentos ativistas 
usavam o mote “a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. 

No texto, O Globo reconhece o erro da organização em ter apoiado o golpe que 
levou à ditadura, junto a outros grandes veículos da época, mas também tenta 
suavizar sua posição usando argumentos semelhantes ao da Folha de São Paulo, 
pois “Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um 
outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de 
sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de 
alguns segmentos das Forças Armadas” (O GLOBO, 2013). 

O jornal também defendeu as posturas do presidente do veículo, Roberto 
Marinho, que em determinada ocasião defendeu seus jornalistas de esquerda do 
general Juricy Magalhães, então ministro da justiça, ao declarar “Cuide de seus 
comunistas, que eu cuido dos meus”. 

Posição mais contraditória foi a defendida pelo jornal O Estado de São Paulo, 
no editorial “Meio século depois”, publicado em 31 de março de 2014. O texto inicia 


se referindo ao golpe militar como “movimento civil-militar de 31 de março de 1964”, 


2170 


e em nenhum ponto o jornal se refere ao acontecido como “golpe” ou mesmo a uma 
“ditadura”. No fim do texto, o jornal também reitera os perigos que a esquerda 
representava na época: 
A redemocratização viria ao fim de duas décadas de arbítrio, graças à 
persistência de milhares de brasileiros que se comportaram de forma pacífica 
e ordeira, repudiando tanto a violência empregada por aqueles que 
escolheram equivocadamente a luta armada quanto a brutalidade dos 
agentes do regime de exceção (O ESTADO DE SÃO PAULO, 2014). 

Este texto contradiz editoriais passados, onde O Estado de São Paulo atribui 
ao governo de então a deterioração das instituições políticas do país, a diminuição 
dos direitos individuais no país e se descreve como perseguido pela administração 
executiva. Estes editoriais que criticam a junta militar também contradizem editoriais 
públicos e documentos privados onde o jornal tece elogios à ditadura e ao 
“movimento”. 

Também aparece na narrativa que o Estadão faz de si mesmo o papel de 
advogado da liberdade de expressão. Em 1994, em um conjunto de matérias intitulado 


] 


“30 anos depois...”, o jornal constrói para si mesmo uma imagem de opositor ao 
regime, fazendo um contraste entre dois “lados”, o da opressão contra a liberdade, 
estando o jornal claramente do lado da liberdade (BIROLI, p. 280). O texto assinado 
por Oliveiros Ferreira descreve a situação após a promulgação do Ato Institucional 
nº 5: “foi uma época feita para os que sabiam jogar o jogo da guerra”, “foi uma época 
em que se investigava tudo — e aí começou a ser demolido o braço empresarial do 
Estado e começaram as denúncias da miséria, do descalabro do meio ambiente, da 
situação dos índios” (FERREIRA apud BIROLI, p. 280). A narrativa termina com um 
final feliz: “Foi uma luta em que triunfamos, nós da Redação” (ibid.). 

Neste estudo afirmamos que durante a ditadura militar resultado do golpe de 
1964, nosso objeto de estudo, O Estado de São Paulo, representou três papéis: o de 
apoiador, dando legitimação ao governo que se seguiu ao golpe; o de opositor, 
criticando o governo e se colocando ao lado das liberdade civis; e o de mártir, vítima 
de censura e de ocupações da redação, livre de responsabilidades anteriores. Ao final 


deste artigo tecemos considerações sobre as legitimidades destes papéis. 


2. LEGITIMANDO O GOLPE 
De 19 de março a 8 de junho de 1964, ocorreu uma série de manifestações 
civis contra o que foi considerado, pelos militares e pela ala conservadora da 


211 


população, um conjunto de ações ameaçadoras por parte do então Presidente, João 
Goulart. A primeira e maior delas aconteceu em 19 de março de 1964, em São Paulo, 
reunindo cerca de trezentas mil pessoas. Chamada de Marcha da Família com Deus 
pela Liberdade, ganhou divulgação editorial explícita na edição de 19 de março de 
1964 de O Estado de São Paulo, com uma cobertura publicada no dia 20 de março, 
descrita como “a maior manifestação cívica já vista [no] estado” (ABREU, 2010a, 
2010b). A deposição do presidente João Goulart foi comemorada nas páginas do 
Estadão, com textos exaltando o movimento militar e elogiando a participação dos 
paulistas na Marcha (ABREU, 2010b). 

Ainda em 1964, o jornal apoiou a promulgação do Ato Institucional nº 1 e 
defendeu as cassações feitas pelo governo Castelo Branco em defesa do regime 
(ABREU, 2010b). 


Figura 1: Convocação para a Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 1964” 


Participe da 


Marcha da Família 
com Deus pela 


Liberdade 
Hoje às 16 horas 


Da Praça da República para a Praça da Sé 





No mesmo ano, em carta datada de 12 de maio de 1964, Júlio Mesquita Filho, 
diretor-executivo do Estadão, expressa satisfação com os resultados do golpe (ibid.): 
“Mesquita fala nas proporções assumidas pelo “nosso movimento”, elogia Castelo 
Branco (“finalmente pusemos a mão numa personalidade de primeira ordem”) e 
expressa seu apoio à intenção de Carlos Lacerda de suceder Castelo na presidência 
da República (“da sua eleição dependerá, segundo estou convencido, o resultado final 
do nosso movimento”). Mesquita expressa, no entanto, sua opinião de que a 
presidência de Castelo não deveria estender-se apenas até a data, estabelecida 
inicialmente, de outubro de 1965 (...).” 


“ Extraído de <https://www.estadao.com.br/blogs/reclames-do-estadao/marcha-da-familia/>. Acesso em 25 de 
Julho de 2018. 


272 


Esta preocupação quanto aos desdobramentos ditadura são de especial 
interesse de mesquita pois ele foi o redator do documento denominado Roteiro da 
Revolução, “o qual, segundo o periódico, teria inspirado e orientado algumas das 
primeiras medidas tomadas pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964” 
(ABREU, 2010b). 

Portanto é patente a participação de O Estado de São Paulo na legitimação e 
organização dos eventos que levaram à deposição do então constitucionalmente 
legitimado presidente, João Goulart. Os fatos expostos embasam o papel do jornal 
como apoiador da ditadura militar. A diretoria do jornal esperava que a “revolução, 
assumindo o poder, devia designar imediatamente um presidente da República ou 
chefe do governo revolucionário” (ABREU, 2010b), mas o destino seguiu por outros 
caminhos. O não-cumprimento do roteiro elaborado por Mesquita, fez com que o jornal 


mudasse de posição, assumindo o papel de opositor. 


3. OPOSIÇÃO À DITADURA 

Após o golpe de 1964, O Estado de São Paulo fez uma cobertura em sua maior 
parte positiva da junta militar que governou o país, com elogios constantes à gestão 
da economia do país, e críticas pontuais ao desdobramento da política no país. O 
jornal começaria a ter uma posição ambígua a partir de julho de 1966. 

Há tempo considerável, os editoriais do jornal criticaram as medidas tomadas 
pela esfera executiva que atrofiam o funcionamento da esfera legislativa. Na data da 
promulgação do Ato Complementar nº 16, de 23 de julho de 1966, o jornal publicou 
texto criticando o conjunto de medidas, que afirmava enfraquecer ainda mais o 
Legislativo (ABREU, 2010b). 

Há tempos o jornal também questionava as sucessões presidenciais que se 
seguiram ao golpe, pois o roteiro projetado por Júlio Mesquita Filho ditava a indicação 
de eleições tão cedo quanto os “inimigos da revolução” fossem neutralizados (ABREU, 
2010b). A demora na convocação de eleições e a sucessão de eleições indiretas para 
presidência eram, portanto, medidas publicamente legitimadas a contragosto. Assim, 
“embora aprovasse a indicação do general Humberto de Alencar Castelo Branco para 
a presidência da República, o jornal foi, portanto, contra sua eleição pelo Congresso” 
(ibid.), em 1965. 

A mesma lógica se aplicou à indicação do general Artur da Costa e Silva para 
a presidência da República. A expectativa de um presidente civil foi frustrada quando 


213 


os esforços para a meta foram diluídos com a fundação da Frente Ampla, movimento 
de oposição à ditadura fundado com Juscelino Kubitschek e João Goulart, já que O 
Estado de São Paulo advogou por uma candidatura civil única. Afinal, o jornal apoiou 
publicamente a nomeação de Artur da Costa e Silva, em 3 de outubro de 1966 
(ABREU, 2010b). 

Quando a junta militar cassou os direitos políticos da Frente Ampla e seus 
integrantes, usando os poderes garantidos pelo Ato Institucional nº 2, do qual o 
Estadão foi apoiador incontestável no momento de sua proclamação (ABREU, 2010b), 
o jornal definitivamente se coloca como jornal de oposição. Segundo Abreu (2010b), 
“O editorial de 3 de dezembro de 1968 aconselhava o governo a promover uma 
reforma da Constituição que restituísse a autonomia do Legislativo. O Executivo era 
igualmente incitado a reformular a vida partidária, a modificar as leis de segurança e 
de imprensa e a 'sincronizar as aspirações populares com as instituições políticas”. 

Em 13 de dezembro de 1968, O Estado de São Paulo publicou o editorial 
“Instituições em frangalhos”, horas antes da promulgação do Ato Institucional nº 5, 
que levaria à apreensão da edição daquele dia. Nele, o jornal afirmava que as 
instituições do país se encontravam deslegitimadoras, em todas as suas esferas: 


A desordem passou a campear nos arraiais estudantis, ao mesmo tempo em 
que, ante o mal-estar geral, o clero revoltoso fazia sentir a sua presença até 
mesmo nas praças públicas. Dentro dos próprios limites do feudo 
aparentemente submisso à vontade do Palácio da Alvorada, não se passava 
dia sem que se manifestassem sintomas da insurreição latente. A Arena 
aderia à rebeldia geral com tamanha evidência que o próprio MDB sentiu que 
era chegado o momento da desforra. Resolveu então, com uma ousadia que 
a todos espantou, enfrentar a ditadura militar em que vivemos desde 1964 
ferindo na sua suscetibilidade as Forças Armadas brasileiras. Já agora, a 
ordem que julgava s. exa. o sr. presidente da República dever a Nação às 
instituições que ele lhe impôs revela-se uma vá aparência, pois que, ao apelar 
para os que considerava correligionários seguros das acutiladas da oposição 
contra os seus companheiros de armas, se vê s. exa. totalmente 
desamparado (...). Agora, porém, que são claros os sinais da desagregação 
irredutível da maioria parlamentar, como o comprova a estrondosa derrota 
sofrida ontem pelo governo, quando mais de 70 deputados da Arena votaram 
contra a concessão de licença para processar o deputado Marcio Moreira 
Alves, pergunta-se: que é que poderá resultar de um estado de coisas que 
tanto se assemelha ao desmantelamento total do regime que o sr. presidente 
da República julgava fosse o mais conveniente àquele delicadíssimo e frágil 
arquipélago de grupos sociais a que se referia ainda ontem, cuja integridade, 
é s. exa. O primeiro a reconhecê-lo, está por um fio? (O ESTADO DE SAO 
PAULO, 1968). 


A partir de então é consolidada a figura de O Estado de São Paulo como 
opositor ao regime vigente, até a instauração da sexta República, em 1985. Durante 
este período o jornal se utilizou de diversos artifícios para driblar a censura e, quando 


214 


não possível, sinalizar à audiência as intervenções sofridas. A partir de 1971, o 
Estadão passou a publicar textos contendo assuntos não habituais, como os poemas 
do poeta português Luís de Camões. 

Em análise de edições veiculadas entre 1972 e 1975, Nascimento (et al, 2013) 
identificou dois tipos gerais de censura nas páginas de O Estado de São Paulo: 
política e empresarial, “onde a política se restringia ao fato do jornal se adequar as 
vontades do Estado e na empresarial, os anunciantes detinham o poder de divulgar 
anúncios, estes que muitas vezes tomavam o lugar de notícias” (Nascimento et al, 
p.2). A pesquisa apontou 5 casos de censura no período analisado, mas não citou 
qual o tamanho da amostra total, quantas edições foram publicadas no período. A 
seguir destacamos as de maior destaque. 

Na edição do dia 19 de setembro de 1972 o jornal sofreu censura política na 
forma de censura prévia, publicando no lugar dos textos censurados as chamadas do 
jornal (que deveriam vir na primeira página) e imagens irrelevantes ao invés da notícia 
(Nascimento et al, p.10). 

Em 19 de junho de 1973, o jornal se utilizou de autocensura política para 
condenar ações do presidente, se utilizando de linguagem poética, criticando-o de 
maneira irônica. (Nascimento et al, p.11). 

Em 15 de agosto de 1974, se notou censura empresarial, onde o jornal trocou 
os anúncios originais por anúncios satíricos irrelevantes. Também se percebeu 
censura política, com a troca de uma notícia por um poema de Camões (Nascimento 
etal, p.11). 

Com o fim da ditadura, foi chegado o momento de investigar as 
responsabilidades sobre este período deprimente da história brasileira. A partir daqui 
identificamos o papel do Estadão como mártir. 


4. REESCREVENDO A HISTÓRIA 

Como vimos anteriormente, no editorial “Meio século depois”, O Estado de São 
Paulo fez esforços para atenuar a culpa dos setores civis da sociedade na legitimação 
do governo que sucedeu o golpe. Também vimos que, segundo Abreu (2010b), o 
jornal foi favorável à vigência do Ato Institucional nº 2. Portanto é contraditório que no 
mesmo editorial o Estadão afirma que: 


O Ato Institucional n.º 2, o Al-2, de 27 de outubro de 1965, desviou o 
movimento de seu rumo. Mais grave do que extinguir os partidos foi, como 
assinalou o Estado em vários editoriais — notadamente os de 28 e 29 de 


215 


outubro —, tornar permanentes medidas de emergência, excepcionais e 
transitórias, destinadas a recolocar o País no caminho democrático. O Al-2 
marca o afastamento do Estado do movimento. A sua componente civil foi 
definhando e ele se tornou essencialmente militar. Começou ali o processo 
que levou ao autoritarismo e ao arbítrio do Al-5, à censura, à repressão, ao 
cerceamento das liberdades civis e dos direitos individuais (O ESTADO DE 
SAO PAULO, 2014). 


Para Biroli (2004, p.278), esta contradição pode ser operacionalizada quando 
os agentes em um processo político deliberadamente se utilizam de silêncio para a 


construção da memória do processo: 


Silenciam, assim, sobre o fato de que as relações entre imprensa e política 
em tempos de democracia se caracterizaram, inúmeras vezes, por práticas 
negadoras de aspectos centrais à política democrática, como a não aceitação 
das opções contidas no voto, a não aceitação do confronto como constitutivo 
da política e das sociedades e, para fazer uma referência explícita às 
discussões em Koselleck e D'Allones, a não aceitação da indeterminação que 
constitui a política e a democracia (ibid.). 


Biroli afirma que esta estratégia empregada pelo jornal não é nova, destacando 
que o texto intitulado “O Estadão faz 125 anos, mas só conta 120. Erro de cálculo? 
Não, intervenção mesmo”, que se refere ao período de 1940 a 1945, durante os quais 


o jornal esteve sob intervenção da ditadura de Getúlio Vargas: 


Em 1940, a ditadura Vargas, incomodada com a postura editorial do Estadão, 
invade sua sede e expulsa diretores e jornalistas. Durante 5 anos, o Estadão 
não foi o Estadão. Só a partir de 1945, novamente sob a direção da família 
Mesquita e tendo à frente Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita, o 
Estadão voltou a ser um jornal livre. E voltou a denunciar. Mas em 1971, com 
os militares no poder, sensores são instalados nas redações dos jornais, 
vetando quaisquer notícias sobre prisões e protestos ou declarações 
contrárias ao regime ditatorial. Para fazer resistência, o Estadão usou uma 
arma bastante poderosa: a poesia. 660 trechos de Os Lusíadas, de Camões, 
foram usados no lugar das matérias censuradas. Era uma forma de mostrar 
aos leitores que alguma coisa estava errada. E de mostrar aos generais que 
era impossível fazer calar nossos jornalistas (ibid.). 


Para Biroli o salto de 16 anos no período abordado no texto é deliberado, 
silenciando sobre os períodos em que o jornal agitava as águas políticas. 


5. CONCLUSÃO 

Expostos os fatos neste estudo, podemos entender como O Estado de São 
Paulo atuou em papéis diferentes, durante períodos diferentes da ditadura: no 
começo, o jornal atuou como apoiador, legitimando o regime; após o “movimento” ter 


fugido ao roteiro elaborado por seu diretor, Júlio Mesquita Filho, o jornal adotou a 


276 


postura de opositor; e finalmente adotou a figura de mártir, defensor dos valores de 
liberdade de expressão oprimidos pelo regime militar. 

Constatamos a legitimidade do papel de opositor, como visto em Nascimento 
(et al, 2010), onde o jornal sofreu repressão dos censores instituídos pela ditadura, 
visível nas páginas de suas edições. O papel de apoiador, sobre o qual o jornal se 
silencia, é legitimado por documentos escritos pelo próprio diretor do jornal à época, 
um dos arquitetos do golpe. O papel de mártir é uma construção deliberada que é 
legitima apenas a quem não tem acesso a fontes que contradigam os editoriais 


publicados pelo próprio jornal. 


217 


REFERÊNCIAS 


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1930. Rio de Janeiro: CPDOC, 2010b. Disponível em: 

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BIROLI, Flávia. Jornalismo, democracia e golpe: a crise de 1955 nas páginas do 
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FOLHA DE SÃO PAULO. São Paulo: Grupo Folha. 30 de março. 2014. Disponível em: 
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ditadura brasileira em editoriais e artigos sobre os 50 anos do golpe. Ver. Ipotesi, Juiz 
de Fora, v.19, n.2, p. 42-52, jul./dez. 2015 


278 


CAPÍTULO 19 


EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA E AS NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES 
NACIONAIS EM ENGENHARIA. 


Cynara Silde Mesquita Veloso 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc — UNIFIP Moc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/ MG, Brasil. 
E-mail: cynarasilde(O yahoo.com.br 


Vânia Ereni Lima Vieira 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc — UNIFIP Moc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/ MG, Brasil. 
E-mail: vaniaerenilimavieiradyahoo.com.br 


Rodrigo Baleeiro Silva 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc — UNIFIP Moc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
E-mail: rodrigo.baleeiro(Dgmail.com 


Leandro Pimenta Peres 

Instituição: Centro Universitário FIPMoc — UNIFIP Moc. 

Endereço: Profa Aida Mainartina Paraíso, 80, Ibituruna, Montes Claros/MG, Brasil. 
E-mail: IpipOterra.com.br 


RESUMO: O processo de ensino e de aprendizagem é incessantemente provocado 
pela necessidade de acompanhar o avanço tecnológico. Nesse contexto se encontra 
o ensino híbrido, uma modalidade educacional que combina de modo articulado, os 
métodos de ensino e de aprendizagem presencial e a distância por meio de 
plataformas virtuais. Diante disso, o objetivo do presente trabalho é analisar a 
aplicação das metodologias ativas de aprendizagem baseada em projeto com foco 
nas tecnologias digitais 4.0 através do ensino híbrido aplicado nos cursos de 
engenharia. A utilização da metodologia ativa de projetos se ajusta a proposta da SD 
uma vez que se relaciona com as novas diretrizes e bases curriculares nacionais em 
engenharia, pois as metodologias ativas e o ensino hibrido possibilitam que os cursos 
de engenharia potencialzem a implementação de práticas inovadoras 
proporcionando ao aluno a possibilidade de elaborar soluções para problemas reais, 
que são essenciais para formar engenheiros capacitados para as exigências atuais 
do mercado. 


PALAVRAS-CHAVE: Ensino híbrido. Metodologia ativa. Tecnologias Digitais. Ensino 
em engenharia. 


ABSTRACT: The teaching and learning process is incessantly brought about by the 
need to keep up with technological advances. In this context is the hybrid teaching, an 
educational modality that combines, in an articulated way, the methods of teaching 
and learning in person and distance through virtual platforms. Therefore, the objective 
of this paper is to analyze the application of active project-based learning 
methodologies focusing on digital technologies 4.0 through the hybrid teaching applied 


279 


in engineering courses. The use of the active project methodology fits in with the DS 
proposal as it relates to the new national engineering guidelines and curriculum bases, 
as active methodologies and hybrid teaching enable engineering courses to enhance 
the implementation of innovative practices providing It gives the student the ability to 
work out solutions to real-world problems that are essential to training engineers who 
are capable of meeting today's market demands. 


KEYWORDS: Hybrid teaching. Active Methodology. Digital Technologies. 
Engineering teaching. 


1. METODOLOGIA ATIVA DE APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETO COM 
FOCO NAS TECNOLOGIAS DIGITAIS 4.0: ENSINO HÍBRIDO APLICADO NOS 
CURSOS DE ENGENHARIA 

Inicialmente, cumpre-nos apresentar considerações sobre o ensino híbrido, 
considerado uma nova modalidade de ensino capaz de proporcionar novas 
perspectivas para o ensino superior. Destarte, não há como ignorar o uso das 
Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC). 

Diante disso, é fundamental compreender o conceito do ensino híbrido para 
contextualizá-lo com o objeto do trabalho. Nesse sentido, Bacich, Neto Tanzin e 
Trevisan (2015, p.51-52) explicam: 


[...] A expressão ensino híbrida está enraizada em uma ideia de educação 
híbrida em que não existe uma forma única de aprender e na qual a 
aprendizagem é um processo contínuo, que ocorre de diferentes formas em 
diferentes espaços. E possível, portanto, encontrar diferentes definições para 
ensino híbrido na literatura. Todas elas apresentam, de forma geral, a 
convergência de dois modelos de aprendizagem: o modelo presencial, em 
que o processo ocorre em sala de aula, como vem sendo realizado há 
tempos, e o modelo on-line que utiliza tecnologias digitais para promover o 
ensino. Podemos considerar que esses dois ambientes de aprendizagem [...] 
tornam-se gradativamente complementares. 


Desataca-se que o conceito legal do ensino a distância que permite-nos 
compreender a distinção dessa modalidade em relação ao ensino híbrido. Assim, o 
decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017, que regulamenta o artigo 80 da lei nº 9.394, 
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional, apresenta um conceito legal do ensino a distância: Artigo 1º -Para os fins 
deste Decreto, considera-se educação a distância a modalidade educacional na qual 
a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra 
com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal 


qualificado, com políticas de acesso, com acompanhamento e avaliação compatíveis, 


280 


entre outros, e desenvolva atividades educativas por estudantes e profissionais da 
educação que estejam em lugares e tempos diversos (BRASIL, 2017). 

Nessa perspectiva, o Ordenamento Jurídico Brasileiro, por intermédio da 
Portaria nº 1.428, de 28 de dezembro de 2018, dispõe sobre a oferta, por Instituições 
de Educação Superior - IES, de disciplinas na modalidade a distância em cursos de 
graduação presencial: Artigo 2º - Esta Portaria dispõe sobre a oferta de disciplinas 
com metodologia a distância em cursos de graduação presencial ofertados por 
Instituição de Educação Superior - IES credenciadas pelo Ministério da Educação. 
Parágrafo único. 

Na aplicação desta Portaria, será observada a legislação educacional que 
dispõe sobre atos autorizativos de funcionamento de IES e de oferta de cursos 
superiores de graduação na modalidade presencial e a distância. Art. 3º As IES que 
possuam pelo menos 1 (um) curso de graduação reconhecido poderá introduzir a 
oferta de disciplinas na modalidade a distância na organização pedagógica e curricular 
de seus cursos de graduação presenciais regularmente autorizados, até o limite de 
20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso (BRASIL, 2018). 

Assim, verifica-se que, embora de maneira genérica, há previsão legal para 
adoção da modalidade de ensino híbrido no Brasil. Destaca-se, ainda, que há previsão 
na Portaria nº 1.428, de 28 de dezembro de 2018 para a ampliação da carga horária 
das disciplinas ofertadas a distância, desde que cumpram os requisitos legais. Após 
o conceito e perspectivas sobre o ensino híbrido, insta apresentar a utilização da 
metodologia ativa de aprendizagem baseada em projetos, que na concepção de 
Bender (2014, p.15): [...] é uma das mais eficazes formas disponíveis de envolver os 
alunos com o conteúdo de aprendizagem e, por essa razão, é recomendada por 
muitos líderes educacionais como uma das melhores práticas educacionais da 
atualidade. 

A aprendizagem baseada em projeto possibilita que o aluno seja o protagonista 
do processo de aprendizagem, destacando que o professor deverá se valer da 
inserção das tecnologias digitais de informação e comunicação nos processos de 
ensino e de aprendizagem. As metodologias ativas possibilitam a problematização de 
situações reais, incentivando os educandos a buscar soluções, planejar estratégias, 
e se aproximar do mercado empreendedor. 

Ressalta-se, que quando se aplica as metodologias ativas concomitante com 
as tecnologias digitais no ensino de engenharia é possível obter resultados 


281 


significativos. A resolução de problemas utilizando metodologias ativas através de 
tecnologias digitais, permite por exemplo, que um acadêmico de engenharia civil, 
experimente projetar, calcular e executar pontes de macarrão, considerando variáveis 
como o tempo, peso, resistência, dentre outras, alcançando resultados espetaculares. 

Em metodologias como essa os requisitos de um projeto de engenharia são 
abordados desde o planejamento, orçamento e execução da obra, permitindo ao aluno 
uma vivência da realidade estimulando o empreendedorismo e o acesso ao mercado 
de trabalho. 

Destaca-se, ainda que em aprendizagem por projetos as tecnologias digitais 
são utilizadas desde a fase de planejamento com software como o MsProjet, de 
projeto e simulação como o SolidWork e salas virtuais como a integração de 
experiência entre professores e colegas de turma, fórum de discussões, vídeo aulas, 
laboratório rotacional, dentre outros, transformando assim, o processo de ensino e de 
aprendizagem um processo enriquecedor e significativo. 

Assim, o objetivo geral do presente trabalho é analisar a aplicação das 
metodologias ativas de aprendizagem baseada em projeto com foco nas tecnologias 
digitais 4.0 através do ensino híbrido aplicado nos cursos de engenharia. 

Em relação a base metodológica a presente pesquisa se desenvolverá através 
do método dedutivo por meio de procedimento bibliográfico e documental com 
abordagem qualitativa. Far-se-á inicialmente uma abordagem teórica acerca do tema 
e análise posterior da aplicação da metodologia ativa de aprendizagem por projetos 
em uma turma do 8º período de engenharia mecânica em um centro universitário 
localizado na cidade de Montes Claros/MG que está desenvolvendo um projeto para 
a implementação do ensino híbrido. 

Sobre a finalidade da pesquisa, Lakatos (2005, p.224) elucida: 


A finalidade da pesquisa científica não é apenas um relatório ou descrição de 
fatos levantados empiricamente, mas o desenvolvimento de um caráter 
interpretativo, no que se refere aos dados obtidos. Para tal, é imprescindível 
correlacionar a pesquisa com o universo teórico, optando-se por um modelo 
teórico que serve de embasamento à interpretação do significado dos dados 
e fatos colhidos ou levantados. 


Quanto ao levantamento de dados Oliveira (2008, 28-29) explica: 


Para o levantamento dos dados, podem ser empregados os seguintes 
procedimentos: pesquisa documental, pesquisa bibliográfica, contatos diretos 
e observações de fatos e fenômenos, mediante a utilização de planilhas ou 
equipamentos específicos para a coleta e análise de dados do objeto de 
pesquisa. 


282 


Assim, o procedimento metodológico descrito, possibilitará que atinja os 
objetivos propostos. Diante disso, é possível concluir que é necessário substituir as 
formas tradicionais de ensino por metodologias ativas de aprendizagem, que podem 
ser utilizadas como estratégias na prática pedagógica, através do ensino hibrido que 
viabiliza o uso de tecnologias digitais para potencializar a aprendizagem através de 
projetos nos cursos de engenharia, construindo uma aprendizagem significativa. 


REFERÊNCIAS 


BACICH, L.; TANZI NETO, A.; TREVISANI, F. de M. (Org.) Ensino Híbrido: Personalização e 
Tecnologia na Educação. Porto Alegre: Penso. ISBN 978-85-8429-048-2. 


BENDER. William N. Aprendizagem Baseada em projetos: educação diferenciada para o 
século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014. 


BRASIL. Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017, que regulamenta o artigo 80 da lei 
nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional. http://www .planalto.gov.br/ccivil 03/ Ato2015- 
2018/2017/Decreto/D9057.htmfart24 Acesso em 30 de jan. 2019, as 7h36. 


BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional. http:/Avww.planalto.gov.br/ccivil 03/LEIS/L9394.htm. Acesso em 30 de 
jan. 2019, as 8h50. 


LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia 
científica. 5. ed, São Paulo: Atlas 2008. 


OLIVEIRA, Maria Marly de. Como fazer projetos, relatórios, monografias, dissertações e 
teses. 4.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 


283 


CAPÍTULO 20 


DIMENSÕES DA INOVAÇÃO NO SETOR PÚBLICO: UM ESTUDO DE CASO NAS 
PREFEITURAS DO OESTE DO PARANA. 


Marcio Thales da Silva 

Mestrando no Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Tecnologias, 
Gestão e Sustentabilidade 

Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná 

Endereço: Avenida João XIII, 1755, Centro, CEP: 85884-000, Medianeira/PR 
E-mail: marciothales(Ogmail.com 


Douglas Pereira Pavan 

Mestrando no Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Tecnologias, 
Gestão e Sustentabilidade 

Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná 

Endereço: Rua Rio Grande do Norte, 2921, Cidade Alta, CEP: 85884-000, 
Medianeira/PR 

E-mail: pavan douglas1 O(Ohotmail.com 


Eduardo Cesar Dechechi 

Doutor em Engenharia Química pela UNICAMP 

Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná 

Endereço: Av. Tarquínio Joslin dos Santos, 1300, Lot. Universitário das Américas, 
CEP: 85870-650, Foz do Iguaçu/PR 

E-mail: eduardo.dechechi(Dunioeste.br 


Vanderlei da Silva Sampaio 

Pós-Doutorando em Administração Pública pela Universidade Federal de Viçosa — 
UFVMG 

Instituição: Centro Universitário FAG 

Avenida Nilza de Oliveira Pepino 409, Centro, CEP: 85440-000, Ubiratã/PR 
E-mail: vanderleisampaio(Dhotmail.com 


Luciano Panek 

Doutor em Matemática pela Universidade Estadual de Maringá 

Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná 

Endereço: Av. Tarquínio Joslin dos Santos, 1300, Lot. Universitário das Américas, 
CEP: 85870-650, Foz do Iguaçu/PR 

E-mail: lucpanek(O gmail.com 


RESUMO: A administração pública municipal tem ganho grande importância no Brasil 
nos últimos anos. A municipalidade é o palco dos principais serviços à população, tais 
como saúde e educação, por exemplo. No entanto, iniciativas de promoção de 
inovação nesse âmbito ainda são isoladas e com baixo nível de sistematização. O 
objetivo desse estudo foi identificar o grau de inovação percebido pelos servidores 
públicos municipais no Oeste do Paraná, nas dimensões Estratégia, Aprendizagem, 
Relacionamentos, Processos e Organização Inovadora, buscando oportunidades para 
melhorias que apoiem o processo de gestão da inovação. Para isso foi utilizada uma 


284 


ferramenta publicada por Tidd e Bessant, adaptada para a realidade do serviço 
público. 


PALAVRAS-CHAVE: Gestão Pública, Administração Municipal, Inovação, 
Dimensões da Inovação, Inovação na Gestão Pública. 


ABCTRACT: The municipal public administration has gained great importance in 
Brazil in recent years. The municipality is the scene where the main services for the 
population take place, such as health and education, for example. However, initiatives 
to promote innovation in this area are still isolated and with a low level of 
systematization. This study goal was to identify the degree of innovation perceived by 
municipal public servants in the West of Paraná, in the dimensions Strategy, Learning, 
Relationships, Processes and Innovative Organization, looking for opportunities for 
improvements that support the process of innovation management. For this, a tool 
published by Tidd and Bessant was used, adapted to the reality of the public service. 


KEYWORDS: Public Management, Municipal Administration, Innovation, Dimensions 
of Innovation, Innovation in Public Management. 


1. INTRODUÇÃO 

Inovação foi o termo utilizado por Schumpeter para descrever algo novo, 
introduzido em um sistema econômico, com a capacidade de alterar relações de 
produção e consumo. Ele ainda considerou que inovações são essenciais para o 
desenvolvimento econômico. Desde então, diversos estudos como os de Tidd e 
Bessant (2015), Pedrosa (2017), Torres (2012), OCDE (2006), Pinho e Santana 
(1998), dentre outros, tem contribuído e corroborado os conceitos de Schumpeter. 

Atualmente, a necessidade de se adotar práticas e processos inovadores já 
está relativamente sedimentada na iniciativa privada, mas parece que na 
administração pública o tema ainda necessita avançar muito. Existem poucas 
publicações focadas no tema e poucas metodologias validadas para apoiar a inovação 
no ambiente público. 

No entanto, tanto quanto a iniciativa privada, a administração pública também 
necessita se reinventar e abraçar o pensamento inovador. Talvez precise ainda mais 
do que a iniciativa privada, já que segundo Alves et al (2014), “serviços públicos 
podem não gerar lucros, mas afetam significativamente a qualidade de vida de 
milhões de pessoas”. 

O ponto focal onde mais precisa haver a inovação na gestão pública é a 
instância municipal, considerando-se que desde a promulgação da Constituição 


285 


Federal de 1988, estes entes assumem responsabilidades que antes eram da União. 
Os municípios assumem o papel de bem estar social e necessitam redesenhar suas 
atividades, em um processo de inovação dos serviços públicos. 

O desafio então é a adoção de processos inovadores, por natureza dinâmicos, 
frutos de intensa criatividade e grande foco em mercado, em um ambiente 
burocratizado, com necessidades de legalidade e transparência e usualmente 
pautados por processos mais longos, que é o ambiente do setor público. Isso é 
possível. O crescimento de premiações e incentivos no setor mostra que inovação e 
gestão pública não são, de forma alguma, antagônicos. 

Diante disso, o objetivo neste artigo é caracterizar a inovação no setor público, 
em especial nas Prefeituras do Oeste do Paraná, compreendendo a percepção dos 
servidores municipais para a inovação nas dimensões indicadas por Tid e Bessant 
(2015). 


2. OBJETIVO 

Identificar o grau de inovação percebido pelos servidores públicos municipais 
no Oeste do Paraná, nas dimensões Estratégia, Aprendizagem, Relacionamentos, 
Processos e Organização Inovadora, buscando oportunidades para melhorias que 
apoiem o processo de gestão da inovação. 

Objetivos específicos: a) Caracterizar a inovação no setor público, em especial 
no âmbito do serviço público municipal; b) Identificar como os funcionários públicos 
municipais percebem a inovação em sua atuação diária, no ambiente das Prefeituras; 
c) Identificar possíveis melhorias para apoiar a gestão da inovação no serviço público 


municipal. 


3. CARACTERIZANDO A INOVAÇÃO 

Invenção para Freeman & Soete (1997) é apenas uma ideia, um delineamento, 
uma mostra de um novo produto ou processo, eventualmente um aprimoramento de 
algo já existente (Moreira et al. 2007). 


A invenção é uma ação deliberada que conduz ao desenvolvimento de um 
novo dispositivo, um novo método ou uma nova máquina que poderá mudar 
a maneira pela qual as coisas são feitas. Mas ela só se tornará uma inovação 
quando o novo dispositivo, método ou máquina estiver disponível no mercado 
para ser vendido ou utilizado. (Moreira et al. 2007, p. 29) 


286 


A concorrência pura de mercado se comporta de maneira em que não há 
participantes fortes o suficiente para possuir poder de mercado visando definição de 
preços, esse fator é incompatível com o progresso econômico. Contudo, o estado de 
concorrência pura ou perfeita, é interrompida e sai de cena sempre que surge 
qualquer inovação, neste contexto de inércia, seja de forma automática, ou por 
medidas tomadas para o processo de inovação (Schumpeter, 1961). 

Corroboram Tidd, Bessant & Pavitt (1997), mencionando que o sucesso 
econômico das empresas, em graus maiores ou menores, está atrelado à introdução 
de inovações nos processos e produtos (Moreira et al. 2007). 

Para facilitar a compreensão sobre inovação, Moreira et al. (2007) relata que a 
inovação detém um sentido econômico, pois deve estar atrelado à produção ou 
inserção comercial do novo produto ou aprimoramento dos bens ou serviços 
já ofertados. 

3.1 TIPOLOGIA DA INOVAÇÃO 

Moreira et al. (2007) abordam os tipos de inovação com olhar mais geral, devido 
ser um campo que ganhou interesse de estudiosos e pode ter mais de vinte 
taxonomias do tema. Esse modelo genérico é apresentado por meio de uma 
classificação proposta por Knight (1967). Inicialmente essa classificação é baseada 
no foco, ou seja, áreas das quais se pode empregar a inovação dentro de uma 
organização, conforme apresentado na sequência: Inovação no produto ou serviço: 
processo atrelado à inserção de novos produtos ou serviços ofertados pela 
organização; Inovação no processo de produção: aplicação de elementos novos em 
atividades da organização, em sistemas de informação, produção ou operação; 
contribuindo com avanços tecnológicos da organização; Inovação na estrutura 
organizacional: abrangem ajustes em relações de autoridade, ambiente de trabalho, 
modelo de remuneração, sistema de comunicação e demais vertentes da interação 
formal entre os colaboradores na organização. Alterações nos processos produtivos 
ou prestação de serviços tendem a produzir simultaneamente inovação na estrutura 
organizacional; Inovação em pessoas: esse tipo de inovação refere-se à possibilidade 
de mudar o comportamento ou a crença de pessoas dentro da organização. Exemplos 
são, educação e treinamentos. 

Contudo, Moreira et al. (2007), também abordam as tipologias, utilizando como 
base Damanpour (1991), que destaca três moldes distintos de classificações, 


exemplificados a seguir: Inovação administrativa e inovação técnica ou tecnológica: 


287 


inovação técnica ou tecnológica referem-se a produtos, serviços e tecnologia do 
processo produtivo. Possui relação com atividades operacionais, podem apresentar- 
se tanto em produtos como em processos. 

Já as inovações administrativas estão atreladas a estrutura organizacional e 
processos administrativos, mais presentes à gerência da organização, mas também 
se relacionam indiretamente com às atividades operacionais; Inovação no produto e 
inovação no processo: inovação nos produtos é o processo de oferta de novos 
produtos ou serviços ao mercado, buscando atender a necessidade e anseios 
dos consumidores. 

Inovações de processos partem da incorporação de novos elementos no 
processo produtivo ou operação de serviços da organização; Inovação radical e 
inovação incremental: inovações radicais modificam a essência das atividades de uma 
organização e representam um visível abandono das práticas comuns. A introdução 
de algo tão novo obriga o desenvolvimento de rotinas completamente novas, 
frequentemente alterando os parâmetros de crenças e valores. Por outro lado, as 
inovações incrementais exercem pequenas alterações nas rotinas da organização, em 
um processo que pode ser realizado apenas com adaptações menores nas rotinas 
organizacionais existentes, sendo adaptativa aos valores e normas da organização. 

3.2 DIMENSÕES DA INOVAÇÃO 

Dentro de um contexto genérico, as dimensões estão presentes em quatro 
subsistemas, conforme Lawrence & Lorsch (1967) as organizações necessitam 
coordenar os campos estratégicos, operacional, administrativo e humano. Esses 
subsistemas compõem um modelo diferenciado e integrado que, por sua vez, reflete 
um processo analítico e de síntese do trabalho coletivo em organizações (Moreira 
et al. 2007). 

As dimensões da inovação dentro de um contexto de gestão são apresentadas 
por Tidd, Bessant & Pavitt (2008) em dez critérios, como: visão e liderança focada em 
inovação; estrutura organizacional congruente; papéis cruciais para inovação na 
organização; capacitação; comprometimento das pessoas; confecção de uma equipe 
para inovação; ambiente criativo; foco externo, modelo multidirecional e multicanais 
para comunicação; competência de aprendizagem organizacional. Esses são os itens 
que sustentam a gestão da inovação em organizações (Campos & Campos, 2013). 

Prosseguindo com a construção das dimensões, Campos & Campos (2013) 


citam outro modelo semelhante aos itens anteriores, mas com apenas nove critérios, 


288 


esses critérios estão embasados por Oliveira & Cândido (2008), sendo: estratégias; 
local físico; comunicabilidade; estrutura da organização; operação em equipe; 


pessoas; inovação e tecnologia; aprendizagem organizacional; e meio ambiente. 


4. INOVAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA 

Schumpeter define cinco tipos de inovação, quais sejam: em novos produtos; 
em novos métodos de produção, em novas fontes de matéria-prima, na exploração de 
novos mercados e por fim em novas formas de organizar as empresas 
(SCHUMPETER, 1934). A inovação refere-se a novas combinações de recursos já 
existentes para produzir novas mercadorias, ou para produzir mercadorias antigas de 
uma forma mais eficiente, ou ainda mesmo para acessar novos mercados (TORRES, 
2012). Ambas as afirmações abrem a possibilidade de, efetivamente, também ser o 
setor público um ambiente com geração de inovações. 

O Manual de Oslo (2006), documento que discorre sobre diretrizes para coleta 
e interpretação de dados sobre inovação, é um olhar da Organização para a 
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Manual defende que a 
inovação pode ocorrer em qualquer setor da atividade econômica, inclusive no serviço 
público, onde é muito importante que de fato ocorram processos inovadores. 

Outra iniciativa da OCDE é o Observatório da Inovação no Setor Público-OPSI, 
que em sua consulta aberta em 2018 elencou oito perspectivas para a inovação no 
setor público, traduzidas livremente conforme abaixo: 1. Governos precisam inovar 
para servir melhor a população; 2. Os Governos já estão inovando, mas há mais a ser 
feito; 3. A característica da inovação torna difícil sua incorporação como prática; 4. 
Uma abordagem mais deliberada é necessária; 5. Uma abordagem deliberada deve 
refletir os desafios enfrentados pelo Governo; 6. Uma abordagem multifacetada para 
inovação; 7. Apoiar uma abordagem de portfólio envolve a manutenção de diversos 
recursos; 8. A prontidão para inovação, para inovar para hoje e para o futuro, 
demonstra maturidade e resiliência do sistema. 

A partir da consulta e considerando essas perspectivas, o OPSI redigiu uma 
Declaração, solicitando apoio aos países membros, cujo conteúdo abrange os 


reconhecimentos listados no quadro 01. 


289 


Quadro 01 — Reconhecimentos da Declaração sobre Inovação no Setor Público. 





1. Os Governos operam em contextos cada vez mais incertos e mutáveis, e precisam 
lidar com uma série de problemas complexos e rotineiros; 


2. Num contexto incerto e em mudança, não se pode presumir que as estruturas, 
processos e intervenções existentes sejam os mais apropriados ou eficazes em todas as 
circunstâncias; 


3. Os governos precisam de múltiplas estratégias para enfrentar diversos desafios, dos 
quais a inovação deve ser um; 


4. Opções inovadoras devem ser desenvolvidas e avaliadas de forma contínua, 
consistente e confiável para estarem prontas para os desafios esperados e inesperados; 


5. Para desenvolver opções inovadoras, os governos devem adotar uma abordagem de 
portfólio para a inovação; 

6. Uma abordagem de portfólio eficaz para a inovação reconhece que a inovação é 
multifacetada, com cada faceta representando um tipo diferente de inovação. As 
diferentes facetas são: 


e Inovação orientada para o aprimoramento, que aprimora as práticas, alcança 
eficiências e melhores resultados e se baseia nas estruturas existentes; 

e Inovação orientada para a missão, que alcança ambições e prioridades claras, 
desenvolvendo novos métodos e abordagens conforme necessários; 

e Inovação adaptativa, que responde a um ambiente em mudança e incentiva a 
curiosidade para interpretar e responder às mudanças na sociedade; 

e Inovação antecipatória, que explora e se engaja com as questões emergentes 
que moldarão futuras prioridades e compromissos futuros; 


7. Embora a atividade em qualquer uma das facetas possa produzir resultados positivos 
ou soluções ad hoc adequadas, a dependência excessiva ou a confiança exclusiva em 
uma faceta não preparará o governo para uma entrega eficaz; 

8. O nível de atividade de inovação que ocorrerá por padrão provavelmente não será 
suficiente ou sustentado sem confrontar os vieses sistêmicos do setor público em manter 
e replicar o status quo; 

9. A inovação é mais bem servida por uma abordagem deliberada, sistêmica e 
multifacetada, incluindo apoio, recursos e liderança política e de funcionários públicos. 



































Fonte: adaptado pelo autor. 


Percebe-se que a discussão sobre a inovação no setor público é de fato um 
tema pertinente e que tem sido foco de estudos e iniciativas. A inovação no setor 
privado pode receber atenção e ampla cobertura, mas a inovação silenciosa na gestão 
pública aos poucos ganha seu espaço. 

4.1 DESAFIOS PARA A INOVAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA 

Segundo Faria et al (2017), mesmo que a inovação seja um tema muito 
buscado por organizações, tendo em vista potencializar seus resultados e realizar 
suas estratégias, no setor público esse tema ainda se encontra incipiente, 
apresentando iniciativas isoladas e com baixo nível de sistematização. O cenário 


mundial é marcado por mudanças sociais, políticas e econômicas muito rápidas que 


290 


provocam transformações e levam os governos a enfrentar problemas cada vez mais 
variados e complexos. 

Os gestores públicos buscam incentivar e apoiar a inovação no setor privado, 
bem como também produzir políticas públicas que permitam a inovação nos serviços 
públicos e melhorem a qualidade de vida do cidadão. No entanto, alguns entraves 
ainda persistem na realidade do serviço público brasileiro, que precisam ser foco de 
atenção, de forma a permitir espaço para práticas inovadoras. 

Os autores elencam uma série de desafios a serem levados em conta por 
servidores públicos em busca da geração de inovação em seus órgãos, conforme 


apresentados no quadro 02. 


Quadro 02 — Desafios da Inovação na Gestão Pública. 





Desafios Descrição 





Uma ferramenta de inovação precisa ser pública a 


Engajamento dos demais 
aberta para cumprir seu papel. 


setores e da sociedade civil 





A relação em rede gera ganhos institucionais, no 
entanto poucos conhecem sua existência ou 
dispõem de tempo para fortalecer as relações. 


A hierarquização das relações, natural no setor 
público, pode levar ao fracasso de relações em 
rede, prejudicando a inovação. 


Se destacam pela formalização e reforça-se com o 
comportamento dos membros da organização de 
uma maneira padronizada, prevista na lei. Outra 
barreira de natureza estrutural seria a centralização. 


As dizem respeito às influências de poder dentro 
das organizações. 

Estão ligadas a procedimentos e regulamentações 
que frequentemente inibem a inovação 

Agrupam a carência de profissionais, tempo 
disponível, recursos financeiros e informações. 


Atuação em rede 





Horizontalização das 
relações 





Barreiras estruturais 





Barreiras sociais e políticas 





Barreiras processuais 





Barreiras de recursos 














Fonte: SOARES (2014) e FARIA et al (2017) 


Desenvolver um ambiente propício à inovação não é uma tarefa simples e 
quando esse ambiente está sujeito à burocracia em demasiado, isso é ainda mais 
desafiante. Para evoluir nesse sentido, os estudos apontam na direção da capacitação 
e treinamento, inclusive, e talvez mais importante até, da alta direção dos órgãos 


estatais, quaisquer que sejam suas instâncias. 


291 


5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 

Método pode ser interpretado como um conjunto de atividades sistêmicas e 
racionais, permitindo o alcance dos objetivos. Traça o caminho que deve ser seguido, 
auxiliando nas decisões e detectando possíveis erros (Marconi & Lakatos, 2010). Para 
Cervo, Bervian & Silva (2007), de modo geral, método é a ordem que deve ser imposta 
aos diversos processos necessários para o alcance de certo resultado desejado. Para 
Marconi & Lakatos (2010, p. 157): “Técnicas é um conjunto de preceitos ou processos 
de que se serve uma ciência ou arte; é a habilidade para usar esses preceitos ou 
normas, a parte prática. Toda ciência utiliza inúmeras técnicas na obtenção de seus 
propósitos.” 

Pode-se definir técnicas, como sendo os meios corretos para a execução das 
operações de interesse científico (Cervo, Bervian & Silva, 2007). Já a pesquisa é um 
procedimento formal, que segundo Marconi e Lakatos (2010), possuem um método 
reflexivo de pensamento, necessitando de um tratamento científico, formando um 
caminho pelo qual objetiva o conhecimento da realidade ou a descoberta de 
verdades parciais. 

A abordagem quantitativa é determinada por uma relação de dados ou por 
proporção numérica. A quantificação é um modo de atribuir números a objetos, 
proporcionando informações pertinentes. De outro lado, a abordagem qualitativa 
possui atribuições relacionadas a aspectos mensuráveis e definidos de forma 
descritiva e pode ser definida como uma extensão da escala, de forma que a variável 
pode ser apreciada (Fachin,2006). 

O intuito da pesquisa descritiva é efetuar uma classificação e interpretação de 
fenômenos. Já, o caráter exploratório possui o objetivo de realizar descrições do caso, 
buscando relações existentes entre componentes e elementos. E a pesquisa de 
ordem prática tem a finalidade de buscar soluções que consigam resolver problemas 
concretos (Cervo, Bervian & Silva, 2007). 

Utilizou-se dois procedimentos técnicos para realizar a pesquisa, o primeiro 
bibliográfico, considerado por Medeiros (2006) como a busca de informações 
pertinentes, por meio de livros e publicações. O segundo procedimento é o 
levantamento de dados, que é definido pelo questionamento direto ao grupo que se 
pretende conhecer o comportamento (Gil, 2010). 

Pode-se entender população como o conjunto de indivíduos, podendo fazer 
referência a um grupo de pessoas, objetos e até mesmo animais, desde que 


292 


represente a totalidade de indivíduos que detêm as mesmas características definidas 
pelo estudo (Cervo, Bervian & Silva, 2007). 

A técnica adotada para coletar os dados do grupo selecionado para pesquisa 
foi questionário de perguntas fechadas. Essa técnica é formulada por uma série de 
perguntas ordenadas, necessariamente respondidas por escrito e na ausência do 
pesquisador. Perguntas fechadas são escolhidas pelo entrevistado, podendo ser de 
múltipla escolha ou apenas formuladas por duas opções (Marconi & Lakatos, 2010). 
A coleta de dados é realizada após a escolha do assunto e sua delimitação, depois 
deste passo, realiza-se uma discussão e análise dos dados (Cervo, Bervian & 
Silva, 2007). 

Segundo Gil (2010), a interpretação de dados bem como sua análise podem 
apresentar variabilidade, devido à natureza e utilização dos documentos para a 
pesquisa. Pode ser entendida como a parte mais importante do trabalho, pois por meio 
da interpretação dos resultados são transcritas as evidências para confirmação ou 
não das hipóteses levantadas no estudo (Marconi & Lakatos, 2010). 

A população da pesquisa foi constituída por 19 municípios da região Oeste do 
Paraná, que participam do Sistema Regional de Gerenciamento de Projetos-SRGP. 
O SRGP trata-se de uma rede informal de troca de informações sobre captação e 
elaboração de projetos, incentivada pela Fundação Parque Tecnológico Itaipu, por 
meio do projeto Fortalecimento da Gestão Pública. Os municípios participantes da 
pesquisa foram Boa Vista da Aparecida, Brasilândia do Sul, Cascavel, Corbélia, 
Formosa do Oeste, Foz do Iguaçu, Guaíra, Guaraniaçu, Iguatu, Lindoeste, Marechal 
Cândido Rondon, Medianeira, Mercedes, Ouro Verde do Oeste, Ramilândia, São 
Miguel do Iguaçu, São Pedro do Iguaçu, Toledo e Ubiratã. 

De forma a garantir o sigilo das informações, os nomes dos municípios serão 
aleatoriamente substituídos por letras que os identifiquem na apresentação 
dos resultados. 


6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 

De toda a população pesquisada, apenas um município não respondeu ao 
questionário enviado. Dessa forma os dados apresentados são os resultados das 
análises de 18 questionários, apresentando as percepções dos servidores municipais 
em suas Prefeituras. Foi utilizado para a pesquisa o questionário preconizado por Tidd 
e Bessant (2015), com adaptações. 


293 


Tais adaptações foram no sentido de alterar dizeres de “empresa” para 
“Prefeitura” e outras pequenas adaptações correlatadas. A escala de avaliação 
indicada foi de 1 a 7, conforme as informações a seguir: 1 - DEFINITIVAMENTE 
discordo com essa afirmação em nossa Prefeitura; 2 - Discordo MUITO dessa 
afirmação em nossa Prefeitura; 3 - Discordo POUCO dessa afirmação em nossa 
Prefeitura; 4 - Não concordo nem discordo com essa afirmação em nossa Prefeitura; 
5 - Concordo POUCO com essa afirmação em nossa Prefeitura; 6 - Concordo MUITO 
com essa afirmação em nossa Prefeitura; 7 - DEFINITIVAMENTE concordo com essa 
afirmação em nossa Prefeitura. 

6.1 INOVAÇÃO NA DIMENSÃO ESTRATÉGIA 

A avaliação da dimensão Estratégia foi realizada com base nas respostas das 
questões 01, 06, 11, 16, 21, 26, 31 e 36, apresentadas no quadro 03, a seguir, 
juntamente com suas respectivas avaliações médias, obtidas na pesquisa. 


Quadro 03 — Questões da Dimensão Estratégia. 





1. As pessoas têm uma ideia clara de como a inovação pode Concordo 
4,17 
nos ajudar a prestar serviços melhores. POUCO... 


6. Nossa estratégia de inovação é expressa de maneira clara; 
assim, todos conhecem as metas de melhoria. 


11. As pessoas sabem qual é nossa competência característica 
- O que nos dá vantagem competitiva. 


16. Olhamos para frente, em um caminho estruturado (utilizando 
ferramentas e técnicas de previsão), para experimentar e 3,50 | Indiferente 
imaginar futuras ameaças e oportunidades. 

21. Nossa equipe tem uma visão compartilhada de como a 
Prefeitura se desenvolverá por meio da inovação. 

26. Há comprometimento e suporte da alta gestão para 
inovação. 

31. Possuímos processos adequados para examinar novos 
desenvolvimentos tecnológicos ou de mercado e determinar o 3,50 |Indiferente 
que eles significam para a estratégia de nossa empresa. 

36. Existe uma ligação clara entre os projetos de inovação que 
realizamos e a estratégia geral da Prefeitura. 





3,17 |Indiferente 





3,78 | Indiferente 








3,61 |Indiferente 





3,61 |Indiferente 








3,/8 | Indiferente 

















Fonte: Elaborado pelos autores. 


Das oito afirmações da dimensão Estratégia, apenas uma ficou acima de 4 
pontos e todas as demais foram avaliadas como “Indiferente”. Das afirmações 
avaliadas, a melhor pontuação, com média de 4,17 pontos, foi para a afirmação 1 “As 
pessoas têm uma ideia clara de como a inovação pode nos ajudar a prestar serviços 


294 


melhores”. Ainda assim, não é uma avaliação elevada, pois percebe-se que a região 
então “Concorda pouco” com tal afirmação. Isso denota que a percepção de que a 
inovação pode contribuir para o setor público e assim ajudar a atender melhor seus 
objetivos em relação a comunidade, não é homogênea. 

A afirmação 6 “Nossa estratégia de inovação é expressa de maneira clara, 
assim, todos conhecem as metas de melhoria” ficou com a menor média avaliada 
entre as afirmações da dimensão, com 3,17. Isso pode retratar a falta de políticas ou 
processos de inovação nas Prefeituras ou ainda falha de comunicação em torná-las 
conhecidas por todos. 

Para todas as demais questões, a percepção dos servidores foi “Indiferente”, 
com pontuações entre 3,50 e 3,78. Depreende-se a partir das percepções que as 
Prefeituras não demonstram clareza quanto às suas competências características, 
que poderiam ser consideradas vantagens competitivas no atendimento aos 
munícipes. 

Dado que a gestão municipal possui instrumentos de visão futura, tais como 
por exemplo o Plano Plurianual, é possível que haja problemas de comunicação, pois 
os servidores avaliaram que não percebem esse aspecto. 

Em relação a afirmativa 26, uma das mais importantes para essa dimensão, 
visto que sem o devido suporte da administração superior das Prefeituras, não haverá 
processos de inovação, é preocupante que a avaliação seja “Indiferente”, pontuada 
em 3.61. Se o corpo gerencial envolvido com as ações de inovação na gestão Pública 
Municipal não percebe claramente seu papel em incentivar a inovação, o envolvimento 
dos colaboradores e gestores poderá ficar prejudicado. 

Não parece haver estruturas internas que avaliem novidades tecnológicas ou 
de atuação e o impacto nas necessidades da população. Isso pode tanto dificultar o 
trabalho interno na Prefeitura quanto causar conflitos de atendimento à população. 

A avaliação média geral dos municípios participantes da pesquisa para a 
dimensão Estratégia ficou em 3,45, correspondente à “Indiferente”. As percepções em 
cada município podem ser vistas no gráfico 01, a seguir. 


295 


Gráfico 01 — Dimensão Estratégia nos Municípios. 


100% 
90% 
80% 
70% 
60% 
50% 
40% 
30% 
20% 
10% 
0% 





Q E L RS ANG FI OBÃMKHÃIAMÃCÃOD 


Fonte: Elaborado pelos autores. 


Nessa dimensão, o município que ficou com a melhor avaliação foi “Q”, seguido 
por “E” e “L”. Por outro lado, a menor avaliação da dimensão foi de apenas 1,00 ponto, 
percebida pelo município “D”. 

Percebe-se, de forma geral, uma distribuição bastante dispersa das 
percepções para a dimensão Estratégia, com avaliações desde 6,10 (Concordo Muito) 
até 1,00 (Discordo Muito). Apenas cerca de 1/3 dos servidores apontam que suas 
Prefeituras percebem a importância da inovação como uma questão estratégica para 
a gestão pública municipal. 

Dessa forma, com mais de 2/3 dos servidores não percebendo tal conceito, 
reflete-se no conceito geral baixo que foi atingido pelo construto Estratégia. Uma 
causa para essa média pode ser a dificuldade de ser pensado inovação de forma 
estratégica nas Prefeituras municipais. 

6.2 INOVAÇÃO NA DIMENSÃO PROCESSOS 

A avaliação da dimensão Processos foi realizada com base nas respostas das 
questões 02, 07, 12, 17, 22, 27, 32 e 37, apresentadas no quadro 04, a seguir, 


juntamente com suas respectivas avaliações médias, obtidas na pesquisa. 


296 


Quadro 04 — Questões da Dimensão Processos. 





2. Há processos apropriados que nos ajudam a gerenciar o 
desenvolvimento de um novo serviço de maneira eficaz, desde |4 00 | Indiferente 
a ideia até o lançamento. 


7. Nossos projetos de inovação geralmente são realizados no |3 06 | Indiferente 
prazo e dentro de orçamento. 


12. Possuímos mecanismos eficazes para nos assegurar de 
que todos (não apenas o setor de marketing) compreendam as |3 94 | Indiferente 
necessidades do cliente. 


17. Possuímos mecanismos eficazes para gerenciar a 
mudança de processo, desde a ideia até a implementação 3.39 | Indiferente 
bem-sucedida. 














22. Pesquisamos sistematicamente ideias de novos serviços. | 4:17 | Concordo POUCO... 





27. Possuímos mecanismos adequados para assegurar o 








envolvimento prévio de todos os departamentos no 3,28 | Indiferente 
desenvolvimento de novos serviços/processos. 

32. Temos um sistema claro para escolha de projetos de 2.89 | Discordo POUCO... 
inovação. 

37. Existe flexibilidade suficiente em nosso sistema de 

desenvolvimento de serviços para permitir que pequenos 4,00 | Indiferente 














projetos “rápidos” aconteçam. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


De todas as afirmações avaliadas, a melhor pontuação, com média de 4,17 
pontos, foi para a afirmação 22: “Pesquisamos sistematicamente ideias de novos 
serviços”, com a qual os servidores “Concordam POUCO”. Percebe-se que há espaço 
para melhoria nesse quesito, por meio de maiores incentivos para intercâmbio. 

Considera-se que um fator que pode ter contribuído para que essa percepção 
já esteja na metade mais positiva das avaliações seja justamente a participação do 
município pesquisado no Sistema Regional de Gerenciamento de Projetos, que 
incentiva a troca de informações entre seus participantes. A afirmação 32: “Temos um 
sistema claro para escolha de projetos de inovação”, ficou com a menor média 
avaliada, com 2,89 pontos apenas, correspondendo à “Discordo POUCO”. Não parece 
haver, portanto, processos internos nas Prefeituras que permitam de forma adequada 
a escolha dos melhores projetos de inovação para receberem esforços por parte do 
poder público, ou mesmo podem não haver tais projetos. 

Todas as demais afirmações, foram avaliadas com “Indiferente”, variando entre 
3,06 e 4,00. Percebe-se que não estão consolidados ou totalmente difundidos nas 


prefeituras processos de gerenciamento da inovação, não havendo acompanhamento 


297 


em grau satisfatório no desenvolvimento de novos serviços públicos. Os projetos de 
inovação nem sempre são realizados dentro do prazo ou do orçamento. 

De forma geral, não parecem existir mecanismos que assegurem uma gestão 
adequada da comunicação, dos processos de mudança, de envolvimento e nem 
flexibilidade suficiente para que as Prefeituras possam atender necessidades novas e 
urgentes da população com qualidade. A avaliação das percepções em cada 
município pode ser vista no gráfico 02, a seguir. 


Gráfico 02 — Dimensão Processos nos Municípios. 


6,0 


5,5 5,3 5,1 5,0 
4,6 


5,0 
4,0 
3,0 
2,0 
1,0 





0,0 
EQRLSNGAKHOBFÃIJIJCMBD 


Fonte: Elaborado pelos autores. 


Nessa dimensão, o município que ficou com a melhor avaliação foi “E”, seguido 
por “Q” e “R”, com 5,6, 5,5 e 5,3, respectivamente. Os municípios “E” e “Q” antenaram 
as primeiras posições em relação à dimensão anterior, Estratégia. 

Por outro lado, a menor avaliação da dimensão foi de 1,3 pontos, novamente 
do município “D”. A média geral para a dimensão Estratégia entre os municípios 
participantes foi de 3,59 pontos, correspondente à “Indiferente”. Esse resultado sugere 
que falta nas prefeituras mais o comprometimento processos que possibilitem a 
geração e a gestão de inovação e projetos, sendo necessária a criação de 
mecanismos intencionais nesse sentido. 

6.3 INOVAÇÃO NA DIMENSÃO ORGANIZAÇÃO INOVADORA 

A avaliação da dimensão Organização Inovadora foi realizada com base nas 
respostas das questões 03, 08, 13, 18, 23, 28, 33 e 38, apresentadas no quadro 05, 


a seguir, juntamente com suas respectivas avaliações médias, obtidas na pesquisa. 


298 


Quadro 05 — Questões da Dimensão Organização Inovadora. 





3. Nossa estrutura de organização não reprime a inovação, 








mas favorece sua ocorrência. 3,67 | Indiferente 

8. As pessoas trabalham bem em conjunto além dos limites 

departamentais. 4,11 | Concordo POUCO... 
13. As pessoas estão envolvidas com sugestão de ideias 

para melhorias dos serviços ou processos. 4,11 | Concordo POUCO... 





18. Nossa estrutura ajuda-nos a tomar decisões rapidamente. | 3,67 | Indiferente 
23. A comunicação é eficaz e funciona de cima para baixo, 








de baixo para cima e através da organização. 3,61 | Indiferente 
28. Nosso sistema de recompensa e reconhecimento apoia a 
inovação. 2,39 | Discordo POUCO... 





33. Temos um clima de apoio para novas ideias- as pessoas 
não precisam deixar a organização para torná-las realidade. | 3,06 | Indiferente 


38. Trabalhamos bem em equipe. 4,44 | Concordo POUCO... 




















Fonte: Elaborado pelos autores. 


Por meio dos resultados apresentados no quadro 05, a melhor pontuação 
apresentada foi da questão 38, que solicita a opinião dos participantes se há trabalho 
em equipe. Contudo, mesmo sendo a melhor pontuação a resposta foi que os 
participantes concordam pouco com a questão disposta. 

A afirmativa 28 apresentou o resultado mais baixo apresentado no quadro, ou 
seja, atualmente não há motores de recompensa para inovação dentro do escopo da 
gestão pública municipal da região estudada. 

As assertivas 3, 18, 23 e 33 apresentaram uma variação de pontuação entre 3 
e 3,67 pontos. Diante do exposto, os participantes são indiferentes aos itens 
apresentados. Esse parecer pode estar pautado na cultura organizacional presente 
na gestão pública, que tende a adotar estratégias mais tradicionais, ocasionando em 
ações lentas, se comparada à iniciativa privada. 

Já as assertivas 8 e 13 tiveram a mesma pontuação 4,11. Contudo, os 
participantes concordaram pouco com as mesmas, com base nas questões também 
se pode concluir que são itens atrelados à cultura também, visto que os pesquisados 
não têm plena convicção que os servidores se empenham em sugestões e novas 
ideias, bem como não possuem o habito de exercer alguma atividade fora de suas 
atribuições. 

A avaliação das percepções em cada município pode ser vista no gráfico 03, a 


seguir. 


299 


Gráfico 03 — Dimensão Organização Inovadora nos Municípios. 


100% 
90% 
80% 
70% 
60% 
50% 
40% 
30% 
20% 
10% 
0% 





ER LANGQ IF GÕOBÃKÕGSOJIHMCÃD 


Fonte: Elaborado pelos autores. 


O gráfico 03 apresenta novamente o município “D” em último lugar com a pior 
pontuação. O município que apresenta liderança no assunto inovação na dimensão 
organização inovadora é o “E” que também teve a melhor pontuação no gráfico 02, os 
municípios “R” e” L” seguem na segunda e terceira posições, respectivamente. Os 
três primeiros colocados ficaram com pontuação superior a cinco. 

É provável que os municípios que lideram o ranking representado por meio do 
gráfico 03 possuem servidores mais engajados e uma cultura organizacional propicia 
para a inovação, se comparados aos demais participantes. 

6.4 INOVAÇÃO NA DIMENSÃO RELACIONAMENTOS 

A avaliação da dimensão Relacionamentos foi realizada com base nas 
respostas das questões 04, 09, 15, 20, 25, 30, 35 e 40, apresentadas no quadro 06, 
a seguir, juntamente com suas respectivas avaliações médias, obtidas na pesquisa. 


Quadro 06 — Questões da Dimensão Relacionamentos. 


























5. Temos bons relacionamentos com nossos fornecedores, 

nos quais ambas as partes ganham. 4,56 | Concordo POUCO... 
10. Somos bons em compreender as necessidades de nossos 

munícipes. 4,72 | Concordo POUCO... 
14. Trabalhamos bem com universidades e outros centros de 

pesquisa para ajudar a desenvolver nosso conhecimento. 3,89 | Indiferente 

19. Trabalhamos próximos de nossos clientes na exploração e 

no desenvolvimento de novos conceitos. 3,61 | Indiferente 

24. Colaboramos com outras empresas para desenvolver 

novos serviços ou processos. 4,61 | Concordo POUCO... 








300 





29. Tentamos desenvolver redes de contato externas com 
pessoas que podem nos ajudar - por exemplo, pessoas com 
conhecimento especializado. 4,5 | Concordo POUCO... 


34. Trabalhamos próximos do sistema de ensino local e 
nacional para comunicar nossas necessidades de habilidades. |3,94 | Indiferente 
39. Trabalhamos próximos de "usuários principais" para 
desenvolver novos processos e serviços inovadores. 4,28 | Concordo POUCO... 























Fonte: Elaborado pelos autores. 


O quadro 06 dispõe os resultados de oito questões. Dentre elas duas se 
destacam por possuir a melhor e a pior pontuação no quesito dimensão de 
relacionamentos; a melhor pontuação ficou para assertiva 10, que diz respeito ao 
entendimento dos pesquisados em relação à compreensão das necessidades dos 
municípios, com 4,72 pontos. Mesmo assim o índice representa uma resposta que o 
participante concorda pouco com a situação. Já a pior pontuação é da questão 19, 
com 3,61 pontos e basicamente representa a proximidade do servidos com os 
cidadãos para o desenvolvimento de novos conceitos. 

Quatro questões apresentaram pontuação entre 4,28 e 4,61, todas dentro da 
avaliação de “Concordo POUCO”, segundo os pesquisados, essas questões são a 5, 
24, 29 e 39. As questões 14 e 34 tiveram respectivamente pontuação 3,89 e 3,94. Ou 
seja, são (?)... 

A avaliação das percepções em cada município pode ser vista no gráfico 04, a 


seguir. 


Gráfico 04 — Dimensão Relacionamentos nos Municípios. 


100% 
90% 
80% 
70% 
60% 
50% 
40% 
30% 
20% 
10% 
0% 


7,0 


6,0 


5,0 


4,0 


3,0 


2,0 


1,0 


0,0 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


301 


O destaque do gráfico 04 se deve ao empate do primeiro e segundo lugar, 
sendo que a liderança do relacionamento nos municípios é compartilhada pelos 
municípios “E” e” L”, seguidos do empate entre os municípios “A” e “R”, representados 
na segunda posição. Outro fator a se chamar a atenção é que o município “D” 
permanece em último lugar assim como nos gráficos anteriores. 

Percebe-se que a maioria dos municípios estudados possuem um índice 
superior à 4 pontos quando o assunto é relacionamentos, seja relacionamento entre 
fornecedores ou usuários. Isso demonstra que há de certa forma, preocupação por 
parte das prefeituras em manter um relacionamento, para melhoria dos seus serviços 
e processos. 

6.5 INOVAÇÃO NA DIMENSÃO APRENDIZAGEM 

A avaliação da dimensão Aprendizagem foi realizada com base nas respostas 
das questões 05, 10, 14, 19, 24, 29, 34 e 39, apresentadas no quadro 07, a seguir, 
juntamente com suas respectivas avaliações médias, obtidas na pesquisa. 


Quadro 07 — Questões da Dimensão Aprendizagem. 


























4. Há um forte comprometimento com treinamento e 

desenvolvimento de pessoas. 3,94 | Indiferente 

9. Levamos tempo para revisar nossos projetos, para que, 

da próxima vez, melhoremos nosso desempenho. 3,67 | Indiferente 

15. Aprendemos a partir de nossos erros. 5,11 | Concordo MUITO... 
20. Comparamos sistematicamente nossos serviços e 

processos com os de outras empresas. 4,28 | Concordo POUCO... 
25. Reunimo-nos e compartilhamos experiências com outras 

empresas para que nos ajudem a aprender. 3,33 | Indiferente 

30. Somos bons em captar o que aprendemos; assim, 

outros dentro da organização podem fazer uso disso. 4,72 | Concordo POUCO... 
35. Somos bons em aprender com outras organizações. 4,72 | Concordo POUCO... 
40. Usamos mensurações para ajudar a identificar onde e 

quando podemos melhorar nossa gestão da inovação. 3,28 | Indiferente 

















Fonte: Elaborado pelos autores. 


Certamente o destaque do quadro 07 é a questão 15 “Aprendemos a partir de 
nossos erros”. Essa questão teve a melhor pontuação dentro da dimensão 
aprendizagem, sendo que os pesquisaram concordaram muito com a assertiva 
apresentada, esse tipo de resposta demonstra um comportamento saudável de 
aprendizagem, pois aprendizagem pode-se definir como sendo toda modificação 


relativamente perene na capacidade comportamental (Rocha, 2009). 


302 


As questões 30 e 35 obtiveram mesma pontuação, sendo 4,72. Supostamente 
esse resultado apresenta certo amadurecimento dos envolvidos, considerando que 
eles entendem possuir tanto a capacidade de aprender com terceiro, como também 
conseguem repassar o conhecimento dentro de suas organizações. 

Já a questão 20 teve pontuação 4,28; também é um resultado que demonstra 
expertise para desenvolvimento de aprendizagem dentro da organização. 

Os resultados inferiores a quatro pontos ficaram a cargo das questões 4, 9, 25 
e 40. Sendo que para os pesquisados as assertivas são indiferentes. 

A avaliação das percepções em cada município pode ser vista no gráfico 05, a 


seguir. 


Gráfico 05 — Dimensão Aprendizagem nos Municípios. 


100% 
90% 
80% 
70% 
60% 
50% 
40% 
30% 
20% 
10% 
0% 


7,0 





6,0 





5,6 
ERA 
5,0 4 


4,0 
3,0 
2,0 
1,0 


0,0 


E AL RNQFGSkK OI HI BMÃCÃOD 


Fonte: Elaborado pelos autores. 


Novamente a notoriedade do município “E” se deve ao seu resultado, teve a 
melhor pontuação na dimensão aprendizagem, com 5,9 pontos. Mesmo assim, outros 
cinco municípios apresentaram resultados superiores aos cinco pontos. São 
excelentes resultados, visto que o processo de aprendizagem pode ser um diferencial 
competitivo dentro das organizações. 

Resultados medianos dentro dessa dimensão ficaram para os municípios “F”, 
“G”, “S”, “K” e “O”, todos com resultados entre 4 e 4,9 pontos. Ainda outros quatro 


municípios apresentaram desempenho na casa de 3 pontos. 


303 


Os piores municípios dentro dessa dimensão foram o “M”, “C” e “D”. Contudo, 
o destaque é para o município “D”, pois além de não ter atingido nem dois pontos 
nessa análise, já é um município que durante toda análise apresenta resultados muito 
baixos, se comparado aos demais municípios participantes. 

A melhor avaliação geral percebida foi do município E, cujo gráfico pode ser 
visto a seguir, juntamente com a média geral e ainda a menor avaliação, percebida 


pelo município D. 


Gráfico 06 — Média geral, maior e menor médias. 


—— Melhor avaliação 
percebida 


— Média 





-——— Menor avaliação 
percebida 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


A dimensão mais bem avaliada por todos os municípios foi Relacionamentos, 
com 4,26 pontos. Em seguida vieram as dimensões Aprendizagem com 4,13 pontos, 
Estratégia com 3,64 pontos, Organização Inovadora com 3,63 e Processos com 3,59 
pontos. Explicitando em conceitos, os servidores públicos municipais “Concordam 
pouco” que suas Prefeituras possuem Relacionamentos e Aprendizagem apropriados 
para a cultura inovadora. 

Consideram que seus Processos, suas Estratégias e em geral a Organização 


nas Prefeituras é indiferente para a Inovação. 


304 


7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Segundo Hill e Amabile (apud ALENCAR, 1996), para se inovar em uma 
organização, é preciso que haja recursos disponíveis e que esses recursos sejam 
usados de forma criativa, com base em técnicas voltadas para a concepção, 
desenvolvimento e implementação de ideias criativas. Por fim, e ainda mais 
importante, para se inovar é fundamental que exista motivação. 

Os recursos gerenciados apenas tornam a inovação possível; o elemento que 
fará a inovação de fato acontecer é a motivação para inovar, que engloba uma 
orientação para o futuro e uma visão orientada ao risco, sobretudo por parte dos 
escalões superiores da organização. 

Para a inovação no setor público acontecer, os agentes devem estar motivados 
a perceber ou antecipar as necessidades e devem ser estimulados a adaptar os seus 
valores e comportamentos aos do ambiente externo em constante mudança, atuando 
eles mesmos como agentes da mudança. A dinamicidade da sociedade externa às 
instituições públicas vai de encontro a tendência organizacional à inércia. 

Essa tensão pode funcionar como um gatilho à inovação, desde que os agentes 
estejam motivados e possuam um olhar crítico para essas instituições. “A inovação, 
portanto, é o resultado de um processo coletivo que envolve crenças, valores e 
comportamentos. Por isso, nem sempre a iniciativa de inovar se concretiza, já que as 
organizações tendem a repetir processos e padrões enraizados e a adotar 
comportamentos conservadores” (SOARES, 2009). 

Alguns questionamentos foram levantados neste trabalho a fim de suscitar um 
ambiente de inovação no serviço público. Para tanto, é primordial que exista 
comunicação eficiente e sem barreiras entre os diferentes níveis da organização; que 
normas mais flexíveis abram espaço para que os agentes públicos se sintam mais 
motivados e confiantes para serem agentes da mudança necessária, com 
consequente valorização da iniciativa e da participação na tomada de decisão; 
respeito às opiniões divergentes; e capacitação dos agentes públicos para o 
desenvolvimento de seu potencial criador. 

Ainda há um muito a ser feito para que os servidores públicos percebam o 
quanto a inovação pode ser uma ferramenta importante para seu trabalho e para a 
população. Para a dimensão Relacionamentos, percebe-se a partir das avaliações 
que as Prefeituras estão, de forma geral, atuando de forma ainda isolada, do ponto de 


vista da inovação. É necessário que se construa bons relacionamentos com 


305 


fornecedores, com universidades e outros centros de pesquisa, de forma que se possa 
fortalecer-se com tais relacionamentos, transformando-os em fonte de conhecimento. 

Embora todos os municípios participantes façam parte da Associação dos 
Municípios do Oeste do Paraná, não se percebeu uma troca de informações dentre 
eles para a inovação. 

Mas, sem sombra de dúvidas, o mais importante nessa dimensão é que as 
Prefeituras percebam que precisam relacionar-se melhor com a comunidade, em 
busca não apenas de inovações, mas principalmente para soluções inovadoras dos 
problemas da população. Ficou evidenciado na pesquisa que a comunicação é um 
fator pouco utilizado ainda pelas prefeituras e precisa melhorar. 

Para a dimensão Aprendizagem, os servidores apresentam a percepção de que 
as Prefeituras não estimulam o processo de aprendizagem constante. É bastante 
preocupante que não haja um forte comprometimento com treinamento e 
desenvolvimento de pessoas, que não haja espaço para a reunião e compartilhamento 
de experiências, dentro das Prefeituras ou com parceiros. 

Outro aspecto que preocupa é a falta de referencial para a melhoria contínua, 
necessária em qualquer organização. Não parece haver métricas de 
acompanhamento nem revisão de projetos. 

É necessário que as Prefeituras busquem criar a cultura de organizações que 
aprendem, por meio das pessoas, com processos claros que permitam aprendemos 
a partir de seus próprios erros e disseminar o conhecimento por toda a organização. 

A dimensão Estratégia também apresenta preocupações. Ou não há ações 
estratégicas de inovação ou as mesmas não estão sendo comunicadas 
adequadamente. Os servidores apontaram não possuir uma ideia clara de como a 
inovação pode ajudar a melhorar os serviços à população. Não parece haver 
estratégia de inovação nem qual é a competência característica que possa criar a 
vantagem competitiva da Prefeitura ou do município. 

Segundo os servidores, parece que a transformação nessa dimensão precisa 
iniciar com o comprometimento e suporte da alta gestão para inovação, que hoje não 
há. Dessa forma se permitirá criar uma visão compartilhada de como a Prefeitura 
poderá se desenvolver por meio da inovação. 

Para a dimensão Processos fica demonstrada a falta de processos que 
incentivem a procura por serviços inovadores, acompanhando as tendências do 


segmento público. Ou seja, a administração pública demonstra um comportamento 


306 


previsível e limitado ao que já está estabelecido junto ao setor público por meio tanto 
das legislações quanto das gestões. Não foram evidenciados processos apropriados 
nem mecanismos eficazes que apoiem o desenvolvimento de inovações. 

Sugere-se que as Prefeituras adotem em sua estrutura uma área que poderia 
ser ligada aos controles internos e gerenciamento de riscos organizacionais, a qual 
deve ficar responsável pelo mapeamento das mudanças, que possa dar suporte às 
inovações sem perder de perspectiva as responsabilidades legais da administração 
pública. 

Por fim, para a dimensão Organização Inovadora fica evidente que a estrutura 
tradicional da gestão pública é um obstáculo para a inovação. As percepções são de 
que não há pessoas nem estruturas criadas que possam capitanear a inovação de 
forma sistêmica. A burocracia e a falta do trabalho em equipe parecem ser fatores que 
pesam bastante nesse sentido. 

Entende-se que uma limitação do estudo realizado foi em atuar apenas com os 
municípios participantes do Sistema Regional de Gerenciamento de Projetos e Gestão 
Pública, com 19 municípios. 

Sugere-se para estudos futuros que a pesquisa seja aplicada com todos os 54 
municípios participantes da AMOP, para que seja elaborado um quadro mais completo 
das dimensões da inovação nas Prefeituras da região. Sugere-se ainda que sejam 
avaliadas as razões para que as percepções das dimensões estejam, de forma geral, 


tão baixas. 


307 


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309 


CAPÍTULO 21 


O PLANO DIRETOR E A URBANIZAÇÃO: UM ESTUDO DO CRESCIMENTO DA 
REGIAO NOROESTE DE ANAPOLIS-GO. 


Karuliny Ferreira Rodrigues 

Estudante de Engenharia Civil 

Instituição: Unievangelica-GO 

End: Rua Dr. Evandro Pinto Silva, QD2 LT18, Cidade Universitária, Anápolis/GO 
E-mail: karulinyrodriguesQ hotmail.com 


Rafael Ávila Cintra 

Estudante de Engenharia Civil 

Instituição: Unievangelica-GO 

End: Rua Dr. Evandro Pinto Silva, QD1 LTO9 e 10, Cidade Universitária, Anápolis/GO 
E-mail: rafael.avilasintra(Ogmail.com 


Carlos Eduardo Fernandes 

MSc. Em Desenvolvimento Regional 

Instituição: Unievangelica-GO 

End: Rua Indianápolis QDO7 LT34 Residencial Ayrton Senna, Anápolis/GO 
E-mail: caduengcivil hotmail.com 


RESUMO: A ocupação territorial de Anápolis apresenta contornos peculiares de sua 
história, por conta de seu desenvolvimento, como o DAIA, a estrada de ferro, e o 
translado de viajantes que passavam pela região para abastecer seus mercados. 
Atualmente, com a crise hídrica e a valorização imobiliária a região Noroeste ganha 
espaço no Plano Diretor para o crescimento populacional. Entender essa Ocupação 
faz-se necessário por conta da necessidade de se criar um espaço sustentável, tanto 
nos serviços públicos quanto nas necessidades gerais da população. Essa pesquisa 
apresenta as características da região Noroeste, e pretende alcançar, com o 
questionário aplicado aos órgãos públicos, quais são as atividades por meio de 
infraestrutura urbana, que a prefeitura propõe para fomentar a região, criando 
centralidades locais de emprego, saúde e lazer para a população. 


PALAVRAS-CHAVE: Região Noroeste; Anápolis; Desenvolvimento; Urbanização. 


ABSTRACT: The territorial occupation of Anápolis has peculiar outlines of its history, 
dueto its development, such as the DAIA, the railway, and the transfer of travelers who 
passed through the region to supply the ir markets. Currently, with the water crisis and 
the real estate valuation, the Northwest Region Gains space in the Master Plan for 
population growth. Under standing this occupationis necessary because of the need 
to create a sustainable space, both in public services and in the general need sof the 
population. This research presents the characteristics of the Northwest Region, and 
intends to reach, with the questionnaire applied to public agencies, what are the 
activities through urban infrastructure, which the city proposes to promote the region, 
creating local centralities for employment, health and leisure for the population. 


KEYWORDS: Growth. Master plan. Development. Northwest Region. Anapolis City. 


310 


1. INTRODUÇÃO 

O crescimento contínuo das cidades brasileiras de forma desenfreada vem 
exigindo dos governantes cada vez mais mecanismos para controlar e organizar o 
espaço urbano, econômicas, políticas e físico-territoriais. Em decorrência dos 
surgimentos de problemas típicos de cidades populosas, houve a necessidade de 
criação do plano diretor afim de obter um crescimento ordenado, segundo Moreira 
(2007), Donalt Alfred Agache (1875-1959) arquiteto francês diplomado pela École Des 
Beaux-Arts de Paris em 1905, ficou conhecido por criar o primeiro plano urbanístico 
na cidade do Rio de Janeiro em 1928, com conclusão em 1930. 

O Plano Agache, como ficou conhecido, buscava modernizar e habilitar 
serviços como o transporte de pessoas e o saneamento básico, além disso também 
propunha o zoneamento da cidade, criando assim áreas verdes. Agache ainda 
propunha a concepção de uma estrutura urbana onde se organizava em ruas, quadras 
e bairros como conhecemos hoje. 

O plano diretor municipal (PDM) é um importante insrumento da política urbana 
que contém normas e diretrizes para o uso, ocupação e desenvolvimento dos 
municípios brasileiros, criado para que as cidades não cresçam de maneira 
desordenada, oferecendo melhor qualidade de vida para a população, como: 
desenvolvimento econômico e o planejamento das políticas setoriais (educação, 
saúde, habitação, lazer e etc), este mecanismo é elaborado pelo poder executivo 
municipal de cada cidade, sua responsabilidade técnica fica a cargo de um arquiteto 
urbanista, sobre o plano diretor Villaça ainda afirma: 


Um plano que, a partir de um diagnóstico científico da realidade física, social, 
econômica, política e administrativa da cidade, do município e de sua região, 
apresentaria um conjunto de propostas para o futuro desenvolvimento 
socioeconômico e futura organização espacial dos usos do solo urbano, das 
redes de infra-estrutura e de elementos fundamentais da estrutura urbana, 
para a cidade e para o município, propostas estas definidas para curto, médio 
e longo prazo, e aprovadas por lei municipal (2001, p.238). 


A constituição federal de 1988 detalha em seu inciso primeiro do artigo 182 que 
o Plano Diretor das cidades se torna um instrumento básico contendo políticas de 
desenvolvimento e expansão urbana, cabe a Câmara Municipal aprová-lo por seu 
colegiado juntamente com participação da sociedade, onde representates de cada 
região do município são escolhidos previamente para formar e aprimorar as leis que 
nele são incorporadas. No inciso segundo do artigo 182 fica destinado ao Plano 
Diretor a definição das exigências e regras fundamentais de organização e o 


311 


cumprimento da função social da propriedade urbana. Cada cidade tem seu Plano 
Diretor próprio, atendendo a demanda que cada uma possui, já que oa mesmas 
possuem interesses e metas distintas. 

A lei de nº 10.257 da Constuição Federal, criada em 10 de julho de 2001 que 
prevê o Plano Diretor, que é chamado de Estatuto das Cidades. Segundo a mesma, 
o Plano Diretor se faz obrigatório para cidades com população superior a vinte mil 
habitantes, para cidades situadas em regiões metropolitanas e aglomerações 
urbanas, de acordo com o art. 182. da Constituição, tal obrigatoriedade também e 
imposta a cidades com alto potencial turístico, como regiões litoraneas e lugares com 
alto indice de aglomeração de pessoas, também é requerido em localidades de 
influência de empreendimentos com alto impacto ambiental. 

No caso de cidades onde a população supera o número de quinhentos mil 
habitantes, o Plano Diretor deve conter um plano de transporte urbano integrado, 
compatível com o mesmo ou nele inserido. Deverá ser retificado ao menos a cada dez 
anos e conter um sistema de acompanhamento e controle. 

A lei ainda ressalta que caso não haja o cumprimento da mesma pelo gestor 
atuante do município, haverá punição por improbidade admistrativa, que ocasionará 
a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, indisponibilidade dos 
bens e ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo 
da ação penal cabível, segundo a lei 8429/92, prevista na constituição de 1988 no 
artigo 37. 

Dentre todas as exigências impostas pela lei 10.257 de 2001, algumas são 
consideradas indispensáveis e todos os planos diretores devem contê-las de acordo 
com o artigo 42: | — A delimitação das áreas urbanas onde poderá ser aplicado o 
parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, considerando a existência de 
infra-estrutura e de demanda para utilização, na forma do art. 5º desta Lei; Il — 
Disposições requeridas pelos arts. 25, 28, 29, 32 e 35 desta Lei; Ill — Sistema de 


acompanhamento e controle. 


2. JUSTIFICATIVA 

A cidade de Anápolis passa por um momento de crescimento, delimitando as 
áreas de ocupação para melhorar o adensamento urbano, e também para atender 
demandas de abastecimento e atendimento aos serviços públicos. A região noroeste 
da cidade é ocupada por diversos bairros populosos como o bairro Recanto do Sol e 


312 


o entorno da Br 153 já avançada pelos bairros que ocupam a região noroeste da 
cidade. Diante dessa problemática, entender os objetivos do Plano Diretor faz-se 
necessário para aplicar medidas que atendam essa dinâmica e as metas de 
ocupação, pensando em deslocabilidade e serviços. 

A descentralização da cidade, criando novas dinâmicas regionais e diminuindo 
a dependência do centro da cidade, promove desenvolvimento e sustentabilidade na 
região. Pensando nisso, a Região Noroeste passa por importantes decisões que 
tangem ao seu desenvolvimento e crescimento. Dessa forma, a complexidade da 
ocupação deve passar por ampla discussão que busque a evolução, O 
desenvolvimento local e também entender as propostas do poder público. 


3. HISTÓRICO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DE ANÁPOLIS 

3.1 SURGIMENTO E POVOAÇÃO 

Conforme Polonial (1995), a cidade de Anápolis teve seu princípio de povoação 
em meados do século XVIII, onde era rota de passagem para tropeiros oriundos de 
diferentes províncias rumo as minas de ouro de Meia Ponte (Pirenópolis), Corumbá 
de Goiás, Santa Cruz, Bonfim (Silvânia) e Vila Boa (Cidade de Goiás). Como a região 
dispunha de cursos d'água fartos como o Rio das Antas, João Cezário e Góis, logo se 
tornou um ponto de parada para descanso. Com a escassez do metal precioso muitos 
garimpeiros optaram por estabelecer moradia nas margens dos rios e deram início a 
exploração das terras. 
Polonial ainda diz que por volta de 1871, o povoado de Sant'Ana como era conhecida 
estava na rota das cidades auríferas como Pirenópolis, Goiás e Silvânia, sendo 
utilizada para pouso dos tropeiros que tinham como destino tais cidades. 

Um dos mais importantes relatos históricos sobre o surgimento de Anápolis é 
feito por Maria Prottis, historiadora e ex diretora do Museu histórico de Anápolis, 
emsuaobra “História de Anápolis” Prottis relata como e porque se deu o surgimento 


da primeira capela no pequeno povoado, em seu texto Próttis diz: 


Dona Ana das Dores, natural de Jaraguá, perdeu ali uma das alimárias que 
conduzia uma imagem de Sant'Ana. Depois que encontraram a alimária, os 
tropeiros não conseguiram erguer a mala que continha a imagem, o que levou 
D. Ana a interpretar o fato ocorrido como um desejo da Santa de ali 
permanecer. Prometeu, então, doá-la à primeira capela que ali se viesse a 
erguer. Isso em 1859. Em 1870 mudou-se para o lugar um homem de espírito 
empreendedor, cnamado Gomes de Sousa Ramos, filho de D. Ana das 
Dores. Católico fervoroso decidiu construir a almejada capela e fundar o local. 


(p.1) 


313 


Segundo Polonial (2007) relata que já havia registros de povoação no século 
XIX já se observava muitas fazendas instaladas as margens do Rio das Antas, ondejá 
se instalavam engenhos de cana-de-açúcar, mais propriamente em 1833 já se fazia 
costume haver reuniões na casa de Manoel Rodrigues dos Santos, um dos primeiros 
moradores locais. Em1859 conforme registros históricos já havia cerca de 15 casas 
em sua propriedade, conforme (Figura 01), que cresceu após a construção da capela 
de Sant'Ana. 


Figura 01 — Ocupação da cidade de Anápolisãsmargens do Rio da Antas. 





Fonte: https://portalcontexto.com/anapolis-1819-a-1939/ Acesso em 18/11/2019. 


Em 25 de abril de 1870 surge então o primeiro documento oficial de Anápolis, 
uma organização composta por Pedro Roiz dos Santos, Inácio José de Souza, Camilo 
Mendes de Morais, Manoel Roiz dos Santos e Joaquim Rodrigues dos Santos fizeram 
doação de parte de suas terras para a constituição do então chamado Patrimônio de 
Nossa Senhora de Santana, no próximo ano, 1871, Gomes de Souza Ramos deu 
início a construção de uma capela nas terras que haviam sido doadas anteriormente, 
que logo atraíram pessoas e então o local foi elevado a Freguesia de Sant'Ana por 
força da Resolução nº. 514, de 06 de agosto de 1873 de acordo com o livro de 
Borges (1975). 

Cria, no município de Meia Ponte, a paróquia de N. S. Sant'Ana das Antas. 
Antero Cícero de Assis, Presidente da Província de Goiás: Faço saber a todos os seus 


habitantes que a Assembleia Provincial resolveu e eu sanciono a resolução seguinte: 


314 


Art. 1º - Fica criada no município da cidade de Meia Ponte a paróquia de Nossa 
Senhora Sant'Ana das Antas. Art. 2º - O Presidente da Província, depois de construído 
um bom templo com o necessário para celebração do Culto Divino, marcará, de 
acordo com o Bispo Diocesano, o respectivo território, alterando os limites das 
freguesias de Meia Ponte, Corumbá e Campinas. Art. 3º - Ficam revogadas as 
disposições em contrário. Mando, portanto, a todas as autoridades, a quem o 
conhecimento e execução dessa resolução pertencer, que a cumpram e a façam 
cumprir tão inteiramente como nela se contém. O secretário desta Província a faça 
imprimir, publicar e correr. Palácio do Governo da Província de Goiás, aos seis dias 
do mês de agosto de mil oitocentos e setenta e três, quinquagésimo segundo da 
Independência e do Império. (BORGES, 1975, p.91) 

Gomes de Souza Ramos concluiu a construção da capela em 3 de novembro 
de 1871 conforme (figura 02), que então passava a ficar sob os cuidados do padre 
Francisco Inácio da Luz sobre este período, Polonial (2007) ainda diz: 


A construção da capela foi importante para aglutinar mais pessoas no 
povoado, pois se, em 1871, existiam apenas sete casas, no ano seguinte, 
esse número foi para 20 moradias, com uma população estimada em 120 
pessoas só no povoado, excluída a população rural, que era de 
aproximadamente 95 % do total de habitantes. (2007) 


Figura 02 — Antiga Paróquia de Sant'Ana. 





Fonte: Acervo iconográfico do museu histórico Alderico Borges de Carvalho disponível em: 
http:/Avww diocesedeanapolis.org.br/historico/ Acesso em: 15/11/2019. 


Em seu povoamento, por volta de 1871, o povoado de Sant'Ana como era 
chamada estava a meio caminho das cidades auríferas como Pirenópolis, Goiás e 


Silvânia, servindo de pouso para os tropeiros que desejavam chegar a tais cidades 


315 


(POLONIAL, 1995). Por ser rota de passagem de tropeiros e viajantes o povoado 
obteve status de entre posto comercial no final do século XIX. 

A datar de 1910 Anápolis já se mostrava uma cidade com feições mais urbanas 
onde eram abertas ruas que se convergiam ao centro, lugar que era situada a praça 
de Sant'Ana. Novas construções eram erguidas utilizando materiais modernos, novas 
olarias se instalavam nacidade, mais propriamente na Vila Fabril conforme (Figura 
03), fazendo uso das fartas reservas de argila dos vales periféricos, um grande 
desenvolvimento se deu com a chegada da Estrada de ferro em 1935, “a cidade 
passou a sentir e manifestar com maior evidência os efeitos econômicos e sociais da 
industrialização nascente dos centros mais dinâmicos do país São Paulo e Rio de 
Janeiro”. (Souza, 1974, p.645) 

Conforme Freitas (1995) Anápolis teve um crescimento populacional pelo fato 
de se tornar o centro comercial da região, devido concentrar produções agropecuárias 
e produtos manufaturados originados das grandes regiões produtoras do país. 


Figura 03 — Localização da Vila Fabril no município de Anápolis-GO. 





Fonte: IBGE https://www .revistas.ufg.br/fchf/article/download/42428/21352/ (2014); CIEG (2014) 
Acesso em: 20/11/2019. 


As três primeiras décadas do século XX foram marcadas por grande 
crescimento populacional e melhorias no perímetro urbano de Anápolis, a promessa 
da chegada dos trilhos e a construção de estradas de rodagem, envolveu a cidade em 
um clima de progresso, que marcou seu desenvolvimento comercial, promoveu 


316 


também a atração de imigrantes que vinham principalmente dos estados de Minas 
Gerais e São Paulo e também de países como Japão, Itália e Síria (POLONIAL, 
2000, p.54). 

A chegada de imigrantes estrangeiros trouxe uma diversidade na produção 
agrícola da região onde a agricultura antes de subsistência passa a ser uma produção 
comercial muito ampliada pela chegada dos trilhos, nessa época a região se torna 
uma grande produtora de café, Segundo Castro: 

Anápolis desenvolveu a cultura de café devido à influência de imigrantes 
italianos e foi a primeira cultura a visar o mercado nacional e internacional. Sua 
produção trouxe prosperidade para cidade; surgiram as primeiras máquinas de 
beneficiar, provocando aceleração da urbanização do município, foi o café o grande 
suporte econômico nas primeiras décadas do século XX dinamizando a economia 
Anapolina e permitindo uma acumulação de capital para ser tempos depois 
transferidos à indústria, ao comércio e as finanças. (CASTRO, 2004) 

3.2 ANÁPOLIS NA ATUALIDADE 

O município de Anápolis está situado na parte sul do Estado de Goiás, na 
denominada Zona fisiográfica do Mato Grosso Goiano, onde se inicia o Planalto 
Central. Tem como coordenadas 16 º 19º39” de latitude 48 º 5710” de longitude oeste 
e altitude de 1.017 metros acima do nível do mar. Limita-se com municípios da 
seguinte forma (figura 04): ao norte Abadiânia e Pirenópolis. Ao Sul Teresópolis de 
Goiás, Leopoldo de Bulhões e Silvânia. A leste Silvânia e Abadiânia e a oeste 
Nerópolis, Ouro Verde e Petrolina de Goiás. (CASTRO, 2004, p. 14) 


Figura 04 - Localização geográfica de Anápolis/GO. 








TOCANTINS 


HATO 
GROSSO 


DISTRITO 
FEDERAL 


HINAS GERAIS 


DO SUL (Bghiapereira 


Fonte: Disponível em: http://marcossouza.zip.net/ Acesso em: 16/11/2019. 


317 


A cidade é considerada uma das principais no quesito economia no centro 
oeste do Brasil, por sediar um grande centro logistico e industrial. Conforme a (figura 
05), fica a 57 quilômetros da capital goiana e a 160 quilômetros da capital federal (DF), 
formando assim o principal eixo econômico do estado, além disso, abrange as regiões 


que mais se desenvolvem no país. 


Figura 05 - Eixo Gôiania - Anapolis - Brasilia. 


FIG. 01 - EIXO GOIÂNIA - ANÁPOLIS - BRASÍLIA 


Anápolis 


Goiânia 





FONTE: Plano Diretor, Anápolis 2005/2006. Adaptado. 


Fonte: Plano diretor de Anápolis 2005/2006. 


A proximidade entre as três cidades, somada ao acelerado crescimento das 
metrópoles, particularmente quanto aos papéis que desempenham no plano regional, 
conduzirá, inevitavelmente, à consolidação de um forte eixo econômico unindo as 
duas áreas metropolitanas, tendo a aglomeração urbana de Anápolis como ponto de 
interseção (MIRAGAYA, 2001, p.15). 

Com a consolidaçao do eixo economico houve algumas alterações que 
ocorreram no território goiano, pois, além da aumento das redes técnicas, a região 
atraiu fluxos migratórios de todo o país, provocando um expressivo crescimento 
demográfico, apresentado no (Quadro 01). Contudo, a região que em 1770 reunia 
20,17 % da população da Região Centro-Oeste, em 2007 passou a concentrar 
44,01 %, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 


318 


Esse acontecimento promoveu a metropolização de Goiânia e Brasília e o crescimento 


urbano, desenvolveu uma área complexa no entorno do Distrito Federal com a 


constituição da RIDE que engloba 19 cidades goianas. 


Quadro 01 - Anápolis/GO: Crescimento demográfico de 1970 e 2007. 












































E População Total 
Area/Localidade 1970 2000 2007 
Anápolis Goiânia 105.029 288.085 325.544 
Região Metropolitana Brasília 380.773 1.093.007 1.244.645 
Região Integrada em Goiás (Ride) | 537.492 546.509 838.230 
2.051.146 2.455.903 
810.701 955.097 
Total 1.023.294 | 4.789.448 5.819.419 
Goiás 2.938.029 | 5.003.228 5.647.035 
Centro-Oeste 5.072.530 | 11.636.728 13.222.854 








Fontes: IBGE, Censos Demográficos (1970 e 2000), Contagem da População e Estimativas (2007). 
Secretaria de Planejamento de Goiás (SEPLAN/SEPIN) Disponível em 
<http://www.seplan.go.gov.br/sepin> Acesso: 15/11/2019. Organização: Luz (2009). 


O Eixo de Desenvolvimento Goiânia - Anápolis — Brasília tem dois pontos de 
partida: Goiânia, sob o comando do Governo do Estado de Goiás e Brasília sob o 
comando do GDF (Governo do Distrito Federal). Os demais municípios, exceção feita 
a Anápolis, são coadjuvantes, ou melhor, figurantes, estão nas bordas, servem, 
quando muito, para aumentar as estatísticas populacionais sobre o potencial de 
consumo e área e para dar idéia de um-eixo regionalizado, forjando o consenso em 
torno da integração econômica. 

No caso de Anápolis, com área de influência menor que Goiânia e Brasília, a 
funcionalidade é dirigida para as características logísticas do município, o que foi 
favorecido pela presença do parque industrial, com destaque para pólo farmoquímico. 
A afirmação da função logística foi a forma encontrada para inserir Anápolis no eixo 
de Desenvolvimento Goiânia — Anápolis - Brasília, uma vez que este município 
encontra-se como umnó entre Goiânia e Brasília (ARRAIS, 2006, p.5). 

De forma geral, da fase inicial aos dias de hoje, é possível destacar três 
períodos que caracterizam o processo evolutivo da cidade de Anápolis: o primeiro 
compreende o final do século XIX e as três primeiras décadas do século XX; o 
segundo inicia-se com a chegada da ferrovia em 1935 e encerra-se na década de 


319 


1960 com a construção de Brasília; o terceiro se desenvolve a partir da década de 
1960 e alcança o século XXI. (LUZ, 2001) 

Segundo Luz (2001) o crescimento de Anápolis se deu apartir da expansão 
agrícola e da chegada da estrada de ferro em Goiás e logo após a construção de 
Brasília, bem como a chegada da rodovia Belém-Brasília que impactou positivamente 
o desenvolvimento do comercio local e por fim proporcionou a diversificação da 
produção no setor industrial. 

O crescimento de Goiânia estancou a evolução mercantil de Anápolis nas duas 
modalidades. Nas décadas de 1940 e 1950, o crescimento do comércio varejista de 
Goiânia foi de 70% e o de Anápolis praticamente nulo. No comércio atacadista 
Goiânia mais que triplicou seu capital aplicado, enquanto Anápolis obteve pequeno 
incremento (ESTEVAM, 2005, p. 127). 

Nesse período relatado por Estevam (2005), o município passou por um 
momento de estagnação e queda no seu crescimento econômico, o que foi confirmado 
por MONTESSORO (2006) e DIAS & CAMPOS (2010). 

Os finais das décadas de 1950 e 1960 marcam o período de declínio da 
influência econômica que Anápolis possuía em função do fortalecimento econômico 
de Goiânia; da crise no setor energético que não conseguia suprir o aumento da 
demanda; da alteração no sistema de arrecadação de impostos, que geraram tarifas 
mais elevadas à saída de produtos agrícolas para outros estados, produtos agrícolas 
como, por exemplo, o café e o arroz; além da falta de novos investimentos no 
transporte ferroviário. Depois, o processo de drenagem da renda local através dos 
impostos e desenvolvimento do comércio na capital, provocando a redução da 
influência regional de Anápolis (LUZ, 2001, p.19, 21 apud MONTESSORO, 2006). 

A partir da década de sessenta, Anápolis passa por um período de estagnação 
econômica. A influência econômica que Anápolis exercia na região começa a entrar 
em declínio, fato que se deve principalmente a sua localização geográfica, tendo visto 
que Goiânia e Brasília passam por processo de fortalecimento econômico e 
autonomia. 

A estagnação econômica de Anápolis se dá em um contexto de crise mundial 
onde o sistema fordista de produção entrava em declínio e a necessidade de 
acumulação de capital caminhava em direção a um novo regime de acumulação, o 
qual viesse a responder a demanda por acumulação de capital. (DIAS & CAMPOS, 
2010, p.3) 


320 


Em consequência do fortalecimento das áreas metropolitanas de Goiânia e 
Brasília, a cidade buscou novos caminhos para retomar o seu crescimento; esses 
caminhos e as dificuldades que surgiram marcam a segunda parte do último período, 
iniciada na década de 1970. O segundo momento, iniciou-se após a década de 1970 
com a modernização da agricultura que influenciou no desenvolvimento industrial na 
cidade de Anápolis. 

Os investimentos no setor industrial transformaram a cidade em um dos mais 
importantes centros industriais do Estado de Goiás. Um processo gradativo que se 
acelerou com incremento demográfico nas áreas metropolitanas de Goiânia e Brasília, 
principalmente, após os anos 70 e 80. (LUZ, 2001, p. 23-24 apud MONTESSORO, 
2006). Congruente com as palavras de Dias & Campos (2010) nos primórdios de seu 
povoamento, em torno de 1871, Anápolis amparava tropeiros que tinham como 
destino cidades produtoras de ouro como Pirenópolis, Goiás e Silvânia. O tropeirismo 
contribuiu com o transporte e comércio de passantes na cidade, levando-a á posição 
de entreposto comercial já no início do século XX. 

Conforme Luz (2009) após a inauguração do Distrito Agroindustrial de Anápolis 
(DAIA) a cidade se torna o mais novo polo industrial atraindo investimentos e abrindo 
mercado para a fabricação e distribuição de mercadorias, tendo em vista sua 
estratégica posição entre as capitais Brasília e Goiânia. 

A cidade de Anápolis acompanhou o crescimento e desenvolvimento e 
reestruturação produtiva que acontecia ao seu redor, desde a inauguração do seu 
distrito agroindustrial (DAIA), em que sai de entreposto comercial (devido à 
localização) e passa à condição de pólo industrial do Estado (LUZ, 2009 p.3). 

Em 1985, segundo Silva (1995) o DAIA contava com 22 indústrias. A ampliação 
dos incentivos fiscais através do FOMENTAR e a melhoria nas condições da infra- 
estrutura do distrito, provocaram um acréscimo de 81,82 no período de 1985/87 
representando 40 indústrias em 1987. O percentual acrescido ao total de indústrias 
instaladas em 1987 foi de apenas 15 % somando-se 46 indústrias instaladas em 1989. 

De 1989 para 1991 o índice percentual acrescido foi significativo, totalizando 
56,52 % representativo de 72 indústrias instaladas. Já em 1993 o DAIA contava com 
76 unidades fabris em pleno funcionamento, justapondo-se um índice de 5,56 % ao 
total de indústrias em 1991 (CASTRO 2004, p.38). 

Como mostrado na (figura 06) Dias & Campos (2010) o traçado das rodovias 
cituadas na cidade facilitam o acesso ao DAIA e compõem o chamado trevo Brasil, 


321 


compreendendo as rodovias federais BR 060, BR 414 e BR 153, bem como as 
rodovias estaduais GO 220 e GO 330, importantes para o escoamento da economia 


regional. 


Figura 06 - Projeções da Localização da Cidade e do Distrito Agroindustrial de Anápolis. 


O Estado de Goiás 
no Brasil 


O município de Anápolis 


no Estado de Goiás 





Fonte: Freitas (2004). 


Castro (2004) em seu texto aborda que em meados do século XX Anápolis 
tornou-se líder na região através da produção de café, o que favoreceu sua economia, 
logo após com o surgimento das industrias que aqueceu seu comércio trazendo 
reconhecimento para a região Centro-Oeste. 

De acordo como IMB (Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos 
Socioeconômicos), o estado de Goiás representa 2,8 % do PIB nacional, sendo a 
nona economia brasileira, com um PIB R$ 173.631,663 bilhões (2015), Anápolis 
contribui com um Produto Interno Bruto R$ 13.301,497, ficando em segundo lugar 
como maior economia municipal de Goiás, na frente de cidades como Aparecida de 
Goiânia e Rio Verde, o IMB ainda mostra no quadro 01 outras principais 


economias goianas. 


322 


Quadro 2 - Principais economias municipais de Goiás em 2015. 





















































Maiores Economias Municipais - Goiás - 2015 
Município Valor do PIB (R$ Milhões) 
Goiânia 46.632,596 
Anápolis 13.301,497 
Aparecida de Goiânia 11.518,675 

Rio Verde 8.078,600 
Catalão 5.679,221 
Itumbiara 3.971,950 

Jataí 3.842,145 
Luziânia 3.3593,547 

São Simão 3.106,227 
Senador Canedo 2.685,910 

Total dos Municípios 102.172,383 
Participação no estado (%) | 58,84 

Estado de Goiás 173.631,663 








Fonte: IBGE/Instituto Mauro Borges / Segplan-GO Acesso: 03/10/2019. 


4. PLANO DIRETOR: ORIGEM E CARACTERÍSTICAS 

4.1 URBANIZAÇÃO (ESPAÇO URBANO) 

Em meados de 1960, houve um crescimento das cidades brasileiras, devido o 
fenômeno populacional do êxodo rural, que é o deslocamento da população rural para 
a região urbana. Fenômeno esse que contribuiu para um crescimento desordenado 
das cidades. Esses indícios podem ser comprovados com base nos indicativos do 
IBGE (2001), onde consta que o número de habitantes da zona rural era 68,8 % em 
1940, e em 2000 a região urbana passou a possuir 81,2 % da população. 

A urbanização gera enormes problemas, deteriora o ambiente urbano, provoca 
a desorganização social, com carência de habitação, desemprego, problemas de 
higiene e de saneamento básico. Modifica a utilização do solo e transforma a 
paisagem urbana. A solução desses problemas obtém-se pela intervenção do poder 
público, que procura transformar o meio ambiente e criar novas formas urbanas. Dá- 
se então a urbanização, processo deliberado de correção da urbanização, ou na 
criação artificial de núcleos urbanos. (SILVA, 1997, p. 21) 

Para Mota (1999), o planejamento das cidades deve possuir infraestrutura, 
viabilizando melhorias para que a população em geral, que independente de suas 
classes sociais possa desfrutar de certo conforto. Para ele e necessário que haja a 


323 


idealização desse plano, mas de forma que os habitantes não sejam prejudicados pelo 
meio ambiente, devido ações tomadas pelo projeto, já que o mesmo faz parte do meio 
a ser habitado. Acredita que o avanço das cidades e aumento da população deve ser 
acompanhado na mesma proporção de crescimento da infraestrutura, proporcionando 
assim condições de vida com qualidade para os habitantes. 

Conforme Mota (1999, p.17): “O aumento da população e a ampliação das 
cidades deveria ser sempre acompanhado do crescimento de toda a infraestrutura 
urbana, de modo a proporcionar aos habitantes uma mínima condição de vida.” O 
autor também diz que, “a ordenação deste crescimento faz-se necessária, de modo 
que as influências que o mesmo possa ter sobre o meio ambiente não se tornem 
prejudiciais aos habitantes.” Todavia, com a ausência de planejamento das cidades e 
infraestrutura limitada isso não ocorre. 

A urbanização gera enormes problemas, deteriora o ambiente urbano, provoca 
a desorganização social, com carência de habitação, desemprego, problemas de 
higiene e de saneamento básico. Modifica a utilização do solo e transforma a 
paisagem urbana. A solução desses problemas obtém-se pela intervenção do poder 
público, que procura transformar o meio ambiente e criar novas formas urbanas. Dá- 
se então a urbanização, processo deliberado de correção da urbanização, ou na 
criação artificial de núcleos urbanos. (SILVA, 1997, p. 21) 

O Planejamento deve se realizar com base na concepção de desenvolvimento 
sustentável, assim entendido, aquele que atende às necessidades do presente sem 
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias 
necessidades. (MOTTA, 1999, p. 22) 

Nucci (1996), relata que para um bom planejamento do espaço, e necessário 
possuir umas contribuições ecológicas e de design, utilizando o máximo proveito dos 
recursos ambientais e usos do solo com suas devidas regulamentações, para a 
melhoria da qualidade ambiental. Com um bom planejamento é possível melhorar a 
qualidade de vida das pessoas. 

De acordo com Brasil (2002), as divisões das cidades são de acordo com a 
realidade socioeconômica, onde a classe rica possui infraestrutura e já a classe pobre 
se encontram em situações desfavoráveis e precárias, estabelecendo assim uma 
população com pouco acesso as oportunidades de trabalho, cultura e lazer. 

O correto seria a integração social de todas as classes, evitando assim a 


segregação das partes menos favorecidas, porem vivemos em uma sociedade 


324 


capitalista, onde o foco não é o bem comum. Segundo Bassul (2002, p.2): "Nas 
cidades, os altos preços do solo urbanizado determinam a segregação populacional 
por estratos de renda e impõem ônus sociais inversamente proporcionais à 
capacidade de pagamento de quem os suporta." 

Um grande número de pessoas nas cidades brasileiras de maior porte, 
principalmente, sofre com a segregação urbana; que passa despercebida, até mesmo 
pelos seus agentes. Essa segregação é do tipo socioeconômica, sendo o espaço 
urbano, o meio onde ela acontece ou se materializa. Ela está intimamente ligada às 
facilidades (ou melhor, dificuldades) de acesso aos serviços públicos, parques, praias, 
transportes, etc., ou seja, a segregação traz dificuldades a uma grande parte da 
população (MUSSI; GOMES; FARIAS 2011 p.29) 

A política de desenvolvimento urbano se traduz para a cidade através de 
objetivos e diretrizes, que devem ser os meios para que o governo busque para a 
sociedade uma cidade que cumpra sua função social (ABNT, 1992, pg. 1). Cumprir a 
função social da cidade é garantir um ambiente propício ao desenvolvimento 
econômico e o atendimento dos direitos do cidadão (IPEA; INFURB, 2001). É 
possibilitar à população o acesso ao transporte coletivo, moradia, trabalho, lazer, 
saúde, educação, saneamento básico e acima de tudo, prezar pelo bem coletivo e 
pelo atendimento dos interesses locais (CEPAM, 2005, p.35). 

4.2 PLANO DIRETOR 

Nesse capítulo será pautado sobre o Plano Diretor Municipal (PDM), sua 
caracterização quanto a fatores de criação e surgimento, apontando os assuntos na 
base de origem do mesmo, que pela Constituição Federal de 1988 foi concebido, em 
2001 tournou-se lei explicita no Estatuto das Cidades, a formatação dos planos 
diretores passou a ser participativo, contando com a participação da população na 
tomada de decisões, o que antes era algo totalmente técnico. Em seguida, será 
discutido, a importância, a função social, e as etapas necessárias para a elaboração 
e desenvolvimento desse projeto,e o por que da criação e quando se faz necessário 
a implantação, ostipos de planos diretores existentes e qual a função da população 
na elaboração destes. 

Segundo Silva (1995, p.123) “o Plano Diretor é um plano urbanístico geral, 
entre os instrumentos fundamentais do processo de planejamento local”. 

"O Plano Diretor, aprovado por lei municipal, é o instrumento básico da política 
de desenvolvimento e expansão urbana." (Lei nº 10.257, 2001, art. 40) "Instrumento 


325 


básico de um processo de planejamento municipal para a implantação da política de 
desenvolvimento urbano, norteando a ações dos agentes públicos e privados." 
(ABNT, 1992, pg. 1) 

O Plano Diretor é um conjunto de normas que atendem as exigências 
transmitidas pelo Estatuto da Cidade e os anseios da população. Passos e Silva Júnior 
(2006, p. 14) dissertam que “o plano diretor é a base do planejamento do município, 
cabendo a ele a tarefa de articular as diversas políticas públicas existentes, fazendo- 
as convergir para uma única direção”. Este é elaborado forma proporcional conforme 
cada município, pela quantidade territorial e habitacional, atentos às necessidades a 
serem supridas. A fim de prevenir o crescimento desordenado das cidades o Estatuto 
da Cidade deixa claro em seu art.41., em quais condições os municípios devem 
elaborar e aderir o Plano Diretor. 

Art. 41. O plano diretor é obrigatório para cidades: | - com mais de vinte mil 
habitantes; Il — integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas; Ill — 
onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no 4º do 
art. 182. da Constituição Federal; IV — integrantes de áreas de especial interesse 
turístico; V — inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com 
significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional. (BRASIL, 2001) 

Segundo Villaça (1998), a partir de um diagnóstico científico, dentro da 
realidade do município e de sua região, seria apresentado um conjunto de propostas 
para o desenvolvimento socioeconômico e estrutura urbana, propostas estas 
definidas para curto, médio e longo prazos, e aprovadas por lei municipal, criando o 
então plano diretor. 

A partir de um diagnóstico científico da realidade física, social, econômica, 
política e administrativa, da cidade, do município e de sua região, apresentaria um 
conjunto de propostas para o futuro desenvolvimento socioeconômico e futura 
organização espacial dos usos do solo urbano, das redes de infraestrutura e de 
elementos fundamentais da estruturaurbana, para a cidade e para o município, 
propostas estas definidas para curto, médio e longo prazos, e aprovadas por lei 
municipal. (VILLAÇA, 1995, p. 238) 

Villaça (1995) em sua visão sobre os problemas dos planos diretores vigentes 
no Brasil, cita características essenciais sobre certas discussões para com o assunto, 
como a imprecisão dos entes presentes na composição técnica do mesmo, como 


engenheiros, arquitetos e urbanistas, geógrafos e etc., a respeito de uma 


326 


conceituação básica, do que seria a definição de tal legislação municipal. Através 
disso, o autor abrange as fundamentais intenções que deve ter um Plano Diretor 
Municipal. 


5. REGIÃO NOROESTE DE ANÁPOLIS 

5.1 CARACTERÍSTICAS LOCAIS 

Esse capítulo tem por finalidade, analisar o crescimento e desenvolvimento da 
região noroeste de Anápolis e os reflexos deste em sua estruturação intra-urbana, 
propomos identificar a caracterização territorial e as futuras projeções de infraestrutura 
e empreendimentos para a região, as circunstâncias que as impulsionaram e como se 
deu a organização do espaço intra-urbano desta, especialmente no que diz respeito 
ao fluxo de deslocamento predominante no cotidiano da população que ali reside 
devido sua localização. 

Villaça (2001) diz que o espaço infra-urbano, é estruturado pelas condições de 
deslocamento do ser humano. Esse deslocamento se da na trajetória feita de sua 
moradia para locais que fazem parte do cotidiano, escola, lazer, trabalho e compras. 
Segundo ele as condições de acessibilidade é que será fundamental para o 
melhoramento da situação. 

O espaço urbano é estruturado fundamentalmente pelas condições de 
deslocamento do ser humano, seja enquanto portador da mercadoria força de trabalho 
— como no deslocamento casa/trabalho — seja enquanto consumidor — reprodução 
da força de trabalho, deslocamento casa-compras, casa-lazer, escola etc. Exatamente 
daí vem, por exemplo, o enorme poder estruturador das áreas comerciais e de 
serviços, a começar pelo próprio centro urbano. 

Tais áreas, mesmo nas cidades industriais, são as que geram e atraem a maior 
quantidade de deslocamentos (viagens), pois acumulam os deslocamentos de força 
de trabalho — os que ali trabalham — com os de consumidores — os que ali fazem 
compras e vão aos serviços. (VILLAÇA, 2001, p.20) 

5.2 BAIRROS QUE COMPÕEM A REGIÃO 

De acordo com a Prefeitura Municipal de Anápolis PMA os bairros que 


compõem a região noroeste estão listados no (Quadro 03): 


327 


Quadro 3 — Bairros da região Noroeste. 





Barros localizados na região Noroeste de Anápolis-GO 





Chácaras Vale das Antas 
Conjunto HabitacionalFilóstro Machado 
Gran Ville 

Jardim dos Ipês 

Jardim Itália 

Jardim Primavera | Etapa 

Jardim Primavera Il Etapa 

Jardim Promissão 

Loteamento Cerejeiras 
Loteamento Residencial América 
Parque Brasília 

Parque Residencial das Flores 
Privê Lírios do Campo 

Recanto do Sol 

Residencial Araguaia 

Residencial Ayrton Senna 
Residencial Flor do Cerrado | Etapa 
Residencial Morada Nova 
Residencial Portal do Cerrado 
Residencial Santo Expedito 
Residencial Vale do Sol 
Residencial Vila Feliz 

Sítios de Recreio Denise 

Sítios de Recreio Jardim Boa Vista 
Vila Norte 



















































































Fonte: Prefeitura Municipal de Anápolis (PMA) — Secretaria de Habitação. 


5.3 DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO NAS ÚLTIMAS DÉCADAS 

O desenvolvimento de Anápolis teve maior índice na região sul e sudeste 
devido a instalação de industrias na Vila Fabril e posteriormente com a inalguração do 
Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA), sua dencidade demográfica se 


concentrava nestas regiões como mostra a (figura 07). 


328 


Figura 07 - Mancha Populacional de Anápolis na década de 50. 





B 
SIA 
/ ki 
DEE À | aa 
/ 
/ a 





8198 LEGENDA 







ESSAS 
RN 
If 


| FINAL DA DECADA DE 40 


|| DÉCADA DE 50 





M, ANÁPOLIS (RRRLAA 
Arte PR 








Dá é jmRiruLo 
AH q Plano Diretor Participativo de Anápolis 
HOT (E uanchaitama e 
; 12 


fa ES lr 


eme 
Ee Dez/2005  |1/75000 
pa 




















Fonte: Prefeitura Municipal de Anápolis - Secretaria de habitação. 


Já na década de 70 podemos observar que o crescimento ainda se dava nas 
regiões anteriormente citadas, mas também houve o início do povoamento na região 


noroeste conforme apresentada na (figura 08): 


Figura 08 — Crescimento da população entre as decadas de 40 e 70. 


LEGENDA 


DECADADE 40 
DÉCADADE5O 


DÉCADA DE 60 


DECADADE 70 








|PRESFITURA IMUNICIPAL DE ANÁPO-IS 
EccnETA 44 DE HABITAÇÃO 


TITO 
Plano Diretor Partkelpatlvo de Anépolls 


TEMA | NARA 
n 





Expansão Urbena 
Decada de 50, 50 e 70 
BATA 


13 





ESCALA 


Tas 
(8) Dez/2005 |1;75000 
= 


Fonte: Prefeitura Municipal de Anápolis - Secretaria de Habitação. 




















A atualização da densidade populacional mais rescente da região pode ser 
observada por dados apresentados na (figura 09), onde mostra um grande 
crescimento comparado a decada de 60 que foi o início de sua ocupação. 


329 





8zoc 





LEGENDA 


ms 1879 mm 1975 
= 1907 mm 1979 
mm 1935 mm 1980 
mm 1955 m— 1982 
m— 1960 m— 1983 
mm 1967 m— 1989 
m— 1970 mm 2000 





4 ANÁPOLIS PREFEITURA MUNICIPAL DE ANÁPOLIS 
SECRETARIA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO 
ANÁPOLIS QUE QUEREMOS, 


pu 
> 


ER 
Ez. N 





Et 


TÍTULO 
Plano Diretor Participativo de Anápolis 





TE) MAPA 


16 


mA Evolução da Ocupação com base nas 
Datas de Aprovação de Loteamentos 
BASE DATA ESCALA 


é a Dez/2005 |1/75000 


AM DEE o) 























Fonte: Fonte: Prefeitura Municipal de Anápolis - Secretaria de habitação 


6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Com base em dados da Prefeitura Municipal de Anápolis (PMA), devido a 
dificuldade de abastecimento de água enfrentada na região sudeste do município, as 
projeções de crescimento estão voltadas para a região noroeste devido os mananciais 
mais abundantes estarem presentes ao norte da cidade tendo assim acesso facilitado 
e economicamente viável realizar o abastecimento de um maior número de pessoas 
concentradas neste local. 

O Plano diretor de Anápolis prevê a construção de um novo viaduto para 
facilitar acesso aos bairros que constituem a região noroeste da cidade, que fará a 
ligação do bairro Boa Vista ao Residêncial Flor do Cerrado com a finalidade diminuir 
o fluxo de veículos na Avenida Brasil Norte e Universitária que em horários de pico 
além de demorado o acesso se torna arriscado. 

O Plano também pressupõe a implantação de um shopping center 
descentralizando o fluxo de pessoas da região central, contendo serviços como 
agências bancárias, supermercado e comércios em geral, trazendo consigo a 
valorização de imóveis e terrenos que fazem parte desta localidade. 

E por fim, não menos importante a fundação do Distrito Agroindustrial Municipal 
Il trazendo consigo incentivos governamentais abrindo espaço para a instalação de 
mais empresas fomentando a economia da cidade, gerando novos empregos. 


330 


REFERÊNCIAS 


ABNT (Rio de Janeiro). Normas para elaboração de Plano Diretor. 1992. Disponível em: 
Acesso em: 20/11/2019. 


ALFRED AGACHE, 1930, apud MOREIRA, Fernando Diniz. Urbanismo e modernidade: 
reflexões em torno do Plano Agache para o Rio de Janeiro. In: Revista Brasileira de Estudos 
Urbanos e Regionais, v. 9 nº 2, 2007. 


ARRAIS, Tadeu Alencar. Desvendando a Arena Política: os limites do discurso da 
competitividade do eixo de desenvolvimento Goiânia — Anápolis - Brasília. Disponível em: 
http://www. ufg.br/this2/page.php?menu id=1253801097&pos=esg&site id=214. Acesso em: 
19/11/2019. 


BASSUL, José Roberto. Reforma urbana e Estatuto da Cidade. Eure (santiago), Santiago, v. 
28, n. 84, p.133-144, set. 2002. Disponível em: 

Acesso em: 20/11/2019. 

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332 


CAPÍTULO 22 


A ÚLTIMA CEIA DE SERGIPE DEL REI: IDENTIFICAÇÃO E MAPEAMENTO DE 
CORES EM SUPERFICIES ARQUITETURAIS. 


Adriana Dantas Nogueira 

Doutora em Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia Instituição: Universidade 
Federal de Sergipe 

Endereço: UFS- Cidade universitária Prof. Aloísio de Campos, s/n, Jd. Rosa Elze, São 
Cristóvão/SE, Brasil. 

E-mail: adnogueira(dgmail.com 


Eder Donizeti da Silva 

Doutor em Conservação e Restauro pela Universidade Federal da Bahia 
Instituição: Universidade Federal de Sergipe 

Endereço: UFS- R. Samuel de Oliveira, s/n, Laranjeiras/SE, Brasil. 
E-mail: ederDinfonet.com.br 


Mayra Lima 

Graduanda de Arquitetura e Urbanismo 

Instituição: Universidade Federal de Sergipe 

Endereço: UFS- R. Samuel de Oliveira, s/n, Laranjeiras, SE, Brasil. 
E-mail: mayrarv(Ogmail.com 


Ualisson Castro 

Graduando de Arquitetura e Urbanismo 

Instituição: Universidade Federal de Sergipe 

Endereço: UFS- R. Samuel de Oliveira, s/n, Laranjeiras/SE, Brasil. 
E-mail: uvncastro(Ogmail.com 


RESUMO: No Brasil, nos primeiros trezentos anos as edificações, em sua grande 
maioria, empregaram as tintas à base de cal, predominando a cor branca, entretanto, 
devido a riqueza de minerais e argilas em várias regiões e a influência portuguesa no 
gosto e uso das cores, como no Alentejo, estas cores também puderam atender a 
matizes que vão dos azuis aos amarelos. Este artigo tem como intenção desenvolver, 
dentro da Tecnologia da Conservação e Restauro, na área de materiais, a análise das 
características dos pigmentos e cromatismos presentes no retábulo de quadratura na 
Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, construção do final do século XVIII na 
cidade de Laranjeiras no Estado de Sergipe e que tem como tema a Santa Ceia, 
pintura sobre tabuado e provavelmente realizada na metade do século XIX. O foco 
principal do estudo trata do mapeamento, inventariação e registro da cor a partir do uso 
de colorímetro digital NCS e tabelas de cores NCS e Munsell, indicando anomalias 
que se apresentam concomitantes a estes revestimentos pictóricos, contudo, paralelo 
a esta análise, constroi-se o estudo da história e teoria da cor a partir de comparações 
com obras consagradas como de Leonardo Da Vinci, Tintoretto e Manuel da Costa 
Ataíde, revisitando a história e memória da ciência da construção/matizes e do saber 
fazer local. A análise insere exercícios metodológicos de percepção necessários para 
o entendimento do objeto no local e paisagem que está inserido, preocupando-se em 
disseminar conhecimento sobre como realizar observações visuais in situ ou sob a luz 
denominada de “correta”, atentando para ambiência lumínica, entorno, alteração da 


333 


cor no substrato, envelhecimento da cor, e outros. Os resultados desta investigação 
revelam práticas metodológicas de mapear, identificar, analisar e diagnosticar a cor 
em superfícies arquitetônicas agregando conhecimento à história da 
construção/matizes e proteção do patrimônio nacional. 


PALAVRAS-CHAVES: arquitetura; pintura; matiz; caracterização; conservação. 


ABSTRACT: In Brazil, in the first three hundred years, most buildings have used lime- 
based paints, predominantly in white color, however, due to the richness of minerals 
and clays in various regions and Portuguese influence on the sense of taste and use 
of colors, as in the Alentejo, these colors could also attend to shades ranging from blue 
to yellow. This paper intends to develop, within the Technology of Conservation and 
Restoration, in the area of materials, the analysis of the characteristics of the pigments 
and chromatism present in the quadrature altarpiece in the Mother Church of the 
Sacred Heart of Jesus, construction of the end of the XVIII century in the city of 
Laranjeiras in the State of Sergipe and whose theme is the Holy Supper, painting on 
wood board and probably performed in the middle of the nineteenth century. The focus 
of this research is mapping, inventorying and color registration by using the NCS digital 
colorimeter and NCS and Munsell color tables, indicating anomalies that are 
concomitant with these pictorial coatings. However, parallel to this analysis, study of 
history and color theory is based on comparisons with consecrated works such as 
Leonardo Da Vinci, Tintoretto and Manuel da Costa Ataíde, revisiting the history and 
memory of the science of construction/colors and local know-how. Analysis inserts 
methodological exercises of perception necessary for the understanding of the object 
in the place and landscape that is inserted, being concerned with disseminating 
knowledge about how to make visual observations in situ or under the light called 
"correct" one, considering the light environment, location, color change in the 
substrate, color aging, and others. Results of this investigation reveal methodological 
practices of mapping, identifying, analyzing and diagnosing color in architectural 
surfaces, adding knowledge to the history of construction/colors and protection of the 
national patrimony. 


KEYWORDS: architecture; painting; color; characterization; conservation. 


1. INTRODUÇÃO 

Este artigo apresenta estudo na área da Tecnologia da Conservação e 
Restauro caracterizando-se pela investigação da cor que recobre as camadas das 
superfícies arquitetônicas de edificações históricas, entendendo que a cor, por se 
tratar também de fenômeno óptico, deve ser analisada na sua composição pictural 
junto as degradações (anomalias) que aparecem coexistindo nos revestimentos das 
alvenarias e madeiras (superfícies arquiteturais) das edificações patrimoniais. Desta 
forma, o estudo da cor em superfícies arquitetônicas, deve estar associado a: a) 
Percepção do ambiente no qual a edificação está inserida; b) Degradação dos 
materiais; c) Entorno do edifício; d) Sombreamento e coloração provocada pela 
vizinhança ou objetos próximos; e) Quantidade de luz incidente sobre a superfície no 


334 


dia e horário em que é observada; f) Estudo iconográfico; h) Identificação e 
mapeamento das cores — matiz; brilho e saturação; etc. 

Para responder a estas questões, o artigo procura empreender algumas 
discussões como: 1 - Avaliação de referências históricas / teóricas / técnicas 
conhecidas sobre a pintura/cenáculo da Santa Ceia e, especificamente, a pintura da 
Santa Ceia realizada em painel de madeira na capela lateral do lado do Evangelho da 
Igreja Matriz do Sagrado Coração na cidade de Laranjeiras, interior de Sergipe, 
provavelmente datada entre os séculos XVIII/XIX; 2- Atuando sobre uma superfície 
arquitetural que necessita constantemente de prevenção/conservação/restauração e 
que não possui um estudo laboratorial de avaliação da cor (tintas antigas), mediante 
sua caracterização e composição relacionados aos aglutinantes, pigmentos, corantes 
e aditivos, bem como determinação da matiz, brilho e saturação (cromatismo) a partir 
das observações visuais in situ e laboratoriais. 

A região do Vale Cotinguiba, no interior de Sergipe, na qual foi implantado o 
povoado de Laranjeiras em meados do século XVIII, tem sua história relacionada à 
rica produção de açúcar de engenhos pelos portugueses, aos missionários jesuítas e 
sua tentativa de catequização dos índios e a exploração do trabalho escravo dos 
negros; estas relações influenciaram a construção das Igrejas e das arquiteturas em 
Sergipe e definiram muitas das ornamentações nos edifícios religiosos e suas pinturas 
arquiteturais; estas pinturas em Sergipe Del Rei carregam indagações do como e por 
quem foram pintadas, quais as tintas utilizadas, associadas, a afirmações da grande 
influência da Escola Baiana de Pintura, portanto, a primeira parte do artigo busca 
relatar a história cultural da cidade de Laranjeiras e da sua indissociável relação com 
a Última Ceia pintada na Matriz do Sagrado Coração de Jesus. 

A segunda parte do artigo, ao identificar e mapear as cores do Cenáculo da 
Última Ceia de Sergipe Del Rei, provoca controvérsias científicas e técnicas sobre a 
autoria desta pintura e a representatividade imposta nos séculos XVIII e XIX pelos 
discípulos do pintor baiano José Joaquim da Rocha, entre os quais José Teófilo de 
Jesus e Antônio Dias; assim como, apresenta uma pintura pouco conhecida mas de 
extrema importância para a história da arte brasileira, alicerçada no estudo 
comparativo iconográfico do mesmo tema pintado por Leonardo da Vinci, Tintoretto e 
Manuel da Costa Ataíde; a análise da pintura da Santa Ceia em Sergipe Del Rei ainda 
apresenta resultados da observação visual das cores presentes neste painel, 
elaboração de levantamento fotográfico e desenhos artísticos reproduzindo detalhes 


335 


importantes desta arte sacra colonial, assim como identifica e mapeia o matiz, brilho 
e saturação pelo processo NCS — Natural Color System - indicando as degradações 
presentes nesta superfície pintada de madeira, recomendando possibilidades de 
reparações e, desta forma, agregando valor para a preservação do patrimônio 
brasileiro. 

1.1 LARANJEIRAS E A ÚLTIMA CEIA DA MATRIZ DO SAGRADO CORAÇÃO DE 
JESUS 

A colonização da região do Vale do Cotinguiba e especialmente, a origem do 
povoado de Laranjeiras são relatadas em algumas estórias e histórias, a mais 
romântica, descrita por Oliveira (1942, p. 35), por Freire (1995, p. 35-37) e Nunes 
(1989, p. 29; 104) que falam que a cidade nasceu de uma flor: “Laranjeiras nasceu de 
uma flor. Da perfumosa e bela flor de laranjeiras, que simboliza a virgindade das 
noivas, nasceu a heroica Laranjeiras, murmurante e soluços a, esposa do Cotinguiba.” 
(Oliveira, 1942, p. 35) Conta Oliveira (op. cit., p. 35) que a margem esquerda do rio 
Cotinguiba existia uma laranjeira, debaixo da qual os primitivos habitantes, cantavam 
ao som da viola seus amores, e descansavam do sol vigoroso aguardando a hora das 


viagens (Figura 01). 


Figura 01 - Vista da área histórica urbana tombada da cidade de Laranjeiras — Vale do Cotinguiba visto 
do alto da torre da Igreja do Bonfim na colina do Bonfim, com a Igreja do Sagrado Coração e Rio 
Cotinguiba ao fundo (Cotinguiba, na língua tupi, significa pó-branco). 


Igreja Matriz do Sagrado 
Coração de Jesus 





Fonte: Silva, mar. 2012. 


Um dos elementos de maior importância para a fundação do povoado de 
Laranjeiras foram os Engenhos de Açúcar que, dos três tipos conhecidos, 


336 


predominaram os movidos a animais e os movidos à água e que, no século XIX, 
figuraram no Vale do Cotinguiba com mais de 300 engenhos (Nascimento, 1981, p. 34 
e 63); esse mecanismo, classicamente descrito por Gilberto Freyre no seu livro Casa 
Grande e Senzala (2006), foi constante pelas terras do nordeste brasileiro e 
influenciou as primeiras povoações neste Vale (Oliveira, op. cit., p. 38). 

Têm-se associado à romântica história da fundação de Laranjeiras, o fato de 
ela ter se tornado o berço da cultura da Província e do Estado e, com o tempo, ser 
alcunhada de “A Athenas Sergipana” (História dos Municípios: CINFORM Municípios, 
junho de 2002, p. 126-128). Outra conotação decantada nas poesias é a relação com 
a Flor de Laranjeiras, que desde a antiguidade significa a virgindade e a inocência. 

Oliveira (1942, p. 36) relata que Laranjeiras está situada entre seis morros que 
seriam: Alto do Bonfim, Colina de Bom Jesus dos Navegantes, Cruzeiro do Século, 
Boa Vista, Oiteiro do Horto e Pedra Furada e que a data de seu nascimento não pode 
ser determinada, devido à lentidão de sua implantação a margem direita do rio sendo 
que alguns consideram que o núcleo urbano vai surgir por volta de 1794 
(LARANJEIRAS: sua história, sua cultura, sua gente/Prefeitura Municipal de 
Laranjeiras. 2000. Laranjeiras: SEMEC, p. 24). 

Para Nestor Goulart Reis Filho (1968, p. 177-181), a implantação de 
construções religiosas no arraial significava o próprio resultado do surgimento das 
povoações. O caso de Laranjeiras não fugiria a essa regra e se relacionaria a 
construção da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus de 1791. Contudo é a Igreja 
do Retiro construída em 1701 pelos jesuítas o primeiro referencial de importância 
para o estabelecimento do povoado de Laranjeiras (Nascimento, 1981, p. 42). 

Outra importante construção para determinar o estabelecimento do povoado de 
Laranjeiras foi a Igreja da Comandaroba” de 1731-1734, a segunda moradia dos 
Jesuítas na região e que distava aproximadamente um quilômetro da povoação tendo 
como padroeira a Virgem da Conceição (Figura 02). No entanto, a Igreja Matriz 


Sagrado Coração de Jesus e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Homens 


* Comandaroba: feijão amargoso (Oliveira, op. cit., p. 42). Os jesuítas foram expulsos de Sergipe em 
26 de novembro de 1759. (ibidem, p. 43) Sobre a Arquitetura das edificações históricas de Laranjeiras 
consultar o artigo de Silva, Eder Donizeti da; Nogueira, Adriana Dantas. 2009. in: O despertar do 
conhecimento na colina azulada: a Universidade Federal de Sergipe em Laranjeiras. Meneses, 
Verônica Maria; Nogueira, Adriana Dantas (org.). 2. ed. São Cristóvão: Universidade Federal de 
Sergipe. p. 35. 


337 


Pardos, de 1848, são as duas edificações religiosas da cidade de Laranjeiras 
possuidoras de pinturas nas suas superfícies arquiteturais (Figura 03). 


Figura 02 - (esquerda) — Matriz do Sagrado Coração de Jesus de 1791; (centro) — Igreja jesuíta de 
Santo Antônio do Retiro de 1701; (direita) — Igreja jesuíta de Comandaroba de 1731. 





Fonte: Eder Silva, mar. 2019. 


Figura 03 - (Acima) — Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus (a) — Fachada principal; (lb) — 
Cenáculo da Ultima Ceia; (c) — Localização do Cenáculo na Capela Lateral, pintura atribuída a Antônio 
Dias entre os séculos XVIll e XIX. 











fl 


Fonte: Fotos Eder Silva, fev. 2017 e mar. 2019, desenho Adriana Nogueira, mar. 2019. (Abaixo) — Igreja 
de Nossa Senhora da Conceição dos Homens Pardos de 1843-1848 (a) Fachada principal; (b) — Pintura 
do forro da Capela-mor com o tema da Assunção de N. Sº da Conceição; (c) — Localização da pintura 
na Capela-mor. 


338 


Em relação à formação da população local, os afrodescendentes são maioria e 
suas tradições e superstições nas suas invocações, como a Santa Bárbara, 
influenciaram a formação da cidade e a implantação do povoado e chegaram até os 
dias atuais como um conjunto patrimonial imaterial de importância na cultura nacional; 
representado nos folguedos como o Reisado; Guerreiros; Lambe Sujos e Caboclinhos; 
Cacumbi; Taieira; Samba de Parelha; Dança de São Gonçalo; Batalhão 1º de São 
João; Chegança Almirante Tamandaré e Penitentes (Figura 04). 


Figura 04 - (esquerda) — Cacumbi; (direita) - Samba de Parelha do povoado Mussuca. 





Fonte: A Cidade, o Trapiche e a Universidade. 2012. Nogueira, Adriana Dantas; Silva, Eder Donizeti 
da. (Orgs). São Cristóvão: Editora UFS. p. 49 e 51. 


A cultural do povo de laranjeiras se materializa nos seus modos, costumes e 
saber fazer, como no artesanato, na tradição de manter em suas casas os “Oratórios” 
e de ter Santos e objetos religiosos, nas procissões, em rezar o Terço todas as noites, 
bem como nas Rezadeiras, nos Aguadeiros, na Pesca e nos pratos típicos da região 
do Cotinguiba como o Pirão de Guaiamum, o Pirão de Peixe, a Moqueca de 
Monjongomes e o Pirão de Ovos, além é claro dos inúmeros mitos e lendas como a 


Lopa, o Anjinho com a Mão fora da Cova, o Fogo Corredor, etc. (Figura 05). 


339 


Figura 05 - (esquerda) — Esculturas de madeira utilizando a Imburana e o Cedro retratando santos e 
figuras típicas do Nordeste — Ademar artesão, (direita) Pirão de Monjongomes. 





Fonte da figura da esquerda: A Cidade, o Trapiche e a Universidade. 2012. Nogueira, Adriana. Dantas; 
Silva, Eder Donizeti da. (Orgs). São Cristóvão: Editora UFS. p. 55. 
Fonte da figura da direita: Foto Eder Silva, mai. 2012. 


Todas essas tradições foram sendo construídas a partir da época da povoação 
tomando mais intensidade com a emancipação em Vila em 7 de agosto de 1832, 
decorrente do encaminhamento de uma Carta feita pela população ao Imperador D. 
Pedro Il — Petição Patriótica — (Oliveira, op.cit., p. 52 e 58) somadas a grande pujança 
econômica dos meados do XIX que acarretaram a elevação da Vila de Laranjeiras à 
categoria de cidade pela Resolução Nº 209 de 4 de maio de 1848 (Oliveira, op.cit, 
p. 90). 

Nesta época a Igreja do Sagrado Coração de Jesus já se encontrava há muito 
finalizada e consagrada como Matriz (1835) e suas pinturas internas, especialmente, 
o Coração de Jesus no forro da Capela-mor de autoria de José Teófilo de Jesus e o 
quadro da Sagrada Ceia de Antônio Dias, de acordo com Oliveira, já se encontravam 
terminados (Oliveira, op.cit., p. 47). 

A Matriz do Sagrado Coração de Jesus foi tombada no Livro de Belas Artes, 
Vol. |, fls. 57, inscrição 265-A/20-03-1943 e no Livro Histórico, Vol. |, fls. 33, inscrição 
199/20-03- 1943 (Bens móveis e imóveis inscritos nos Livros do Tombo do Instituto 
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 1994, p. 195); a arquitetura desta igreja 
se revela como importante monumento balizador da ambiência urbana e do traçado 
das primeiras ruas da cidade de Laranjeiras. Oliveira (1942, p. 44-45) disserta sobre 
as divergentes determinações da data de construção deste templo, afirmando que a 
datação mais segura é atribuída ao Dr. José Geraldo Bezerra de Menezes e pelo 
Padre D. José Thomaz Gomes da Silva como sendo um capela edificada em meados 
do século XVII erigida pelo Missionário Jesuíta Padre Bonucci; sobre esta primeira 


340 


edificação o Padre José Thomaz Gomes da Silva escreveu: “Laranjeiras desfruta a 
maior de todas as glórias de Sergipe: ali foi erigido o primeiro trono ao culto do 
Sagrado Coração de Jesus.” (Oliveira, 1942, p. 45) 

A segunda opinião do historiador Felisbello Firmo de Oliveira Freire diz se tratar 
de uma construção de 1791; já o Dr. Virgílio do Valle Vianna afirma que a Igreja foi 
construída por volta de 1795; há também os que afirmam que ela foi uma pequena 
capela em meados do XVII e depois foi remodelada em 1791 ou 1793. (Oliveira, 
op.cit., p. 46) 

Em relação à arquitetura o vigário Philadelpho Jonathas de Oliveira menciona 
que a Igreja do Sagrado Coração de Jesus mede quarenta metros de comprimento e 
quatorze de largura (1942, p. 47), com dois corredores ou naves laterais, duas 
sacristias com consistórios correspondentes, salão nobre e coro, a nave principal 
finaliza com a capela-mor e, no forro desta capela a pintura do Sagrado Coração de 
José Teófilo de Jesus, assim como, uma capela lateral, denominada Capela do 
Sacramento com o Cenáculo da Última Ceia atribuída a Antônio Dias (Figura 06). 


Figura 06 - (esquerda) - Nave principal da Matriz Sagrado Coração de Jesus; (centro) - Capela do 
Sacramento com o retábulo de madeira pintado com o tema da Ultima Ceia atribuído a Antônio Dias; 
(direita) — Forro da Capela Mór com a pintura do Sagrado Coração atribuída a José Teófilo de Jesus. 





Fonte: Silva, mar. 2019. 


Na fachada principal da Matriz do Sagrado Coração de Jesus chama a atenção 
os espirais entre a base do frontão e o lagrimal superior curvado, estes dois elementos 
denotam a transição do barroco/rococó para o neoclassicismo, uma vez que a 
curvatura mais acentuada acima do pequeno óculo é uma característica que, de certa 


forma, lembra algumas ações em igrejas do final do barroco mineiro do século XVIII 


341 


como a curvatura do lagrimal da Igreja do Carmo na cidade de Mariana, de 1777, se 
bem que, guardadas as devidas proporções (Tirapelli; Pfeiffer, 1999, p. 85). Já o 
espiralado é algo que não se encontra em nenhuma outra igreja dessa proporção, no 
entanto, faz lembrar as ornamentações mais simplificadas de igrejas do interior da 
Bahia, como a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Cachoeira e, em cidades 
vizinhas no Estado de Sergipe, como a Igreja do Carmo em São Cristóvão; a influência 
de igrejas da Paraíba e de Pernambuco também é evidente no lagrimal e ornatos, 
bem como na composição do bulbo da torre e azulejaria. 

No interior da Igreja do Sagrado Coração é nítida a ornamentação 
neoclassicista; entretanto, o jogo de luz, o claro e o escuro e o sombreamento, 
característica do período barroco são ainda o tema maior de seu cenário religioso. O 
altar-mor do século XVIII feito de madeira, com colunas de capitel compósito 
estilizado, possui na parte central ornamentações constituídas por rosetas e tulipas, 
destacando um nicho frontal com a imagem do Sagrado Coração, as cores que mais 
aparecem no Altar-mor são os azuis, dourado, branco, vermelhoe tons de salmão. 

O Coro, com grade em ressalto de metal com balaústre vazado e recortado em 
volutas e ramalhetes de flores, abriga um órgão de tubos doados pelo Barão de 
Laranjeiras (Inventário Nacional de Bens Móveis e Integrados de Sergipe e Alagoas. 
2001. Aracaju: Ministério da Cultura/MINC, 8º Superintendência Regional SE). 

A Capela Lateral do Evangelho abriga o painel em madeira formado em arco 
pleno, com a figura de Cristo ao centro, sentado e com a cabeça com raios de luz, 
veste túnica em tons de verde, braços a frente, na mão direita segura o pão a mão 
esquerda em benção, na sua frente o cálice sagrado e o prato (Figura 07). 

Ladeando o Cristo do seu lado direito seis figuras masculinas, cabelos curtos e 
túnicas vermelhas, no lado esquerdo, outras seis figuras totalizando os doze 
apóstolos, com muita semelhança a representação do lado direito, no entanto, a figura 
masculina no plano inferior esquerdo com braços cruzados; as figuras encontram-se 
ao redor da mesa, no plano superior, representação de pintura arquitetural, 
encontramos um lampadário acesso (presença do espirito santo), ele é cinza com 
lâmpadas vermelhas, atrás do lampadário uma abertura em arco com paisagem 
campestre e lua crescente (Inventário Nacional de Bens Móveis e Integrados de 
Sergipe e Alagoas. 2001. Aracaju: Ministério da Cultura/MINC, 8º Superintendência 
Regional SE). 


342 


O Pároco da Matriz do Sagrado Coração Padre Francisco de Assis de Souza, 
entrevistado no dia 01 de março de 2019, identificou três dos apóstolos: o Judas (tem 
a mão esquerda para trás, segurando a bolsa de moedas); o Pedro (está de joelhos, 
com as mãos cruzadas sobre o peito, dando a entender o fato posterior da negação e 
do arrependimento); o João (era jovem, o único imberbe no conjunto); ao lado supõe- 
se que seja Tiago, filho de Zebedeu, irmão de João (parece na representação 
conversar com o João) era um dos confidentes de Jesus. 

Padre Francisco também diz que os demais aparecem sem características 
bíblicas ou iconográficas que tornem possível identificá-los e lembra que o motivo 
desta “Santa Ceia” é salientar a instituição do Sacramento da Eucaristia por isso Cristo 
está em posição de apresentar o pão: “Tomais e comei. Isto é meu corpo, dado por 
vós” (Evangelho Segundo São Lucas 22-24). 


Figura 07 - Cenáculo da Última Ceia na Capela do Sacramento na Matriz de Laranjeiras; visualmente 
predominam as cores verde nas túnicas, com marrons e dourados, alaranjados e panejamentos em 
carmim. 


Última Ceia atribuída a Antônio Dias 
(final do XVII e início do XIX). 
LEGENDA: 

a- Jesus Cristo; 

b- São Pedro; 

c- Judas; 

d- Bolsa de dinheiro; 

e- João; 

f- Thiago; 

g- Junção das duas peças de madeira que 
formam o retábulo; 

h- Pintura arquitetural com arco pleno, lua 
crescente e paisagem campestre; 

i- Lampadário cinza com lâmpadas 
vermelhas — presença do Espirito Santo. 





Fonte: Silva, mar. 2019. 


1.2 AS CORES DA ÚLTIMA CEIA DE SERGIPE DEL REI 

Apesar do tema “A Última Ceia” ter sido consagrado pelas mãos de Leonardo 
da Vinci no refeitório de Santa Maria Delle Grazie na cidade de Milão entre 1495-1498 
ele já era conhecido deste a Idade Média; Gombrich (2015, p. 296-297) afirma que 
este tema nunca havia sido apresentado desta maneira, ou seja, próximo a realidade 


e que nada havia nesta pintura que o aproximasse das representações anteriores, 


343 


esta diferença baseava-se tanto na posição dos apóstolos (era comum Judas estar 
segregado dos outros), além da serenidade de Jesus; a pintura de Leonardo da Vinci 
inclui o drama, a teatralidade e a excitação após a afirmação de Jesus que entre eles 
um o trairia e Simão Pedro faz um sinal para Jesus como a perguntar quem seria o 
traidor (João 23-4). 

No afresco de Leonardo evidenciasse uma grande discussão, São Pedro o 
mais exacerbado, empurra São João, que está à direita de Jesus, ao mesmo tempo 
também empurra Judas, que mesmo estando junto aos outros parece estar isolado 
(notar a bolsa de moedas na sua mão direita); Judas não gesticula e não faz perguntas 
fixando o olhar em Jesus que continua inflexivelmente sereno, a composição indica a 
divisão dos apóstolos em quatro grupos detrês em um delineamento das figuras sem 
exigências mais frente a um desenho de grande segurança (Gombrich, 2015, p. 298). 

Ao comparar a obra de Milão com a Última Ceia de Sergipe Del Rei podemos 
notar que São Pedro agora aparece afastado dos outros apóstolos, resignado e não 
mais impetuoso pede desculpas a Jesus por vir a negar-lhe por três vezes; outra 
questão é a divisão dos apóstolos em dois grupos de seis, sendo que apenas São 
João e São Tiago conversão entre si e os outros estão em reflexão e sem discussão; 
Judas, apesar de separado está menos apartado dos demais, assim como, ainda 
carrega a bolsa de dinheiro agora na mão esquerda e quase que escondida. 

A grande diferença entre as pinturas se remete ao momento de sua 
representação, a de Leonardo o momento da revelação de quem trairia Jesus (conflito, 
angústia, drama) e a da Matriz do Sagrado Coração em Laranjeiras o Sacramento 
(Figura 08). 


344 


Figura 08 — Reprodução das linhas de contorno dos personagens do afresco de Leonardo da Vinci 
com identificação dos Apóstolos (A Ultima Ceia): 1- Simão; 2- Tadeu; 3- Mateus; 4- Felipe; 5- Tiago 
Maior; 6- Tomé; 7- João; 8- Judas; 9- Pedro; 10- André; 11- Tiago Menor; 12- Bartolomeu. (abaixo) — 
Cenáculo da Eucaristia de Sergipe Del Rei — (esquerda) Visão geral do retábulo: 1- Pedro; 2- Judas; 3- 
São João; 4- São Thiago; (centro) — São Pedro em posição de pedido de desculpas a Jesus por sua 
negação; (direita) — Judas com olhar em Jesus e bolsa de moedas escondida na mão esquerda. 





Fonte: Desenhos Adriana Nogueira, mar. 2019. 


A pintura maneirista de Tintoretto na Igreja de San Giorgio Maggiore, em 
Veneza, realizada em 1592-1594, põem de lado os valores clássicos de Da Vinci; 
apesar de Cristo ocupar o centro, a perspectiva não é mais central (reta) ela agora é 
oblíqua; a relação do cotidiano com a religiosidade é traçada numa composição 
mística e espiritual num contraste dramático entre o natural e o sobrenatural (Janson, 
1998, p. 675). 

A pintura de Tintoretto da Eucaristia, quando comparada ao Sacramento de 
Laranjeiras, revela esta preanunciação dos valores barrocos, ou seja, possuem a 
mesma condição do jogo entre a luz e a sombra, apesar de Veneza ser considerada 
a escola das cores da Itália, o quadro de Tintoretto se remete a esta condição de partes 
iluminadas/escuras mais proeminentes do que a de Sergipe Del Rei, o que aproxima 
esta última mais do jogo de cores de Da Vinci em Milão; a posição da mesa mais 
retilínea da pintura de Laranjeiras destoa da obliquidade da mesa de San Giorgio 
Magiore; a lâmpada de Veneza exala espiritualidade de anjos e fulgores místicos, a 


de Laranjeiras é mais contida apesar de espiritual (Figura 9). 


345 


Figura 09 - Reprodução das linhas de contorno do quadro de Tintoretto da Igreja de San Giorgio 
Maggiore de Veneza (A Ultima Ceia): 1- Jesus; 2- Pedro (necessita aprofundamento estudos); 3- João 
(necessita aprofundamento estudos); 4- Judas; 5- Lampadário com fulgores metamorfoseando em 
anjos; 6- Mesa Oblíqua; 7- Mulher e personagens do cotidiano — profano; 8 - Gato. (abaixo) - Retábulo 
em madeira de Laranjeiras; (esquerda) — 1- Jesus ao centro da mesa retilínea, 2- Apóstolos formam 
uma circunferência (curvaturas do barroco); (centro) — 1- Lampadário com menor intensidade do que a 
pintura de Tintoretto, 2- Janela arquitetural com paisagem rural e lua crescente; (direita) — Detalhe da 
cabeça de Jesus Cristo com auréola menos pronunciada do que a pintura de Veneza. 








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Fonte: Desenhos Adriana Nogueira, mar. 2019. 


A representação arquitetural da janela no retábulo de Laranjeiras se aproxima 
mais do afresco de Da Vinci do que a sala escura do quadro pintado por Tintoretto em 
Veneza; a presença de pessoas do cotidiano, como a mulher no Sacramento de 
Tintoretto não fazem parte da composição de Laranjeiras; na pintura de Tintoretto, 
além dessas cenas cotidianas, os apóstolos aparecem em grupo de seis de cada lado 
de Jesus (seis conversam e seis estão na reflexão da Eucaristia). 

Na pintura de Tintoretto um gato é representado próximo a cesta da mulher 
(relação com a anunciação do mal); na pintura em madeira de Laranjeiras o místico 
está representado pela lua crescente pintada na janela arquitetural (significado dos 
ciclos da vida — renovação); o ponto de fuga da pintura de Laranjeiras está em Cristo 
diferente do ponto de fuga de Tintoretto que se encontra no final da mesa; nas duas 
composições Judas está apartado dos apóstolos, no entanto, na pintura de Laranjeiras 
o único a possuir raiamento aureolado é Jesus, enquanto na pintura de Veneza todos 
os apóstolos (exceção de Judas) possuem auréolas e a cabeça de Cristo resplandece 
mais em luz do que no Cenáculo de Sergipe. 


346 


No Brasil, entre os grandes mestres do barroco/rococó que pintaram A Última 
Ceia destacam- se Manuel da Costa Ataíde (1762-1830) e José Joaquim da Rocha 
(1737-1807). Na pintura do quadro de 1828 da Santa Ceia no Santuário do Caraça, o 
Mestre Ataíde demonstra sua competência no desenho com a transformação dos 
elementos retos em curvilíneos, especialmente a anatomia das figuras representadas, 
sua paleta é rica em tons de vermelho, azul, branco, amarelo, sépia e marrom; a 
perspectiva e o escorço junto à harmonia das cores são virtudes incontestáveis do 
Mestre nesta pintura. 

Muitos autores acreditam que Ataíde era mulato por que pintou santos, anjos e 
madonas mulatos, ou mesmo porque a maioria dos artistas brasileiros o eram (Manuel 
in Civita, 1979, p. 434 e 440). 

Ao comparar a pintura de Ataíde do Caraça à pintura de Laranjeiras, verifica- 
se a semelhança da composição retilínea da mesa e a grande diferença da 
contraposição da curvatura dos corpos de Cristo e dos apóstolos; a posição do Judas 
é a mesma, até o banco que ele está sentado são semelhantes, assim como a posição 
de São Pedro, contudo não está de braços cruzados mas continua pedindo perdão; 
outra diferença acentua-se na presença do profano na obra mineira pelas mulheres e 
homens que representam ações que podem ser consideradas não permissivas a 


religiosidade como beber e “festejar” (Figura 10). 


Figura 10: (esquerda) - Reprodução do quadro de Manuel da Costa Ataíde no Santuário do Caraça 
1828 (A Ultima Ceia); 1- Composição retilínea da mesa; 2- Curvatura dos corpos representados; 3- 
Judas; 4 - São Pedro; 5- Representações do profano; 6 — Cristo em êxtase. (direita) —- Desenho do 
retábulo em madeira de Laranjeiras. 





Fonte: Desenhos Adriana Nogueira, mar. 2019. 


347 


Carlos Ott, em seu livro A Escola Bahiana de Pintura: 1764-1850, descreve o 
papel do pintor José Joaquim da Rocha na produção das pinturas religiosas 
ilusionistas na Bahia, assim como, de seus aprendizes, entre os quais, José Teófilo 
de Jesus e Antônio Dias que tiveram muita influência na produção da pintura sacra do 
XVIll e XIX em Sergipe (Ott, 1982, p. 10). 

José Joaquim da Rocha (1737-1807) é possível ter sido filho de um funcionário 
português que constantemente vinha ao Brasil, aprendeu seu oficio em Lisboa e 
emigrou para o Brasil com 27 anos, entretanto dizem ter aprendido a pintar pela 
prática, pode ter viajado para Itália e travado contato com a pintura italiana, no entanto, 
foi a Bahia a sua maior inspiração (Ott, 1982, p. 16-18). 

Em relação ao tema da Eucaristia, a pintura da Última Ceia de José Joaquim 
da Rocha de 1774, existente no painel superior da porta lateral esquerda da nave da 
Conceição da Praia, ao ser comparada com a Última Ceia de Laranjeiras, demonstra 
algumas semelhanças e diferenças compositivas. 

Em relação às semelhanças, os dois grupos de seis apóstolos ladeando o 
Cristo e o raiado apenas na cabeça de Jesus; já as diferenças são muitas, como a 
posição das mãos de Jesus, ou seja, no quadro da Bahia Cristo está a entregar o pão 
aos apóstolos em pequenos pedaços que estão no prato parecendo hóstias, inclusive 
dando a intenção de estar entregando a Judas; o drapejamento (panejamento) das 
túnicas se mostram em arranjos diferentes; as faces dos personagens do Cenáculo 
de Sergipe parecem ser mais delicadas; a posição de Judas é totalmente diferente 
assim como a de São Pedro; em relação às cores se percebe, apesar da pintura de 
Sergipe apresentar muita descoloração, embaçamento e envelhecimento, o mesmo 
cromatismo, ou seja, vermelhos, azuis, amarelos e marrons; a perspectiva em ambas 
é reta (ponto de fuga em Cristo), no entanto, as composições se afastam em relação a 
pintura arquitetural no painel de Laranjeiras; ainda em relação ao suporte da pintura 
em madeira a técnica de ambos parece muito semelhante (Figura 11). 


348 


Figura 11 - (esquerda) — Pintura em madeira do Cenáculo Última Ceia da Matriz do Sagrado Coração 
em Laranjeiras/SE atribuída ao pintor da Escola Bahia Antônio Dias, provavelmente por volta de 
1836/1840; (direita) — Pintura em madeira sobre a porta lateral da nave principal da Igreja de N. Sº da 
Conceição da Praia pintura de José Joaquim da Rocha de 1774. 





Entre as pinturas arquiteturais da Matriz de Laranjeiras, temos duas que são 
atribuídas ao pintor José Teófilo de Jesus (1758-1847), principal discípulo de José 
Joaquim da Rocha, pintou o forro da Capela lateral direita do Evangelho 
representando alegoria da Eucaristia e o forro da Capela-mor representando o 
Sagrado Coração de Jesus. 

Nas pinturas de José Teófilo de Jesus não se encontra a mesma uniformidade 
presente no seu mestre, Carlos Ott (1982, p./75) afirma que ele não possuía a visão 
de conjunto da pintura do teto e certa dificuldade em realizar perspectivas. José 
Teófilo de Jesus também estudou em Portugal; ao retornar, existe documentação que 
tenha trabalhado na Bahia até o ano de 1803, sendo que deste ano até 1812 não há 
registros sobre sua produção, alguns consideram que poderia ter estado em Sergipe 
neste período a pintar o teto da Ordem 3º de São Francisco em São Cristóvão, mas 
esta afirmação requer aprofundamento de estudos. 

A presença de José Teófilo de Jesus em Sergipe deve ter ocorrido efetivamente 
entre os anos de 1836 e 1837, realizando pinturas nos tetos das Igrejas, em específico 
na Matriz do Sagrado Coração em Laranjeiras e no teto da Igreja Matriz de Divina 
Pastora (Ott, 1942, p. 92). 

Na Matriz de Laranjeiras a pintura do teto da Capela-mor é composta pelo 
Coração de Jesus resplandecente ladeado por várias cabeças de querubins, suas 
faces pouco delicadas demonstram erros na representação dos olhos, assim como, 
as matizes aplicadas sobre a madeira lembram as cores utilizadas no retábulo da 
Santa Ceia desta mesma igreja; Já a pintura do teto da Capela lateral direita do 


Evangelho, local que também abriga o Cenáculo em estudo, parece conter alguns 


349 


atributos pertencentes a José Teófilo de Jesus, como a influência de Rubens, as 
pinceladas e os contornos são delicados, bem diferente dos querubins pintados na 
Capela-mor. 

Comparando o retábulo da Última Ceia atribuído a Antônio Dias a estas duas 
obras atribuídas a José Teófilo de Jesus, o Cenáculo se distancia muito nos 
panejamentos/drapejamentos e na delicadeza das faces representadas no forro da 
Capela, no entanto, observa-se o mesmo braço cruzado de São Pedro no retábulo e o 
braço cruzado de um dos anjos na pintura do forro, portanto, estas semelhanças e 
diferenças parecem confirmar a forte presença da escola baiana na pintura sacra de 
Sergipe, contudo, a afirmação definitiva das autorias necessitam aprofundamento de 


estudos comparativos (Figura 12). 


Figura 12 - (esquerda) — Pintura central do teto da Capela-mor da Igreja do Sagrado Coração de 
Laranjeiras atribuída a José Teófilo de Jesus por volta de 1836/1837; (centro) — Pintura central do teto 
da Capela lateral direita ao Evangelho da Matriz de Laranjeiras atribuída a José Teófilo de Jesus por 
volta de 1836/1837; (direita) — Pintura do Cenáculo do Sacramento “Última Ceia” na Capela lateral 
direita do Evangelho da Matriz de Laranjeiras atribuída a Antônio Dias (discípulo e afilhado de José 
Teófilo de Jesus) por volta de 1836/1840. 





f 


Fonte: Eder Silva, mar. 2019. 


Quanto à identificação e mapeamento das cores do retábulo da Última Ceia da 
Matriz de Laranjeiras foram observados in situ as condições e os fenômenos incidentes 
sobre a pintura (Pedrosa, 2014, p. 21-27); assim como preceitos teóricos da Carta de 
Restauro da Itália de 1972, especialmente no Anexo C (Brandi, 2004, p. 246); 
metodologias e orientações relacionadas ao entorno do objeto, influência ambiental e 
sua condição como parte de um conjunto arquitetônico e urbano foram respeitadas 
(Aguiar, 2012, p. 421). 


350 


Portanto, nasações de observação visual das cores do Cenáculo de Laranjeiras 
buscou-se identificar a frequência dominante cnamada MATIZ, juntamente com a 
sensação de BRILHO e SATURAÇÃO. O Matiz dá nome a cor, o brilho corresponde 
ao grau de luminância de uma cor em relação a outra e a saturação que trata da 
pureza aparente da Matiz (Pastoureau, 1997). 

Nesta investigação in situ, foi utilizado o catálogo de cores NCS e colorímetro 
digital NCS R200 (método europeu); junto com a identificação cromática foi realizado 
um breve mapeamento e identificação das patologias (anomalias) incidentes sobre 
esta pintura; neste contexto, a metodologia de identificação/análise dos pigmentos e 
cromatismos empregue neste estudo seguiu parâmetros aplicados nas pesquisas 
desenvolvido por Ramos (2014, p. 54), apenas não sendo possível neste momento a 
execução de análises de fluorescência de raio X (EDX). 

A identificação e análise cromática do Cenáculo de Laranjeiras apresentou 
entre as 48 amostras aferidas a predominância da cor S 6020-Y30R (8 das 48 
amostras identificadas), ou seja, um amarelo com 30 % de vermelho, 60 % de brilho 
e 20 % de saturação, esta matiz é observada como sendo um amarelo alaranjado 
claro e foi encontrada na representação do piso, nas representações da pele dos 
personagens (como na face de Jesus), nas mãos de São Pedro, no pão, no prato e 
no pescoço de Judas. 

A segunda matiz mais encontrada foia S 7010- Y7OR (6 das 48 amostras), ou 
seja, um amarelo com 70 % de vermelho, 70 % de brilho e 10 % de saturação, esta 
matiz é observada como sendo um amarelo avermelhado escuro e foi encontrada no 
pé e no rosto de São Pedro, no banco que está sentado Judas, na toalha da mesa e 
no seu rendilhado central; a cor S 7010-Y50OR (5 de 48), um amarelo com 50 % de 
vermelho, 70 % de brilho e 10 % de saturação, observada como um Laranja foi 
encontrado no braço de Judas sobre a mesa, na parede abaixo da janela em arco pleno 
e na túnica de São Pedro próximo aos seus pés. 

A cor S 7010-Y10R (5 de 48), um amarelo com 10 % de vermelho, 70 % de 
brilho e 10% de saturação, observada como um amarelo alaranjado claro foi 
encontrado na parede abaixo da janela, na roupa da cintura de São Pedro e na toalha 
de mesa próximo ao prato; a cor S 8005-Y50R (4 de 48), um amarelo com 50 % de 
vermelho, no entanto, com 80 % de brilho e 05 % saturação, laranja, foi encontrado 
na túnica que cobre as pernas de Judas, no rosto do terceiro apostolo do lado 
esquerdo de Jesus, no cálice e na barba de Jesus. 


351 


A cor S 6020-Y60R (3 de 48) um amarelo com 60 % de vermelho, 60 % de 
brilho e 20 % saturação, amarelo avermelhado escuro, encontrado nas túnicas dos 
apóstolos próximo a suas cabeças; uma das matizes de maior diferenciação foi a S 
7010-G90Y (2 de 48), um verde com 90 % de amarelo, com 70 % de brilho e 10 % de 
saturação, verde amarelado escuro, foi encontrado nas túnicas próximo ao peito e 
pescoço dos apóstolos como na de Judas. 

A S 6020-Y10R (2 de 48) um amarelo com 10 % de vermelho, 60 % de brilho e 
20 de saturação, amarelo alaranjado claro no pano da mesa e no raiado da auréola 
de Jesus; S 8005-Y20R (2 de 48) um amarelo com 20 % de vermelho amarelo 
alaranjado claro no pão e mão de Cristo; S 8000-N (2 de 48) negro acinzentado, no 
cabelo de Judas e no cabelo de Jesus; S 6020-Y70R (2 de 48) na túnica que cobre o 
braço do terceiro apóstolo a esquerda de Jesus e na túnica de São Thiago amarelo 
avermelhado escuro. 

As outras matizes aferidas foram: S 5030-Y30R na representação do piso; S 
7502-R abaixo do banco de Judas; S 8500-N nos limites das finalizações do retábulo; 
S 7010-Y30R na túnica de Jesus; S 7010-Y90R na túnica cobrindo as pernas de São 
Pedro (amarelo com 90 % de vermelho) amarelo avermelhado escuro; S 6020-Y80R 
na túnica do apóstolo acima de São Pedro amarelo com 80 % de vermelho amarelo 
avermelhado escuro e S 7020-Y40R braço 1º apóstolo acima de São Pedro, amarelo 


com 40 % de vermelho (Figuras 13; 14 e 15). 


Figura 13 - (esquerda) - Mapeamento e identificação da Matiz, Brilho e Saturação no retábulo de 
Laranjeiras no cálice S 8005-Y50R, laranja; (centro) - Matiz, Brilho e Saturação na túnica das pernas 
de São Pedro S 7010- Y90R amarelo avermelhado escuro; (direita) - Matiz, Brilho e Saturação no 
cabelo de Judas S 8000-N negro acinzentado. 





Fonte: Eder Silva, mar. 2019. Colorímetro Digital NCS R200; medições realizadas as 11:00 horas da 
manhã do dia 19/02/2019; dia ensolarado, utilização de escada para atingir a altura do retábulo. 


352 


Figura 14 - (esquerda) - Jesus Cristo, retábulo Última Ceia de Laranjeiras reprodução colorida a partir 
das cores identificadas:1- S 8000-N; 2- S 6020-Y30R; 3- S 8005-Y50R; 4- S 7010-Y30R; 5- S 6020- 
Y10R; (centro) - São Pedro: 1- S 7010-Y90R; 2- 7010-Y10R; 3- 6020-Y30R; 4- 2060-Y30R; 5- 7010- 
Y70R; 6- 6020-Y60R; 7-6020-Y80R; 8- 7020-Y40R; (direita) - Judas: 1- 7010-Y70R; 2- 8005-Y20R; 3- 
8005-Y20R; 4- 8500-N; 5-7010-G90Y; 6- 6020-Y30R; 7- 8000-N; 8- 7010-Y50R; 9- 6020-Y70R; 10- 
7010-Y70R; 11- 7010-Y70R; 12-S 6010-Y10R; 13- 7010-Y10R. 





Fonte: Desenhos aquarelas Adriana Nogueira, mar. 2019. 


Figura 15 - Reprodução colorida a partir das cores identificadas; (esquerda) — “Tomai e Come, isto é 
o meu corpo”: 1- S 6020-Y30R; 2- S 7010-Y50R; (centro) — O Cálice da Vida Eterna: 1- S 8005-Y50R; 
2- S 6020- Y30R; (direita) - São João e São Thiago: 1- S 7010-Y10R; 2- S 6020-Y30R; 3- 6020-Y60R; 
4- S 7010-Y50R; 5- 6020-Y70R. 





Fonte: Desenhos aquarelas Adriana Nogueira, mar. 2019. 


Para garantir que a restauração da cor de uma superfície arquitetônica atenda 
a teoria da autenticidade (Vinaz, 2008, p. 32), também se torna importante a verificação 
das anomalias presentes na superfície arquitetural pintada e seu tratamento (Pascual; 
Patinô, 2008, p. 39). Estas degradações no suporte da madeira podem aparecer na 
forma de fissuras, rachaduras, descolamentos, manchas, degradações biológicas 
bem como, podem produzir nas tintas: amarelamento; bronzeamento; captação de 
sujidade; descoloração; destacamento; eflorescências; empolamentos; pegajosidade; 
pulverulência; saponificação; perda de brilho; etc. (Rescala, 1955, p. 69). 


353 


No retábulo da Última Ceia da Matriz de Laranjeiras foram observadas muitas 
dessas anomalias, inclusive oferecendo muita dificuldade para se mapear e entender 
a cor existente neste Cenáculo; amarelamento, descoloração, craquelamento, 
empolamentos e rachadura na madeira foram as principais anomalias verificadas e as 
ações de “intervenção” neste objeto devem seguir, entre outros, preceitos técnicos da 
Carta de Restauro da Itália de 1972 (Figura 16). 


Figura 16 - (esquerda) — Empolamento no pé de São Pedro; (centro) — Craquelamento por toda a 
superfície da pintura, na imagem, na túnica de São Pedro; (direita) — Grande rachadura no centro do 
retábulo na junção de ligação entre os dois painéis de madeira. 





Fonte: Eder Silva, mar. 2019. 


2. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A identificação e mapeamento de cores em superfícies arquiteturais, apesar de 
parecer controversa frente às marcas do tempo que se incidem sobre os objetos 
históricos, torna-se fundamental nas ações de restauro e conservação que se 
pretendem escrupulosas ao agregar o sentido científico à percepção e reflexão crítica 
da arte. 

O estudo do Cenáculo “Última Ceia” da Matriz de Laranjeiras possibilita 
caminhar pela iconografia, iconologia, história, teoria, tecnologia, conservação, 
restauração e percepção da cor, notadamente, como em todo processo científico de 
investigação, muitas lacunas ainda necessitam ser preenchidas, no entanto, 
evidencia-se a possibilidade de apresentar, entender, apreciar uma pintura de 
relevante importância para a arte no Brasil, pintura pouco ou nada conhecida, que 
agora, ao ser descordinada ao olhar do observador fruidor, pode cumprir seu 
papel no palco da teatralidade religiosa e na seara da preservação dos objetos 
portadores de significação e valores patrimoniais. 


354 


REFERÊNCIAS 


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Donizeti da. (Orgs). São Cristóvão: Editora UFS. 


Aguiar, José Manuel. 2012. Cor e cidade histórica: Estudos cromáticos e conservação do 
patrimônio. Porto: FAUP. 


ARQUITETURA E URBANISMO. Silva, Eder Donizeti da; Nogueira, Adriana Dantas. 2009. 
in: O despertar do conhecimento na colina azulada: a Universidade Federal de Sergipe em 
Laranjeiras. Meneses, Verônica Maria; Nogueira, Adriana Dantas (org). 2. ed. São Cristóvão: 
Universidade Federal de Sergipe. p. 35. 


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Artístico Nacional. 1994. 4 ed. Rio de Janeiro: IPHAN. 


Brandi, Cesare. 2004. Teoria da Restauração. (trad.) Beatriz Mugayar Kuhl. Cotia: Ateliê 
Editorial. 


Entrevista com o Paroco da Matriz de Laranjeiras Padre Francisco de Assis de Souza no dia 
01 de março de 2019. 


Freire, Felisbelo. 1995. História Territorial de Sergipe. Aracaju: Sociedade Editorial de 
Sergipe/FUNDEPAH. 


Freyre, Gilberto. 2006. Casa Grande e Senzala. 48 ed. São Paulo: Global editora. Gombrich, 
Emest Hans. 2015. A HISTORIA DA ARTE. 16 ed. Rio de Janeiro: LCT. História dos 
Municípios: Aracaju. 2002. CINFORM Municípios, junho, p. 126-128. 


Inventário Nacional de Bens Móveis e Integrados de Sergipe e Alagoas. 2001. Aracaju: 
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LARANJEIRAS: sua história, sua cultura, sua gente/Prefeitura Municipal de Laranjeiras. 
2000. Laranjeiras: SEMEC, p. 24 

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Oliveira, Philadelpho Jonathas de. 1942. Registros de fatos historicos de Laranjeiras. 
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Pastoureau, Michel. 1997. Dicionário das Cores do Nosso Tempo — Simbólica e Sociedade. 
Lisboa: Editorial Estampa. 


355 


Pedrosa, Israel. 2014. DA COR À COR INEXISTENTE. 10 ed. Rio de Janeiro: Senac 
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Ramos, Maria do Céu (coord.). 2014. AS CASAS PINTADAS EM ÉVORA. Évora: Fundação 
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Metalivros. 


Vinaz, Salvador Munoz. 2008. Teoría contemporánea de la Restauración. Patrimonio Cultural. 
Madrid: Síntesis. 


356 


CAPÍTULO 23 


HISTÓRIAS DE VIDA EM UMA RELAÇÃO TRANSDISCIPLINAR COM A 
UNIVERSIDADE DA MATURIDADE. 


Glauce Gonçalves da Silva Gomes 

Aluna especial do curso de Mestrado em Educação, da disciplina Tópicos de 
Educação Intergeracional do Programa de Pós-graduação em Educação. 
Instituição: Universidade Federal do Tocantins UFT 

E-mail: glaucethayane(Dhotmail.com 


Adriana da Costa Pereira Aguiar 

Mestranda em Educação PPGE — UFT 

Instituição: Universidade Federal do Tocantins UFT 
E-mail: adriana.cpa(Dhotmail.com 


Amanda Pereira Costa 

Mestranda em Educação PPGE — UFT 

Instituição: Universidade Federal do Tocantins UFT 
E-mail: amandapcosta(Dhotmail.com 


Silvanis dos Reis Borges Pereira 

Mestranda em Educação PPGE — UFT 

Instituição: Universidade Federal do Tocantins UFT 
E-mail: silvanis.rbOunitins.br 


Neila Barbosa Osório 

Doutora Docente do Programa de Pós-graduação em educação Mestrado em 
Educação, Disciplina: Tópicos de Educação Intergeracional. 

Instituição: Universidade Federal do Tocantins UFT 

E-mail: neilaosorioDuft.edu.br 


RESUMO: O propósito deste ensaio nasceu de sugestões da Professora Dr? Neila 
Osório, nas aulas da Disciplina Tópicos Educação Intergeracional do Programa de 
Mestrado em Educação ofertado pela Universidade Federal do Tocantins, a análise 
do conteúdo na pesquisa escolhida foi o método qualitativo baseada na visão 
interpretativa sob a perspectiva fenomenológica, em que o grupo elaborou 
instrumentos de coleta de dados aplicados a velhos da Universidade da Maturidade — 
Projeto de extensão da UFT — Palmas e que cada investigado pudesse explanar 
dentro de uma linearidade dados que remetessem à sua história de vida, partindo da 
infância, perpassando por momentos importantes de sua vida, perfazendo uma 
coletânea de mini biografias ao final da pesquisa. Foi um desafio gratificante, que nos 
permitiu mergulhar em diversos universos com a finalidade de produzir não somente 
um trabalho de final de disciplina, mas um acervo para diversos outros trabalhos. 


PALAVRAS-CHAVE: Velho. História de vida. Universidade da Maturidade. 


ABSTRACT: The purpose of this essay was born from the suggestions of Professor 
Dr. Neila Osório, in the topics of the Intergenerational Topics Education Discipline of 


357 


the Master Program in Education offered by the Federal University of Tocantins. 
phenomenological perspective, in which the group elaborated data collection 
instruments applied to old women from the University of Maturity - UFT Extension 
Project - Palmas and that each investigated could explain within a linearity data that 
refer to their life history, starting from childhood. , going through important moments of 
his life, making a collection of mini biographies at the end of the research. It was a 
rewarding challenge, which allowed us to plunge into various universes in order to 
produce not only a final course work, but a collection for several other works. 


KEYWORDS: Old. Life's history. University of Maturity. 


1. INTRODUÇÃO 

Este texto nasceu da ideia lançada pela Professora Drº Neila Osório, nas aulas 
da Disciplina Tópicos Educação Inter geracional do Programa de Mestrado em 
Educação ofertado pela Universidade Federal do Tocantins, a professora fez diversas 
provocações, logo no início das atividades, com questionamentos tais como: (Quantos 
planos vocês tem daqui pro final do ano? É preciso que tenham pelo menos 50 planos 
a cumprir por semestre. Já estão planejando sua festa de 100 anos? Isso mesmo festa 
de 100 anos.) 

Tais questionamentos levavam em consideração o aumento da expectativa de 
vida dos brasileiros e que com mais frequência tem-se participado de aniversários 
centenários, dado que indica que as pessoas tem a tendência de viver cada vez mais, 
porém, a Universidade da Maturidade traz a perspectiva de que essa vida seja 


qualitativa e não somente existencial. 


2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 

Para a pesquisa foi elaborado um instrumento que orientasse o entrevistado 
permitindo uma linearidade na escrita, assim o primeiro propósito foi criar um 
questionário para ser respondido, entende-se que este poderia não trazer à tona os 
sentimentos na escrita e reviver o passado, então o questionário foi transformado num 
pequeno texto dando indicações de sua infância, adolescência, vida adulta, daqueles 
que os cercam, falando sobre sua prole e a convivência com os mesmos e como se 
sentem hoje na condição de avós e de velhos. Em seguida todos os dados foram 


respeitosamente transcritos para software e estruturados os fatores que compõem 


* Perguntas feitas em sala pela Professora Dr? Neila Osório. 


358 


uma coletânea para ser transformada em livro. Como método, foi apontado a História 
Oral, o qual permite divulgar o testemunho vivo dos entrevistados, atendendo ao 
conselho de ética todos os entrevistados assinaram o termo de consentimento, 
esclarecimento e uso de imagens, visto que na apresentação foram inseridas também 
fotos individuais, para isso contou-se com a ajuda de um acadêmico da UMA, 
profissional na área de fotografia. 


3. DESENVOLVIMENTO 

As aulas da professora foram somadas às do Professor Dr Luiz Sinézio Neto, 
e isso permitiu conhecer autores que alinhassem a gerontologia com a educação, 
compreender a inevitável velhice como parte do desenvolvimento humano, que 
interpreta o lidar com as situações diversas partindo do respeito ao velho, como 
também o entendimento de que a biologia explica as dificuldades das relações 
interpessoais com os parentes mais jovens, do choque dessas gerações e seus 
valores e quais seriam as melhores singularidades no trabalho que pudessem 
envolver e respeitar as diferenças. 

Com as orientações da professora Dr? Neila Osório alguns pontos foram 
destacados a respeito do velho. Neste primeiro ponto a desmistificação da palavra 
“velho”, muitas vezes ao se referir a uma pessoa de mais idade é comum ouvir a 
referência de uma pessoa velha como sendo uma idosa ou pessoa que está vivendo 
na melhor idade e outros, de maneira que dizer que uma pessoa é velha passa a ser 
classificado como falta de respeito ou termo pejorativo. 

Que tipo de desconstrução seria essa? São anos tentando dar vez e voz ao 
velho, um estatuto foi criado para ele ser respeitado e buscamos melhorar a forma de 
tratar minimizando o estado da velhice chamando-o de idoso? Então vamos aos 
verbos: nascer, crescer e envelhecer, sim envelhecer não é algo ruim, pelo contrário 
trata-se de algo muito bom, é permissão do Criador acompanhar em vida os nossos 
próximos, é mais um grande privilégio. 

As pessoas envelhecem e não “idosam”, esse sim é um verbo que não existe, 
foi criado na França como termo para se referir a pessoa de mais idade, que é um ser 
humano que merece todo amor e respeito. Não é o objetivo afirmar que o termo idoso 
é algo a não ser usado de forma alguma, mas apenas desmistificar o termo velho, 


pois o envelhecimento começa no momento que alguém nasce. 


359 


E para interagir com os velhos da UMA foram preparados, dentro deste 
universo em que o mais importante é respeitar e amar, o que se vive dentro deste 
projeto de extensão, os pontos elencados como respeito ao velho, que é compreender 
que a maioria dos velhos são os nascidos na geração Baby Boomers, com valores e 
conceitos das novas gerações conhecidas como X, Y e Z, segundo MALAFAIA (2011): 


Os babys boomers nasceram entre os anos de 1946 a 1964 e as principais 
características deles são valores como sucesso, realização, ambição, 
rejeição ao autoritarismo e lealdade à carreirra. Já a geração X, por sua vez, 
é a que predomina no mercado na atualidade. Não se detém a padrões tão 
rígidos, apesar de certo conservadorismo em algumas questões...” 
MALAFAIA (2011), apud: Gaparin (et all.) 


Esses conceitos vão além de mercado de trabalho, são conceitos de vida, onde 
é possível retratar a visão de cada um deles e percebe-se a grande diferença nos 
modos de pensar e agir, a estratégia de pesquisa são descritas mais nos propósitos 
empresariais, velhos são pessoas com sentimento e depois de tudo que viveram 
merecem a compreensão de que eles possuem suas próprias vontades, gostos e 
credos. 

Não cabe a quem lhes acompanha definir o que eles irão fazer, para tanto 
existem as categorias dos velhos definidas em: dependentes, velhos independentes 
e semi-dependentes, de forma que nenhum deles deve mudar sua essência, é preciso 
saber dialogar. Então em meio à pesquisa e estudo da relação educação e 
gerontologia, foi obtida a oportunidade de interagir com os alunos da 10º turma da 
Universidade da Maturidade (UMA) programa de extensão da UFT, sendo estes todos 
independentes. 

Neste relato será mostrado como está sendo a proposta instigante de escrever 
um livro que retratasse os velhos chegando aos 100 anos, de forma simbólica, 
voltando ao fato que a expectativa de vida tem aumentado e corre-se o risco de chegar 
aos cem anos com lucidez e espera-se, gozar de uma boa saúde a ponto de festejar. 

O grupo planejou escrever a história de vida dos velhos da UMA, isso mesmo, 
o grande desafio foi lançado! Decidiu-se fazer uma coletânea de biografias, dando 
lhes a oportunidade de reviver fatos importantes, de maneira que para iniciar o 
planejamento foi fundamental as reuniões e pesquisas, estas foram se estendendo 
fora do contexto universitário, o tempo das aulas não eram suficientes, onde também 


passou a utilizar-se os meios tecnológicos de comunicação, assim com o grupo cada 


360 


vez mais unido, as ideias iam surgindo, amadurecendo e por fim, desenvolvendo os 
passos que serão apresentados mais adiante. 

O grupo decidiu elaborar um instrumento que servisse como roteiro para contar 
a história de vida deles, isso respondendo algumas questões em forma de texto, foi 
conquistada a oportunidade de conhecer a vida dos velhos da UMA, experiência 
gratificante e encantadora a cada relato, assim foi possível projetar as histórias em 
um livro o qual foi definido trabalhar em versão digital usando software livre, para livre 
acesso a todos os envolvidos e posteriormente uma versão poderia ser baixada no 
formato pdf. Com os objetivos traçados e seguindo as metas, cada passo resultou 
nesta obra a feita com muito orgulho e fica um convite para que se deleite nas histórias 
desses heróis de verdade, que dia a dia trilham seu caminho vencendo as batalhas 
da vida e agora com suas histórias eternizadas em páginas que ensinam algo a cada 
prosa ou verso. 


Nas páginas do livro há muitas curiosidades, coisas do tipo “vesperol de 
rabeca”, pessoas comuns descendentes de família real, nascidos no dia da coroação 
da Rainha Elizabeth Il, e principalmente a arte de sobreviver. Ler será viajar nas 
histórias maravilhosas, as quais se ligam de alguma forma as histórias de cada 
integrante do projeto, pois em algum momento assim viveram seus avós. 
Ensinamentos correspondentes a aprendizagens significativas, acumulando 
conhecimentos numa reorganização crítica de seus próprios conhecimentos, para 
MORIN (1999, pág. 65.): “...a educação [...] contribui para auto formação da pessoa 
[...] e ensina como se tornar cidadão, possibilitando dessa forma, o desenvolvimento 
de indivíduos atuantes de uma sociedade.” 

A escola não pode anular a educação informal que é a real na vida do educando 
UMA, a educação promove um resgate de valores e conceitos com o amor e o respeito 
que o velho merece receber, segundo COELHO (2012): “ao negar à maioria da 
população o direito à apreensão do significado, a criação e fruição da cultura e do 
saber socialmente produzido, a sociedade de classes circunscreve a relação dos 
dominados com a cultura e à afirmação das formas concretas de existência e ação da 
classe dominante, ideologicamente interiorizadas como se expressam a visão de 
todos, o bem comum, o que é certo e sensato [...].” 

A gerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento humano, é a 
oportunidade de acompanhar os profissionais que trabalham com projetos e planejam 
as ações, a fim de atuarem para o bem-estar do velho. 


361 


Pode-se encontrar tudo isso dentro do projeto de extensão da UFT com a UMA 
(Universidade da Maturidade) que tem em seu lema: “É Preciso Saber Viver”, dar voz 
e vez aqueles que a maioria da sociedade não sabe nem o que fazer com eles, são 
menosprezados e deixados de lado, a maioria não sabe o quanto eles são sábios e 
podem contribuir muito, para o melhor desenvolvimento de uma sociedade. Em muitos 
aspectos eles são sujeitos invisíveis, mas estão em toda parte, em muitos lares são a 
principal fonte de renda, ajudam na criação dos netos entre outros personagens reais, 


que contribuíram e ainda contribui muito para o crescimento social. 


4. CONCLUSÕES 

Na maioria das histórias, foi observado que cada velho retratou sua essência, 
seguindo os indicadores do questionário fizeram uma volta ao passado e responderam 
de maneira sincera e emocional, com muita sabedoria. Eles também são cidadãos da 
sociedade e dar voz a eles permitiu a cada um deles voltar a acreditar em si e assumir 
as alterações inerente ao processo de envelhecimento, superando as perdas e 
criando outras possibilidades. A relação deles com a UMA é a oportunidade de 
continuarem aprendendo e vivendo novas experiências, o que torna maior a exigência 
do planejamento das atividades, para que lhes seja ofertado algo com o valor que eles 
merecem. Compreende-se que a velhice favorece rememorar momentos especiais de 
suas vidas, que agora estarão eternizadas em um livro, essa é a oferta do grupo aos 


admiráveis velhos. 


REFERÊNCIAS 


COELHO, |. A (et all). Escritos sobre o sentido da escola. São Paulo: Mercado de Letras, 
2012. 


GASPARIN, André Wilham et all, Paraná Cooperativo/Sindicato das Cooperativas do Estado 
do Paraná. v.1, n.2 (2004) - Curitiba, Ocepar, 2004 - Alternativas para retenção de mão de 
obra comprometida na Cooperativa Lar. Mensal. Irregular: Paraná Cooperativo Técnico e 
Científico: edição especial 1, a partir de v.6, n.62, 2010. (Registro ISSN nº2237-0390). 
Disponível em: 
https://yww.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&uact=8& 
ved=0ahUKEwi 7qLJ87 UANWFPROQKHbz9C7MQFggnMAE &url=http%3A%2F%2Fwww .is 
aebrasil.com.br%2Fisaecoop%2Fwp- 

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co.pdf&usg=AFQICNFNkW36hQF 8zs76jizTkAJ7KE4XhQ 


MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand 
Brasil, 2008. 


362 


CAPÍTULO 24 


MODELO DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO DE UMA 
INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR. 


Andrey Sartori 

Mestre em Engenharia de Produção pela UFRGS 
Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303, Porto, Cuiabá/MT 
E-mail: andrey.sartori(Osenaimt.edu.br 


Anderson Nunes de Carvalho Vieira 

Mestre em Agronegócios e Desenvolvimento Regional pela UFMT 
Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303, Porto, Cuiabá/MT 

E-mail: anderson.vieira(Dsenaim.ind.br 


Rubens de Oliveira 

Mestrando em Engenharia de Produção pela UFRGS 
Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303, Porto, Cuiabá/MT 
E-mail: rubens.oliveira(Dsesisenaimt.ind.br 


Rosicley Nicola de Siqueira 

Mestre em Economia pela UFMT 

Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303. Bairro: Porto, Cuiabá- MT 
E-mail: rosicley.siqueira(Dsenaimt.edu.br 


Fabrício Moraes 

Mestre em Economia pela UFMT 

Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303, Porto, Cuiabá/MT 
E-mail: fabricio.moraes (O senaimt.edu.br 


Moisés Phillip Botelho 

Mestre em Engenharia de Produção pela UFRGS 
Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303, Porto, Cuiabá/MT 
E-mail: moises.botelho(Osenaimt.edu.br 


Bárbara Yadira Mellado Perez 

Doutora em Pedagogia (Gestão de Processos de Educação Superior) pela 
Universidade de Havana - Cuba 

Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303, Porto, Cuiabá/MT 

E-mail: barbara.perez(Osenaimt.ind.br 


363 


Dayane Sandri Stellato 

Mestre em Ciências e Tecnologia de Alimentos pelo IFMT 
Instituição: FATEC SENAI MT 

Endereço: Av. XV de Novembro, 303, Porto, Cuiabá/MT 
E-mail: dayanesandri(Ogmail.com 


RESUMO: A Gestão da Informação e do Conhecimento é usada para facilitar o seu 
uso de forma intrínseca em cada indivíduo, a fim de gerar conhecimentos 
organizacionais. A informação e o conhecimento tornaram-se fatores importantes no 
ambiente de negócio em que as empresas estão inseridas, sendo considerados os 
principais componentes para manter a competitividade e a sobrevivência 
organizacional. No cenário atual as organizações vivenciam um momento de grande 
competitividade e precisam buscar diferenciação no mercado a fim de manter sua 
sobrevivência. O objetivo desse artigo é realizar um estudo de caso aplicando uma 
pesquisa a fim de identificar e realizar uma análise do processo de Gestão da 
Informação e do Conhecimento de uma Instituição de Ensino Superior (FATEC SENAI 
MT), localizada no município de Cuiabá no Estado de Mato Grosso. A pesquisa 
demonstrou que a IES possui ferramentas importantes para consolidação da Gestão 
da Informação e Conhecimento, requisitos fundamentais para boa formação 
profissional de estudantes e professores. 


PALAVRAS CHAVES: Gestão da Informação e do Conhecimento; Conhecimentos 
Organizacionais; Instituição de Ensino Superior. 


ABSTRACT: Information and Knowledge Management is used to facilitate its intrinsic 
use in each individual in order to generate organizational knowledge. Information and 
knowledge have become important factors in the business environment in which 
companies are inserted, being considered the main components to maintain 
competitiveness and organizational survival. In the current scenary, organizations 
experience a moment of great competitiveness and need to seek differentiation in this 
market in order to maintain their survival. The objective of this paper is to conduct a 
case study applying a research in order to identify and perform an analysis of the 
Information and Knowledge Management process of a Higher Education Institution 
(FATEC SENAI MT), located in the municipality of Cuiabá in the State of Mato Grosso. 
The research showed that HEI has important tools for consolidating the Information 
and Knowledge Management, fundamental requirements for the good professional 
formation of students and teachers. 


KEYWORDS: Information and Knowledge Management; Organizational Knowledge; 
Higher Education Institution. 


364 


1. INTRODUÇÃO 

Para sobreviver na sociedade do conhecimento às empresas devem aprender 
a administrar seus ativos intelectuais. O conhecimento é um recurso intangível que 
aumenta com o uso. Os ativos intangíveis, no contexto citado, ganharam mais espaço 
nas empresas superando até os ativos tangíveis. 

De acordo com a revista Harvard Business Review (2000), numa economia 
onde a única certeza é a incerteza, apenas o conhecimento é fonte segura de 
vantagem competitiva. Quando os mercados mudam, as tecnologias proliferam, os 
concorrentes se multiplicam e os produtos se tornam obsoletos, as empresas de 
sucesso são aquelas que, de forma consistente criam conhecimentos, disseminando- 
os em toda a organização e os incorporam em novas tecnologias e produtos. Essas 
atividades caracterizam a empresa “criadora de conhecimento”, cujo negócio 
exclusivo é a inovação contínua. Através de algumas informações dos livros de 
Takeuchi e Nonaka, (2008) e Brynjolfsson e Macfee (2015) percebe-se que a história 
da humanidade no que diz respeito ao desenvolvimento social humano está 
relacionada com a gestão do conhecimento e da informação empresarial. 

Segundo Ferry (2009) em seu livro da Inovação Destruidora verificam-se dois 
modelos de crescimento: o estímulo ao consumo e a destruição criadora, um 
crescimento chamado de “Keynesiano” e outro de “Shumpeteriano”. O primeiro 
procede do aumento de número de consumidores e, se possível, do tamanho de suas 
carteiras. O segundo afirma que o verdadeiro motor do crescimento é a inovação, que 
torna aos poucos, obsoletos todos os restos do passado, sejam produtos, modos de 
vida ou organizações com técnicas ultrapassadas. Afirma-se que a gestão do 
conhecimento está agora no centro do que a gestão tem que fazer no ambiente de 
mudanças rápidas atuais, pois as mesmas estão ocorrendo no ambiente externo em 
múltiplas dimensões e em ritmo acelerado. 

As organizações vivenciam um momento de grande competitividade e precisam 
buscar diferenciação nesse mercado a fim de manter sua sobrevivência. Cada vez 
mais se percebe a importância que a informação e o conhecimento trazem às 
organizações. Diante da importância do assunto apresentado e dos meios existentes 
nos dias atuais e com crescimento exponencial da disponibilidade das informações, 
se faz necessário analisar e avaliar os meios de utilização da Gestão da Informação 
e do Conhecimento nas organizações. Sendo assim, o objetivo desse artigo é realizar 
um estudo de caso, identificar e analisar o processo de Gestão da Informação e do 


365 


Conhecimento de uma Instituição de Ensino Superior (FATEC SENAI MT), localizada 
no município de Cuiabá no Estado de Mato Grosso. 


2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 GESTÃO DO CONHECIMENTO 

O conhecimento constitui o eixo estruturante do desempenho da sociedade, de 
regiões e das organizações. As expressões sociedade do conhecimento, redes de 
conhecimento, economia baseada no conhecimento estão cada vez mais inseridas no 
ambiente empresarial (LARA, 2004). 

Para sobreviver na sociedade do conhecimento, as empresas devem aprender 
a administrar seus ativos intelectuais. O conhecimento é um recurso intangível que 
aumenta com o uso. Os ativos intangíveis, no contexto citado, ganharam mais espaço 
nas empresas superando até os ativos tangíveis. Para Satdlober (2016), um dos 
grandes fatores de diferenciação das empresas na era atual é o seu capital intelectual. 
Para gerar capital intelectual, uma gestão do conhecimento eficaz e sistemática é 
necessária. 

Dessa forma para Statdlober (2016), a gestão do conhecimento deve estar 
alinhada ao planejamento estratégico das empresas, de forma mais precisa á 
estratégia competitiva adotada por elas. O cenário competitivo em que as empresas 
estão inseridas de profundas mudanças tem exigido rápidas e contínuas adaptações 
e uma necessidade constante de diferenciação. Estas constantes transformações têm 
levado as organizações a mudarem suas estruturas, processos e estratégias. 

2.2 GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO EM ORGANIZAÇÕES 

A informação e o conhecimento são considerados recursos organizacionais 
geradores de vantagem competitiva. De acordo com Tarapanoff et al (2006) o foco da 
gestão da informação é voltado para o gerenciamento do conhecimento “explícito”, 
enquanto a gestão do conhecimento preocupa-se com o gerenciamento do 
conhecimento “tácito”, objetivando o desenvolvimento da capacidade das pessoas em 
“explicita” e compartilhar o seu conhecimento. Assim, a Gestão da Informação fica 
caracterizada por ser o motor do fluxo de informação que a empresa necessita para 
as suas atividades. Ou seja, ela determina qual informação à empresa necessita e 
como deve ser apresentada e disseminada, e para quem essa informação deve ser 
repassada (BERBE, 2005). 


366 


A Gestão do Conhecimento, por sua vez, incentiva o uso da informação, a 
transferência de conhecimento em forma de informação e a identificação de nichos de 
conhecimento presentes na organização (BERBE, 2005). Seguindo o mesmo autor, o 
Quadro 01 apresenta de forma resumida as características que distinguem os dois 


conceitos: 


Quadro 01 - Gestão da informação e Gestão do Conhecimento. 





Gestão da informação Gestão do conhecimento 





Orientada para a identificação de fontes dg Orientada para o uso qualitativo da 
informação e sua disseminação. informação e compartilhamento do 
conhecimento. 


É desenvolvido através de tecnologias de É desenvolvido através do relacionamento 








informação e comunicação. entres indivíduos e a interação com a 
informação disponível. 

Objetiva estabelecer um fluxo ideal Objetiva a atividade intelectual, a inovação 

das informações necessárias e seu e o desenvolvimento do capital intelectual 

uso eficaz. da organização. 














Fonte: Berbe (2005) 


Como se pode observar, a informação e o conhecimento são elementos 
inseparáveis no caminho do sucesso organizacional. A gestão eficiente do 
conhecimento passa pela consolidação do processo da gestão da informação. 

2.3 DIFERENÇA ENTRE DADO, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO 

Dado é o registro de um evento. Em uma “hierarquia do conhecimento”, 
comparada à informação e ao conhecimento, dado é o menor e o mais simples 
elemento do sistema. O dado é o elemento mais fácil de ser manipulado e 
transportado (CARVALHO, 2012). 

Para Davenport e Prusak (1998), dado é ainda um conjunto de fatos distintos e 
objetivos, relativos a eventos. Num contexto organizacional, dados são descritos como 
registros estruturados de transações. 

Informação é o conjunto de dados dentro de um contexto (CARVALHO, 2012). 
Para Boff (2000), a informação é composta por dados organizados, dispostos numa 
estrutura específica. Pode-se considerar informação como dados que possuem algum 
significado. Como bem ressalta Boff (2000), a função da informação é reduzir a 
incerteza e a ambiguidade, permitindo ao usuário maior clareza de uma situação. 

Para Davenport & Prusak (1998), o conhecimento é uma mistura fluída de 


experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a 


367 


qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas 
experiências e informações. O conhecimento existe dentro das pessoas, faz parte da 
complexidade e imprevisibilidades humanas. 

Assim, o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo, que cresce e 
se modifica à medida que interage com o meio-ambiente (DAVENPORT e PRUSAK, 
1998). No Quadro 02 se resume as características que distinguem as três palavras: 


Quadro 02 - Dados, Informação e Conhecimento. 








Dados Informação Conhecimento 
Simples observações sobre Dados dotados de Informação valiosa da 
o estado; relevância e propósito; mente humana. Inclui 


reflexão, síntese, contexto; 





Fácil estruturação; 


Requer unidade de análise; 


De difícil estruturação; 





Obtido por máquinas; 


Exige consenso em relação 
ao significado; 


De difícil captura em 
máquinas; 





Com frequência quantificada; 


Com frequência tácita; 





Fácil transferência. 








Exige a mediação humana. 





De difícil transferência. 








Fonte: Davenport e Prusak (1998) 


2.4 TIPOS DE CONHECIMENTO 

De acordo com Nonaka e Takeuchi (1997), conhecimento é formado por uma 
estrutura ambígua, ou paradoxal, na qual se podem identificar dois componentes 
opostos: o conhecimento tácito e o conhecimento explícito. O conhecimento explícito 
pode ser expresso em palavras, números ou sons, e compartilhado na forma de 
dados, fórmulas cientificas, recursos visuais, fitas de áudio, especificações de 
produtos ou manuais. 

Portanto, pode ser transmitido aos indivíduos, formal e sistemática (NONAKA 
e TAKEUCHI, 1997). Para Carvalho (2012), conhecimento explícito, como o próprio 
nome sugere, é o que se identifica como visível ou tangível. Por isso, apresenta uma 
estrutura formal e sistêmica o que facilita sua transmissão de um indivíduo para o 
outro e confere a ele um caráter mais impessoal, mensurável, racional e teórico 
(CARVALHO, 2012). 

Já, o conhecimento tácito é pessoal e, portanto, difícil de formalizar, tornando- 
se de difícil comunicação e compartilhamento. O conhecimento tácito está enraizado 
nas ações e na experiência corporal do indivíduo, assim como nos ideais que ele 
incorpora (NONAKA e TAKEUCHI, 1997). Segundo a afirmação de Carvalho (2012), 


368 


o conhecimento tácito “não é um conhecimento palpável, e nem explicável. O Quadro 
03 apresenta de forma clara e objetiva as características destes dois componentes do 


conhecimento. 


Quadro 03 - Dois componentes do conhecimento. 





Conhecimento explícito Conhecimento tácito 





Objetivo Subjetivo 





Conhecimento da racionalidade (mente) | Conhecimento da experiência (corpo) 











Conhecimento sequencial (lá e então) Conhecimento simultâneo (aqui e agora) 
Conhecimento digital (teoria) Conhecimento análogo (prática) 

A receita de bolo Andar de bicicleta 

Partitura de música Improvisos de jazz 














Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997) e Carvalho (2012) 


Com base nas definições apresentadas acima, pode-se concluir que o 
conhecimento tácito é baseado na experiência, em pensamentos e sentimentos 
dentro de um contexto específico. É mais difícil de ser formulado e comunicado; 
corresponde às habilidades inerentes a cada pessoa; 

Por outro lado, o conhecimento explícito é articulável, codificado e comunicável, 
transferido com facilidade. Trata-se de um conhecimento transmissível em linguagem 
formal e sistemática, formalizado em textos, gráficos, tabelas, figuras, desenhos, 
esquemas, diagramas etc., organizado em bases de dados e em publicações em 
geral, tanto em papel quanto em formato eletrônico. 

2.4 TRANSFERÊNCIA DO CONHECIMENTO 

Para Davenport e Prusak (1998), se o conhecimento não for absorvido, ele não 
terá sido transferido. A mera disponibilização do conhecimento não é transferência. 
Mesmo a transmissão e a absorção, juntas, não têm valor útil se o novo conhecimento 
não levar a algumas mudanças de comportamento ou do desenvolvimento de alguma 
ideia nova que leve a um novo comportamento. 

Para Salmazo (2004), a transferência do conhecimento consiste em 
transformar o conhecimento tácito em explícito, de modo a transformar os 
conhecimentos individuais em coletivos, para se chegar ao conhecimento 


organizacional. 


369 


Na era do conhecimento, a informação e o conhecimento são importantes 
porque eles podem agregar valor aos produtos, serviços e processos. A transferência 
de conhecimento está relacionada à gestão do conhecimento que é visto como “um 
processo sistemático, articulado e intencional, apoiado na criação, codificação, 
disseminação e apropriação de conhecimentos, com o propósito de atingir a 
excelência organizacional” (SERRANO e FIALHO). Ainda conforme Davenport & 
Prusak (1998). 

Para Nonaka e Takeuchi (1997), o espiral do conhecimento possui quatro 
dimensões de conversão do conhecimento, caracterizados como SECI (Socialização 
- Externalização - Combinação - Internalização): 

Sociabilização (de tácito para tácito): é processo de compartilhamento de 
experiências que resulta na criação do conhecimento tácito, como modelos mentais 
ou habilidades técnicas compartilhados. 

Externalização (de tácito para explicito): Traduzido para explicito através do uso 
de palavras e/ou imagens, diálogo, reflexão, coletiva, metáforas, analogias e 
hipóteses, além da dedução, indução e “abdução”. 

Combinação (de explicito para explicito): O conhecimento é fundamentado na 
análise de troca de experiências codificadas em documentos, mídias, memorandos, 
redes de comunicação, conversas e diálogos registrados, banco de dados, entre 
outros. É um processo de estruturação de conceitos em um sistema de conhecimento. 
Envolve a combinação de um conjunto de diferentes formas de conhecimento. 

Internalização (de explícito para tácito): É o processo de incorporação de 
conhecimento dos indivíduos sob forma de modelos mentais ou know-how técnico 
tornam-se ativos valiosos. 

As ações voltadas para uma boa gestão do conhecimento se caracterizam por 
apresentar como objetivo principal capacitar as organizações para atingir seus 
resultados, por meio de ações que visem criar em compartilhar conhecimento entre 
os indivíduos e grupos e que requer o estabelecimento de um ambiente favorável para 
ocorrer. Faz-se necessário integrar a gestão do conhecimento aos processos 
organizacionais, através dos usos das tecnologias educacionais a fim de criar, 
compartilhar e utilizar o conhecimento para benefício da organização. 

O compartilhamento do conhecimento promove a aprendizagem contínua e a 
inovação. Depende da confiança entre as pessoas. Para que alguém queira 
compartilhar algo com outras pessoas é fundamental que perceba que haverá um 


370 


benefício mútuo. Dessa forma as organizações devem promover a cultura de 
compartilhamento para ampliar o conhecimento da organização (ALARCON e 
SPANHOL, 2015). 

2.5 GESTÃO DA INFORMAÇÃO 

O crescente desenvolvimento das tecnologias virtuais de comunicação fez com 
que as distâncias encurtassem e acesso as informações fossem quase em tempo real. 
Assim, a gestão da informação passa a ser entendida como recurso organizacional 
valioso e estratégico para a sobrevivência no mercado. Como afirma Davenport e 
Prusak (1998) à gestão da informação pode ser vista como um conjunto estruturado 
de atividades que incluem o modo como a organização obtém, distribui e usa a 
informação. Dessa forma esse processo necessita de suporte e deve ser aperfeiçoado 
e monitorado com frequência. 

A gestão da informação e do conhecimento facilita o uso da informação 
empresarial para tomada de decisões, gerando conhecimentos organizacionais. 
Dessa forma passa a ser um elemento indispensável às empresas que almejam um 
diferencial competitivo. Tem o objetivo de garantir que a informação seja gerenciada 
como um recurso indispensável e valioso e que esteja alinhada com a missão e os 
objetivos do serviço de informação. Seu principal objetivo é, portanto, “identificar e 
potencializar os recursos informacionais de uma organização e sua capacidade de 
informação ensiná-la a aprender e adaptar-se às mudanças ambientais” 
(TARAPANOFF, 2001). 

A gestão da informação é responsável por gerir tanto os recursos internos e 
externos a organização (SILVA e TOMAÉL, 2007). A GI refere-se ao conhecimento 
que pode ser coletado, processado e administrado, por isso foi incorporada às amplas 
questões que a gestão do conhecimento compreende. Nesta perspectiva a 
informação é um importante ativo para o compartilhamento do conhecimento nas 
organizações (SILVA e TOMAÉL, 2007). 

No atual ambiente de negócios é evidente que seria difícil funcionar sem uma 
quantidade significativa de informação como elemento que impulsiona os fenômenos 
sociais e que é por eles impulsionada. Pessoas e organizações — públicas ou privadas 
— dependem da informação em seus processos decisórios (SILVA e TOMAÉL, 2007). 
Portanto, para que a informação seja usada de forma estratégica, é fundamental que 


a mesma seja gerida em favor da sobrevivência e competitividade organizacional. 


371 


3. METODOLOGIA 

A presente pesquisa quanto a sua natureza, é considerado um estudo de caso, 
de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa quase impossível 
mediante os outros tipos de delineamentos considerados. De acordo com Yin (2005), 
o estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do 
seu contexto de realidade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não 
são claras e definidas e no qual são utilizadas várias fontes de evidências. (GIL, 2010) 

Em relação aos objetivos, esta pesquisa é considerada exploratório-descritiva. 
De acordo com Gil (2010) considera que a pesquisa exploratória tem como objetivo 
principal desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a 
formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos 
posteriores. Este tipo de pesquisa envolve o levantamento bibliográfico. 

Quanto à abordagem do problema, a pesquisa se caracteriza como qualitativa. 
De acordo com Oliveira (2002) e para Vieira (2007), a pesquisa qualitativa oferece 
descrições fundamentadas e explicações referentes a processos em contextos 
organizacionais. Os dados foram obtidos através de um questionário estruturado 
disponibilizado para os funcionários responderem utilizando-se de conhecimentos 
explícitos e tácitos foi possível identificar através de uma escala Likert (de 1 menor 
grau até 5 maior grau) quais práticas apresentam sucesso e quais ainda demandam 
atenção no processo de gestão. 

A equipe analisou o grau de maturidade e de implementação das práticas de 
Gestão da Informação e de Conhecimento na IES através da aplicação de um 
questionário aos funcionários da IES, com objetivo de avaliar as práticas de Gestão 


do Conhecimento em uma instituição (Quadro 04). 


372 


Quadro 04 - Avaliação de práticas da GC na organização. 





Grau de utilização 


Avaliação de práticas da GC na organização (escala Likert) 





Ferramentas de TI MZ 40 5 





* Sistemas de armazenamento e compartilhamento de X 
arquivos/dados/informações 





** Ferramentas de comunicação em tempo real (video-call, chats, 
conferência etc.) 





* Intranets/extranet/portais X 





** Lotus-notes / trabalhos em redes X 





** Groupware e outras ferramentas de edição em grupo e acesso 
geral 





** Motores de busca (search-engines) X 





* Computer/Engineering-Aided Design — CAD/CAE 





* Data mining / Data Warehouse 





* Fluxo de Trabalho (Workflow) X 





* Sistemas de repositórios de conhecimentos X 





* Sistemas Baseados em Conhecimentos (Knowledge Based 
Systems — KBS) 





* Protótipos virtuais (virtual prototyping) X 





* Ferramentas de consultas (query tools) X 





* Treinamentos computacionais (Computer based training — CBT) X 





* Ferramentas de divulgação eletrônica (electronic publishing, 
e-mails etc.) 





* Ferramentas de captura e gerenciamento de biografias e currículos X 
de especialistas 





* Sistemas de Raciocínio Baseado em Casos (Case Based 
Reasoning — CBR) 





Práticas Sociais 1 |I2 13 |4 |5 





** Reuniões informais/palestras/interação face-a-face/comunidades X 
de prática 





** Narrativas (histórias) X 





** Rotatividade de trabalho 





** Comunicação formal/Reuniões formais entre times de projeto X 





** Utilização de metáforas ou analogias para desenvolvimento de X 
produtos 





** Sessões de brainstorming entre equipes X 


























373 





* Treinamento para novas atividades 





** Interação estruturada/planejada entre pessoal das equipes 





** Grupos de especialistas interdepartamentais X 





** Agente intermediário (projectbroker) X 





* Revisão de resultados dos projetos e revisão pós-projeto X 
(fechamento dos projetos) 





* Revisão de gates/milestones X 





Atividades de Registro Nossas 





* Registro do histórico dos projetos X 





* Registro de lições aprendidas X 





* Registro de sucessos, problemas e experiências vividas X 
nos projetos 





* Registro de soluções alternativas utilizadas X 





* Documentação de melhores práticas X 





* Minutas de reuniões 





* Utilização de esboços e estruturas de projetos passados X 




















* Circulação de relatórios escritos 








* Conhecimento Explícito ** Conhecimento Tácito 











Fonte: Autores, 2019. 


4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A Faculdade de Tecnologia SENAI Mato Grosso- FATEC MT é uma Instituição 
de Ensino Superior (IES) credenciada por meio da Portaria nº 1.249, de 16 de 
setembro de 2011, publicada no Diário Oficial da União de 19 de setembro de 2011, 
encontra-se instalada nas dependências da Unidade SENAI Cuiabá, localizada na 
Avenida XV de Novembro, nº 303, Bairro Porto, no município de Cuiabá, estado de 
Mato Grosso, sendo unidade sede da faculdade. A FATEC foi implantada de acordo 
com a Resolução SENAI/MT Número 199/06, de 21 de dezembro de 2006. 

A FATEC MT oferece Graduação Tecnológica com cursos voltados à educação 
profissional superior de acordo com o sistema educativo brasileiro, que desenvolve 
competências profissionais mais específicas, conforme as demandas do mercado de 
trabalho. O Tecnólogo possui o mesmo reconhecimento dos tradicionais 
bacharelados, tanto para o exercício profissional, quanto para o aperfeiçoamento. O 
Profissional Tecnólogo, segundo o Ministério da Educação - MEC, deve estar apto a 


desenvolver, de forma plena e inovadora, atividades em uma determinada área 


374 


profissional, e deve ter formação específica para: Aplicação, desenvolvimento, 
pesquisa aplicada, inovação tecnológica e a difusão de tecnologias; Gestão de 
processos de produção de bens e serviços; Desenvolvimento da capacidade 
empreendedora. 

Sendo assim, a FATEC MT oferece oportunidade para o estudante, em pouco 
tempo, possuir uma profissão de nível superior. A FATEC MT procura aproximar a 
Gestão do Conhecimento e das Informações ao setor produtivo industrial, além disso, 
atualiza-se de forma frequente em função das demandas do mercado. Um dos 
objetivos estratégicos da instituição é ampliar a atuação em educação profissional, 
com qualidade, através da utilização da metodologia SENAI de Educação Profissional. 
Para isso, foi identificada a necessidade de conhecer e, a partir desse conhecimento, 
melhorar três pilares: - Estruturas físicas (laboratórios e oficinas); - Recursos didáticos 
(materiais didáticos e materiais de consumo); - Docentes (quem são os docentes, 
quais as áreas eles atuam, que experiência eles possuem, que conhecimentos 
dominam e quais necessitam desenvolver). 

Para o estudo de caso em questão, serão abordados os itens “docentes”, 

descrevendo como a organização está trabalhando a gestão da informação e do 
conhecimento. As informações sobre os docentes estavam disponíveis de forma 
fragmentada, não organizada e não padronizada. As Unidades de Negócio, como são 
chamadas cada uma das filiais do Estado, de forma individual e não integrada, 
possuíam as informações que acreditavam ser importantes para contratação, 
capacitação e avaliação de seu corpo docente. 
No esforço em melhorar a qualificação e o conhecimento sobre esse importante 
profissional, a instituição decidiu, no ano de 2014, sistematizar essas informações, de 
maneira a realizar um grande diagnóstico dos docentes existentes na instituição 
(efetivos, horistas ou prestadores de serviços educacionais de forma eventual) para 
identificar o perfil, área de formação e atuação, experiências, habilidades e 
competências, quais unidades curriculares ministram qual seu desempenho nessas 
unidades e quais as necessidades de capacitação individual e quais as áreas a 
instituição possuía “gaps” de docentes qualificados para atuar. 

A premissa é que as informações estivessem disponíveis em tempo real, desde 
o nível operacional até o estratégico, permitindo melhorar as atividades rotineiras e 
gerar conhecimento para o desenvolvimento de ações estratégicas e com isso 


identificar o perfil pessoal e profissional dos docentes do SENAI MT. Para essa 


375 


identificação, a organização definiu como dados a serem coletados e organizados: 
Informações pessoais; Formação acadêmica; Cursos complementares; Itinerário 
formativo docente SENAI MT: Experiência profissional; Área de atuação na docência; 
Unidades curriculares que ministra; Desempenho nas unidades curriculares que 
ministra (satisfação dos alunos, índice de concluintes). 

Na fase de planejamento do projeto, identificou-se a possibilidade de incluir no 

escopo das informações, a gestão de contratos (aspectos financeiros e pagamento 
dos docentes prestadores de serviço eventuais) e um fluxo de aprovação de 
contratação e autorizações de pagamento. Para a captação e gestão dos dados 
coletados, a instituição criou um sistema, denominado Sapiens, que é alimentado 
pelos próprios usuários: docentes e coordenadores de educação. 
Para realizar esse mapeamento, a instituição identificou as áreas de atuação, local de 
atuação (município), formação profissional e acadêmica, através do preenchimento, 
por parte dos docentes, de um sistema informatizado. Os docentes e coordenadores 
pedagógicos, após realizar seu cadastro, inserindo os dados pessoais, devem 
preencher as demais informações necessárias ao mapeamento das competências. 
Após o preenchimento, o docente realiza uma entrevista com a coordenação 
acadêmica, para validação das informações e para a inserção, por parte da 
coordenação, de uma avaliação, a partir de uma aula teste. 

Após o cadastramento de todos os docentes, a instituição conseguiu obter um 
perfil pessoal, profissional, acadêmico e educacional de seu corpo docente, 
identificando os gaps do conhecimento: áreas ou unidades curriculares, onde não 
existiam profissionais com a competência necessária para atuação. O sistema é 
dinâmico, logo o perfil do quadro docente se modifica, de acordo com as contratações 
e dispensas realizadas pela instituição. A partir das informações coletas, possibilitou 
a instituição optar por duas soluções para a minimização dos gaps identificados: - 
Capacitar o corpo docente nas áreas em que não havia conhecimento na instituição 
(geração do conhecimento), através do Programa de Desenvolvimento de 
Competência; - Efetuar a contratação de novos docentes, com o perfil identificado nos 
gaps de conhecimento (aquisição de conhecimento). 

O sistema, após sua implantação, gerou os benefícios esperados: foi possível 
identificar o perfil dos docentes, promover ações de capacitação e/ou as contratações 
necessárias. Mas, os usuários percebem pouca agregação de valor às suas atividades 


operacionais, às vezes, acreditando que o sistema é algo que, ocupa tempo, 


376 


dedicação e traz poucos resultados. Com isso, acabam por subutilizar os recursos 
existentes, não atualizando as informações ou inserindo informações incompletas aos 
cadastros dos docentes. 

O projeto, em sua implantação, teve dificuldades em disseminar as 
informações, sensibilizar os usuários e realizar entregas de valor, que possibilitem a 
interação entre os usuários e o sistema de forma que a área operacional perceba 
tantos benefícios quanto à área estratégica. O sistema entrega poucos relatórios aos 
usuários operacionais, que acabam não compreendendo e não utilizando de maneira 
mais efetiva. Uma nova fase do projeto está tratando de melhorar essa comunicação, 
para que os usuários percebam mais valor e a gestão do conhecimento possa evoluir 
dentro da instituição. A análise também buscou identificar as ferramentas tecnológicas 
existentes que contribuem para gestão do conhecimento da IES. São elas: 

Mundo SENAI docente (http:/mundosenaidocente.senai.br): É uma 
plataforma digital concebida para apoiar os docentes do SENAI no planejamento e 
desenvolvimento de suas aulas, de maneira contextualizada com os Desenhos 
Curriculares Nacionais e alinhada aos pressupostos da Metodologia SENAI de 
Educação Profissional. No Mundo SENAI Docente estão disponíveis diversos 
recursos didáticos, tais como animações, simuladores, textos, vídeos, entre vários 
outros, além de desafios, contextualizados em Situações de Aprendizagem, às quais 
o docente pode aplicar aos alunos. 

SAPIENS -— Sistema de Gestão dos Docentes (http://sapiens.senaimt.com.br/): 
Sistema que realiza gestão de contratos de professores, demonstra as atividades 
planejadas e executadas (produtividade do professor) alinhadas aos custos 
operacionais, com emissão de ordem de pagamento, como também assimila banco 
de perfis profissionais (Dados gerais, atuação profissional, currículo lattes, upgrade 
de documentos pessoais, dados bancários e do Micro Empreendedor Individual — MEI, 
e formas de encontrar profissional), facilitando o encontro de profissionais pelas 
unidades SENAI MT. 

SGE — Sistema de Gestão Escolar: Sistema de Gestão Escolar integrado, 
implantado pelo Departamento Nacional do SENAI que permite integração entre todos 
os departamentos Regionais, promovendo a convergência de sistemas integrados de 
gestão da informação entre os departamentos, ou seja, a informação fica centralizada 
em uma única ferramenta. O SGE — Sistema de Gestão Escolar permite a execução 


processos educacionais padronizados, desde a publicação de edital, processo 


377 


seletivo, matrícula, registros e controles educacionais, certificação, avaliação e 
acompanhamento de egressos, integrados aos portais do aluno e do docente e ao 
sistema financeiro, gestão de contratos e biblioteca. 

PLAN -— Sistema de Planejamento e Gestão Orçamentária: Sistema 
desenvolvido para automatizar o processo de planejamento e acompanhamento da 
execução orçamentária, integrado ao ERP Protheus e com o SGE -— Sistema de 
Gestão Escolar, com banco de dados que permite a extração de informações para a 
tomada de decisões operacionais, táticas e estratégicas e armazena o histórico de 
desempenho, resultados, agrupado em nível de empresa, por unidades de negócio, 
por área de atuação, modalidade e item contábil, bem como os resultados físicos de 
matrícula produção aluno/hora, produção homem hora, custos aluno/hora e 
homem/hora, entre outas informações que subsidiam o relatório gerencial mensal. 
Outro fator importante é a identificação de práticas gerenciais e sociais que 
contribuem para gestão do conhecimento da IES. Foram identificadas e analisadas 
essas práticas, bem como o que dificulta a difusão efetiva da gestão do conhecimento 
pela IES. 

4.1 FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS E AÇÕES SOCIAIS 

A FATEC SENAI MT realiza encontros pedagógicos mensais com seus 
docentes para troca de experiências acadêmicas, onde cada professor socializa entre 
seus pares as melhores práticas realizadas com os alunos e que geraram 
conhecimentos e aprendizado. Esses encontros possibilitam a melhoria constante da 
interdisciplinaridade, fazendo com que o aluno perceba que existe um alinhamento de 
conteúdos e ideias entre o corpo docente e as estratégias de aprendizagem e ensino 
da IES. É possível perceber que nosso maior desafio, está na sistematização de um 
banco de dados para armazenamento e consulta das melhores práticas. 

A FATEC SENAI MT realiza ações sociais em conjunto com a sociedade local 
todos os anos. Entidades carentes são escolhidas e recebem um atendimento feito 
pelos alunos e docentes, seja de melhoria na estrutura do local, como pequenas 
reformas, pinturas ou ainda para entrega de mantimentos alimentícios básicos ou de 
higiene. Percebe-se que o desafio, seja fazer com que essas ações tenham cada vez 
mais participantes e faça com que se torne uma prática não apenas acadêmica e 


social, mas se difunda também para fora da academia. 


378 


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Os avanços constantes das tecnologias de informação, comunicação e do 
conhecimento contribuíram sobremaneira para que este dinamismo da competição 
fosse ainda mais intenso, encurtando as distâncias e possibilitando comunicação e 
informação em tempo real do que acontece na atualidade. Embora de forma bastante 
sucinta, isso nos dá uma dimensão da importância que tem a gestão da informação e 
do conhecimento para as decisões estratégicas e na própria condução das 
organizações, neste cenário dinâmico e moderno. 

De acordo com as diversas tendências associadas à era da informação 
referentes à organização estudada, pode-se verificar que ela pode impactar de forma 
positiva se a organização conseguir absorver essas tendências e utilizar de forma 
estratégica o grande volume de dados que possui em seus diversos sistemas. 
Também se a organização conseguir criar uma rede de disseminação ou troca de 
conhecimento entre seus diversos níveis (estratégico, tático, técnico, docentes, 
mercado) focados no desenvolvimento da inovação e geração de valor para os 
clientes. Devido à morosidade em seus processos a organização pode ter um esforço 
de geração de dados ineficientes. 

Foi possível observar também que as informações mapeadas podem contribuir 
para o entendimento dos objetivos estratégicos da empresa em estudo. Através do 
planejamento estratégico da instituição, direcionador do ensino superior aponta para 
ampliar a qualidade da educação profissional e do ensino superior de acordo com a 
necessidade da indústria, consolidando a metodologia SENAI de Educação 
Profissional. As informações mercadológicas do cliente e do produto fazem com que 
possa ser melhorada a qualidade e fazer as ofertas de novos produtos para o 
atendimento das necessidades do setor industrial. 

A realização deste artigo possibilitou ainda elencar todos os sistemas e 
tecnologias de informação em uso pela IES, classificando-os quanto às diferentes 
tipologias e identificando, para cada sistema, fontes e usuários de informação, bem 
como, a identificação das interconexões entre sistemas e os processos de negócio. 
Este diagnóstico possibilitou uma análise crítica das ferramentas tecnológicas 
existentes na IES e como estão e/ou poderiam estar sendo usadas para a gestão do 


conhecimento. 


379 


REFERÊNCIAS 


ALARCON, Dafne Fonseca., SPANHOL, Fernando José. Gestão do conhecimento na 
educação a distância: Práticas para o sucesso. São Paulo: Pimenta Cultural, 2015. 


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Rondonópolis. Apostila. Apostila Gestão da Informação e do Conhecimento, Porto Alegre: 
UFRGS/IBG. 


BERBE, Alexandre Campos. Gestão da informação e do conhecimento: reflexão de 
conceitos e o papel da biblioteconomia. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) 
- Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. Disponível em: 
<http://rabci.org/rabci/sites/default/files/tcc-berbe.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2017. 


BOFF, Luiz Henrique. Conhecimento: fonte de riqueza das pessoas e das organizações. 
Fascículo Profissionalização, [S.l.], v. 22, 2000. 


BRYNJOLFSSON, Erik, McCAFEE, Andrew. A Segunda Era das Máquinas: Trabalho, 
progresso e prosperidade em uma época de Tecnologias Brilhantes. Rio de Janeiro, RJ. Alta 
Books, 2015. 

CARVALHO, Fábio Câmara Araújo. Gestão do conhecimento. São Paulo: Pearson, 2012. 


CAIÇARA JUNIOR, Cicero. Sistemas Integrados de Gestão — ERP. Uma abordagem 
gerencial. 32 ed. Rev e atual. Curitiba: Ibpex, 2008. 


DAVENPORT, Thomas H. & PRUSAK, Laurence. Conhecimento Empresarial Como as 
Organizações Gerenciam o seu Capital Intelectual. Rio de Janeiro, Campus,1998. 


FERRY, Luc. A inovação destruidora. Tradução de Véra Lucia dos Reis. Rio de Janeiro: 
Editora Objetiva, 2015. 


GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999. 
. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 


HARVARD BUSINESS REVIEW. Gestão Do Conhecimento. 13º reimpressão. Tradução 
Afonso Celso da Cunha Serra (trad.). Rio de Janeiro: Elsevier, 2000. 


LARA, Consuelo Rocha Dutra de. A atual gestão do conhecimento. A importância de avaliar 
e identifica o capital humano nas organizações. São Paulo: Nobel, 2004. 


NONAKA, Ikujiro& TAKEUCHI, Hirotaka. Criação do Conhecimento na Empresa Como as 
Empresas Japonesas Geram a Dinâmica da Inovação. Rio de Janeiro, Campus, 1997. 


NONAKA, |.; TAKEUCHI, H. Gestão do conhecimento. Tradução Ana Thorel. Porto Alegre: 
Bookman, 2004. 


SALMAZO, Paulo Rogério. Um Estudo em Gestão do Conhecimento para uma Empresa de 
Tecnologia da Informação. Porto Alegre: Programa de Pós-Graduação em Computação, 
2004. 


SERRANO, Antonio; FIALHO, Cândido. Gestão do conhecimento: O novo paradigma das 
organizações. Lisboa: FCA — Editora de Informática, 2003. 


380 


SILVA, Terezinha Elisabeth da; TOMAÉL, Maria Inês. Editorial: A gestão da informação nas 
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STATDLOBER, Juliano. Gestão do Conhecimento em Serviços de TI: Guia Prático. Rio de 
Janeiro: Brasport, 2016. 


TARAPANOFF, Kira (org.). Inteligência organizacional e competitiva. Brasília: Editora 
Universidade de Brasília, 2001. 


TARAPANOFF, Kira (org) et al. Inteligência, informação e conhecimento em corporações. 
Brasília: IBICT, UNESCO, 2006. 


TAKEUCHI, Hirotaka; NONAKA, Ikujiro. Gestão do conhecimento. Bookman Editora, 2009. 


381 


CAPÍTULO 25 


COMPORTAMENTO DE COMPRA E CONSUMO DE PRODUTOS DE MODA DA 
GERAÇÃO Z. 


Silvana Saionara Gollo 

Doutora em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul 
Endereço: Rua Domingos Zanella, 104, Três Vendas - CEP: 99700-000, 
Erechim/RS, Brasil 

E-mail: silvana.gollo(Derechim.ifrs.edu.br 


Luciele Thalia da Rosa Souza 

Tecnóloga em Marketing 

Instituição Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do 
Sul, Brasil, 

Endereço: Rua Domingos Zanella, 104, Três Vendas - CEP: 99700-000, 
Erechim/RS, Brasil 

Telefone: (54) 3321-7500 

E-mail: lucieletrsouza(Dgmail.com 


Angelita Freitas da Silva 

Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria 

Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul 
Endereço: Rua Domingos Zanella, 104, Três Vendas - CEP: 99700-000, 
Erechim/RS, Brasil 

Telefone: (54) 3321-7500 

E-mail: angelita.silvaDerechim.ifrs.edu.br 


Keila Cristina da Rosa 

Mestre em Administração pela Faculdade Meridional 

Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul 
Endereço: Rua Domingos Zanella, 104, Três Vendas - CEP: 99700-000, 
Erechim/RS, Brasil 

Telefone: (54) 3321-7500 

E-mail: keila.rosaDerechim.ifrs.edu.br 


Jeferson Bottoni 

Mestre em Administração pela Universidade de Santa Cruz do Sul 

Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul 
Endereço: Rua Domingos Zanella, 104, Três Vendas - CEP: 99700-000, 
Erechim/RS, Brasil 

Telefone: (54) 3321-7500 

E-mail: jeferson.bottoni(Derechim.ifrs.edu.br 


RESUMO: A Geração Z é um dos grandes desafios do marketing no varejo de moda, 
por estar representada por consumidores com comportamento diferenciado, já que 
nasceram em um mundo digital. O presente artigo tem como objetivo analisar o 
comportamento dos consumidores de moda da Geração Z e realizar proposições à 
formulação de estratégias de marketing no varejo de moda. Para tanto, realizou-se 
uma pesquisa exploratória, com abordagem quantitativa. Na coleta de dados utilizou- 


382 


se o Método Survey, com a aplicação de questionário estruturado, a uma amostra de 
86 consumidores, entre 13 a 24 anos de um município do Rio Grande do Sul. Os 
resultados apontam que a Geração Z possui maior interesse em filmes e séries, 
cinema, música, redes sociais, leituras, moda e esportes. Se consideram conectados, 
comunicativos, modernos e intelectuais. Se comunicam em redes sociais, seguem os 
influenciadores digitais no youtube e blogs, acessam sites e utilizam o mobile para 
compras online. Quando o assunto é moda, a maioria se considera moderno, 
despojado, inovador e possuem um estilo próprio de se vestir. Seus membros são 
ecléticos e gostam de usar peças não combinadas, valorizando a praticidade e 
conforto e roupas que possam ser usadas a qualquer hora, num estilo casual e 
esportivo. Para eles, não importa o tamanho, a raça e o gênero, querem ver todos 
representados nas coleções. Para a Geração Z atendimento, preço, qualidade e 
exclusividade de produtos são os atributos considerados mais importantes no 
processo de decisão de compra de produtos da moda. 


PALAVRAS-CHAVE: Comportamento do consumidor; Geração Z; Varejo de moda. 


ABSTRACT: Generation Z is one of the great challenges of retail marketing in the 
fashion industry, because it is represented by consumers with different behavior, since 
they were born in a digital world. The article aims to analyze the behavior of fashion 
consumers of Generation Z and make propositions to the formulation of marketing 
strategies in fashion retail. For the article, an exploratory research was carried out, with 
a quantitative approach. For the data collection, the Survey Method was used, with the 
application of a structured questionnaire, to a sample of 86 consumers between 13 
and 24 years of age in a city of Rio Grande do Sul. The results indicate that Generation 
Z has a greater interest in movies and serials, cinema, music, social networks, 
readings, fashion and sports. If they consider themselves connected, communicative, 
modern and intellectual. They communicate on social networks, follow the digital 
influencers on youtube and blogs, access websites and use the mobile for online 
purchases. When it comes to fashion, most people consider themselves modern, 
down-to-earth, innovative, and have their own style of dress. lts members are eclectic 
and like to use unmatched pieces, valuing practicality and comfort and clothes that can 
be worn at any time, in a casual and sporty style. For them, no matter the size, the 
race and the genre, they want to see everyone represented in the collections. For 
Generation Z service, price, quality and exclusivity of products are the attributes 
considered most important in the decision process of buying fashion products. 


KEYWORDS: Consumer behavior; Generation Z; Fashion retail. 


1. INTRODUÇÃO 

O varejo está vivenciando uma transformação devido ao desenvolvimento 
tecnológico e mudanças no comportamento dos consumidores. Os varejistas estão 
usando tecnologias inteligentes para melhorar as experiências de compra dos 
consumidores e tornar-se mais competitivos (Bassiouni & Hackley, 2014), visto que 


383 


precisam satisfazer necessidades e desejos, simultaneamente de diferentes gerações 
de consumidores. 

O varejo de moda representa um fenômeno global, quando consumidores do 
sul da Califórnia vestindo-se de forma muito parecida em Londres, Tóquio, Buenos 
Aires, e até mesmo no Brasil, fenômeno este gerado pela abertura de redes de lojas 
internacionalmente conhecidas em diferentes países (Frings, 2012). Entretanto, seus 
estilos são influenciados por diversos princípios oriundos das ciências sociais, como 
imitação e distinção de indivíduos e grupos sociais, pois ao mesmo tempo em que 
existem indivíduos ou grupos que se distinguem através do uso de artefatos e peças 
de vestuário pelo seus status ou posição social, há outros que almejam atingir tal 
situação, provocando uma onda de imitação (Moura, 2018). 

Além disso, aspectos demográficos e psicográficos interferem nas expectativas 
e comportamentos de compra e consumo, pois existem diferenças entre os 
consumidores de acordo com a geração a que pertencem (Geração X, Geração Y, 
Geração Z) (Bassiouni & Hackley, 2014). 

Assim, no varejo de moda, conhecer comportamento dos consumidores de 
diferentes gerações é fator diferencial e deve embasar as decisões acerca dos 
negócios e do marketing (Poster, 2015). Sendo assim, a Geração Z apresenta-se 
como um desafio, pois parecem apresentar hábitos de consumo e estilos de vida 
diferentes das demais gerações de consumidores. Estudo de Cerretta & Froemming 
(2010) sobre o comportamento do consumidor da Geração Z, identificou que essa 
geração consome com maior frequência, roupas e acessórios, calçados, fast food e 
cosméticos, e consideram em seu processo de compras a qualidade, marca, design 
e preço dos produtos. 

O artigo tem como objetivo analisar o comportamento dos consumidores de 
moda da Geração Z e propor sugestões para a formulação de estratégias de 
marketing no varejo de moda. Salienta-se que estudos que buscam identificar o 
comportamento de compra e consumo de diferentes gerações de consumidores 
geram informações que podem agregar diferenciais competitivos às empresas. O 
estudo do comportamento do consumidor, em especial da Geração Z, é essencial à 
formulação de estratégias, visto que informações sobre perfil demográfico, 
psicossocial e comportamental, identificando como os membros da Geração Z 


selecionam, compram, usam ou descartam produtos, serviços, ideias ou experiências 


384 


(Kotler & Keller, 2012), podem contribuir para a empresa escolher as melhores formas 
de satisfazer necessidades e desejos destes consumidores. 


2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 O VAREJO DE MODA 

O varejo de moda é desafiador, pois apresenta-se em constante mudança 
guiada pelas tendências da moda e dos hábitos, necessidades e desejos dos 
consumidores. Sendo assim, o varejo de moda está orientado ao consumidor, o que 
exigiu redirecionamentos na estrutura da indústria, migrando da eficiência de 
produção ao desenvolvimento de produtos com foco no mercado. Costa (2011) afirma 
que o diferencial competitivo do varejo de moda está na gestão empresarial; marketing 
eficaz, promovendo respostas rápidas às necessidades dos clientes; estoques mais 
reduzidos; os sistemas interligados entre clientes e fornecedores; atendimento 
diferenciado segundo os canais de distribuição. Afirma ainda que a disputa entre 
grandes e pequenas empresas está sendo substituída pela dicotomia mais velozes 
versus menos velozes no atendimento às demandas de mercado. 

Segundo Fring (2012), os varejistas de moda, no esforço de manter os preços 
baixos, aumentaram as importações em detrimento de produtos nacionais. Os 
Estados Unidos. Europa e Canadá continuam perdendo sua base de produção com o 
crescimento de produção da Ásia, que construiu uma reputação de produtos de 
qualidade com preços baixos. Esta realidade também tem afetado o mercado varejista 
de moda brasileira. Cabe salientar que as projeções de 2019 para mercado de varejo 
de moda no Brasil são de crescimento em relação aos anos anteriores. Isto significa 
uma recuperação neste varejo que apresentou redução de vendas de -4,3 % em 2015 
e -6,2 % em 2016 seguidos de dois anos de crescimento: 2,1 % em 2017 e 2,3 % em 
2018 (Sebrae, 2019). Para continuar crescendo e tornar-se mais competitivo o varejo 
de moda para a Geração Z está desenvolvendo diferenciais que vão além de 
qualidade e preços. 

Diante disso, o varejo da moda está se reinventando para atender a Geração 
Z, que por ser adepta à tecnologia de comunicação e informação, vivenciam e 
interagem entre o mundo físico e o digital. Por exemplo, as redes varejistas investiram 
na introdução de tecnologias de autoatendimento, como mesas self-cash, pontos de 
contato informativos, displays interativos equipados com telas sensíveis ao toque, 
sinalização digital e aplicativos para telefones celulares. Outros varejistas 


385 


desenvolveram lojas inteiramente virtuais, onde os consumidores podem usar seus 
telefones para localizar produtos e comprá-los dentro da loja E. (Pantano & Priporas, 
2016; Priporas, Stylos e Fotiadis, 2017). O perfil e comportamento da geração Z será 
tratado a seguir. 

2.2 A GERAÇÃO Z E O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR 

As gerações de consumidores existentes no mercado são denominadas por 
Baby Boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z. Embora existam variações nas 
datas determinadas pelos autores como parâmetros de cada geração, Oliveira (2010) 
define a Geração Baby Boomers como os nascidos entre 1940 a 1960; a Geração X 
nascida em 1961 até 1980; a Geração Y os que nasceram entre 1981 a 1994; e, a 
Geração Z pelos nascidos a partir de 1995 até 2010. E por fim temos ainda a geração 
alpha, nascidos a partir de 2010 até os dias de hoje, geração que ainda não ingressou 
no mercado de trabalho. 

Os consumidores da Geração Z, representam um quinto da população 
brasileira, ou seja, em torno de 35 milhões de consumidores (IBGE, 2019). Estes 
consumidores são pessoas altamente qualificados, tecnologicamente experientes, 
inovadores e criativos, sendo a primeira geração nascida em um mundo digital e que 
vive online (Priporas, Stylos e Fotiadis, 2017). São usuários de tecnologia e a veem 
como um instrumento de compra, trabalho e consumo (Van den Bergh & Behrer 2016). 
São confiantes em tecnologia, mente aberta, entusiasmadas, trabalhadoras, 
inovadoras e inteligentes; empreendedores, ávidos por aprender e anseiam por 
honestidade, atributos positivos que têm o potencial de mudar o local de trabalho para 
melhor (Flippin, 2017). 

Pesquisa citada por Posner (2015), realizada pela Fitch (2012), empresa de 
consultoria em varejo e marca, revelou que a Geração Z possui um comportamento 
diferenciado em relação ao ato de fazer compras. Eles gostam de descobrir coisas 
novas on-line pelo Instagram ou Pinterest, são entusiásticos quanto a criar álbuns com 
fotos digitais que tiram dentro das lojas, são cuidadosos quanto à forma como gastam 
seu dinheiro e sempre pesquisam preços antes de fazer suas compras. Publicidade, 
programas de televisão, filmes, sites e revistas são criados especificamente para esse 
grupo que é apaixonado por moda e por comprar roupas, mas que no geral não pode 
gastar tanto. Os jovens tendem a preferir as redes de lojas especializadas e as 


pequenas butiques. 


386 


3. METODOLOGIA 

A pesquisa classifica-se como quantitativa e exploratória. A pesquisa 
quantitativa busca quantificar os dados coletados, geralmente aplicando alguma forma 
de análise estatística para obtenção de resultados. A pesquisa exploratória é 
caracterizada por amostra pequena e não representativa. Quanto ao procedimento 
utilizou-se o Método Survey (Malhotra, 2012). 

No processo de amostragem utilizou-se como população a Geração Z, 
considerando-se as pessoas nascidas entre 1995 a 2010, residentes no Município de 
Erechim, estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Participaram da pesquisa 86 pessoas, 
de ambos os sexos, da faixa etária de 13 a 24 anos, com escolaridade entre ensino 
médio incompleto a superior incompleto, com ou sem atividade remunerada. O perfil 
dos entrevistados está apresentado na Tabela 01. Para a seleção da amostra utilizou- 
se a amostragem não-probabilística, por conveniência (Malhotra, 2012), não havendo 
assim a possibilidade de generalização dos dados obtidos na pesquisa. 

Para a realização da pesquisa utilizou-se dados primários, obtidos através da 
aplicação de um questionário estruturado, elaborado com questões fechadas do tipo 
dicotômicas, múltipla escolha e escala likert. O questionário utilizado na pesquisa foi 
elaborado em 3 blocos de questões, envolvendo os seguintes constructos: perfil do 
consumidor, hábitos de compra e consumo, e fatores importantes no processo de 
decisão de compra. 

A aplicação do questionário ocorreu em formato on-line, utilizando-se a função 
formulários do google docs. Este tipo de levantamento é muito utilizado atualmente, 
pois sendo realizado através da internet torna-se mais barato que outros métodos e, 
os dados já estão tabulados para serem analisados estatisticamente ao final da coleta 
(Hair Jr, et al., 2010). Os dados foram analisados quantitativamente, através de 
gráficos gerados automaticamente no Google forms. 


Tabela 01 - Perfil demográfico dos entrevistados. 























Variáveis de análise | Alternativas das variáveis Percentual de entrevistados 
Género Masculino 34,9 % 
Feminino 65,1 % 
De 13 a 16 anos 17,6 % 
Faixa etária de 17 a 19 anos 36,5 % 
de 20 a 25 anos 45,9 % 
Escolaridade Ensino superior incompleto 45,3 % 














387 





Ensino médio completo 30,2 % 
Ensino médio incompleto 20,0 % 
Não possuem atividade 
Atividade remunerada | remunerada 

Possuem atividade remunerada |45,3 % 


Fonte: Elaborado pelos autores. 








54,7 % 




















4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 

Neste item apresentam-se os dados da pesquisa quantitativa, as quais 
embasam sugestões de estratégias de marketing para o varejo de moda focado na 
Geração Z. A apresentação dos dados está dividida em três subseções: perfil 
psicográfico, perfil comportamental e opinião da Geração Z sobre os atributos 
importantes no processo de decisão de compra de produtos de moda. 

4.1 PERFIL PSICOGRÁFICO DA GERAÇÃO Z 

O perfil psicográfico do consumidor está ligado às variáveis de estilo de vida e 
personalidade (Kotler & Keller, 2012). O consumidor, ao se identificar com um assunto 
ou produto, sente necessidade de ter uma experiência, que sendo positiva, pode levar 
a negociação e à compra. Identificou-se nesta pesquisa que os consumidores da 
Geração Z possuem maior interesse em filmes e séries, cinema, música, redes 
sociais, leituras de livros, moda e esportes (Gráfico 01). 

Os dados da pesquisa vão ao encontro de dados do Relatório The Shopper 
Story da Criteo (2017), que enfatizam que a Geração Z adora assistir e ouvir conteúdo 
na web, acessando um número médio de horas em programas de TV por streaming 
equivalente a 8 horas; vídeos online, 7 horas; músicas e podcasts por streaming, 6 
horas e TV ao vivo e rádio em torno de 5 a 4 horas por semana. A moda, entendida 
como vestuário/confecções, acessórios, calçados, ambientes frequentados (Costa, 
2011), representa uma extensão de valores da Geração Z. Para seus membros, a 
moda representa produtos exclusivos que valorizam a individualidade. Para eles, a 
moda sem gênero é um fator de inclusão. A moda da geração Z reflete sua visão de 


mundo: realista e hiper conectada. (Criteo, 2018) 


388 


Gráfico 01 - Assuntos de interesse da Geração Z. 


Quais são seus assuntos de interesse? 








Moda 
Música 
Cinema 


—32 (37,2%) 

48 (55,8%) 
51 (59,3%) 
Series 56 (65,1%) 
Livros 
Redes socias 
Esportes 
aeronáutica 
Jogos eletronicos 






11,2%) 
1(1,2%) 
1(1,2%) 
0 20 40 60 


Motos e carros antigos 


Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 


Em relação às preferências de atividades desenvolvidas em seu tempo livre, 
os respondentes apontaram: assistir filmes, séries e ler conteúdos de interesse, sair 
com amigos, consultar e atualizar conteúdos das redes sociais, e passar tempo com 
a família (Gráfico 02). Assuntos ligados aos filmes e séries, cinema, música, livros são 
ótimos temas para o desenvolvimento de coleções de moda. As redes sociais também 
se apresentam como uma ótima ferramenta de comunicação para divulgação de 
marca e venda de produtos. Os dados corroboram com pesquisa IBOPE (2010), 
apontando que esta geração busca entretenimento tais como filmes de comédia com 
72 % de preferência. É uma geração que não fica off-line, não imaginam como seria 
a vida sem as redes sociais. Algumas atividades online da preferência desta geração 
são: jogos, salas de bate-papo, atualizar as redes sociais com fotos e vídeos, escrever 


em blogs, baixar músicas da internet. 


Gráfico 02 - Atividades realizada em tempo livre. 


No seu templo livre o que você costuma fazer? 








Sair com os amigos 54 (62.8%) 


Passar um tempo com a família 


Assistir series, filmes ou 


, 5 2% 
conteúdos de... 7 (66,3%) 


Atualizar minhas redes sociais 

Estudar 22 (25,6%) 
Ler um livro 11 (12,8%) 
Passear com meu dog. 1(1,2%) 


0 20 “0 60 


Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 


389 


Perguntados sobre sua auto-imagem em relação a moda, 40,7 % se considera 
moderno, 30,2% tradicional, 18,6 % despojado, 16,3% conceitual e 10,5% 
consideram-se inovadores e possuem um estilo próprio. Quando perguntados em 
quem os consumidores se inspiram ao escolher um artigo de confecção, verificou-se 
que em torno de 60% dos entrevistados não se inspiram em pessoas ou 
personagens; um pequeno grupo se inspira em ídolos, pessoas de seu círculo social 
e modelos que estão em alta no ibope. 

A geração Z é marcada por ter estilo autêntico de viver e, algumas vezes atua 
delimitada ao seu círculo de convívio (tribo). Com base no relatório The Shopper Story 
da Criteo (2017), a geração pós-millennials acredita que a perfeição não existe e que 
as marcas representam uma visão realista de como pessoas reais vestem roupas 
reais. Os membros dessa geração são ecléticos e gostam de usar peças não 
combinadas e oversized. Querem praticidade e conforto, roupas que possam ser 
usadas a qualquer hora, de manhã, à tarde e à noite. 

Possuem um estilo casual e um visual esportivo, conhecido como athleisure 
(athletic + leisure), inspirado por marcas que investem em roupas que servem para 
atividades físicas e para uso em todas as ocasiões. Na hora de decidir o que comprar, 
essa geração não se inspira em modelos de revista. Os anunciantes devem prestar 
atenção a isso. 

Os Zs preferem seguir influenciadores acessíveis — ou a sua própria tribo. Esta 
geração defende sua própria individualidade, curtindo o movimento body positive e 
imagens que transmitem autoconfiança e autoaceitação. Para eles, não importa o 
tamanho, a raça e o gênero (incluindo a identificação não binária), esses indivíduos 
querem ver todos representados na coleção e, assim, esta geração buscam 
desconstruir as tradicionais noções de estilo na moda. (Criteo, 2018) Levando em 
consideração que o fator mais relevante apontado pelos consumidores foi de seguirem 
seu estilo próprio, cabe às empresas varejistas de moda capacitarem seus 
colaboradores para uma abordagem diferenciada, intuitiva e amigável, para identificar 
preferências de compra customizadas. 

Com o crescimento da comunidade LGBT e os debates relativos ao assunto, 
surge também a necessidade de saber qual seria o percentual de pessoas com 
preferências sexuais distintas. No ramo da moda esta é uma pauta muito relevante, 


pois quando se trata de estilo, as pessoas mostram sua identidade como um reflexo 


390 


do que vestem. Com referência aos entrevistados, 86 % possui preferência sexual 
heteroafetiva, 9,3 % bissexual e 4,7% homoafetiva. 

Pode-se observar que nesta amostra as preferências sexuais homo e bi sexuais 
não obtiveram um número relevante de consumidores, mas estes não podem ser 
ignorados. Uma das opções para começar a se adaptar a este mercado é a moda 
Genderless (Unissex), movimento que defende uma moda sem gênero e mais livre. 

As coleções sem gênero delimitado não se encaixam no que é entendido por 
roupas para homens ou roupa para mulheres, eles vestem ambos, sem diferença de 
corte ou estilo. A moda sem gênero condiz com a neutralidade e pode expressar os 
anseios de pessoas que não se identificam com gênero algum e de todas as outras 
multiplicidades como o transgênero, o andrógino, o queer, o pangênero, masculino, 
feminino, etc. As múltiplas expressões do gênero dissolvem as classificações binárias 
e essa fluidez pode resultar na neutralidade ou na eliminação das denominações, por 
isso “sem” gênero (Testoni, 2016; Perlin e Kistmann, 2018). Nesse contexto, a moda 
sem gênero questiona as imposições de cores, formas, modelagens, modelos e 
estruturas das roupas como determinadas pelos sexos, e estimula a mistura e o uso 
desprendido das peças. 

A moda sem gênero permite que as pessoas que se identificam com peças 
classificadas como do gênero oposto, tenham liberdade para consumi-las sem sofrer 
preconceitos. Assim, parece que a história sem gênero não é apenas mais uma moda 
passageira, mas é outro marco, em direção a uma época em que não mais se define 
roupas masculinas e femininas, mas apenas estilo (PAGET, 2016). Dessa forma, a 
capacitação da equipe de atendimento para trabalhar com situações específicas 
como, atender um menino que busca roupas femininas, ou menina que prefere 
comprar roupas masculinas, é um diferencial competitivo no varejo de moda. 

Os dados da pesquisa também apontam que os consumidores da Geração Z 
se consideram conectados (32,6 %), comunicativos (26,6 %), modernos (22,1 %) e 
intelectuais (19,8 %). Corroborando com os achados de Tapscott (2010) e de 
McCrindle (2011) que afirmam que essa geração é uma geração que possui a 
capacidade comunicativa, nasceu sob o advento da internet, utilizando equipamentos 
eletrônicos dos mais variados tipos e possuem familiaridade com a mídia, com artes, 


com relacionamentos e são criadores. 


391 


4.2 PERFIL COMPORTAMENTAL DA GERAÇÃO Z 

Na pesquisa buscou-se identificar os hábitos de compra da Geração Z. 
Verificou-se que a maior frequência de compra de artigos de moda é a compra mensal, 
seguida da bimensal. As menores frequências de resposta apontaram compras em 
trocas de estação (3 em 3 meses) e no começo dos semestres letivos (de 6 em 6 
meses). Além destes dados representarem um resultado positivo para o comércio 
varejista de moda, indicam a necessidade de atualizar coleções para atender uma 
frequência de compra relativamente alta. Um modelo utilizado pelas empresas para a 
troca de confecções de acordo com tendências de giro rápido de estoque é o fast 
fashion, que de acordo com Dornas, Araujo & Santos (2016), é um tipo de indústria, 
que cada vez mais ganha espaço nos centros de moda, atuando com produção de 
larga escala, estando presente de forma global. Porém, isso exige das empresas uma 
adaptação em suas produções internas para que o produto gire de forma rápida e 
eficiente, atendendo as necessidades dos consumidores em obter peças com 
consumo acelerado. 

Com referência aos gastos mensais, os entrevistados da Geração Z apontam 
que seus maiores gastos são com alimentação (fast-food) (32,6 %), cultura (livros, 
cinema, Netflix) (29,1 %), vestuário (15,1 %), festas e baladas (15,1 %) e tecnologia 
(8,1 %). A pesquisa buscou também identificar os canais de comunicação que a 
Geração Z mais utiliza para se informar sobre moda. Observou-se que 91,9 % utilizam 
as redes sociais, seguidos de influenciadores digitais (37,2 %), aqueles que trabalham 
conteúdos através de canais no youtube e blogs, por exemplo; os sites de moda 
(24,4%), televisão (12,8 %) e revistas (2,3 %.) representam também outra formas de 
comunicação, com exceção do rádio que não foi citado com um meio de comunicação 
que atrai a Geração Z. As redes sociais de preferência e acesso da Geração Z são o 
instagram (46,5 %), snapchat (43 %), facebook (43 %), seguidos pelo pinterest, 
whatsapp, twitter. O mobile também faz parte da vida desta Geração Z, que passam 
entre 5 e 10 horas por semana em aplicativos, acessando e-mails, redes sociais, jogos 
e realizando transações diversas. 

Estes dados corroboram com os resultados publicados no relatório The 
Shopper Story da Criteo (2018), que indicam as redes sociais e o mobile como parte 
integral das vidas dos adolescentes da Geração Z, indicando o uso do facebook 
(55 %), snapchat (52 %), instagram (52 %), twitter (23 %). Apontam que 32% das 


transações são realizadas em dispositivos mobile. 


392 


A pesquisa identificou também que 70,9 % dos entrevistados costumam fazer 
comprar em varejos físicos e online. A Geração Z quer ter uma experiência física e 
contato sensorial com os produtos que a loja física oferece, mas curte a conveniência 
das compras online. Estes dados também coincidem com a pesquisa do Relatório The 
Shopper Story da Criteo (2017), que aponta que 80 % gostam de comprar em lojas 
físicas sempre que têm tempo e 75 % gostam de comprar o máximo possível online. 

Também, 67 % usam seus smartphones dentro da loja física para pesquisar o 
que pretendem comprar e 65 % não gostam de comprar novidades, a menos que 
possam ver e tocar primeiro. Dentre os motivos para a compra online identificou-se os 
preços mais baixo, modelos diferenciados, praticidade na compra. Os sites de 
compras mais indicados para suas compras foram o Mercado Livre, Netshoes, 
Liverpool, Kanui, Renner, Dafiti, Aliexpress, Brechós online. Isso mostra a 
necessidade de as empresas investirem em seus varejos físicos, propiciando 
experiência de compra, design atrativo das lojas e produtos diferenciados. 

A fidelidade dos consumidores em relação às marcas é fator significativo, pois 
mostra se as marcas estão atendendo necessidades e expectativas dos 
consumidores. Os dados do Gráfico 3 que 51,2 % costumam ter média fidelidade, 
comprando de marcas diferentes, mas tendo algumas marcas preferidas; 36 % 
possuem nenhuma fidelidade, comprando sempre de marcas diferentes, enquanto 
12,8 % dos entrevistados tem grande fidelidade, buscando comprar sempre a mesma 
marca. Para a Geração Z, marcas que valorizam a exclusividade de produtos, a 
diversidade e apoiam ações de responsabilidade social e ambiental são as mais 
atrativas ao consumidor. Segundo o Relatório The Shopper Story da Criteo (2017), as 
marcas e varejistas que representam os valores da Geração Z oferecem: experiências 
personalizadas produtos com edições limitadas, produtos exclusivos, lojas 


diferenciadas e marcas com histórias autênticas. 


393 


Gráfico 03 - Fidelidade às marcas de confecções. 


Qual o seu grau de fidelidade a uma marca? 


O Nenhuma fidelidade ( COMPRO 
SEMPRE DE MARCAS 
DIFERENTES) 

O Media fidelidade ( COMPRO DE 
MARCAS DIFERENTES, MAS 
ESCOLHO ALGUMAS MARCAS 
PREFERIDAS) 

O Grande fidelidade ( COSTUMO 
COMPRAR SEMPRE AS MESMAS 
MARCAS ) 





Fonte: Dados da pesquisa, 2018. 


Nota-se que os dados a respeito do comportamento de compra e consumo dos 
consumidores pesquisados permitiu traçar um perfil comportamental dos mesmos, 
que colabora para a proposição de estratégias de marketing. 

4.3 OPINIÃO DA GERAÇÃO Z SOBRE OS ATRIBUTOS IMPORTANTES NO 
PROCESSO DE DECISÃO DE COMPRA DE PRODUTOS DE MODA 

Neste item analisam-se os níveis de importância dos atributos ligados ao 
marketing mix no processo de decisão de compra de produtos de moda na opinião da 
Geração Z. A partir dos dados da Tabela 02 pode-se observar que o atendimento, 
preço, qualidade e exclusividade de produtos foram os atributos considerados mais 
importantes no processo de decisão de compras. A análise das médias permitiu 
identificar que o atendimento e o preço têm um nível de importância muito próximos, 
de 3,46 e 3,44 respectivamente. 

Qualidade e exclusividade de produtos também, com 3,13 e 3,07 de médias, 
enquanto marcas dos produtos e layout da loja física e do site ficaram com 2,80 e 
2,79, respectivamente. Com isso, pode-se inferir que a Geração Z gosta de comparar 
qualidade e preço, buscando também um bom atendimento, tanto no varejo físico 


como online. 


Tabela 02 - Nível de importância dos atributos do marketing mix no processo de decisão de compra de 
produtos de moda. 








Atributos do Muito Importante | Pouco Nada e 
marketing mix importante Importante | importante | putos 
Exclusividade de 140 84 34 6 3,07 
produto 


























394 

















eualdada do 140 114 14 2 3,17 
produto 

Marca dos produtos| 84 108 40 9 2,80 
Preço do produto 188 96 10 2 3,44 
CAVOLtOa iodo | an 96 60 4 2,79 
do site 

Atendimento 200 84 12 2 3,46 


























Fonte: Dados da pesquisa, 2018 


4.4 SUGESTÃO PARA A FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE MARKETING 
NO VAREJO DE MODA PARA A GERAÇÃO Z 

Com base nos resultados da pesquisa e em referenciais sobre o tema pode-se 
sugerir que na formulação de estratégias de marketing para o varejo de moda para a 
Geração Z as lojas físicas e o e-commerce observem os seguintes pontos: 

Estratégias de produto: assuntos ligados a filmes e séries, cinema, música, 
livros são Ótimos temas para o desenvolvimento de coleções de moda e escolha de 
peças; é muito importante valorizar a relação qualidade e preço; oferecer produtos 
exclusivos e com edições limitadas; no desenvolvimento de coleções ou escolha de 
peças, priorizar uma dinâmica com atualização constante, ofertar de variedade e 
diferenciação para atrair atenção deste público, que compra artigos de moda 
mensalmente ou bimensalmente. Quanto a modelagem e estilo dos produtos é 
importante considerar que o público em questão busca praticidade e conforto, roupas 
que possam ser usadas a qualquer hora e possuem um estilo casual e um visual 
esportivo. Outro fator a ser levado em consideração em relação aos produtos 
direcionados a este público é a possibilidade de trabalhar com a moda genderless 
(sem gênero). 

Nas estratégias de distribuição: desenvolver um layout de loja agradável, jovem 
que possa expressar os valores da Geração Z; no ambiente virtual é muito importante 
a navegabilidade fácil e rápida, a agilidade na entrega, a distribuição dos produtos de 
forma eficiente e que atenda os prazos prometidos. 

Quanto as estratégias de preço sugere-se manter os produtos dentro de uma 
faixa de preço acessível para essa geração que, em sua maioria, não possui renda 
própria e depende da renda familiar; no ambiente virtual é importante oportunizar 
trocas e devoluções sem custo extra, trabalhar com promoções que oferecem 


descontos e fretes grátis. 


395 


No que se refere as estratégias de comunicação verificou-se que os assuntos 
relacionados a filmes e séries, música, livros, redes sociais, moda e esportes são 
temas ideais para o desenvolvimento de campanhas de comunicação direcionadas a 
este público; as redes sociais (principalmente instagram, snapchat e facebook) 
apresentam-se como a melhor plataforma de comunicação para divulgação de marca 
e venda. Outro fator a ser considerado é a comunicação por meio de digital influencers 
que utilizem canais como Youtube e Blogs e que sejam referências para este público, 
que eles reconheçam como acessíveis e pertencem ao seu convívio virtual. Esta 
geração defende sua própria individualidade, a comunicação deve utilizar imagens 
que transmitem autoconfiança e autoaceitação, não as tradicionais noções de moda 
e estilo. 

Ainda em relação à comunicação é importante salientar que diferenciar o 
atendimento, tanto na loja física como virtual, torna-se um imperativo. Inclusive 
preparar a equipe de atendimento para situações específicas como, atender um 
menino que busca roupas femininas, ou menina que deseja adquirir roupas 
masculinas, é um diferencial competitivo no varejo de moda. Quanto ao site é preciso 
desenvolver um layout amigável e atrativo para visualização e compra; trabalhar com 
sites responsivos a diversas plataformas mobile. 

O ponto de venda deve oferecer experiências de compras personalizadas que 
aliem o atendimento e experimentação do produto às possibilidades de interação 
digital, como a utilização de aplicativos para consulta de informações sobre produtos, 
para chamar o vendedor ou para obter descontos, bem como, a utilização de 
promoções com gameficação, entre outras ações que propiciem interatividade 
digital/real. 

Levando em consideração que o fator mais relevante apontado pelos 
consumidores foi de seguirem seu estilo próprio, cabe as empresas varejistas de 
moda que visam atender este público capacitarem seus colaboradores para uma 
abordagem diferenciada, intuitiva e amigável, para identificar preferências de compra 


customizadas. 


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O artigo embasou-se em dados de pesquisa exploratória para melhor 
compreensão do comportamento de compra e consumo de moda da Geração Z, neste 


trabalho representada por consumidores entre 13 e 24 anos. Identificou-se nesta 


396 


pesquisa que os consumidores da Geração Z possuem maior interesse em filmes e 
séries, cinema, música, redes sociais, leituras de livros, moda e esportes temas que 
devem ser explorados na formulação de estratégias de marketing das empresas. 

Os dados da pesquisa também apontam que os consumidores da Geração Z 
se consideram conectados, comunicativos, modernos e intelectuais. Em relação a 
moda consideram-se modernos, despojado, conceituais, inovadores e possuem um 
estilo próprio, valorizando a moda sem gênero, aquela que condiz com a neutralidade 
e pode expressar os anseios de pessoas que não se identificam com gênero algum. 
Neste sentido, estratégias de marketing devem considerar coleções com produtos 
despojados e unissex para atingir este público. 

Constatou-se que os consumidores da geração Z compram varejos físicos e 
online, buscando uma experiência física e contato sensorial com os produtos que a 
loja física oferece, mas curtem a conveniência das compras online. Estes 
consumidores consideram a qualidade, preços, diversidade de produtos e 
atendimento como fatores importantes na decisão de compra de produtos de moda. 
As redes sociais de preferência e acesso da Geração Z são o instagram, snapchat, 
facebook, pinterest, whatsapp, twitter. O mobile também faz parte da vida desta 
Geração Z, que passam entre 5 e 10 horas por semana em aplicativos, acessando e- 
mails, redes sociais, jogos e realizando transações diversas. 

Este artigo tem como limitação a pesquisa exploratória, que por trabalhar com 
amostras pequenas, seus resultados não podem ser generalizados. Propõe-se a 
continuidade do estudo com uma pesquisa quantitativa do tipo descritiva (Malhotra, 
2012), que tem como objeto um número significativo de consumidores, podendo, 
assim, expandir e generalizar os dados para os consumidores da Geração Z de uma 
determinada área geográfica. 


397 


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399 


CAPÍTULO 26 


REUTILIZAÇÃO DO COPO DESCARTÁVEL TRITURADO COMO FIBRA NO 
CONCRETO. 


Laécio Guedes do Nascimento 

Formação: Graduado em Engenharia Civil 
Instituição: Centro Universitário Santo Agostinho 
E-mail: laecioguedes25(Dhotmail.com 


Aleff Oliveira Coelho Moura 

Formação: Graduado em Engenharia Civil 
Instituição: Centro Universitário Santo Agostinho 
E-mail: aleffocn(Dhotmail.com 


Welliton Romão de Sousa 

Formação: Graduado em Engenharia Civil 
Instituição: Centro Universitário Santo Agostinho 
E-mail: wellitonsousaWDoutlook.com 


Gustavo José da Costa Freitas 

Formação: Graduado Engenharia Civil 
Instituição: Centro Universitário Santo Agostinho 
E-mail: gjcfreitas21 (Ogmail.com 


Samuel Campelo Dias 

Formação: Engenheiro Civil 

Instituição: Centro Universitário Santo Agostinho 
E-mail: samuel.c.dias(Qhotmail.com 


Phillype Dowglas Lopes 

Formação: Prof. Engenheiro Civil 

Instituição: Centro Universitário Santo Agostinho 
E-mail: eng.phillypeQ hotmail.com 


Diego Silva Ferreira 

Formação: Mestre em Engenharia dos Materiais 
Instituição: Instituto Federal do Piauí 

E-mail: diegof.engenheiro(Ogmail.com 


Francisco Honeidy Carvalho Azevedo 

Formação: Doutor em Biologia Celular e Molecular Aplicada à Saúde 
Instituição: Universidade Luterana do Brasil 

E-mail: honeidy(Dgmail.com 


RESUMO: O presente trabalho considera os aspectos ambientais, como a geração 
de resíduos, visando a possibilidade de reciclagem e o desenvolvimento sustentável 
de novos materiais a serem utilizados na construção civil. Verifica-se que dentre 
outros resíduos, os plásticos estão presentes nos resíduos sólidos urbanos em 
quantidades significativas e devem-se procurar formas de reduzir os problemas 


400 


oriundos do seu descarte. Este trabalho aborda o uso do copo descartável como fibra 
misturada ao concreto com o objetivo de destinação sustentável evitando assim a 
degradação do meio ambiente. Segundo a pesquisa realizada no UNIFSA - Centro 
Universitário Santo Agostinho, chegou-se à conclusão de que nos anos de 2017 e 
parte de 2018 foram adquiridos para o uso na instituição cerca de 260 caixas de copos 
descartáveis gerando cerca de 920 kg quase uma tonelada de resíduos. Para o 
estudo, foram coletados copos plásticos no UNIFSA, levado ao laboratório, feito a 
lavagem e a trituração foram adicionadas porcentagem específica do material em 
estudo para o mesmo traço de concreto resultando num aumento de 50 % na 
resistência do concreto com fibras de copos descartáveis para o concreto 
convencional, apresentando um crescimento significativo. 


PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade, Copos Plásticos, Concreto. 


ABSTRACT: This paper considers environmental aspects, such as waste generation, 
aiming at the possibility of recycling and the sustainable development of new materials 
to be used in civil construction. Among other wastes, plastics are present in municipal 
solid waste in significant quantities and ways to reduce the problems arising from their 
dispos