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Full text of "Tendencias Contemporaneas Das Ciencias Sociais Aplicadas V 3"

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Edilson Antonio Catapan 
(Organizador) 


Tendências contemporâneas das 
ciências sociais aplicadas 


Vol. 03 


Brazilian Journals Editora 
2020 


2020 by Brazilian Journals Editora 
Copyright O Brazilian Journals Editora 
Copyright do Texto O 2020 Os Autores 
Copyright da Edição O 2020 Brazilian Journals Editora 
Editora Executiva: Barbara Luzia Sartor Bonfim Catapan 
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| Ano 2020 
Br) 


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Prof. Msc Fabiano Roberto Santos de Lima - Centro Universitário Geraldo di Biase, 
Brasil. 





Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 


C357a Catapan, Edilson Antonio 


Tendências contemporâneas das ciências sociais aplicadas / 
Edilson Antonio Catapan. São José dos Pinhais: Editora 
Brazilian Journals, 2020. 

218 p. 


Formato: PDF 

Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader 
Modo de acesso: World Wide Web 

Inclui: Bibliografia 

ISBN: 978-65-86230-11-6. 


1. Desenvolvimento urbano. 2. Comportamento social. 
|. Catapan, Edilson Antonio. Il. Título. 











Brazilian Journals Editora 
São José dos Pinhais — Paraná — Brasil 
www .brazilianjournals.com.br 
editoraDbrazilianjournals.com.br 


| Ano 2020 





BrJ 


APRESENTAÇÃO 

A obra intitulada “Tendências contemporâneas das ciências sociais aplicadas 
3”, publicada pela Brazilian Journals, apresenta um conjunto de dezesseis capítulos 
que visa abordar diversas temáticas ligadas à área da administração, possibilitando 
melhor entendimento a aqueles que desejam ampliar seus conhecimentos sobre os 
aspectos importantes relacionados a uma sociedade: suas origens, processos 
históricos, funcionamento, aspectos de desenvolvimento, transformações sociais, 
conflitos, características culturais, econômicas e políticas. A seguir são apresentados 
os estudos que compõem os capítulos deste livro. 

Logo, os artigos apresentados neste volume abordam: Evaluación institucional 
de la gestión universitaria; clima organizacional: análise comparativa das percepções 
dos colaboradores e dua relação com o nível hierárquico; a prática pericial do 
ministério público do RJ em avaliação ambiental: o quesito locacional; o paradigma 
funcional no desenvolvimento Front-End: oportunidades e desafios; estrutura 
organizacional e classificação de órgãos públicos: um estudo de caso na UTFPR e 
entre outros. 

Dessa forma, agradecemos aos autores por todo esforço e dedicação que 
contribuíram para a construção dessa obra, e esperamos que este livro possa 
colaborar para a discussão e entendimento de temas relevantes para a área de 
administração, orientando docentes, estudantes, gestores e pesquisadores à reflexão 
sobre os assuntos aqui apresentados. 


Edilson Antonio Catapan 


SUMÁRIO 


CAPITULO 011 s.szsesscsssissasss discada sadias d Saddi ado n da 1 


INCIDENCIA DE LOS SMARTPHONE EN EL DESARROLLO DE LA PLASTICIDAD 
CEREBRAL EN NINOS DE 0 A 6 ANOS, EN UN CONTEXTO DE ALTA 
VULNERABILIDAD. 

José Manuel Salum Tomé 

DOI 10.35587/brj.ed.0000298 


CAPITULO DO: as aos SUS AS RL ESSES RAS LESS FLS ASSES 12 


EVALUACIÓN INSTITUCIONAL DE LA GESTIÓN UNIVERSITARIA. 
Cresencia Barrios de Morínigo 
Lida Valenzuela de Brull 
DOI 10.35587/brj.ed.0000299 


CAPITULO 08.:.5205:0:5:560 0655255005 eso sos ds A E SE 36 


O NEGRO NO LIVRO “HISTÓRIA DO PARÁ”, DEBENEDICTO MONTEIRO (2006). 
Amanda Martins Olegário 
DOI 10.35587/brj.ed.0000300 


CAPITULO DM ec: a 085020125 db 5 Es Gads COS EO GOLO lECGEUSS PE AG SUAS cn GlDE DO AS SUA is sf 46 


INVESTIGAÇÃO SOBRE A PERCEPÇÃO DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE 
SERVIÇOS E SOLUÇÕES DE TI PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL 
BRASILEIRA. 

Luiz Sérgio Plácido da Silva 

Renata Teles Moreira 

Alexandre M. L. Vasconcelos 

DOI 10.35587/brj.ed.0000301 


CAPITULO 055; 2.c0:825000505/5500550050 Gobadioesstalsafel/Sidasó! Piece slot oa cola icGa Gs ssa ais daca 64 


PARTICIPAÇÃO POPULAR NO CONTEXTO DA GOVERNANÇA LOCAL. 
Laís Bezerra Nascimento de Lacerda 
Cleomacio Miguel da Silva 
DOI 10.35587/brj.ed.0000302 


CAPITULO DO 2 ssa a SS Ea 78 


THE ROLE OF WOMEN IN RESEARCH WITH IN THE UNIVERSITY OF CORDOBA. 
Alexander Maz-Machado 
David Gutiérrez-Rubio 
Mº Pilar Gutiérrez-Arenas 
Carmen León-Mantero 
Cristina Rodríguez-Faneca 
DOI 10.35587/brj.ed.0000303 


CAPITULO DO sas sos sroos iciS ass EPA ES Lusa OSS SA ECUSS DOES URSS, GEUOS EA ssa ado Ruanda apa 91 


CLIMA ORGANIZACIONAL: ANÁLISE COMPARATIVA DAS PERCEPÇÕES DOS 
COLABORADORES E SUA RELAÇÃO COM O NIVEL HIERÁRQUICO. 


Karolline Nascimento Gava 
Nicássia Feliciana Novôa 

Helder Antônio da Silva 
Wanderléia da Consolação Paiva 
DOI 10.35587/brj.ed.0000304 


CAPIM UEO DO 22. .055 062000050 200556aÉ 006 rins ESSE ERG CEEE UE Jd USAS GSE Sa R ADO CSS aSRRE 140 


SEGURIDADE SOCIAL E DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO: A REFORMA ESTRUTURAL 
E SEUS REFLEXOS NO TRABALHO. 


João Paulo Zanin Júnior 
DOI 10.35587/brj.ed.0000305 


CAPITULO D9.:20.05:20055525200:0 55200550, 5 000.CDe SU GUe Gol GUer SIRR UA q dO ER OEE JE MOLE SER 152 


ANÁLISE DAS ÁREAS EXTERNAS DE DOIS CAMPI DA UNIRIO CONSIDERANDO 
O BEM-ESTAR. 

Genes de Lima Martins Neto 

Ribeiro Tarjano Leo 

DOI 10.35587/brj.ed.0000306 


CAPÍTULO 10... eee eereeeeereeereereeereereereeareereeereeareerteaa 1ZY 


A PRÁTICA PERICIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RJ EM AVALIAÇÃO 
AMBIENTAL: O QUESITO LOCACIONAL. 
Gabriel Santos Gonçalves 


Jorge Antônio Martins 
DOI 10.35587/brj.ed.0000307 


CAPITULO disso assis coss asa ASS asi nGa GUS Edi SER UMES Enade SGD CE SS SS 191 


ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DA PESQUISA EM ENGENHARIA DE TRANSPORTES. 
Ercilia de Stefano 
Fátima Regina Neves Lima 
Fernanda Santana de Paulo 
Gabriela Fllgueiras Valadão Borges 


Giovane Hammes Vieira 
DOI 10.35587/brj.ed.0000308 


CAPITULO 12)... 00mizassinsissspeciscgs ain ÓoSiaas Sie di nado ralada dlsS standing 214 
O PARADIGMA FUNCIONAL NO DESENVOLVIMENTO FRONT-END: OPORTUNIDADES 
E DESAFIOS. 

Leonardo de Oliveira Farroco 

Ercilia de Stefano 

Nelson Francisco Fávilla Ebecken 

Fernanda Santana de Paulo 

Sumaya Mário Nosoline 

DOI 10.35587/brj.ed.0000309 


CAPITURO O sos qua si cao pas seque Sa Sa poa DS and ESA pa A GR aa ca ad E 225 


RESEARCH ON RISK MANAGEMENT IN LOGISTICS: METRICS AND TRENDS. 
Ercilia de Stefano 


Leonardo de Oliveira Farroco 
Gilson Brito Alves Lima 

Osvaldo Luiz Gonçalves Quelhas 
DOI 10.35587/brj.ed.0000310 


CAPITULO 14.:05...555..550005552055500 000655 50Rsiai DOS de sd oOS ia 200 Eis ORNE 247 


LUZ, CÂMERA, PALCO, AÇÃO: A CONTEMPORANEIDADE NO FIO DE UMA 
NAVALHA. 

Haydê Costa Vieira 

Wagner Corsino Enedino 

DOI 10.35587/brj.ed.0000311 


CAPÍTULO 15......cuaicroeesicuciseesivnonovsioainaesóvsemsa Pads neo cdaadndondndda e ió nana didcadiaaa dice na 189 


PERDA DE ÁGUA E A REABILITAÇÃO DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO 
WATER LOSS AND REHABILITATION OF SUPPLY SYSTEMS. 

Ana Alice Quintans de Araujo 

Amanda Raquel Bezerra de Lima 

Sabrina Holanda Oliveira 

Ruth Silveira do Nascimento 

Rui de Oliveira 

DOI 10.35587/brj.ed.0000312 


CAPITULO O pastos cos ain tona ado co a rate ppa 199 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E CLASSIFICAÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS: 
UM ESTUDO DE CASO NA UTFPR. 

Priscilla Lopes Bertolino 

Dario Dergint 

Maurício Alves Mendes 

DOI 10.35587/brj.ed.0000313 


SOBRE O ORGANIZADOR .usiiinisisoiavsicuioisdininasani gaia dani brand un nia dd na nd 218 


CAPÍTULO 01 


INCIDENCIA DE LOS SMARTPHONE EN EL DESARROLLO DE LA PLASTICIDAD 
CEREBRAL EN NINOS DE 0 A 6 ANOS, EN UN CONTEXTO DE ALTA 
VULNERABILIDAD. 


José Manuel Salum Tomé 

PhD, Doctor en Educacion Universidad Autonoma de Madrid. 
Institución: Universidad Católica de Temuco. 

Dirección: Calafquen 1100, Temuco, Cautin, Chile. 

E-mail: josesalumGOgmail.com 


RESUMEN: El proyecto de Investigación que se presenta a continuación apunta 
esencialmente a una revisión sistemática respecto al uso de los Smartphone en el 
desarrollo de la plasticidad cerebral de los nifios con edades comprendidas entre O y 
6 aos. Esta revisión estará compuesta de tres grandes categorías de contenido: 
Intelectuales, actitudinales y conductuales, cada una de las cuales está conformado 
por un número determinado de Habilidades, las cuales serán expresadas según las 
distintas revisiones sistemáticas, incluyendo literatura gris, las que darán base y 
fundamentos teóricos y prácticos que permitirían la deducción de nuevas 
investigaciones. 


PALABRAS CLAVES: Smartphone, plasticidad cerebral, desarrollo, habilidades 
conductuales 


ABSTRACT: The research project that presents a complete update for a systematic 
review regarding the use of smartphones. The development of cerebral plasticity in 
children aged between O and 6 years.This review is composed of three complete 
categories of content: Intellectual, attitudinal and behavioral, all definitions are made 
up of a certain number of Skills, which are expressed in the various systematic 
versions, including gray literature, which will provide the basis and theoretical 
foundations and practical ones that allow the deduction of new investigations 


KEYWORDS: Smartphones, brain plasticity, developmen, behavioral skills. 


1. INTRODUCION 

Una vez expuesta la revisión de literatura y diferentes estudios en relación a lo 
mencionado, objetivar que la dependencia y el mal uso de los Smartphone en los nifos 
inciden negativamente en la neuroplasticidad cerebral, el cual en últimos términos es 
producto de lo anterior que se expresa en mala conducta, baja autoestima, bajo nivel 
cognitivo según corresponda a su edad y habilidades asociadas. 

A partir de los resultados de este análisis cuantitativo y cualitativo (mixto), 
podremos clasificar el nivel de desempehfio eficiente de los nifos según su edad. 

Al no existir estudios de índole meta-análisis que nos permitiria reflejar una 
búsqueda más avanzados con un grado de evidencia mayor, el actual se limita a 
realizar un estudio de revisión sistemática. 

Este proceso de investigación permite facilitar y dilucidar los mitos de los padres 
que el uso del Smartphone en sus hijos “los vuelve más intelectuales”. 

Está claro que el desarrollo tecnológico avanza día a día, teniendo acceso una 
mayor parte de la población a estos medios tecnológicos, sin medir las consecuencias 
del freno neuronal que se produce en los nifios menores de 6 afios en el uso de los 
celulares Smartphone indiscriminada y discriminadamente sin percibir la noxa en los 


nifos, de un contexto socioeconómico de alta Vulnerabilidad. 


2. FORMULACIÓN DEL PROBLEMA 

En los últimos aÃios el ingreso de estos dispositivos al mercado chileno ha 
crecido constantemente, ya sea en la casa o en la escuela, generando notables 
cambios en el comportamiento de las personas, cambiando de esta forma los estilos 
de vida o sus actitudes, por esta razón es importante entender y dimensionar el 
verdadero efecto que ha generado este movimiento tecnológico. Los Smartphone 
influyen en los estilos de vida de las personas cambiando sus hábitos ya pre- 
establecidos facilitando la comunicación e información de una forma ágil y práctica. 
De esta forma se ha creado una dependencia tecnológica transformando los canales 
tradicionales en canales de comunicación más diversificados. 

Se hará una investigación mixta cuantitativos y cualitativos que nos ayudara a 
tener más clara la influencia que tienen los Smartphone en los usuarios, de forma más 
real y verídica. El mal uso de los Smartphone tanto en el hogar como jardines infantiles 
y primer nivel educativo en chile, ha ayudado al freno de la plasticidad cerebral de los 
nifos de O a 6 afios de edad, situación que se da en sectores de alta vulnerabilidad. 


La propuesta que se presenta en este proyecto de investigación es una 
evaluación de carácter formativo que está orientado a mejorar la calidad de educación 
de jóvenes de un contexto social vulnerable. 

La llegada de los teléfonos inteligentes en nuestra vida diaria sin duda 
cambiado nuestras vidas sin duda ha cambiado nuestro desarrollo neuronal. 

El cerebro no es una materia inerte y fija, pero es una verdadera unidad central 
del ser humano. Es de gran plasticidad, las conexiones neuronales se están 
desarrollando todos los días y la estimulación cerebral desencadena la creación de 
nuevos circuitos neuronales. 

Esta estimulación permite el proceso tradicional del aprendizaje y esto ha 
permitido a los seres humanos adaptarse y evolucionar. Siendo las herramientas 
digitales potentes estimuladores, participan, al igual que otros elementos, en la 
modificación de nuestro cerebro. 

Para 2018, las estimaciones predicen que un tercio de la población mundial 
tendrá un teléfono inteligente. Esto representa al menos 2,6 millones de usuarios en 
todo el mundo. Y para muchos, el teléfono móvil se ha convertido en un objeto 
cotidiano indispensable. Para comunicarse, intercambiar con otros, sino también para 
seguir las noticias o incluso divertirse. En promedio, los usuarios pasan al menos 4,7 


horas al día en sus teléfonos inteligentes. 


3. MARCO TEÓRICO 

La Organización Mundial de la Salud (1982) define el término neuroplasticidad 
como la capacidad de las células del sistema nervioso para regenerarse anatómica y 
funcionalmente, después de estar sujetas a influencias patológicas ambientales o del 
desarrollo, incluyendo traumatismos y enfermedades. 

Otros autores indican que la neuroplasticidad es la potencialidad del sistema 
nervioso de modificarse para formar conexiones nerviosas en respuesta a la 
información nueva, la estimulación sensorial, el desarrollo, la disfunción o el dafo. En 
general, la neuroplasticidad suele asociarse al aprendizaje que tiene lugar en la 
infancia, pero sus definiciones van más allá y tienen un recorrido histórico. Hay 
diversos componentes bioquímicos y fisiológicos detrás de un proceso de 
neuroplasticidad y esto lleva a diferentes reacciones biomoleculares químicas, 
genómicas y proteómicas que requieren de acciones intra y extra neuronales para 


generar una respuesta neuronal. 


El sistema nervioso cuenta con extraordinarias propiedades con capacidad de 
modificación dinámica, un “producto nunca terminado” resultado de la interacción 
entre factores genéticos y ambientales. La neuroplasticidad comprende todas las 
propiedades del cerebro relacionadas con las constantes modificaciones de su 
estructura y se aplica a una gran cantidad de fenómenos tales como la neurogénesis 
en los adultos, la reorganización de mapas corticales o los cambios sinápticos 
asociados a la memoria y los hábitos. Para que un cambio sea una manifestación de 
plasticidad funcional debe expresar un proceso activo de readaptación ante los 
requisitos del entorno. A su vez los procesos activos deben implicar cambios en 
alguno de estos mecanismos: número de sinapsis, eficacia de las sinapsis y 
características neuronales intrínsecas. 

Existen mecanismos celulares y moleculares de los fenómenos de 
neuroplasticidad, los cuales se organizan en torno a la plasticidad por crecimiento: 
regeneración axonal, colateralización, sinaptogenesis, neurogénesis y la plasticidad 


funcional que indica cambios en la eficacia de la transmisión sináptica. 


4. CIENTÍFICOS DE LA UNIVERSIDAD DE ZÚRICH (SUIZA) Y FRIBURGO 
(ALEMANIA) 

En un estudio publicado en la revista Current Biology en diciembre 2014, dada 
la reciente obsesión por los móviles inteligentes decidieron explorar la plasticidad del 
cerebro en situaciones cotidianas y analizar cómo el uso de los dedos en el manejo 
de los celulares con pantalla táctil lo moldea, produciéndose una mayor actividad 
cerebral. 

Cada región del cuerpo tiene un área específica en el centro emocional del 
cerebro, donde se procesa su información, la cual es flexible y puede cambiar. 

Los investigadores estudiaron la activación del córtex sensorio-motor, que se 
activa con el movimiento de los dedos. Para ello realizaron electroencefalogramas que 
mediían la actividad de las regiones corticales del cerebro en 37 personas diestras, 26 
de las cuales eran usuarios de Smartphone con pantalla táctil y 11 de celulares con 
teclados tradicionales. 

Gracias al electroencefalograma registraron la respuesta cerebral cuando los 
usuarios de teléfonos inteligentes tocaban la pantalla con los dedos pulgar, índice y 
medio para poder luego compararla con la de personas que siguen usando los viejos 
móviles de teclados tradicionales. 


Los resultados sugieren que los movimientos repetitivos sobre la superficie de 
las pantallas táctiles reorganizan el procesamiento sensorial de la mano, con 
actualizaciones diarias de las representaciones cerebrales de las puntas de los dedos. 
Los científicos concluyeron que la actividad eléctrica en el cerebro de los usuarios de 
teléfonos inteligentes aumentaba al tocar las puntas de los dedos pulgar, índice y 
corazón. 

Asimismo, revelaron que el uso de las pantallas táctiles cambia la forma en que 
los pulgares y el cerebro trabajan en conjunto y que la cantidad de actividad del córtex 
cerebral asociada al pulgar y el índice era directamente proporcional a la cantidad de 
tiempo que se usaba el dispositivo inteligente. El procesamiento sensorial del córtex 
en nuestro cerebro es continuamente remodelado por la tecnología digital personal. 
El uso de los Smartphone es la herramienta ideal para estudiar la plasticidad cotidiana 
del cerebro humano. 

A continuación presentamos estudios en los cuales se hace referencia a los 
inícios de la neuroplasticidad, la que esta asociada a cambios conductuales y luego 
detalla estudios de los cuales hemos revisado sistemáticamente, integrando algunos 
conceptos como: neuroplasticidad, rendimiento académico asociado al uso 
del Smartphone. 

Las primeras evidencias experimentales de que la neuroplasticidad depende 
de la experiencia proveniente de los trabajos de Rosenzweig y Bennet realizados en 
los aos sesenta. Estos autores observaron a ratas criadas en ambientes enriquecidos 
y comprobaron que desarrollaban una corteza cerebral más gruesa, con más 
contactos sinápticos y un mayor número tanto de dendritas como de espinas 
dendríticas. 

Erismann e Ivo Kohler realizaron un experimento en el que establecieron la 
asociación de la plasticidad y los cambios conductuales. En sujetos expuestos a lentes 
que invierten los campos visuales (viendo todo al revés), tras dias de esfuerzo y 
confusion, logran desenvolverse con relativa normalidad tanto para vestirse, comer o 
caminar, como para esquiar o montar en bici, y estos cambios conductuales estan 
emparejados a transformaciones en la corteza motora y la corteza parietal posterior 
Checking phones in lectures can cost students half a grade in exams Date: July 
28, 2018. 

Source: Taylor & Francis Group Verificar los teléfonos en conferencias puede 
costar a los estudiantes medio grado en los exámenes Fecha: 28 de julio de 2018 


5 


Fuente: Grupo Taylor & Francis; Background: Los estudiantes rinden menos en los 
exámenes de fin de trimestre si se les permite el acceso a un dispositivo electrónico, 
como un teléfono o una tableta, para fines no académicos en conferencias, un nuevo 
estudio; Objetive: Investigadores de la Universidad de Rutgers en EE.UU. realizaron 
un experimento en clase para evaluar si dividir la atención entre los dispositivos 
electrónicos y el profesor durante la clase afectaba el rendimiento de los estudiantes 
en pruebas dentro de la clase y un examen de fin de trimestre; Methods: 118 
estudiantes de psicologia cognitiva de la Universidad de Rutgers participaron en el 
experimento durante un periodo de su curso. Las computadoras portátiles, teléfonos 
y tabletas fueron prohibidos en la mitad de las clases y permitidos la otra mitad. 
Cuando se permitieron los dispositivos, se les pidió a los estudiantes que registraran 


si los habían utilizado con fines no académicos durante la conferencia. 


5. CONCLUSION 

El estudio encontró que tener un dispositivo no disminuyo los puntajes de los 
estudiantes en las pruebas de comprensión dentro de las clases magistrales, pero si 
las puntuaciones más bajas en el examen de fin de trimestre al menos en un 5% o 
medio grado. Este hallazgo muestra por primera vez que el efecto principal de la 
atención dividida en el aula es la retención largo plazo con menos objetivos de una 
tarea de estudio recordada más adelante. Además cuando se les permitió el uso de 
dispositivos electrónicos en la clase el rendimiento también fue peor para los 
estudiantes que no usaron dispositivos, así como para los que sí lo hicieron. 

Relationship among smartphone usage, addiction, academic performance and 
the moderating role of gender: A study of higher education students in India. 

Relación entre el uso de teléfonos inteligentes, la adicción, el rendimiento 
académico y el papel moderador del género: un estudio de estudiantes de educación 
superior en la India Los enlaces de autor abren el panel de superposición Jogendra 
Kumar Nayak. 

5.1 BACKGOUND 

Los teléfonos inteligentes han penetrado en la vida de las personas a un ritmo 
más rápido en los últimos tiempos en la India. Se usan para varios propósitos además 
de hablar y enviar mensajes como chatear en vivo, buscar información, banca móvil y 


entretenimiento, etc. Las discusiones sobre el teléfono inteligente se han hecho cargo 


de las discusiones personales y las interacciones individuales entre personas. El uso 
se ha vuelto tan alto que se ha convertido en adicción en muchos casos. 

b.2 QBJETIVE 

En este estudio, se midió la adicción de los teléfonos inteligentes al rendimiento 
académico de los estudiantes y también se verificó el efecto del género y el estado de 
las relaciones en el uso y la adicción a los teléfonos inteligentes. El uso de teléfonos 
inteligentes se midió con la ayuda de la cantidad de tiempo que pasaron en el teléfono 
y la factura mensual. 

5.3 METHODS 

Se elaboró y administró un cuestionario a 429 estudiantes de educación 
superior en la India para verificar la adicción, el efecto en el rendimiento y el uso de 
teléfonos inteligentes, junto con las principales utilidades de un teléfono inteligente y 
el perfil demográfico de los encuestados. 

5.4 CONCLUSIÓN 

Los resultados muestran que el uso es más en el caso de las mujeres que los 
estudiantes varones. Sin embargo, el efecto sobre el rendimiento es severo en el caso 
de los estudiantes varones. Además de los cambios de comportamiento, se encontró 
que las estudiantes apenas tenían ningún efecto sobre la adicción a los teléfonos 
inteligentes, a diferencia de los estudiantes varones que se descubrió que 
descuidaban el trabajo, se sentían ansiosos y perdían el control de sf mismos. Sin 
embargo, el efecto sobre el rendimiento es severo en el caso de los estudiantes 
varones. La adicción al teléfono celular que daria el rendimiento académico es "una 
posibilidad cada vez más realista" Fecha: 28 de agosto de 2014, fuente: Baylor 
University. 

5.5 BACKGROUND 

Las mujeres estudiantes universitarias gastan un promedio de 10 horas al día 
en sus teléfonos celulares, mientras que los hombres estudiantes universitarios gastan 
casi ocho horas, según un estudio sobre la actividad del teléfono celular. "A medida 
que aumentan las funciones del teléfono celular, las adicciones a esta pieza de 
tecnología aparentemente indispensable se convierten en una posibilidad cada vez 
más realista”, sefialaron los investigadores. 

5.6 OBJETIVE 

El estudio sefiala que aproximadamente el 60 por ciento de los estudiantes 


universitarios admiten que pueden ser adictos a su teléfono celular, y algunos 


7 


indicaron que se agitan cuando no está a la vista, dijo Roberts, autor principal del 
artículo "The Invisible Addiction: Cellphone Activities and Addiction". Entre estudiantes 
universitarios masculinos y femeninos”. 

5.7 METHODS 

El estudio, basado en una encuesta en línea de 164 estudiantes universitarios, 
examinó 24 actividades de teléfonos celulares y descubrió que el tiempo dedicado a 
11 de esas actividades difería significativamente entre los sexos. Algunas funciones, 
entre ellas Pinterest e Instagram, están asociadas significativamente con la adicción 
al teléfono móvil. 

5.8 CONCLUSION 

De las principales actividades, los encuestados informaron que pasaron la 
mayor parte del tiempo enviando mensajes de texto (un promedio de 94.6 minutos al 
día), luego enviando correos electrónicos (48.5 minutos), revisando Facebook (38.6 
minutos), navegando en Internet (34.4 minutos) y escuchando sus iPods 
(26.9 minutos). 

Los hombres envían la misma cantidad de correos electrónicos pero pasan 
menos tiempo en cada uno. "Eso puede sugerir que están enviando mensajes más 
cortos y más utilitarios que sus contrapartes femeninas”, Roberis. 

Las mujeres pasan más tiempo en sus teléfonos celulares. Si bien ese hallazgo 
es algo contrario al punto de vista tradicional de que los hombres están más 
comprometidos con la tecnología, "las mujeres pueden estar más inclinadas a usar 
teléfonos celulares por razones sociales como mensajes de texto o correos 
electrónicos para establecer relaciones y mantener conversaciones más profundas”. 
El uso excesivo u obsesivo del teléfono celular también puede causar conflictos dentro 
y fuera del aula: con profesores, empleadores y familias. Y "algunas personas usan 
un teléfono celular para eludir una situación incómoda. Pueden fingir que atienden, 


enviían un mensaje de texto o revisan sus teléfonos", Roberts. 


6. CONCLUSIONES 

A partir del presente estudio y revisión sistemática bibliográfica además de 
textos de literatura gris, nos permiten demostrar y objetivar que la dependencia y el 
mal uso de los Smartphone en los niÃos inciden negativamente en la neuroplasticidad 


cerebral, el cual en últimos términos es producto de lo anterior que se expresa en mala 


conducta, baja autoestima, bajo nivel cognitivo según corresponda a su edad y 
habilidades asociadas. 

Como también demostramos en nuestra revisión, indicamos que el uso 
excesivo de los Smartphone, inciden estrechamente en el desarrollo de la plasticidad 
neuronal de los nifos de O a 6 aos de edad, donde según los estudios de anatomo- 
fisiologia neurodesarrollante indican que es el periodo donde se presenta la mayor 
cantidad de modificaciones en la forma de los giros y surcos cerebrales los cuales se 
traducen en últimos términos en forma intelectual, actitudinal y conductual. 

El estudio afirma además que quienes utilizan los móviles inteligentes son 
personas calificadas de “pensadores intuitivos”, es decir que confían en sus instintos 
a la hora de tomar una decisión. No obstante, para los científicos, las personas de 
mayores inteligencias son las que son más analíticas y menos intuitivas. Consideran 
que a partir de la historia de la humanidad las personas tienden a evitar gastar energia 
para resolver un problema y “todo parece indicar que parece probable que las 
personas usen cada vez más sus smartphones”. 

Por último, el presente estudio deja abierto la posibilidad de la investigación 


mixta de carácter observacional y/o experimental. 


REFERÊNCIAS 


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11 


CAPITULO 02 
EVALUACIÓN INSTITUCIONAL DE LA GESTIÓN UNIVERSITARIA. 


Cresencia Barrios de Morínigo 

Máster en Ciencias de la Educación por la Universidad Nacional de Pilar. Paraguay. 
Universidad Nacional de Pilar. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación 
Calle Palmas y Tacuary. Pilar. Paraguay 

E-mail: cprantte2012(O gmail.com 


Lida Valenzuela de Brull 

Máster en Ciencias de la Educación por la Universidad Nacional de Pilar. Paraguay 
Universidad Nacional de Pilar. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación 
Calle Palmas y Tacuary. Pilar. Paraguay 

E-mail: lida valenzuelaQ hotmail.com 


RESUMEN: Este trabajo describe la percepción respecto a la evaluación institucional 
de la gestión universitaria desde la mirada de los gestores académicos de siete 
facultades de la Universidad Nacional de Pilar, Paraguay, afo 2018.Se hace necesario 
el abordaje del tema considerando que la evaluación de la gestión es un mecanismo 
primordial que permite ofrecer servicios de calidad a la Educación Superior. Por ello, 
el propósito de la investigación es estimar la percepción de los gestores académicos 
sobre la evaluación institucional de la gestión universitaria. La metodologia 
implementada adoptó un enfoque mixto, por una parte, el cuantitativo, con diserfio 
observacional, retrospectivo, trasversal y descriptivo, utilizó la encuesta como técnica 
de recolección de datos, a través de un instrumento documental, cuestionario 
estructurado aplicado a docentes, funcionarios y alumnos; el semiestructurado para la 
entrevista a las autoridades, y por otra parte, fue cualitativa para la interpretación de 
los datos arrojados durante las entrevistas realizadas a los directivos y la descripción 
de actitudes y manifestaciones de los encuestados. La población de estudio lo 
conformaron 4.538 participantes, aplicândose un muestreo estratificado sistemático, 
con un margen de error admitido de 5 %, y nivel de confianza del 95 %, conforme a 
los objetivos de la investigación. El análisis de los resultados demostró que la mayoría 
de los actores académicos consideran a la evaluación institucional como una 
oportunidad para la mejora de la gestión en la UNP, en menor porcentaje se evidenció 
indiferencia hacia el tema, se hace necesaria la concienciación sobre el mismo. 


PALABRAS CLAVE: Evaluación institucional; Gestión universitaria; Gestores 
académicos; Calidad educativa. 


ABSTRACT: This report described the perception in respect to the institutional 
evaluation of University management from the point of view of the academic managers 
of seven of the faculties of the National University of Pilar in the year 2018. Tackling 
this topic was necessary considering that management evaluation is a primordial 
mechanism that permits the offering of quality services to higher education. For that 
reason, the goal of this investigation is gauge the perception of academic managers in 


12 


the institutional evaluation of University management. The methodology implemented 
adopted a mixed focus. On one hand, quantitative, with an observational, 
retrospective, transversal and descriptive design and the use of a survey, in the form 
of a documentary tool, in order to collect data: a structured questionnaire was given to 
professors, employees and students, a semi-structured questionnaire was used to 
interview the authorities. On the other hand, qualitative, in the interpretation of the data 
collected during interviews with the directors and the descriptions of the attitudes and 
manifestations of the people interviewed. The total number of participants was 4.538, 
where a systematic stratified sampling was used, a margin of error of 5 % was allowed 
and trust level was at 95 %, in agreement with the objectives of the investigation. The 
analysis of the results demonstrated that the majority of the academic participants 
considered institutional evaluation an opportunity to better the management of the 
Nationals University of Pilar; a small percentage demonstrated indifference towards 
the topic which demonstrates the necessity of bringing awareness to the subject. 


KEYWORDS: Institutional evaluation; University management; Academic managers; 
Educational quality. 


13 


1. INTRODUCCIÓN 

El presente informe es el resultado de una investigación formativa o de aula en 
la Universidad Nacional de Pilar, Paraguay (UNP), implementada como una estrategia 
de innovación educativa, con el propósito de aprender a investigar-investigando; fue 
realizada con la participación de los alumnos del cuarto curso de la carrera Ciencias 
de la Educación de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación. 

El estudio recoge las ideas, las teorías, los esfuerzos, las acciones y las 
opiniones de los actores educativos respecto a la evaluación institucional, con el 
propósito de instalar la cultura evaluativa en la gestión universitaria. Es el resultado 
de una investigación bibliográfica y de campo, que incluyó los contenidos del 
programa de estudios de dos asignaturas involucradas, Evaluación Institucional y 
Proyectos Educativos Ill del Cuarto curso de la carrera mencionada, así mismo es el 
resultado de un proceso de elaboración y profundización del aprendizaje autónomo 
de los alumnos, que permite contrastar el marco teórico con las vivencias y 
experiencias de la evaluación institucional y la gestión universitaria. 

El objetivo principal de la investigación fue detectar la percepción de los 
gestores académicos sobre la implementación de la Evaluación institucional en la 
gestión de la UNP. Además, se buscó desarrollar tres objetivos específicos: - 
Caracterizar el proceso de implementación de la evaluación institucional en la gestión 
de la Universidad, por la comunidad educativa universitaria. - Conocer las 
herramientas de gestión implementadas para la efectividad de los procesos 
evaluativos de la UNP. - Identificar los conocimientos que poseen los gestores 
académicos sobre la implementación de la Evaluación Institucional con miras a 


mejorar la Gestión. 


2. MARCO TEÓRICO 

2.1 EVALUACIÓN INSTITUCIONAL 

La evaluación institucional posee actualmente una singular importancia según 
la opinión de Aguilar Hernández (2001): “Las universidades públicas, en la actualidad, 
deben someterse, cada vez con más frecuencia, a procesos de evaluación interna y 
externa, que hasta poco eran inusuales”(p.23), en este contexto, Martín & Rouhiainen 
(como se citó en Ademar Ferreyra, Marín Gallego y Osorio de Sarmiento,20015) 
destacan que el crecimiento, la diversidad de ofertas y la proliferación de las 


instituciones privadas de los sistemas de educación superior han instalado una 


14 


interpelación de la sociedad a nivel mundial sobre la calidad de los procesos y 
resultados de la educación superior, generândose según estos autores, la necesidad 
del aseguramiento de la calidad de la educación a traves de un sistema de evaluación 
institucional y de Acreditación de programas académicos y de Instituciones. 

Según Ademar Ferreira et al, (2015), destacan que, el fenómeno de la 
globalización en su relación con el mercado, hace que los conceptos de eficiencia y 
eficacia, así como el control y el manejo de los distintos campos de la ciencia y la 
tecnología por parte de la nueva sociedad del conocimiento, ubican a la universidad 
en una situación de crisis como consecuencia de la pérdida parcial de su condición de 
ser la exclusiva productora y poseedora del saber. Esta situación la obliga a 
vincularse, cada vez más, con los desarrollos del mundo social e industrial y con los 
avances de la ciencia y la tecnología y, aunque sigue produciendo conocimiento, debe 
colaborar más con la sociedad. 

En este contexto, es relevante considerar la gestión institucional como unidad 
y totalidad; la gestión de la universidad como complejo institucional, con este enfoque 
la Comisión Nacional de Evaluación y Acreditación Universitaria (CONEAU, 2000), 
expresa que “la gestión institucional está compuesta por un conjunto de factores 
(recursos, procesos y resultados) que deben estar al servicio y contribuir 
positivamente al desarrollo de la docencia, la investigación y la extensión”, cuyo 


objetivo básico es “...conducir al desarrollo integral de la institución y no a una 
asociación de unidades académicas aisladas”. (p.14) 

Al respecto, Noguirea & Góngora (2000) mencionan aspectos fundamentales 
sobre la gestión institucional, ésta debe incluir instancias orgánicamente 
institucionalizadas responsables de disefiar y organizar en forma integral los procesos 
universitarios (mecanismos y procedimientos para la toma de decisiones, con relación 
a la gestión administrativa, selección de elementos que permiten facilitar el flujo de la 
información hacia adentro y hacia afuera de la institución, la selección y contratación 
de personal, para la marcha de la institución, etc.) y por último que la gestión 
universitaria debe incorporar los mecanismos que aseguran la libertad de cátedra y la 
autonomia académica de la institución. 

Considerando este análisis sobre la gestión universitaria, la evaluación 
institucional, tal como lo enfatizan Perozo, González, & Jiménez (2012), constituye 
una salida viable para la revisión constante y sistemática a la que deben someterse 


las instituciones de educación universitaria, cuyo producto permita su permanencia 


15 


como organizaciones de calidad que respondan a las necesidades presentes y futuras 
en el desarrollo del contexto social del cual forman parte. El reflejo de esa calidad se 
establece por medio de la eficiencia y eficacia en el cumplimiento de las funciones 
académico-administrativas del proceso educativo atendiendo a los principios del ser, 
hacer y conocer. 

La búsqueda de la calidad a través de la evaluación institucional enmarcada en 
una cultura de evaluación como un valor fundamental, según Castellanos (2011), hace 
referencia al conjunto de fundamentos teórico prácticos, técnico-metodológicos, 
estructural funcionales de la evaluación educativa, creados y aplicados por los actores 
universitarios (evaluados y evaluadores). Todo ello con la finalidad de conocer, 
comprender, explicar e interpretar la calidad educativa alcanzada y tomar las 
decisiones para la mejora de los servicios educativos, enfocada hacia el cambio y a la 
transformación universitaria. 

Por ende, cabe resaltar que la evaluación institucional es un factor 
imprescindible para buscar mejoras dentro de una institución de Educación Superior. 
Asimismo, es una herramienta para la transformación hacia la calidad educativa. 

Conforme a lo expuesto, esta investigación, describe la percepción de la 
comunidad educativa sobre la implementación de la Evaluación institucional en la 
gestión de la UNP. Presenta las opiniones, expectativas y fundamentos teóricos que 
poseen los integrantes de la comunidad educativa, respecto a la implementación de 
este tipo de evaluación, con fines de acreditación. 

La evaluación institucional se constituye en un mecanismo de aseguramiento 
de la calidad en toda gestión institucional u organizacional; en Paraguay, la Agencia 
Nacional de Evaluación y Acreditación de la Educación Superior (ANEAES), propone 
un “Mecanismo para la evaluación institucional”; a fin de contar con un instrumento 
que posibilite un diagnóstico de la calidad de la gestión institucional para el 
mejoramiento continuo y la instalación de una cultura evaluativa. (ANEAES, 2007). 

Coincidiendo con lo planteado por Cruz (2009), la evaluación institucional debe 
ser una reflexión participativa de los actores universitarios de carácter permanente 
sobre la realidad institucional. La misma está orientada a la construcción de la calidad 
para la garantia interna de su aseguramiento, para lograr las mejoras y 
transformaciones necesarias para la pertinencia interna y externa como instituciones 


de calidad y asumir responsablemente el compromiso social con el entorno. 


16 


Por su parte, la ANEAES (2007), define la evaluación como “un proceso de 
análisis estructurado y reflexivo, que permite comprender la naturaleza del objeto de 
estudio y emitir juícios de valor sobre el mismo, proporcionando información para 
ayudar a mejorar y ajustar la acción educativa” (p.4). 

La evaluación es una reflexión permanente sobre la acción, la cual está 
destinada a todos los actores de la comunidad educativa, de forma a facilitar la toma 
de decisiones confiables, sobre la información relevada del proceso desarrollado y, al 
mismo tiempo, provee información confiable a la sociedad en general. Según Bruner, 
citado por Villalba Benitez (2017), “las organizaciones exitosas son aquellas que 
logran modificar su modelo de gestión, adatándolas a las demandas del entorno, 
donde se encuentran insertas; exige que las universidades no deben ser indiferentes 
a los problemas de su alrededor, al contrario, debe abordarlos en forma crítica” (p.38). 

Por tanto, la implementación de la evaluación institucional en las universidades 
constituye una estrategia que permite obtener mejores rendimientos, propicia la activa 
participación de la comunidad académica universitaria, en el análisis y la reflexión 
compartida de la realidad, y además, desarrolla al interior de la institución la cultura 
de la evaluación, elementos necesarios para la mejora continua y el aseguramiento 
de la calidad educativa. 

2.2 GESTIÓN UNIVERSITARIA 

La gestión de las universidades excede hoy la sola perspectiva institucional. 
Una buena gestión está asociada, al rol de la institución, pero también al del sistema 
universitario como conjunto y al del mismo Estado. (González, 2006). 

Según Villalba (2017), la gestión de las universidades, se refiere a los distintos 
aspectos de su funcionamiento, incluso los relativos a la naturaleza, a la evolución del 
vínculo social y a las finalidades que los relacionan o fusionan en una sociedad dada. 
Es decir, la administración es un componente sustancial de los procesos de gestión, 
por cuanto no es posible llevar adelante la aplicación de instrumentos para lograr 
objetivos, sin los elementos económicos que los materializan. Es decir, “sin la 
administración, la gestión es sólo expresión de deseos, pensamiento... buenas 
intenciones” (Gutiérrez, 2008). 

Fernández Lamarra, (citado por Villalba, 2017), sefiala: “El gobierno 
universitario es una de las cuestiones abiertas en el debate respecto de la situación 
universitaria actual. Los enunciados de las reformas de los afios 90 la problematizan 


especialmente, poniendo en tela de juicio la eficacia o la eficiencia de los órganos 


17 


colectivos, de carácter deliberativo y plural que los constituye, y las estructuras de 
representación involucradas” (p. 8). 

En este sentido, la gestión universitaria, actualmente posee características 
dinámicas y complejas, que constituyen verdaderos desafíos e imprimen un nivel de 
exigencias en las instituciones (Maldonado 2016), continua destacando este autor, 
que las instituciones que aprenden, Ilamadas organizaciones inteligentes, por su 
capacidad de autorregulación, promueven el desarrollo del talento humano como 
principal estrategia para encontrar el camino hacia la calidad educativa. 

De este modo, el proceso de aprender constituye el fundamento para el 
mejoramiento continuo de las personas en particular y de la institución en términos 
generales, el desarrollo de la organización se basa en el desarrollo de las personas y 
en su capacidad para incorporar nuevas formas de hacer gestión en las instituciones 
que se trabajan (Castillo, Flores y Miranda, 2015), sobre todo considerando que 
actualmente existe la “ necesidad de demostrar la calidad de los servicios que se 
prestan” (González, 2004, p. 8) en la educación superior, por lo tanto amerita una 
gestión universitaria en continuo mejoramiento, en procesos de evaluación 
institucional permanente con rendición de cuentas a la sociedad. 

Bernasconi( 2014), destaca que la sociedad actual necesita de una gestión 
universitaria que tenga a su cargo generar conocimiento, diseminarlo y aplicarlo a la 
solución de problemas en este contexto surgen los procesos de evaluación y 
acreditación de instituciones de educación superior, con enfoques de aplicación 
internas y externas, para orientar y validar el servicio que las universidades prestan a 
la sociedad desde “su naturaleza como instituciones dedicadas a la trasnmisión, 
cultivo y creación del conocimiento” (Bernasconi, p.20.) 

En este esenario expuesto, urge una nueva gestión universitaria, que apunte 
hacia la calidad de la educación superior, asf como lo destacó la Conferencia Mundial 
de Educación 

Superior, en París (2000) “En ningún momento de la historia ha sido más 
importante como ahora contar con la garantía de la calidad de los estudio superiores, 
por su condición de fuerza primordial para la construcción de sociedades del 
conocimiento, integradoras y diversas y para fomentar la investigación, la innovación, 
la creatividad y el desarrollo” (p. 10). 

Para responder a estos desafíos, es urgente que la gestión universitaria 


responda en forma “rápida y con calidad a las exigencias emergentes, a las demandas 


18 


del sector productivo, a las inapelables imposiciones de la transformación científico- 
tecnológica que nos envuelve, pero sobre todo y ante todo, es insoslayable que — ante 
el riesgo de un trágico incremento de la ya de por sí intolerable marginación de 
hombres y naciones — la educación universitaria coadyuve en la construcción de 
sendas de convivencia que garanticen el respeto absoluto a la majestuosa dignidad 
de la persona humana y a su realización plena con preeminencia sobre todo otro valor 
social” (Vargas Salazar, 2011). 

Siguiendo con esta línea de pensamiento la Conferencia Mundial de Educación 
Superior destaca enfáticamente que “Deberían ponerse en práctica en todo el sector 
de la Educación Superior mecanismos nacionales de regulación y garantía de la 
calidad, que promuevan la excelencia, el acceso equitativo y creen las condiciones 
para que los alumnos concluyan sus estudios con probada calidad” París, Julio 2009. 

El informe final (2018) de la Conferencia Regional de la Educación Superior 
(CRES), expresa que “la acreditación debe fundamentarse en evaluaciones 
simultáneas de las carreras dentro de la misma área del conocimiento, integrando la 
institucional (aspectos financieros, administrativos y gerenciales) y la académica 
(formación profesional) a fin de realizar análisis comparativos y propiciar mecanismos 
de regulación y evaluación de las agencias de acreditación, con el propósito de 
asegurar criterios internacionales de credibilidad y eficacia” (p. 11). 

Se observa en los esenarios expuestos una clara inclinación en promover, 
aplicar, e instalar la evaluación con fines de acreditación que procuren garantizar la 
calidad de la educación superior que se requiere para enfrentar con éxito los retos del 
presente y el futuro. 

De lo expuesto, se concluye con certesa, que a través de la evaluación 
institucional se puedan aseguran las acciones de gobierno y de administración de las 
universidades que brinden respuestas a los actuales desafios “para desarrollar una 
perspectiva democrática de la gestión, promoviendo una educación de calidad para 
todos, con énfasis en la aplicación de los conceptos de libertad, equidad y 
participación” (Sander, 2012). 


3. METODOLOGIA 
En la presente investigación la población de interés o universo constituyó la 
comunidad educativa de la UNP (directivos, funcionarios, docentes y estudiantes de 


los últimos ahos de las carreras de las siete facultades), periodo 2018. 


19 


Para el logro de los objetivos, se procedió al análisis y elaboración del marco 
teórico de los ejes temáticos de los programas de estudio de las dos disciplinas 
implicadas en esta investigación. 

El estudio fue de carácter descriptivo, se analizaron las variables 
seleccionadas, las características de las mismas y se identificaron la percepción de la 
comunidad educativa sobre la implementación de la Evaluación institucional en la 
gestión de la Universidad Nacional de Pilar, afo 2018. 

Se utilizó el diseno no experimental, se observó el fenómeno tal y cómo ocurren 
naturalmente, de corte transversal, de carácter cualitativo y cuantitativo, en este 
sentido, Hernández Sampieri, Fernández Collado, & Baptista Lucio (2008), descatan 
que la investigación descriptiva “Busca describir propiedades, características y razgos 
importantes de cualquier fenómeno que se analice. Describe tendencias de un grupo 
o población” (p. 103). 

El método de investigación que se implementó responde a un paradigma de 
convergencia entre el cuantitativo y el cualitativo, el mismo permitió enriquecer la 
perspectiva de recolección de datos de la percepción de la comunidad educativa sobre 
la implementación de la Evaluación Institucional en la gestión universitaria. 

Para generar datos cuantificables fueron aplicados cuestionarios estructurados 
a tres tipos de actores educativos: docentes, alumnos y funcionarios, con el propósito 
de medir las variables, conforme a los objetivos de la investigación. 

A fin de conocer y analizar las opiniones, percepciones, y expectativas de los 
directivos sobre la implementación de la Evaluación Institucional y su implicancia en 
la gestión de la UNP, fue aplicado el cuestionario semiestructurado. 

La población quedó constituida por la comunidad educativa de la Universidad 
Nacional de Pilar conformada por: 628 Docentes, 205 funcionarios, 4600 alumnos, 
totalizando: 5.433 participantes. 

Para el cálculo de la muestra se tuvo en cuenta un margen de error admitido 
del 5 %, un nivel de confianza del 95 %, número de estratos a considerar: 9 y se realizó 
a través de una fórmula, totalizando así 359 muestras. Considerando que cada 
estamento cuenta con magnitudes muy diferentes en su distribución asi como tambien 
la cantidad de estudiantes matriculados por facultad, se procedió a realizar el cálculo 
del muestreo aleatorio estratificado con afijación proporcional ya que la universidad 
cuenta con varias facultades que se convierten en subgrupos y por lo tanto se eligio 
el tipo de muestreo estratificado. 


20 


Tabla Nº: Cantidad de docentes, profesores, funcionarios y alumnos. 

































































SIME. Nº 8 281/2017, correspondiente a carreras de grado. 





Máximo de error admitido 


5,0 % 





Tamafio de la población 


5433 





Tamaho para un nivel de confianza del 95 % | 359 





Tamaho para un nivel de confianza del 97 % | 433 








Tamaho para un nivel de confianza del 99 % | 593 











MUESTREO ALEATORIO ESTRATIFICADO CON AFIJACIÓN PROPORCIONAL 
Tamafio población 
ESQUQIOS se seem AUS PURE a RR SOR SERRA ER RO ERR 5433 
Tamaro de la muestra que se desea obtener 
ESn Rates APR ER RAR Re NET AR E E NE 359 
Número de estratos a 
conside rara emo me ntennis oe ai RA E SE O PRN ESP VERA SOR 9 
Nº de Mues 
Estratat | Identificación Sujetos a tra 
os en el sición | del 
estrato estrat 
[o 
1 Ciencias Contables, Administrativas y 983 18,1 65 
Económicas % 
2 Ciencias Agropecuarias y Desarrollo Rural 428 79% | 28 
É Drecho, Ciencias Políticas y Sociales 1033 19,0 68 
Yo 
4 Humanidades y Ciencias de la Educación 376 6,9% | 25 
5 Ciencias Aplicadas 1363 25,1 90 
Yo 
6 Ciencias, Tecnologias y Arte 204 3,8% | 13 
7 Ciencias Biomédicas 23 39% | 14 
8 Profesores 628 11,6 41 
Yo 
9 Funcionarios 205 3,8% | 14 
Correcto | 100,0 359 
Yo 
Fuente: elaboración propia, en base al Informe Financiero. Ministerio de Hacienda. Expediente 


Los instrumentos de recolección de datos fueron disefados conforme a las 





variables descriptas en el proyecto, implícitas en los objetivos generales y específicos, 


contrastados con el marco teórico de la investigación. 


21 


La validación y el ajuste del cuestionario, fue producto del equipo de 
investigadores, quienes elaboraron los instrumentos, conforme a delineamientos 
técnicos; se recurrió al marco teórico y referencial, teniendo en cuenta todos los 
factores que permiten mayor confiabilidad y validez a los datos. 

Se procedió a testear el cuestionario, identificando debilidades y puntos a ser 
mejorados para medir las variables, mediante la aplicación a un grupo de voluntarios. 
Concluido el proceso de validación, se aplicaron los cuestionarios en el mes de junio 
y julio del afo 2018, a la muestra seleccionada para el presente trabajo. 

Para el análisis de los datos, se procedió a organizar la información recogida, 
en tablas demostrativas que responden a las variables y sus indicadores, conforme a 
los objetivos de la investigación. El proceso de codificación permitió agrupar los datos 
verbales numéricamente, a fin de operativizar los datos arrojados. 

La elaboración de tablas, organizó el listado y agrupamiento de datos, que 
facilitó el examen exhaustivo de los resultados de las variables y sus interrelaciones. 
Se buscó a partir de todos estos datos, explicar los resultados, a través de una 
exposición clara de sustentación teórica y extracción de inferencias. 

3.3 DISCUSIÓN Y ANÁLISIS DE LOS RESULTADOS 

En el proceso de aplicación de los instrumentos se han medido los objetivos 
planteados previamente en la investigación. Se articuló de manera coherente la teoría 
con los resultados obtenidos en el análisis de la percepción que poseen los gestores 
académicos sobre la evaluación institucional, quedando demostrado como lo afirma 
Letelier citado por Centurión (2007) que “La evaluación institucional es un instrumento 
estratégico fundamental de gestión...Esto implica necesariamente una reforma de la 
gestión educativa” (p.13). 

Así mismo se ha utilizado como técnica de análisis de datos las tablas en donde 
se especifican el título y las preguntas de investigación, así también las fuentes 
recurridas y el listado de los datos analizados. Seguidamente se encuentran las 
diversas tablas con sus respectivas interpretaciones. 

Tabla Nº2: Conocimiento sobre las herramientas estratégicas de gestión. 


1. 4 Conocessi la UNP dispone de las herramientas estratégicas de gestión? 
(proyecto institucional y proyecto estratégico) 








Fuentes Si No No se 
Docentes 88% 0% 12% 
Funcionarios 93% 0% T% 

Alumnos 53% 15% 32% 





Fuente: Elaboración propia. 
22 


Según la Matriz de calidad para la Evaluación Institucional, presentada en el 
Modelo Nacional de Evaluación y Acreditación de la Educación Superior (ANEAES, 
2014) toda Universidad debe contar con herramientas estratégicas de gestión ya que 
sirven como documento orientador de la gestión institucional. 

Siguiendo con lo expresado, la Universidad Nacional de Pilar (UNP) cuenta con 
las herramientas estratégicas de gestión y la primera interrogante en esta 
investigación es la de saber si la comunidad educativa de la universidad conoce o no 
dichas herramientas. 

En cuanto al resultado obtenido de la tabla Nº2, se observa que el 88 % de los 
docentes conocen las herramientas; los funcionarios, e nun 93 % y los alumnos 53 %; 
por lo tanto, lleva a la interpretación de que existe mayor conocimiento de parte de los 
funcionarios acerca de las herramientas estratégicas de gestión que dispone la 
universidad. 

El 15% de los estudiantes encuestados manifiestan que la universidad no 
dispone de las herramientas estratégicas de gestión y el 32 % de los mismos revelan 
que no conocen, a lo que sefiala Neyra (2010) que en la construcción de proyectos 
todos deben de estar Ilamados y comprometidos a participar, así también en la 
elaboración de los demás instrumentos de gestión (Tabla 02). 


Tabla Nº3: Conocimiento de la estructura organizacional. 

















2. éConoces la estructura organizacional de la UNP (Organigrama institucional)? 
Fuentes Si No No Se 
Docentes 91% 2% 7% 
Funcionarios 93% 0% 7% 

Alumnos 60% 21% 19% 




















Fuente: Elaboración propia. 


Por medio de los resultados arrojados, a través de las encuestas realizadas a 
los funcionarios, docentes y alumnos de las diferentes facultades, se observa un 
panorama favorable en cuanto a que los encuestados respondieron tener 
conocimientos acerca de la estructura organizacional de la U.N.P. 

La misma información es cotejable por medio de la siguiente tabla de 
resultados, en la cual se observan que el 91 % de los docentes han respondido que 
conocen a cabalidad la estructura organizacional de la UNP, pero en cuanto a los 


23 


resultados arrojados por los alumnos, se observa que un 21 % de los alumnos han 
respondido que desconocen la forma en que se encuentra estructurada la UNP y un 
7 % de los funcionarios han respondido que desconocen la estructura organizacional 
de la UNP. 

La finalidad de una estructura organizacional es establecer un sistema de papeles 
que han de desarrollar los miembros de una entidad para trabajar juntos de forma 
óptima y que se alcancen las metas fijadas en la planificación. (MEC, 2008) 


Tabla Nº4: La evaluación institucional contribuye al mejoramiento de la calidad educativa. 





3. é Crees que la Evaluación Institucional, contribuye al mejoramiento de la calidad de 
la Educación Superior? 














Fuentes Si No No se 
Docentes 93 % 2 % 5 % 
Funcionarios 93 % 0 % 7% 
Alumnos 86 % 7% 7% 




















Fuente: Elaboración propia. 


Considerando la tabla Nº3, se observa que el 93 % de los Funcionarios y 
Docentes encuestados creen que la evaluación institucional contribuye al 
mejoramiento de la calidad de la Educación Superior, como así también el 86 % de 
los alumnos encuestados. Cabe mencionar que sólo 7 % de los alumnos desconocen 
sí la evaluación institucional contribuye al mejoramiento de la calidad educativa. 

Los resultados arrojados en la tabla N'º3 indican la importancia que los actores 
educativos de la Universidad Nacional de Pilar otorgan a la implementación de la 
evaluación institucional para el mejoramiento de la calidad educativa, esto resulta un 
factor importante considerando lo expuesto por Vincenzi (2012), en cuanto que, para 
asegurar la calidad en la educación superior es necesario implementar la evaluación 
institucional con la participación de todos los actores, sólo con un nivel alto de 
compromisso y participación de los estamentos se puede lograr los objetivos 
planteados, y así obtener el reconocimiento o la acreditación de las agencias de 


evaluación correspondiente. 


24 


Tabla Nº: 5. La Evaluación Institucional es un mero trâmite para cumplir con exigencias 
gubernamentales y financieros de la institución. 

















4. «Crees que la E.l., es un mero trámite para cumplir con exigencias gubernamentales 
y 

financieros de la institución? (becas, convenios) 

Fuentes Si No No se 
Docentes 24 % 64 % 12 % 
Funcionarios 7% 79 % 14 % 

Alumnos 27 Yo 51 % 23 % 




















Fuente: Elaboración propia. 


Considerando la tabla Nº 5, se observaque el 24 % de los docentes creen que 
la Evaluación Institucional es un mero trâmite para cumplir con exigencias 
gubernamentales y financieros de la institución, en cuanto a los funcionarios se 
observa un menor porcentaje de respuesta favorable en un 7 %, sin embargo, con la 
respuesta de los alumnos observamos un resultado de 27 %. 

Simoneau (1991) destaca que la Evaluación Institucional es un conjunto de 
prácticas, métodos y conocimientos que tiene como objeto principal dar respuesta a 
una necesidad específica y una mejor gestión de las Universidades, implica favorecer 
a la Universidad todo aquello que le permita alcanzar sus objetivos de ensefianza e 
investigación y fortalecer la calidad de sus actividades. 

Simoneau (1991) precisa que evaluar una Universidad quiere decir emitir un 
juício de valor a propósito de la pertinencia y razón de ser de sus objetivos, su grado 
de cumplimiento y la forma en que han sido alcanzados. 

La evaluación de la gestión institucional implica concebir a las instituciones 
como entes dinámicos, vivos, capaces de crecer y evolucionar, de recrearse a sí 
mismos, de movilizarse hacia la articulación eficiente de sus procesos internos para 
el logro de los propósitos declarados en su proyecto educativo. 

Cabe destacar que la Evaluación Institucional, como parte del Modelo Nacional 
de Acreditación de la Calidad de la Educación Superior, es un procedimiento científico 
que se rige estrictamente por parámetros de calidad establecidos en una matriz, 


acordada con la sociedad académica nacional. 


25 


Tabla Nº 6 La Evaluación Institucional como instrumento verificador de metas. 





5. éCrees que la Evaluación Institucional, contribuye al mejoramiento de la calidad de 
la Educación Superior? 














Fuentes Si No No se 
Docentes 95 % 0 % 5 % 
Funcionarios 100 % 0 % 0 % 
Alumnos 86 % 5 % 9 % 




















Fuente: Elaboración propia 


Observando el resultado de la encuesta presentada en la tabla Nº6 
denominada: La evaluación institucional como instrumento verificador de metas, se 
destacan los siguientes resultados porcentuales: El 95 % de los docentes creen que 
la evaluación institucional permite verificar el cumplimiento de la misión, visión, 
valores, propósitos y objetivos pertenecientes a la U.N.P. mientras que el 100 % de 
los funcionarios si creen en la Evaluación Institucional como instrumento verificador. 
No obstante, se obtuvo un porcentaje un poco menor con relación a los estudiantes, 
en donde el 86 % sí cree en la evaluación institucional como medio verificador. 

Solamente el 5 % de los estudiantes no creen que la evaluación institucional 
permita verificar el cumplimiento de la misión, visión, valores, propósitos y objetivos 
de la U.N.P. 

El 5 % de los docentes no saben si la evaluación institucional permite verificar 
el cumplimiento de la misión, visión, valores, propósitos y objetivos de la U.N.P. 
mientras que un 9% de alumnos desconoce, al igual que los docentes, si la 
evaluación institucional actúa como medio verificador. Cabe resaltar lo expresado 
por Campos (2011), quien afirma que la evaluación institucional se interesa por todos 
los aspectos del funcionamiento y desarrollo de los centros educativos; calidad de 
los contenidos, programas, acciones que se desarrollan dentro y fuera del aula. 

Los actores educativos de la UNP, conforme al resultado de esta tabla 
evidencian que la Evaluación Institucional constituye un medio valioso para la 
verificación del cumplimiento de las metas autoimpuestas, en este sentido Manzano 
(2015) destaca justamente que la evaluación institucional se convierte en un proceso 
mediático que valora, aprecia y estima la calidad de las instituciones evaluadas. Se 
trata pues de realizar un análisis de fortalezas y debilidades, un profundo estudio de 
las características que envuelven la realidad de una organización con el fin de 


mejorar la calidad educativa. 


26 


Tabla Nº “7: Implementación de la Evaluación como mejora de la gestión institucional. 





6. ;Crees que la implementación de la Evaluación Institucional constituye un espacio 
de aprendizaje para mejorar la gestión de la U.N.P.? 














Fuentes Si No No se 
Docentes 93% 5% 2% 
Funcionarios 93% 7% 0% 
Alumnos 82% 6% 12% 




















Fuente: Elaboración propia. 


En la tabla presentada se observa como los agentes educativos le dan un alto 
valor a la implementación de nuevas mejoras para las Universidades. Los docentes y 
funcionarios en un 93% afirmaron que la implementación de la Evaluación 
Institucional contribuye en la mejora. Los alumnos en un 82 % respondieron que si se 
debe implementar la Evaluación Institucional. Estos porcentajes elevados, evidencian 
la percepción positiva de los actores académicos hacia la implementación de 
este proceso. 

En este sentido, “la evaluación institucional se sustenta en principios de calidad 
que guían su accionar en el proceso evaluativo, así como en normas técnicas que 
direccionan los procedimientos a ser aplicados para recoger información válida, 
pertinente, relevante, útil y oportuna para el diagnóstico de la situación presente y la 


proyección de las estrategias necesarias para la mejora” (ANEAES, 2018). 


Tabla Nº8: Evaluación de las acciones estratégicas ejecutadas por las autoridades de la UNP 

















7. é Crees que las acciones estratégicas ejecutadas por las autoridades de 
la U.N.P., deben ser evaluadas? 

Fuentes Si No No se 
Docentes 100 % O % O % 
Funcionarios 100 % O % O % 
Alumnos 83 % 6 % 11% 




















Fuente: Elaboración propia. 


Las acciones estratégicas constituyen proyectos de cambio, siempre persiguen 
un objetivo que deben ser ejecutados y evaluados, de acuerdo a Córdova, (como se 
citó en Moreno, Parra, Villasmil Molero, Hernández, & Durán, 2017). Destaca este 
autor que los objetivos específicos exigen la adaptación de las acciones estratégicas 


a sus contextos para lograr una evaluación confiable. La evaluación de las acciones 


21 


estratégicas constituye la medición de los resultados, y obtener la medida en que los 
objetivos se van concretando. 

Trasladando los conceptos precedentes a la realidad de la UNP, se puede 
deducir que el 100 % de funcionarios y docente afirman que es necesario aplicar la 
evaluación de las acciones estratégicas impulsadas por dicha institución, mientras que 
el 83% del alumnado manifiesta conformidad con los estamentos docentes y 
funcionarios, el 17 % no lo considera o desconoce su utilidad (Tabla Nº8). 


Tabla Nº 9 Conocimiento de infraestructura de las facultades, rectorado y dependencias de la UNP. 

















8-é Crees que debe ser evaluada la infraestructura de las facultades, rectorado y demás 
dependencias de la U.N.P.? 

Fuentes Si No No sé 
Docentes 93 % 2% 5 % 
Funcionarios 93 % 7% 0 % 
Alumnos 88 % 6 % 6 % 




















Fuente: Elaboración propia. 


En la variable sobre conocimiento de infraestructura observamos que el 93% 
de los docentes y funcionarios respondieron que es necesario la evaluación edilicia, 
mientras que el 88 % de los alumnos respondieron que sí (Tabla Nº9). 

Consecuentemente, Torres Landa López (2010), destaca que en el âmbito 
educativo es evidente la incorporación de las TIC y los cambios que esto ha generado. 
Ante esta situación, surge la valoración de una adecuada evaluación educativa, que 
proporcione ambiente de aprendizaje y asegure procesos de ensefianza - aprendizaje 
acorde a la sociedad del siglo XXI. 


Tabla Nº 10 Docencia y/o investigación realizadas en la facultad, unidades académicas y filiales de la 


U.N.P 

















9. ;Crees que la docencia y/o investigación realizadas en la facultad, unidades 
académicas y filiales de la U.N.P., mejoraría con la Evaluación Institucional? 
Fuentes Si No No se 
Docentes 86 % 5 % 10 % 
Funcionarios 93 % O % 7 Jo 
Alumnos 73 % 10 % 18 % 




















Fuente: Elaboración propia. 


28 


La tabla demuestra que el 86 % de los docentes creen que la docencia y la 
investigación mejoraría con la Evaluación Institucional, en cuanto a los funcionarios 
se observa un mayor porcentaje de respuesta favorable en un 93 %, sin embargo, en 
la respuesta de los alumnos observamos un resultado menor, correspondiente al 73 % 
(Tabla NO). 

González y Col, (como se citó en Alfaro, A. y Pérez, M., 2012, p.4) destacan 
que “la evaluación institucional, en cualquiera de los ámbitos en que se lleva a cabo, 
ya sea la docencia, investigación, formación continua, actividades culturales, práctica 
deportiva, idiomas, etc. la meta es mejorar la calidad educativa de la 
Educación Superior” 

Estos resultados indican que los encuestados valoran la aplicación de la 
Evaluación institucional, así como destaca la ANEAES, (2014) que la evaluación 
institucional, es un procedimiento científico que se rige estrictamente por parámetros 
de calidad establecidos en una matriz, acordada con la comunidad académica de las 
universidades e institutos superiores, y que permite la mejora continua de una 


Institución de Educación Superior. 


Tabla Nº 11 Evaluación de los procesos curriculares, administrativos y evaluativos de la oferta 
educativa en la U.N.P. 

















10. ;Crees que deben ser evaluados los procesos curriculares, administrativos y 
evaluativos de la oferta educativa en la U.N.P? 

Fuentes Si No No se 
Docentes 95 % 0 % 5 % 
Funcionarios 100 % 0 % 0 % 
Alumnos 84 % 3 % 13 % 




















Fuente: Elaboración propia. 


Según Brovelli (2001), evaluar el currículo y las instituciones educativas es 
comenzar a mejorarlas, en este sentido, analizar el resultado obtenido mediante el 
instrumento aplicado a los docentes, funcionarios y alumnos, muestra que los 
Docentes en el 95 % considera que, si deben ser evaluadas, y un 5 % desconocen el 
tema. En cuanto a los funcionarios, el 100 % considera importante que se evalúe, el 
84 % de los alumnos considera que deben ser evaluados los procesos curriculares, el 


3 % nose debería, y el 13 % desconocen. 


29 


Teniendo en cuenta lo que sostiene Brovelli (2001) es sumamente importante 
evaluar los procesos curriculares, administrativos y evaluativos de la oferta educativa 
puesto que la misma brinda la oportunidad de mejorarlas. Y de esa manera ofrecer 


una educación de calidad. 


4. CONCLUSIONES 

A modo de concluir el trabajo, es importante destacar la hipótesis que impulsó 
la investigación, quedando está parcialmente comprobada, ya que el análisis de las 
informaciones obtenidas a través de los instrumentos de recolección de datos 
demostró que la mayoría de los actores involucrados conocen acerca de la evaluación 
institucional y la perciben como un mecanismo para mejorar la gestión y por ende la 
calidad educativa. 

Sin embargo, un porcentaje menor de los involucrados no conocen el 
mecanismo de Evaluación institucional y lo caracteriza como un mero trámite 
burocrático para el cumplimiento de normas legales que solamente permite asegurar 
el presupuesto de las diferentes Facultades. 

Con base en todas las afirmaciones hechas se concluye que la evaluación 
institucional es una herramienta sumamente importante en el proceso de gestión de 
las instituciones educativas y como tal, ha nacido esta investigación para conocer la 
percepción que tiene la comunidad educativa de la Universidad Nacional de Pilar en 
relación a la importancia de la evaluación institucional en la gestión. 

Como objetivo principal se tuvo la de “Describir la percepción de la comunidad 
educativa sobre la implementación de la Evaluación institucional en la gestión 
universitaria de la UNP” que se cumplió a cabalidad, ya que se conoció la percepción 
que tienen los actores educativos de la Universidad Nacional de Pilar acerca de la 
evaluación institucional en la gestión universitaria. 

La percepción manifestada por los actores educativos es relativa, ya que unos 
consideran que la evaluación institucional es importante para mejorar la gestión 
universitaria, mientras que otros afirman que la evaluación en la gestión no posee 
ninguna fuerza de mejora que solamente se realiza para cumplir con las demandas 
gubernamentales que dispone a través de las Agencias de Evaluación y Acreditación 
de la Educación Superior. 

Así mismo se pudo conocer las debilidades que poseen los actores educativos 


especialmente los estudiantes en cuanto al conocimiento de las herramientas de 


30 


gestión implementadas para la efectividad de los procesos evaluativos de la UNP, 
también el escaso conocimiento de la estructura organizacional que dispone la 
Universidad. 

En cuanto a las acciones estratégicas ejecutadas por las autoridades de la 
Universidad Nacional de Pilar, la comunidad educativa considera en un alto valor 
porcentual que deben ser evaluadas de forma permanente ya que persiguen objetivos 
y deberán ser esclarecidos los resultados obtenidos. Asf mismo, consideran también 
que deben ser evaluadas las dependencias, el rectorado y las infraestructuras de las 


distintas facultades. 


31 


RECOMENDACIONES 


Las recomendaciones surgidas de este trabajo de investigación que lleva como 
tema “Percepción de la comunidad educativa sobre la evaluación institucional en la 
gestión universitaria”, son: 

- Implementar estrategias de concienciación sobre la evaluación institucional a 
los miembros de la comunidad educativa, especialmente a los alumnos; 

- Organizar talleres de conocimiento y elaboración técnica de la estructura 
organizacional (organigrama institucional) y de herramientas de la gestión 
universitaria; 

- Propiciar cambio de actitud de directivos, docentes y funcionarios sobre la 
implementación de la investigación en la UNP, a fin de acompafiar y posibilitar el 
proceso de aprendizaje de investigadores y estudiantes; 

- Reelaborar las herramientas fundamentales de la gestión de la UNP; 

- Implementar procesos de autoevaluación permanente respecto a todas las 
dimensiones a ser evaluados con miras a la acreditación institucional; 

- À los docentes, implementar la investigación formativa en función a la misión 
y propósitos institucionales; 

-A los estudiantes, participar y cambiar de actitud respecto a la investigación 
formativa para mejorar el aprendizaje con experiencias significativas; 

-A las autoridades, que apoyen a los docentes y alumnos que realizan 
investigaciones formativas para la formación de profesionales con capacidades 


investigativas. 


32 


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35 


CAPÍTULO 03 


O NEGRO NO LIVRO “HISTÓRIA DO PARÁ”, DEBENEDICTO MONTEIRO (2006). 


Amanda Martins Olegário 

Formação acadêmica: Graduada em Licenciatura em História 
Instituição: Faculdade Integrada Brasil Amazônia (FIBRA) 
Endereço: Av. Gentil Bittencourt, 1144. 

E-mail: amanda.olegario98(O gmail.com 


RESUMO: Desde a regulamentação dos currículos escolares no século XIX no Brasil, 
os conteúdos de História eram voltados à história da Europa, afirmando que estudar o 
continente europeu era estudar a história da humanidade e da civilização, e esse fato 
acabou priorizando e destacando o branco colonizador nos livros didáticos, 
marginalizando outros personagens históricos importantes para a formação do país e 
do Estado do Pará, como o negro, e por muito tempo ele não era considerado um 
objeto de estudo tão interessante na historiografia brasileira, só quando se tratava das 
teorias raciais as quais estavam sendo debatidas na época. Mas agora, depois das 
reivindicações do Movimento Negro, foi criada a Lei 10.639/03 a qual torna obrigatório 
o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nos currículos escolares, 
abrindo espaço para pesquisas sobre o assunto e ocorrendo mudanças nos livros 
didáticos tanto nacionais quanto regionais a fim de se adaptarem a Lei. Então, 
passados os anos desde a promulgação da Lei, de que forma esses materiais 
didáticos estão abordando o negro e sua história? Em quais assuntos tal personagem 
aparece? Quais fontes são utilizadas para falar sobre o negro? As imagens se referem 
somente à escravidão? Como esse projeto científico é baseado numa produção 
regional, essas questões estão focadas na História do Pará e para o objeto de estudo 
utilizado para a construção de tal análise historiográfica o qual é o livro do autor 
paraense Benedicto Monteiro, História do Pará (2006), utilizado em algumas escolas 
públicas do Estado, apesar de não ser necessariamente um livro didático. Para 
analisar as representações do negro na obra de Benedicto Monteiro, dialogamos com 
autores que tratam sobre o livro didático e sobre os negros nesse material, como Circe 
Bittencourt (2004), Warley Costa (2006), Itamar Freitas (2009) e as autoras Hebe 
Mattos, Martha Abreu, Carolina Vianna Dantas e Renata Moraes (2009). Esta pesquisa 
faz parte do projeto de Iniciação Científica intitulado Reflexos da Lei 10.639/03 na 
produção didática regional: representações do negro no livro didático de História da 
Amazônia (anos 1990-2000) desenvolvido na Faculdade Integrada Brasil Amazônia 
(FIBRA), localizada na cidade de Belém do Pará. 


Palavras-chave: História do Pará, livro didático, negro. 


ABSTRACT: Since the regulation of school curricula in the nineteenth century in Brazil, 
the contents of history were focused on the history of Europe, stating that to study the 
European continent was to study the history of humanity and civilization, and this fact 
ended up prioritizing and highlighting the white colonizer. textbooks, marginalizing 


36 


other important historical characters for the formation of the country and the State of 
Pará, such as the black, and for a long time he was not considered as an object of 
study in Brazilian historiography, only when it was the racial theories which were being 
debated at the time. But now, after the demands of the Black Movement, Law 10,639 / 
03 was created, which makes the teaching of African and Afro-Brazilian history and 
culture compulsory in school curricula, making room for research on the subject and 
changes in textbooks both. national as well as regional in order to adapt the Law. So, 
after the years since the enactment of the Law, how are these teaching materials 
addressing blacks and their history? What subjects does this character appear in? What 
sources are used to talk about black people? Do the images refer only to slavery? As 
this scientific project is based on a regional production, these questions are focused 
on the History of Pará and the object of study used for the construction of such 
historiographical analysis which is the book of the Pará author Benedicto Monteiro, 
História do Pará (2006), used in some state public schools, although it is not 
necessarily a textbook. To analyze the representations of the black in Benedicto 
Monteiro's work, we talk with authors who deal with the textbook and the blacks in this 
material, such as Circe Bittencourt (2004), Warley Costa (2006), Itamar Freitas (2009) 
and the authors Hebe Mattos, Martha Abreu, Carolina Vianna Dantas and Renata 
Moraes (2009). This research is part of the Scientific Initiation project entitled 
Reflections of Law 10.639 / 03 in the regional didactic production: black 
representations in the Amazonian History textbook (years 1990-2000) developed at 
the Brasil Amazônia Integrated College (FIBRA), located in the city. ffom Belém 
do Pará. 


KEYWORDS: History of Pará, textbook, black. 


37 


1. INTRODUÇÃO 

A história e cultura afro-brasileira por muito tempo foi ignorada e ocultada na 
historiografia brasileira, predominando a história do homem branco, principalmente a 
do europeu. Mas com a implantação da lei 10.639/03 a partir de muita luta e 
contestação, principalmente do Movimento Negro, a figura do negro e do 
afrodescendente ganharam uma nova visão histórica possibilitando uma 
compreensão maior sobre nosso passado. Desse modo, será realizada uma análise 
crítica no livro “História do Pará” com o objetivo de discutir como o negro e o afro- 
brasileiro são representados na história amazônica, mas antes será mostrado uma 
breve introdução do autor. 

Benedicto Wilfred Monteiro nasceu em Alenquer (PA) em 1º de março de 1924 
e morreu no dia 15 de junho de 2008 em Belém (PA). Filho de Ludgero Burlamaqui 
Monteiro e Heribertina Batista Monteiro, Benedicto foi escritor, jornalista, advogado e 
político paraense. Foi casado com Wanda Marques Monteiro e teve cinco filhos, dez 
netos e quatro bisnetas. 

Fez o curso de humanidades no colégio Marista N. S. de Nazaré em Belém e 
completou seus estudos no Rio de Janeiro e lá cursou Direito na Universidade do Brasil. 
Exerceu jornalismo na imprensa carioca e publicou seu primeiro livro de poesia 
Bandeira Branca (1945), mais tarde publicou várias outras obras como Verde vago 
mundo (1972), O minossauro, A terceira margem (esta recebeu o Prêmio Nacional de 
Literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal), Carrodos Milagres (foi premiado 
pela Academia Paraense de Letras), dentre outras publicações. Formou-se em 
Ciências Jurídicas e Sociais, exerceu os cargos de Promotor Público, Juiz de Direito e 
Secretário de Estado, já foi eleito deputado estadual e foi cassado e torturado pelo 
regime militar em 1964. Após sair da prisão, se dedicou à advocacia agrarista e à 
literatura, publicando o livro Direito Agrário e Processo Fundiário e vários livros de 
poesia e ficção. 

A partir dessa biografia é possível iniciar a discussão sobre o tema. No livro, o 
autor reserva o quarto capítulo da obra para abordar sobre o índio e o negro na história 
paraense, exaltando a importância de estudarmos tais etnias para compreender 
nossas origens, e mais adiante ele conta a história do negro de forma resumida, mas 
bem explorada pois ele conta com uma riqueza de detalhes e utiliza fontes visuais 
inéditas, tornando possível a compreensão do tema, entretanto essas imagens não 


possuem referências de onde foram retiradas, somente legendas dizendo o conteúdo 


38 


que a imagem traz. Ele divide o capítulo em tópicos, tais como “A situação do escravo 
negro africano”, “A importação dos escravos”, “A luta contra a escravidão”, “As 
comunidades negras”, “O negro na Cabanagem” e “As campanhas abolicionistas”, 
contando de forma cronológica e linear para melhor entendimento. 

Os tópicos são resumidos e objetivos, mas não aborda de forma tão profunda 
no assunto, narrando desde a chegada dos negros às terras amazônicas até a abolição 
da escravidão no Estado. 


Imagem 01: O escravo urbano. Essa gravura, por exemplo, representa a vida cotidiana do escravo 
negro na cidade cumprindo ordens de seu senhor ao exercer ofícios como transportador de água ou 
de vendedor ambulante, a fim de garantir a produção de seu proprietário. 





Fonte: MONTEIRO, Benedicto. História do Pará. Belém: Editora Amazônia, 2006, pp. 80. 


Ele traz gravuras da época - no entanto não dizem suas fontes, só as descreve 
- e um texto complementar o qualse chama“A convocação dos trabalhadores” contada 
por Domingos Antônio Raiol a criação de funções — como serviços nas lavouras, nas 
obras públicas e no comércio - pela Assembleia Legislativa Provincial para erradicar 
a presença de vadios que havia no interior da província, ou seja, negros, índios e 
mestiços estavam nessa classificação. 

No primeiro tópico, segundo os historiógrafos, a figura do negro na Amazônia 
não foi tão forte quanto foi em outras regiões do Brasil, como Bahia e Rio de Janeiro, 
pois a mão de obra indígena ainda era utilizada, apesar da proibição de Portugal em 
relação a isso, uma vez que, segundo Rafael Chambouleyron, o escravo africano era 


considerado um artigo de luxo, então era extremamente caro possuí-loe trazê-lo para 


39 


o Maranhão e Grão-Pará e tal Estado não tinha recursos suficientes para comprar essa 
“mercadoria”. No segundo tópico, conta a razão de como os escravos trazidos da 
África acabaram vindo para Belém e São Luís, sobre a Companhia de Comércio do 
Grão-Pará e Maranhão, em que tipo de propriedade trabalhavam e de quais países 


africanos geralmente vinham esses escravos, como mostra o autor: 


Os historiógrafos que se referem aos escravos de origem africana são acordes 
em que o contingente negro na formação social e econômica da Amazônia 
não teve a importância que os negros tiveram em outras regiões do Brasil. 
Os negros não chegaram ao Pará trazidos, primeiramente, pelos 
portugueses, e sim pelos ingleses, para trabalhar nas feitorias que montavam 
entre rios Paru e Xingu. Eles eram utilizados na cultura da cana e de outras 
espécies, mas foram desaparecendo com a destruição desses 
estabelecimentos pelos portugueses nesse início de colonização, pois a 


exploração se limitava à aventura da colheita das drogas do sertão [...].3 


Imagem 02: Mapa africano. Nessa gravura, retrata um mapa antigo mostrando a região africana da 
Guiné, um dos principais pontos do tráfico negreiro para o Estado do Maranhão e Grão-Pará, além de 
Angola e Costa da Mina e no livro são mencionadas diversas outras regiões africanas como Mocicongo, 
Benguela, Cabinda, Moçambique, Mali, Bijogó, dentre outras. 


TA p So 





miar veces 
R reino " 
A região da Quine, uma cla EMA 
dominadas pelo tráfico nenre 


Fonte: MONTEIRO, Benedicto. História do Pará. Belém: Editora Amazônia, 2006, pp. 


40 


Os tópicos “A luta contra a escravidão” e “As campanhas abolicionistas” se 
complementam e tratam da mesma questão: homens da elite paraense se 
organizando em instituições para lutar contra a escravidão até a promulgação da Lei 
Áurea. Em “As comunidades negras”, já trata da existência dos quilombos na 
Amazônia e conta da participação dos negros dos motins políticos e decomo os 
religiosos defendiam a libertação dos indígenas, mas não dos escravos negros. Por 
fim, “O negro na Cabanagem”, discute a importância do negro nos ideais cabanos e na 
participação do movimento, citando até nomes de alguns deles como Manoel 
Barbeiro, algo surpreendente e inédito, pois, infelizmente raros são os negros e os 
afro-brasileiros reconhecidos emnossa História, como Zumbie Henrique Dias os quais 
somente no século XIX foram citados nos livros didáticos, mas seus papéis como 
personagens históricos foram se alterando ao longo de nossa historiografia. 

Como o próprio Abreu e Lima reconhecia, ele valeu-se amplamente de trechos 
do livro História do Brasil, do inglês Robert Southey, na confecção do manual. A 
construção do compêndio trazia, porém, uma concepção pedagógica original que 
buscava formar o estudante no sentimento patriótico, identificado a um povo brasileiro 
em formação, que incluía os cidadãos brasileiros descendentes de indígenas e 
africanos escravizados. Talvez por isso tenha feito curta carreira no ensino da história 
do período monárquico. 

O manual escrito por Joaquim Manoel de Macedo, cujotítuloé Lições de história 
do Brasil (1865), baseado na história do Brasil escrita por Varnhagen, teve uma 
carreira bem mais longa e reservou um lugar bem menos proeminente para os dois 
personagens negros. Mas eles estavam lá. [...] a “Guerra Holandesa” mereceu seis 
lições, nas quais Henrique Dias foi rapidamente citado em apenas duas. De forma 
mais restrita, o herói só apareceu uma vez no quadro sinóptico, com a seguinte 
definição: “Henrique Dias, chefe dos negros”. [...] o Quilombo dos Palmares é citado 
uma única vez, como uma ameaça à ordem produzida pelos malefícios da escravidão. 
Numa perspectiva já abolicionista, Zumbi é definido como um negro que preferiu a 
morte à escravidão. Mas não havia elogios à civilização de Palmares. Para Macedo, o 
quilombo reunia escravos fugidos, bandidos e desertores. Em suas lições de história 
do Brasil, o herói era Domingos Jorge Velho, bandeirante que destruiu o quilombo. 


41 


Imagem 03: Africanidades. Nessa outra gravura, pode-se observar expressões culturais dos negros, 
no caso, a dança e os batuques. Nela, o autor fala como a cultura africana foi importante para 
suportar a dominação colonial. 





Fonte: MONTEIRO, Benedicto. História do Pará. Belém: Editora Amazônia, 2006, pp. 81. 


Sendo assim, é necessário avaliarmos como cada livro e autor descrevem o 
negro e sua história, pois eles têm uma visão diferente do assunto, uma vez que ele 
carrega sua própria ideologia, e cada editora interfere na edição do material didático 
para atender à lógica do mercado, como explica Circe Bittencourt. 

Apesar disso, o livro didático continua sendo referencial nas salas de aula para 
os professores e alunos como objeto básico da educação posto que seja a base para as 
aulas do docente, servindo como instrument pedagógico e alicerce para o 
conhecimento escolar, é ele que seleciona os conteúdos considerados fundamentais 
para a aprendizagem do aluno a partir dos programas curriculares. Mas esses 
conteúdos estão sendo apresentados de forma aprofundada e correta? O que o livro 
didático nos revela sobre esse personagem histórico? Quais aspectos e estereótipos 
estão sendo apresentados aos alunos sobre o negro? 

A partir desses questionamentos foi possível analisar que o autor Benedicto 
Monteiro explora bem a temática, apesar da questão de o negro ter outros aspectos 
históricos, sociais e culturais que precisam ser estudados e aprofundados, pois esse 
personagem histórico contribuiu bastante não só na formação da cultura e na história 
paraense e brasileira, como também de outras partes do mundo influenciando a 
História da humanidade. Apesar de ter dado destaque ao negro, o autor não aprofunda 
muito esse personagem histórico; ele não aborda sobre a cultura (só diz que ela foi 
importante nesse processo histórico na Figura 03) e a religião, por exemplo, as 
imagens apresentadas mostram mais a escravidão na época, levando em conta os 


42 


tópicos, do Brasil Império, há poucas imagens dos momentos iniciais da escravidão no 
Estado e os nomes que mais aparecem são homens da elite paraense, militares, 
religiosos e maçons que ajudaram na abolição da escravidão como Felipe Patroni, 
Paulino de Brito, brigadeiro Soares de Andréa, dentre outros. 

Mas essa falta de embasamento sobre a história do negro se deve a vários 
fatores, e um deles é a pouca produção de materiais de História Regional por parte 
das universidades e por ser um assunto que não interessa às editoras, desse modo, 
não há muitos recursos para a elaboração desse tipo de livro didático. Além disso, 
segundo Itamar Freitas, “não bastassem esses entraves, verificamos também que a 
maioria dos historiadores universitários demonstram certo desprezo pelo artefato, 
dominantemente, considerado como uma literatura de segunda ordem”. 

Mas por trás de toda produção, o livro didático acaba se modificando e se 
limitando a certos conteúdos, muitas vezes reproduzindo uma determinada ideologia 
e saber definidos pelo Estado e por outros setores do poder. Isso pode facilitar ou 
dificultar a vida do professor na hora de planejar uma aula, e quando se trata de 
História Africana e Afro-brasileira é preciso examiner bem o material didático, pois por 
muito tempo ela foi ignorada da História por conta das mudanças pedagógicas 
influenciadas pelo Positivismo no século XIX, as quais definiram que a História da 
humanidade era baseada na história das nações europeias, criando uma ideologia a 
qual o branco europeu era a melhor “raça” enquanto as outras eram inferiores. 

Por conta disso, por muito tempo, poucas as pessoas não-brancas se 
consideravam negras por causa da memória que se criou do negro, criando 
julgamentos prévios pejorativos, exclusão e desigualdades em diversos setores da 
sociedade sobre esse grupo durante muito tempo. Hoje em dia, eles estão 
combatendo tudo isso ao reconhecerem e se orgulharem de suas heranças 
afrodescendentes, formando, assim, a identidade negra. Mas esse reconhecimento 
histórico, e também social, foi adquirido com muita luta e protesto, principalmente do 
Movimento Negro. Mas ainda há muito a ser feito para alcançarmos o que esse grupo 
almeja. E para ajudar a combater o preconceito e a discriminação racial, a exclusão e 
a desigualdade social, é preciso que os professores e outros profissionais da 
educação debatem sobre o tema, discutindo os diversos significados e a história da 
palavra “negro”. 

E para o profissional de ensino, que tem um comprometimento com o fim da 


exclusão social e com a deferência pelas identidades minoritárias, o respeito pela 


43 


crescente afirmação da negritude como identidade cultural passa pela compreensão 
histórica não apenas da escravidão, mas do próprio significado de “ser negro”. Traçar 
em sala de aula a origem do conceito de negro é uma forma de perceber como a 
própria discriminação é sem sentido, é mais eficaz do que simplesmente dizer aos 
alunos que todos somos iguais, quando, na verdade, todo nosso arcabouço mental 
continua a considerer essa “raça” inferior. Avaliar todos os significados do conceito é, 
na verdade, perceber que não há fronteiras entre as cores e falar em negro no Brasil 
é uma construção tão artificial quanto falar de branco. 

Como já explicava a autora Mônica Lima e Souza, os negros foram personagens 
ativos na questão da luta pela liberdade, formando alianças e participando de 
resistências e das lutas populares, superando o sofrimento e a tortura dos navios 
negreiros e das fazendas do senhor branco. Exemplo disso foi a criação dos quilombos 
e a integração ao movimento da Cabanagem. A partir disso, foi possível o negro dar 
sua contribuição na composição étnica, no folclore e na cultura do Pará, adicionando 
mais uma identidade ao homem paraense. No entanto, ela é pouco vista ou 
reivindicada no estado. Mas isso se deve ao fato de que a identidade negra nunca ter 
sido vista de forma positiva pela sociedade, pois está ligada à figura do escravo, o do 
que está à margem da sociedade, dos castigos, do trabalho pesado, das torturas, e a 
identidade é uma construção não só social, política e cultural, mas também histórica. 

Na sociedade brasileira, por mais que digam que não haja isso pelo fato de ser 
uma nação mestiça, é praticado o racismo, a discriminação e o preconceito racial. 
Conforme destaca Nilma Lino Gomes, é difícil tentar se orgulhar das origens 
afrodescendentes quando a população “ensina aos negros, desde muito cedo, que 
para ser aceito é preciso negar-se a si mesmo [...]”. 

É uma triste realidade, até porque nosso país foi o que mais recebeu africanos 
em grande quantidade por mais tempo na História. Foram eles que enriqueceram 
nossa cultura e história tornando-as únicas, a partir das suas crenças, danças, 
comidas, músicas, celebrações, dentre outras contribuições. 

Após toda essa análise, pôde-se observar a visão que o autor tem sobre o negro 
e a importância que ele dar sobre a temática. Esse personagem histórico tem ganhado 
espaço na historiografia brasileira, mas ainda é preciso muita pesquisa e estudo para 
escrever a história afro-brasileira para chegarmos ao ponto certo que a lei 10.639/03 
almeja dos atuais e futuros educadores. 


44 


REFERÊNCIAS 


BENEDICTO MONTEIRO, Disponível em: 
http://penedictomonteiro.blogspot.com.br/p/benedicto-monteiro.html. Acesso: 18/07/2017. 


BITTENCOURT, Circe Ma. Fernandes (org.). O saber histórico na sala de aula. São 
Paulo: Contexto, 2004. 


CHAMBOULEYRON, Rafael. “Escravos do Atlântico Equatorial: tráfico negreiro para o 
Estado do Maranhão e Pará (século XVII e início do século XVIII)”. Revista Brasileira de 
História, v. 26, nº 52 (2006), pp. 79-114. 


COSTA, Warley. As imagens da escravidão nos livros didáticos de História do ensino 
fundamental: representações e identidades. Dissertação e Mestrado do Programa de Pós- 
Graduação em Educação da UNIRIO, 2006. Orientadora: Prof. Dr.2 Nailda Bonato. 


FREITAS, Itamar (org.). História Regional para a escolarização básica no Brasil: o livro 
didático em questão (2006/2009). São Cristovão: Editora UFS, 2009. 


GOMES, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações 
raciais no Brasil: Uma breve discussão. História. Coleção para todos. Secretaria de 
Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade — Brasília: Ministério da Educação — 
2005. 


LE GOFF, Jacques. “Documento/monumento”. In: História e memória. 5 ed. Campinas, 
SP: Editora da UNICAMP, 2008, pp. 525-541. 


MATTOS, H. et al. “Personagens negros e livros didáticos: reflexões sobre a ação política 
dos afrodescendentes e as representações da cultura brasileira”. A história na escola. Pp. 
299- 320. 

MONTEIRO, Benedicto. História do Pará. Belém: Editora Amazônia, 1924. 


NADAI, Elza. O Ensino de História no Brasil: trajetória e perspectiva. Revista Brasileira de 
História, v. 13, n. 25/26, São Paulo, 1993. 


SALLES, Vicente. O negro no Pará sob o regime da escravidão. Belém: Universidade 
Federal do Pará, 1971. 


SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. “Negro”. In: Dicionário de conceitos 
históricos. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2013, pp. 311-315. 


SOUZA, Mônica Lima e. Por que conhecer a história da África? Publicado na revista História 
Viva, nº 123, 2014. 


45 


CAPÍTULO 04 


INVESTIGAÇÃO SOBRE A PERCEPÇÃO DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE 
SERVIÇOS E SOLUÇÕES DE TI PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL 
BRASILEIRA. 


Luiz Sérgio Plácido da Silva 

Doutor em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) 
Instituição: Centro de Informática (Cln) - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) 
Endereço: Caixa Postal 7851- Recife - PE — CEP: 50732-970 

E-mail: IspsQcin.ufpe.br 


Renata Teles Moreira 

Doutora em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) 
Instituição: Departamento de Computação (DCC) - Universidade Federal de Lavras (UFLA) 
Endereço: Caixa Postal 3037 - CEP: 37200-000 - Lavras/MG 

E-mail: renata(ddcc.ufla.br 


Alexandre M. L. Vasconcelos 

Doutor em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) 
Instituição: Centro de Informática (Cln) - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) 
Endereço: Caixa Postal 7851- Recife - PE — CEP: 50732-970 

E-mail: amlvOcin.ufpe.br 


RESUMO: A Prestação de Serviços de Tecnologia da Informação (TI) tem sido um 
desafio no Brasil. Quando o cliente é a Administração Pública Federal Brasileira (APF) 
os desafios são ainda maiores. Parte destes desafios está relacionado a Gestão e 
Execução do Processo de Contratação de Soluções de TI que norteiam os Contratos. 
Estes processos estão definidos na Instrução Normativa na IN/SLTI/MPOG 04/2014 
e, no Guia de Contração de Soluções de TI da APF. Este artigo apresenta uma 
investigação sobre a percepção das empresas prestadoras de serviços e soluções de 
TI para a APF. A condução da pesquisa utiliza-se de entrevistas semiestruturadas. 
Esta pesquisa identifica fatores relevantes no contexto de uma pesquisa que está em 
execução, considerando a ótica das empresas prestadoras de serviços e soluções de 
TI para a APF no Brasil. 


PALAVRAS-CHAVES: Prestação de Serviços de Tecnologia da Informação, 
Administração Pública Federal, Contratação. 


ABSTRACT: The Service Provision Information Technology (IT) has been a challenge 
in Brazil. When the client is the Federal Public Administration (APF) the challenges are 
even greater. Some of these challenges are related to Management and 
Implementation of Process IT Solutions Hiring that guide the contracts. These 
processes are defined in the Rules of the IN / SLTI / MPOG 04/2014 and the 
Contraction Guide IT APF solutions. This article presents a research on the perception 
of companies providing IT services and solutions for the APF. Search conduction is 


46 


used semi-structured interviews. This research identifies relevant factors in the context 
of a research that is running, considering the perspective of companies that provide 
services and solutions to the APF in Brazil. 


KEYWORDS: Service Provision of Information Technology, Federal Public 
Administration, Procurement. 


47 


1. INTRODUÇÃO 

O uso da Tecnologia da Informação (TI) é cada vez mais frequente nas 
empresas e na sociedade atual, sendo imprescindível o uso de ferramentas e 
recursos tecnológicos, que visam resolver problemas (ALBERTIN & SANCHES, 
2008; IXENAGA, 2008; PRADO, 2005). Diante do cenário e mercado globalizado, as 
empresas de TI devem lidar com ideias inovadoras, necessidades e incertezas para 
manterem-se competitivas no mercado em que atuam (SILVA, 2013). 

Neste contexto, a TI tem sido utilizada como provedora de soluções, com a 
geração de dados, informações o tempo todo, executando diversos mecanismos de 
processamento. O fornecimento, tanto dos dados, quanto de informações é 
desafiador e, está associado ao crescimento emergente das soluções e recursos de 
Tie, diversos autores relatam que o crescimento destes serviços, vem ocorrendo em 
um ritmo avassalador (AUBERT; RIVARD; SMITH, 2004; BART; LEMY, 20083; 
CABRAL e CAPRINO, 2015). 

Segundo a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), em 
2014, o crescimento dos investimentos em TI no Brasil representou um aumento de 
6,7 % em relação ao ano de 2013. Quando comparado à outras economias mundiais, 
o Brasil, destaca-se, considerando a media mundial de crescimento dos 
investimentos em TI, que foi de 4,04 %. Com base nestes resultados, o Brasil 
permanece na lista dos países que apresentam o maior crescimento setorial, 
mantendo-se na 7a posição no ranking mundial de investimentos em TI. Ainda nesta 
mesma perspectiva, a participação do Governo continua bastante expressiva, sendo 
este, o responsável por quase 63 % dos investimentos em TI, especialmente quando 
o assunto está relacionado aos Serviços de Tl e Telecom (ABES, 2014). 

Em relação a Prestação de Serviços de TI para o Governo Federal Brasileiro, 
a Lei Orçamentária Anual (LOA) durante o exercício do ano de 2010, considerou o 
orçamento fiscal e o orçamento da seguridade social em R$ 6.168.920.942,00 para 
Soluções de Tl. Parte destes investimentos está relacionado a Contratação de 
Soluções e Serviços de TI, o que torna a atividade, alvo de diversos instrumentos de 
gestão e controle (SILVA, 2013; CRUZ et al., 2011; CRUZ, ANDRADE e 
FIGUEREDO, 2009). 

Diversas pesquisas foram realizadas com o objetivo de analisar as 
Contratações de TI na APF (CRUZ et al., 2011; CRUZ, ANDRADE e FIGUEREDO, 
2009; CRUZ, 2008; CARDOSO, 2006). Quando o assunto é a Prestação de Serviços 


48 


sob a ótica das empresas contratadas, não foram encontrados estudos que retratem 
a compreensão e a percepção destas empresas em relação aos processos utilizados 
(SILVA, 2013; CRUZ et al., 2011; CRUZ, ANDRADE e FIGUEREDO, 2009). 

Neste contexto, esta pesquisa tem o objetivo de investigar a percepção das 
empresas que fornecem serviços e soluções de TI para a APF no contexto Brasileiro. 
Para realizar o trabalho, uma pesquisa de campo está sendo conduzida, visando 
identificar as características, a compreensão, o entendimento e a percepção das 
empresas em relação ao processo de contratação de serviços e soluções de TI da 
APF. Logo, foram definidas etapas de condução de entrevistas semiestruturadas, 
assim como as validações necessárias a validade do estudo. A metodologia foi 
definida de forma rigorosa para garantir que todas as etapas fossem executadas de 
forma apropriada (AAKER, KUMAR & DAY, 2004; CERVO et al., 2007; 
KITCHENHAM E PFLEEGER,2008; MARCONI & LAKATOS, 2009; FLICK, 2009). 
Este trabalho faz parte de uma Pesquisa de Doutorado realizado no Centro de 
Informática (Cln) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e apresenta 
resultados parciais obtidos. 

O presente artigo está estruturado em 5 Seções, incluindo esta Introdução. A 
Seção 2 apresenta o Referencial Teórico; a Seção 3 apresenta a Pesquisa, a Seção 
4 apresenta as Análises dos Resultados Preliminares e, por fim, a Seção 5 apresenta 
as Considerações Finais, e Trabalhos Futuros. 

No contexto do trabalho, a etapa de revisão da literatura teve como objetivo 
identificar, analisar e selecionar os estudos relacionados a pesquisa, para ampliar a 
visibilidade, o entendimento e a compreensão da percepção dos prestadores se 
serviços de Tl da APF. 


2. REFERENCIAL TEÓRICO 

No contexto do trabalho, a etapa de revisão da literatura teve como objetivo 
identificar, analisar e selecionar os estudos relacionados a pesquisa, para ampliar a 
visibilidade, o entendimento e a compreensão da percepção dos prestadores se 
serviços de Tl da APF. 

2.1 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TI 

Com o avanço e a dependência dos Serviços de TI, incluindo os serviços de 
atendimento, armazenamento de informação, dados, suporte a clientes e, os 


diversos recursos e meios tecnológicos disponíveis a sociedade, os prestadores de 


49 


serviços batalham para manterem-se nos altos níveis de qualidade exigidos pelos 
clientes (ALBERTIN e SANCHES, 2008; IXENAGA, 2008; PRADO, 2005). 

Estudos são realizados para compreender os fatores que afetam a prestação 
de serviços de TI no Brasil (SILVA, 2013). Porém, cada vez mais, isso ocorre de 
forma reativa, devido a falta de estratégias que envolvam gestão, planejando, 
treinamento, analisando de forma crítica, sob o aspecto da investigação e dos 
requisitos dos clientes, que estão cada vez mais exigentes (SILVA, 2013). 

2.2 ASPECTOS GERAIS DE TI NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL 
BRASILEIRA 

Segundo CRUZ (2008), a contratação é um dos atos administrativos mais 
frequentemente utilizados. Contratar significa fazer um acordo ou convenção entre 
duas ou mais pessoas, físicas ou jurídicas, para a execução de algo, sob condições 
definidas. Dessa forma, um contrato é comumente utilizado, sendo um documento 
em que se registra esse acordo ou convenção e, possui valor jurídico quanto às 
questões nele estabelecidas (SILVA, 2013). 

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), através da 
Secretaria de Logística de Tecnologia da Informação (SLTI), é o Órgão responsável 
que disciplina as contratações de Soluções de TI pelos Órgãos e Entidades 
integrantes do Sistema de Administração dos Recursos de Informação e Informática 
(SISP) do Poder Executivo Federal (BRASIL, 2014). 

O MPOG, através da SLTI criou a Instrução Normativa IN/SLTI/MPOG 
04/2008 (IN 04/280). Em 2010, a norma foi revisada e deu origem a uma nova versão, 
estendendo a contratação de serviços de TI para contratação de soluções de TI 
(BRASIL, 2010). No ano de 2014, a norma novamente foi novamente revisada e deu 
origem a uma nova versão (BRASIL, 2014). A estrutura da IN/SLTI/MPOG 04/2014 
é apresentada na Figura 01. 


50 


Figura 01: Estrutura da IN 04/2010. 


Capitulo | Capítulo Il Capitulo Il 
Disposições > Processo de Disposições 
Gerais Contratação E 





Seção | Seção Il Seção III 
Planejamento Seleção do Gerenciamento 
da Contratação Fornecedor do Contrato 





Fonte: Os autores. 


Em relação as contratações de soluções de TI, foi criado o Guia de Contratação 
de Soluções de Tecnologia da Informação (GSCTI) (BRASIL, 2014), baseado nas 
fases e processos descritos na Instrução Normativa IN/SLTI/MPOG 04/2014. 0 GSCTI 
implementa os processos, atividades e tarefas previstas na IN/SLTI/MPOG 04/2014. 
O CSCTI possui três fases: (i) Planejamento da Contratação de Soluções de TI 
(PCTI); (ii) Seleção do Fornecedor de Soluções de TI (SFTI); (iii) Gerenciamento do 
Contrato de Solução de TI (GCSTI|), conforme demonstrado na Figura 02. 


Figura 02: Fases do Processo de Contratação de Soluções de Tecnologia da Informação. 





Documento de : E Termo de : : Contrato : ; Termo de 
Oficialização da : E Referência / Ê - - : Encerramento 


Demanda ; : ProjetoBásico E : E do Contrato 





Planejamento da Contratação Seleção do Fornecedor Gerenciamento do Contrato 








Fonte: Os autores. 


As fases do GCSTI foram desenhadas, contemplando processos, atividades e 
a elaboração de artefatos previstos na IN/SLTI/MPOG. 
2.3 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TI PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
FEDERAL 


A Prestação de Serviços de TI para a APF enfrenta uma série de desafios. Entre 


51 


estes desafios destaca-se a Legislação Brasileira (SILVA, 2013). Embora diversas 
normas e modelos de prestação de serviços de Tl tenham se proliferado no mercado, 
a APF segue rigorosamente seus processos definidos na IN/SLTI/MPOG 04/2014 e 
GCSTI (CRUZ et al., 2011), com base na Lei 8.666/93, em resposta as 
recomendações feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Logo, as empresas 
prestadoras de serviços e soluções de TI devem adequar-se a IN/SLTI/MPOG, uma 
vez que pretendem vender serviços e soluções de TI para a APF (SILVA, 2013). 
Apesar das diversas ações promovidas com o objetivo de melhorar os 
processos que envolvem as contratações de soluções de TI, o desempenho do 
governo em relação a gestão dos contratos de Tl tem demonstrado dificuldades, entre 
elas, destaca-se o fato de a legislação brasileira ser bastante complexa para garantir 


um processo de contratação eficiente e eficaz (CRUZ et al., 2011). 


3. À PESQUISA 


Visando alcançar os objetivos do trabalho, a pesquisa de campo foi adotada, 
sendo um tipo de pesquisa que tem o objetivo de buscar a informação diretamente na 
fonte (MARCONI & LAKATOS, 2009). Este tipo de trabalho exige do pesquisador um 
encontro direto com a população pesquisada. Dessa forma, o pesquisador vai ao 
espaço onde o fenômeno ocorre para reunir um conjunto de informações que serão 
analisadas e documentadas. Logo, a pesquisa de campo é uma fase crucial, que 
juntamente com o levantamento bibliográfico, auxilia o pesquisador a obter um bom 
conhecimento e contato com as questões investigadas. 

A condução da pesquisa está na fase de execução, nas Empresas que fazem 
parte do Ecossistema de TI da Cidade de Recife/PE, localizadas no Porto Digital e 
Empresas associadas ao Softex Recife (Centro de Excelência em Tecnologia de 
Software do Recife), (SOFTEX 2015; PORTO DIGITAL, 2015). Um Ecossistema de TI 
significa um sistema onde se vive, um conjunto de empresas com características 
semelhantes e que são influenciadas entre si (SILVA, 2013). Logo, a amostragem da 
pesquisa é intencional e delimitada pelas Empresas que fazem parte da APL (Arranjos 
Produtivos Locais) de TI de Recife/PE. 

O uso dessa amostra é justificado pelo fato de que a pesquisa visa, no contexto 
local, investigar qual é a percepção das empresas que prestam serviços para a APF, 
face aos processos executados. 


52 


3.1 PLANEJAMENTO 

A pesquisa adotada no trabalho é de natureza qualitativa exploratória. A 
pesquisa qualitativa preocupa-se com aspectos da realidade que não podem ser 
quantificados, centrando-se com a compreensão, investigação e explicação da 
dinâmica das relações sociais (MARCONI e LAKATOS, 2009; CERVO et al., 2007). 

Visando alcançar o objetivo do trabalho, a pesquisa de campo foi adotada. Este 
tipo de pesquisa tem como objetivo buscar a informação diretamente na fonte 
(MARCONI & LAKATOS, 2009 e, exige do pesquisador um encontro direto com a 
população pesquisada. Dessa forma, o pesquisador vai ao espaço onde o fenômeno 
ocorre para reunir um conjunto de informações que serão analisadas e documentadas. 
Logo, a pesquisa de campo é uma fase crucial, que juntamente com o levantamento 
bibliográfico, auxilia o pesquisador a obter um bom conhecimento e contato com as 
questões investigadas (KITCHENHAM e PFLEEGER, 2008). 

Os instrumentos de apoio a pesquisa são cruciais para se obter as respostas 
esperadas em uma pesquisa qualitativa (MARCONI & LAKATOS, 2009; FLICK 2009; 
KITCHENHAM e PFLEEGER, 2008). Logo, se faz necessário, um cuidado quanto a 
identificação, definição e seleção de instrumentos de apoio utilizados. 

A condução do trabalho, utiliza-se de entrevistas semiestruturadas, divididas em duas partes: 
i) Registro das informações básicas das empresas e, ii) Definição de Roteiro, para apoiar a 
condução das entrevistas. As perguntas iniciais visam caracterizar a empresa de acordo com 


questões demográficas e foram elaboradas conforme apresenta o Quadro 01. 


Quadro 01 - Questões de Caracterização da Empresa. 





QD1. Nome da Empresa. QD8. Principais Clientes 
QD2. Endereço da Empresa. QDO. Identificação dos Responsáveis na 
QD3. Tempo de Atuação no Mercado. Empresa pela Execução dos Contratos 
QD4. Tamanho da Empresa. QD10. Tempo de Prestação de Serviço 
QDs5. Faturamento da Empresa. para a Administração Pública Federal. 
QD6. Nicho de Mercado. QS11. Quantidade Média de Contratos 
QDY7. Tipo de Serviço Prestado. Executados pela Empresa. 
QD12. Modelos e Normas de 
Maturidade de Serviços Implantados na 
Empresa. 














Fonte: Os autores. 


Além disso, 22 perguntas foram definidas, relacionadas a gestão de projetos, 
serviços, operações e times. Estas perguntas foram fundamentadas na 
IN/SLTI/MPOG 04/2014 e processos do GSTI da APF. As perguntas tiveram 4 fases 


53 


para validar a sua construção e reduzir o viés de pesquisa (MARCONI & LAKATOS, 
2009; FLICK 2009; KITCHENHAM e PFLEEGER, 2008). As fases da construção das 
perguntas foram: i) Revisão por Pares; ii) Validação com Profissionais da Academia; 
iii) Validação com Profissionais da Indústria; iv) Validação e Projetos Pilotos em 
Empresas. As perguntas finais estão apresentadas no Quadro 02. 


Quadro 02 - Questões Relacionadas a Execução dos Processos do GCSTI na Empresa. 


Foram realizadas mudanças e/ou adaptações no processo da organização? Se 
sim, quais foram as mudanças? Qual o impacto para as implementar as mudanças 
e/ou adaptações no processo da organização? Qual o esforço para as 
implementar as mudanças e/ou adaptações no processo da organização? Qual o 
custo para as implementar as mudanças e/ou adaptações no processo da 
organização? Qual o prazo para as implementar as mudanças e/ou adaptações 
no processo da organização? 

As mudanças e/ou adaptações agregaram valor a organização? O que facilitou e 
o que dificultou a adequação às necessidades da prestação de serviços de TI? 
Qual instrumento foi utilizado para firmar o Acordo entre a Prestadora de Serviços 
e o Contratante? Todos os acordos estão documentados? Qual o tempo médio de 
assinatura e homologação do contrato entre as partes envolvidas? Em caso de 
divergências no Acordo, qual o tempo necessário para alinhamento entre as 


divergências? Houveram acordos informais não explícitos no contrato pela 


contratante? Qual a percepção da empresa em relação a isso? 


Quais foram as lições aprendidas obtidas a partir das experiências da fase de 
preparação para a prestação de serviços de TI para a APF? 

Como foi realizado o planejamento da prestação de serviços de TI? O 
planejamento foi realizado em função das exigências do contrato ou das 
necessidades da organização? Foi percebido algum benefício em função do 
planejamento realizado? O planejamento agregou valor a organização? 

Foram realizados o planejamento da Entrega, Gestão de Incidentes e Problemas, 
Níveis de Serviços, Disponibilidade, Capacidade, Continuidade, Liberação, 
Relatos e Segurança da Informação? O planejamento foi realizado em função das 
exigências do contrato ou das necessidades da organização? Foi percebido algum 
benefício em função do planejamento realizado? O planejamento agregou valor a 


organização? 





54 


13) 


Foi obtido o comprometimento dos colaboradores em relação ao planejamento e 
as necessidades do contrato? 

Foi realizado o acompanhamento das atividades definidas no planejamento pelo 
prestador e pelo contratante? Ocorreram conflitos? Como foram gerenciados? 
Houve colaboração entre a contratante e a contratada? Houve coerência no 
acompanhamento das atividades pela contratante em relação as necessidades 
do contrato? 

As entregas planejadas foram realizadas de acordo com o critério de aceitação? 
As entregas foram verificadas pela contratante e houve o entendimento 
adequado das necessidades dos itens entregues? Qual a percepção da 
necessidade e utilidade dos itens definidos para cada entrega? 

Desvios foram identificados durante o acompanhamento das metas planejadas 
para o contrato? Quais foram as causas dos desvios? Houve falha no 
entendimento do objeto do contrato? As falhas identificadas estão relacionadas a 
especificação do objeto do contrato pela contratante ou falta de entendimento 
pela contratada? 

Com base nos desvios identificados, um replanejamento do contrato foi realizado 
adequado a capacidade da contratada e de acordo com as necessidades da 
contratante? 

Como ocorre a comunicação entre as partes interessadas? A disponibilidade e o 
comprometimento da contratante é apropriada de acordo com as necessidades 
do contrato? 

A contrapartida financeira da contratante ocorreu conforme o esperado? Qual a 
percepção da Empresa a respeito disso? 


14) As ações tomadas foram acompanhadas até o encerramento e trouxeram 


15) 


resultados? 

Como foi realizado o encerramento da fase e/ou ciclo do contrato de prestação 
de serviços de TI? Quais foram os problemas e conflitos identificados no 
encerramento da fase e/ou contrato? Esses problemas e conflitos foram 
gerenciados e finalizados? 

Os critérios de aceitação das entregas definidos no contrato de prestação de 
serviços de TI foram atendidos? Em caso de não atendimento dos critérios de 
aceitação, que ações 

foram tomadas”? Essas ações foram acompanhadas até o encerramento? Essas 
ações foram adequadas as necessidades da empresa e agregou valor a 


organização? 





55 


18) Que lições aprendidas foram identificadas durante a prestação de serviços de 
TI para a APF? As lições aprendidas foram incorporadas ao processo da 
organização? 

Qual a percepção da empresa em relação a prestação de serviços de TI para a 
APF? Qual a percepção da empresa em relação a coerência das exigências 
realizadas pelos contratos da APF e a realidade da Indústria de Software 
Brasileira? 

Qual a percepção da empresa em relação a capacidade da contratante na 
gestão dos contratos para a APF? Que lições aprendidas foram identificadas na 
prestação de serviços de TI para a APF? As lições aprendidas foram 
incorporadas ao processo da organização? 

Qual a percepção da empresa em relação ao aprendizado da contratante e como 
este aprendizado foi incorporado ao processo de gestão de contratos da APF? 
Houve alguma troca de conhecimentos? Estes conhecimentos foram 
incorporados na gestão dos contratos da APF? 

Quais foram os principais pontos positivos e negativos observados durante a 
prestação de serviços de TI para a APF? Quais são os fatores críticos de 
sucesso observados durante a prestação de serviços de TI para APF? Qual a 
percepção da empresa em relação as Normas e a Legislação Brasileira aplicada 


a gestão dos contratos? 





Fonte: Os autores. 


3.2 EXECUÇÃO 

Conforme planejamento, as entrevistas foram conduzidas em empresas 
prestadoras de serviços de TI para a APF. Os dados foram coletados e categorizados 
para realização das análises. É importante ressaltar que, esta pesquisa está em 
execução e nesse momento estão sendo apresentados os resultados de 05 empresas 
das quais foram conduzidas as entrevistas semiestruturadas. 

Devido a natureza da pesquisa qualitativa exploratória e, pelo fato da pesquisa 
está em execução, os resultados obtidos são preliminares, porém, apresentam 
resultados que merecem atenção. As empresas envolvidas na pesquisa, foram 
caracterizadas em empresas A, B, C, D e E, sendo guardado a confidencialidade dos 
dados, informações e sentimentos expostos. As empresas são diversificadas, uma vez 
que o objetivo do trabalho é investigar as suas percepções. Logo, existem diversas 


empresas, nichos e ramos de mercado diferentes, uma vez que todas elas são 


56 


gerenciadas pelo mesmo processo de contratação. 
Por fim, as respostas foram categorizadas, analisadas, e conclusões 
preliminares foram realizadas a respeito do estudo e da pesquisa, as quais serão 


detalhadas na seção seguinte. 


4. ANÁLISE DOS RESULTADOS 

Durante a fase de análise dos dados coletados, diversos pontos foram 
destacados, porém acredita-se que, com um maior volume de dados, novos pontos 
e/ou pontos semelhantes serão identificados. 

Quanto as questões demográficas, o nome das empresas, foram 
convencionados de Empresa A, B, C, D, e E, para caracterizar as empresas no estudo 
preliminar. Em relação a questão demográfica 02, as 05 empresas estão localizadas 
no Porto Digital em Recife/PE (100 % da amostra), como definido na proposta da 
pesquisa. Na questão demográfica 03, o tempo de atuação no mercado, 04 empresas 
(80 % da amostra) atuam há mais de 15 anos no mercado e somente 01 empresa, 
possui menos de 15 anos de atuação (20 % da amostra). Na questão demográfica 08, 
a respeito do tamanho, considerando o número de funcionários, 01 empresa (20 % da 
amostra) é caracterizada como micro empresa, 02 empresas (40 % da amostra) é 
caracterizada como pequena empresa e duas empresas (40 % da amostra) são 
caracterizadas como médio porte. Quanto a questão demográfica 04, relacionada ao 
faturamento das empresas, foi considerado a mesma classificação do SEBRAE 
(Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa), o faturamento está 
associado ao tamanho e ao porte da empresa. 

A questão demográfica 06, o tipo de serviço prestado, 02 empresas (40 % da 
mostra) atuam com o Outsourcing de Tl; 01 empresa (20 % da amostra) atua com 
serviço de dados estratégicos; 01 empresa atua com concessão e licença de uso de 
software (20 % da amostra) e, 01 empresa atua com ERP (20 % da amostra). Em 
relação a questão demográfica 07, em todas as 05 empresas investigadas (100 % da 
amostra), o responsável pela gestão e execução dos contratos são gerentes ou 
gestores da área contratada. Quanto a questão demográfica 08, o tempo de prestação 
de serviços para APF, 04 empresas (80 % da amostra) atua há mais de 15 anos e uma 
das empresas (20 % da mostra) atua há 05 anos. Em relação a questão demográfica 
09, a quantidade média de contratos executados na empresa, os resultados são 
semelhantes aos anteriores, ou seja 04 empresas (80 % da amostra) possuem média 


57 


de 10 contratos em execução e 01 empresa (20 % da amostra) possui 03 contratos. 
Por fim, em relação a questão demográfica 10, as 05 empresas (100 % da mostra) 
possuem modelos de maturidade e capacidade como o CMMI e MPS.BR 
implementado e avaliado (SOFTEX, 2012; CHRISSIS et al., 2010). 

No geral, embora seja um estudo com resultados preliminares, verificou-se um 
equilíbrio entre as empresas que prestam serviços para a APF sob a ótica das 
questões demográficas identificadas na seção anterior. 

Ainda neste contexto, foram identificadas as respostas para as entrevistas 
realizadas conforme o roteiro definido no Quadro 02. Logo, foi possível realizar a 
criação de códigos, classificações e relacionamentos de acordo com a semântica 


comum obtida nas respostas, conforme apresenta o Quadro 03. 


Quadro 03 - Códigos Adotados nas Entrevistas. 





C1. Ausência de Valor. C6. Falta de Comprometimento dos 
C2. Cultura Organizacional. Envolvidos. 

C3. Maturidade e Capacidade. 
C4. Legislação Brasileira Rígida. 
C5. Entendimento das Obrigações | 8. Complexidade das Atividades. 
Contratuais. 


C7. Ausência de Pessoas Qualificadas. 


C9. Ausência de Processos e Ferramentas. 


C10. Excesso de Burocracia. 














Fonte: Os autores. 


As respostas obtidas foram classificadas de acordo com os códigos acima 
citados. O total de respostas foram classificados em 10 códigos relacionados a 115 
respostas. Além disso, outras respostas foram obtidas, porém, não foi possível 
categorizá-las neste momento da pesquisa. Nesta análise, serão considerados os 05 
códigos com maior representatividade na pesquisa, ou seja, que mais foram 
respondidos ou citados pelas empresas durante as entrevistas. 

O Excesso de Burocracia (C10) nos processos, obteve o maior número de 
respostas de citações pelas empresas, apontado em 32 respostas, representando 
36,8 % das respostas em relação as questões que ressaltam especificamente a 
prestação de serviços de Tl e os contratos da APF. Esta resposta está alinhada a 
pesquisa realizada por Silva (2013), que teve os resultados bastante expressivos e 
representativos. Segundo Silva (2013), foi identificada uma aderência ao Nível 3 de 


Maturidade do Guia de Contratação de Soluções de TI (GSCTI) em relação aos 


58 


Modelos de CMMI-ACQ, CMMI-DEV e CMMI-SVC (GALLAGHER et al., 2010) 
(CHRISSIS et al., 2010), (FORRESTER etal., 2010). Este resultado, está alinhado aos 
estudos realizados por (CRUZ et al., 2011), que envolve ainda o cumprimento de leis, 
normas e jurisprudências do Governo Federal Brasileiro. 

O segundo fator predominante nas entrevistas conduzidas, foram a 
Complexidade das Atividades (C8), obtendo 28 respostas, representando 32,2 % das 
respostas. No trabalho de Silva (2013), foi realizado uma analise qualitativa para 
identificar a aderência do GCSTI em relação aos Modelos CMMI (GALLAGHER et al., 
2010) (CHRISSIS et al., 2010), (FORRESTER et al., 2010) e, a aderência ao Nível 3 
de Maturidade, concentrou-se entre 80 a 100 %, mesmo que o nível 3 de maturidade 
requer uma estrutura, porte e processos definidos que não representam a maior parte 
da indústria brasileira de software (ABES, 2014). O resultado obtido assemelha-se aos 
estudos realizados por (CRUZ et al., 2011). 

O terceiro fator que obteve um maior número de respostas, apresenta a Falta 
de Comprometimento dos Envolvidos (C6), com 22 respostas, representando 25,3 %. 
Silva (2013), ressalta que além da capacidade das empresas brasileiras estarem 
abaixo das exigências dos processos que norteiam as contratações da APF, a falta de 
comprometimento entre as áreas envolvidas nos processos de contratação, favorece 
ao surgimento de diversos obstáculos e entraves nos processos. Logo, o autor sugere 
ações para elevar a capacidade das empresas para ofertar produtos e serviços de 
acordo com as exigências do governo e, ao mesmo tempo, ações que promovam o 
comprometimento e o engajamento dos envolvidos. Este resultado está aderente as 
pesquisas realizadas por outros autores que descrevem que a falta de 
comprometimento dos envolvidos (muitas vezes provocadas pela falta de 
qualificação), durante a execução dos contratos, favorece o surgimento de problemas, 
incluindo o comprometimento dos resultados (BARBOSA, 2006; CARDOSO GISELE, 
2009; e CARDOSO HAROLDO, 2000). 

O quarto fator predominante, obteve 18 respostas, destaca a Legislação 
Brasileira Rígida (C5), representando 20,7 %. Logo, em contratos de prestação de 
serviços, dependendo do objeto do contrato, a Legislação Brasileira dificulta a 
execução das atividades com maior rapidez. Silva (2013), ressalta que a Legislação 
Brasileira define excessivamente que os processos devem ser definidos, estruturados, 
flexibilizados e adequados a cada contexto e, que ainda sejam possíveis de realização 
de adaptações dependendo do objeto do contrato. Outros estudos apontam que o 


59 


excesso de processos, independente do contexto da contratação e prestação de 
serviços remete à demasiada rigidez e falhas na execução dos contratos, sendo 
passível de punições e penalidades (CRUZ et al., 2011; BARBOSA, 2006; CARDOSO 
GISELE, 2009; e CARDOSO HAROLDO, 2000). 

O quinto e último fator a ser destacado nas respostas, descreve a Ausência de 
Pessoas Qualificadas (C1), que teve 15 respostas, representando 17,2 %. Logo, a 
falta de pessoas dificulta o atendimento a solicitação do cliente no prazo de acordo 
com o contrato assinado, que envolve acordos com tempo de respostas e nível de 
qualidade. Silva (2013), destaca que pessoas qualificadas favorecerem ao sucesso 
na prestação de serviço, sendo preciso um número de pessoas envolvidas 
apropriadamente para obter êxito na execução dos contratos de TI da APF. 

As demais respostas alertaram para o grande número de requisições do cliente 
e a necessidade de atendimento rápido, muitas vezes tirando o foco das atividades 
em execução para atender demandas emergentes; diversos canais de atendimento e 
stakeholders envolvidos, a flexibilidade, a adaptação de processos, etc. Dessa forma, 
é notório que na maioria dos casos, dependendo da relevância do cliente, tais fatores 
podem ser facilmente gerenciado mediante a existência de acordos informais que são 
firmados entre o fornecedor e o cliente, neste caso os órgãos da APF. Logo, outros 
estudos colaboram com estes resultados, dificultando a contratação, gestão e 
prestação de serviços (CRUZ et al., 2011; BARBOSA, 2006; CARDOSO GISELE, 
2009; e CARDOSO HAROLDO, 2000). 


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS E TRABALHOS FUTUROS 

Este trabalho descreve uma pesquisa visando investigar a percepção das 
empresas prestadoras de serviços de TI para a APF. A condução do trabalho deu-se 
com o uso de entrevistas semiestruturadas. 

De maneira geral, percebe-se uma conexão entre as percepções das empresas 
que prestam serviços de Tl a APF, porém, conforme concluído por Silva (2013) e Cruz 
et al., (2011), um dos grandes desafios das empresas é a complexidade dos 
processos que regem a contratação de serviços de Tl da APF. Logo, este desafio deve 
ser diminuído com ações que promovam a elevação da capacidade das empresas que 
prestam serviços de TI a APF, como disseminação e compartilhamento de 
conhecimento, lições aprendidas, adaptações nos processos, dentre outros, 
considerando o mercado brasileiro de TI (ABES, 2014). 


60 


Como trabalhos futuros, deseja-se prosseguir a pesquisa de forma que as 
conclusões possam ser mais expressivas, considerando que este é um trabalho que 
está em andamento, com a aplicação da pesquisa em diversas empresas. Com 
maiores resultados será possível alcançar um maior número e maior abrangência das 
respostas. 

Outro fator em destaque, é que pretende-se ainda conduzir novas análises com 
os princípios do método Ground Theory (Glaser e Strauss, 1967) para identificar, de 
forma mais precisa, os fatores chaves e determinantes de sucesso na prestação de 
serviços de TI para a APF. 

Dessa forma, compreendendo causas e relações entre si. Sugere-se ainda 
realização de estudos semelhantes em diversos Ecossistemas de TI do Brasil de 


forma que possibilite uma comparação dos resultados obtidos. 


61 


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Contratação de Soluções de TI da Administração Pública Federal: Uma Análise Qualitativa 
Para Identificar a Maturidade e Aderência aos Modelos CMMI-ACQ, CMMI- DEV e CMMI- 

SVC. 20183. Dissertação (Mestrado em Ciência da Computação) Centro de Informática da 

Universidade Federal de Pernambuco, Recife 2018. 


SOFTEX - Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro. MPS.BR — 
Guia Geral, 2012. Disponível em: <http:/Anww .softex.br>. 


63 


CAPÍTULO 05 


PARTICIPAÇÃO POPULAR NO CONTEXTO DA GOVERNANÇA LOCAL. 


Laís Bezerra Nascimento de Lacerda 

Graduada em Administração de Empresas. Especializada em Planejamento e 
Gestão Pública. Mestranda em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável. 
E-mail: laisbnlacerda(D gmail.com 


Cleomacio Miguel da Silva 

Licenciado em Física pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, Mestre e 
Doutor em Tecnologias Energéticas e Nucleares pela Universidade Federal de 
Pernambuco. 

Instituição: Universidade de Pernambuco, Campus Mata Norte, Departamento de Biologia. 
Endereço: Rua Amaro Maltês de Farias, S/N, CEP: 55800-000, Nazaré da Mata, 
Pernambuco, Brasil. 

E-mail: cleomacio(Dhotmail.com 


RESUMO: A dinâmica social em determinada localidade envolve um conjunto de 
pessoas que ali interage, reside, trabalha, estuda, compra, vende, exerce diversas 
outras atividades e, portanto, constrói a história e a cultura local. Conforme as 
variantes sociais, ambientais, políticas, econômicas e legais que constituem as 
características de um lugar, se arranjam, ocorrem especificidades que identificam 
cada território e implicam na forma do seu desenvolvimento. Nessa perspectiva, a 
capacidade de uma população se organizar e atuar como força política na procura de 
soluções para os conflitos sociais é uma variável que pode implicar em efeitos 
positivos em termos de bem-estar coletivo, e ela ganha significado através do exercício 
da governança local. Pois, o mesmo diz respeito ao processo de tomada de decisão 
coletiva, no qual destaca-se a iniciativa da população em mobilizar-se para tratar das 
questões públicas de seu contexto territorial. Tomar parte nas decisões é ter o poder 
de escolher os rumos do próprio futuro. Sendo assim, e dentro deste contexto, o 
objetivo do presente trabalho foi realizar uma pesquisa de revisão bibliográfica sobre 
a temática da Governança Local com foco na participação popular para o 
desenvolvimento local dentro da perspectiva social. Os resultados obtidos mostraram 
que o sucesso da Governança Local depende das interações entre os stakeholders 
integrantes do empreendimento. 


PALAVRAS-CHAVES: Territórios, Participação Popular, Políticas Públicas, Gestão 
integrada, Gestão participativa. 


ABSTRACT: Social dynamics in a given locality involve a group of people who interact, 
reside, work, study, buy, sell, perform various other activities and, therefore, build local 
history and culture. As the social, environmental, political, economic and legal variants 
that constitute the characteristics of a place are arranged, there are specificities that 
identify each territory and imply the shape of its development. From this perspective, 


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the ability of a population to organize and act as a political force in finding solutions to 
social conflicts is a variable that can have positive effects on collective welfare, and it 
gains meaning through the exercise of local governance. For the same is true of the 
collective decision-making process, in which the initiative of the population to mobilize 
itself to address public issues in its territorial context stands out. To take part in 
decisions is to have the power to choose the direction of one's future. Thus, and within 
this context, the aim of this paper was to conduct a literature review research on the 
theme of Local Governance focusing on popular participation for local development 
within the social perspective. The results showed that the success of Local 
Governance depends on the interactions between the project's stakeholders. 


KEYWORDS: Territories, Popular Participation, Public Policy, Integrated 
Management, Participatory Management. 


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1. INTRODUÇÃO 

A Governança Local é um fator preponderante para o desenvolvimento 
sustentável de qualquer comunidade. Há uma necessidade expressiva de tratar o 
tema sobre esse viés porque a noção de desenvolvimento ainda permanece 
canalizada com muita ênfase ao pilar econômico, quando na verdade ele é uma entre 
tantas outras variáveis envolvidas e que também precisam ser analisadas. 

O pilar social é o que se preocupa em promover o bem-estar da coletividade, 
através da criação de oportunidades que garantam o acesso justo dos indivíduos aos 
recursos que necessitam para angariarem uma qualidade de vida digna e alargarem 
as suas potencialidades. Por essa razão, a sociedade conta com a figura do Estado 
para assegurar os direitos fundamentais como educação, saúde, segurança, lazer, 
transporte e moradia, por exemplo, por meio da elaboração de políticas públicas que 
transformem uma realidade e gerem efeitos positivos. 

O fenômeno da pressão popular para que haja assistência por parte do Estado 
em prestar serviços públicos de qualidade ganha força à medida que os grupos sociais 
identificam suas demandas e as levam perante os legisladores e formuladores de 
políticas públicas, através de espaços de participação. Desta forma, vale ressaltar o 
papel das associações de moradores e dos líderes comunitários, sobretudo na 
representação das minorias, que por sua vez são frequentemente esquecidas, com 
vistas a estimular o diálogo com os governos municipais para o atendimento das 
reivindicações sociais. O diálogo permite que as políticas públicas sejam elaboradas 
com um maior compromisso em atender as reais necessidades da população e para 
isso as instâncias de participação popular são fundamentais para que a gestão pública 
melhore seu desempenho em promover serviços públicos de qualidade e garanta a 
efetividade dos direitos da população. 

As implicações da participação popular no exercício da governança local cabem 
ser discutidas porque expressam a mobilização dos atores sociais em um dado 
território na defesa de diversos interesses. Contudo, a busca pelos interesses que 
maximizem o bem-estar do povo é o grande objetivo para o desenvolvimento de uma 
comunidade, a fim de promover a inclusão social. Sendo assim, e dentro deste 
contexto, o objetivo do presente estudo foi realizar um estudo de revisão de literatura 
sobre a temática da Governança Local com foco na participação popular para o 
desenvolvimento local dentro da perspectiva social. 


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2. METODOLOGIA 

Este trabalho caracteriza-se como teórico, com base em pesquisa bibliográfica 
na literatura especializada. As informações obtidas foram submetidas a um tratamento 
analítico para firmar o eixo de argumentação da abordagem qualitativa com vistas a 
compreensão das implicações práticas do conceito da governança local envolvendo a 
participação popular, juntamente com a fundamentação teórica realizada através da 
revisão de literatura. 

2.1 O EMPREGO DA EXPRESSÃO GOVERNANÇA 

A expressão governança tem sido empregada em diversos contextos. O uso 
mais conhecido é no campo organizacional, perpassando a gestão do setor privado e 
do público, na indicação de boas práticas que conduzam ao cumprimento de objetivos. 

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) traz tal expressão 
aplicada ao campo empresarial: é o sistema pelo qual as empresas e demais 
organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os 
relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de 
fiscalização e controle e demais partes interessadas. 

Entende-se que toda empresa existe para cumprir determinada finalidade, que 
coadune com a sua missão institucional. Desta maneira, as organizações se 
estruturam no formato que considera mais adequado para agirem em direção à 
entrega de resultados e, portanto, cada uma estabelece seus moldes específicos de 
governança, de forma que os mecanismos utilizados por uma empresa podem não 
ser aplicáveis a outras, tendo em vista as suas particularidades. Ou seja, a depender 
do contexto, como por exemplo, campo de atuação ou maturidade organizacional, as 
práticas variam e surgem novos modelos de governança. 

Em meio aos diversos contextos de aplicabilidade da expressão governança 
faz-se necessário entender a essência de seu conceito. Gonçalves (2005, p.7), traz a 
definição da expressão sob o ponto de vista de “meio e processo capaz de produzir 
resultados eficazes”, visão que se adequa perfeitamente às organizações 
governamentais e não-governamentais. Além disso, o autor esclarece que, de forma 
geral, a governança é um termo qualificativo, representando qualidades e 
meios/processos na atuação de algum governo, que é substantivo. 


Em sua obra, Pires (2011, p.33) afirma que: 


Na literatura sobre o tema, governança se refere aos processos coletivos de 
tomada de decisões e aos processos pelos quais as decisões são 
implementadas formalmente e informalmente, que determinam, em uma 


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dada sociedade, como as decisões são tomadas e desenvolvidas por meio 
de normas e instituições relacionadas com questões públicas. 

Pode-se afirmar que a governança consiste em uma capacidade de conseguir 
implementar iniciativas que tragam o retorno esperado. E, deste modo, ela conta com 
a competência de agentes, imbuídos de responsabilidade, que saibam utilizar de 
mecanismos que definirão a forma pela qual os recursos necessários serão 
mobilizados em favor do cumprimento das metas e dos objetivos definidos. Assim, 
governança diz respeito à “totalidade das diversas maneiras” para administrar 
problemas, com a participação e ação do Estado e dos setores privados 
(GONÇALVES, 2005, p.4). 

Para Kaufmann; Kraay; Mastruzzi (2006) apud Costa et. al (2012, p.60), 
Governança “é um conceito plural e integrador que difere do conceito de gestão. 
Traduz-se pela articulação de atores, empresários, terceiro setor, governos de 
diversos níveis e demais segmentos da sociedade, capazes de se fazer representar 
em projetos e planos que apontam para uma cidade utópica com qualidade de vida e 
ampla sustentabilidade ou liderança compartilhada”. 

Portanto, para que as pretensões saiam do campo das ideias, a governança é 
o elemento articulador que as transformarão em realidade. Quando uma instituição 
possui as condições estruturantes que formalizam seu funcionamento, contudo não 
possui a capacidade de operar com competência e realizar manobras para superar 
obstáculos com vistas a agregar valor, diz- se que ela se encontra em uma crise de 
governança. 

Independentemente do campo de aplicação, o termo governança em sua 
essência remete à ação. Em outras palavras, ela é a forma prática de atuar e conduzir 
um processo para a consecução de algum fim e nesse caminho trilhado são 
estabelecidos princípios e valores que servirão como um suporte. 

Os mecanismos de governança, portanto, estabelecem um modelo que orienta 
como se dará a ação, para que esta não seja desgovernada e fora de controle, como 
por exemplo, eles estabelecem as lideranças e as estratégias. Contudo, tais 
mecanismos precisam ser flexíveis e passíveis de se amoldarem às condições 
vigentes a fim de garantirem o sucesso daquilo que foi planejado. 

Essa dinamicidade confere uma ideia de que existem vários modelos de 
governança, o que, de fato, acontece na realidade para solucionar os mais variados 


tipos de demandas em questão. Assim, se reconhece que a expressão governança 


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não se limita a um único padrão, além de ser passível de ajustes, conforme o cenário 
de trabalho mude. Daí, depreende-se o porquê do emprego desse termo em diferentes 
campos, como governança corporativa, ambiental, social ou local, por exemplo. 

2.2 GOVERNANÇA LOCAL 

O ambiente empresarial envolve o público que uma empresa se relaciona (os 
chamados stakeholders), pois essas partes interessadas exercem certo grau de 
influência nos negócios da empresa ou são influenciadas pela mesma, a depender do 
tipo de relação. Desta forma, a empresa quando promove a aproximação de 
stakeholders estratégicos procura alcançar benefícios mútuos advindos de uma 
relação proveitosa com os acionistas, empregados, fornecedores, clientes, 
financiadores, governo, comunidades e mídia, por exemplo. 

Silveira et al. (2005, p.37) aborda as linhas de pesquisa em Administração de 
empresa que desenvolvem a teoria dos stakeholders. Dentre elas, a teoria de 


sistemas traz uma visão bastante pertinente: 


Na linha da teoria de sistemas e da teoria organizacional enfatiza-se a ideia 
de que as empresas são sistemas abertos que se relacionam com diversas 
partes externas a eles, tornando-se necessária, portanto, a elaboração de 
estratégias coletivas que otimizariam o sistema como um todo, além do 
reconhecimento de todos os relacionamentos dos quais as empresas 
dependem para sobreviver a longo prazo. 


A ideia de stakeholders cabe aos territórios quando se analisam as relações ali 
estabelecidas entre os atores sociais - Estado, empresa e sociedade civil organizada 
- por exemplo, que se mobilizam para solucionar problemas específicos de sua 
localidade. 

Por meio dessa analogia, é possível compreender melhor o termo Governança 
Local, pois ele trata justamente de um jogo de relações entre as partes interessadas, 
no contexto cultural, social e político de cada território, a fim de compatibilizar as suas 
diferentes necessidades. O empresariado pode decidir realizar uma atividade no local, 
mas que trará externalidades negativas para a população. Aí nascerá um jogo de 
forças na defesa dos diferentes interesses. 

Por esta razão, é necessário fortalecer ambientes abertos e favoráveis ao 
debate, a fim de que a igualdade de direitos prevaleça. Ckagnazaroff (2009) ressalta 
que os estudos sobre governança local no Brasil lidam com aspectos voltados para 
inclusão social e democratização, abordando a interrelação entre governo, agentes de 


mercado e atores sociais. 


69 


Quanto ao exercício da Governança Territorial/Local trazido por Dallabrida 
(2008, p.80) tem- se que: 

O exercício da governança territorial, como já referido, acontece pela atuação 
dos diferentes atores/agentes nas instituições e organizações da sociedade 
civil, em redes de poder socioterritoriais. Estas redes de poder podem 
constituir-se a partir de interesses grupais de diferentes ordens, ou de 
interesses corporativos. 

Assim sendo, depreende-se que o gerenciamento de um território ou local 
abarca mecanismos de governança, tendo em vista que o contexto socioespacial é 
marcado pelas lutas por espaços mais democráticos que promovam o bem-estar 
social e o potencial emancipatório dos habitantes. Logo, por meio da governança 
busca-se alternativas de relacionamento entre Estado e setores da sociedade civil 
para aumentar a capacidade de processar as demandas coletivas. 

Vinculando a governança à arena local, ou seja, nos municípios ou regiões 
menores, tem-se que a participação da sociedade é fundamental, porque esta se torna 
representante legitimada para compartilhar a governança local. (Camargo, 2016, p.8). 

O reconhecimento e valorização das instâncias locais de poder advêm da 
construção de identidades e de formação de vínculos territoriais para tratar das 
complexidades das relações sociais. A governança, neste caso, representa, portanto, 
o grau de organização para mediar interesses coletivos comuns, por meio de uma 
autonomia política dos atores, capaz de abarcar um desenvolvimento equânime para 
os diversos segmentos. 

No bojo desse entendimento, a participação da sociedade civil, seja por meio 
das universidades, ONG's, comunidades religiosas ou lideranças comunitárias, 
fundamentada na cooperação e na confiança, faz-se imprescindível para aumentar o 
poder de influência da população nos processos decisórios locais, bem como a sua 
representatividade junto ao poder público. 

Contudo para que a formação de iniciativas de mobilização e intervenção da 
sociedade seja efetiva nas questões locais, elas precisam superar limitações e 
cenários desfavoráveis, tais como falta de recursos financeiros, visando assumir a 
posição de protagonista do seu próprio desenvolvimento e para isso estratégias 
promovidas pelo Estado são aliadas para atingir esse objetivo. O amparo legal, que 
se alinhe ao objetivo de criar ambientes favoráveis ao desenvolvimento social, 
inclusive através de políticas públicas, traz o acesso dos grupos mais excluídos aos 


recursos públicos governamentais e torna a comunidade mais autônoma. 


70 


2.3 TERRITÓRIOS DA CIDADANIA 

O programa de desenvolvimento territorial criado pelo Governo Federal em 
2008, no mandato do presidente Lula, “Territórios da Cidadania”, reúne um conjunto 
de políticas públicas e constituiu-se uma proposta de oferecer uma melhor qualidade 
de vida para habitantes de municípios pobres do meio rural em todo o território 
nacional, nos quais o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apresentavam baixos 
índices. Merece destaque a consideração feita em relação a esses territórios carentes, 
pois são considerados vulneráveis e merecedores de investimentos por parte do 
governo, onde se concentram agricultores familiares, assentados da reforma agrária, 
pescadores, comunidades quilombolas e indígenas. 

Esses territórios possuem suas características sociais, econômicas, ambientais 
e culturais próprias. Por isso o programa conta com a participação de atores locais 
para que o Plano de Desenvolvimento do Território contemple a identidade territorial 
em sua elaboração e cumpra com o objetivo de reduzir a pobreza e as desigualdades 
sociais, por meio da geração de trabalho e renda. É evidente que a população 
diretamente envolvida possui um conhecimento mais detalhado da realidade em que 
está inserida, portanto não pode ser considerada parte acessória do desenvolvimento, 
mas parte integrante. 

A estratégia do Territórios da Cidadania baseou-se em três eixos específicos: 
Apoio as atividades produtivas, Cidadania e Direitos e Infraestrutura e sete temas: 
Organização sustentável da produção; Ações fundiárias; Educação e cultura, Direitos 
e desenvolvimento social; Saúde, saneamento e acesso à água; Apoio à gestão 
territorial e Infraestrutura. 

Nota-se que os eixos de cunho estritamente social são fundamentais para que 
o desenvolvimento não seja apenas pautado no âmbito econômico com o fomento de 
atividades produtivas, deixando em segundo plano os direitos de igualdade e inclusão. 
Conforme o Decreto presidencial (2008) que instituiu o Programa Territórios da 
Cidadania em seu artigo 2º preceitua que serão contempladas: | - integração de 
políticas públicas com base no planejamento territorial; | - ampliação dos mecanismos 
de participação social na gestão das políticas públicas de interesse do 
desenvolvimento dos territórios; Ill - ampliação da oferta dos programas básicos de 
cidadania; IV - inclusão e integração produtiva das populações pobres e dos 


segmentos sociais mais vulneráveis, tais como trabalhadoras rurais, quilombolas, 


71 


indígenas e populações tradicionais; e V - valorização da diversidade social, cultural, 
econômica, política, institucional e ambiental das regiões e das populações. 

Há de se destacar que a gestão do referido programa conta com um Colégio 
Territorial, no qual no qual discutem-se as ações e indicam-se prioridades para o 
Território. Esta etapa é crucial para que as propostas sejam validadas com base no 
diálogo e consenso. Tal ambiente de participação cria espaço para que diversos 
grupos sociais representativos no território possam deliberar sobre os assuntos que 
lhe atingem direta ou indiretamente ao exercer o direito de liberdade política, 
pressuposto da democracia. 

O programa possui forte potencial de impactar positivamente no 
desenvolvimento social do país conforme a proposta apresentada em sua criação, 
contudo muitas políticas públicas no Brasil ficam à mercê de planos de governo que 
frequentemente são modificados na mudança de gestão, somadas à corrupção e má 
destinação de recursos do orçamento público, fato que compromete a continuidade e 
eficiência das ações voltadas aos mais carentes. Vale salientar que o programa já foi 
interrompido uma vez no primeiro mandato do governo Dilma, atualmente não há a 
publicação de relatórios de execução do Territórios da Cidadania e o sítio eletrônico 
que continha informações referentes ao programa encontra-se inativo. 

Pobreza e poder não caminham juntos, como mostra a realidade. Os recursos 
encontram-se distribuídos de forma desigual na sociedade e, portanto, os indivíduos 
ou grupos que detém o acesso a eles conseguem atingir uma melhor qualidade de 
vida. Quanto aos excluídos, ainda existe o agravante de ficarem restringidos aos 
mecanismos de intervenção na ação política. Nesse contexto, as políticas públicas 
que propõem ações de intervenção em diferentes dimensões da vulnerabilidade 
social, facilitando o acesso a recursos orçamentários dos órgãos federais aos 
municípios, merecem apoio. 

2.4 EMANCIPAÇÃO POPULAR POR MEIO DA GOVERNANÇA LOCAL 

A reunião de esforços nas comunidades para reivindicar melhores condições 
de vida surge como um movimento de luta por uma sobrevivência digna. Nesse 
processo, a participação, a solidariedade e a cooperação em torno de objetivos 
comuns são alguns pontos de partida no envolvimento dos grupos sociais na 
resolução de seus próprios problemas. Vale salientar que o objetivo não consiste em 
substituir o papel dos governantes na promoção do bem-estar coletivo, contudo 


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constitui um meio de tornar visíveis as reais necessidades de um grupo, para que o 
Estado atue com mais eficiência. 

No contexto da transição pós-democrática no Brasil, e em virtude das pressões 
de uma Sociedade Civil mais ativa e mais organizada, foram sendo criados novos 
espaços públicos de interação, sobretudo de negociação. Nesse contexto, a 
participação citadina emerge principalmente como referencial de rupturas e tensões, 
e as práticas participativas associadas a uma mudança qualitativa da gestão 
assumem visibilidade pública e repercutem na sociedade (Jacobi, 2000, p.18). 

Como forma de materialização da manifestação popular destacam-se as 
associações de moradores e a figura de líderes comunitários, as quais possuem um 
caráter político no sentido de intermediar interesses e promover a resolução de 
conflitos, independentemente de ideologias partidárias. Esses caminhos de 
negociação apoiam-se no exercício da democracia, sistema de governo voltado para 
O povo, com o pressuposto de que o povo possui liberdade para expressar a sua 
vontade. Ambientes de discussão contribuem para que os benefícios para a 
comunidade, como segurança, iluminação, postos de saúde ou escolas, sejam 
pleiteados junto aos órgãos públicos por meio de ações coordenadas onde se 
reconhece a magnitude do cunho social. 

Quando a comunidade se reveste de poder para tomar parte nas decisões 
governamentais, ela influência nos mecanismos de governança local. Pois, a 
conjugação de forças para enfrentar os problemas do bairro exige intensa articulação 
não apenas junto ao governo municipal, mas também entre os próprios moradores de 
uma localidade que se unem voluntariamente para que haja organização. 

Por meio da participação popular na vida cívica, os planos de desenvolvimento 
local não se centralizam exclusivamente nas mãos do Estado, já que os atores sociais 
existentes no espaço coordenam livres iniciativas, fruto da expressão política inerente 
ao ser humano, para buscar a satisfação de suas necessidades. 


Jacobi (2000, p. 19) faz menção oportuna à colocação de Navarro (1999): 


“Um dos principais benefícios da participação das comunidades locais no 
planejamento, monitoramento e avaliação das políticas sociais é a 
possibilidade de ruptura gradual, que pode gerar o controle social do 
chamado espaço público”. 


Indo mais além, participar do desenvolvimento da região também passou a ser 
uma exigência da população que se vê direta ou indiretamente afetada pelas 


implicações decorrentes do modelo de desenvolvimento adotado. Portanto, a reação 


13 


da população quanto ao modelo de desenvolvimento que supostamente a prejudicará 
está relacionada ao seu senso crítico sobre a realidade, o qual confere uma maior 
autonomia para identificar as externalidades negativas que poderão existir. Portanto, 
infere-se que uma sociedade empoderada pauta-se no desejo de ser um agente ativo 
na condução das questões que envolvam sua própria existência em uma determinada 
localidade. 

A emancipação humana tem a ver com a capacidade de o homem desvelar e 
exercer a expressividade, perceber as contradições dialéticas do contexto social, 
interagir criativamente nas contingências e restituir como sujeito a todo o momento, 
mediante o exercício de pensar sua condição humana. Desta forma, este homem tem 
o desafio de desenvolver um olhar interpretativo, apropriar-se da diversidade de 
olhares e variedade de perspectivas da realidade social, cultural e política (Silva, 2018, 
p./53). 

No caso do desenvolvimento sustentável, aquele que se firma sob uma ideia 
de continuidade no tempo pela capacidade de estabelecer condições favoráveis a uma 
economia viável, a uma sociedade justa e a um meio ambiente equilibrado, apregoa 
a universalização de direitos sociais para o usufruto de uma vida digna. 

Assim, a participação popular preconiza um meio de suscitar as necessidades 
coletivas a partir do povo, para que por meio dela, o Estado possa promover 
intervenções equânimes, ampliando o acesso das pessoas aos seus direitos. 
Contudo, ela depende diretamente do grau de conscientização democrática, 
engajamento e organização da comunidade em posicionar-se como agente indutor de 
transformações sociais. 

É impossível dissociar o desenvolvimento de uma localidade da qualidade de 
vida da sua população. As mazelas sociais da pobreza e marginalização, por exemplo, 
trazem à tona os efeitos negativos da má distribuição de renda e a geração de 
excluídos. Desta forma, a abertura de espaços onde a comunidade possa expressar 
seus anseios enseja o empoderamento social, porque busca caminhos de ação que 


lhe confiram o gozo de seus direitos básicos e diminuam as desigualdades. 


3. CONCLUSÃO 
A governança que envolva efetivamente a sociedade nos processos decisórios 
constitui-se um mecanismo de articulação em benefício da sustentabilidade local e da 


justiça social a ser perseguido. 


74 


É possível estabelecer uma relação da participação popular no curso da 
governança local e suas implicações no empoderamento do cidadão. Corroborando 
essa observação, as associações de bairro desempenham uma função de propiciar à 
sociedade civil um espaço público de participação no debate e diálogo sobre os 
acontecimentos do cotidiano local. 

Ainda pode-se perceber que as relações sociais baseadas na defesa de direitos 
em comum trazem à tona que existe um campo de conflitos, no qual diferentes 
interesses entram na esfera de negociação para que haja um desfecho favorável. De 
um lado existe o Estado, incumbido da missão de servir a sociedade, do outro existem 
os destinatários do serviço público. Contudo, para que a lacuna entre os direitos 
garantidos por lei e a sua real efetivação seja superada, faz-se de fundamental 
importância a organização da sociedade eo engajamento em torno das problemáticas 
públicas. 

Por conseguinte, os anseios dos cidadãos em âmbito local podem ser melhor 
identificados pelo poder público quando no exercício da governança, os atores sociais 
atuam como agentes de articulação e influência. Os grupos sociais que se fazem 
presentes nos processos de tomada de decisões, levando ao governo suas próprias 
demandas e sugerindo as possíveis alternativas de ação, não limitam seus esforços 
apenas como grupos de pressão, mas “governam” em favor da comunidade em 


parceria com a gestão pública. 


15 


REFERÊNCIAS 


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Elegibilidade do Programa Territórios da Cidadania. Revista de Economia e Sociologia 
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Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 12(1):33-42, 2005. 


17 


CAPÍTULO 06 


THE ROLE OF WOMEN IN RESEARCH WITH IN THE UNIVERSITY OF CORDOBA. 


Alexander Maz-Machado 

Doctor en Educación Matemática por la Universidad de Granada 

Institución: Universidad de Córdoba 

Dirección: Facultad Ciencias de la Educación - San Alberto Magno s/n, 14071, Córdoba. 
E-mail: mai mamaaDuco.es 


David Gutiérrez-Rubio 

Doctor en Matemáticas por la Universidad de Sevilla 

Institución: Universidad de Córdoba 

Dirección: Facultad Ciencias de la Educación - San Alberto Magno s/n, 14071, Córdoba. 
E-mail: dgrubio(duco.es 


Mº Pilar Gutiérrez-Arenas 

Doctora por la Universidad de Córdoba 

Institución: Universidad de Córdoba 

Dirección: Facultad Ciencias de la Educación - San Alberto Magno s/n, 14071, Córdoba. 
E-mail: pilar.gutierrez(Quco.es 


Carmen León-Mantero 

Doctora en el Programa de Ciencias Sociales y Jurídicas de la Universidad de Córdoba 
Institución: Universidad de Córdoba 

Dirección: Facultad Ciencias de la Educación - San Alberto Magno s/n, 14071, Córdoba. 
E-mail: cmleon(Quco.es 


Cristina Rodríguez-Faneca 

Graduada en Traducción e Interpretación 

Institución: Universidad de Córdoba 

Dirección: Facultad de Filosofía y Letras - Plaza del Cardenal Salazar, s/n, 14071, Córdoba. 
E-mail: cristina.rodriguezOuco.es 


78 


1. INTRODUCTION 

Itis a fact that gender inequality is interiorized in our society, so carrying out 
awareness campaigns seems not to be enough to turn the situation around. Thus, 
specific actions and concrete measures should be taken from both governments and 
public bodies (Andreu 2002). 

More than one hundred years have passed since Spain authorised women's 
access to the university in 1910. Ever since, women's presence within university 
institutions have increased to be the majority, even in some degrees traditionally 
considered to be male-dominated (Maz-Machado, Jiménez-Fanjul, Adamuz-Povedano 
& Adrián-Jiménez 2013). Locally, in Spain, we are now witnessing how the number of 
women in our universities, specially among the student body, is increasing. This is not 
only happening within the so-called female-dominated degrees — also, the number of 
women who choose to study a degree in the technology field has been constantly 
increasing, despite the fact that until recently those degrees were considered mainly 
male-dominated. Likewise, 39,9 % of the entire research and teaching staff (PDI) at 
the university are women (Ministerio de Educación, Ciencia y Deporte [MECD]2016). 
All of that points out the importance and relevance of the field. A part of the above 
mentioned research has focused in determining aspects related with the scientific 
production of women and their participation in the processes related with knowledge 
generation. 

Reports from the European Comission [EC] ETAN (EC 2000), She figures 2003 
(EC 2004) and WIR Report (EC 2004) have revealed that the promotion within the 
European Research Institutes is harder for women. Also, the European Commission 
itself has published a report on women on the top in research (EC 2008), informing on 
the notorious increase of women that are being awarded scientific prizes — likewise, it 
is also possible to appreciate gender balance within the conferences given at 
European level. In this report it is also stated that the potential of women in research 
at this level is not widespread and that young people is staying away from science. 
They concluded that women are needed in research at European level and therefore 
we must take action to achieve so. 

Many factors have been proposed so as to explain the different difficulties that 
women have experienced to promote within the academic career. Valian (2005) 
suggest that these obstacles do not respond to any conscious system designed for 
that particular purpose, but to the result of the accumulation of many slight 


19 


disadvantages women have had (and advantages that men have had). Many of them 
cannot be clearly detected by the actors involved or may be unconscious. These small 
disadvantages are caused by the design of the System, together with the schemas 
with which a person, both men and women, classify other people, even in a well- 
intended manner. These disadvantages are gradually added and they eventually result 
in evident results such as the differences observed within academic promotion. 

To these, we should add the factors which are inherent to gender differences in 
terms of scales of value. Thus, for instance, women are more inclined to sacrifice 
employment opportunities in order to reconcile work and family life, although social 
environment influences such tendency (Fernández-Cornejo et al., 2015). Women with 
children are more inclined to reduce their working hours than men with children or 
women without children (National Research Counchil, 2001). Even though the impact 
of parenthood on women's careers seems to decrease within the academic path, it still 
remains detrimental compared to the impact on men (Morrison, Rud&Nerad, 2011). 

University management has also been object of analysis ffom a gender 
perspective — it was found out that women have a low representation inside 
management bodies. In the year 2012, only 14 % of university rectors were women. 
Thus, gender equality legislation was not actually reflected effectively, as the presence 
of women in university management was not balanced (Maz-Machado, Jiménez- 
Fanjul, Adamuz-Povedano & Adrián-Jiménez 2013). A similar study by 
Llorent&Cobano (2017) analyses women presence within the management bodies of 
the University of Seville [US] — a gender bias was found in their promotion. 

The objective of this study is that of determine women's role within the research 
groups of the University of Córdoba [UCO], as well as their presence as Principal 
Researcher (PR) on those research groups. The requirements demanded in order to 
become the PR of a research group within the University of Cordoba are holding a 
doctorate degree and having a stable contractual relationship with the University. 
Beyond that, the university regulations do not establish any rule of procedure for the 
election of a PR or their succession, so the criteria for choosing them is determined by 
the members of the group. 

In the year 2017, the University of Cordoba had 1.371 teachers (both lecturers 
and researchers) — from which 491 were women (35,81 %) and 880 were men 
(64,19 %), so women's presence in this university is below the national average 
(39,9 %). 


80 


If we consider the period between 2012 and 2016, the different research groups 
of the University of Córdoba gained 282 projects in different research calls for 
proposals and projects, both nationally and internationally. These projects received 
funding worth 31.208.510,24 €. (UCO 2017), so it is important to know how many 
women participate in these group and their role in them (Table 01). 


Table 01. Projects gained by research groups within the University of Córdoba. 




















Name 2012 2013 2014 2015 2016 Total 
International projects 6 7 11 8 8 40 
National projects 45 4 48 53 67 217 
Regional projects 12 12 a 0 0 26 
Total 63 23 61 61 Pás 282 


























Fonte: Os autores. 


2. MATERIALS AND METHODS 

The present study is exploratory and ex post facto, as the variables gender and 
type of research group are not manipulated. The study population is formed by all 
women, both lecturers and researchers, working in the University of Córdoba. The 
sample is constituted by those pertaining to research groups registered in the 
University of Córdoba. 

The information regarding research groups in the University of Córdoba, 
available on the university's website 
(https://www .gestion.uco.es/gestionAvirtual/Metis/grupos/), has been consulted in 
order to obtain this information. 

This data was manually refined. Also, it was necessary to ensure whether some 
persons were still active or no longer working for the university due to their retirement. 
This information was given by the Research Service of the University of Córdoba. This 
information was downloaded. Afterwards, an ad hoc database was created to enable 
systematic management. A standardization process for names and gender 
identification of each individual was also conducted. 

The following variables were considered: name of the investigator, gender of 
the subject, name of the research group, code of the research group, field of research, 
academic level of the investigator and role within the research group. Afterwards, the 
computer program attached SPSS (IBM 2019) was used for the statistical treatment of 


such information. 


81 


3. RESULTS 


On September 1, 2018, 211 research groups were accounted for in the 
University of Córdoba in the Andalusian Research Plan (Andalusian Plan for Research, 
Development and Innovation). All those groups are related to one of the 9 main subject 
areas (Table 2). The area Humanities is the one containing a larger number of research 
groups, 35, while the area containing a smaller number of research groups is 


Technology, with only 9 groups. 


Table 02. Female presence compared to male presence within the research groups of the University 
of Córdoba in 2018. 






































Field No. Groups | Women | % Women | Men | % Men 
AGR- Agro-alimentary sector 48 241 40.8 349 159.1 
BIO Biology and Biotechnology 20 LEA 48.3 125 1916 
CTS — Science and Health 4741 164 | 52.9 
27 146 
Technologies 
SEJ — Legal, Economic and Social 49.3 114 | 50.6 
28 111 
Sciences 
FQM-Physics, Chemistry, 45 295 | 54.9 
18 242 
Mathematics 
HUM- Humanities 35 58 33.9 113 | 66 
RNM- Natural Resources and 38.9 210 | 61 
1 134 
Environment 
TIC- Information and 11 40 31.5 8/ 68.5 
Communications Technology 
TEP- Production Technology 9 30 16.6 150 | 83.3 
Total 211 1119 41 1607 | 58.9 























Fonte: Os autores. 


The average number of members is 12,9 per group. The larger group, TIC183, 
is formed by 54 researchers — 11 of those are women. Also, some unusual 
circumstances or anomalies were found, such as a group formed only by three 
members (CTS661), all men, and another group formed only by four members 
(CS118). This could be the aftermath of recent retirements of the research staff. 

It was found out that 1119 women participate in those research groups, as 
opposed to 1607 men. That is, women represent 41,05 % of the members, while men 
represent 58,9 %. In none of the research fields women represent the majority of the 
researchers. Only within the field SEJ (Legal, Economic and Social Sciences) we can 
find, virtually, gender equality regarding member numbers. The greater imbalance can 


82 


be found within the groups of Production Technology, where women represent only 
16,67 % of the group members, while men represent 83,33 % of the researchers. If we 
ignore the fact that the proportion of women is globally lower to the number of men and 
we apply the Gini index to the proportion of women in each area, it results in a value 
of 0,12 — consequently, this reflects a small amount of inequality in the distribution of 
women researching in each field. 

We can also find gender parity in 12 research groups out of the 211 — 50 % of 
the members are women and 50 % of the members are men. Even though one of those 
has 12 members, and the rest of them 10 or less, it must be highlighted the case of a 
research group, CTS123, in which we can find 30 members, whose genders are 
equally distributed among men and women. In 59 of the research groups of the 
university there is a larger number of women, that is, 27,58 % of the groups. 

Also, in 72,52 % of the groups there are more men than women. In the case of 
the groups from AGR (Agro-alimentary sector), we can find more research groups 
whose members are mostly women (13), while in all of the groups from the field 
Information and (Communications Technology (TIC) we can witness the 
opposite situation. 59,96 % of the women pertaining to those research groups hold a 
doctorate degree, while the men who hold the title of doctor are 66,27%. The 
comparation of both proportions using the Bernoulli Test resulted in a p-value of 0.0008 


— therefore such differences are statistically significant. 


Table 3. Principal researchers: female vs. male. 






































Field No. Principal Researcher (PR) 
Groups | Women | % Women | Men | % Men 

AGR- Agro-alimentary sector 48 16 33.3 32 66.6 

BIO Biology and Biotechnology 20 2 10 18 90 

CTS — Science and Health 27 5 185 22 814 

Technologies 

SEJ — Legal, Economic and Social 28 7 25 21 75 

Sciences 

FQM-Physics, Chemistry, Mathematics | 18 4 222 14 77.7 

HUM- Humanities 35 12 34.2 23 65.7 

RNM- Natural Resources and 15 1 6.67 14 93.3 

Environment 

TIC- Information and Communications 11 | 9.09 10 90.9 

Technology 

TEP- Production Technology 9 3 33.3 6 66.6 

Total edil 51 24.1 160 | 75.8 


























83 


Fonte: Os autores. 
When focusing on the number of Principal Researchers, we notice that women 


only represent a quarter of them. They represent 24,17 %, while men represent 
75,38 %. Within the areas TIC (Information and Communications Technology) and 
TEP (Production Technology) the participation of women as Principal Researchers is 
anecdotal, only one in each area. The areas with a bigger representation of female 
Principal Researchers are AGR (Agro-alimentary sector) and HUM (Humanities), with 
33,33 % and 34,9 %, respectively. 


Figure 01. Women by area vs. women who are Principal Researcher. 









































60% 
= 50% E 
[10] a 
A E 
S 40% = 
ao Rel +& 
E E 30% é . 
E >» Sem 4 
E E 20% Esse 
E- | 
6 2 10% + 4 
Es pré 4 
5 U = 
s y 0% + 
Sm. Sm 
= 0% 20% 40% 60% 
(5) 
Sm 
ai 
Proportion of women by area 





Fonte: Os autores. 


Proportion of women by area vs. women PR is represented in Figure 01. The 
dot cloud should be surrounding the line y=x (dotted blue line) in order to indicate that 
the proportion of female PR is represented accordingly to the number of women per 
area, but this is not the case. In fact, all of the dots are below such line, except for one 
of them (TEP area - Production Technology). The regression line is drawed with a solid 
black line, which has different intersection and slope than the ideal proportion y=x. The 
fact that the slope equals a number below 1 indicates that the increase of the presence 
of women in the different research areas does not result in an increase of female PR 
in the same proportion, but a lower one. In other words, there is a gender bias when 


promoting from researcher to PR. 


84 


The fact that there is a gender bias in the promotion of men and women within 
the university environment is a well-known and recognised reality, but it is striking, still. 
The root causes of this phenomenon can be explained by various factors, both intrinsic 
and extrinsic factors. Within the first type, we can mention the fact that women perceive 
themselves as less entitled than men (Major, 1987), so they will not feel as encouraged 
as them to opt for a position of responsibility. Likewise, since becoming PR requires 
extra time, we could argue that the reconciliation of work and family life might cause 
an impact too, as women are more inclined to do so (Cornejo, 2015). 

Within the second type (extrinsic factors) we can mention causes related to the 
perception of women in leadership, as they are less perceived as potential leaders 
when compared to men (Eagly&Karau, 2002). 

If we focus in the differences in the composition of the research groups, we find 
that groups having a female PR have a greater proportion of women compared to those 
not having a female PR (Table 04). Mood's median test was applied in order to contrast 
if these differences are statistically significant — this resulted in a p-value of 0.001. 
Therefore, it can be assumed with great probability that such differences are not 
generated by randomness. 


Table 04. Women vs. men according to their responsibility within the research group. 














Principal researcher gender Women per research group (mean) 
Male (160) 36.49 % 
Female (51) 53.18 % 
Total 40.53 % 














Fonte: Os autores. 


Figure 02 shows the relation between the size of the research groups and the 
proportion of female researchers in them. As we can see, except for certain cases, the 
curve is below 50 %. We can also notice particular cases where the proportion of 
women is below the mean, but both cases are statistically not relevant as they contain 
a very low sample size (most of them represent the only group with a specific size). 


85 


Figure 02. Proportion of female researchers and group size. 


70% 
60% 
50% 
40% 
30% 
20% 


10% 


Mean proportion of female reserachers 


0% 
0 10 20 30 40 50 60 


Size of research groups 


Fonte: Os autores. 


If we compare the situation of women in research groups during the year 2018 
to the situation during the year 2014 (Table 05), it is noticed that during this period 9 
research groups have been created. That means that the number of groups have 
increased by 4,45 % - however, the presence of women only increased by 0,9 %. 
There does not appear to be any evidence of the fact that those changes in the 
university go hand in hand with an increase of women in research, as the data show 


that the situation remains stalled. 


Table 05. Comparison of female PR between years 2014 and 2018. 



































Field 2014 2018 

Number of groups | % Female PR | Number of groups | % Female PR 
AGRO |47 27.66 % 48 33.33 % 
BIO 23 17.39 % 20 10 % 
CTS 2a 8 % 27 18.52 % 
FQM rá 35.29 % 18 22.22 % 
HUM 34 41.18 % 35 34.29 % 
RNM 14 74% 15 6.67 % 
SEJ 24 16.67 % 28 25 % 
FER 8 25 % 9 33.33 % 
TIC 10 10 % B 9.09 % 























86 





Total 202 23.27 % 211 24.17 % 























Fonte: Os autores. 


During those four years there have been changes in the management of some research 
groups and, in 63 cases, there was a change of gender distribution within such management 
(Table 06). 


Table 06. Change of gender distribution of the research groups PR, 2014-2018. 
































New PR 
Male Female Total 
Former PR Male 38 7 45 
Female 7 11 18 
Total 45 18 63 








Fonte: Os autores. 


Itis noticed that, ffom 2014 to 2018, we can find the same gender proportion of 
the PR of the research groups (45 male, 18 female). Fisher's exact test, whose aim is 
to contrast the independence of the gender of the former PR with the gender of the 
new PR results in a p-value of 0.0006, which indicates that there is an influence of the 
gender of the former PR on the gender of the new PR. 

Thus, for instance, from the 45 research groups where there was a change of 
the PR gender, 7 of them included a woman as new PR. Considering that the 
proportion of female researchers per group is 40,53 %, the binomial test results in a p- 
value of 0.005 for the number of female PR observed — this shows there is an 
statistically significant bias of the male PR, which are follow by male PR as well. 

In the case of the 18 research groups where there was a female PR, 11 were 
subsequently replaced by women and 7 were replaced by men. The binomial test 
resulted in a p-value of 0.06 for the data observed, which achieves a significance level 
of 0.1, although this data has less impact that in the case of male PRs. 

These results seem to show the effect that having previously a female PR has 
in the perception of leadership by the research group of another woman as 
replacement of the old one (Eagly&Karau , 2002), as well as the effect in the self- 
perception of entitlement that a woman has when she previously had a female PR 
(Mayor, 1987). 

In terms of new research groups creation, having into consideration if the new 
PR is female (f) or male (m), we found out that 15 new groups were created and 6 


87 


groups disappeared. Out of those 15, 37,5 % of them have a female PR, which does 
not represent statistically significant differences using the binomial test on the 
percentage of research women - which is 41,05 %. Thus, it can be noted that, even 
though the generational replacement in already formed groups is biased to a PR with 
the same sex (also, this is more pronounced when male PRs are replaced by male 
PRs), in the new-formed groups this bias is not found. 


4. CONCLUSIONS 

It was highlighted the lower presence of women, compared to men, within the 
research groups registered in the University of Córdoba. Those differences vary 
according to the field of knowledge. The percentage of difference in areas such as 
Biology, Biotechnology and Legal, Economic and Social Sciences is less than 5%. 
However, in Legal, Economic and Social Sciences there is a balance of two men per 
women, while in Production Technology there is a woman per every two men. 

This overview is way more critical when referring to the leadership of such 
research groups. We notice a disproportion in the predominance of male Principal 
Researchers when this is compared to the number of women participating in the 
research groups. It was also highlighted that women lead research groups where the 
majority of their members are also women. 

Even though the biased generational replacement (male PRs being replaced by 
male PRs as well) may be explained taking into consideration the predominance, until 
recently, of men in universities (and therefore having more seniority and a more 
suitable curriculum to manage a research group), this statement cannot be sustained 
when we narrow this to groups with a female PR, where this bias is much smaller — or 
also, in groups which have been recently created, where this bias does not exist. 

A key limitation of the research was that, within the list of research groups of the 
University of Córdoba and their members, it is not clearly pointed whether there is 


research staff external to the university as collaborators, as it is otherwise the case. 


88 


REFERENCES 


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90 


CAPÍTULO 07 


CLIMA ORGANIZACIONAL: ANÁLISE COMPARATIVA DAS PERCEPÇÕES DOS 
COLABORADORES E SUA RELAÇÃO COM O NIVEL HIERÁRQUICO. 


Karolline Nascimento Gava 

Especialista em Gestão Financeira e Controladoria pelo Serviço Nacional de 
Aprendizagem Comercial - Senac Minas 

Endereço: Rodovia BR-040 | KM 700, CEP: 36205-666, Barbacena/MG. 
E-mail: karolgava(dyahoo.com.br 


Nicássia Feliciana Novõa 

Doutora em Administração pelo IAG PUC-Rio de Janeiro 

Instituição: Instituto Federal do Sudeste de Minas - Campus Barbacena 
Endereço: Rua Monsenhor José Augusto, 204, São José, CEP: 36205-018, 
Barbacena/MG. 

E-mail: nicassia.novoaifsudestemg.edu.br 


Helder Antônio da Silva 

Doutor em Administração pelo IAG PUC-Rio de Janeiro 

Instituição: Instituto Federal do Sudeste de Minas - Campus Barbacena 
Endereço: Rua Monsenhor José Augusto, 204, São José, CEP: 36205-018, 
Barbacena/MG. 

E-mail: helder .silvaDifsudestemg.edu.br 


Wanderléia da Consolação Paiva 

Doutora em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense 
Instituição: Instituto Federal do Sudeste de Minas - Campus Barbacena 
Endereço: Rua Monsenhor José Augusto, 204, São José, CEP: 36205-018, 
Barbacena/MG. 

E-mail: wanderleia.paivaDifsudestemg.edu.br 


RESUMO: O mercado está cada vez maior e englobando diversas empresas com 
linhas de segmentos parecidas. Portanto para obter destaque, crescimento e alcançar 
lucros, não basta apenas se valer dos recursos financeiros, tecnológicos e estruturais, 
é necessário também que se tenha uma maior preocupação com os recursos 
humanos. Como as pessoas são recursos essenciais e fundamentais à sobrevivência 
de qualquer organização nos dias atuais, é mister que lhe seja dado o devido 
tratamento e, sendo assim, a empresa precisa investir na melhoria do seu clima 
organizacional, com o intuito de gerar ações mais efetivas não só para a organização, 
mas principalmente para seus colaboradores. Com isso, este trabalho foca em 
analisar as diferentes visões dos colaboradores, levando em consideração seus níveis 
hierárquicos, sobre o clima organizacional de uma expressiva empresa do ramo 
alimentício, situada entre a Zona da Mata Mineira e Campo das Vertentes, no Brasil. 
Diante do exposto, a metodologia utilizada, a fim de atingir o objetivo do trabalho, foi 
o estudo de caso, tendo como método de coleta de dados a aplicação de questionários 
aos integrantes da empresa, sendo que para apurar os dados obtidos com os 
resultados foi utilizada a Análise Discriminante Múltipla. Resumidamente, o resultado 


91 


obtido comprova que o cargo ocupado pelo colaborador dentro de uma organização é 
totalmente capaz de influenciar seu modo de comportar e perceber o clima, tanto do 
seu setor quanto da empresa como um todo, ou seja, o nível hierárquico que ele 
compõe tem grande relevância para a determinação da atmosfera empresarial. 


PALAVRAS-CHAVE: Clima Organizacional. Nível Hierárquico. Comportamento 
Organizacional. 


ABSTRACT: The market is every time larger and including several companies with 
similar lines of segments. Therefore, to obtain prominence, growth and to reach profits, 
it just not enough if it is worth of the resources financial, technological and structural, 
it is also necessary a larger concern with the human resources. As the people are 
essential and fundamental resources to the survival of any organization in the current 
days, it is necessary to him/her have the due treatment and, being like this, the 
company needs to invest in the improvement of his organizational climate, with the 
intention of generating more effective actions not only for the organization, but mainly 
for their collaborators. With that, this work objective in analyzing the collaborators' 
different visions, considering hierarchical levels, on the organizational climate of an 
expressive company of the food industry, route between the region of the Zona da 
Mata Mineira and Campos das Vertentes, in Brazil. Thus, the used methodology, in 
order to reach the objective of this work, is the Case Study, having as methods of 
collection of data the participant observation and the questionnaire, and for the 
counting of the results was used the Multiple Discriminant Analysis. Briefly, the result 
obtained prove that the position held by the collaborator in the company is totally able 
to affect his way of acting and perceive the climate, both in his sector and in the 
company as a whole, then, the hierarchical level that this collaborator composes inside 
the company has great value to the determination of the business atmosphere. 


KEYWORDS: Organizational climate. Hierarchical Level. Organizational Behavior. 


92 


1. INTRODUÇÃO 

O mercado está cada vez maior e englobando diversas empresas com linhas 
de segmento parecidas. Para obter destaque, crescimento e alcançar lucros, não 
basta apenas se valer dos recursos financeiros, tecnológicos e estruturais, sendo 
necessário também que se tenha uma maior preocupação com os recursos humanos. 
Maximiano (2011:149) afirma que “a produtividade e o desempenho das organizações 
dependem também do comportamento das pessoas, e não apenas da eficiência dos 
sistemas técnicos”. 

Como o ser humano é um recurso essencial e fundamental à sobrevivência de 
uma organização, é de suma importância que lhe seja dado o devido tratamento, 
atentando-se a todos os fatores que podem ou não colaborar para o desenvolvimento 
das pessoas em suas funções diárias. E são diversos os fatores que influenciam o 
comportamento das pessoas: podendo ser estes externos à organização, como, por 
exemplo, social e psicológico, bem como também ser internos, como, por exemplo, a 
cultura e o clima organizacionais. (GUTIERREZ, 1988; PUENTE-PALACIOS, 2002; 
LIMONGI-FRANÇA, 2006). 

Em virtude de tamanha preocupação com os recursos humanos nas 
organizações, o presente trabalho será desenvolvido com o intuito de analisar as 
diferentes percepções que os colaboradores, baseado em seus níveis hierárquicos, 
podem ter do clima organizacional de dada empresa. Também será averiguado se tais 
visões se aproximam mais da cultura organizacional da empresa ou da motivação 
vinda do próprio colaborador ou do que lhe é proporcionado pela própria organização. 

Os níveis hierárquicos possuem suas características próprias e diante disso, 
visivelmente são formados dois grupos com realidades distintas, um sendo 
hierarquicamente mais alto e o outro sendo hierarquicamente mais baixo. Adiante, 
nota-se que esses grupos divergem em termos de percepção real do clima, sendo que 
o escalão mais baixo observa o clima organizacional mais favoravelmente que o 
escalão mais alto (GUTIERREZ, 1988). 

Por outro lado, o nível hierárquico mais alto pode perceber o clima mais 
favoravelmente do que o nível hierárquico mais baixo. O nível mais baixo, muitas 
vezes, consegue visualizar mais problemas de maneira constante que não são 
visualizados pelos seus gestores. Dessa forma, o escalão mais baixo pode ser 
influenciado por tal visão e se sentir desmotivado a exercer suas funções, fazendo 


com que o clima organizacional se torne cada vez mais negativo. E é nesse ponto que 


93 


deve atuar a liderança. O gestor deve ouvir e ser ouvido para que a equipe se motive 
para cooperar, bem como para ser liderada. 

Diante desse cenário, emerge a problemática seguinte a ser desvelada neste 
trabalho: qual a percepção dos colaboradores, da empresa analisada, a respeito do 
clima organizacional no ambiente em que trabalham? Como sua posição hierárquica 
poderá afetar ou não a percepção resultante dos estudos realizados? 

Posto isto, o objetivo do presente trabalho é investigar se a percepção do clima 
organizacional varia de um nível hierárquico para outro, baseado nas visões dos 
colaboradores e do grupo gestor de uma indústria alimentícia. 

Dessa maneira, os objetivos específicos deste estudo são: (i) apresentar a 
evolução do posicionamento do capital humano nas organizações; (ii) analisar 
teoricamente os comportamentos humano e organizacional, enfatizando a visão 
biopsicossocial; (iii) pesquisar os principais conceitos de clima organizacional e sua 
evolução histórica, bem como as variáveis que afetam o clima; (iv) levantar as 
percepções dos colaboradores a respeito de suas visões sobre o clima organizacional 
dos seus setores, bem como da empresa como um todo, e; (v) identificar os fatores 
que influenciam para que as visões divirjam ou não entre os níveis hierárquicos. 

Tendo em consideração que os recursos humanos de certa empresa são os 
seus colaboradores, todo e qualquer fator que possa afetá-los deve ser estudado, 
destacando-se o clima organizacional como um dos principais fatores que podem 
afetar o rendimento laboral. 

De acordo com Luz (2014:28-30), as empresas precisam conhecer o que 
pensam e como se sentem seus empregados, em relação às diferentes variáveis que 
afetam o clima e além dos aspectos internos das organizações, é indispensável 
conhecer a realidade familiar, social e econômica, na qual os trabalhadores vivem fora 
do ambiente de trabalho. 

Muitas pesquisas foram realizadas em torno deste assunto, porém com um 
enfoque maior em obter o resultado do clima organizacional, diagnosticando-o como 
favorável ou não. O intuito dessa pesquisa é fazer uma análise diferenciada, partindo 
das visões dos colaboradores sobre como suas funções e níveis hierárquicos podem 
influenciar e gerar pensamentos divergentes sobre o assunto. 

Sendo assim, o trabalho será iniciado pelo conceito de indivíduo, no qual serão 
abordados aspectos importantes para sua conceituação, como o capital humano, o 


comportamento humano e o organizacional assim como a visão biopsicossocial, 


94 


visando mostrar a importância das pessoas dentro da organização bem como os 
fatores que estão presentes para a formação de seu comportamento. 

Em seguida será abordado o clima organizacional, enfatizando os principais 
conceitos, uma vez que este apresenta conceitos diferentes, mas que se 
complementam, assim como os tipos de clima que definem a situação que a empresa 
está vivenciando, e os indicadores que mostrarão se a empresa está em uma situação 
confortável ou não. E, para findar o referencial teórico, serão apresentadas as 
variáveis que influenciam o clima organizacional, que para o estudo deste trabalho, as 
mais importantes foram: cultura organizacional, motivação, liderança e percepção, 
dado que existe uma vasta quantidade de variáveis a respeito do tema. 

Após esta análise teórica, será apresentada a metodologia, baseada em uma 
pesquisa de campo realizada em uma empresa alimentícia da Zona da Mata Mineira 
e do Campo das Vertentes, cujos dados foram analisados através da técnica 
multivariada de análise discriminante, sendo seguida pelos resultados obtidos e suas 
correlações com as teorias. Concluindo o trabalho, virá a conclusão com os principais 


aspectos observados ao longo dos estudos. 


2. O INDIVÍDUO 

O ser humano é um ser dotado de características particulares, cada qual a seu 
modo. Procurar entender como o mesmo se posiciona diante da sociedade e de suas 
atividades envolve muito mais que procurar saber o que o influencia, afinal, desejos, 
objetivos, metas, sensações entre diversos outros fatores, sejam eles motivacionais 
ou não, fazem parte da definição do que é o indivíduo (SKINNER, 1991). A importância 
dada em se estudar o comportamento humano partiu do momento em que as 
organizações passaram a valorizar o indivíduo como parte integrante da mesma, e 
não como um ser automático, dotado de uma única função. (LIMONGI-FRANÇA, 
2006) 

Diante da importância do indivíduo, surgiu um novo conceito de capital, que não 
engloba valores econômicos e sim valores intelectuais, conhecido como capital 
humano. Através desse novo conceito, o ser humano passou a ser valorizado pelo 


seu know-how! e não pelo trabalho mecânico. 


!“Saber como”, obtido através do conhecimento, habilidade, eficiência, inovação e qualidade na 
execução de determinado serviço. 


95 


De acordo com Becker (1994), o capital humano é a capacidade de produção 
que uma pessoa pode adquirir com a obtenção de conhecimento e habilidades, vindas 
tanto de estudos e treinamentos quanto do poder de influência, uma vez que não se 
pode omitir a influência das famílias no conhecimento, habilidades, valores e hábitos 
que são passados de geração a geração. 

O capital humano pode ser entendido como um fator para o desenvolvimento 
organizacional, posto o fato de que, ao acumular conhecimentos, o colaborador pode 
trazer inovações e novos conceitos que podem ser o diferencial para que a empresa 
se destaque no mercado. Com a valorização do ser humano, a empresa pode 
absorver novas experiências e conceitos do mercado atual, já que os produtos e 
serviços estão em constante evolução. 

O indivíduo está sempre em busca de conhecimento e isso faz com que, 
conforme Becker (1994), o capital humano influencie o sistema econômico devido aos 
investimentos na expansão do conhecimento científico e técnico, e com isso, a 
produtividade do trabalho e outros insumos de produção acabam aumentando. Em 
concordância, Paiva (2001:188) afirma que, “a forma mais importante da força de 
trabalho, o maior “capital humano” hoje é o intelecto”. E quando se investe em 
qualidade de treinamento e ensino, o resultado pode ser cada vez mais promissor. 

Como o ser humano é dotado de características individuais, é importante 
entender o comportamento para que o capital humano seja valorizado na organização, 
visto que o indivíduo é a peça principal para o avanço da mesma. Para Rodrigues, 
Almeida e Oliveira (2007:2): 


O comportamento humano no contexto empresarial reflete nos resultados 
relacionados à produtividade, qualidade e consequentemente no grau de 
competitividade da organização, independente do cenário apresentado, seja 
ele doméstico ou global. Assim, parece-nos importante considerar o indivíduo 
não apenas como um recurso humano, mas como pessoa, portadora de 
características de personalidade, expectativas, objetivos pessoais, enfim 
como ser humano. 


Ainda sobre o conceito de comportamento humano, de acordo com Limongi- 
França (2012:5), “o comportamento humano decorre das características herdadas dos 
pais e das influências que o meio ambiente exerce sobre as pessoas”. Assim como 
Skinner (1991:45) complementa que: 


As pessoas respondem sensorialmente ao ambiente e atuam sobre ele. 
Numa análise comportamental, o ambiente atua primeiro, e de duas 
maneiras. Ou como consequência, quando reforça o comportamento e assim 
dá origem a um operante; ou como disposição, quando elicia ou evoca o 
comportamento. 


96 


O comportamento humano pode ser baseado também nas relações pessoais 
que cada um possui, uma vez que a capacidade de influência das pessoas varia. 
Afinal, cada um tende a se ajustar a um meio social e às regras desse meio, bem 
como os atos praticados podem atuar sobre o comportamento de certa pessoa quando 
o desejo é fazer parte de dado grupo bem como pertencer a ele. Conforme Skinner 
(1991) há uma distinção entre pessoa e eu. A pessoa, na qualidade de 
comportamento, pode ser observada pelos outros, enquanto o eu, acompanhado de 
estados internos, somente é observado através de sentimentos ou da introspecção. 

Mas não são somente fatores externos ao ambiente de trabalho que são 
capazes de influenciar o comportamento humano. Fatores internos podem igualmente 
modificar todo um comportamento, como por exemplo, a cultura organizacional da 
empresa, que consiste nas regras e fatores criados pela empresa para que se obtenha 
um ambiente organizado, o conteúdo do cargo que a pessoa exerce, uma vez que 
funções repetitivas e sem muita variância podem acarretar em um determinado 
comportamento, e os aspectos emocionais, uma vez que podem ocorrer dificuldades 
de relacionamentos interpessoais nos setores de trabalho. 

É por se considerar o indivíduo não só como recurso humano e sim como 
pessoa, que se deve ter uma preocupação em estudar quais fatores podem influenciar 
seu comportamento e fazer com que ele afete sua produtividade bem como sua 
qualidade de vida no trabalho. Afinal, um colaborador tem total poder de influenciar 
nos resultados que a empresa venha a obter no futuro. 

A análise do comportamento do indivíduo também depende dos fatores 
biológicos, psicológico e social. Para entender melhor como esses fatores se 
relacionam, há a visão biopsicossocial, um conceito importante dentro da medicina 
psicossomática que identifica o ser humano com um ser dotado de valores. De acordo 
com Limongi-França (2012:7), esse conceito propõe uma visão integrada do ser 
humano e é composto por três camadas. A camada biológica, que se refere às 
características físicas herdadas ou adquiridas pelo ser humano. A camada 
psicológica, que se refere aos traços característicos que ajudam a formar a 
personalidade de cada indivíduo, bem como no seu modo de perceber e se 
posicionar diante das pessoas e dos fatos. E a camada social, que incorpora os 
valores, as crenças, o papel na família, no trabalho e em sociedade. 

Cada atividade que o indivíduo exerce dentro ou fora de uma organização é 
influenciada por esses fatores, afinal eles atuam sobre o trabalho de cada um, bem 


97 


como no relacionamento e na satisfação diária. Dessa forma, o desequilíbrio em um 
desses fatores pode acarretar em resultados negativos na função desempenhada, 
afinal situações ocorrentes, sejam elas positivas ou não, tanto na vida pessoal quanto 
na profissional, são decisivas para que o comportamento humano se modifique. 

Essa mudança no comportamento do indivíduo pode fazer com que a 
organização na qual ele trabalha possa ser vista com outros olhos, fazendo com que 
os resultados sejam melhores, caso a visão se modifique positivamente, ou piores, 
caso modifique negativamente. E visando os melhores resultados, a organização deve 
buscar estudar os fatores que possam ou não modificar o modo da mesma ser vista, 
tanto interna quanto externamente. Sendo assim, a preocupação com o colaborador 
tornou-se crucial para que uma organização se destaque no mercado (LIMONGI- 
FRANÇA, 2006; MAXIMIANO, 2011; LUZ, 2014). Afinal, a empresa que demonstra 
atenção com seus colaboradores não é vista de maneira correta somente por aqueles 
que atuam diretamente no processo produtivo, mas também por aqueles que atuam 
indiretamente no mercado, como os consumidores, por exemplo. 

O comportamento humano também pode ser influenciado pelo 
comportamento organizacional, tendo em vista que a organização é composta por 
regras e por pessoas, ambas importantes no ato de administrar. Para Maximiano 
(2011:150), o comportamento organizacional pode ser definido baseando- se em 
dois temas básicos de estudo, que são: as características que diferenciam as 
pessoas umas das outras e o comportamento coletivo das pessoas: como 
integrantes de grupos, de organizações e da sociedade. Consumando, para Limongi- 
França (2012:3), “o comportamento organizacional é o estudo do conjunto de 
ações, atitudes e expectativas humanas dentro do ambiente de trabalho”. 

Analisar o comportamento organizacional faz com que a organização mantenha 
seus líderes atualizados, uma vez que é o comportamento do colaborador e seus 
impactos que fazem com que o ambiente organizacional seja modificado. A atuação 
dos líderes faz com que os possíveis problemas sejam previstos antes que algo 
aconteça, trazendo a possibilidade de que ações sejam feitas de maneira preventiva. 
Essa prevenção pode ser de longo prazo através da intervenção e cursos 
profissionalizantes, ou de curto prazo, através de seminários e treinamentos. 

De forma geral, o indivíduo, mesmo com todas suas particularidades, pode ser 
estudado visando proteger tanto a imagem da organização quanto a do colaborador. 


São vários os fatores capazes de modificar o modo de ver e atuar de uma pessoa e 


98 


serão esses fatores que poderão levar uma organização ao ponto mais alto como 
também ao ponto mais baixo. Por isso, é importante valorizar o indivíduo como um ser 
pensante dotado de funcionalidades capazes tanto de resultar em ações positivas 
como negativas. 

A importância de estudar o indivíduo para compreender o clima organizacional 
de uma empresa se deve ao fato de que a atmosfera empresarial é gerada através 
dos comportamentos e das percepções que os mesmos possuem na realização de 
seus trabalhos. Sendo assim, o capítulo a seguir tratará do clima organizacional, 
enfatizando seu conceito, seus tipos e indicadores. 

2.1 CLIMA ORGANIZACIONAL 


A abordagem clássica da administração, ressaltada principalmente por 
Frederick Taylor e Henry Fayol, trata da organização com ênfase nas tarefas e nas 
estruturas, respectivamente. Os estudos realizados por Taylor, conhecidos como 
Administração Científica, se dedicaram a focalizar temática acerca da racionalização 
do trabalho, da padronização e do estabelecimento de princípios básicos de 
organização racional no trabalho, ou seja, o operário trabalhava mais e ganhava 
menos, enquanto os estudos realizados por Fayol, conhecidos como Teoria Clássica 
da Administração, foram voltados para a estrutura, compreendendo a organização 
como uma disposição das partes que as constituem, sua forma e o inter- 
relacionamento entre essas partes, restringindo-se apenas a organização formal, 
propondo que o trabalho dos administradores deveria ser visto separadamente das 
atividades operacionais da empresa. (CHIAVENATO, 2003; MAXIMIANO, 2011). 

É notório que nesse primeiro momento não há a preocupação com o ser 
humano dentro das organizações, dado que a preocupação maior estava em como as 
tarefas eram executadas e em como fazer com que elas fossem potencializadas, 
tendo em vista o aumento da produtividade. Na busca dessa potencialização, o 
colaborador ficava especializado em uma determinada função, o que tornava a visão 
do homem, para o gestor, como um ser isolado e mecânico dentro da organização. 
Não só a ênfase nas tarefas lastreava essa visão do colaborador, mas também a 
estrutura da organização, posto que a mesma tratava da divisão de trabalho, seja 
pelos níveis de autoridade, seja pela departamentalização. 

Os primeiros vestígios de estudos que ressaltaram o ser humano podem ser 
observados através da Experiência de Hawthorne, conduzida por George Elton Mayo. 
A experiência foi realizada em 1927 na fábrica Western Electric Company, situada em 


99 


Chicago. A pesquisa foi composta por quatro fases e possuía como objetivo inicial 
avaliar o efeito da iluminação sobre a eficiência do trabalhador, medida por meio da 
produção. Durante o processo da pesquisa, foi verificado que os resultados da 
experiência eram prejudicados pelo equilíbrio interior, uma vez que esse equilíbrio 
poderia ser derrubado temporariamente. Através dos estudos realizados por Mayo, 
verificou-se que o mesmo não foi direcionado para a condição externa, mas para a 
organização interna. Porém, ao fortalecer o equilíbrio interno temperamental dos 
colaboradores, a Companhia permitiu-lhes atingir um estado estacionário mental, que 
ofereceu uma elevada resistência à variedade das condições externas. Outro aspecto 
importante observado nesta pesquisa foi que os colaboradores melhoraram suas 
atitudes perante o trabalho e o ambiente de trabalho, e que tal melhoria ocasionou no 
aumento da eficiência, uma vez que a moral estava melhor. A melhora da moral pôde 
ser observada através da integração social bem como a interação social, colocando 
em foco que os aspectos emocionais merecem atenção, dado que o comportamento 
humano é influenciado por tal. (MAYO, 1933). 

Sendo assim, conforme Menezes e Gomes (2010:160), as premissas dos 
estudos sobre clima organizacional podem ser encontradas no experimento conduzido 
por Mayo, no qual foi constatado que modificações nas configurações física e social 
do ambiente de trabalho são aptas a provocar mudanças emocionais e 
comportamentais significativas nos trabalhadores. 

E diante de tal evolução histórica, bem como da importância do capital humano 
para a organização é de suma relevância estudar uma das variáveis mais importantes 
que formarão o comportamento humano dentro da organização: o clima 
organizacional. 

Encontrar uma definição taxativa para clima organizacional é tarefa que se 
torna complexa, posto que cada autor possui um ponto de vista a respeito do tema, 
uma vez que, além de tratar de um assunto amplo, apresenta diversos fatores 
diferentes para serem abordados. Algumas vertentes da literatura técnica acerca do 
tema dão maior relevância aos aspectos estruturais da organização, enfatizando as 
características que distinguem umas das outras assim como os níveis individual e 
organizacional. Estas são trazidas nas obras de Forehand e Gilmer, assim como de 
Payne e Mansfield. Outros posicionamentos se relacionam com o aspecto 
psicológico, ressaltando a satisfação e a relação de empresa e colaborador, como 
observa Luz. Adiante, cada posicionamento será abordado, dado que a conceituação 


100 


de clima organizacional, como referido anteriormente, abrange concepções diversas. 


De acordo com Puente-Palacios (2002:96), 


Forehand & Gilmer definem o clima organizacional como um conjunto de 
características que descrevem a organização e que a distinguem de outras, 
são relativamente duráveis ao longo do tempo e influenciam o 
comportamento das pessoas na organização. 


Em consonância, Bispo (2006) aponta dois conceitos sobre clima 
organizacional, como o de Payne e Mansfield, trazendo o clima como o elo conceitual 
de ligação entre o nível individual organizacional, e o de Coda, que remete o clima 
organizacional como o indicador do grau de satisfação dos membros de uma empresa 
em relação a diferentes aspectos da cultura e da realidade da organização. 

O enfoque na estrutura também foi relatado por Katz e Kahn apud Souza 
(1977:144), ao trazer que: 


O clima organizacional também reflete a história das porfias internas e 
externas, dos tipos de pessoas que a organização atrai, de seus processos 
de trabalho e leiaute físico, das modalidades de comunicação e do exercício 
da autoridade dentro do sistema. 


Em contrapartida, destacando os fatores psicológicos como formação do clima 
organizacional, Luz (2014:13) define clima como sendo “a atmosfera psicológica que 
envolve, num dado momento, a relação entre a empresa e seus funcionários”. 

Ao analisar diversos conceitos sobre clima organizacional, Luz (2014:13) 
relata que pelo menos três palavras estão quase presentes nas definições, que 
são satisfação, na qual o clima é remetido à satisfação dos funcionários, percepção, 
na qual os colaboradores notam os diferentes aspectos da empresa que possam 
influenciá-los e cultura organizacional, porque há a influência desta sobre o clima 
organizacional. 

Trabalhar com essa variável significa analisar as percepções dos 
colaboradores, baseadas nas interações dos comportamentos individual e 
organizacional. Sendo assim, pode-se conceituar clima organizacional como um 
fator que envolve tanto aspectos organizacionais, baseados na cultura 
organizacional, nas funções desempenhadas, no estilo de liderança, nos incentivos, 
na estrutura, quanto motivacionais e biopsicossociais, baseados no psicológico, nas 
heranças biológicas, nos hábitos, nos desejos, que afetarão o comportamento 
humano dentro das organizações. Por isso, é de suma importância que o 


administrador entenda o referido conceito, pois o mesmo pode afetar a percepção 


101 


do colaborador, além de trazer benefícios para a empresa, tendo em vista o fato de 
que, com o clima favorável, o colaborador tende a atuar mais e melhor, 
correspondendo às expectativas da organização, visto que a variável é analisada 
através da interação entre as características da organização e a percepção 
do colaborador. 

Ao analisar as percepções e traçar o ambiente organizacional, o gestor se 
depara com diversas situações até chegar a uma definição geral. O clima 
organizacional pode ser classificado quanto ao seu tipo, tal qual é capaz de elevar a 
organização ao seu ponto mais alto, de grande realização, como também fazer com 
que ela obtenha o pior resultado possível, o que pode acarretar grandes problemas. 

O clima organizacional, quanto a seu tipo, por ser bom, prejudicado ou ruim. 
Quando o clima é bom, o ambiente é sinônimo de alegria, confiança, entusiasmo, 
engajamento, participação, dedicação, satisfação, motivação e comprometimento 
com a maioria dos colaboradores, sentindo este orgulho da empresa e indicando a 
mesma para seus amigos e familiares a nela trabalharem. 

Por outro lado, encontra-se o clima prejudicado ou ruim, baseado nas variáveis 
organizacionais que afetam de forma negativa e duradoura o ânimo da maioria dos 
colaboradores, acarretando em tensões, discórdias, desuniões, rivalidades, 
animosidades, conflitos, desinteresses pelo cumprimento das tarefas, resistência 
manifesta ou passiva às ordens, ruído nas comunicações e competições. A 
intensidade de cada situação que definirá se o clima será prejudicado ou ruim, porém 
isso não torna a empresa ilesa ao resultado desfavorável, uma vez que tanto o clima 
prejudicado quanto o clima ruim são contra os objetivos da organização e das 
pessoas que nela trabalham (LUZ, 2014). 

Para o gestor, aferir a situação atualizada do clima organizacional não é só 
um papel importante, como também determinante do quadro em que a organização 
pode estar inserida. É claro que nenhuma empresa deseja que os colaboradores 
percebam o clima como algo ruim a ponto de possuírem vergonha ou desinteresse 
em trabalhar naquele local, mantendo-se apenas por falta de opção ou necessidade. 
O objetivo, dentro das relações humanas, de toda empresa que deseja destaque no 
mercado pelos seus produtos ou serviços, bem como pelo trabalho exercido pelos 
seus colaboradores, está relacionado ao condicionamento saudável, seja físico ou 
psíquico, daqueles que fazem parte do quadro funcional. Sendo assim, existem 
alguns indicadores que podem auxiliar o gestor a mapear e traçar o clima de seu 


102 


setor, contribuindo assim para que a empresa apresente uma boa imagem 
internamente e externamente. 

Para Luz (2014: 32-34), apesar dos indicadores não apresentarem elementos 
que descubram as causas do clima organizacional, os mesmos servem para verificar 
que algo pode não estar apropriado dentro da organização. Entre eles estão: (i) o 
turnover, que representa a rotatividade de pessoal, e quando este indicador se 
apresenta elevado, pode indicar a falta de comprometimento das pessoas com a 
empresa; (ii) o absenteísmo, que indica o excessivo número de faltas e atrasos, 
indicando o mesmo problema observado no turnover; os programas de sugestões, 
que podem obter resultados negativos em números bem como em qualidade; (iii) a 
avaliação de desempenho, que pode confirmar como o desempenho de determinado 
colaborador vem sendo apresentado; (iv) os conflitos interpessoais e 
interdepartamentais, que se destaca como o fator mais visível do clima 
organizacional, dado que a sua intensidade pode qualificar o clima como tenso ou 
agradável; (v) e os desperdícios de material, que denota um pouco de revolta por 
parte do colaborador, levando-o a danificar bem como desperdiçar material fornecido 
pela empresa. 

Para obter um diagnóstico preciso do clima organizacional, é importante 
pesquisar e estudar as variáveis capazes de influenciar no seu desenvolvimento 
dentro da organização. Dentro deste trabalho, as principais variáveis e serem 
exploradas para a abordagem da pesquisa aplicada constam no tópico a seguir. 

2.2 VARIÁVEIS DO CLIMA ORGANIZACIONAL 

O clima organizacional é influenciado por diversos fatores, tais quais são 
capazes de modificar toda a maneira de percepção do gestor ou do colaborador 
quanto a essa vertente. Por ser um processo psicológico determinado pela situação, 
as variáveis constituintes do construto são consideradas como fatores tanto 
causadores como moderadores das atitudes e do desempenho do trabalhador 
(MENEZES; GOMES, 2010). 

Desta forma, é importante ressaltar cada variável, para que seja extraído o 
máximo de informações que constitua o clima de qualquer organização. As variáveis 
propostas por Luz em seus estudos de clima organizacional são descritas no 


quadro 01. 


103 


Quadro 01: Variáveis Organizacionais. 





Trabalho realizado pelos 
funcionários 


Avalia a adaptação dos funcionários com os trabalhos realizados; 
o volume de trabalho realizado; o horário de trabalho; se é justa a 
distribuição dos trabalhos entre os funcionários; se o quadro de 
pessoal em cada setor é suficiente para realizar os trabalhos; se 
o trabalho é considerado relevante e desafiador e o equilíbrio 
entre trabalho e a vida pessoal. 





Essa é uma das principais variáveis a serem pesquisadas, em 





Salário função da sua importância sobre o grau de satisfação dos 
funcionários. 
Avalia o quanto eles atendem às necessidades e expectativas 
Benefícios dos funcionários; a qualidade da prestação desses serviços aos 


funcionários; o impacto na atração, fixação e satisfação dos 
funcionários. 





Integração entre 
departamentos da empresa 


Avalia o grau de relacionamento; a existência de cooperação e 
conflitos entre os diferentes departamentos da empresa. 





Supervisão/Liderança/ 
Estilo Gerencial/ Gestão 


Revela a satisfação dos funcionários com os seus gestores; a 
qualidade da supervisão exercida, a capacidade técnica, humana 
e administrativa dos gestores; grau de feedback dado por eles à 
equipe; o tratamento justo dado à equipe. 





Comunicação 


Avalia o grau de satisfação com o processo de divulgação dos 
fatos da empresa; aponta a satisfação quanto à forma e os canais 
de comunicação utilizados pela empresa. 





Treinamento/ 
Desenvolvimento/ 
Carreira/Progresso e 
Realização 


Avalia as oportunidades que os trabalhadores têm de se 
qualificar, de se atualizar, de se desenvolver profissionalmente. 





Possibilidades de progresso 
profissional 


Aponta a satisfação dos trabalhadores quanto às possibilidades 
de promoções e crescimento na carreira, as possibilidades de 
realização de trabalhos desafiadores e importantes, avalia as 
possibilidades de os funcionários participarem de projetos que 
representam experiências geradoras de aumento de 
empregabilidade e realização profissional; avalia o uso e o 
aproveitamento das potencialidades dos funcionários. 





Relacionamento interpessoal 


Avalia a qualidade das relações pessoais entre funcionários, 
entre eles e suas chefias, entre os funcionários e a empresa e a 
existência e intensidade de conflitos. 





Estabilidade no emprego 


Procura conhecer o grau de segurança que os funcionários 
sentem nos seus empregos, assim como o feedback que 
recebem sobre como eles estão indo no trabalho. 





Processo decisório 


Avalia a opinião dos funcionários sobre a qualidade do processo 
decisório; sobre o quanto a empresa é ágil, participativa, 
centralizada ou descentralizada em suas decisões. 





Condições físicas de trabalho 


Verifica a qualidade e o conforto das condições físicas, das 
instalações, dos recursos colocados a disposição dos 
funcionários para realização dos seus trabalhos; posto de 
trabalho, vestiários, horário de trabalho, local de trabalho, 
recursos disponíveis para o trabalho. 





Relacionamento da Empresa 
com os Sindicatos e 
Funcionários 


Analisa a postura como a empresa se relaciona com os 
sindicatos; a qualidade do tratamento dos problemas trabalhistas. 








Participação 





Avalia as diferentes formas de participação dos funcionários no 
cotidiano da empresa; seu grau de conhecimento e envolvimento 
com os assuntos relevantes na empresa; sua participação na 
definição de objetivos do seu setor de trabalho; a participação 





104 








financeira nos resultados da empresa; participação deles na 
gestão da empresa. 





Pagamento dos Salários 


Avalia a incidência de erros na folha de pagamento; o 
conhecimento que os funcionários têm sobre os códigos de 
proventos e descontos lançados na folha de pagamento. 





Segurança do Trabalho 


Avalia a percepção e a satisfação dos funcionários quanto às 
estratégias de prevenção e controle da empresa sobre riscos de 
acidente e doenças ocupacionais a que estão sujeito os 
funcionários. 





Objetivos Organizacionais 


Avalia a clareza, a transparência da empresa quanto à 
comunicação dos objetivos organizacionais e departamentais aos 
seus funcionários. 





Orientação da Empresa para 
os Resultados 


Avalia o quanto a empresa é percebida pelos seus funcionários 
no seu esforço de orientar-se para a consecução de seus 
resultados. 





Disciplina 


Avalia o grau de rigidez da disciplina aplicada pela empresa e a 
justiça nas aplicações das punições. 





Imagem da Empresa 


Avalia a opinião dos funcionários sobre como a empresa é 
percebida no mercado, por seus clientes, fornecedores e pela 
comunidade. 





Estrutura Organizacional 


Avalia a opinião dos funcionários sobre a adequação da estrutura 
da empresa para o processo decisório, para a comunicação, para 
a consecução dos objetivos organizacionais. 





Ética e Responsabilidade 
Social 


Avalia o quanto a empresa é ética e cumpre com sua 
responsabilidade social. 





Qualidade e Satisfação do 
Cliente 


Identifica a percepção dos funcionários quanto ao compromisso 
da empresa em relação a processos e serviços e a satisfação dos 
clientes. 





Reconhecimento 


Avalia o quanto a empresa adota mecanismos de valorização e 
reconhecimento para seus funcionários. 





Vitalidade Organizacional 


Avalia o ritmo das atividades desenvolvidas pela empresa. Se ela 
tem vitalidade ou se é uma empresa onde as coisas andam muito 
devagar, onde as mudanças se processam muito lentamente. 





Direção e Estratégias 


Avalia a satisfação dos funcionários quanto à qualidade da 
direção da empresa, quanto à qualidade das estratégias adotadas 
e quanto à qualidade da condução nos negócios. 





Valorização dos Funcionários 


Identifica o quanto a empresa valoriza, respeita, dá oportunidades 
e investe em seus recursos humanos. 





Envolvimento / 
Comprometimento 


Avalia quanto os funcionários se sentem envolvidos e 
comprometidos com os objetivos e os resultados da empresa, 
assim como o quanto essa adesão é voluntária ou compulsória. 





Trabalho em Equipe 


Avalia o quanto a empresa estimula e valoriza o trabalho em 
equipe, em times para solucionar problemas, para buscar 
oportunidades, para aprimorar processos, para inovar etc. 





Modernidade 


Avalia a percepção dos funcionários quanto à preocupação da 
empresa com relação à inovação de seus produtos, processos, 
serviços, tecnologia, modelo de gestão, instalações, etc. 





Orientação da Empresa para 
os Clientes 


Avalia a imagem externa da empresa, a percepção que os 
clientes externos têm sobre ela; procura identificar o quanto a 
empresa é sensível às necessidades de seus clientes. 








Planejamento e Organizacão 





Avalia o quanto a empresa é percebida como sendo bem 
planejada e organizada pelos seus diferentes gestores. 





105 








Procura identificar quais fatores do ambiente de trabalho são 
Fatores Motivacionais percebidos pelos funcionários como de maior contribuição para a 
motivação deles. 





Procura identificar quais fatores do ambiente de trabalho são 
Fatores Desmotivadores percebidos pelos funcionários como de maior contribuição para a 
desmotivação deles. 














Fonte: Luz (2003) 


Diante da vasta quantidade de variáveis que são capazes de influenciar o clima 
organizacional, as consideradas mais importantes, quanto à empresa estudada, foram 
cultura organizacional, motivação, liderança, e a percepção, que através deste estudo 


foi considerada uma variável tão impactante quanto as demais. 


Figura 01 — Variáveis mais importantes do Clima Organizacional. 





Motivação 








Liderança 





Cultura 









Percepção 


Fonte: Elaborado pelos autores 


2.3 CULTURA ORGANIZACIONAL 

Conforme Menezes e Gomes (2010:166), “cultura é comumente definida como 
uma variável mais profunda do que o clima, identificada com valores e pressupostos 
que, com o tempo, são mantidos pelos membros da organização”. 

De acordo com Spier, Juchem e Cavalheiro (2009:22), “para Nassar a cultura 
organizacional é o conjunto de valores, crenças e tecnologias que mantém unidos os 
mais diferentes membros, de todos os escalões hierárquicos, perante as dificuldades, 
operações do cotidiano, metas e objetivos”. 

Para Luz (2014:14), “a cultura representa o conjunto de crenças, valores, estilos 
de trabalho e relacionamentos, que distingue uma organização das outras além de 
decorrer também de valores culturais da sociedade na qual está inserida”. 

Ao analisar as definições de cada autor, nota-se que pelo menos as palavras 
“crença” e “valores” estão presentes. Isso mostra que a cultura funciona como uma 
diretriz que irá orientar o colaborador ao exercer sua função bem como interagir com 


a organização no geral e com isso influenciar no comportamento de cada um. Sendo 


106 


assim, por partir de comportamentos humanos bem como do que cada empresa 
elabora como crenças e valores (comportamento organizacional), cada organização 
terá sua cultura, diferenciando-se das demais. 

A cultura organizacional impacta no dia a dia da organização, uma vez que são 
os valores, as crenças e a tecnologia que irão atuar no modo do colaborador 
desenvolver seu trabalho. É importante que a cultura seja apresentada ao funcionário, 
para que ele entenda o modo da organização de funcionar e para que ele possa 
corresponder ao que ela deseja. Caso a cultura organizacional da empresa seja vista 
de forma conflitante para o colaborador, esta pode influenciar negativamente sobre 
seu trabalho e consequentemente afetar o clima organizacional. 

O impacto da cultura no clima é certo de ocorrer, pois entre clima e cultura há 
uma relação de casualidade, uma vez que a cultura é causa e clima é consequência. 
Ou seja, a cultura é um dos fatores que afetam o clima organizacional e ambos, apesar 
de se manifestarem de forma concreta, são intangíveis. E, apesar de se 
complementarem, apresentam algumas divergências, que são: o clima lida com 
fatores tanto internos à organização quanto externos, a cultura é um fator interno da 
organização; ambos são temporais, porém, o clima tem um curto prazo, uma vez que 
ele pode ser melhorado com políticas internas, já a cultura possui longo prazo, pois é 
baseada em práticas realizadas ao longo do tempo da organização (LUZ, 2014:20). 

Para Menezes e Gomes (2010:167), 


Seria praticamente impossível ou incoerente buscar desenvolver-se um 
clima desejado, se as variáveis que sustentam tal mudança forem 
incompatíveis com a cultura da organização. Por exemplo, se os 
pressupostos que sustentam a cultura de uma organização buscam 
estimular o individualismo e a competição, dificilmente o clima 
organizacional favorecerá a criação de um espírito de equipe e cooperação 
entre os trabalhadores. 


Enfim, ao estudar e diagnosticar o clima organizacional, deve-se levar em conta 
a cultura organizacional da empresa, uma vez que o comportamento humano, seja ele 
negativo ou positivo, poderá ser motivado nas regras vigentes daquela empresa. 
Afinal, se o clima é favorável ou não, parte dessa definição dependerá da cultura 
praticada. 

2.4 MOTIVAÇÃO 

As pessoas são motivadas por diversos estímulos, sejam eles pessoais ou 
organizacionais. Muitas vezes essa motivação vem com o intuito de se alcançar algo 


tanto no pessoal quanto no profissional, afinal são as necessidades que dão impulso 


107 


ao comportamento das pessoas. Diversas teorias retratam as necessidades 
motivacionais das pessoas, dentre elas, as principais são: Teoria das Necessidades 
Básicas de McClelland, Hierarquia das Necessidades de Maslow e Teoria dos Dois 
Fatores de Herzberg. 

2.5 TEORIA DAS NECESSIDADES BÁSICAS DE MCCLELLAND 

De acordo com Limongi-França (2012:24-25), “para McClelland as pessoas 
apresentam necessidades básicas que se manifestam com determinada intensidade 
em momentos específicos. Essas necessidades são de: realização (sucesso), poder 


e associação (afiliação)”. 


Figura 2: Três necessidades estudadas por McClelland. 











Conceito Símbolo | Definição 
: Necessidade de sucesso, avaliado 
Necessidade Ea : 
Realização nAch segundo algum padrão internalizado de 
excelência. 
Necessidade de relacionamento e 


Necessidade de Filiação | nAff ainizado: 


Necessidade de controlar ou influenciar 
direta ou indiretamente outras pessoas. 





Necessidade de Poder nPow 

















Fonte: Maximiano (2011:187). 


Essa teoria pode ser classificada como uma teoria de conteúdo, pois está 
voltada para o que motiva o comportamento. O conteúdo desse modelo está baseado 
nas predisposições específicas interiorizadas pelas pessoas através do processo de 
socialização. O sucesso representa um interesse em fazer as coisas melhor, 
ultrapassando os padrões de excelência. A afiliação pode ser definida como um 
interesse recorrente em estabelecer, manter ou restaurar um relacionamento afetivo 
com outras pessoas. E o poder representa um interesse recorrente em ter impacto 
sobre pessoas (REGO, 2000). 

Sendo assim, não importa qual seja o tipo de motivação do colaborador, ele 
será influenciado por ela durante sua gestão. Por se tratarem de predisposições 
específicas, — sucesso, afiliação e poder — as mesmas vão sendo adquiridas ao longo 
do tempo, com determinada experiência, afinal o cargo que o colaborador ocupar 
poderá influenciar no tipo de motivação que se adequar à situação. 

2.6 HIERARQUIA DAS NECESSIDADES DE MASLOW 

Essa teoria traz a ideia de que as pessoas atuam em cima de necessidades 
específicas e que uma vez ao satisfazê-las, surge uma nova necessidade, que está 


acima na hierarquia. Dessa forma, à medida que as pessoas satisfazem as 


108 


necessidades de um determinado nível, o próximo entra como motivação para 
ser alcançado. 

Para Limongi-França (2012:25), as necessidades de Maslow são classificadas 
em cinco níveis, a seguir: Básicas: são as necessidades de alimentação, repouso e 
continuidade da espécie; expressam-se por meio da fome, sono e sexo; Segurança: 
referem-se à proteção física e mental, e ausência de ameaça à integridade; 
expressam-se mediante a habitação, a segurança e a proteção pessoal; Associação: 
o conjunto de relações nos mais diversos grupos aos quais pertencem as pessoas; 
expressam-se por meio dos amigos, parceiros e semelhança de interesses; 
Reconhecimento: procura de prestígio e valorização pessoal diante de outras pessoas, grupos 
ou culturas. Refletem-se na busca de poder, posse, qualificação pessoal e profissional; Auto 
realização: as ações que realizam de forma pessoal e única. Atingem o conjunto 
intrínseco de vontades e/ou de crenças. Podem ser percebidas na dedicação 
incondicional e na motivação consistente com hábitos e sentimento de prazer. 

O que torna essa teoria interessante, levando em consideração o clima 
organizacional, é que esta analisa mais os fatores externos capazes de influenciar a 
motivação das pessoas. Esses fatores externos são capazes, tanto quanto os 
internos à organização, de atuar no modo de percepção do colaborador acerca do 
clima da empresa em que trabalha. Caso um destes níveis esteja ocasionando a 
desmotivação, a mesma poderá ser refletida no trabalho que o colaborador executa. 

2.7 TEORIA DOS DOIS FATORES DE HERZBERG 

Os estudos de Herzberg buscavam entender quais aspectos provocavam a 
satisfação e a insatisfação nos colaboradores em seu ambiente de trabalho. Para isso, 
o autor desenvolveu uma pesquisa na qual ele definiu dois fatores: motivacionais 
e higiênicos. 

Os fatores higiênicos estavam relacionados com: supervisão, relações 
interpessoais, condições de trabalho físicas, salário, políticas da companhia e práticas 
administrativas, benefícios, e segurança de trabalho. Quando estes fatores 
determinavam um nível abaixo do que o considerado aceitável, o resultado era a 
insatisfação no trabalho. Porém, o contrário não ocorre, pois esses fatores presentes 
não geravam a completa satisfação. Por outro lado, há os fatores motivacionais, 
relacionados com o conteúdo do cargo e das tarefas, nos quais o colaborador obtém 
crescimento, reconhecimento e realização. Neste fator, o colaborador sente satisfação 


ao adquirir qualquer característica destas, pois o homem tende a realizar-se em toda 


109 


área de sua vida, e o seu trabalho é uma das mais importantes. A ausência dos fatores 
motivacionais não gera a insatisfação, porém não leva à satisfação (HERZBERG; 
MAUSNER; SNYDERMAN, 1959). 

Nota-se que esta teoria está voltada para os aspectos internos da organização, 
mostrando assim quais fatores geram a satisfação ou não dos colaboradores. Esses 
fatores podem gerar impacto na percepção do clima organizacional, uma vez que, 
sejam eles higiênicos, sejam eles motivacionais, podem modificar o comportamento 
humano dentro da organização. 

2.8 LIDERANÇA 

A liderança irá atuar como um fator da organização que influencia no 
comportamento humano, afinal, a interação entre líder e liderado faz com que os 
resultados obtidos sejam satisfatórios ou não, dado que o líder tem total poder de 
influência sobre os demais. 

Para Limongi-França (2012:55), 


Liderança é um processo social em que se estabelecem relações de 
influência entre pessoas. O núcleo desse processo de interação humana é 
composto pelo líder ou líderes, seus liderados, um fato e um momento 
social. Podemos observar o processo de liderança em infinitas situações: 
família, escola, esporte, política, trabalho, comércio, vida pública ou em 
espaços privados. 


Ainda conforme Limongi-França (2012:59-65), a liderança pode ser dividida 
em estilos. Os principais são: a) Anárquico: não há vínculos hierárquicos entre as 
pessoas de um grupo. Propicia oportunidade de autonomia, criatividade e livre- 
pensar; b) Autoritário: o poder é emanado de um núcleo centralizador e mobilizador 
das regras, decisões e informações. O uso incorreto gera o autoritarismo, a ditadura, 
o monopólio e a verticalização de poder; c) Democrático: caracterizado pela presença 
de vários núcleos de poder que se intercomunicam e criam uma rede interativa e 
horizontalizada de distribuição e troca entre os membros; d) Situacional: o líder adota 
um estilo de liderança de acordo com a situação do momento. 

Diante disso, pode-se perceber que o estilo de liderança interfere no tipo de 
relação interpessoal que o líder terá com seu liderado. No caso do anárquico, por ser 
uma liderança liberal, não há vínculo entre o líder e o liderado; no autoritário, a 
liderança é direcionada, criando uma relação de distância entre o líder e o liderado; 
no democrático, por ser uma rede interativa de troca entre os membros, a liderança 
se torna participativa, havendo assim maior interação entre a equipe; e no caso da 


situacional, o momento é que determinará o tipo de interação que a equipe obterá. 


110 


Por mais que as organizações desejam que a liderança seja mais democrática 
ou situacional, o estilo do líder que determinará como sua equipe será orientada. 
Sendo assim, é importante que o líder saiba que seu modo de atuação terá influência 
no clima organizacional daquele setor. Afinal, se uma equipe possuir um líder 
totalmente autoritário, a mesma poderá desempenhar um papel negativo dentro da 
organização, bem como se a mesma possuir um líder democrático, o resultado poderá 
ser o oposto. 

2.9 PERCEPÇÃO 

Segundo Eisenberg et al. (1986 apud Oliveira-Castro, Pilati e Borges- 
Andrade, 1999:31): 


Suporte organizacional refere-se às percepções do trabalhador acerca da 
qualidade do tratamento que recebe da organização em retribuição ao 
esforço que despende no trabalho. Essas percepções baseiam-se na 
frequência, intensidade e sinceridade das manifestações organizacionais de 
aprovação, elogio, retribuição material e social ao esforço dos seus recursos 
humanos. Uma percepção favorável de suporte organizacional, segundo 
essa perspectiva, fortaleceria a expectativa esforço-resultado e o 
envolvimento afetivo do empregado com a organização, resultando em maior 
esforço do empregado para atingir os objetivos organizacionais. 


O importante de se estudar a percepção do colaborador está em verificar tudo 
que ele vê, sente e vivencia dentro e fora da organização. Afinal todo e qualquer fator 
que influencia seu comportamento pode modificar o modo de percepção da empresa 
bem como dos companheiros de trabalho e da função desempenhada. 

Essa análise deve ser verificada temporalmente, uma vez que se a percepção 
é influenciada por fatores externos e internos ao colaborador, se ela for estudada em 
um período no qual o colaborador esteja de baixa estima ou com problemas pessoais, 
o mesmo poderá confundir e não ser coerente ao analisar aspectos de seu trabalho. 


O contrário também pode ocorrer, caso ele esteja motivado demais. 


3. METODOLOGIA DA PESQUISA 

Nesta etapa do trabalho serão apresentados os procedimentos adotados para 
a realização da pesquisa cuja finalidade é detectar a percepção dos colaboradores da 
empresa analisada a respeito do clima organizacional no ambiente em que trabalham 
e se a posição hierárquica ocupada por eles poderá afetar ou não tal percepção. 

3.1 NATUREZA DA PESQUISA 

Gil (2002) classifica a pesquisa de duas maneiras, uma baseando-se nos 


objetivos e a outra nos procedimentos técnicos utilizados. As pesquisas, com base em 


111 


seus objetivos, são do tipo exploratória, descritiva ou explicativa e quanto aos 
procedimentos técnicos são do tipo bibliográfica, documental, experimental, ex-post 
facto, estudo de coorte, levantamento, estudo de campo, estudo de caso, pesquisa- 
ação ou pesquisa participante. 

Quanto aos objetivos, a pesquisa é explicativa, pois “visa esclarecer quais 
fatores contribuem, de alguma forma, para a ocorrência de determinado fenômeno” 
(VERGARA, 1998:45). Além disto, “é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o 
conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas” (GIL, 
2002:42). 

Quanto aos procedimentos técnicos utilizados, trata-se de uma pesquisa 
bibliográfica e de estudo de caso. Bibliográfica devido ao fato da sua fundamentação 
teórica ser baseada em livros e em artigos publicados em bancos de dados como 
Spell (Scientific Periodicals Electronic Library), Scielo (Scientific Electronic Library 
Online), SEGeT (Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia) e ANPAD 
(Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração). Para a 
busca do material foram utilizadas as palavras-chaves “clima organizacional”, 


” » » 


“motivação”, “comportamento organizacional”, “comportamento humano”, “liderança”, 
“hierarquia”, “percepção”, “capital humano” e “cultura organizacional”. E de estudo de 
caso, pois “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida 
real” (YIN, 2001:32), além de que “consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou 
poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento” (GIL, 
2002:54). 

A abordagem adotada na pesquisa é quantitativa, dado que foi trabalhada a 
quantificação dos resultados a fim de obter os resultados através de tratamentos 
estatísticos. É importante ressaltar que nesse tipo de abordagem, a intenção é garantir 
a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação 
(GRESSLER, 2004). 

3.2 UNIVERSO DA PESQUISA 

O universo da pesquisa é composto por colaboradores do setor administrativo 
da sede de uma empresa privada, sendo um total de 56 participantes, por conseguinte, 
10 gerentes, 4 supervisores e 42 assistentes. O local de estudo trata-se de uma 
expressiva empresa do ramo alimentício, situada entre as mesorregiões da Zona da 
Mata Mineira e Campo das Vertentes. A participação da pesquisa foi de maneira 


voluntária e os questionários respondidos anonimamente. 


112 


3.3 COLETA DE DADOS E INSTRUMENTO 

Baseado no material de Luz (2003) e Bispo (2006), a coleta de dados foi 
desenvolvida através de um questionário múltipla escolha, adaptado pela autora do 
presente trabalho, com um total de 48 questões, sendo 42 questões referentes a 
fatores internos à organização e 6 questões referentes a fatores externos à 
organização. Dentre as variáveis tratadas no quadro 1, as abordadas na pesquisa 
foram: trabalho realizado, salário, benefícios, integração entre os departamentos da 
empresa, liderança, comunicação, treinamento, possibilidades de progresso, 
relacionamento interpessoal, estabilidade no emprego, condição física de trabalho, 
participação, segurança do trabalho, objetivos organizacionais, imagem da empresa, 
estrutura organizacional, ética e responsabilidade social, reconhecimento, valorização 
dos funcionários, comprometimento, trabalho em equipe e fatores motivacionais. 

3.4 ADAPTAÇÕES NO INSTRUMENTO 

O modelo de questionário de pesquisa de clima organizacional apresentado por 
Luz (2014) contém 170 questões, sendo estas divididas em ambiente de trabalho e 
benefícios. Para complementar à pesquisa de clima, o autor apresenta a pesquisa 
socioeconômica. Esta, por sua vez, abrange fatores relacionados diretamente com a 
situação do indivíduo no contexto social e econômico, e conta com um total de 79 
questões, divididas em família, trabalho, habitação, educação, transporte, saúde, 
lazer/atividades sociais e culturais e alimentação. 

O modelo de questionário apresentado por Bispo (2006) é dividido em duas 
fichas, sendo a ficha nº 1 contemplando o levantamento dos fatores internos de 
influência do relacionamento entre os funcionários e a empresa, com o total de 27 
questões, e a ficha nº 2 contemplando o levantamento dos fatores externos de 
influência do relacionamento entre os funcionários e a empresa, com o total de 
34 questões. Para a o desenvolvimento do instrumento de pesquisa utilizado no 
presente trabalho, foram utilizados os dois modelos como parâmetros para formulação 
da pesquisa. Sendo assim, o questionário aplicado é uma adaptação dos dois 
modelos que apresenta aspectos tanto internos quanto externos à organização. 

Além desta adaptação, foi incluído, no início do questionário, instruções de 
preenchimento com o intuito de ajudar os respondentes a evitar dúvidas ao longo da 


realização do mesmo. 


113 


3.5 APLICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS 

Antes de iniciar a pesquisa definitiva, foi realizado o teste piloto, que consistiu 
numa aplicação do questionário a uma amostra dos entrevistados visando apurar se 
o mesmo apresentava alguma questão de difícil interpretação, se sua aceitação seria 
positiva e se os resultados poderiam trazer comprovações ao objetivo proposto no 
trabalho. Diante disso, os questionários foram ajustados com as observações 
apontadas durante o teste e revisados para serem definitivamente aplicados. 

Estes foram aplicados pela pesquisadora no período de agosto a setembro de 
2015, após a autorização da Gerente de Recursos Humanos da empresa. Além da 
autorização geral, foi solicitada autorização setorial a cada gerente dos setores que 
participaram no preenchimento dos questionários. 

Os questionários foram apresentados a cada setor e entregues individualmente 
a cada respondente. Esta apresentação do questionário foi realizada para esclarecer 
a finalidade do trabalho, bem como o sigilo das respostas e o anonimato dos 
respondentes. Somente após esta apresentação que os questionários foram 
entregues, mediante aceitação do colaborador a responder. 

Do total de 56 questionários entregues, nenhum foi recusado e todos foram 
devolvidos devidamente preenchidos à pesquisadora. 


4. MÉTODO DE ANÁLISE 

Para analisar os dados da pesquisa, foi escolhido o método de Análise 
Discriminante, que segundo Corrar, Paulo e Dias Filho (2007), “trata-se de uma 
técnica estatística que auxilia a identificar quais as variáveis que diferenciam os 
grupos e quantas dessas variáveis são necessárias para obter a melhor classificação 
dos indivíduos de uma determinada população”. Por se tratar de um método que ajuda 
a localizar as variáveis que se diferenciam nos grupos, é que a mesma foi escolhida, 
posto que o principal a ser analisado é a quantidade e o tipo de divergências entre as 
percepções dos gerentes e seus subordinados. 

Através deste método, ficou definido que as variáveis dependentes seriam 
representadas por 1 (Colaborador Motivado) e 2 (Colaborador Não Motivado) e que 
as variáveis independentes seriam representadas pela numeração de 1 a 5 baseada 
no questionário, sendo que as respostas 1 ou 1 e 2 representam o colaborador 
motivado e as respostas 2 ou 3,4 e 5 representam o colaborador não motivado. 


114 


Para apuração dos resultados foi utilizado o programa de estatística SPSS 
(Statistical Package for Social Sciences), versão 22. Este ajuda na disposição e 


análise dos dados coletados. 


5. RESULTADOS DA PESQUISA 

Os resultados do trabalho serão apresentados de três maneiras, sendo elas, (i) 
os resultados obtidos da pesquisa através da tabulação no programa estatístico 
utilizado; (ii) a análise dos resultados; (iii) e a correlação dos resultados com as teorias 
abordadas ao longo deste trabalho, tratados a seguir. 

5.1 RESULTADOS OBTIDOS DA APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO 

5.1.1 ANÁLISE DA CONFIABILIDADE 

Corrar, Paulo e Dias Filho (2007:64) afirmam que “a confiabilidade é o grau em 
que uma escala produz resultados consistentes entre medidas repetidas ou 
equivalentes de um mesmo objeto ou pessoa, revelando a ausência de erro aleatório”. 
Para analisar a confiabilidade desta pesquisa foi utilizado o modelo matemático Alfa 
de Cronbach. Através dessa análise, pode ser comprovada a confiabilidade dos dados 
estatísticos apresentados na apuração dos resultados. 

De acordo com Almeida, Santos e Costa (2010): 


Streiner afirma que o valor mínimo aceitável para o alfa é 0,70; abaixo desse 
valor a consistência interna da escala utilizada é considerada baixa. Em 
contrapartida, o valor mínimo esperado é 0,90; acima deste valor, pode-se 
considerar que há redundância ou duplicação, ou seja, vários itens estão 
medindo exatamente o mesmo elemento de um construto; portanto, os itens 
redundantes devem ser eliminados. Usualmente, são preferidos valores de 
alfa entre 0,80 e 0,90. 


a) Análise da Confiabilidade dos Questionários para a Análise 1. 
O valor de alfa de Cronbach para essa análise foi de 0,897 e por se apresentar 
dentro do intervalo de 0,80 a 0,90, isso denota que as escalas utilizadas são 


consistentes. 


Tabela 01 — Estatística de Confiabilidade A. 





Alfa de Cronbach Nº de Itens Analisados 
0,897 46 

















Fonte: Elaborado pelos autores 


b) Análise da Confiabilidade dos Questionários para a Análise 2. 
O valor de alfa de Cronbach para essa análise foi de 0,899 e por se apresentar dentro 
do intervalo de 0,80 a 0,90, isso denota que as escalas utilizadas são consistentes. 
115 


Tabela 02 — Estatística de Confiabilidade B. 
Alfa de Cronbach Nº de Itens Analisados 








0,899 46 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


5.1.2 ANÁLISE DE COLINEARIDADE 


5.1.2.1 FATOR DE INFLAÇÃO DA VARIÂNCIA (FIV) 


a) FIV para Análise 1. 


A tabela 083 retrata as estatísticas de colinearidade das principais variáveis que 


se destacaram para os resultados da pesquisa, sejam elas positivas ou negativas. De 


uma forma geral, elas resultam que existe uma forte correlação entre as variáveis, 


pois, de acordo com Field (2009:257), “Menard (1995) sugere que um valor da 


tolerância menor que 0,1 provavelmente indica um problema sério de colinearidade. 


Myers (1990) também sugere que um valor FIV maior do que 10 é motivo de 


preocupação”. E, como pode ser observado através da tabela, os valores da tolerância 


são maiores que 0,1 e os valores de FIV menores que 10. 


Tabela 03 — Estatísticas de Colinearidade A. 





Estatísticas de 
Colinearidade 





















































Variável TD 
Tolerância FIV 

Gosta do trabalho que faz 0,270 3:701 
Indicar amigo para trabalhar na empresa 0,271 3,690 
Seu superior imediato é receptivo a sugestões de mudança 0,334 2,998 
Incentivo do trabalho em equipe pelo superior imediato 0,337 2,651 
Abertura da empresa em relação a opiniões e contribuições 0,455 2,198 
dos colaboradores 

Segurança dos colaboradores em dizer o que pensam 0,411 2,434 
O chefe está sempre disponível quando solicitado 0,421 ESTO 
O clima de trabalho da equipe é bom 0,238 4,202 
Cargo ocupado pelo colaborador 0,723 1,383 
Tempo de empresa 0,673 1,486 
A empresa está bem preparada tecnologicamente 0,591 1,692 
Relacionamento entre os colaboradores do setor 0,426 2,345 
Trabalhar em outro departamento da empresa 0,746 1,340 








Fonte: Elaborado pelos autores. 


b) FIV para Análise 2. 


116 


A tabela 04 retrata as estatísticas de colinearidade das principais variáveis que 
se destacaram para os resultados da pesquisa, sejam elas positivas ou negativas. E 
assim como as da Análise 1, estas também se apresentaram dentro da limitação para 


tolerância e FIV. 


Tabela 04 - Estatísticas de Colinearidade B. 









































Estatísticas de 
piu epinandado 

Tolerância FIV 
Indicar amigo para trabalhar na empresa 0,267 3,/42 
Gosta do trabalho que faz 0,292 3,427 
O trabalho dá um sentimento de realização profissional 0,352 2,838 
O clima de trabalho da equipe é bom 0,220 4,538 
O chefe está sempre disponível quando solicitado 0,406 2,461 
Motivação dos subordinados feita pelo superior imediato 0,481 2,080 
Seu superior imediato passa informações necessárias para a 0,380 2,628 
realização do trabalho 
Abertura da empresa em relação a opiniões e contribuições 0,365 2,140 
dos colaboradores 
Cargo ocupado pelo colaborador 0,695 1,439 
Segurança dos colaboradores em dizer o que pensam 0,360 2,118 
Trabalhar em outro departamento da empresa 0,767 1,304 

















Fonte: Elaborado pelos autores. 


5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS DA PESQUISA 

5.2.1 ANÁLISE 1 (GERÊNCIA, SUPERVISORES E ASSISTENTES) 

Foram analisados 56 casos, dos quais 40 apresentaram-se como 
colaboradores motivados e 16 como colaboradores não motivados, que trouxeram os 


resultados da tabela 05, a seguir. 


Tabela 05 — Resultados quanto à motivação dos colaboradores A. 














Classificação Casos utilizados na análise Percentual (%) 
Colaborador Motivado 40 71,4 
Colaborador Não Motivado 16 28,6 
Total 56 100 

















Fonte: Elaborado pelos autores. 


A variável que apresentou o melhor poder de discriminação entre os grupos, 
em função do baixo valor estatístico do Lambda de Wilks, foi potencial 
adequadamente aproveitado, sendo que, as variáveis que mais colaboraram para tal 


117 


discriminante foram: (i) reconhecimento dos bons resultados pelo superior hierárquico; 
(ii) responsabilidade do colaborador em contribuir para o sucesso da empresa; e (iii) 
satisfação quanto a salário. 

Essa informação induz a mostrar que, vendo pelo lado positivo, quando há um 
reconhecimento do trabalho realizado e um salário condizente com as condições do 
colaborador (seja em formação profissional, seja pelo cargo desempenhado), o 
colaborador percebe que seu potencial é aproveitado da forma adequada, trazendo a 
ele a consciência de que é sua responsabilidade contribuir para o sucesso 
da empresa. 

Porém, analisando pelo lado negativo, se o trabalho não é reconhecido e o 
salário é inferior às condições do colaborador, enfatizando tanto a atividade 
desempenhada quanto a formação profissional, o colaborador sente que seu potencial 
não está sendo aproveitado da melhor maneira e, com isso, perde o foco de que é 
sua responsabilidade contribuir para o sucesso da empresa, dado que, se a formação 
dele não é aproveitada de forma adequada, não é função dele colaborar para o 


crescimento da empresa. 


Tabela 06 — Variável Discriminante A. 
Variável Lambda de Wilks Z dft |df2 | Sig. 


Potencial adequadamente 0,635 31,024 | 1 54 | 0,000 
aproveitado 





























Fonte: Elaborado pelos autores. 


Tabela 07 — Variáveis Colaboradoras da Discriminante A. 


Coeficientes de funções discriminantes 
canônicas padronizados 





Variável 





Reconhecimento dos bons resultados pelo 2,432 
superior hierárquico 





Responsabilidade do colaborador em 2,210 
contribuir para o sucesso da empresa 





Satisfação quanto a salário 1,926 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


Além desses aspectos observados, foram pontuadas as variáveis com 
maiores valores de correlação, que trazem à conclusão de que: (i) os colaboradores 
indicariam amigos para trabalhar na empresa, dado que eles gostam do trabalho 
realizado; (ii) o incentivo do trabalho em equipe pelo superior imediato faz com que 


118 


os colaboradores vejam o seu superior como uma pessoa receptiva a sugestões de 
mudança; (iii) os colaboradores possuem segurança em expor o que pensam quando 
a empresa dá abertura para tais opiniões e contribuições destes que ali trabalham; 
(iv) e o clima de trabalho da equipe é considerado bom quando o chefe está sempre 
disponível ao ser solicitado. 

Assim como as que possuem menores valores de correlação, que trazem à 
conclusão de que: (i) o tempo de empresa influencia negativamente no cargo ocupado 
pelo colaborador, uma vez que pode estar relacionada ao fato de que há um certo 
tempo considerável na empresa da qual tiveram poucas ou não ocorreram 
possibilidades de mudança de cargos; (ii) se a parte tecnológica da empresa 
apresenta problemas, o relacionamento entre os colaboradores do setor podem sofrer 
algum impacto, dado que tais problemas podem acarretar no atraso do trabalho; (iii) 
quando há um relacionamento entre os colaboradores do setor que seja problemático, 
estes acabam desejando trabalhar em outro setor da empresa. Esse relacionamento 


pode ser ocasionado tanto por problemas pessoais quanto de trabalho. 


Tabela 08 — Matriz dos Índices de Correlações A. 














Variáveis Correlacionadas Coeficiente de Correlação 
Gosta do trabalho que faz X Indicar amigo para trabalhar 0,814 

na empresa 

Seu superior imediato é receptivo a sugestões de 0,695 

mudanças X Incentivo do trabalho em equipe pelo superior 

imediato 

Abertura da empresa em relação a opiniões e 0,654 


contribuições dos colaboradores X Segurança dos 
colaboradores em dizer o que pensam 























O chefe está sempre disponível quando solicitado X O 0,638 
clima de trabalho da equipe é bom 

Trabalhar em outro setor X Relacionamento entre os -0,324 
colaboradores do setor 

Relacionamento entre os colaboradores do setor X A -0,333 
empresa está bem preparada tecnologicamente 

Tempo de empresa X Cargo ocupado pelo colaborador -0,389 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


5.2.2 ANÁLISE 2 (SUPERVISORES E ASSISTENTES) 
Foram analisados 46 casos, dos quais 30 apresentaram-se como 
colaboradores motivados e 16 como colaboradores não motivados, que trouxeram os 


resultados a seguir. 


119 


Tabela 09 - Resultados quanto à motivação dos colaboradores B. 














Classificação Casos utilizados na análise Percentual (%) 
Colaborador Motivado 30 65,2 
Colaborador Não Motivado 16 34,8 
Total 46 100 

















Fonte: Elaborado pelos autores. 


A variável que apresentou o melhor poder de discriminação entre os grupos 
foi potencial adequadamente aproveitado, sendo que, as variáveis que mais 
colaboraram para tal discriminante foram: (i) reconhecimento dos bons resultados pelo 
superior hierárquico; (ii) a empresa está bem preparada tecnologicamente; (iii) e a 
qualidade do trabalho é mais importante que sua quantidade. 

Essa informação induz à mostrar que, vendo pelo lado positivo, quando há um 
reconhecimento do trabalho realizado, os colaboradores percebem que a qualidade 
do trabalho se torna melhor que a sua quantidade, e a empresa estar bem preparada 
tecnologicamente, favorece para que a função seja melhor desempenhada. Porém, 
analisando pelo lado negativo, se o trabalho não é reconhecido e a empresa não se 
apresenta bem preparada tecnologicamente, o colaborador sente que é mais 
importante cumprir suas atividades diárias do que fazê-las com qualidade e, com isso, 


o resultado final pode sair prejudicado. 


Tabela 10 — Variável Discriminante B. 
Variável Lambda de Wilks Z dft |df2 | Sig. 








Potencial adequadamente 0,657 22,941 | 1 44 | 0,000 
aproveitado 























Fonte: Elaborado pelos autores. 


Tabela 11 — Variáveis Colaboradoras da Discriminante B. 





Variável Coeficientes de funções discriminantes 
canônicas padronizados 





Reconhecimento dos bons resultados pelo 8,703 
superior hierárquico 





A empresa está bem preparada 6,027 
tecnologicamente 





A qualidade do trabalho é mais importante 4,088 
que sua quantidade 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


Além desses aspectos observados, foram pontuadas as variáveis com 
maiores valores de correlação, que trazem à conclusão de que: (i) os colaboradores 


120 


indicariam amigos para trabalhar na empresa, dado que eles gostam do trabalho 
realizado; (ii) quando o trabalho traz um sentimento de realização profissional, os 
colaboradores percebem o clima de trabalho da equipe como bom; (iii) o clima de 
trabalho da equipe é considerado bom quando o chefe está sempre disponível ao ser 
solicitado; (iv) quando o superior imediato passa as informações necessárias para a 
realização do trabalho, os colaboradores se sentem motivados por ele. 

Assim como as que possuem menores valores de correlação, que trazem à 
conclusão de que: (i) o cargo que os colaboradores ocupam influencia na abertura 
que a empresa possui em obter opiniões e contribuições destes, e isso pode ser visto 
de maneira negativa, dado que há diferença na valorização do cargo ocupado pelo 
colaborador; (ii) o cargo que o colaborador ocupa influencia diretamente na segurança 
em manifestar sua opinião, ou seja, pode-se considerar que os colaboradores de 
cargos mais baixos se sentem mais inseguros em manifestar o que pensam e em 
contrapartida, os de cargos mais altos possuem maior segurança em manifestar suas 
opiniões; (iii) a ausência das informações passadas pelo superior imediato faz com 
que os colaboradores sintam o desejo de trabalhar em outro departamento da 


empresa. 


Tabela 12 — Matriz dos Índices de Correlações B. 


Variáveis Correlacionadas Coeficiente de 
Correlação 








Gosta do trabalho que faz X Indicar amigo para trabalhar | 0,814 
na empresa 





O trabalho dá um sentimento de realização profissional X | 0,698 
O clima de trabalho da equipe é bom 





O chefe está sempre disponível quando solicitado X O 0,667 
clima de trabalho da equipe é bom 





Motivação dos subordinados feita pelo superior imediato | 0,631 
X Seu superior imediato passa informações necessárias 
para a realização do trabalho 





Abertura da empresa em relação a opiniões e -0,477 
contribuições dos colaboradores X Cargo ocupado pelo 
colaborador 





Cargo ocupado pelo colaborador X Segurança dos 0,977 
colaboradores em dizer o que pensam 





Seu superior imediato passa informações necessárias -0,345 
para a realização do trabalho X Trabalhar em outro 
departamento da empresa 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


121 


5.2.3 RELAÇÕES ENTRE AS ANÁLISES 1 E 2 


A variável com o melhor poder de discriminação foi a mesma para ambos os 


casos: Potencial Adequadamente Aproveitado. 


Tabela 13 — Variáveis Discriminantes das Análises. 

















Variável 1 Lambda de Wilks FA dft |df2 | Sig. 
Potencial adequadamente 0,635 31,024 |1 54 | 0,000 
aproveitado 
Variável 2 
Potencial adequadamente 0,657 22,941 | 1 44 | 0,000 
aproveitado 























Fonte: Elaborado pelos autores. 


A variável que mais colaborou para essa discriminante, em comum as duas 
análises, foi a de reconhecimento dos bons resultados pelo superior hierárquico, ou 
seja, os colaboradores em geral possuem uma visão de que, caso seja positiva, 
quando o seu superior reconhece o trabalho executado, significa que seu potencial é 
aproveitado da maneira mais adequada, porém, caso seja negativa, quando o seu 
superior não reconhece o trabalho executado, subentende-se que seu potencial não 


é aproveitado da melhor maneira possível. 


Tabela 14 — Variáveis Colaboradoras da Discriminante em Comum às Duas Análises. 


Coeficientes de funções discriminantes 
canônicas padronizados 











Variável 

Reconhecimento dos bons resultados 2,432 
pelo superior hierárquico — Análise 1 
Reconhecimento dos bons resultados 8,703 


pelo superior hierárquico — Análise 2 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


Já as variáveis que se apresentaram divergentes entre as duas análises foram, 
no caso da análise 1, responsabilidade do colaborador em contribuir para o sucesso 
da empresa e satisfação quanto a salário, ou seja, analisando pelo lado positivo, 
quando há um salário condizente com as condições do colaborador (seja em formação 
profissional, seja pelo cargo desempenhado), este percebe que seu potencial é 
aproveitado da forma adequada, trazendo a ele a consciência de que é sua 
responsabilidade contribuir para o sucesso da empresa. Analisando pelo lado 
negativo, se o salário é inferior às condições do colaborador, enfatizando tanto a 


122 


atividade desempenhada quanto a formação profissional, este sente que seu potencial 
não está sendo aproveitado da melhor maneira e, com isso, perde o foco de que é 
sua responsabilidade contribuir para o sucesso da empresa, dado que, se a formação 
dele não é aproveitada de forma adequada, não é compromisso colaborar para o 
crescimento da empresa. 

No caso da análise 2 foram: a empresa não está bem preparada 
tecnologicamente e a qualidade do trabalho é mais importante que sua quantidade, 
ou seja, essa informação induz à mostrar que, vendo pelo lado positivo, os 
colaboradores percebem que a qualidade do trabalho se torna melhor que a sua 
quantidade quando a empresa estar bem preparada tecnologicamente, o que favorece 
para que a função seja melhor desempenhada. Porém, analisando pelo lado negativo, 
se a empresa não se apresenta bem preparada tecnologicamente, o colaborador pode 
sentir que é mais importante cumprir suas atividades diárias do que fazê-las com 


qualidade e, com isso, o resultado final pode sair prejudicado. 


Tabela 15 — Variáveis Colaboradoras da Discriminante Divergentes às Duas Análises. 
Variável Coeficientes de funções 
discriminantes canônicas 
padronizados 


Responsabilidade do Colaborador em contribuir 2,210 
para o sucesso da empresa — Análise 1 

















Satisfação quanto a salário — Análise 1 1,926 
A empresa está bem preparada tecnologicamente — | 6,027 
Análise 2 

Qualidade do trabalho é mais importante que sua 4,088 











quantidade — Análise 2 
Fonte: Elaborado pelos autores. 





Tabela 16 — Síntese das variáveis relacionadas à variável discriminante. 























Análise 1 Análise 2 
Variávelem | e Reconhecimento dos bons e Reconhecimento dos bons 
Comum resultados pelo superior resultados pelo superior 
hierárquico. hierárquico. 
Variáveis e Responsabilidade do colaborador | e A empresa está bem 
Divergentes em contribuir para o sucesso da preparada tecnologicamente; 
empresa; e A qualidade do trabalho é 
e Satisfação quanto a salário. mais importante que sua 
quantidade. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 


123 


A análise de correlações entre as variáveis é dividida em duas partes: as 
correlações positivas e as correlações negativas. Nesta análise, é feita uma 
correlação entre todas as variáveis, sendo que, para este trabalho, foram 
selecionadas as três de maiores valores e as três de menores valores. 

No caso das correlações positivas, as que se manifestaram em comum foram: 
que os colaboradores indicariam amigos para trabalhar na empresa, posto que eles 
gostam do trabalho realizado e que o clima de trabalho da equipe é considerado bom 
quando o chefe está sempre disponível ao ser solicitado. As correlações que se 
mostraram divergentes entre as duas análises foram, no caso da Análise 1, que o 
incentivo do trabalho em equipe pelo superior imediato faz com que os colaboradores 
vejam o seu superior como uma pessoa receptiva às sugestões de mudança e que o 
clima de trabalho da equipe é considerado bom quando o chefe está sempre 
disponível ao ser solicitado. Já no caso da Análise 2, estas foram: que quando o 
trabalho traz um sentimento de realização profissional, os colaboradores percebem o 
clima de trabalho da equipe como bom e que quando o superior imediato passa as 
informações necessárias para a realização do trabalho, os colaboradores se sentem 
motivados por tal. 


Tabela 17 — Matriz dos Índices de Correlações Positivas em Comum. 

















Variáveis Correlacionadas Coeficiente de Correlação 
Gosta do trabalho que faz X Indicar amigo para 

ps 0,814 
trabalhar na empresa — Análise 1 
Gosta do trabalho que faz X Indicar amigo para 

dis 0,814 
trabalhar na empresa — Análise 2 
O chefe está sempre disponível quando solicitado X O 

so a 0,638 

clima de trabalho da equipe é bom — Análise 1 
O chefe está sempre disponível quando solicitado X O 0.667 
clima de trabalho da equipe é bom — Análise 2 , 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


Tabela 18 — Matriz dos Índices de Correlações Positivas Divergentes. 





Variáveis Correlacionadas Coeficiente de 
Correlação 





Seu superior imediato é receptivo a sugestões de mudanças X Incentivo | 0,695 
do trabalho em equipe pelo superior imediato — Análise 1 





Abertura da empresa em relação a opiniões e contribuições dos 0,654 
colaboradores X Segurança dos colaboradores em dizer o que pensam — 
Análise 1 














124 








Análise 2 





imediato passa informações necessárias para a realização do trabalho — 


O trabalho dá um sentimento de realização profissional X O clima de 0,698 
trabalho da equipe é bom — Análise 2 
Motivação dos subordinados feita pelo superior imediato X Seu superior 0,631 








Fonte: Elaborado pelos autores. 


Tabela 19 - Síntese das Correlações Positivas. 





Análise 1 


Análise 2 





Correlações em 
Comum 


e Os colaboradores indicariam 
amigos para trabalhar na 
empresa X Os colaboradores 
gostam do trabalho realizado; 

e O clima de trabalho da equipe 
é considerado bom X O chefe 
está sempre disponível ao ser 
solicitado. 


e Os colaboradores indicariam 
amigos para trabalhar na empresa 
X Os colaboradores gostam do 
trabalho realizado; 

O clima de trabalho da equipe é 
considerado bom X O chefe está 
sempre disponível ao ser 
solicitado. 





Correlações 
Divergentes 








e Incentivo do trabalho em 
equipe pelo superior imediato X 
O superior é uma pessoa 
receptiva a sugestões de 
mudança; 

e Segurança em expor o que 
pensam X A empresa dá 
abertura para opiniões e 
contribuições. 





e O trabalho traz um sentimento 
de realização profissional X O 
clima de trabalho da equipe é 
bom; 

e O superior imediato passa 
informações necessárias para a 
realização do trabalho X Os 
colaboradores se sentem 
motivados pelo seu superior. 





Fonte: Elaborado pelos autores. 








No caso das correlações negativas, nenhuma se apresentou em comum entre 
as duas análises e, sendo assim, as correlações divergentes foram, no caso da 
Análise 1, que o tempo de empresa influencia negativamente no cargo ocupado pelo 
colaborador, uma vez que pode estar relacionada ao fato de que existe um certo 
tempo considerável na empresa da qual tiveram poucas ou nenhuma possibilidades 
de mudanças de cargos; que se a parte tecnológica da empresa apresenta problemas, 
o relacionamento entre os colaboradores do setor pode sofrer algum impacto, dado 
que tais problemas podem acarretar no atraso do trabalho; e que quando há um 
relacionamento entre os colaboradores do setor que seja problemático, estes acabam 
desejando trabalhar em outro setor da empresa, tendo em vista que esse 
relacionamento pode ser ocasionado tanto por problemas pessoais quanto 


profissionais. 


125 


Quanto à Análise 2, as correlações foram: que o cargo que os colaboradores 
ocupam influencia na abertura que a empresa possui em obter opiniões e 
contribuições destes, e isso pode ser visto de maneira negativa, visto que há 
diferenças na valorização do cargo ocupado pelo colaborador; que o cargo que o 
colaborador ocupa influencia diretamente na segurança em manifestar sua opinião, 
ou seja, pode-se considerar que os colaboradores de cargos mais baixos se sentem 
mais inseguros em manifestar o que pensam e em contrapartida, os de cargos mais 
altos possuem maior segurança em manifestar suas opiniões; e que a ausência de 
informações passadas pelo superior imediato faz com que os colaboradores sintam o 
desejo de trabalhar em outro departamento da empresa. 


Tabela 20 - Matriz dos Índices de Correlações Negativas Divergentes. 

















Variáveis Correlacionadas Coeficiente de Correlação 
Trabalhar em outro setor X Relacionamento entre os -0,324 

colaboradores do setor — Análise 1 

Relacionamento entre os colaboradores do setor X A -0,333 

empresa está bem preparada tecnologicamente — 

Análise 1 

Tempo de empresa X Cargo ocupado pelo colaborador — | 0,389 

Análise 1 

Abertura da empresa em relação a opiniões e -0,477 


contribuições dos colaboradores X Cargo ocupado pelo 
colaborador — Análise 2 





Cargo ocupado pelo colaborador X Segurança dos “OST 
colaboradores em dizer o que pensam — Análise 2 





Seu superior imediato passa informações necessárias -0,345 
para a realização do trabalho X Trabalhar em outro 
departamento da empresa — Análise 2 














Fonte: Elaborado pelos autores. 


Tabela 21 — Síntese das Correlações Negativas. 




















Análise 1 Análise 2 
Correlações e Tempo de empresa X Cargo | e Abertura da empresa em relação a 
Divergentes ocupado pelo colaborador; opiniões e contribuições dos 
e Relacionamento entre os colaboradores X Cargo ocupado pelo 
colaboradores do setor X A colaborador; 
empresa está bem preparada | e Cargo ocupado pelo colaborador X 
tecnologicamente; Segurança dos colaboradores em 
e Trabalhar em outro setor da | dizer o que pensam; 
empresa X Relacionamento 





126 





entre os colaboradores do e O superior imediato passa 

setor. informações necessárias para a 
realização do trabalho X Trabalhar em 
outro departamento da empresa. 

















Fonte: Elaborado pelos autores. 


5.3 CENÁRIO GERAL DO CLIMA ORGANIZACIONAL DA EMPRESA BASEADO 
NA PESQUISA DE CAMPO 

Dentre os 56 colaboradores entrevistados, 40 (71,4 %) apresentaram-se 
motivados enquanto 16 (28,6 %) apresentaram-se não motivados. É importante 
ressaltar que o quadro de colaboradores motivados corresponde a 10 (17,85 %) 
gerentes e 30 (53,55 %) assistentes e supervisores, do total de participantes. 

Diante dos resultados demonstrados nos tópicos anteriores, nota-se que os 
colaboradores motivados sentem seu potencial adequadamente aproveitado, posto 
que o trabalho que estes executam é reconhecido pelo seu superior imediato, além 
de possuir um salário condizente com as suas condições, ou seja, diante de sua 
função exercida e de sua formação profissional. Com isso, o colaborador adquire a 
consciência de que é sua responsabilidade contribuir para o sucesso da empresa. 
Levando-se em conta apenas os assistentes e supervisores, a motivação se expressa 
de maneira diferente, ou seja, para estes, esta ocorre quando há um reconhecimento 
do trabalho realizado, em que desponta a percepção de que a qualidade do trabalho 
se torna melhor que sua quantidade, uma vez que a empresa apresenta uma boa 
estrutura tecnológica, afinal esta favorece para que a função seja desempenhada de 
uma forma mais ágil e melhor. 

Por outro lado, essa análise é vista de forma negativa pelos colaboradores não 
motivados, ou seja, se o trabalho não é reconhecido e o salário é inferior às condições 
do colaborador, o mesmo sente que seu potencial não está sendo aproveitado da 
melhor maneira e, com isso, perde o foco de que é sua responsabilidade contribuir 
para o sucesso da empresa. Enquanto, para os assistentes e supervisores, os 
aspectos que os levam a serem não motivados, circundam em torno de que se o 
trabalho não é reconhecido e a empresa não apresenta uma boa estrutura 
tecnológica, estes sentem que é mais importante cumprir suas atividades diárias do 
que fazê-las com qualidade. 

Nesse primeiro momento, algumas divergências entre as percepções podem 
ser apontadas, afinal é notório que enquanto os colaboradores do nível hierárquico 


127 


mais elevado são influenciados, principalmente, pelos aspectos voltados para a 
formação profissional, como o salário condizente e o reconhecimento, os do nível 
hierárquico mais baixo são dominados por aspectos relacionados à execução do 
trabalho, como sua qualidade/quantidade e tecnologia disponível. Ao longo dos 
resultados, serão analisadas mais variáveis relacionadas à percepção e ao 
comportamento do colaborador, relacionando-as com as teorias do tema. 

Perante o exposto e ao que ainda será levantado nos próximos tópicos, pode- 
se definir que o clima da empresa, de acordo com a maioria (71,4 %), é considerado 
bom, afinal, Luz (2014:31) afirma que “o clima é bom quando há alegria, confiança, 
entusiasmo, engajamento, participação, dedicação, satisfação, motivação, 
comprometimento na maior parte dos funcionários”. 

5.4 VARIÁVEIS DA PESQUISA E AS TEORIAS 

5.4.1 VARIÁVEIS POSITIVAS DA ANÁLISE 1 

Dentre as diversas variáveis analisadas, as que apresentaram maiores índices 
de correlação, estão relacionadas à liderança, à motivação e à cultura organizacional. 
Essas trazem à luz quais aspectos influenciam positivamente para que o clima 
organizacional seja conduzido ao melhor resultado possível. 

a) Os colaboradores indicariam amigos para trabalhar na empresa, dado que 
eles gostam do trabalho X Teoria das Necessidades Básicas de McClelland. 

O gosto pelo trabalho faz com que os colaboradores desejem que seus amigos, 
familiares e conhecidos também façam parte do quadro funcional da empresa. Essa 
visão é muito importante para a organização, pois retrata a satisfação do colaborador 
de fazer parte do ambiente em que está inserido, além da valorização deste para as 
relações interpessoais. 

A Teoria de McClelland mostra três necessidades que compõem a motivação 
do indivíduo, sendo elas realização, poder e associação (filiação). Dentre as quais, a 
que explica o motivo dos colaboradores indicarem amigos para trabalhar na empresa 
leva-se em consideração a associação, uma vez que está relacionada à necessidade 
de relacionamento e amizade (MAXIMIANO, 2011). Outro ponto positivo neste 
resultado é que, para Luz (2014:31) “o clima de uma empresa é bom quando os 
funcionários indicam seus conhecidos e parentes para trabalharem nela”. 

b) O incentivo do trabalho em equipe pelo superior imediato faz com que os 
colaboradores vejam o seu superior como uma pessoa receptiva a sugestões de 


mudança X Liderança Democrática. 


128 


Para Limongi-França (2012:59), o líder democrático é “caracterizado pela 
presença de vários núcleos de poder que se intercomunicam e criam uma rede 
interativa e horizontalizada de distribuição e troca entre os membros”. Brito (2012:4) 
ainda complementa que “na liderança democrática os liderados têm direito a opinião 
nas decisões”. 

Quando a relação entre líder e liderado apresenta pontos positivos, os 
resultados da equipe tendem a ser cada vez melhores, uma vez que a boa relação 
entre os colaboradores favorece para um bom ambiente organizacional. Neste caso, 
o líder é bem visto, principalmente pelo fato do mesmo incentivar a união da equipe 
bem como ser participativo com ela. 

c) O clima de trabalho da equipe é bom quando o chefe está sempre disponível 
ao ser solicitado X Liderança Democrática. 

O líder, quando participativo e colaborador com sua equipe, faz com que o 
ambiente vivido pelo seu setor seja cada vez melhor, uma vez que há interação entre 
as atividades executadas e participação de todos. A disponibilidade do líder traz para 
a equipe segurança na execução da sua função, gerando uma confiança entre os 
colaboradores daquele setor. E com isso, o clima do setor passa a ser definido como 
bom, uma vez que Luz (2014) aponta a confiança, a participação e o 
comprometimento como atitudes positivas que acarretam um ambiente 
predominantemente favorável. 

d) Os colaboradores possuem segurança em expor o que pensam quando a 
empresa dá abertura para tais opiniões e contribuições destes que ali trabalham X 
Cultura Organizacional. 

Para Luz (2014:14), “a cultura de uma empresa acaba reforçando o 
comportamento de seus membros, determinando o que deve ser seguido e 
repudiando o que deve ser evitado”. 

A cultura organizacional, por se basear tanto no contexto social que a empresa 
está inserida, quanto nos costumes, valores e regras apontados por ela, faz com que 
os colaboradores se sintam ou oprimidos ou seguros em evidenciar suas opiniões. No 
caso desta análise, quando a empresa propicia aos colaboradores um ambiente 
favorável para a exposição de suas opiniões, estes sentem segurança em externar o 
que pensam diante da empresa que trabalham. Esse tipo de abertura é importante, 
pois muitas coisas que passam despercebidas pelos gestores acabam sendo notadas 


129 


por seus subordinados, que por sua vez, tendem a colaborar repassando a informação 
bem como trazendo soluções também. 

5.4.2 VARIÁVEIS POSITIVAS DA ANÁLISE 2 

Dentre as diversas variáveis analisadas, as que apresentaram maiores índices 
de correlação, estão relacionadas à liderança e à motivação. Da mesma maneira que 
a análise anterior, essas trazem à luz quais aspectos influenciam positivamente para 
que o clima organizacional seja conduzido ao melhor resultado possível, porém 
percebidas apenas pelos assistentes e supervisores. 

a) Os colaboradores indicariam amigos para trabalhar na empresa, dado que 
eles gostam do trabalho X Teoria das Necessidades Básicas de McClelland. 

Assim como foi observado pela gerência, os assistentes e supervisores 
também valorizam as relações interpessoais. Essa observação mostra que o clima 
organizacional da empresa tem uma relação forte com os aspectos sociais que 
circundam os colaboradores que ali trabalham. 

Essas relações sociais enfatizadas pelos colaboradores da empresa trazem em 
consideração o que foi observado por Mayo em sua Experiência de Hawthorne, no 
qual o fator social foi determinante para que a produção apresentasse uma crescente. 
No caso desta pesquisa, o fator social é determinante para que o clima organizacional 
seja bom. Levar em consideração essas relações é importante, pois torna o clima mais 
agradável, fugindo um pouco da formalidade e seriedade que a própria função impõe 
ao colaborador. 

b) Quando o trabalho traz um sentimento de realização profissional, os 
colaboradores percebem o clima de trabalho da equipe como bom X Teoria dos Dois 
Fatores de Herzberg. 

O indivíduo caminha em busca do crescimento, seja ele pessoal ou profissional, 
e se destacar profissionalmente denota um grande passo dado dentro da organização. 
O sentimento de realização, por ser um fator motivacional, tende a fazer com que o 
colaborador perceba o clima da empresa de maneira positiva, afinal o colaborador 
além de se destacar na sua função, também atinge valorizações pessoais. 

A realização é abordada pela Teoria dos Dois Fatores como um fator 
motivacional. Nessa abordagem, os fatores motivacionais, conhecidos também como 
intrínsecos, são capazes de satisfazer os colaboradores, afinal o homem busca 


realizar-se em todas as áreas de sua vida, e o trabalho é uma delas. Vale ressaltar 


130 


que, a ausência desta não gera a insatisfação, porém não leva à satisfação 
(HERZBERG; MAUSNER; SNYDERMAN, 1959). 

c) O clima de trabalho da equipe é bom quando o chefe está sempre disponível 
ao ser solicitado X Liderança Democrática 

Assim como foi observado pela gerência, os assistentes e supervisores 
também destacam a liderança como fator determinante na composição do clima 
setorial ao organizacional. 

Para afirmar a importância do líder na composição do clima, Maximiano 
(2011:201) ainda traz que “o líder orientado para pessoas acredita que deve procurar 
criar um clima em que as pessoas se sintam confortáveis”. Ele ainda afirma que o líder 
focaliza o desenvolvimento do trabalho em equipe, é participativo, além de ser próximo 
aos seus liderados. 

d) Quando o superior imediato passa as informações necessárias para a 
realização do trabalho, os colaboradores se sentem motivados por ele X Liderança. 

Para Brito (2012:5), “na liderança diretiva o líder fornece as informações de 
forma clara e objetiva aumentando a satisfação e desempenho do colaborador”, ou 
seja, o simples ato do líder de repassar as informações necessárias para a realização 
do trabalho, faz com que seus liderados tenham motivação para executar o trabalho. 
Essa motivação pode acarretar na percepção do colaborador a respeito do clima, que 
no caso da pesquisa, apresentou-se positiva, confirmando ainda mais sobre a 
definição do mesmo ser bom. 

5.4.3 VARIÁVEIS NEGATIVAS DA ANÁLISE 1 

As variáveis que apresentaram menores índices de correlação estão 
relacionadas aos aspectos físicos da empresa, à liderança, à motivação e à cultura 
organizacional. Essas trazem à tona quais aspectos influenciam para que o clima 
organizacional seja visto de maneira negativa, impactando assim na percepção do 
colaborador, bem como nos seus resultados. 

a) O tempo de empresa e o cargo ocupado pelo colaborador X Hierarquia das 
Necessidades de Maslow. 

O tempo de empresa e o cargo ocupado pelo colaborador apresentaram-se 
como uma correlação negativa para o clima organizacional, o que leva a crer em duas 
hipóteses: (i) aquele presente no nível hierárquico mais alto pode considerar esse 
aspecto negativo quando ele apresenta uma formação profissional altamente 


qualificada, compõe um cargo de alto nível, mas que atua na empresa há um tempo 


131 


longo, trazendo em si uma certa monotonia na atividade desempenhada e (ii) aquele 
presente no nível hierárquico mais baixo pode considerar esse aspecto negativo 
quando ele atua numa mesma função ou num mesmo cargo há anos e não se deparou 
com alguma possibilidade de crescimento hierárquico. 

Na Hierarquia das Necessidades de Maslow há um nível que retrata o 
reconhecimento como uma motivação humana decorrente das necessidades das 
pessoas. Limongi-França (2006:25) o define como a “procura de prestígio e 
valorização pessoal diante de outras pessoas, grupos ou culturas. Refletem-se na 
busca de poder, posse, qualificação pessoal e profissional”. E caso o colaborador não 
consiga finalizar este nível para alcançar o próximo, este fica desmotivado e isso pode 
influenciar na percepção do colaborador a respeito do clima, trançando-o como algo 
ruim. 

b) Tecnologia de empresa e o relacionamento entre os colaboradores do setor 
X Aspectos Físicos da Empresa. 

Uma das variáveis que Luz (2014) aponta como objeto de estudo é voltada às 
condições físicas de trabalho, que reflete a qualidade e o conforto das condições 
físicas ofertadas pela empresa. A tecnologia está inserida neste objeto, e que na 
pesquisa, correlacionada ao relacionamento dos colaboradores, apresentou-se 
negativamente. Isto mostra que, mesmo a empresa apresentando uma estrutura 
tecnológica avançada e com sistemas práticos e ágeis, a tecnologia em si atrapalha o 
clima organizacional. Esse ponto negativo incita em que possa ser o caso dos 
sistemas apresentarem falhas e estas acarretarem demoras nos serviços. Com isso, 
o trabalho acaba retardando para todas as pessoas do setor, atrapalhando-as a seguir 
suas atividades diárias e trazendo à tona um relacionamento conflitante no setor. Toda 
essa cadeia desenrola em uma percepção negativa sobre o clima organizacional. 

c) Relacionamento entre os colaboradores do setor e o desejo de trabalhar em 
outro departamento X Teoria dos Dois Fatores de Herzberg. 

Quando o relacionamento entre os colaboradores de um mesmo setor não 
possui uma sintonia, O primeiro pensamento que surge na mente do colaborador gira 
em torno do desejo de mudar para outro departamento, em busca de um melhor 
convívio. E isso foi constatado pela pesquisa. Essa relação pode ser de subordinados 
para subordinados, como do líder para seu subordinado. E, se o clima do setor se 
apresenta negativo perante tal fato, o colaborador por não conseguir se deslocar de 


setor, acaba ficando desmotivado, afinal “as condições ambientais, no entanto, não 


132 


são suficientes para induzir o estado de motivação para o trabalho” (MAXIMIANO, 
2011:189). 

Maximiano (2011:189) ainda afirma que para “Herzberg, é preciso que a pessoa 
esteja sintonizada com seu trabalho, que enxergue nele a possibilidade de exercitar 
suas habilidades ou desenvolver suas aptidões”. 

E essa sintonia assim como o clima organizacional podem ser prejudicados 
caso o colaborador não se sinta confortável em seu ambiente de trabalho. 

5.4.4 VARIÁVEIS NEGATIVAS DA ANÁLISE 2 

As variáveis que apresentaram menores índices de correlação estão 
relacionadas à liderança e à cultura organizacional. Da mesma forma que a análise 
anterior, essas trazem à tona quais aspectos influenciam para que o clima 
organizacional seja visto de maneira negativa, porém percebidas apenas pelos 
assistentes e supervisores. 

a) O cargo ocupado pelos colaboradores e a abertura da empresa em obter 
opiniões X Cultura Organizacional. 

Os colaboradores do nível hierárquico mais baixo sentiram impacto negativo 
com essas variáveis, trazendo à exposição de que, devido ao fato da empresa possuir 
suas regras, costumes e valores, ela acaba por tornar o ambiente menos propício a 
exteriorização dos colaboradores em expor suas opiniões. Cabe ressaltar que, 
conforme analisado em um dos itens acima da Análise 1, a empresa fornece esse tipo 
de abertura aos ocupantes de cargos hierarquicamente mais elevados, não tratando 
os de níveis mais baixos de forma igual. Isso acaba influenciando estes últimos a 
perceber o clima de maneira negativa. 

b) O cargo ocupado pelos colaboradores e a segurança em dizer o que pensam 
X Cultura Organizacional. 

Confirma ainda mais o que foi exposto no item acima. Os colaboradores dos 
níveis hierárquicos mais baixos notam que seu cargo impacta na abertura da empresa 
para com eles em atrair opiniões e, logicamente, o colaborador começa a se sentir 
inseguro para expor qualquer tipo de opinião. Isso se torna altamente prejudicial à 
empresa, uma vez que os colaboradores deixam de trazer informações que poderiam 
ser úteis para o desenvolvimento e o crescimento da organização. 

c) À ausência de informações passadas pelo superior e o desejo de trabalhar 
em outro departamento X Liderança. 


133 


Para Maximiano (2011:194), a “liderança é o processo de conduzir as ações ou 
influenciar o comportamento e a mentalidade de outras pessoas”. Se esse processo 
não é executado, isso denota um descontrole da equipe e, portanto, está apresenta 
diversos pontos negativos. Com isso, justamente por não receber as informações 
corretas de seu líder para desempenhar suas funções, os colaboradores acabam 
pensando em qualquer alternativa que seja positiva para seu trabalho, e a principal 
delas é desejar fazer parte de outro departamento da empresa. 

6.5 O IMPACTO DO NÍVEL HIERÁRQUICO NA PERCEPÇÃO DO CLIMA 
ORGANIZACIONAL: PONTOS EM COMUM X PONTOS DIVERGENTES 

O nível no qual o colaborador está inserido na empresa tem grande impacto 
quando se pensa em percepção voltada para o clima organizacional. Essas 
percepções podem convergir como também divergir, e sendo assim, este tópico 
tratará os principais fatores, positivos e negativos, que foram abordados entre os 
gerentes, assistentes e supervisores. 

6.5.1 PONTOS EM COMUM 

Apenas os pontos positivos apresentaram percepções em comum, ou seja, 
quando motivados, os colaboradores, sejam eles de níveis mais altos ou de níveis 
mais baixos, conseguem trazer em destaque aspectos positivos como o gosto pelo 
trabalho, o desejo de indicar seus amigos a trabalharem na empresa, a importância 
da presença do superior imediato como líder e o clima de trabalho da equipe bom. 

De uma forma geral, essa percepção leva a ressaltar que tanto as relações 
interpessoais quanto o tipo de liderança existentes na empresa são cruciais para que 
o clima organizacional da empresa seja considerado bom, trazendo assim uma 
atmosfera propícia a melhores resultados. Esses aspectos reforçam a interação dos 
colaboradores como uma equipe, afinal para Limongi-França (2006) Robbins define 
equipe como a interação entre os membros capaz de gerar sinergia positiva por meio 
de esforço coordenado. 

6.5.2 PONTOS DIVERGENTES 

Os pontos divergentes foram detectados tanto nos aspectos positivos quanto 
nos negativos. Essa divergência de percepções serve para comprovar que a posição 
na qual o colaborador está inserido assim como a função que este executa dentro da 
empresa influencia no modo de perceber o clima do seu setor e da empresa como 


um todo. 


134 


Positivamente, enquanto os gerentes analisam o clima organizacional voltado 
mais para aspectos relacionados à liderança e à cultura organizacional, os assistentes 
e supervisores dão ênfase a valores relacionados à motivação, ou seja, os gerentes 
percebem o clima favorável baseando-se em fatores como o incentivo do trabalho em 
equipe pelo superior imediato, a receptividade deste superior, a abertura da empresa 
para a exposição de opiniões e a segurança destes em pronunciar o que veem e o 
que pensam, e que os supervisores e os assistentes baseiam-se no sentimento de 
realização profissional, no clima de trabalho da equipe, na motivação vinda do seu 
superior e nas informações que estes passam quanto ao trabalho a executar. 

Negativamente, enquanto os gerentes analisam as possíveis variáveis, como 
fatores que possam comprometer a percepção do clima, relacionadas à motivação e 
a estrutura física, os supervisores e os gerentes sentem maiores impactos quanto ao 
cargo em que ocupam. Uma observação chamativa é que, enquanto a empresa dá 
abertura aos seus gerentes para expor suas opiniões e se sentirem seguros em fazê- 
lo, os supervisores e assistentes percebem isso de maneira diferente, trazendo em 
questão de que pelo fato de ocuparem cargos hierarquicamente mais baixos, estes 
não possuem abertura em expor o que pensam e no que pode ser melhorado para 
contribuir à empresa, sentindo-se inseguros para exteriorizar suas opiniões. 

Esse aspecto converge com o que Gutierrez (1988) afirmou em sua pesquisa, 
na qual o pessoal com menos poder e de níveis hierárquicos mais baixos não participa 
da formulação das políticas e diretrizes da organização. Mas ao mesmo tempo diverge 
com o mesmo autor no fato deste considerar que “o escalão mais baixo percebe o 
clima mais favoravelmente do que o escalão mais alto” (GUTIERREZ, 1988:12) e 
concorda com Souza (1977:148) ao afirmar que as “diferenças nos graus de 
complexidade, estrutura e certeza, seria responsável pelas diferenças na percepção 
de clima: os gerentes o percebem como mais positivo do que os diretores e 
assistentes”. Outro ponto que afirma a percepção sendo mais positiva aos gerentes 
do que os demais entrevistados, é que 100 % dos gerentes são motivados, enquanto 
os supervisores e assistentes apresentam 64,4 %. 


7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
De acordo com a pesquisa desenvolvida, pode-se notar que compreender os 
fatores que envolvem o clima organizacional trata-se de uma tarefa complexa, uma 


vez que o próprio conceito dessa variável apresenta abordagens diferentes. Além 


135 


disso, outro aspecto que aumenta o grau de dificuldade em abordar o tema, é que a 
sua formação se dá através da interação entre os comportamentos humano e 
organizacional e compreender o indivíduo é uma jornada ímproba, pois são vários os 
fatores capazes de influenciar no modo deste agir diante da sociedade como um todo. 
Dessa maneira, ao analisar os vários textos publicados, sejam eles livros, artigos ou 
estudos de caso, nota-se uma grande atenção direcionada para desenvolver trabalhos 
com o foco voltado para a obtenção dos resultados do clima organizacional. Porém, 
este trabalho trouxe uma proposta diferente, que foi de analisar se o nível hierárquico 
que o colaborador compõe na organização é capaz de influenciar o modo de 
percepção do clima organizacional. 

Sendo assim, para atingir o objetivo do trabalho foram estabelecidos alguns 
objetivos específicos, que resumidamente, estão relacionados ao levantamento das 
teorias principais e das opiniões dos colaboradores da empresa analisada. 

É importante ressaltar que o método utilizado da Análise Discriminante Múltipla, 
conforme Hair, Anderson, Tatham e Black (2005:32), tem como “objetivo primário 
entender as diferenças de grupos e prever a probabilidade de que uma entidade 
(indivíduo ou objeto) pertencerá a uma classe ou grupo em particular com base em 
diversas variáveis independentes métricas”. Além disso, ao apurar os dados, torna-se 
indispensável analisar os outliers (observações atípicas) para que os resultados não 
sejam comprometidos. 

Com isso, os resultados obtidos por meio da aplicação da pesquisa 
demonstraram soluções consistentes e fortes correlações entre as variáveis 
analisadas. Através do estudo da análise discriminante, pôde ser constatado que 
enquanto os gerentes percebiam o clima favorável baseando-se em aspectos 
relacionados à formação profissional, como o salário condizente e o reconhecimento, 
os supervisores e os assistentes basearam-se em aspectos voltados à execução do 
trabalho, como a qualidade/quantidade e a tecnologia disponível. Nessa etapa dos 
estudos, os resultados foram voltados para traçar o clima organizacional da empresa, 
constatando que este se apresenta bom ou favorável, além de verificar também as 
primeiras divergências relacionadas ao nível hierárquico de cada colaborador. 

Partindo para a análise das correlações, novos resultados surgiram para 
confirmar o clima favorável e apontar mais variáveis que tanto convergiram quanto 
divergiram. Os pontos convergentes foram somente positivos, reforçando que os 


gerentes, os supervisores e os assistentes, de uma forma geral, ressaltam as relações 


136 


interpessoais e a liderança como fatores determinantes do clima organizacional, que 
no caso da pesquisa confirmou a hipótese, inicialmente apresentada na observação 
participante, de que o clima da organização é favorável. Por outro lado, os pontos 
divergentes se apresentaram positivos e negativos, sendo a maioria este último. Os 
pontos positivos para os gerentes foram ressaltados quanto a fatores relacionados à 
liderança e à cultura organizacional, e em contrapartida, os supervisores e assistentes 
realçaram o sentimento de realização profissional. Os pontos negativos destacados 
para os gerentes foram a motivação e a estrutura física e para os supervisores e 
assistentes foi o cargo em que ocupam. Essa etapa da pesquisa teve como 
preocupação ressaltar os fatores que impactavam aqueles observados pela 
discriminante e comprovar que os níveis hierárquicos são capazes de influenciar o 
modo de o colaborador perceber o clima de sua empresa. 

Sendo assim, este estudo veio comprovar que o cargo ocupado pelo 
colaborador dentro de uma organização é totalmente capaz de influenciar seu modo 
de comportar e perceber o clima, tanto do seu setor quanto da empresa como um 
todo, ou seja, o nível hierárquico que ele compõe tem grande relevância para a 
determinação da atmosfera da empresa. Como foi observado, os colaboradores 
pertencentes ao clima hierárquico mais baixo, apesar de possuírem a maior parte 
motivada, foram os que perceberam o clima de maneira ruim, enquanto os 
colaboradores pertencentes ao clima hierárquico mais alto, em sua totalidade, foram 
os que perceberam o clima favorável. Essas perspectivas são ressaltadas em torno 
da variável que mais se discriminou entre todas: o potencial adequadamente 
aproveitado. 

Em suma, este trabalho deixa algumas contribuições futuras que possam 
auxiliar os gestores a analisar o cargo ocupado pelo colaborador como um ponto 
relevante a ser ressaltado numa pesquisa de clima organizacional, levando em 
consideração que sua percepção é uma variável capaz de impactar a análise do 
mesmo. Lembrando que, ao realizar essa análise, deve-se ressaltar a importância do 
papel do indivíduo na organização e no quanto ele tem a contribuir para o crescimento 


desta. 


137 


REFERÊNCIAS 


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CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração: uma visão 
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YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2º ed.. Porto Alegre: Bookman, 
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139 


CAPÍTULO 08 


SEGURIDADE SOCIAL E DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO: A REFORMA ESTRUTURAL 
E SEUS REFLEXOS NO TRABALHO. 


João Paulo Zanin Júnior 

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto — FDRP 

Instituição: Universidade de São Paulo 

Endereço: Av. Bandeirantes, 3900; Campus USP — Rua Prof. Aymar Baptista Prado, 
835 — Monte Alegre, Ribeirão Preto — SP, Brasil. 

E-mail: jpzaninjrOusp.br 


RESUMO: A seguridade social é um direito fundamental que abrange diversas áreas, 
como a Previdência Social; neste regime público há o sistema de repartição, que pode 
sofrer mudanças substanciais em um contexto de provável reforma estrutural na 
Previdência Social e em um contexto de flexibilização das leis trabalhistas. A principal 
justificativa para tais reformas, como a inclusão do regime de capitalização, é a 
mudança do quadro demográfico brasileiro. Levanta-se uma correlação entre o 
sistema previdenciário e o déficit fiscal da União; contudo, o Regime Geral de 
Previdência Social (RGPS) e o sistema de seguridade social não constituem as 
maiores despesas da União. Há outros fatores, como refinanciamento da dívida 
pública federal e renúncias fiscais, que prejudicam a arrecadação de recursos da 
União. No tocante aos interesses laborais, as alterações no Direito Previdenciário e 
no Direito do Trabalho produzem impactos diretos na vida dos trabalhadores, que têm 
como perspectivas a diminuição de garantias legais, menor acesso aos benefícios 
previdenciários e decréscimo na qualidade de vida. Ao final, conclui-se que é 
necessário o saneamento do déficit orçamentário da União, para voltar ao superávit, 
sem, contudo, afetar a qualidade de vida dos trabalhadores, de modo a equilibrar 
despesas em setores que geram mais encargos do que a Previdência Social, à medida 
do possível 


PALAVRAS-CHAVE: Previdência Social. Orçamento Público. Déficit Fiscal. 
Demografia. Interesses Laborais. 


ABSTRACT: Social Security is a fundamental right in Brazil, characterized as a public 
regime in which prevails “partition system”, which may suffer substantial changes in a 
context of probable structural reform of Brazilian Social Security and in a context of 
flexibilization of Labour Law. The main justification to those reforms, as the inclusion 
of capitalization system, is the change of Brazilian demographic shape. The article 
makes a correlation between Social Security system and the Brazil's Federal fiscal 
deficit; however, the General Regime of Social Security (GRSS) from INSS (National 
Institute of Health and Safety and Social Security) and the whole social security system 
are not the major expenses of Brazilian Federal Government. There are other matters, 
as refinancing of public debt and tax exemptions, which prejudice the Federal 
Government fund raising in Brazil. Concerning labor interests, the alterations on Social 
Security Law and Labour Law make direct impacts on worker's life, that they have as 
perspectives the diminution of legal guarantees, lower access to pension benefits and 
decrease of quality of life. In the end, the conclusion is that it's necessary to end up 
with Federal Government fiscal deficit, to come back to budget surplus, without 


140 


affecting worker's quality of life, in a way that its possible to equilibrate expenses in 
affairs that create more costs than Social Security, as far as possible. 


KEYWORDS: Social Security. Public Budget. Fiscal Deficit. Demography. Labor 
Interests. 


141 


1. INTRODUÇÃO 

O Brasil vive, nas últimas décadas, um contexto demográfico de 
envelhecimento da população. As taxas de fecundidade total declinaram nos últimos 
anos, de quase 2,4 filhos por mulher no ano de 2000, para 1,72 no ano de 2015, 
conforme dados do IBGE.! 

A mudança do perfil demográfico do Brasil, desta forma, pode levar o país a ter 
uma parcela muito grande da população fora do mercado de trabalho, visto que no 
futuro haverá um número elevado de pessoas idosas, com a diminuição do 
contingente da população economicamente ativa para contribuir com o sistema de 
seguridade social, o que ensejaria mudanças nesse sistema, notadamente a 
previdência. 

Uma vez que dentro do sistema de seguridade social são propostas alterações 
significativas na Previdência Social, há perspectiva de fortalecimento da previdência 
privada. Inclusive um dos tópicos propostos para a chamada “Nova Previdência” é o 
regime de capitalização. 

Embora seja evidente que a futura demografia do Brasil traga a necessidade 
de adequações no regime previdenciário e o déficit no orçamento público enseje a 
redução de determinados gastos para voltar ao superávit, é discutível até que ponto 
as medidas adotadas para sanar tais problemas não afetarão o sistema de seguridade 
social e os interesses laborais. 

Deve ser salientado também a questão da flexibilização das leis trabalhistas, 
além da possível aprovação de uma lei de terceirização irrestrita, que também trará 
impactos no sistema previdenciário, ainda mais se houver a inclusão do regime de 
capitalização após a aprovação de novas emendas constitucionais ou projetos de lei. 

O presente artigo trata sobre a seguridade social, abrangendo as áreas de 
assistência social, saúde e previdência social?, com ênfase recaindo sobre o sistema 
previdenciário público. Na presente obra, será abordada a mudança do perfil 
demográfico do Brasil; logo após, haverá uma correlação entre o sistema 
previdenciário e o déficit fiscal da União, com questionamento sobre a participação do 
RGPS e do sistema de seguridade social nesse déficit. Em seguida, serão traçados 


! Disponível em: https://brasilemsintese.ibge.gov.br/populacao/taxas-de-fecundidade-total.html. 
Acesso em 26/08/2019 às 15:43 


2 SPOSATI, Aldaíza. Proteção social e seguridade social no Brasil: pautas para o trabalho do 
assitente social. Serviço Social & Sociedade, São Paulo, n. 116, 2013, pp. 652-74. p. 655. 


142 


os impactos das alterações previdenciárias sobre os trabalhadores e quais seriam as 
perspectivas. Assim, a conclusão a que se chega é a da necessidade de sanar o déficit 
orçamentário da União, sem, contudo, afetar a qualidade de vida dos trabalhadores, 
equilibrando despesas em setores que geram mais encargos do que a Previdência 
Social, à medida do possível. 

A metodologia a ser empregada é pesquisa bibliográfica, através da busca de 
textos de caráter acadêmico ou de relevante valor científico em revistas, websites, 
bibliotecas, legislações e textos oficiais. O método empregado será usado o indutivo, 
uma vez que a partir da análise de circunstâncias específicas como sistema 
previdenciário, demografia, orçamento público e interesses laborais, será extraída 


uma conclusão geral, englobando todas estas variáveis. 


2. O ORÇAMENTO DA UNIÃO E A SEGURIDADE SOCIAL 

Uma das premissas que será assentada é a de que o perfil demográfico 
constitui variável importante nas análises do sistema de seguridade social, 
notadamente a Previdência. Desta forma, a responsabilidade pelo desequilíbrio neste 
sistema seria transferida das gerações presentes para as gerações futuras.º 

É cediço que o envelhecimento populacional diminuirá o número de 
contribuintes para o RGPS. Alguns autores consideram que fatores demográficos em 
conjunto com fatores de ordem legal teriam causado um déficit previdenciário desde 
metade dos anos 90;º afirma-se também que as mudanças promovidas em 1998 e em 
2003 não foram suficientes para evitar esse déficit.” 

Contudo, cabe ressaltar que a demografia não se revela ser o problema em si;ê 
aspectos legais possuem um peso muito maior para debilitar o quadro da seguridade 
social, criando na atualidade um quadro artificial de saldo negativo neste sistema. 

Outro pressuposto a ser considerado, no presente trabalho, é a necessidade 
de reverter o déficit no orçamento da União, que tem apresentado resultado 


* SILVA, Guilherme. Um Estudo da Sustentabilidade da Previdência Brasileira: análise dos regimes 
próprios municipais. Monografia de final de curso. Pontifícia Universdade Católica do Rio de Janeiro, 
Departamento de Economia, 2012. p. 40. 

4 BERTUSSI, Luís Antônio Sleimann; TEJADA, César A. O. Conceito, Estrutura e Evolução da 
Previdência Social no Brasil. Vol. 11, n. 20. Passo Fundo: Teoria e Evidência Econômica, 2008, pp. 
27-55. p. 52. 

5 CAMARGO, Paula Tendolin de. Previdência Social no Brasil. Monografia de final de curso. 
UNICAMP, Campinas, Instituto de Economia, 2005. p. 22. 

8 FAGNANI, Eduardo. Previdência: reformar para excluir? Contribuição técnica ao debate sobre a 
reforma da previdência social brasileira - Brasília: DIEESE/ANFIP; 2017. p. 16. 


143 


desfavorável nos últimos anos. Conforme o Tribunal de Contas da União, ainda no 
ano de 2018, foi apurado pelo Tesouro Nacional o déficit primário de 120,2 bilhões 
de reais.” 

É notável que uma das grandes propostas para promover um saneamento nas 
contas públicas tem sido a mudança estrutural no sistema previdenciário. Desta forma, 
haveria alterações substanciais neste regime, no qual se cogitou incluir o sistema de 
capitalização individual adotados em países como o Chile. E embora o artigo que 
previa capitalização tenha sido retirado do texto da PEC nº 6/2019, pode haver sua 
reintrodução posterior.º 

A reforma proposta pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 6/2019 
é de caráter estrutural, uma vez que modifica a natureza do regime público de 
previdência, que é de repartição, tornando-o gradualmente privado, sendo que o 
regime de capitalização irá coexistir com o RGPS até substituí-lo gradativamente, 
conforme a proposta apresentada no Congresso Nacional.” Se fosse aprovada em 
seu texto original, esta PEC adicionaria o art. 201-A na Constituição Federal, que 
tornaria regra o novo regime de previdência privada, a ser regulamentado por lei 
complementar. Contudo, ao ser aprovada como EC nº 103/2019, não foi introduzido 
esse artigo. 

Ainda cabe ressaltar que as reformas promovidas em 1998 e 2003 foram de 
caráter paramétrico, uma vez que não alteraram a natureza do regime previdenciário, 
mantendo-o público e em sistema de solidariedade entre gerações, com a 
permanência da universalidade da cobertura,'º de forma a mudar apenas a 
abrangência e estrutura dos benefícios." 

Tendo em vista o discurso de rombo previdenciário e a ideia de reequilíbrio da 


contas públicas por meio de uma reforma estrutural que atingiria o sistema de 


? Disponível em: 

https://portal.tcu.gov.br/data/files/45/13/8A/FB/DFEÍ C6105B9484B6F18818A8/Painel- 
Contas%20do%20Gov 2018 Folhas A4%20 4 %20fatos%20fiscais. pdf 

8 MATSUMOTO, Cristiane. O sistema de capitalização será adotado pelo Brasil com a Reforma? 
Valor Econômico, 2019. Disponível em: https:/Avww.valor.com.br/reformadaprevidencia/6335619/0- 
sistema-de-capitalizacao-sera-adotado-pelo-brasil-com-reforma Acesso em: 27/08/2019 às 16:21. 

9º FAVA, Virgínia; FLEURY, Sonia. Capitalização: Segurança para o Mercado Financeiro, 
Insegurança para os Trabalhadores. Seminário Internacional: Experiências em Previdência Social, 
Congresso Nacional — Brasília/DF — 04 de junho de 2019. p. 4. 

1º GENTIL, Denise Lobato. A Falsa Crise do Sistema de Seguridade Social no Brasil: uma análise 
financeira do período 1990 — 2005. UFRJ. In: Congresso Trabalhista Brasileiro. 2007. p. 2. 

4 BOSCHETTI, Ivanete. Seguridade social na América Latina após o dilúvio neoliberal. 
Observatório da Cidadania (IBASE), número 11, 2007, pp. 91-98, 2007. p. 95. 


144 


seguridade social, notadamente o Regime Geral da Previdência Social (administrado 
pelo INSS e diferindo-se dos regimes previdenciários próprios), algumas 
considerações devem ser feitas sobre este quadro. 

A Lei Orçamentária Anual da União, conforme o art. 165, parágrafo 5º da 
Constituição Federal, compreende três esferas, quais sejam, o orçamento fiscal dos 
poderes da União, adjunto aos seus órgãos, fundos e entidades da administração 
direta e indireta (inc. |); o orçamento de investimento das empresas estatais 
controladas pelo Governo Federal (inc. Il) e o orçamento da seguridade social, que 
abrange todo tipo de entidade e órgão que a ela se vincule, da administração direta e 
indireta, incluindo fundações públicas que o Poder Público instituiu e mantém (inc. III). 

Entretanto, o orçamento da seguridade social acaba por ser divulgado junto 
com o orçamento fiscal dos poderes da União, e assim, os dirigentes da Previdência 
Social costumam divulgar o resultado financeiro do RGPS, através do contraste entre 
a arrecadação líquida e as despesas com benefícios previdenciários concedidos pelo 
INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social).!2 

Grande parte dos estudos contabiliza as receitas oriundas da folha de 
pagamento dos trabalhadores que são destinadas ao Regime Geral da Previdência 
Social. Contudo, o Sistema de Seguridade Social, da qual a Previdência pública faz 
parte, também conta com outras fontes de receitas, tais como a CSLL (contribuição 
social sobre o lucro líquido), o PIS/PASEP, a COFINS (contribuição para o 
financiamento da seguridade social), as Contribuições sobre Concurso de 
Prognósticos!* e a CPSS (contribuição para o plano de seguridade para o 
servidor público). 

Conforme o gráfico a seguir, há uma discriminação entre receitas e despesas 


da seguridade social: 


'2 SALVADOR, Evilásio. Quem financia e qual o destino dos recursos da seguridade social no 
Brasil? Observatório da Cidadania, Rio de Janeiro, Relatório de 2007 n. 11, pp. 81-90. p. 82. 


'3 FAGNANI, Eduardo. Previdência: reformar para excluir? Contribuição técnica ao debate sobre a 
reforma da previdência social brasileira - Brasília: DIEESE/ANFIP; 2017. p. 18. 


145 


Gráfico 01: Dados de receitas e despesas da seguridade social. 






2009 | 2010 | 201 2012 | 2013 | 2014 2015 
278173 | 308.557 





RECEITAS 
Racuna providenaiiá 











| 116759 | 140023 || | 
30830 | 31031 | 40.373 | 42023 47778 | | 
3058 | 2497 3148 3414 3.765 [o [o 5 

13528 | 14173 | 14883 | 16873 | 20044 10923 | 7415 | 20534 
2015 2136 
392.075 


















590.577 639.077 






























































DESPESATOTALDA SEGURIDADE 280.596 310.716 359.195 401.609 450.999 512436 571.392 622.895 
RESULTADO DA SEGURIDADE 75.984 64.699 32.880 56.676 77195 78.141 67.685 35.515 





Elaboração: Denise L. Gentil. Fontes dos dados de receita: Ministério da Previdência, Boletins Estatísticos da Previdência Social, Ministério do Planejamento, 
de Providência Boletna Estaticos de Providência Social SOF Orgamnto Federal informações Orçamentárias por Agregados Funcional e Programáticos 

A principal fonte para financiar a seguridade social no Brasil, desta forma, é 
uma espécie de recurso parafiscal denominado de contribuições sociais, que são 
custeadas tanto pelos empregados quanto pelos empregadores. E apresentam menor 
potencial redistributivo do que recursos fiscais como impostos e taxas.!! 

Tendo em vista a separação das fontes de recursos oriundos da contribuição 
direta de empregados e empregadores para o custeio da Previdência Social, e as 
contribuições que incidem sobre faturamento, lucro e a movimentação financeira para 
políticas de assistência e saúde, é perceptível que o financiamento da seguridade 
social continua fragmentado. !º 

Ainda no que tange ao orçamento da União, é preciso abordar que o sistema 
previdenciário não representa a maior parcela dos gastos públicos, como é notável no 


gráfico a seguir: 


4 SALVADOR, Evilásio. Quem financia e qual o destino dos recursos da seguridade social no 
Brasil? Observatório da Cidadania, Rio de Janeiro, Relatório de 2007 n. 11, pp. 81-90. p. 84. 
'S Ibidem, p. 87. 


146 


Gráfico 02: Gastos públicos. 


Orçamento Federal Executado 
(Pago) em 2018 = R$ 2,621 TRILHOES 


O valor previsto para 2018 havia sido R$ 3,527 Trilhões, diferença a ser investigada 


Legislativa Judiciária Essencial à Justiça Administração Defesa Nacional 
0,27% 1,34 % % 





OutrosEncargos O Relações Exteriores 
Especiais eee. ” 0,12% 
» BM Segurança Pública 
0,34% 
o Assistência Social 
3,26% 






Agricultura 0,61% 

Transporte 0,44% 

Ciência e Tecnologia 0,24% 

Gestão Ambiental 0,13% 

Comércio e Serviços 0,10% 

Indústria 0,08% 

Energia 0,07% , 

Urbanismo 0,06% A Saúde 
Organização Agrária 0,06% j ” o E 
Comunicações 0,04% poda 


Direitos da Cidadania 0,04% , “. EZES 
Cultura 0,04% 4 a om 2,68% 
Saneamento 0,02% ER - + 


Desporto e Lazer 0,01% + o 
Habitação 0,00% Outros 
TOTAL 1,94% 0 Queeeeeseeeeeeeeeeerecencrreneerenearenearaneneearantanans 1,94% 


Fonte: SIAFI - http://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/leis-orcamentarias/loa - Banco de Dados Access p/ download 
(Orçamento da União - Fiscal e Seguridade - até 31/12/2018) 

Nota 1 - Somamos “Juros” e “Amortizações” porque o Tesouro contabiliza grande parte dos juros como se fosse amortização. 
Veja as explicações: https;//auditoriacidada.org.br/explicacao/ 








É visível, desta forma, que outros são os fatores responsáveis pelo déficit nas 
contas públicas do governo federal, tais como os juros e amortizações da dívida 
pública!* (aproximadamente um trilhão de reais executados em 2018), sonegação 
fiscal!” (estimativa de 452 bilhões de reais que deixaram de ser arrecadados em 
2015),!º desonerações fiscais excessivas (estimativa de 158 bilhões de reais que 
deixaram de ser arrecadados em 2015),!º e desvinculação de receitas da União, as 
DRU's (63 bilhões em receitas desvinculadas da seguridade social no ano de 2015).20 

Ao se somar todos estes valores, o total de recursos “drenados” do orçamento 


federal chega a valores que poderiam compensar com folga o saldo negativo 


18 GENTIL, Denise Lobato. A política fiscal e a falsa crise da seguridade social brasileira: análise 
financeira do período 1990-2005. 2006. 358f. Tese (Doutorado em Economia) — Universidade Federal 
do Rio de Janeiro — Instituto de Economia, Rio de Janeiro, RJ, 2006. p. 215. 

?” CAMARGO, Paula Tendolin de. Previdência Social no Brasil. Monografia de final de curso. 
UNICAMP, Campinas, Instituto de Economia, 2005. p. 38. 

t8 FAGNANI, Eduardo. Previdência: reformar para excluir? Contribuição técnica ao debate sobre a 
reforma da previdência social brasileira - Brasília: DIEESE/ANFIP; 2017. p. 14 

1º Ibidem, p. 19. 


2º Ibidem, p. 14. Ainda vale ressaltar, que, conforme o mesmo texto, “o Congresso Nacional aprovou 
em 2016 a majoração de 20% para 30% da Desvinculação de Receitas da União (DRU).” 


147 


calculado para o Regime Geral de Previdência Social e os Regimes Próprios de 
Previdência Social, apontado em 290,2 bilhões de reais.?! 

Tendo em vista as considerações sobre seguridade social e previdência em 
função do orçamento da União, em seguida será tecido um panorama sobre impactos 
e perspectivas para o trabalhador. 


3. SEGURIDADE SOCIAL E INTERESSES LABORAIS 

No que se refere aos interesses laborais, o Brasil vive um contexto de 
flexibilização do Direito do Trabalho, esboçadas na Lei 13.467/17, que altera 
significativamente a CLT, e na Lei 13.429/17, que permite terceirização da atividade- 
fim das empresas e dispõe sobre trabalho temporário em empresas urbanas. 

Tais medidas irão trazer impactos diretos para as relações de trabalho e para 
a seguridade social. As perspectivas, desta maneira, são boas para o empregador; 
contudo, para os empregados, é esperado que haja diminuição do número de direitos, 
menor segurança do trabalho?? e maior rotatividade de empregos.?º Ainda conforme 


Fagnani, o que se aduz de impactos para os empregados é que: 


A Reforma da Previdência poderá desmotivar a adesão ao sistema público, 
expulsar atuais contribuintes e incentivar a migração para a Previdência 
privada. 

Todas essas possibilidades poderão ter consequências graves na 
quebra da arrecadação do RGPS, comprometendo a sobrevivência do 
sistema.” (grifos do autor) 


Esta é outra das perspectivas trazidas pela PEC nº 6/2019, que, ao promover 
não uma reforma paramétrica, mas sim uma reforma estrutural no sistema 
previdenciário, promoverá um fortalecimento da previdência privada em detrimento do 
regime administrado pelo INSS. 

Ainda cabe mencionar que apenas alguns regimes previdenciários próprios 


continuariam a ter um bom funcionamento, como o de determinados servidores 


21 MARTELLO, Alexandre. Rombo previdenciário sobe para R$ 290,2 bilhões em 2018 e bate 
recorde. G1, Brasília. Disponível em: https://g1 .globo.com/economia/noticia/2019/01/29/rombo- 
previdenciario-sobe-para-r-290-bilhoes-em-201 8-e-bate-recorde.ghtml 

22º KREIN, José Dari. O desmonte dos direitos, as novas configurações do trabalho e o 
esvaziamento da ação coletiva. Tempo Social, v. 30, n. 1, 2018. pp. 77-104. p. 893. 

2º FAGNANI, Eduardo. Terceirização, Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência: impactos nas 
receitas do RGPS Social. Audiência Pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e Comissão 
de Assuntos Sociais (CAS) para debater o Projeto de Lei n.38 que altera a CLT (19493). Brasília, 23 de 
maio 2017. p. 24 


2 Ibidem, p. 21. 
148 


públicos que constituiria uma parcela privilegiada,?” conforme Paula Tendolim de 
Camargo, que além de consumir grande parcela das arrecadações previdenciárias, 
ainda serão pouco atingidos pela EC 103/2019. 

Ao se levar em consideração que, se aprovada uma nova PEC com a inserção 
de dispositivo que prevê o regime de capitalização (previdência privada), a tendência 
é que este substitua gradualmente o regime de repartição (previdência social); e tendo 
isto em vista, deve ser abordada a questão de que tal sistema é eficiente sob uma 
ótica econômica, contudo, haveria insuficiência de recursos para ter acesso à 
aposentadoria nos casos de desemprego ou exclusão do mercado de trabalho.2ê 

E essa insuficiência pode ser agravada em casos de alta rotatividade de 
empregos, que tende a aumentar em decorrência das alterações na legislação 
trabalhista e previdenciária dos últimos anos. Diante de todo este quadro, a 
perspectiva é a de um grande número de pessoas que não conseguirá manter um 
emprego ininterrupto, o que tornará mais difícil de o empregado contribuir por tempo 
o bastante para angariar fundos suficientes para desfrutar de uma aposentadoria 
digna,?” levando, assim, a um decréscimo na qualidade de vida. 

Esse decréscimo, assim, pode se tornar mais grave à medida que se 
envelhecer, uma vez que haverá menor acesso aos benefícios da seguridade social, 
decorrentes de uma reforma não apenas paramétrica (que viria a se somar às 
mudanças feitas em 1998 e 2003, que diminuíram o acesso aos benefícios 
previdenciários), mas estrutural, que inclusive elevará a idade mínima exigida para 


conseguir a aposentadoria voluntária, conforme a PEC 287/2016.28 


3. CONCLUSÃO 
Diante de todo o exposto, é indiscutível que o sistema previdenciário deve ser 
analisado em função do perfil demográfico do Brasil; esta é uma variável relevante 


2º CAMARGO, Paula Tendolin de. Previdência Social no Brasil. Monografia de final de curso. 
UNICAMP, Campinas, Instituto de Economia, 2005. p. 39. 


26 MATSUMOTO, Cristiane. O sistema de capitalização será adotado pelo Brasil com a Reforma? 
Valor Econômico, 2019. Disponível em: https:/Avww.valor.com.br/reformadaprevidencia/6335619/0- 
sistema-de-capitalizacao-sera-adotado-pelo-brasil-com-reforma Acesso em: 28/08/2019 às 20:15. 

27 MATSUMOTO, Cristiane. O sistema de capitalização será adotado pelo Brasil com a Reforma? 
Valor Econômico, 2019. Disponível em: https:/Avww.valor.com.br/reformadaprevidencia/6335619/0- 
sistema-de-capitalizacao-sera-adotado-pelo-brasil-com-reforma Acesso em: 28/08/2019 às 20:37. 
2Disponível em: 

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop mostrarintegra?codteor=1514975&filename=PEC+2 
87/2016. Acesso em: 29/08/2019 às 13:40. 


149 


que não deve ser desconsiderada para promover adequações no sistema 
previdenciário, com a finalidade de manter sua sustentabilidade. 

O sistema previdenciário, além disso, também precisa ser analisado em função 
do orçamento da União, tendo em vista a necessidade de desfazer o déficit no 
orçamento do governo federal, sem, contudo, reduzir drasticamente a qualidade das 
relações trabalhistas e previdenciárias; desta forma, a fim de restaurar o equilíbrio das 
contas do poder público, é preferível promover alterações no sistema tributário, 
financeiro e orçamentário, uma vez que estes campos apresentam despesas ou perda 
de recursos maiores do que o RGPS. 

As alterações promovidas no Direito do Trabalho e no Direito Previdenciário 
trarão significativos impactos para o trabalhador, de maneira que as perspectivas 
acabam sendo a diminuição de direitos, dificuldade de acesso aos benefícios 
previdenciários e queda na qualidade de vida. 

Desta forma, poderia haver mudanças no sistema de seguridade social que não 
colidissem com garantias laborais e previdenciárias, tais como maior inclusão de 
trabalhadores do mercado informal no regime previdenciário, ampliando o número de 
contribuições e a cobertura; destinação de mais receitas de contribuições sociais aos 
regimes previdenciários, para assegurar a estes maior sustentabilidade financeira; e 
também mudanças de caráter paramétrico que não alterassem a natureza do sistema 


de repartição do sistema previdenciário. 


150 


REFERÊNCIAS 


BERTUSSI, Luís Antônio Sleimann; TEJADA, César A. O. Conceito, Estrutura e Evolução 
da Previdência Social no Brasil. Vol. 11, n. 20. Passo Fundo: Teoria e Evidência 
Econômica, 20083, pp. 27-55. 


BOSCHETTI, Ivanete. Seguridade social na América Latina após o dilúvio neoliberal. 
Observatório da Cidadania (IBASE), n. 11, 2007, pp. 91-98. 


CAMARGO, Paula Tendolin de. Previdência Social no Brasil. Monografia de final de curso. 
UNICAMP, Campinas, Instituto de Economia, 2005. 


FAGNANI, Eduardo. Previdência: reformar para excluir? Contribuição técnica ao debate 
sobre a reforma da previdência social brasileira - Brasília: DIEESE/ANFIP; 2017. 


. Terceirização, Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência: 
impactos nas receitas do RGPS Social. Audiência Pública da Comissão de Assuntos 
Econômicos (CAE) e Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para debater o Projeto de Lei 
n.38 que altera a CLT (1943). Brasília, 23 de maio 2017. 





FAVA, Virgínia; FLEURY, Sonia. Capitalização: Segurança para o Mercado Financeiro, 
Insegurança para os Trabalhadores. Seminário Internacional: Experiências em 
Previdência Social, Congresso Nacional — Brasília/DF — 04 de junho de 2019. 


GENTIL, Denise Lobato. A Falsa Crise do Sistema de Seguridade Social no Brasil: uma 
análise financeira do período 1990 — 2005. UFRJ. In: Congresso Trabalhista Brasileiro. 
2007. 


. À política fiscal e a falsa crise da seguridade social brasileira: 
análise financeira do período 1990-2005. 2006. 358f. Tese (Doutorado em Economia) — 
Universidade Federal do Rio de Janeiro — Instituto de Economia, Rio de Janeiro, RJ, 2006. 





KREIN, José Dari. O desmonte dos direitos, as novas configurações do trabalho e o 
esvaziamento da ação coletiva. Tempo Social, v. 30, n. 1, 2018. pp. 77-104. 


MARTELLO, Alexandre. Rombo previdenciário sobe para R$ 290,2 bilhões em 2018 e 
bate recorde. G1, Brasília. Disponível em: 

https://g1 .globo.com/economia/noticia/2019/01/29/rombo-previdenciario-sobe-para-r-290- 
bilhoes-em-2018-e-bate-recorde.ghiml 


MATSUMOTO, Cristiane. O sistema de capitalização será adotado pelo Brasil com a 
Reforma? Valor Econômico, 2019. Disponível em: 
https://www.valor.com.br/reformadaprevidencia/6335619/0-sistema-de-capitalizacao-sera- 
adotado-pelo-brasil-com-reforma 


SALVADOR, Evilásio. Quem financia e qual o destino dos recursos da seguridade 
social no Brasil? Observatório da Cidadania, Rio de Janeiro, Relatório de 2007 n. 11, pp. 
81-90. 


SILVA, Guilherme. Um Estudo da Sustentabilidade da Previdência Brasileira: análise 
dos regimes próprios municipais. Monografia de final de curso. Pontifícia Universdade 
Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Economia, 2012. 


SPOSATI, Aldaíza. Proteção social e seguridade social no Brasil: pautas para o trabalho 
do assistente social. Serviço Social & Sociedade, São Paulo, n. 116, 2013, pp. 652-74. 


151 


CAPÍTULO 09 


ANÁLISE DAS ÁREAS EXTERNAS DE DOIS CAMPI DA UNIRIO CONSIDERANDO 
O BEM-ESTAR. 


Genes de Lima Martins Neto 

Graduando em Ciências Biológicas-Bacharelado Universidade Federal do Estado do 
Rio de Janeiro (UNIRIO) 

Endereço: Av. Pasteur, 458, Prédio da Escola de Ciências Biológicas e do Centro de 
Ciências Exatas e Tecnologia (ECB/CCET), URCA, RJ — CEP: 22290-240 

E-mail: genesneto1 O(Ogmail.com 


Rodrigo Ribeiro Tarjano Leo 

Doutor em Biotecnologia Vegetal — UFRJ. Prof. Depto de Botânica da Universidade 
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) 

Endereço: Av. Pasteur, 458, Prédio da Escola de Ciências Biológicas e do Centro de 
Ciências Exatas e Tecnologia (ECB/CCET), URCA, RJ — CEP: 22290-240 

E-mail: rotarjano(dgmail.com 


RESUMO: A falta de condições básicas de moradia e laser nas grandes cidades afeta 
a população de uma maneira geral, levando a processos de insatisfações diversas. O 
paisagismo em áreas urbanas apresenta-se como expressão artística e que pode 
mitigar estresses. Essas áreas são projetadas com o intuito de seus elementos 
dialogarem para estimular os sentidos de seus visitantes. Áreas verdes em 
Universidades são vistas somente como elemento paisagístico. Porém, além da 
questão estética e recreativa, também poderiam ser utilizadas para atividades 
didáticas com aulas presenciais ou de extensão. Dois Campi da Unirio foram avaliados 
para determinar quantitativamente as composições paisagísticas dos espaços 
externos e potenciais usos didáticos e recreativos. A área estudada se localiza na Av. 
Pasteur nº 458 e 436 no Bairro da Urca, Cidade do Rio de Janeiro — RJ. Nos dois 
Campi as áreas foram sistematizadas como área de translado e áreas 
recreativas/contemplativas. Foram definidas 17 áreas externas aos Centros 
Acadêmicos. Para cada área externa foram feitos levantamentos de todas as espécies 
vegetais encontradas, assim como dos demais componentes paisagísticos presentes. 
Foi constatado neste trabalho que 71 % dos espaços externos são áreas de translado 
e apenas 29 % destinam- se a áreas de contemplação. Algumas áreas aparecem 
ressignificadas, com grafites e uso de cores nos elementos destinados a permanência. 
As espécies mais prevalentes foram Polyscias guilfoylei (W. Bull.) LH Bailey, a árvore 
da felicidade, Alpinia purpurata (Vieill.) K. Schum, popularmente chamada de Alpinia 
e Cordyline fruticosa (L.) A. Chev. a Dracena Vermelha. A carência de áreas de 
contemplação destinadas ao convívio e lazer pode ter influenciado o processo de 
ressignificação encontrado neste trabalho. Grafites em vias de acesso e em áreas de 
contemplação, cores vivas em elementos de permanência e vegetação colorida 
ajudam a aliviar estados de estresses e interrompem a monotonia. 


152 


PALAVRAS-CHAVES: UNIRIO; paisagismo; ornamentação. 


ABSTRACT: The lack of basic housing and recreation conditions in large cities affects 
the population in general, leading to various dissatisfaction processes. Landscaping in 
urban areas is an artistic expression that can mitigate stress. These areas are 
designed in order for their elements to dialogue and stimulate the senses of their 
visitors. Green areas in universities, when they occur, are generally designed only as 
a landscape element. However, besides the aesthetic and recreational issue, they are 
also used as an open air classrom for didactic or extension activities. Two Unirio campi 
were investigated, surveying the urban spaces with their vegetal compositions and 
potential didactic and recreational uses. The studied area is located at Pasteur Avenue 
Nº 458 and 436 in the Urca District, Rio de Janeiro - RJ. In both campi the areas were 
systematized as transfer area and recreational/contemplative areas. Seventeen areas 
outside the Academic Centers were defined. For each external area surveys were 
made of all plant species found, as well as of the other landscape components present. 
It was found in this work that 71 % of the external spaces are transfer areas and only 
29 % are contemplative areas. Some areas appear reframed with graffiti and use of 
colors in the elements intended for permanence. The most prevalent species were 
Polyscias guilfoylei (W. Bull.) LH Bailey, the tree of happiness, followed by Alpinia 
purpurata (Vieill.) K. Schum, popularly called Alpinia and Cordyline fruticosa (L.) A. 
Chevy. the red Dracena. The lack of areas of contemplation intended for socializing and 
leisure may have influenced the reframing process found in this work. Graffiti on 
access roads and in contemplation areas, vivid colors in elements of permanence and 
colorful vegetation help to relieve stressful states and interrupt monotony. 


KEY-WORDS: UNIRIO, landscaping, ornamentation. 


153 


1. INTRODUÇÃO 

A maior parte da população mundial situa-se nos grandes centros urbanos, 
ocasionando mais cidades superpopulosas. A consequência que se tem observado é 
a insuficiência em acomodar tantas pessoas de forma digna em tão exíguo espaço o 
que, consequentemente, provoca insatisfações e depressão em boa parte dessa 
população urbana (LIMA; AMORIM, 2006). 

A falta de condições básicas de moradia e laser afeta a população de uma 
maneira geral, contaminando a autoestima dessas pessoas e influenciando a força de 
trabalho. Isso pode levar a uma baixa produtividade, afetando diretamente a economia 
da região. O efeito emB cascata desse baixo rendimento acaba afetando o 
desenvolvimento econômico dos grandes centros urbanos (SAPCI; SHOGREN, 
2017). Efeitos colaterais desse baixo desenvolvimento econômico acabam resultando 
em áreas marginalizadas, com altos índices de criminalidade, falta de higiene e, 
consequentemente, saúde (MARTINEZ et. al., 2006). 

Mediante a essa situação, o paisagismo apresenta-se como uma expressão 
artística no combate ao estresse e, sendo uma obra de arte, obtêm características 
que estimulam os sentidos do homem como: formas, cores, texturas, luzes, sombras, 
aromas e, por que não sabores. Essas áreas são projetadas com o intuito de seus 
elementos dialogarem para estimular os sentidos de seus visitantes (ABBUD, 2010). 
Por definição tornam-se áreas verdes no meio urbano e, muitas vezes, são referidas 
como “Verde Urbano”. Essa ciência/arte pode ser percebida em locais diferentes como 
o Parque do Anhangabaú e o Parque Várzea do Carmo, ambos localizados na Cidade 
de São Paulo. Esses Parques foram propostos no ano de 1911 que, na época, eram 
áreas alagadiças e bastante insalubres. Em virtude disso foram destinadas a 
implantação de uma cobertura vegetal, iniciativa muito influenciada pela vertente 
sanitarista da época e que procurava mitigar os efeitos insalubres desses locais 
(SILVA, 2006). 

As áreas verdes, espaços verdes ou zonas verdes são regiões de origem 
públicas ou privadas, delimitadas pelo poder municipal e compostas por espaços livres 
contendo vegetação, e que foram objetivadas a preservação ou implantação 
ambiental e à conjuntura paisagística (GEISER et al., 1975 apud NUCCI, 2008). Além 
disso, as áreas verdes possuem incumbência de regular o microclima, promover a 
segurança geológica localizada ao evitarem deslizamentos de terra e prevenirem a 


degradação do solo, dentre outros benefícios relacionados à sociedade como lazer, 


154 


recreação e convivência agradável (BARGOS, 2015; BARBIERI et al., 2017; MARTINI 
et al., 2018). 

As áreas verdes desempenham uma forte influência psicológica na população. 

Para aqueles que possuem acesso, muitos utilizam esses espaços verdes como forma 
de fuga da vida cotidiana, opressora. Esse fenômeno acaba criando laços afetivos 
com o ambiente. Esse sentimento pelo local é justamente devido a esta característica 
dos espaços verdes de conseguirem articular diversas sensações em pouco tempo. 
Interessante notar que, quando se está em grupo, geralmente ocorre a intensificação 
da relação indivíduo ou indivíduos com o local (ANGELIS et al., 2004; GÂNDARA 
et al. 2011; MORO, 2011; MADUREIRA; 
ANDRESEN, 2014). Segundo Nucci (2008), os indicies de qualidade ambiental se 
baseiam, em grande parte, nos elementos vegetais e nas áreas com vegetação, como: 
o aumento das áreas verdes e criação de novas áreas verdes, construção de um 
sistema de verde continuo e incentivo fiscal (desconto nos impostos) para quem tem 
áreas em seu terreno que dispõem de vegetação. 

Porém, é notório que a degradação da qualidade ambiental está atrelada ao 
processo de urbanização e à falta de planejamento urbano, do ponto de vista 
ambiental (ANGEOLETTO; SANTOS, 2015). Por outro lado, dentro das instituições 
acadêmicas, composta por grupos de pesquisa dos mais diversos, a capacidade para 
a construção e adequação de espaços verdes de forma planejada deveria ser 
efetuada a contento. Essas instituições possuem infraestrutura e capacidade científica 
para planejar as composições dos espaços de lazer e convivência, avaliando 
vantagens e desvantagens sobre a utilização de espécies vegetais e suas 
distribuições. Carvalho et al. (2007), Eisenlohr et al. (2008) e Cupertino e Eisenlohr 
(2013) avaliaram os espaços verdes de Universidades Federais Brasileiras. De acordo 
com os resultados desses trabalhos ficou clara a falta de planos de manejo. Os 
resultados apontaram elevado número de espécies, o que caracterizaria ambientes 
floristicamente diversos. Porém, são priorizadas espécies exóticas, muitas tóxicas e, 
de maneira geral, indicaram carência de planos de manejo. 

A incongruência dessa relação da falta de plano de manejo exatamente nas 
instituições acadêmicas, onde os pesquisadores dessas Universidades deveriam 
estar aptos em contribuir, pode ser devido à elevada demanda de trabalho e, também, 
ao desconhecimento da importância desses espaços verdes nos ambientes de 
pesquisa e ensino. Levando em conta que a presença de elementos vegetais tem 


155 


influência significativa sobre aspectos psicológicos de uma comunidade (PARK et al., 
2010) surge o interesse de avaliar a paisagem da UNIRIO, onde a comunidade 
universitária permanece a maior parte do seu tempo em atividades como: aula, 
projetos de pesquisa e extensão, reuniões e recreação. O intuito da pesquisa foi aferir 
a qualidade ambiental dessas zonas que são frequentadas, na maior parte do tempo, 
por sua comunidade, como alunos de graduação, de mestrado e doutorado, 
professores, profissionais de limpeza, seguranças, empregados ligados ao 
restaurante escola, além de alguns visitantes eventuais. 

Dessa forma, o presente trabalho tem por objetivo avaliar e determinar 
quantitativamente as composições paisagísticas dos espaços externos de dois Campi 
da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UNIRIO. O 
Campus Urca 458 e Campus 436. Além disso, descrever os componentes 
paisagísticos com enfoque na aplicabilidade da vegetação utilizada. 


2. MATERIAL E MÉTODOS 

O estudo foi realizado em dois Campi da Universidade Federal do Estado do 
Rio de Janeiro (UNIRIO) na Urca, bairro na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Os 
Campi englobam o Campus número 458, onde se encontram o prédio da Escola de 
Ciências Biológicas e o Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (ECB/CCET) e os 
prédios do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCH) e do Centro de Ciências 
Humanas — Padre José Anchieta (CCH- Padre José Anchieta); e o Campus número 
436 que engloba os prédios do Restaurante Escola e Anexos, a Biblioteca Central da 
UNIRIO, o prédio Instituto Villa-lobos, o prédio da Decania do Centro de Letras e Artes 
(CLA) e o Pavilhão Santa rosa - Departamento de Cenografia localizado na Praça 
Tomas Santa Rosa juntamente com o prédio Centro de artes (Escola de Teatro e 
auditórios). A Figura 01 evidencia o mapa da região, ajudando na localização da área 
de estudo, além de demonstrar a planta baixa com os respectivos locais. 

Foram definidas 17 áreas externas a esses prédios. Essas áreas foram, por 
sua vez, sistematizadas como áreas de translado ou de passagem, áreas 
recreativas/contemplativas e áreas acadêmicas (Figura 02). Para cada área externa 
foram feitos levantamentos de todas as espécies vegetais encontradas como 
elemento paisagístico, assim como dos componentes paisagísticos presentes. As 
áreas de atividades sendo essas acadêmicas, recreativas e contemplativas foram 


demarcadas pela presença de elementos paisagísticos e características do local, 


156 


como: bancos, mesas e locais menos movimentados onde as pessoas possam 
permanecer. As áreas de passagens foram caracterizadas pela ausência dos 
elementos e aspectos supracitados. 


Figura 01: Mapa dos dois Campi da UNIRIO localizados na Av. Pasteur nº 436 e 458 no bairro da Urca, 
Rio de Janeiro. 






Fonte: Google Earth 


Figura 02: Mapa dos dois Campi evidenciando as áreas de estudo. A divisa é a área 17 que separa os 
dois Campi. 





Fonte: Google Earth. 


157 


Para as identificações das espécies vegetais e determinações dos seus hábitos 
foram seguidas as determinações segundo Radford et al. (1998), Lorenzi (2015), 
Reflora (2020), Tropicos (2020) e International Plant Names Index (IPNI) (2020). Para 
as definições das áreas paisagísticas de acordo com as vegetações foram seguidas 
as determinações de Abbud (2010) e Lorenzi (2015). 


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

As áreas externas dos dois Campi na Unirio foram analisadas e definidas em 
áreas de contemplação e áreas de translado. Dos 17 ambientes determinados foi 
observado que 71 % compõe áreas de translado as áreas mais predominantes dentro 
do espaço da UNIRIO analisado, e somente cinco áreas (29 % do total) possuem 
características básicas destinadas a permanência e contemplação. 

A área 1, em particular, possui uma característica metamórfica pois serve aos 
dois propósitos: translado e área de atividade. Esse espaço lateral do prédio da Escola 
de Ciências Biológicas e Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (ECB/CCET) foi 
aproveitado para, ali, se incluífrem canteiros laterais didáticos. A área foi subdividida 
em seis canteiros, unidos à estrutura do prédio. A composição paisagística foi 
pensada levando em consideração o aspecto evolutivo dos vegetais (Figura 03). 


Figura 03: Vista geral do Jardim Didático da Unirio na área 1. Notar canteiros laterais ao prédio do 
ECB/CCET 





Fonte: Os autores. 


158 


Os elementos paisagísticos que compõem as áreas do presente estudo foram 
classificados em dois tipos, segundo Abbud (2010). O primeiro tipo engloba os 
elementos que auxiliam e fomentam a permanência da comunidade nos locais, como 
bancos, mesas, sala de estar (longe) além da vegetação sistematizada na técnica de 
espaço pontuado; o segundo tipo faz referência com os elementos que colaboram 
com a não permanência no local, porém ajudam a guiar a comunidade aos locais. 
Exemplos são muretas, vegetação em paliçada, grades de contenção, escadas etc. 
Segundo esse mesmo autor, espaço pontuado é um procedimento utilizado para 
minimizar a sensação opressiva do espaço e levar destaque aos componentes 
estruturais ou vegetais. 

Normalmente, esses elementos auxiliam na definição das áreas de 
contemplação. Um bom exemplo desse espaço pontuado neste trabalho foi a 
utilização de Grafite em diversas áreas, inclusive em áreas de translado (Figura 4). 
Além do Grafite, foram observados outros elementos paisagísticos. Nas áreas de 
translado foi constatada prevalência de muretas, corrimãos, além da vegetação 
distribuída em paliçada ou na forma de jardins apreciativos. 

Nas poucas áreas destinadas a contemplação foram encontrados alguns 
elementos que motivam a permanência da comunidade. Nessas áreas foram 
observados bancos e lounge (elementos associados ao conforto), e a utilização de 
vegetação destaque além de grafites nas paredes, como acima mencionado (Figuras 
04 e 05). A área 16 foi o maior espaço encontrado e destinado à permanência. O local 
é conhecido como “jardim” e é frequente sua utilização para eventos de recitais e 
performances (Figura 6), uma vez que se encontra no próprio Campus dos centros 
acadêmicos de artes e música da Unirio. Porém, é notória a carência de elementos 
de permanência, como bancos. Os alunos e visitantes sentam nas muretas ou no 


próprio chão. 


159 


Figura 04: Grafites diversos em espaços de translados. a) área 17 (divisa); b) continuação área 17; c) 
área 11;d) área 8. 





Fonte: Os autores. 


Figuras 05: Vista da área 5, classificada como de permanência, evidenciando elementos paisagísticos 
como bancos e espaço de convivência. 


e 


=” 





A 
28 
4 


est 
= 





] 2 
a 


Fonte: Os autores. 


160 


Figura 06: Vista geral da área 16 conhecida como Jardim. Notar pessoas sentadas em muretas e no 


chão e parede ao fundo com grafite (A) e realização de shows (B). 





Fonte: Os autores. 


A utilização do Grafitismo nas paredes dos translados pode ser vista como uma 
forma de ressignificação do espaço. As áreas externas nos Campi analisados são 
exíguas e apertadas. Os edifícios foram construídos em um espaço limitado. A área 
total fica encerrada entre o Morro da Babilônia e a Avenida Pasteur, não possibilitando 
crescer, se espalhar. Atualmente, nestes dois Campi, são encontrados 10 edifícios 
que comportam 22 Cursos, dos mais diversos. 

Em meados de 2017 iniciou-se a construção de um novo prédio. Esses fatos 
ajudam a entender a falta de áreas de convivência e lazer, fundamentais para higiene 
mental e comunhão entre a população. Sendo assim, corroborando com a falta dessas 
áreas de contemplação e permanência, a comunidade é instigada em influenciar e 
modificar seu ambiente, visando maximizar o bem-estar local. Essas ideias foram 
também averiguadas por Carvalho e Gosling (2019) que avaliaram atributos de 
ambiência, isto é, quesitos de bem estar e conforto, em parques verdes de Belo 
Horizonte — MG. 

Os autores discutiram a percepção dos usuários, apontando necessidades 
básicas visando à valorização da permanência e o uso do espaço como ferramenta 
facilitadora do processo de trabalho, otimizando recursos e humanizando esses 
locais, ao torna-los mais acolhedores. Parelman e Marconi (2016) analisaram a 
percepção de parte da população de Buenos Aires sobre a importância das áreas 
verdes no meio urbano. Os resultados apontaram que 90% dos entrevistados 
atribuíram significado social importantíssimo a essas regiões. São espaços para 


divertimento, comunhão com a natureza, com o verde, ajudando no processo tanto de 


161 


socialização quanto de sociabilização. As áreas acadêmicas, com suas salas de aula, 
laboratórios etc. são regiões representativas da vida urbana cotidiana, e necessitam 
de acessibilidade, limpeza e iluminação adequadas. Porém, assim como esses itens 
são necessários, áreas de contemplação e permanência também precisam ser 
consideradas imperativas, precisam ser encaradas como regiões de bem viver, que 
podem auxiliar na saúde humana. 

Diversos trabalhos ajudam a corroborar essas ideias. Ulrich (1984) relatou a 
taxa de recuperação pós-cirúrgica em pacientes submetidos a colecistectomia. Nesse 
artigo revelador foi descrito que os pacientes que possuíam vista para árvores 
apresentaram taxas de recuperação mais rápida, usaram menos analgésicos e 
reclamaram menos com as enfermeiras quando comparados com pacientes que 
possuíam vista somente para uma parede de tijolos. Ulmer et al. (2016) 
correlacionaram a quantidade de árvores urbanas com a saúde da população. Os 
autores descreveram que o número de árvores na rua se relaciona com o nível de 
obesidade. A relação direta foi que, quanto maior a quantidade de árvores nas vias 
públicas menores são os níveis de hipertensão e diabetes. De uma forma geral, a 
maior coesão social e saúde geral estão relacionadas com o verde urbano. 

Outros componentes de transformações observados neste trabalho estão 
relacionados aos elementos coloridos. Alguns exemplos identificados foram: a 
plataforma redonda e escada, ambas pintadas de vermelho escuro na área 15 (Figura 
7), e a própria vegetação utilizada, visando destaque das áreas, esbanjando cores 
vivas, algumas inflorescências vistosas e uso de folhagens variegadas, apresentando 
várias tonalidades de verde, além do Grafitismo contido nos translados e nas áreas 
de contemplação (Figuras 04 e 08). 

Segundo Carius (2010) as cores de um ambiente possuem forte influência em 
seu público, agindo nas suas emoções, consequentemente no seu humor. A autora 
descreveu a percepção das cores pelo corpo de enfermagem de um centro 
oncológico. Foi visto que as cores influenciaram diretamente com a percepção do 
espaço, podendo induzir monotonia ou efeitos de movimentos e, dessa forma, 
influencia na capacidade de concentração e atenção. 

Essa capacidade de influência das cores pode ser utilizada nos jardins 
acadêmicos da UNIRIO, uma vez que os elementos coloridos podem ter sido 
utilizados para ressignificar o ambiente, principalmente o Grafitismo, que surge 


apresentando características extremamente chamativas. 


162 


Figura 07: Vista da área 15 contendo elementos ressignificados como a escada e plataforma pintadas 
de vermelho. 





Fonte: Os autores. 


Projetos paisagísticos/urbanísticos devem prezar pelos costumes da população 
beneficiada, projetando uma área que melhor supririam as necessidades da 
população. Porém, corriqueiramente, essa condição tem sido negligenciada (LIMA, 
AMORIM, 2006). Um forte exemplo desse impasse é o Jardim didático e Evolutivo da 
UNIRIO, situado nos canteiros laterais do prédio onde se encontra o Instituto de 
Biociências (IBIO) na área 1 (área de translado). Segundo Cordeiro (Com. Pess.*) a 
elaboração do projeto urbanístico/paisagístico ocorreu para transformação da área em 
um ambiente apropriado às práticas de ensino realizadas nos cursos ministrados no 
instituto. 

O Jardim Didático e Evolutivo da UNIRIO tem a composição florística 
sistematizada pelo aspecto evolutivo dos vegetais, baseado na filogenia proposta pelo 
grupo “Angiosperm Phylogeny Group III" (APG III, 2009). Desse modo obtém a função 
de facilitar a compreensão das aulas relacionadas à Botânica. O Jardim didático é 
uma ferramenta de ensino, utilizada de diversas formas, indo desde aulas práticas dos 
cursos de graduação e Pós graduação do IBIO até a projetos de extensão 
relacionados à Botânica (ANTUNES et al., 2013). 


163 


O levantamento Botânico realizado nos Campi 436 e 458 da UNIRIO 
considerou todas as espécies vegetais encontradas nos entornos dos prédios, no qual 
formam a paisagem dos dois Campi. Registrou-se a presença de 90 espécies, 
subordinadas a 72 Gêneros e pertencendo a 45 Famílias no total. As Famílias com 
maior ocorrência foram Araceae com 14 espécies, seguida por Asparagaceae com 10 
espécies, e Bromeliaceae em terceiro com seis espécies representados. A lista 
contendo todas as espécies identificadas, suas Famílias, os nomes vulgares, a área 
onde foram identificadas, os hábitos e local de ocorrência natural pode ser visualizada 
no Quadro 01. 


Figura 08: Exemplos de vegetação destaque com folhagens coloridas (A) e variegada, como os 
exemplares de Polyscias guilfoylei (W. Bull.) LH Bailey, a árvore da felicidade (B). 





Fonte: Os autores. 


Quadro 01: Lista de todas as espécies identificadas neste trabalho, as Famílias Botânicas, local onde 
ocorrem, seus hábitos e distribuição natural de ocorrência. 














Famílias Espécies Nome vulgar | Área Hábito Procedência 
Equi ; o Regiões 
quisetaceae Equisetum hyemale | Cavalinha 1 Herbácea tropicais da 

L. América 

Lomaáriopsidas Nephrolepis pectinata Fsbo-desqalo: | já Eisiácas América º 
ú (willd.) Schott 9 tropical, Japão e 
ceae Nova Zelândia 
Japão e 

Cycadaceae Cycas revoluta thunb | Sagu 1 Arbusto as 


























164 







































































Acanthaceae | Thunbergiaerecia Imanto-derei |25€e8 |Arbust África tropical 
(Benth.) T. Anderson anto-de-rei De rbusto rica trop 
Anacardiaceae | Mangifera indica L. | Mangueira 5,16e 10 |Árvore India 
Catharanihus roseus | poa noite 13 Subarbusto o 
Apocynaceae (L.) G. Don nos trópicos 
Plumeria rubra L.. Jasmin-mangá |9 Arvoreta | América tropical 
Aglaonema ; EA 
pa schott |Café-de-salão |1e 12 Herbácea |Filipinas 
Anthurium coriaceum | Antúrio 16 Herbácea | Regiões Sul e 
G.Don Sudeste do Brasil 
Caladium horiulanum Tinhorão 16 Herbácea | América tropical 
Birdsey 
Caladiumx . Coração-de- 1 Herbácea | América tropical 
hortulanum Birdsey  |jesus 
Epipremnum A: 1,5,10, |Herbácea lh lim 
pinnatum (L.) Engl. qubbla 15e 16 |trepadeira PsSIoNIO 
Monsiera deliciosa | Monstera 16 Herbácea |México 
Liebm. 
Philodendron Imbê 10e 16 |Arbusto Mata Atlântica, 
cordatum Kunth ex restingas 
Schott 
Philodendron ; 
hastaiim Koch & 12 Herbácea Sudeste do 
Sello Brasil 
Araceae E 
Philodendron Sp. 16 Herbácea | América tropical 
Eniogenaron filodendro- be 15 Herbácea | Mata Atlântica 
Hederaceum (Jacq.) 
Schott cordato 
Philodendronimbe | Curuba 5, 10e 12lHerbácea |Restingas | 
Schott ex Kunth Nordeste Brasil 
a ; Áreas 
Philodendron Guaimbê da |3 Herbácea pantanogds 
undulatum Engl. folha ondulada dora 
Philodendron ! Região 
Schott. 
j Florestas úmidas 
Sunga Singônio 1,17 Herbácea | gaAmérica 
podophyllum Schott Soriiai o do Sul 
Syngonium RR à Améi a 
angustatum Schott. Singônio 16 Herbácea mérica tropica 
Polyscias Fruticosa| Árvore-da- A Sd 
(L.) Harms felicidade- 3 tenio Polinésia, o 
fêmea India e Malásia 
Araliaceae OSC. O e greda 3,5,6,7, | Arbusto Ilhas do 
(W. Bull.) LHBailey felicidad 8, 9,10, Pacífico 
ERR 13,15 e 16 
Chamaedorea 5. 
cataractarum Mart. Palmeira-verde |5, 10 e 16] Palmeira México 
Arecaceae Ray pers TES GENE (da Palmeira-areca |5, 9e 16 | Palmeira Madagascar 





Wendl.) Beentje & J. 
Dransf. 

















165 








Lytocaryum 


Mata Atlântica 






























































Weddellianum (H. Içá 5 Palmeira 
Wendl.) Toledo montaria 
Phoenix roebelenii Tamareira-anã |5 Palmeira Índia e Vietnã 
O'brien 
Agave aitenuata Agave dragão |5e 16 Subarbusto | México 
Salm- Dyck 
Cordyline fruticosa Dracena- : Eu Arbusto dr e 
(L.) A. Chev. vermelha so , olinésia 
Dracaena fragrans | | Planta do milho, gnt 
(L.) Ker Gawl Pelegum 5, 15 e 16] Arbusto Africa 
Dracaena reflexa var. | Dracena-de- 
angustifolia Baker madagascar 5e 16 Arbusto Madagascar 
Dracaena braunii Bambu-da-sorte|8, 10, 12 | Arbusto África 
Asparagaceae | Engl. e 16 
Furcraea foetida (L.) | Piteira 1,5,9, | Subarbusto |Brasil 
nem 10 e 16 
Ophiopogon | E E 
japonicus (Thunb.) pese pelo de |2,5,9, |Herbácea |China e Japão 
Ker Gawl. 10e 15 
Sansevieria cylindrica] Lança de são [10 Herbácea | África tropical 
Bojer ex Hook. jorge 
Sansevieria so VAZ Herbácea | África tropical 
Espada de são E 
trifasciata Prain Jorge (divisa) 
Sansevieria 1,5,11 [Herbácea [África 
trifasciata var. Espada de E 16 
laurentii (De wild.) santa barbara 
N.E Br 
Yucca guatemalensis | luca-elefante 15 Arbusto México e 
Baker Guatemala 
Asteraceae Bidenssulphurea Picão 17 Hebácea | México 
(Cav.) Sch. Bip. (divisa) 
Bignoniaceae | Handroanthus Sp. Ipê 5e17 Árvore Brasil 
Aechmea 
blanchetiana (Baker) | Bromélia 1 Hebácea '|Brasil trópicos 
LBSm. 
Aechmeanudicaulis ais . ASIA 
(L.) Griseb. Bromélia 16 Hebácea Mata Atlântica 
Bromeliaceae | ycoregeliajohannis | Bromélia ninho Hot Essa 
(Carriêre) L.B. Sm. | de pássaro ebacea » trOp 
Nedred eua Bromélia 1 Hebácea | Amazônia 
johnsoniae H.E. peruana 
Luther 
Neoregelia Eu 1 Hebácea Espirito Santo e 
pascoaliana L.B.sm. |Bromélia Bahia 
Tillandsia stricta A 1,5,7 e Z ; 
Col ec terca Bromélia 16 Herbácea |Brasil 




















166 




































































Nopalea Palma- 1,8€e 10 E 
Cactaceae a Arbusto México 
cochenillifera (L.) forrageira 
Salm-Dyck 
Caricaceae Carica papaya L. Mamoeiro 1 Arvoreta América tropical 
Chrysobalana- | Licania tomentosa | Oitizeiro 1 Árvore Mata Atlântica 
ceae (Benth.) Fritsch 
Clusiaceae Clusia fluminensis Clúsia 1e17 Arbusto Restingas Rio 
Planch. & Triana de Janeiro até 
Bahia 
Combretaceae | Terminalia catappa L.| Amendoeira 1e10 Árvore Ásia e 
Madagascar 
Commelina erecta L. | Trapoeraba 9 Herbácea | América tropical 
. Tradescantia pallida |Coração roxo |1€e16 Herbácea | México 
Commelinaceae | var. purpurea (Boom) 
Hook. 
Tradescantia Abacaxi-roxo 10 Herbácea | México 
spathacea Sw. 
Costaceae Cheilocostus ' |Cana-do-brejo |4,9e 17 | Herbácea | Índia 
speciosus (J.Koenig) 
CDSpecht 
Crassulaceae Kalanchoe gastonis- | Planta da vida |1 Herbácea | Madagascar 
bonnieri Raym.- 
Hamet e H. Perrier 
Cycadaceae Cycas revolute Cica, Sagu 1 Arbusto Japão e 
Thunb. Indonésia 
Cyperaceae Cyperus prolifer Lam. | Papiro- 1 Herbácea | Madagascar e 
brasileiro região leste e 
sul da Africa 
Codiaeum Louro- 1,2 e 15 | Arbusto Índia, Malásia e 
variegatum (L.) variegado Ilhas do pacífico 
Rumph. Ex A. Juss. 
pd iá Folha-imperial o 8, | Arbusto Índia, Malásia 
Euphorbiaceae | Variegatum q. cs 
P Rumph. ex A. Juss. 16 - na ao 
var. variegatum pSsies, 
Euphorbia milii Des 
Moul. Coroa-de-cristo | 1 Subarbusto | Madagascar 
Euphorbia milii var. 
p Coroa-de-cristo |1 Herbácea | Madagascar 
Hislopii (N.E. Br.) 
Ursch & Leandri 
Delonix regia (Hook. ; 
Raf. gia ( Flamboyant 9e15 Arvore Madagascar 
Fabaceae e 
Caesalpiniaechinata ; UA 
Lam. Pau-brasil 5 Arvore Mata Atlântica 
Arachisrepens Grama = 3e17 Herbácea |Brasil 
Hendiá amendoinzinho 




















167 




































































Heliconiaceae | Heliconia sp. 10 Herbácea | Brasil 
Iridaceae Gladiolus hortulanus | Palma 1,8€ 17 |Herbácea |Ásia, África e 
Mediterrâneo 
L.H. Bailey 
Solenostemon Coração be 15 Herbácea | Java 
Scutellarioides (L.) magoado 
Lamiaceae Codd 
Plectranthus barbatus| Boldo 5e17 Herbácea  |Índia tropical e 
Andrews subtropical 
Struthanthus E 1 Já Brasil 
Loranthaceae | marginatus var. oval- ne e di pao : dia 
lanceolatus Rizzini | passarinho estandente 
Lythraceae Punica granatumL. |Romã 1e9 Arbusto Europa até O 
Himalaia 
Hibiscus rosa- Hibisco 1 Arbusto Ásia tropical 
sinensis L. 
Malvaceae Malvaviscus arboreus| Malvavisco 5, 10 e 17] Arbusto México até 
Cav. Norte da 
América do Sul 
Ceiba speciosa (A. |Paineira-rosa |1,2,5€ 7| Árvore Brasil floresta 
St.- Hill) Ravenna semidecídua 
Marsileaceae nm Toda E Região 
Marsilea quadrifolia 1 Herbácea Eurosiberiana 
L. folhas , 
e Alpina 
Caucasiana 
Moraceae Ficus benjaminaL. — | Ficus benjamina) 5 e 7 Árvore Ásia e Oceania 
Musaceae Musa ornata Roxy. |Banana-royal |5 Herbácia | Asia 
Myrtaceae Eugenia unifloraL. | Pitangueira 5 Arvoreta Brasil 
Orchidaceae Dendrobium Sp. Orquidea 5 Herbácea 
Pandanaceae Pandanus veitchii Pândano-veitchi/9, 10 e 17l Herbácea | Polinésia 
Mast. 
Phytolaccaceae | Peliveria sp. Nigé 1 Herbácea | Américas 
Central e Sul e 
Africa 
Poaceae Cynodon daciylon | | Capim 5 Herbácea | África tropical 
(L.) Pers. 
Polypodiaceae Platycerium Chifre de veado |5 Herbácea | Java, Nova 
bifurcatum (Cav.) C. Ghiné, Austrália 
Chr. 
Pontederiaceae | Eichhornia sp Aguapé 1 Herbácea | América tropical 
Rosa chinensis var. 
Rosa tes5 Arbusto China 


Rosaceae 





semperflorens 
(Curtis) Koehne, 
R.chinensis var. 
Minima Rhd., R. 
rouletti Hort. 




















168 

















Pyracantha sp. Pyracantha 5 Arbusto Ásia oriental 
Salviniaceae Salvinia adnata Desv.| Marrequinha  |1 Herbácea | África oriental 
Verb Duranta erecta L. Pingo de ouro 1,5,8,9, | Arbusto México até 
erbenaceae 10,15 e Brasil 
16 
Duranta sp. 11 Arbusto 
Soda Alpinia purpurata a 2,9,7,8,|Herbácea | Ilhas dos 
Zingiberaceae Alpínia 
9 (Vieill.) K. Schum. R 10,11,15, mares do sul 
16e 17 


























Fonte: Os autores. 


Com relação à quantidade de espécies por área verificou-se que, em ambos os 
Campi, as áreas 1, 5, e 16 respectivamente representam primeira, segunda e terceira 
áreas com maior número de espécies. O campus 458 detém 74 espécies do total 
enquanto o campus 436 detém apenas 52 espécies. Interessante observar que 65,5 % 
do total de espécies identificadas são exóticas enquanto apenas 34,5 % são nativas 
ou de ocorrência na Brasil. A quantidade de espécies exóticas é muito alta. Nos 
escassos levantamentos de floras em universidades federais brasileiras as 
porcentagens são próximas quando comparadas com o levantamento neste trabalho. 

Eisenlohr et al. (2008) encontraram uma taxa de 68,18 % de plantas exóticas 
em levantamento da flora fanerogâmica na Universidade de Viçosa — UFV. Os autores 
atribuíram a particularidades históricas e culturais. Cupertino e Eisenlohr (2013) 
realizaram levantamento sobre ocorrência de árvores em 17 Universidades Federais 
Brasileiras. Das 599 espécies identificadas 255 (42,57 %) eram exóticas. Apenas três 
Universidades possuíam uma taxa de exóticas superior à das nativas, em seus Campi. 
Os autores atribuíram a maior taxa de espécies nativas o fato de que, na média dos 
Campi analisados, alguns estão próximos a fragmentos florestais nativos, e isso pode 
ter influenciado servindo como fonte de propágulos. 

É notório que no início do paisagismo no Brasil, desde época colonial, existia 
predominância pelas espécies exóticas (CHAMAS; MATTHES, 2000). Para os 
europeus que aqui aportavam poder encontrar residências com jardins cercando as 
casas, um padrão europeu, ajudava na aclimatação e mitigava a saudade da terra 
natal (ARAGÃO, 2008). Porém, o mais importante foi e continua sendo o 
desconhecimento do potencial paisagístico das plantas nativas brasileiras (SILVA; 
PERERLLO, 2010; DUARTE et al., 2018). Além do potencial de beleza cênica das 


169 


plantas brasileiras, o uso de espécies nativas ameaçadas de extinção deveria ser 
considerado imperativo. 

O emprego de espécies nativas nos espaços urbanos pode incorporar valores 
de conservação, principalmente quando empregados com espécies ameaçadas. 
Também pode representar custos mais baixos de instalação e manutenção, 
principalmente quando são utilizados exemplares nativos e de ocorrência próxima aos 
sítios paisagísticos (FREIRE; MUSSI-DIAS, 2019). A associação de valores de 
conservação, de educação ambiental e de incentivo da biodiversidade, propostas 
alcançáveis com o uso de espécies nativas em projetos paisagísticos, deveria ser 
regra nas Universidades Federais, principalmente em locais onde viceja cursos 
ambientais e de ciências biológicas, como no caso do Campus 458 da Unirio. 

A valorização da flora brasileira é de extrema importância, pois gera uma 
consciência de preservação dos biomas brasileiros, incentivando a pesquisa e a 
divulgação sobre as plantas nacionais e suas características (MARTINELLI; 
MORAES, 2013; COSTA et. al., 2017). No presente trabalho ocorreu a prevalência de 
espécies exóticas, evidenciando falta de projeto paisagístico/urbanístico na utilização 
da flora nativa e, dessa forma, negligenciando propostas mais conservacionistas. 

Como exemplo pode-se citar Caesalpinia echinata Lam. vulgarmente 
conhecida como pau brasil, a árvore símbolo do nosso pais. Atualmente sua madeira 
continua sendo muito utilizada para confecção de arcos de violinos, alcançando 
exorbitantes valores de mercado (SOLLITTO, 2019). Essa espécie ganhou o título de 
símbolo do Brasil porque foi responsável por um período que proporcionou muita 
riqueza à coroa portuguesa, acarretando a utilização do seu nome no território de 
origem (LORENZI, 2008; ROCHA, BARBEDO, 2008). Porém, neste trabalho, só foi 
encontrado um único exemplar da árvore símbolo do Brasil. Seria interessante adotar 
uma política em defesa da flora brasileira, aproveitando a importância dos herbários 
e a troca de informação entre eles para elaboração de trabalhos com aspectos mais 
voltados à preservação da biodiversidade, com propostas conservacionistas. 

Neste trabalho foram aferidos os hábitos de todos os vegetais. Os indivíduos 
encontrados se dispõem de diversas formas, principalmente como herbáceas. 
Enquanto algumas são rasteiras, outras possuem hábitos mais eretos. Juntas, o grupo 
de herbáceas somam 53,3 % com 48 espécies encontradas. Mas também foram 
identificadas árvores de grande porte (8,9 % do total com 08 indivíduos), arvoretas 
(3,3 % com total de três indivíduos), 23 tipos de arbustos perfazendo 25,5 %, quatro 


170 


tipos de subarbustos equivalendo a 4,4 % e quatro tipos de palmeiras, com 4,4 % do 
total de espécies encontradas (Figura 09). 

A predominância pelo hábito herbáceo pode estar relacionada ao exíguo 
espaço destinado ao paisagismo. Áreas mais extensas poderiam comportar mais 
espécies arbóreas. No Campus 458, por exemplo, a presença de cinco árvores de 
médio porte é suficiente para projetar sombra por quase toda a área de contemplação 
e translados. Dessa forma, nos canteiros sombreados, o hábito herbáceo trona-se 
mais adequado. Além disso, muitas herbáceas possuem características cênicas 
proveitosas, com folhagens amplas, muitas coloridas ou variegadas (LORENZI, 2015), 
ajudando na quebra da monotonia visual (Figuras 08 e 09). 


Figura 09: Visão geral de alguns exemplares herbáceos e inflorescências nos Campi da Unirio. a) 
canteiro na área10; b) exemplar de Punica granatum L. florida vegetando no jardim didático e com fruto 
imaturo, área 1; c) inflorescência de Musa ornata Roxb. ocorrendo na área 4. 





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Fonte: Os autores. 


171 


As espécies mais prevalentes encontradas neste estudo foram Polyscias 
guilfoylei (W. Bull.) LH Bailey, a árvore da felicidade (Figura 8B), espécie presente em 
10 das 17 áreas averiguadas seguida por Alpinia purpurata (Vieill.) K. Schum, 
popularmente chamada de Alpinia e encontrada em nove áreas. A terceira espécie 
mais prevalente foi Cordyline fruticosa (L.) A. Chev. conhecida como Dracena 
Vermelha, presente em oito das 17 áreas estudadas. Essas espécies possuem 
características chaves, pois são perenes, podem ser agrupadas formando maciços ou 
distribuídas em paliçadas, característica fundamental para dispor nos translados, 
facilitando acessos associados com beleza cênica. Além disso, essas espécies 
apresentam cores vivas ou são variegadas, como no caso da árvore da felicidade, e 
podem ser cultivadas a meia sobra (EISENLOHR et al., 2008; LORENZI, 2015). 

Nas áreas de contemplação também foi observada vegetação de folhagem 
colorida. Além disso, plantas com características marcantes aparecem com 
frequência, assim como flores em boa parte do ano. As principais encontradas, além 
das mais prevalentes, foram Agave attenuata Salm-Dyck,, Caladium sp., Codiaeum 
variegatum var. Variegatum, Duranta erecta 

L. e Musa ornata Roxb., popularmente conhecida como banana-royal. Essas 
espécies possuem características vistosas sendo utilizadas como destaque, 
principalmente a banana-royal, planta rústica e que se presta muito bem para 
formação de maciços. Suas inflorescências chamam a atenção (Figura 9C) e são 
utilizadas no preparo de arranjos florais (LORENZI, 2015). Por outro lado, 
Cheilocostus speciosus (J.Konig) C.Specht conhecida como canela-de-ema ou cana- 
do-brejo, sendo uma herbácea rizomatosa, é utilizada em jardim de sombra compondo 
maciços densos que, apesar de mais discreto, ajuda muito na composição vistosa da 
paisagem. 


6. CONCLUSÃO 

Os resultados aqui analisados apontaram carência de espaços de 
contemplação, áreas para estudantes e visitantes promoverem a sociabilização. Nas 
poucas áreas destinadas a essa função há falta de elementos que fomente a 
permanência e que promovam conforto. Essa carência pode estar relacionada à falta 
de espaço físico, e de planejamento desse espaço. Devido a esses fatores, o uso de 
Grafitismo em diversos locais, tanto nos translados quanto nas áreas de permanência, 


associados com o uso de cores chamativas, vivas, nos próprios elementos que 


172 


auxiliam na permanência pode ser reflexo da população buscando ressignificar o 
ambiente, impondo dinâmica nesses locais e aliviando monotonias. 

Um exemplo que ajuda a entender essa questão do espaço restrito foi a 
utilização de canteiros anexos ao prédio da ECB/CCET para, ali, servirem como 
material de aulas e visitas guiadas em projetos de extensão. O local fica encerrado 
entre um edifício e o acesso ao estacionamento, com calçada estreita. Porém, devido 
a proposta acadêmica, nesse local encontra-se a maior concentração de espécies, 
muitas nativas de Mata Atlântica, ajudando na diversidade. 

A vegetação encontrada pode ser classificada, de uma forma geral, como 
vegetação destaque. São diversos exemplares apresentando elementos com cores 
variadas, flores em boa parte do ano, além de espécies com folhagem variegada, 
alternando tonalidades de verde. De uma forma geral, o uso de grafite e de cores vivas 
ajudam a ressignificar esses locais, juntamente com a vegetação destaque que 


contribuem para alívio de estados de estresse, muito comum na vida hodierna. 


173 


REFERÊNCIAS 


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176 


CAPÍTULO 10 


A PRÁTICA PERICIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RJ EM AVALIAÇÃO 
AMBIENTAL: O QUESITO LOCACIONAL. 


Gabriel Santos Gonçalves 
Graduando de Gestão Pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
E-mail: gabriel1 3136Quol.com.br 


Jorge Antônio Martins 

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dr. em Engenharia de 
Transportes/COPPE/UFRJ. 

E-mail: jorgeamartins(Q gmail.com 


RESUMO: O presente artigo tem como tema o licenciamento ambiental no Brasil, mais 
especificamente o requisito legal para emissão da licença prévia, qual seja: a avaliação 
de alternativas de localização e tecnológicas. Objetivou-se investigar como tem atuado o 
Ministério Público do RJ no que concerne à avaliação locacional e tecnológica. O objeto 
de investigação constituiu-se de amostra aleatória de 51 % (26) do total de 51 casos de 
empreendimentos com processo de licenciamento ambiental junto ao Instituto Estadual 
do Ambiente (Inea) desde 2011. A metodologia de trabalho consistiu na verificação de 
ocorrência de cinco variáveis de interesse nos Estudos de Impacto Ambiental (EIAs) 
desses grandes empreendimentos que constituíam a base de dados do Ministério Público. 
Conclui-se que há tendência fortíssima de se burlar a legislação por parte dos requerentes 
de licenças ambientais no Rio de Janeiro, por indícios de imperícia do licenciador e do 
MP na análise de localização para emissão de licença prévia, dado que em 92 % dos 
casos não foi feita avaliação de alternativas e em 100 % havia vícios para induzir o 
resultado. Ao ser incapaz de agir tempestivamente na análise de alternativas de 
localização e tecnológicas, o Ministério Público deixaria de cumprir seu papel 
constitucional, ao não intermediar o conflito socioambiental. 


PALAVRAS-CHAVE: Licenciamento ambiental, Avaliação de alternativas, Ministério 
Público, Imperícia. 


ABCTRACT: The matter of this paper is environmental licensing in Brazil, more 
specifically the legal requirement for issuing the prior license, namely: evaluation of 
location and technological alternatives. The objective is to investigate how the Rio de 
Janeiro's Public Prosecution Service (PPS) has been acting with regard to locational and 
technological assessment. The research object consisted of a random sample of 51 % of 
51 cases of projects with environmental licensing process in the State Institute of 
Environment (Inea) since 2011. The methodology consisted of verifying the occurrence of 
five variables of interest in the Environmental Impact Assessment Reports (EIAs) of large 
enterprises that constituted the PPS database. It was concluded that there is a strong 
tendency to circumvent the legislation by applicants for environmental licenses in Rio de 
Janeiro, due to evidence of malpractice of the licensor and the MP in the analysis of 
location for issuance of prior license, given that in 92 % of cases no alternatives were 
evaluated and in 100 % there were biases to induce the result. Being unable to act timely 


177 


in evaluating alternatives, the Public Prosecution Service would fail to fulfill its 
constitutional role, by not mediating the socio-environmental conflict. 


KEYWORDS: Environmental licensing, Evaluation of alternatives, Public Prosecution 
Service, Malpractice. 


178 


1. INTRODUÇÃO 

O conceito de Avaliação de Impactos Ambientais surgiu na década 70, nos 
Estados Unidos com a criação da NEPA — National Environmental Policy Act, por 
conta da pressão da opinião pública acerca do tema (CARMO E SILVA, 2013). 

Fuks (2001) refere-se ao meio ambiente como um patrimônio público a ser 
protegido por conta de seu uso ser coletivo, afetando toda a sociedade. Dessa forma 
o licenciamento figura como algo essencial para garantia do bem comum. 

Carmo e Silva (2013) vão além, afirmando ser necessário avaliar também como o 
empreendimento afeta as localidades onde as pessoas habitam e os reflexos na 
maneira como elas vivem. Essa pauta tornou-se ainda mais presente no debate 
político no Brasil após os rompimentos das barragens de Mariana (MG) e Brumadinho 
(MG), tragédias que geraram grande impacto humano e ambiental, totalizando 256 
mortos, 33 desaparecidos e uma devastação de milhares de km de faixa marginal de 
proteção de rios, da serra mineira até o Oceânico Atlântico. Tragédias que decorreram 
da imperícia na atividade de análise da probabilidade de ocorrência de acidentes de 
alta gravidade em razão de dois aspectos obrigatórios, por lei: 

o As características de localização dos equipamentos (em ambos os casos, as 
barragens situavam-se acima da ocupação antrópica, de modo que o amortecimento 
da onda de rejeitos somente se daria a km de distância (no caso de Brumadinho, por 
exemplo, 220 km do local do rompimento inicial)! e 

o As características das técnicas construtivas (o método de construção das duas 
barragens — alteamento à montante — já é proibido no Chile e cada vez menos usado 
na Europa e nos Estados Unidos)”. 

De acordo com o Manual de Licenciamento Ambiental disponibilizado pelo 
Ministério de Meio Ambiente, o licenciamento ambiental é um instituto vigente pela Lei 
nº 6.938 de 31 de agosto de 1981, que instituiu a Política Nacional de Meio Ambiente, 
complementada pela Resolução Conama nº 001, de 23 de janeiro de 1986, órgão 
colegiado de caráter deliberativo e consultivo que define normas e padrões para um 
ambiente ecologicamente equilibrado e essencial para uma boa qualidade de vida. 
Essa Resolução estabelece critérios importantes para a elaboração de estudos 


! Vide: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/25/barragem-da-mineradora-vale- 
rompe-na-regiao-metropolitana-de-belo-horizonte.htm?cmpid=copiaecola 

2? Vide: htips://exame.abril.com.br/brasil/parragens-que-ruiram-em-brumadinho-e-mariana-tinham- 
modelo-ultrapassado/ 


179 


fundamentais para a preservação do ambiente e melhoria da qualidade ambiental 
como o Estudo de Impacto Ambiental — EIA e o Relatório de Impacto Ambiental — 
Rima, visto que é constituído em um mecanismo formal de consulta e participação da 
sociedade e de cooperação entre governo e sociedade quando da aprovação de 
grandes empreendimentos, que, em razão do tipo de atividade (função), do porte e da 
localização, poderiam causar impactos negativos no ambiente. 

O método de licenciamento busca promover o controle prévio das construções, 
instalações, ampliações e funcionamentos de estabelecimentos e atividades que se 
dispõem a utilizar os recursos ambientais naturais, considerados efetiva e/ou 
potencialmente poluidores, assim como os capazes, de qualquer maneira, de causar 
degradação ambiental. A Resolução Conama nº 237, de 19 de dezembro de 1997, 
estabeleceu procedimentos e normas, além de reafirmar os princípios de 
descentralização, ou seja, de maior autonomia na Política Nacional de Meio Ambiente 
e na Constituição Federal de 1988 em consonância com o caput do artigo 225 que 
dispõe: 

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as 
presentes e futuras gerações. 

Foi projetado um processo de avaliação de caráter preventivo, a fim de impedir 
um mal ou dano, que consiste no exame dos aspectos ambientais dos projetos em 
suas diferentes fases: a concepção, também chamada de planejamento; a instalação 
e a operação. Dado em etapas, o processo se caracteriza por meio de concessão das 
respectivas Licenças Prévia, de Instalação e de Operação, explicadas adiante. Além 
das licenças, o acompanhamento (ou monitoramento) das consequências ambientais 
de uma atividade econômica ou de um empreendimento também é um fator de 
extrema importância utilizado no procedimento do Licenciamento Ambiental. 

O principal objetivo do licenciamento é mostrar aos empreendedores como 
proceder com sua construção, instalação ou qualquer outra atividade de forma que 
não afete negativamente, em demasiado, o meio ambiente, para que não lhe seja 
negado o ato construtivo em si. Isto é: há que ser possível mitigar-se o impacto 
indesejado e na hipótese de não se conseguir anulá-lo — e desde que absolutamente 
necessário o empreendimento — há que se compensar o dano. Dessa forma o 
licenciamento ambiental para determinados procedimentos é um 
importante mecanismo de controle ambiental nas intervenções setoriais que possam 


180 


vir a comprometer preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental, que 

é o principal objetivo da Política Nacional de Meio Ambiente. Entende-se por definição 

de qualidade ambiental: 
A qualidade ambiental de um ecossistema expressa as condições e os 
requisitos básicos que ele detém, de natureza física, química, biológica, 
social, econômica, tecnológica e política (...) Em suma a qualidade ambiental 
é o resultado da dinâmica (1) dos mecanismos de adaptação e (2) dos 
mecanismos de autosuperação dos ecossistemas. Assim, com base na teoria 
sistêmica da evolução, a qualidade ambiental é o resultado da ação 
simultânea da necessidade e do acaso (Macedo 1991; p.14-15). 

Com a consciência ambiental crescente na sociedade, viu-se que era cada vez 
mais necessária a adoção de práticas adequadas de gerenciamento ambiental em 
quaisquer atividades que viessem a modificar, mesmo que o mínimo, o meio 
ambiente. Essa comoção fez com que o governo brasileiro sancionasse a Lei nº 6.938, 
em 1981, estabelecendo a Política Nacional do Meio Ambiente e criando o Sistema 
Nacional do Meio Ambiente — Sisnama, que contempla os fundamentos para a 
proteção do meio ambiente no país. 

Fortalecendo a Política Nacional do Meio Ambiente, a Lei nº 9.605, art. 60, 
dispõe sobre a obrigatoriedade do licenciamento ambiental em atividades que possam 
vir a degradar a qualidade do meio ambiente, e sobre as penalidades a serem 
aplicadas ao infrator. Isso faz parte do princípio da responsabilidade objetiva do 
poluidor, pois ainda que haja culpa ou não, ele é obrigado, por lei, a reparar o dano 
causado ao meio ambiente (princípio poluidor-pagador). 

A análise de alternativas locacionais e tecnológicas não é efetivamente 
considerada, via-de-regra, como aponta a consultoria Legislativa da Câmara dos 
Deputados, e como se pretende mostrar com o estudo de caso da atuação do 
Ministério Público do Rio de Janeiro. 

1.1 OBJETIVO 

O objetivo do trabalho é verificar se os empreendedores requerentes de 
licença ambiental de grandes empreendimentos e os agentes públicos, notadamente 
o Ministério Público e seu corpo técnico (Gate), cumprem, de fato, a legislação 
ambiental vigente no tocante à análise de alternativas de localização e tecnológicas 
em ElAs (Estudo de Impactos Ambientais). 

1.2 OBJETO 
Do total de 51 projetos de empreendimentos constantes da base oficial 


do Ministério Público do RJ (sítio eletrônico “Rede Ambiente Participativo” 


181 


http://rj.rap.gov.br/category/rap/) foi levantada amostra aleatória de 26 


empreendimentos analisados (51 %). Os empreendimentos consultados foram: 


Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro; 

Complexo Logístico e Industrial de Macaé; 

Terminal de Granéis Sólidos; 

Terminal Canaã; 

Gasoduto Rota 83; 

Vila Marginal Sarapuí Transbaixada; 

Central de Tratamento de Resíduos Sólidos de Três Rios; 
Obras de Dragagem do Sistema Lagunar de Jacarepaguá 
Extração de areia em Cabo Frio; 

Fazenda São Bento da Lagoa; 

Corredor Viário Transoceânica, Emissário de Efluente Domésticos, Complexo 
Hoteleiro Esportivo de Petrópolis; 

CTRI Essencis; 

CTDR Belford Roxo; 

Siderurgia Ternium; 

Readequação das linhas de escoamento do terminal Campos Elíseos/TECAM; 
Terminal Portuário Macaé; 

Alta Vila Macaé; 

Pequena Central Hidrelétrica Glicério; 

Comercial Santa Idália (Lavra de Mármore), PCH Piabanha; 
Alphaville Rio das Ostras; 

Barragem do rio Guapi-Açu; 

Reabilitação Ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas; 

Novo Autódromo Internacional do Rio de Janeiro. 

1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 


A metodologia de trabalho consistiu na análise da amostra de ElAs de grandes 


empreendimentos cujos processos de licenciamento foram acompanhados pelo 


Ministério Público. Do total de 51 EIAs disponibilizados pelo Ministério Público em seu 


sítio eletrônico, foram consultados 26, procedendo-se o fichamento desses estudos, 


notadamente quanto às seguintes variáveis de interesse: Tipologia do 


empreendimentos — urbanístico, infraestrutura, transporte e industrial; Efetiva 


182 


formulação/elaboração de alternativa de localização ou tecnológica — consiste em 
verificar se foram, de fato, consideradas alternativas de localização e de tecnologias 
ao projeto que se queria aprovar; Efetiva comparação de alternativas — consiste em 
verificar se eventuais alternativas tiveram seus desempenhos ambientais traduzidos 
por indicadores e se estes foram efetivamente comparados por análise multicritérios; 
Critérios da avaliação — consiste em verificar quais critérios (econômicos, sociais, 
ambientais, geológicos e outros) teriam sido adotados na avaliação de alternativas; 
Existência do Parecer do GATE — consiste em verificar se havia alguma avaliação 
técnica feita pelo Grupo de Apoio Técnico Especializado do MPRJ; Ocorrência de vício 
— consiste em verificar se ocorreu erro (e de que tipo) nas análises de alternativas. 


1.4 REVISÃO DA LITERATURA 
Como ato administrativo, a licença trata-se da manifestação unilateral de 


vontade da administração pública, motivada pelo interessado imediato, de modificar, 
extinguir, resguardar ou declarar direitos, impor obrigações aos administrados ou a si 
própria. A licença é concedida pelo órgão ambiental competente que estabelece 
condições e modificações de controle ambiental que devem ser obedecidas pelo 
empreendedor. De acordo com o Caderno de Licenciamento Ambiental do Ministério 
do Meio Ambiente — MMA (2009) as regras estabelecidas pelo Decreto 99.274/90, que 
regulamenta a Lei 6.938/81, e detalhadas na Resolução Conama no 237/97, cada fase 
do empreendimento (planejamento, instalação e operação) tem a sua licença 
específica, sendo elas, respectivamente, as licenças prévia, de instalação e de 
operação 

A Licença Prévia é concedida ainda na fase preliminar do empreendimento. 
Nela são discutidas as análises de alternativas locacionais e tecnológicas, além de 
estabelecer os requisitos básicos, ressaltando-os para que sejam atendidos nas 
próximas fases da implementação. A Licença de Instalação, como o nome mesmo diz, 
é a licença que autoriza a instalação do empreendimento, aprovando o projeto e suas 
medidas gerais de controle ambiental. Por fim, a Licença de Operação autoriza a 
operação da atividade, contanto que se tenha cumprido com todos os requisitos das 
licenças anteriores e de controle ambiental. A concessão da licença prévia não 
necessariamente condiciona a concessão da licença de instalação assim como esta 
não condiciona a concessão da licença de operação, podendo o projeto ser suspenso 
pelo órgão licenciador ou pelo MP em qualquer fase do processo de licenciamento. 


183 


As licenças para atividades ou empreendimentos potencialmente poluidores 
ficam vinculadas à verificação prévia de eventuais impactos ambientais, através da 
realização de Estudos de Impactos Ambientais (EIA), que se caracterizam como um 
conjunto de aspectos ambientais - meio físico (ar, água, solo), meio biológico (biota - 
fauna e flora), meio antrópico (econômico, social e político-institucional) - estudados 
por especialistas de diversas formações (multidisciplinaridade), detalhando como o 
projeto influencia e interage com o meio ambiente, seus prováveis impactos positivos 
e negativos, diretos e indiretos, imediatos, de médio e a longo prazo, sua 
reversibilidade, e não apenas para o projeto que se quer aprovar, mas também 
para alternativas locacionais e tecnológicas do empreendimento, considerando, 
ainda, a hipótese de não ser construído ou implantado projeto algum. 

O Relatório de Impacto Ambiental - Rima deve ser apresentado de uma forma 
objetiva e com uma linguagem clara e de fácil compreensão, com imagens e gráficos 
para que se torne possível entender as vantagens e desvantagens do projeto e suas 
consequências para o meio ambiente. Devem constar no Relatório: os objetivos do 
projeto e suas justificativas, as análises de alternativas juntamente com sua descrição 
de prováveis impactos, a caracterização da qualidade ambiental futura e 
recomendação quanto a alternativa mais favorável. Por fim, o processo de 
licenciamento deve ser discutido por meio das audiências públicas obrigatórias. 

Entretanto, as decisões políticas que envolvem o processo de licenciamento 
sofrem influências diversas, de modo que nem sempre prevalece o interesse público, 
como advertem Carmo e Silva (2013, pág 3.): 


No campo ambiental, a produção dos pontos que pautam essa agenda 
pública é também, portanto, atravessada por múltiplas demandas que nem 
sempre são relativas ao meio ambiente, mas à dinâmica do capital que 
orienta a lógica social na contemporaneidade. 


Os atores envolvidos no processo de licenciamento ambiental encontram-se 
em desequilíbrio de poder na tomada de decisões. Para autores diversos — TRAJANO, 
2010; CARMO e SILVA, 2013; e, em especial, até mesmo para a consultoria jurídica 
em matéria de Direito Ambiental do Senado (JURAS, 2013) — no Brasil a regra geral 
no processo de licenciamento ambiental é apenas conceder mera autorização para 
um projeto que já foi aprovado em todos os seus detalhes nas instâncias políticas, 
não se levando em consideração os aspectos ambientais do estudo efetivamente para 


184 


se tomar a decisão sobre onde localizá-lo. Por isso é necessário verificar o papel dos 
agentes responsáveis pela concessão da licença ambiental. 

Martins, Chacur e Nunes (2016), por exemplo, demonstraram em artigo 
premiado pela Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE) que no 
licenciamento do Porto Maravilha/Rio de Janeiro, as informações e dados para 
tomada de decisão foram recolhidos e utilizados não para alimentarem uma 
abordagem racional para avaliação das melhores alternativas, mas para o 
monitoramento dos diversos interesses, visando compreender o jogo de poder como 
estratégia para dar sustentação à coalizão de forças que se formou em torno da 
alternativa que interessava ao grupo de investidores da campanha do prefeito eleito 
aprovar e implantar. 

Esse cenário foi danoso ao interesse público, pois produziu uma “barganha 
política” que conciliou o “mínimo aceitável” para a sociedade civil e o “máximo de 
ganho marginal” aos interesses de atores privados. 

Agora, seis anos depois, vem à tona tanto a inviabilidade financeira de 
empreendimentos vinculados e essenciais à viabilidade urbanística do Porto 
Maravilha (o VLT, por exemplo), assim como denúncia da Operação Lava Jato sobre 
a participação de agentes públicos do MP na tomada de decisões que foram 
fundamentais para a manutenção de esquemas de corrupção envolvendo os governos 
federal, estadual e municipal. No que concerne ao primeiro aspecto (a inviabilidade 
financeira do VLT), comprovou-se no caso do Porto Maravilha o que já avisavam 
Martins, Chacur e Nunes (2016) ao argumentarem sobre o ônus do financiamento de 
grandes projetos estruturadores do espaço urbano — como a Operação Urbana 
Consorciada (OUC), inclusive de eventuais medidas mitigadoras e compensatórias — 
caber exclusivamente a quem se beneficia dos investimentos arrecadados, pois se 
não fosse assim implicaria na subversão da finalidade da política urbana de 
diminuição da segregação sócio espacial, que tenderia a aumentar, se os 
investimentos arrecadados para financiamento do plano urbanístico fossem investidos 
com exclusividade na própria área, mas os custos das medidas mitigatórias arcados 


pelo contribuinte em geral. 


3 O termo “barganha política” não tem conotação negativa ou ilegítima; refere-se a um dos modelos 
tradicionais de tomada de decisão na literatura administrativa, conforme ensina D. MEYER, Michael; 
J. MILLER, Eric. URBAN TRANSPORTATION PLANNING: A DECISION-ORIENTED APPROACH. 
New York, NY: McGraw-Hill, 1984. 524p. 


185 


O argumento de Martins, Chacur e Nunes (2016) é corroborado por Saule 
Júnior (2004), que considera indispensável, para que o instituto da OUC possa 
atender as diretrizes da política urbana, que o conceito de área de intervenção seja 
elástico o suficiente para incluir a concepção das OUC em “área descontinuada” como 
estratégia de compensação. 

Pois aquele evento do Porto Maravilha, no qual o Ministério Público teria 
atuado com imperícia na avaliação de alternativas de localização e de tecnologias 
serviu para os autores como evento sentinela a justificar verificar se aquele caso podia 


ser considerado típico ou não da atuação do Ministério Público. 


2. ANÁLISE 

Quanto ao tipo de empreendimento: Dos 26 projetos analisados, 2 (8 %) eram 
do tipo transporte, 2 (8 %) do tipo industrial, 5 (19 %) do tipo urbanístico e 17 (65 %) 
de infraestrutura. 

Quanto à existência de efetivas alternativas: Pode-se perceber de maneira 
clara que há uma tendência de se fugir do propósito principal do Estudo de Impacto 
Ambiental, que é a análise de alternativas locacionais e tecnológicas. Do total da 
amostra de 26 casos, em 11 tratava-se de única proposta, cerca de 42 % -percentual 
alarmante. Dos casos restantes, aproximadamente 7,7% (2) fizeram alguma 
avaliação de alternativas (Corredor Viário Transoceânico e Readequação das linhas 
de escoamento do terminal Campos Elíseos/TECAM), porém nenhum considerou o 
aspecto ambiental como suporte à tomada de decisões (o primeiro optou pela 
alternativa mais econômica e o segundo apresentou duas alternativas inviáveis para 
induzir o licenciador a optar pela única alternativa viável apresentada pelo requerente). 
Os outros 13 casos não apresentaram alternativas efetivas porque em todos eles os 
requerentes realizaram um descarte prévio de alternativas apenas citadas para 
“justificar as escolhas” das localizações dos empreendimentos. 

Quanto à efetiva comparação de alternativas: Dos 26 projetos analisados, em 
24 (92 %) não houve uma avaliação comparada de forma coerente nem eficaz, sendo 
constatada em apenas 2 casos (8 %), Corredor Viário Transoceânico e Readequação 
das Linhas de Escoamento do Terminal Campos Elíseos/TECAM, avaliações essas 
que foram induzidas pelo requerente. Na primeira foram usados como suporte à 


tomada de decisão critérios econômicos e na última foram apresentadas duas 


186 


alternativas ambiental e juridicamente inviáveis de forma que a única área possível foi 
a que havia sido previamente escolhida pela Petrobras. 

Quanto aos critérios de avaliação: Dos 26 ElAs da amostra, 10 (38 % 
aproximadamente) não apresentaram qualquer critério de avaliação, nos outros 16 os 
“critérios” citados foram: Ambientais (15); Econômicos (9); Sociais (7); Comerciais (2); 
Logísticos (1); Jurídicos (1); Esportivos (1); Infraestruturais (2). 

Exemplos: 

e No Loteamento Alta Vila, em Macaé, o critério adotado foi distância do 
empreendimento em relação à sede da prefeitura; 

e No Terminal Portuário Macaé, o critério adotado foi logístico; 

e No Complexo Hoteleiro de Petrópolis, os critérios adotados foram esportivos e 
turísticos; 

e No Terminal Canaã (Construção de um terminal portuário petroquímico), foram 
analisados apenas alguns aspectos tecnológicos do projeto de maneira a tirar o foco 
da análise de alternativas locacionais que não foram realizadas no EIA; 

e No Terminal de Granéis Sólidos (Expansão da capacidade do terminal de 
Granéis Sólidos de Itaguaí), foram analisados apenas alguns aspectos tecnológicos 
do processo sem objetividade ou pontuação comparada; 

e Nas Obras de Dragagem do Sistema Lagunar de Jacarepaguá foram 
considerados apenas os aspectos técnicos da dragagem não dando foco aos 
impactos ambientais e socioeconômicos que a realização do projeto causaria. 

De todos os critérios citados nos projetos avaliados, apenas estão previstos na 
legislação como critérios de suporte a tomada de decisão, o critério ambiental e o 
social sendo todos os outros estranhos à legislação ambiental que regula o conteúdo 
do EIA e do Rima. 

2.1 QUANTO À ATUAÇÃO DO GATE/MPRJ (GRUPO DE APOIO TÉCNICO 
ESPECIALIZADO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RJ) 

Aparentemente o GATE/MPRyJ, na maioria dos casos, não atuou, apenas emitiu 
parecer em oito casos do total de 26 analisados (31 % da amostra). Contudo não foi 
possível verificar se essa aparente omissão foi do GAEMA (Grupo de Apoio 
Especializado em Meio Ambiente que atua subsidiariamente ao promotor natural nos 
casos de maior complexidade), dos promotores naturais, da coordenação do GATE, 


187 


da secretaria ou da equipe técnica, ou se foi decorrente de falhas de comunicação 
entre esses agentes. 

Há indícios de que relatórios do GATE parecem não ter convencido o Inea e o 
promotor natural a pedir a suspensão da licença prévia, de tal forma que de todos os 
26 que continham alguma irregularidade, apenas 2 processos de licenciamento foram 
indeferidos, a saber: O CTRI (Central de Tratamento de Resíduos Industriais) 
Essencis, sendo que o pedido de licença foi indeferido por estar completamente dentro 
da APA (Área de Proteção Ambiental) de Alto Iguaçu em Duque de Caxias e em uma 
região de solo arenoso argiloso (solo permeável) e; Um projeto que previa a 
construção de um complexo turístico residencial na Fazenda São Bento da Lagoa na 
APA Maricá foi suspenso por decisão do Superior Tribunal de Justiça do Rio de 
Janeiro, baseando-se em parecer técnico do GATE. 

2.2 QUANTO AOS TIPOS DE VÍCIOS 

Em 24 casos (92 %) foi constatado algum tipo de vício sendo os mais comuns: 
Descarte prévio de alternativas pelo requerente (13 casos, 50 %); Metodologias de 
avaliação incoerentes ou incompletas (14 casos, 54 %); Ausência de metodologia de 
avaliação (12 casos, 46 %); Apresentação de apenas uma alternativa seja ele 
tecnológica ou locacional (11 casos, 42 %); Utilização de critérios de avaliação não 
previstos na legislação (4 casos, 15 %). 


Portanto, há casos em que se verificam pelo menos dois vícios. 


3. CONCLUSÕES 
Em um panorama geral da análise da amostra de 26 EIAs que instruíram 
processos de licenciamento de grandes empreendimentos, contatou-se que: 
e Em oito foram realizadas, no total, 12 audiências públicas (média de 1,5 
audiências por caso); 
e Em dezoito não foram apresentadas atas comprovando existência de 
audiências; 
e 24 empreendimentos (92 %) foram aprovados em desacordo com a legislação, 
isto é, negligenciando-se a análise de efetivas alternativas; 
e Somente em dois casos houve aparentemente avaliação de alternativas de 
localização. 
Nos 92% dos casos em que foram constatados vícios, estes foram 
principalmente dos seguintes tipos: Descarte prévio de alternativas pelo requerente 


188 


(DO % dos casos); Metodologias de avaliação incoerentes ou incompletas (54 %); 
Ausência de metodologia de avaliação (46 %); Apresentação de apenas uma 
alternativa seja ele tecnológica ou locacional (42 %); Utilização de critérios de 
avaliação não previstos na legislação (15 %). 

Concluiu-se que há tendência fortíssima de se burlar a legislação por parte dos 
requerentes de licenças ambientais no Rio de Janeiro, por indícios de imperícia do 
Ministério Público para emissão de licença prévia, que deixa de apontar que os ElAs 
desconsideraram efetivamente a avaliação de alternativas tecnológicas e 
de localização. 

Entende-se que a importância da pesquisa realizada, cujos resultados estão 
sendo apresentados neste artigo, esteja na constatação de que ao ser incapaz de agir 
tempestivamente na análise de alternativas de localização e tecnológicas, o Ministério 
Público deixaria de cumprir sua finalidade, ao não atuar a contento no seu papel de 
fiscal da lei e defensor da sociedade, não mediando efetivamente conflitos 
socioambientais, visto ser a atuação do parquet no licenciamento ambiental a última 


oportunidade que tem a sociedade de evitar preventivamente o dano ambiental. 


189 


REFERÊNCIAS 


AGRA FILHO, S. S. Conflitos ambientais e os instrumentos da Política Nacional de 
Meio Ambiente. 2008. Disponível em: 
http:/Avww unisantos.br/mestrado/gestao/egesta/artigos/149.pdf. Acessado em: 23/09/2019. 


BRASIL. Constituição Federal, 1988. Disponível em: 
<http:/Avww .planalto.gov.br/ccivil 03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm> Site da 
presidência da República Acessado em: 23/09/2019 


CARMO, Aline Borges do; SILVA, Alessandro Soares da. Licenciamento ambiental federal 
no Brasil: perspectiva histórica, poder e tomada de decisão em um campo em 

tensão. Confins. [online], 2013. Disponível em: 
https://journals.openedition.org/confins/8555?lang=pt. Acesso em: 24 Set. 2019. 


FUKS, Mário. Conflitos ambientais no Rio de Janeiro: ação e debate nas arenas públicas 
do Rio de Janeiro. 12. ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2001. 


JURAS, 1.A.G.M. (2013). Legislação Federal Brasileira e Norte americana sobre a 
Avaliação de Impacto Ambiental. Consultoria Legislativa. Brasília: Câmara dos 
Deputados. 


MARTINS, Jorge Antônio; CHACUR, Matheus Rocha Pitta; NUNES, Nina Lys de 

Abreu. Tomada de Decisão no Licenciamento Ambiental da OUC Porto Maravilha/ RJ Sob a 
Ótica da Avaliação Estratégica e da Análise Hierárquica Multicritério. EARL, Universidade 
Católica de Brasília . Brasília, 2016. Disponível em: 
https://portalrevistas.ucb.br/index.php/EALR/article/view/6441/pdf. Acesso em: 24 Set. 2019. 


MAZETTO, F. DE A. P. Qualidade de vida, qualidade ambiental e meio ambiente urbano: 
breve comparação de conceitos. Sociedade & Natureza, v. 12, n. 24, 15 dez. 2014. 


MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE - MMA. Caderno de Licenciamento Ambiental — 2 ed. 
Brasília, 2009. 


MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO. Rede Ambiente Participativo -RAP, 
Projetos <http://rj.rap.gov.br/category/rap/>. 


SÁNCHEZ, Luis Enrique. AVALIAÇÃO AMBIENTAL ESTRATÉGICA E SUA APLICAÇÃO 
NO BRASIL. Instituto de Estudos Avançandos. São Paulo, 2008. Disponível 
em:< http://www .iea.usp.br/publicacoes/textos/aaeartigo.pdf.> Acesso em: 24 Set. 2019. 


ZHOURI, Andréa; LASCHFESKI, Klemens . GESTA UFMG. Belo 

Horizonte, 2010. Disponível em: <http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/Awp- 
content/uploads/2014/04/ZHOURI LASCHEFSKI - Conflitos Ambientais.pdf>. Acesso 
em: 24 Set. 2019. 


190 


CAPÍTULO 11 


ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DA PESQUISA EM ENGENHARIA DE TRANSPORTES. 


Ercilia de Stefano 

Doutora em Engenharia de Transportes — UFRJ — COPPE — PET Professora 
Adjunta UFF 

Endereço: Rua Domingos Silvério, 01 — Petrópolis — RJ 

E-mail: erciliaDufr).br 


Fátima Regina Neves Lima 

Mestre em Engenharia Civil - UFRJ — COPPE Professora Subtituta UFF 
Endereço: Rua Domingos Silvério, 01 — Petrópolis — RJ 

E-mail: engfatimalima(O gmail.com 


Fernanda Santana de Paulo 

Mestre em Agronomia - UFRRJ Professora Subtituta UFF 
Endereço: Rua Domingos Silvério, 01 — Petrópolis — RJ 
E-mail: nandasibyllaGdyahoo.com.br 


Gabriela Fllgueiras Valadão Borges 

Graduando em Engenharia de Produção - UFF 
Endereço: Rua Domingos Silvério, 01 — Petrópolis — RJ 
E-mail: gborges.engenharia(dgmail.com 


Giovane Hammes Vieira 

Graduando em Engenharia de Produção - UFF 
Endereço: Rua Domingos Silvério, 01 — Petrópolis — RJ 
E-mail: giovanehammes93Ogmail.com 


RESUMO: Este estudo realiza uma análise da evolução da pesquisa em Engenharia 
de Transportes. Mais de oito mil artigos publicados por um periódico, ao longo de 
quase 50 anos, foram analisados sob os aspectos da medição de produção científica, 
da identificação do conhecimento em publicações; o acompanhamento de tendências 
e evolução na pesquisa. Para realizar os estudos bibliométricos, informétricos e 
cienciométricos aqui apresentados, foi desenvolvido um software especialista, que é 
também capaz de analisar, de forma semelhante, outras publicações científicas. O 
software utiliza técnicas de inteligência artificial, processamento de linguagem natural 
(PLN), grafos, dentre outros recursos. 


PALAVRAS-CHAVE: Cienciometria; Processamento de Linguagem Natural; 
Bibliometria; Engenharia de Transporte. 


191 


ABSTRACT: This study is an analysis of the evolution of the research in Transport 
Engineering. More than eight thousand articles published in a period of almost 50 years 
were analyzed to identify metrics of scientific production, creation of new knowledge 
and the rise and fall of trends in the studied. To carry outthe bibliometric, computational 
and scientometric studies presented in this paper, a specialized software was 
developed, which is also capable of analyzing other scientific publications. The 
software uses techniques of artificial intelligence, natural language processing (NLP) 
and presents the results using graphs and charis. 


KEYWORDS: Scientometrics; Natural Language Processing; Bibliometrics; 
Transport Engineering. 


192 


1. INTRODUÇÃO 

A trajetória das pesquisas na área da engenharia de transportes pode ser 
descrita por uma análise detalhada de publicações ao longo do tempo? Este artigo 
tem o objetivo de responder essa questão. Apresenta uma síntese do estudo 
realizado, onde analisou-se os mais de oito mil artigos publicados, sob os aspectos 
da medição de produção científica, da identificação do conhecimento em publicações 
e o acompanhamento de tendências e evolução na pesquisa (de STEFANO, 2016). 
Para realizar os estudos bibliométricos, informétricos e cienciométricos foi 
desenvolvido um software especialista (de STEFANO, et al., 2016), que é também 
capaz de analisar, de forma semelhante, outras publicações científicas. 

A principal contribuição deste artigo é apresentar uma trajetória das pesquisas 
científicas na área de Engenharia de Transportes, a partir de um estudo científico 
estruturado com fundamentos na cienciometria, informetria e bibliometria, bem como 
descrever os passos para a criação do software e do data mining utilizado para realizar 
os estudos. Para se alcançar os resultados esperados foi selecionado o periódico 
Transportation Research (Transportation Research, 2015) como fonte dos dados, por 
ser uma das revistas mais tradicionais na área de transportes, e que apresenta uma 


grande diversidade e abrangência de temas. 


2. ETAPAS PARA A CRIAÇÃO DO SOFTWARE E DATA MINING 

A criação de um software especialista teve como objetivo automatizar o estudo 
cienciométrico, informétrico e bibliométrico de um grande volume de dados (big data), 
aplicando técnicas de inteligência artificial (RUSSEL, et al., 2004), processamento de 
linguagem natural e data mining. A seguir apresenta-se as etapas realizadas para a 
elaboração e construção do software e do data mining. 

Para iniciar a construção da base de dados, primeiramente fez-se necessária 
a obtenção de todos os artigos da revista Transportation Research. Para isso, a 
primeira etapa realizada foi o download de mais de doze mil documentos. Realizar 
essa tarefa manualmente seria praticamente impossível, logo, utilizou-se a técnica 
Web Scraping (colheita web ou extração de dados da web), que permite a extração 
de informações de sites web usando um bot ou web crawler, técnica essa adotada 
pela maioria dos robôs de busca. Web Scraping é muito eficiente para simular a 


navegação humana. 


193 


Após a realização de uma análise prévia, descartou-se em torno de 28 % do 
total dos arquivos baixados, pois tratavam de informativos diversos, índices e listas de 
editores. A segunda etapa realizada foi a conversão dos arquivos válidos do formato 
PDF para o formato TXT, para permitir a análise de conteúdo para a criação do banco 
de dados inteligente. 

Na sequência realizou-se o emprego do processamento de linguagem natural. 
O processamento de linguagem natural consiste na aplicação de métodos e técnicas 
que possibilitem ao computador extrair a semântica da linguagem humana, que pode 
ser expressa em textos, como no presente caso, ou em voz (YUE, et al., 2012). Em 
síntese, o PLN também pode ser visto como “(...) o desenvolvimento de paradigmas 
ou algoritmos que requeiram máquinas para realizar tarefas cognitivas, para as quais 
os humanos são habitualmente melhores” (SAGE, 1990). 

O significado das palavras e seus agrupamentos etimológicos estão presentes 
em todos os níveis de análise e em banco de dados; e o estudo de sua dinâmica de 
frequência e distribuição é relativamente fácil com a ajuda computacional 
(BJÓRNEBORN e INGWERSEN, 2004). O WordNet (Princenton University, 2015) foi 
utilizado para classificar as palavras encontradas nos artigos em substantivos, verbos, 
adjetivos e advérbios e as agrupou em conjuntos de sinônimos cognitivos, e estes 
conjuntos são interligados por meio de relações lexicais. O WordNet vai além, e 
estabelece também relações conceituais-semânticas. A realização desta análise 
léxica é de fundamental importância para a criação do data mining. 

Na sequência inicia-se o emprego da técnica de tokenization, para “quebrar” 
fluxos de texto em palavras, frases, símbolos ou outros elementos significativos 
denominados tokens (JURISH e WURZNER, 2013). Detectar os limites dos tokens e 
frases é uma etapa de pré- processamento importante. Os principais desafios da 
tarefa são eliminar as ambiguidades de conjugações verbais, por exemplo, bem como 
identificar classes gramaticais não relevantes para a aplicação (JURISH e WURZNER, 
2013). O software MetrlA utiliza os critérios definidos por Leydesdorff e Milojevic 
(2013), para criação dos tokens. 

Ainda com emprego do WordNet, outro passo realizado na sequência consiste 
em categorizar os tokens pelo critério part-of-speech, ou seja, identificar uma 
categoria de palavras, ou genericamente, da função gramatical que cada token exerce 
dentro da frase. Palavras que são atribuídas às mesmas part-of-speech geralmente 


apresentam comportamento semelhante em termos de sintaxe, e desempenham 


194 


funções semelhantes dentro da estrutura gramatical das sentenças e, por vezes, em 
termos de morfologia, em que sofrem inflexão para palavras semelhantes. Vale 
destacar que a semelhança semântica, também muito útil para a seleção com 
qualidade das palavras, é um conceito pelo qual uma métrica é dada aos grupos de 
termos ou documentos baseados na similitude de seus significados (FURLAN, et al., 
2013). A classificação por semelhança semântica realizada pelo software Wordnet 
agrupou palavras semelhantes de grafia e de significado. 

A seguir foi realizada a remoção das denominadas stop words (palavras muitos 
comuns que servem apenas para apoio gramatical, como por exemplo: e, ou, a, isto, 
este, etc.) do texto. Cada idioma possui uma série de palavras que podem ser 
consideradas stop words de acordo com o contexto. 

Na sequência, o algoritmo de term frequency-inverse document frequency (tf- 
idf) foi utilizado para verificar o quão importante é a palavra em um determinado 
documento (HONG, et al., 2013). Este algoritmo permite classificar os termos por 
relevância, dada a consulta de um usuário, e permite identificar os principais temas 
abordados na publicação (AIZAWA, 2003). O estudo da relevância tem como objetivo 
verificar se ler apenas o resumo é válido para se conhecer o conteúdo de um artigo. 
O outro estudo é uma análise inter-publicações, ou seja, objetiva-se localizar e listar 
as 10 publicações mais semelhantes ao artigo indicado pelo usuário. 

Essa similaridade é muito útil, pois indica ao pesquisador/leitor quais outros 
textos são similares por conteúdo, facilitando a pesquisa por artigos em uma base tão 
volumosa como a que foi criada para esse estudo. Para isso realizou-se O 
mapeamento da interseção de tokens idênticos entre os textos e também da totalidade 
de tokens, através da utilização do conceito da similaridade de Jaccard, que determina 
a similaridade entre dois conjuntos (LESKOVEC, et al., 2014). 

Após essa etapa, inicia-se então a mineração de dados ou data mining, técnica 
essa utilizada para executar a extração de conhecimento utilizável de grandes 
conjuntos de dados (HONG, et al., 2013), envolvendo métodos de inteligência artificial, 
aprendizado de máquina, estatísticas e sistemas de banco de dados (BRINN, et al., 
2000). Vale destacar que data mining é um importante processo empregado para 
descobrir informações ocultas e potencialmente útil em grandes bases de dados 
(AGGARWAL et al., 2012). 

A mineração de texto, text mining, também utilizada no software desenvolvido, 


é uma extensão da mineração de dados e tem como objetivo encontrar modelos úteis, 


195 


tendências, padrões ou regras em dados textuais não estruturados (HEA, et al., 2013), 
como as publicações da Transportation Research. 

Realizadas todas as etapas, obteve-se o banco de dados. O fluxograma a 
seguir retrata de modo esquematizado os passos realizados para a obtenção do 
banco de dados, que foi descrito nesta seção. (Figura 01). 


Figura 01: Fluxograma para obtenção do banco de dados. 


Para cada item encontrado, consultar API 
da Elsevier para obter dados básicos sobre 


o texto (título, autores, ano, fonte, citações 
e resumo. 


Para cada item encontrado, baixar 
publicação. 
Converter PDF para 
TXT 
Calcular similaridade 
entre resumo e texto qa 
completo 


Banco de 
Dados 






Acessar lista de artigos da 


Elsevier publicados em uma 


dada revista 





MetriA 
Consultas no conjunto de 


documentos, revistas, 
artigos, textos e termos 





Fonte: Os autores. 


Com o data mining criado, iniciou-se elaboração das telas de consulta do 
software, gráficos, tabela e relatórios conforme as necessidades de apresentação dos 
estudos. Para esta etapa formam empregadas técnicas convencionais de 


programação para ambiente Web. 


196 


3. ANÁLISES REALIZADAS 

Na análise por publicações apresenta-se a similaridade, uma variável criada 
para avaliar quanto o corpo do texto da publicação é similar ao seu próprio resumo. 
Calculada pelo algoritmo TF-IDF, apresenta variação de 0,1, dentro do intervalo entre 
O e 1, sendo O nada similar e 1 sendo 100% similar, ou seja, quanto maior o índice 
apresentado, maior a semelhança entre texto e resumo. 

Nesta mesma análise apresenta-se os dez artigos mais similares um artigo 
selecionado, do ponto de vista de seu conteúdo, indicando referências para o 
pesquisador. O software faz o estudo comparativo de similaridade sem se limitar às 
revistas do periódico selecionado, aumentando a diversidade de artigos analisados. 
Exibe-se ainda os 10 termos de maior relevância no abstract e os 10 termos de maior 
relevância no texto completo de cada artigo, exibindo os respectivos TF-IDF. E 
finalmente, exibe-se as citações do artigo selecionado e o total, conforme visualizado 
abaixo (Figura 02). 


Figura 02 —Termos mais frequentes no resumo e corpo do texto (tabela 01), e na tabela 02 apresentam- 
se as citações. 


Abstract Texto Completo Autor(es) Título Fonte 
Termo tf-idf Termo tf-idf M. Batty Urban Modelling Cambridge Univ. 
Press, Cambridge, 
transport 1:22 transport 3.62 MA (1976) 
problem 0.92 urban 2.49 DA. Urban transport planning—The changing 'Socio-Econ. Plan. 
Hensher emphasis Sci., 13 (1979), pp. = 
scientific 0.61 theses 2.27 95-104 
changes 0.61 planning 1.96 BG. Urban transport policy and policy analysis Transp. Rev., 1 
Hutchinson methods (1981), pp. 169—- 
paradigm 0.61 research 1.87 186 
research 0.61 modelling 1.56 P.M. Jones A New Approach to Understanding Travel Ph.D. thesis, 
nited 061 auinber 132 Behaviour and its Implications for Imperial College, 
a É E É Transportation Planning London (1984) 
qERsEa no problem Res T.S. Kuhn The Structure of Scientific Revolutions University of 
Chirann Press a 
1981 0.3 main 1.23 
activity 03 subject 147 


Fonte: Os autores. 


Na análise por autores, o estudo bibliométrico resulta em uma tabela 
decrescente do nome dos pesquisadores que mais publicaram na revista 
Transportation Research. Na sequência exibe-se os 10 autores que mais publicaram 


na revista, e o total de publicações (Figura 03). 


197 


Figura 03 — Autores que mais publicaram na Revista Transportation Research. 


Total de Publicações Autor 
98 Yang, Hai 
97 Hensher, David A 
87 Gudmundsson, Sveinn 
78 Daganzo, Carlos F 
70 Bhat, Chandra 
65 Sheu, Jiuh-Biing 
65 Cassidy, Michael J 
64 Lam, William H.K 
53 Meng, Qiang 
48 Wong, S.C€ 
Primeira | << 2/3/4 5/6 / 7/8 9/10 >> | Última 


Fonte: Os autores. 


A análise bibliométrica apresenta o pesquisador com o maior número de 
publicações, Hai Yang, professor titular do departamento de Engenharia Civil na 
Universidade de Hong Kong, com 98 artigos publicados. Uma análise em suas 
publicações demonstra que elas abrangem diversas áreas e aplicações da 
Engenharia de Transporte, não havendo, portanto, um padrão na temática de 
seus textos. Os 10 autores analisados perfazem juntos 0,08 % dos autores que 
publicaram na revista Transportation Research, e são responsáveis por publicarem 
8,84 % dos artigos, ou seja, quase 10 % do total. O estudo mostrou que são 12.716 
autores distintos no período analisado que publicaram na referida revista. 

É possível selecionar um autor e visualizar todas suas publicações. É 
apresentado o total de artigos do autor, e subtotais anuais, a média de similaridade 
de seus artigos/resumos, termos mais relevantes de suas publicações, bem como as 
áreas temáticas de interesse do referido pesquisador. Assim é possível identificar 
outro(s) autor(es) que publicam temáticas semelhantes. Permite identificar assim 
outros artigos que possam ser de interesse, e propicia oportunidade de se estabelecer 
trabalhos de cooperação e parcerias com autores afins. 

Outra análise realizada é por termo (palavra), sendo a consulta pode ser de 
único termo ou de todo o conjunto de termos catalogados pelo software. É possível a 
análise da variação de ocorrência dos termos, tanto por relevância quanto pelo 
número de ocorrências (frequência). A principal diferença dentre as duas 


classificações é que a ocorrência por relevância só registra a ocorrência do termo 


198 


quando ele é de fato significativo dentro da publicação analisada. Já a análise por 
frequência é a computada pela simples aparição do termo no trabalho publicado, 
sendo que neste caso não se avalia a relevância do termo para o artigo. 

Como exemplo de consulta de relevância, a palavra emission apresenta 127 
ocorrências significativas, sendo sua primeira ocorrência foi em 1992, sendo 
constantes desde o ano de 1997. Pode-se inferir que o aumento da ocorrência da 
palavra emission nas publicações retrata a preocupação dos pesquisadores com as 
temáticas atuais, que visam fomentar ações efetivas para redução de emissão de 
poluentes. Tratados internacionais de redução de emissão de poluentes, como por 
exemplo a ECO-92, Protocolo de Kyoto (1997), Rio+10 (2002), bem como políticas 
internas e ambientalistas buscam soluções para minimizar e reduzir os impactos da 
poluição, e as publicações acompanham essa tendência. 

Os termos de maior relevância da Revista Transportation Research no período 
analisado são: transporte, pesquisa, modelo, viagem, tráfego, veículo, custo e redes. 
Os dois termos de maior frequência, transportation e research, são a temática e o 
título da revista, por isso justifica-se sua maior frequência. A seguir apresenta-se a 


tabela 01 com termos de maior frequência: 


Tabela 01 — Listagem dos termos de maior frequência. 


Frequência do termo Termo 
8391 transportation 
8374 research 
8343 time 

7907 analysis 
7729 model 
7727 paper 
7715 case 

7624 university 
7471 data 

7426 study 

7319 set 

6927 system 
6664 information 
6638 point 

6555 terms 


Fonte: Os autores. 


199 


Grafos foram também utilizados nas análises de dados. Para realizar essas 
análises subdividiu-se os artigos por períodos de 5 anos, e foram formatados em nós 
compostos pelas dez palavras mais relevantes de cada texto, de acordo com a 
classificação do TF-IDF. As arestas entre os nós contabilizam a relação de vizinhança 
com outras palavras no mesmo texto. O peso de uma aresta foi definido pela 
quantidade de vezes que uma relação de vizinhança foi identificada. O grau de um nó 
é a quantidade de arestas relacionadas aquele contabilizadas (BOAVENTURA 
NETO, 2003). 

Neste estudo, a distribuição dos nós no grafo foi realizada com o algoritmo 
Force Atlas. Para facilitar a identificação de agrupamentos em cada grafo foi utilizado 
cálculo de classe de modularidade. Este cálculo utiliza o algoritmo Louvian que 
identifica grupos de comunidades. Cada comunidade é identificada por uma cor 
distinta. Em cada aresta também foi registrada a data da relação, de modo a permitir 
a filtragem por período histórico e a revista em que a aresta ocorreu. 

Observa-se nos grafos que quanto maior é o círculo onde encontra-se o termo, 
comparado aos demais, maior sua relevância dentro da totalidade de publicações no 
período determinado. As diferentes cores indicam a modularidade, que é uma medida 
da estrutura das redes. A modularidade mede a força da divisão de uma rede em 
módulos (também chamados de grupos, agrupamentos ou comunidades). Redes com 
alta modularidade têm conexões densas entre os nós dentro de módulos, mas as 
ligações esparsas entre nós em diferentes módulos (NEWMAN, 2006). Através da 
modularidade os termos foram agrupados por similaridade. 

A análise permitiu acompanhar a evolução das tendências das publicações ao 
longo do tempo, bem como identificar termos de maior relevância e agrupamentos de 
termos. Foram elaborados e analisados 10 grafos ao todo (de STEFANO, 2016), e 
apresenta-se a seguir o décimo grafo (figura 4), que compreende o período de 2010 
a 2014, inclusive. Este grafo apresenta grande pulverização entre diversos temas e 
comunidades, além de apresentar muito mais interconexões entre as arestas, sendo 
mais eficaz observar termos isolados e seus vizinhos do que se guiar pelas cores dos 
grupos. 

É possível ver a presença expressiva de data, associada a termos como traffic, 
decision, congestion e design, o que permite identificar os usos de análises de dados. 
Estudo de comportamento pode ser visto na parte superior do grafo, representado 
pela palavra choice, associada aos termos speed, highway e transit. 


206 


Como destacado anteriormente, os artigos publicados apresentam mais termos 


significativos, trazendo conteúdos cada vez mais interdisciplinares, apresentando 


aspectos sociais, de meio ambiente, de pesquisa e de mercado. 


Figura 04 - Grafo relativo ao período de 2010 — 2014 (inclusive). 


cons 


Fonte: Os autores. 






O software ainda disponibiliza outros estudos bibliométricos e informétricos, 


como, por exemplo, o número de autores por publicação. Textos com dois autores 


apresenta o maior percentual de ocorrência, sendo que textos com mais de cinco 


autores perfaz o menor percentual, como pode ser visualizado na Tabela 02. 


Tabela 02 — Numero de autores por publicação. 


Textos com 1 autor 

Textos com 2 autores 
Textos com 3 autores 
Textos com 4 autores 


Textos com 5 autores ou mais 


Fonte: Os autores. 


2059 (25%) 
2836 (34%) 
1975 (24%) 
889 (10%) 


443 (5%) 


207 


Já o total de artigos agrupados por similaridade mostra que não há ocorrência 
de similaridade na faixa de 0,7 a 1, ou seja, os artigos mais similares a seus resumos 
não ultrapassam este patamar (por isso esse intervalo foi agrupado ao serem 
apresentados na Tabela 03. É interessante notar que mais de 50% dos artigos 
possuem média entre 0,4 e 0,5 de similaridade. O percentual indicado em sem 
similaridade são os artigos que não possuem resumo (artigos mais antigos publicados 


na revista). 


Tabela 03 — Percentual de similaridade Artigo x Resumo. 


Similaridade Artigo x Resumo 


0,7a1 0 (0.00%) 

0,60 a 0,70 49 (0.60%) 
0,50 a 0,60 1495 (18.23%) 
0,40 a 0,50 4162 (50.74%) 
0,30 a 0,40 1811 (22,08%) 
0,20 a 0,30 118 (1.44%) 
0,10 a 0,20 7 (0.09%) 

0a 0,10 21 (0.26%) 
Sem similaridade 539 (6.57%) 


Fonte: Os autores. 


Com objetivo de complementar a análise, apresenta-se a seguir dois gráficos, 
sendo relativos aos 10 termos mais relevantes do ano inicial da revista, 1967, e o 
segundo referente ao último ano de análise, 2014. O gráfico da Figura 05 indica que 
o termo de maior ocorrência no início da revista, research, decaiu ao longo dos anos, 
apresentando um pequeno aumento apenas no ano de 1992. Verifica-se que outros 


termos também decresceram ao longo do tempo, como drivers, risk e behaviour. 


208 


Figura 05 - Gráfico de projeção dos termos mais relevantes em 1967. 


4,00% 
3,00% 
2,00% 
1,00% 


0,00% 
1967 1972 1977 1982 1987 1992 1997 2002 2007 2012 2014 


— research — (lrivers — time travel 
=> yse memetransportation mm traffic —— variables 
—m [jSK — hehaviour 


Fonte: Os autores. 


Considerando agora os termos mais relevantes no último ano analisado da 
revista Transportation Research (Figura 06), verifica-se que alguns termos se repetem 
entre os 10 mais significativos. São eles research, time, travel, transportation e traffic. 
Logo, 50% dos termos iniciais mais relevantes permanecem na lista dos 10 mais 
significativos, quando analisado o ano de 2014. Os termos transportation e research 
fazem parte da temática da revista, e nada mais correto do que obter essa 
classificação. Os outros três termos, time, travel, e traffic se inter-relacionam por 
abordarem viagem, tráfego e tempo, fator econômico de extrema relevância. “Tempo 


é dinheiro”. 


Figura 06 — Gráfico de projeção dos termos mais relevantes em 2014. 
6,00% 
4,00% 


2,00% 





0,00% 
1967 1972 1977 1982 1987 1992 1997 2002 2007 2012 2014 


— model — time — transportation ==—= traffic 
— trave] — COSt — vehicle — research 
— Network —— LINiVersity 


Fonte: Os autores. 


Os demais termos presentes entre os 10 mais relevantes de 2014 são model, 
cost, vehicle, network e university. Pode-se inferir que modelos criados nos institutos 


209 


de pesquisa (universidades) tem como principais focos o custo de veículos e as 
malhas de transporte público. 

Através dos estudos realizados o software identificou 1030 termos significativos 
nos artigos, ou seja, termos que fazem parte da temática das publicações e que são 
essenciais para o seu entendimento. No primeiro ano da revista, encontram-se apenas 
95 termos da listagem dentre os 1030 termos mais significativos. No ano de 2014 
aparecem 878 dos 1030 termos nas publicações. Sem dúvida, houve um aumento na 
diversidade de temas abordados ao longo dos anos. 

Na década de 60 do século passado, verificou-se que os pesquisadores 
centravam seus trabalhos no transporte rodoviário, onde os termos como risco, 
tráfego, viagem, comportamento e motoristas se apresentam dentre os temas mais 
relevantes das publicações. Cabe interpretar como foco principal das pesquisas 
realizadas há 50 anos os riscos do transporte rodoviário, englobando termos: 
motoristas, tráfego e risco. 

Na outra extremidade, analisando os dados nos últimos anos de estudos 
publicados na revista Transportation Research, o 10º grafo apresenta dezenas de 
palavras em destaque, quantidade superior ao do início do periódico, com um número 
muito superior de interconexões entre si, e, além disso, sua proporção de ocorrência 
(tamanho do círculo), são muito mais proporcionais entre si, quase que idênticos. Isso 
demonstra que atualmente as pesquisas na área de Engenharia de Transportes 
abrangem uma diversidade de temáticas muito superior ao seu início, conforme acima 
mencionado através da análise da ocorrência de termos significativos. 

De acordo com os dados apurados, deduz-se que a tendência da Engenharia 
de Transportes é continuar sua expansão, se interconectando com outras engenharias 
e também, com as áreas sociais e humanas. Acordos internacionais e a relativização 
da soberania dos países, alinhados com a globalização, tende a trazer soluções que 
avancem através das fronteiras nacionais. 

O software MetrlA apresenta tendências futuras probabilísticas e não 
determinísticas. A análise resultante dos estudos com o intuito de identificar futuras 
tendências na área de transporte identificou três como principais grupos encontrados 
pelo algoritmo: Grupo 1 — trata de algoritmos, modelos, variáveis, controle, viagem, 
passageiros, ônibus, avião e trem. Este grupo criado pelo algoritmo indica uma 
tendência na criação de modelos para simular situações reais de deslocamento 


de pessoas. 


210 


Grupo 2 — trata de método, mercado, distribuição, controle, consumo, 
combustível, ou seja, existe uma tendência de aumento na área de pesquisas de 
análise do mercado de combustíveis, através do uso de metodologias, com foco na 
distribuição, controle e consumo. 

Grupo 3 — apresenta termos como trânsito, política, equilíbrio, função, solução, 
planejamento, dados, design, demanda. O grupo apresenta o foco em pesquisas e 
soluções públicas para o trânsito, abrangendo design, planejamento, fundamentado 
em dados, buscando assim soluções equilibradas para atender às demandas. 

Desta forma, tem-se três grandes áreas como tendência futura de pesquisa na 
área de Engenharia de Transportes: Criação de modelos, algoritmos e simuladores 
para realizar propostas na área de transporte de pessoas; Preocupação com 
combustíveis, seja com seu consumo, controle e mercado (público-alvo); 
Planejamento público — soluções para o trânsito abrangendo design e planejamento, 
buscando assim soluções que atendam equilibradamente à demanda existente. 

Verifica-se assim que a área de planejamento está dentre as três principais 
grandes áreas de tendência da expansão das pesquisas em Engenharia de 
Transportes, com foco direcionado para a área pública. O investimento no 
planejamento em transportes é muito evidente nos países desenvolvidos e em cidades 
com IDH mais elevados. A globalização, os tratados internacionais e a aproximação 
dos países impulsionam a necessidade de soluções efetivas em transporte para 
atenderem o bem comum, a coletividade, possibilitando, desta forma, expansões no 


transporte de pessoas, cargas e bens, tanto interna quanto externamente. 


4. CONCLUSÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES 

A análise realizada permitiu identificar uma mudança de paradigma nas 
pesquisas na área de Engenharia de Transportes. Inicialmente os artigos 
apresentavam seu foco dirigido ao estudo do transporte rodoviário urbano, e com o 
passar dos anos expandiram-se as temáticas, abordando atualmente áreas como 
meio ambiente, saúde, habitação, mobilidade urbana, uso do solo e políticas públicas, 
dentre tantos outros temas, inclusive, a tecnologia da informação, utilizada neste 
trabalho. A diversidade na temática das publicações apresentou um aumento de 
quase 1.000 % de termos relevantes, comparando o primeiro ano e o último da revista. 

Como resultado do objetivo proposto identificou-se três grandes áreas 
mapeadas como tendências futuras em Engenharia de Transportes: Criação de 


211 


modelos, algoritmos e simuladores para realizar propostas na área de transporte de 
pessoas; Preocupação com combustíveis, seja com seu consumo, controle e mercado 
(público-alvo); e Planejamento público — soluções para o trânsito abrangendo design 
e planejamento, buscando assim soluções que atendam equilibradamente à demanda 
existente, e visivelmente são coerentes como a realidade atual. 

Conclui-se que é possível realizar um estudo, dentro do espectro temporal, e 
identificar novas tendências, a partir da análise da série histórica dos termos de maior 
ocorrência e de maior relevância. É possível observar que ao longo do tempo 
aumentou exponencialmente o número de temas distintos abordados pelos autores, e 
como consequência, houve redução no peso (número de ocorrências) das palavras 
mais relevantes, comparadas às de menor relevância, apresentando um maior 
equilíbrio entre os temas abordados. 

Destaca-se que as três metodologias utilizadas, a cienciometria, a informetria 
e a bibliometria demonstraram serem adequadas para a análise de um grande volume 
de publicações científicas, conforme previsto, e que podem ser “traduzidas” em um 
software especialista (de STEFANO et al., 2016), o que tornou possível a análise de 


um volume tão grande de informações e apresentação dos resultados obtidos. 


212 


REFERÊNCIAS 


AIZAWA, Akiko. 2003. An information-theoretic perspective of tf-idf measures. Janeiro de 
2008, Vol. 39, 1, pp. 45-65. 


BOAVENTURA NETO, Paulo O. 2003. Grafos - Teoria, Modelos, Algoritmos. 2º. São Paulo 
: Edgard Blúcher, 2003. 


BRINN, T., JONES, M.J. e PENDLEBURY, M. 2000. Measuring research quality. Omega. 
2000, pp. 237-239. 


de STEFANO, Ercilia. 2016. Análise da evolução da pesquisa em Engenharia de 
Transportes. RJ: s.n., 2016. (tese de doutorado apresentada no Programa de Engenharia 
de Transportes - PET/COPPE/UFRJ). 


de STEFANO, Ercilia, PEIXOTO, Marcio S. e BALASSIANO, Ronaldo. 2016. 
Development of a software for metric studies of transportation engineering journals. 
Scientometrics. 109, 2016, Vol. 3, pp. 1579-1591. 


FURLAN, B., BATANOVIC, V. e NIKOLIC, B. 2013. Semantic similarity of short texts in 
languages with a deficient natural language processing support. Decision Support Systems - 
Elsevier. 3, 2013, Vol. 55. 


HEA, Wu, ZHAB, Shenghua e LIA, Ling. 2013. Social media competitive analysis and text 
mining: A case study in the pizza industry. Junho de 2013, Vol. 33, 3, pp. 464-472. 

HONG, Tzung-Pei, et al. 2013. Using TF-IDF to hide sensitive itemsets. Junho de 2013, Vol. 
38, 4, pp. 502-510. 


LESKOVEC, Jure, RAJARAMAN, Anand e ULLMAN, Jeffrey D. 2014. Mining of Massive 
Datasets. 5º. Stanford : s.n., 2014. 


LEYDESDORFF, Loet e MILOJEVIC, Stasa. 2013. Scientometrics. School ofinformatics 
and Computing, Indiana University. 2018. 


NEWMAN, M. E. J. 2006. Modularity and community structure in networks. Proc Natl Acad Sci 
USA. 2006. 


Princenton University. 2015. Wordnet. [Online] 2015. https://wordnet.princeton.edu/. 
RUSSEL, S. e NORVIG, P. 2004. Inteligência Artificial. São Paulo : s.n., 2004. 


SAGE, A. P. 1990. Concise Encyclopedia of Information Processing in Systems and 
Organizations. Nova lorque : Pergamon, 1990. 


Transportation Research. 2015. Transportation Research. Elsevier - ScienceDirect. [Online] 
2015. [Citado em: 25 de Agosto de 2015.) 
http://www .sciencedirect.com/science/journal/0041 1647. 


YUE, Xiaoguang, et al. 2012. Analysis of the Combination of Natural Language Processing 


and Search Engine Technology. International Workshop on Information and Electronics 
Engineering (IWIEE). 2012. 


213 


CAPÍTULO 12 


O PARADIGMA FUNCIONAL NO DESENVOLVIMENTO FRONT-END: OPORTUNIDADES 
E DESAFIOS. 


Leonardo de Oliveira Farroco 
Pós-graduado em Plataforma de Desenvolvimento Web 
Endereço: Rua Maria da Silva Ligeiro, Taquara - Petrópolis - RJ 


Ercilia de Stefano 

Doutora em Engenharia de Transportes - UFRJ - COPPE - PET 
Endereço: Rua Domingos Silvério, 01 - Quitandinha — Petrópolis 
E-mail: erciliaDufr).br 


Nelson Francisco Fávilla Ebecken 

Doutor em Engenharia Civil - UFRJ - COPPE - PEC 

Endereço:Rua Horácio Macedo, Bloco G, 2030 - 101 - Cidade Universitária da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - RJ, CEP: 21941-450 


Fernanda Santana de Paulo 
Mestre em Agronomia - UFRRJ 
Endereço: Rua Domingos Silvério, 01 - Quitandinha - Petrópolis 


Sumaya Mário Nosoline 
Doutora em Produção Vegetal - UENF UFF - Técnico em Agropecuária - Niterói — RJ 


RESUMO: Este artigo tem o objetivo de explorar as opções dentro do paradigma de 
programação funcional para o desenvolvimento front-end de aplicações web. Este 
estudo apresenta os diferentes paradigmas de programação e os frameworks e 
linguagens disponíveis para a criação de aplicações web interativas dentro do 
paradigma funcional. 


Palavras-Chave: Programação Funcional; Front-End; Paradigmas de Programação. 
ABSTRACT: This article aims to explore the options within the functional 
programming paradigm for the front-end development of web applications. This study 
presents the different programming paradigms and the frameworks and languages 
available for creating interactive web applications within the functional paradigm. 


KEYWORDS: Functional Programming; Front-End; Programming Paradigms. 


214 


1. INTRODUÇÃO 

As aplicações web evoluíram de forma significativa desde que a primeira página 
de Internet foi disponibilizada, em 1989 (Berners-Lee, 1989). Criada originalmente 
para permitir o compartilhamento de informações acadêmicas, a plataforma passou a 
ser parte fundamental de atividades de trabalho, estudo e lazer ao incorporar outros 
tipos de aplicações: em um navegador de Internet é possível realizar buscas, consultar 
e-mails, acessar aplicações de contabilidade, criar planilhas e gráficos, assistir vídeos 
em alta definição, entre outros tipos de aplicações. Aplicações interativas deste tipo 
podem ser acessadas por computadores, laptops, celulares e até televisores. 

Graças às tecnologias envolvidas na construção de sistemas web, o sistema 
operacional do usuário deixou de ser um limitador - salvo cenários onde o acesso a 
um sistema é atrelado à instalação de alguma aplicação auxiliar no computador 
do usuário. 

A interatividade crescente dos aplicativos executados em navegadores de 
Internet permitiu o desenvolvimento de recursos para melhorar a experiência do 
usuário (o que levou a criação de estudos específicos nesta área, também chamada 
de UX, user experience). Um efeito desta mudança foi a aumento na quantidade de 
regras de negócio que passaram a ser processadas no lado do cliente. Para permitir 
o suporte a estes novos requisitos, os navegadores de Internet oferecem client-side 
scripting, na forma da linguagem JavaScript. 

Com o crescimento no volume de código sendo executado no lado do cliente, 
desenvolvedores de aplicações para JavaScript passam a ter desafios semelhantes à 
programação no lado do servidor. Uma vez que JavaScript não é uma linguagem com 
tipagem estática, a complexidade em programas com diversos recursos pode dificultar 
a abstração e aumentar os riscos em uma eventual refatoração. 

Em função destes desafios, empresas privadas e desenvolvedores 
independentes passaram a disponibilizar frameworks e novas linguagens de 
programação que são capazes de compilar para JavaScript - o que permite criar 
aplicações para navegadores de Internet, porém com mais ferramentas e 
oportunidades de abstração e expressividade para o desenvolvimento de aplicações. 

Dentro deste cenário, este artigo tem o objetivo de identificar as opções dentro 
do paradigma de programação funcional para a criação de aplicações web. Serão 
apontadas as tecnologias disponíveis e suas características, de modo a fornecer 


215 


subsídios para a escolha da ferramenta a ser utilizada para o desenvolvimento de 


aplicações por profissionais e pesquisadores. 


2. DESENVOLVIMENTO 

2.1 PARADIGMAS DE PROGRAMAÇÃO 

Diferentes linguagens de programação oferecem diferentes formas para se 
abordar os problemas. De acordo com Papert (1991), um paradigma define "a maneira 
como o programador pensa sobre a tarefa de programar". Ainda de acordo com o 
autor, os paradigmas diferentes “representam graus variados de abstração da 
arquitetura subjacente, chamada von Neumann” (Papert, 1991). 

Segundo Jungton e Goulart (2016) é possível dividir as linguagens de 
programação em diferentes paradigmas: imperativo, estruturado, orientado a objeto, 
lógico e funcional. Uma vez que o paradigma influencia a forma do desenvolvedor 
pensar, sua escolha afeta diretamente a forma como os programas desenvolvidos 
são expressos. Uma linguagem de programação pode ter suporte a apenas um 
paradigma ou a vários, como Java (Orientado a Objetos, Imperativo e possui suporte 
ao paradigma funcional a partir da sua versão 8). 

2.2 PARADIGMA IMPERATIVO 

O paradigma imperativo é que se apresenta mais próximo da estrutura base do 
computador, o modelo von Neumann de máquina: o processador lê dados em um 
ponto da memáória, executa operações e escreve o resultado de volta na memória 
(Jungthon e Goulart, 2016). 

Ações como atribuir valor a uma variável ou utilizar endereços da memória 
como referência são exemplos de implementações destes tipos de linguagem, sendo 
ligados à estrutura básica na qual os programas são executados. Este paradigma de 
programação foi o primeiro a ser implementado e é o mais utilizado até hoje (Jungthon 
e Goulart, 2016), sendo também escolhas populares no ensino introdutório de 
programação (De Castro, 2002). 

As vantagens do modelo são a sua similaridade com a estrutura do próprio 
computador, o que confere a programas desenvolvidos neste paradigma mais 
velocidade de compilação e desempenho. A desvantagem é que detalhes da lógica 
de implementação da plataforma computacional se misturam com as regras de 
negócio que o programa trata, como Jungthon e Goulart (2016) apontam, “as 


instruções são centradas no como e não no o que”. 


216 


São exemplos deste paradigma as linguagens Assembler, C, Basic, Fortran, 
Python e Lua. 

2.3 PARADIGMA ESTRUTURADO 

O paradigma estruturado permite que programas sejam modularizados, 
orientando programadores a adotar estruturas baseadas em subrotinas e funções em 
seus programas. As vantagens de programas desenvolvidos neste paradigma, de 
acordo com como Jungthon e Goulart (2016), é a possibilidade de dividir a solução de 
problemas em partes. 

As desvantagens do paradigma é a separação de dados das funções, 
dificultando a manutenção de sistemas deste tipo, uma vez que mudanças nos dados 
tornam necessário alterar as funções envolvidas. 

São exemplos deste paradigma as linguagens C, Pascal, COBOL e Basic. 

2.4 PARADIGMA ORIENTADO A OBJETO 

O paradigma de programação orientada a Objetos se baseia na criação de 
programas que se comportam como objetos do mundo real: possuem atributos 
(estado) e podem executar ações (métodos). Segundo Baranauskas (1993), “esse 
conceito é baseado na idéia de que no mundo real frequentemente usamos objetos 
sem precisarmos conhecer como eles realmente funcionam”. Este paralelo com o 
mundo real permite a criação de abstrações, uma vez um programa não precisa 
conhecer detalhes de implementação em outros programas com os quais ele 
se comunica. 

De acordo com Jungthon e Goulart (2016), “quanto mais um módulo for 
independente, maior a chance dele poder ser reutilizado em outra aplicação”, o que 
cria oportunidades de reuso de código. Ainda segundo os autores, este paradigma 
requer “formas de pensar relativamente complexas”, criando dificuldade em sua 
compreensão e adoção. 

As linguagens SmallTalk, Java, C++, .NET e Ruby são exemplos de linguagens 
que oferecem recursos deste paradigma. 

2.5 PARADIGMA LÓGICO 

O paradigma lógico de programação apresenta uma forma abstrata para a 
criação de programas. Os autores Jungthon e Goulart (2016) apontam que o 
paradigma lógico possui características de linguagens imperativas (como declarações 
sequenciais) por questões de eficiência, mas também possui características de 
linguagens funcionais. 


217 


Segundo Baranauskas (1993), “o significado de um "programa" não é mais 
dado por uma sucessão de operações elementares que o computador supostamente 
realiza, mas por uma base de conhecimento a respeito de certo domínio e por 
perguntas feitas a essa base de conhecimento, independentemente”. 

2.6 PARADIGMA FUNCIONAL 

Segundo Hinsen (2009), o princípio fundamental da programação funcional é a 
realização de computações através da composição de funções. O termo “função” é 
utilizado no sentido matemático, onde um valor de entrada é fornecido e um valor de 
saída é retornado. Já nas linguagens imperativas, as funções cumprem o papel de 
subrotinas: não há necessidade de retorno de valor e é possível fornecer diversos 
valores como “parâmetros” ou “argumentos”. 

O paradigma funcional se baseia no cálculo lambda, desenvolvido por Alonso 
Church nos anos 30. Nos anos 50 surgiu a primeira linguagem funcional, o Lisp. 

Segundo SEBESTA (2018, p632), “apesar de o estilo imperativo de 
programação ser considerado aceitável pela maioria dos programadores, sua forte 
dependência da arquitetura subjacente é vista por alguns como uma restrição 
desnecessárias nas estratégias alternativas de desenvolvimento de software”. 

Segundo Hinsen (2009), apesar de já serem utilizadas no ambiente acadêmico 
por décadas, apenas recentemente linguagens do paradigma funcional começaram a 
receber atenção para o desenvolvido de aplicações de mercado. 

Segundo o autor, a demora na adoção deste estilo de programação pode ser 
atribuída à diferença de estilo dos programas funcionais de suas contrapartes 
“imperativas”, o que torna necessário aprender novos conceitos e abordar problemas 
de forma diferente. 

Hinsen (2009) classifica as linguagens funcionais em dois grupos - de acordo 
com o seu posicionamento em relação aos “efeitos colaterais”. Entende-se como efeito 
colateral qualquer ação que não esteja relacionado ao processamento dos dados de 
uma função, como a impressão de valores em uma tela, alterar o valor de posições 
arbitrárias da máquina, criar uma requisição HTTP, reproduzir um som, entre outras 
ações que impactem o “mundo externo” à função. Linguagens puras (como Haskell, 
Elm e PureScript) permitem a criação de efeitos colaterais apenas através de 
construtos especiais, de modo a permitir que o compilador possa verificar a ausência 


de efeitos colaterais em outras partes do programa. Linguagens impuras (como 


218 


OCaml e Clojure) deixam a responsabilidade do gerenciamento de efeitos colaterais 
nas mãos do programador. 

Conforme uma base de código cresce, efeitos colaterais podem se tornar cada 
vez mais perigosos. Uma vez que código de uma seção seja capaz de influenciar 
computações em outro segmento, dificulta-se o processo de debugging, como aponta 
Hinsen (2009): “Qualquer pessoa com experiência em debugging aprendeu da forma 
difícil que o problema com variáveis é que normalmente apenas olhar o seu valor não 
diz de onde aquele valor veio”. 

Como na programação funcional é possível executar seções do código sem 
que haja preocupação sobre alteração de estado em elementos externos, validar a 
lógica de negócio através de testes se torna mais fácil. 

Outra característica das linguagens funcionais, de acordo com Hinsen (2009), 
é que nas linguagens funcionais as funções podem ser argumentos de entrada para 
outras funções. Também é possível que uma função retorne uma nova função como 
resultado. Estes tipos de função são as chamadas “funções de alta ordem”. Funções 
que recebem e retornam dados são chamadas de “funções de primeira ordem”. 

2.6.1 DESENVOLVIMENTO FRONT-END DENTRO DO PARADIGMA 
FUNCIONAL 

A programação funcional já é utilizada com sucesso no desenvolvimento web, 
porém está historicamente ligada ao desenvolvimento para o servidor (McGranaghan, 
2011). Porém, o aumento de recursos interativos em máquinas clientes abre espaço 
para a criação de componentes mais sofisticados para ser executados pelos 
navegadores dos usuários na forma de código JavaScript. 

Dentro deste cenário, segue uma listagem de opções dentro do paradigma de 
programação funcional para o desenvolvimento de aplicações com foco no front-end: 

2.6.2 JAVASCRIPT PURO 

A linguagem JavaScript, a lingua franca para o desenvolvimento de aplicações 
em navegadores de Internet, possui suporte a múltiplos paradigmas. Nela é possível 
criar variáveis e laços (paradigma imperativo), definir objetos e criar instâncias 
(paradigma orientado a objetos) e utilizar funções (programação funcional). 

Apesar de possível, o uso do paradigma funcional em JavaScript se torna 
verboso, levando a criação de código de difícil leitura, como aponta Freeman (2014). 

Há bibliotecas que oferecem recursos de programação funcional para a 
linguagem, como imutabilidade e composição de funções: 


219 


2.6.3 RAMDA 

A biblioteca Ramda! adiciona recursos de programação funcional a JavaScript, 
como composição de funções e estruturas de dados imutáveis. 

2.6.4 IMMUTABLEJS 

A biblioteca ImmutableJs?, criada e mantida pelo Facebook, permite a criação 
e manipulação de estruturas de dados imutáveis dentro do JavaScript. 

2.6.5 F& 

A linguagem F& é mantida pela Microsoft e oferece integração com o stack de 
ferramentas de desenvolvimento baseado em .NET. Pode ser utilizada em servidores 
ou em navegadores de Internet, uma vez que seu código pode ser compilado para 
JavaScript. Para o desenvolvimento front-end a linguagem F& oferece as opções: 

2.6.6 FABLE 

Fable? é um compilador de F& para Javascript projetado para gerar código 
legível e dentro do padrão ES2015 do JavaScript, de modo a facilitar a 
interoperabilidade com outros sistemas e navegadores de Internet mais antigos. 
Possui integração com o ferramental de projetos JavaScript como Babel, Webpack e 
React Hot Loader. 

2.6.7 WEBSHARPER 

É um framework full-stack, oferecendo uma arquitetura opinativa tanto no front- 
end quanto no back-end da aplicação a ser desenvolvida. Permite o uso de Ff tanto 
no cliente quanto no servidor. 

2.6.8 HASKELL 

A linguagem Haskell possui tipos de dados bem definidos, o que significa que 
“os modelos para as estruturas de informação são baseados na Teoria dos Conjuntos, 
e as operação são descritas através de funções entre conjuntos” (Caetano, 2001). É 
uma das principais linguagens funcionais e sua primeira versão foi lançada em 1990, 
tendo desenvolvimento ativo até hoje. 

Para a criação de código JavaScript é possível utilizar o compilador GHCJS*, o 
que permite utilizar os recursos da linguagem Haskell para a concepção e validação 


da lógica do programa para criar código JavaScript. 


1 https://ramdajs.com/ 

2 https://facebook.github.io/immutable-js/ 
3 https://github.com/fsprojects/Fable 

4 https://github.com/ghcjs/ghejs 


220 


Uma vez que o código gerado não define a estrutura a ser adotada pela 
aplicação, frameworks ou bibliotecas adicionais podem ser utilizados. Um exemplo é 
o framework Miso?, uma abordagem que permite utilizar a mesmo código (e 
consequentemente os mesmos tipos) tanto no front-end quanto no back-end da 
aplicação a ser criada. 

2.6.9 ELM 

A linguagem Elm tem o objetivo de oferecer boas práticas no desenvolvimento 
de aplicações front-end (CZAPLICKI, 2012). Pertence à família de linguagens ML, 
sendo semelhante a OCaml e Haskell. Possui ênfase em usabilidade, desempenho e 
em evitar runtime exceptions através de seu compilador. 

Uma característica da linguagem é o seu caráter opinativo sobre a arquitetura 
da aplicação. Programas desenvolvidos em Elm possuem a mesma estrutura básica: 
Uma definição do tipo do modelo e um valor inicial; Uma função para criar o código 
HTML da página a partir do estado da aplicação (view); Os eventos são tratados de 
forma centralizada em uma função chamada update; Interações com a página geram 
eventos; Se o estado da aplicação foi alterado, a função view é executada para 
atualizar o código HTML da página. 

Esta arquitetura permite tornar previsível quais pontos da aplicação podem 
causar mudanças no estado, o que facilita o processo de debug. 

A desvantagem desta abordagem é que a integração de componentes 
reutilizáveis se torna limitada, uma vez que a integração de um novo componente 
torna necessária a incorporação explícita do estado do componente ao estado da 
aplicação - o que adiciona segurança ao processo, porém limita a abstração e torna o 
código mais prolixo. 

A linguagem possui uma interface de função estrangeira (FFI) chamada “porta”, 
que força toda a comunicação com código JavaScript a ser mapeada para a 
função update. 

2.6.10 PURESCRIPT 

PureScriptê é uma linguagem de tipagem estática que compila para JavaScript. 
A principal influência da linguagem é Haskell, tendo como diferença o foco na 


5 https://github.com/dmjio/miso 
é http://www. purescript.org/ 


221 


legibilidade no código JavaScript gerado e interoperabilidade simplificada com as 
bibliotecas nativas de JavaScript (Freeman, 2014). 

É uma linguagem da família ML com sintaxe semelhante a Haskell que compila 
para JavaScript - o que permite o uso de programas criados na linguagem tanto em 
servidores quanto em navegadores de Internet. Oferece mais recursos de abstração 
do que a linguagem Elm, porém não possui as mesmas garantias de segurança. 

Diferentemente da linguagem Elm, PureScript não traz definições sobre a 
arquitetura da aplicação, o que traz mais liberdade no desenvolvimento. 

Assim como Haskell, PureScript possui suporte a classes de tipos, tipos de 
dados algébricos e tipos quantificados. Estes recursos fornecem mais ferramentas de 
abstração para o desenvolvedor, porém podem aumentar a complexidade do 
código criado. 

2.6.11 CLOJURE 

Clojure” é uma linguagem dinâmica originalmente desenvolvida para ser 
executada na máquina virtual Java (JVM). Pode ter seu código compilado para 
JavaScript através do compilador ClojureScript (McGranaghan, 2011). Por ser um 
dialeto de Lisp, possui uma filosofia de tratar código como dados e criação de macros. 

A linguagem Clojure oferece flexibilidade ao desenvolvedor, uma vez que 
oferece estruturas de dados mutáveis e imutáveis - o que permite escolher a opção 


mais conveniente em termos de expressividade e desempenho. 


3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Como identificado por Jungthon e Goulart (2016) e Baranauskas (1993), a 
mudança necessária na forma de se refletir ao criar programas no paradigma funcional 
dificulta a adaptação de desenvolvedores já acostumados com outros paradigmas. 
Desta forma, novos projetos criados dentro do paradigma funcional devem avaliar o 
conhecimento dos envolvidos sobre a programação funcional bem como o tempo 
disponível para adaptação e incorporação de novos conceitos. 

A utilização de linguagens com tipos bem definidos traz a oportunidade de 
controlar comportamentos em linguagens do ambiente web que não possuem as 
mesmas restrições, conferindo mais segurança para as aplicações desenvolvidas. Um 
exemplo é o pacote elm-css, da linguagem Elm, que adiciona tipos para a criação de 


” http://clojure.org 


222 


regras de planilhas de estilo CSS. Através do uso do pacote é possível identificar 
valores inválidos em regras CSS durante a compilação, evitando que programas 
defeituosos sejam colocados em produção. 

Das opções listadas, Elm é a que apresenta o ferramental mais desenvolvido: 
possui gerenciador de pacotes, compilador com mensagens de erro intuitivas e 
suporte em diversos editores de texto e IDEs. Seu foco em evitar que o programador 
cometa erros, porém, limita o potencial de aplicações desenvolvidas na linguagem. 
Desta forma, PureScript e Haskell oferecem ferramentas de abstração mais 
poderosas - porém mais complexas. Sua adoção é indicada a desenvolvedores já 
acostumados com conceitos de programação funcional ou que disponham de mais 
tempo para percorrer a curva de aprendizado necessária para a sua aplicação. 

Aplicações que utilizam o stack da Microsoft podem empregar F& junto dos 
frameworks Fable e WebSharper. Fable permite utilizar outras tecnologias no back- 
end, oferecendo mais liberdade no desenvolvimento. WebSharper oferece um produto 
opinativo tanto na estrutura do front-end quanto back-end (full-stack), permitindo o 


desenvolvimento rápido da aplicação ao custo de flexibilidade. 


223 


REFERÊNCIAS 


BARANAUSKAS, Maria Cecília Calani. Procedimento, função, objeto ou lógica? Linguagens 
de programação vistas pelos seus paradigmas. Computadores e Conhecimento: 
Repensando a Educação. Campinas, SP, Gráfica Central da Unicamp, 1993. Disponível em 
<http://200.17.137.109:8081/novobsi/Members/josino/paradigmas-de- 

programacao/2012.1/(Leitura e Resenha) ArtigoDiscussaoParadigmas.pdf> Consultado em 
25 de setembro de 2018. 


BERNERS-LEE, Tim; HENDLER, James; LASSILA, Ora. The semantic web. Scientific 
american, v. 284, n. 5, p. 34-43, 2001. 


CAETANO, Marcos Fagundes. Programação Funcional Haskell. Disponível em: 
<http://www.graco.unb.br/alvares/Como Escrever Tese Dissertacao ProjetoFinalAyww.inf. 
ufsc.br/%257Ebarreto/trabaluno/pfcaetan.pdf> Consultado em 18 de setembro de 2018 


CZAPLICKI, Evan. Elm: Concurrent frp for functional guis. Senior thesis, Harvard University, 
2012. 


DE CASTRO, Thais Helena Chaves et al. Utilizando programação funcional em disciplinas 
introdutórias de computação. Anais do WEI, 2003. 


FREEMAN, Phil. PureScript by Example. 2017. Disponível em 
<http://samples.leanpub.com/purescript-sample.pdf> Consultado em 22 de setembro de 
2018 HINSEN, Konrad. The promises of functional programming. Computing in Science & 
Engineering, v. 11, n. 4, p. 86-90, 2009. 


JUNGTHON, Gustavo; GOULART, Cristian Machado. Paradigmas de Programação, 2016. 
Disponível em <http:/Avww.petry.pro.br/sistemas/programacao1/materiais/ 
artigo paradigmas de programacao.pdf> 


MCGRANAGHAN, Mark. Clojurescript: Functional programming for javascript platforms. 
IEEE Internet Computing, v. 15, n. 6, p. 97-102, 2011. 

The History of Haskell (em inglês). Disponível em: <http:/Avww .haskell.org/haskell- 
history .html> Consultado em 24 de setembro de 2018. 


224 


CAPÍTULO 13 


RESEARCH ON RISK MANAGEMENT IN LOGISTICS: METRICS AND TRENDS. 


Ercilia de Stefano 

Doutora em Engenharia de Transportes - UFRJ - COPPE - PET Professora Adjunta UFF. 
Endereço: Rua Domingos Silvério, 01, Quitandinha — Petrópolis. 

E-mail: erciliaDufr).br 


Leonardo de Oliveira Farroco 
Pós-graduado em Plataforma de Desenvolvimento Web. 
Endereço: Rua Maria da Silva Ligeiro, Taquara — Petrópolis/RJ. 


Gilson Brito Alves Lima 

Doutor em Engenharia de Produção, UFRJ Professor Titular UFF. 
Endereço: Rua Passo da Pátria, 156, Boa Viagem - Boa Viagem, Niterói/RJ, 
CEP: 24210-240. 


Osvaldo Luiz Gonçalves Quelhas 

Doutor em Engenharia de Produção, UFRJ Professor UFF. 

Endereço: Rua Passo da Pátria, 156, Boa Viagem - Boa Viagem, Niterói/RJ, 
CEP: 24210-240. 


ABSTRACT: This study intends to provide researchers with metrics and trends in the 
area of Supply Chain Risk Management (SCRM). This study analyzed 980 scientific 
articles with diverse methods, including counting of references, co-authorship, 
research share per country and visual representations of the partnerships between 
authors and most common words per country. The research used a set of tools, named 
MetrlA, to perform the processing of data. The results highlighted the cooperation 
between countries and indicated what the institutions are engaging in research about 
the theme. Other indicators also point what are the most common themes being 
studied and how this interest changed over time. 


KEYWORDS: Supply Chain Risk management, Literature review, Bibliometrics, 
MetrlA. 


RESUMO: Este estudo pretende fornecer aos pesquisadores métricas e tendências na 
área de Supply Chain Risk Management (SCRM). Este estudo analisou 980 artigos 
científicos com diversos métodos, incluindo contagem de referências, coautoria, 
participação em pesquisas por país e representações visuais das parcerias entre 
autores e palavras mais comuns por país. A pesquisa utilizou um conjunto de 
ferramentas, chamado MetrlA, para executar o processamento de dados. Os 
resultados destacaram a cooperação entre os países e indicaram o que as instituições 
estão realizando na pesquisa sobre o tema. Outros indicadores também apontam 
quais são os temas mais comuns em estudo e como esse interesse mudou com o 
tempo. 


PALAVRAS-CHAVE: Gerenciamento de riscos da cadeia de suprimentos, Revisão 
de literatura, Bibliometria, MetrlA. 


225 


1. INTRODUCTION 

Buying small goods from distant countries and having them delivered on time 
and for a reasonable price is a marvel of the modern distribution system. This type of 
task used to be an expensive, bureaucratic and slow process - which made such 
endeavors privilege of large corporations. This is possible thanks to an extensive 
infrastructure that involves thousands of people and systems distributed in the supply 
chain. This development of the Logistics sector would not be enough to ensure an 
effective system, as there are risks involved into these operations. 

The increase of outsourcing of goods and services in the supply chain has also 
added risks to the operations: *... as organizations increase their dependence on the 
suppliers of outsourced raw materials and components, they become more susceptible 
to their risk profiles” (Lockamy & McCormack 2010). 

Due to the risks involved in each operation, the research about Supply Chain 
Risk Management (SCRM) gains importance, as new tools and techniques needs 
developing to deal with these challenges. 

The introduction of new technologies created new opportunities, but also 
increase numbers of variables that need to be evaluated. Due to that, these risks need 
to be accounted, managed and treated accordingly to their specificities. As these risks 
need to be identified and be properly treated, how have scientific interest tackled these 
new challenges? 

The increasing amount of information available for research makes it harder to 
follow the advances in a field of study. The amount of papers available for reading can 
be overwhelming for students or researchers without previous knowledge of the area 
of study. Estimates indicate that the amount of new papers published per year 
surpasses 1 million, and this number increases by 5.6 % yearly (Larsen & von Ins 
2010). In order to deal with this information overload, researchers can find in 
bibliometrics tools to identify influential works in their area of study. 

This paper is composed of four sections. The first one presents the theoretical 
background for the research, with a review of SCRM and bibliometrics. The second 
one details the process of data gathering and what analyses have been performed 
over it. The third section presents the results obtained with the analysis. The fourth one 
contains a discussion about the results obtained in the previous section, the difficulties 
faced in the process, conclusions and outlines possible future research. 


226 


2. METHODOLOGY 

2.1 SUPPLY CHAIN RISK MANAGEMENT 

There are multiple definitions of SCRM in the researched literature. It can be 
defined as “the management of supply chain risks through coordination or collaboration 
among the supply chain partners so as to ensure profitability and continuity” (Tang 
2006). According to the author, the area is the intersection between Risk Management 
and Supply Chain management, two established fields of study. Vanany et al. (2009) 
also defines SCRM, pointing that it “is a set of activities aimed at reducing supply chain 
risks. These activities often include identifying supply chain risks, assessing the 
probabilities and the severity of impacts”. In another definition (Wieland A, Marcus 
Wallenburg C. 2013) it is “the implementation of strategies to manage both daily and 
exceptional risks along the supply chain based on continuous risk assessment with the 
objective of reducing vulnerability and ensuring continuity”. 

These definitions help to portrait SCRM as an area of study that attempts to 
reduce the vulnerability of the Supply Chain using broad and coordinated action 
between the actors involved in it, helping to identify what are the risks and flaws in the 
chain. SCRM also promotes the continuity of business, activities, operations and 
routine processes. 

In order to prioritize and catalog the risks, companies need to define a set of 
criteria to identify a risk for its operations. Once these risks are identified as internal or 
external, it is possible to develop plans to treat these risks. This included measures to 
protect the supply chain from these risks and to answer to events that these risks might 
cause, as well how to continue operations and recover from the impacts if they indeed 
happen. 

To measure risks and performance of the plans to limit and/or answer 
interruptions, company also need to perform continuous training and monitoring to 
follow this process. The monitoring and revision of the plans implicate not only the 
evaluation of the effects and its risk treatment, but also the continuous identification of 
opportunities and improvement. Some commonly mapped risks to the supply chain are 
volatile costs, insufficient materials, problems and financial flaws from suppliers and 
natural disasters of human origin. SCRM strategies and software help organizations to 
prevent possible problems and to adapt to these risks in the fastest and efficient 
possible way (Granot, E. et al. 2012). 


227 


It is also possible to point other factors including bad communication and 
uncertain about the performance from goods provided by suppliers (Blos et al. 2009). 
Other factors, like natural disasters and political unrest also need to be taken into 
account. There are multiple factors that push the need for risk management in an 
operation, such as safety and competitive performance (Pereira et. al., 2015). 

Besides not being formalized as a single area of knowledge, the activities 
related to Supply Chain Risk Management can be traced back to ancient times. Many 
techniques have been the point of interest of merchants, governments and military 
leaders through the ages. According to Tepié et al. (2011), the earliest forms of 
insurance have been registered in the Chinese and Babylonian societies, going as far 
as the 3rd and 2nd millennia BC. Chinese merchants would split goods between 
different vessels to reduce the risk of losing cargo if one of the ships would sink. In the 
Babylonian society, the Code of Hammurabi (the oldest registered law code, created 
at 1750 BC) shows the practice of insurance: ifa merchant acquired a loan to transport 
goods, he could pay an additional sum to the lender to allow the cancellation of the 
loan if the cargo was lost at sea or stolen. 

According to Dionne (2013), the study of risk management started to grow faster 
after World War Il. Besides being associated with the usage of insurance to protect 
persons and companies from accidents, the market found others uses for it in the 
following decades. 

The author points that the techniques related to risk management have been 
improved in the 1970s and 1980s, when it also gained regulation for international 
activities. The governance of risk management gained importance inside corporations, 
with employees responsible for these processes being placed in high positions into 
companies. 

2.2 SCRM BIBLIOMETRICS 

Because authors cite earlier work in order to support, describe or develop a 
particular point in their own work, the citation of a scientific paper is an indication of the 
importance that the community attaches to the research. Thus, citations can be 
considered a criterion for selecting the most highly esteemed scientific journals on the 
basis of the articles they contain (Okubo 1997). 

According to Wouters (1999), one of the main breakthroughs in the area of 
bibliometrics was the creation of the Science Citation Index (SCI). The SClis a 
bibliometric index with citations from more than 8500 journals since 1900. It established 


228 


the grounds to the statistical analysis of scientific production and the creation of 
indicators of scientific production (Seglen 1992; Wouters 1999). 

One of main problems about collecting academic information for analysis is 
establishing what constitutes a trust able publication - as Garfield (2006) points out that 
establishing what is a scientific journal is not an objective task. The introduction of the 
Science Citation Index established this distinction: publications listed in the index 
started to be considered “mainstream”, and the one outside of considered alternative 
(Frame, 1977). 

Bibliometric studies have also established a “boundary” between “strong” and 
“weak” journals, as journals included in the SCI gained prestige. 

The interest of researchers can be portrayed by scientific publications, as 
publishing articles in an expression of their work. The analysis of peer-reviewed articles 
also provide quality-control about the produced works, making sure that the information 
being analyzed is objective, precise and it is shared in a properly-themed journal. 
According to Okubo (1997), tracking publications is an effective method to assert the 
developing of knowledge, because there are many factors that push researchers into 
publishing: by performing this act, researchers are protecting the intellectual property 
of their work, as claims of ownership of an idea can be laid on those that published it 
(Okubo 1997). In addition, researchers are compelled to publish by their institutions, 
thus sharing the information with other scientists and promoting advances in the 
studied field. The author also points out that there is a social factor: personal 
recognition in the scientific community. 

One of the ways to analyze such interest is to study the corpus of scientific texts 
using bibliometric analysis. Bibliometrics, according to Okubo (1997), is “tool by which 
the state of science and technology can be observed through the overall production of 
scientific literature”. This type of analysis allows looking at a macro levels (countries, 
fields of research, institutions, and networks of publishers) and micro levels (a specific 
publication in a given year, a single author, etc.). 

According to van Raan (2004), the advantage of this type of analysis is to 
overcome some limitations provided by the peer review process: 


“(...) peer review may have serious shortcomings and disadvantages. 
Subjectivity, 

i.e. dependence of the outcomes on the choice of individual committee 
members, is one of the major problems. This dependence may result in 
conflicts of interests, unawareness of quality or a negative bias against 
younger people or newcomers to the field. To make peer review more 


229 


objective and transparent, it should be supported by advanced bibliometric 
methods.” 


Okubo (1997) also highlights that type of analysis allows assessing the state 
that science has achieved at that moment, aiding in decisions making for policies in 
the relative areas of study. 

Citations are a usual metric in bibliometrics, because they provide some insights 
into the origins of the information contained in the article. In addition, citations are a 
measure of the overall impact of an article's influence, or its authors, on the scientific 
community; they are a complex socio-epistemological parameter which probably 
induces a quality factor, but this factor is neither equivalent to, nor unequivocally 
correlated with, scientific quality (Seglen, 1992). 

There are some points that require the attention of researchers when dealing 
with metrics from citations: some citations are negative (discrediting work), not 
endorsemenits. 

It is also worth to note bibliometric alone is not enough to justify a decision or 
replace an expert in a given field, according to Okubo (1997). These indicators should 
be employed alongside other tools, in order to provide an overview of a field. 

2.3 THEORETICAL FRAMEWORK AND DATA COLLECTION 

This study analyzed 979 items, with 722 of them being articles and 257 
conference papers. The studied items were published between the years 1975 to 2016. 
As this study intends to analyze peer-reviewed articles, other results including 
editorials, books and dissertations where excluded from the analysis. 

One difficulty found when parsing citation data was the lack of a clear standard, 
making necessary to perform multiple adjustments to the parsing algorithm. In some 
citations the paper date comes after the authors and the title, in other ones it comes 
between them. 

The 979 items being analyzed performed 37,697 citations, with 5,101 (13.5% of 
the total) being defective. These items create some noise into the database, but do not 
compromise the results, as their sum achieves a low percentage. 

By using MetrlA (de Stefano et al., 2016), the results presented in this study can 
be replicated by following the methodology described below. It is possible to adjust the 
analysis with other parameters to discover new scenarios. The MetrlA (de Stefano et 
al., 2016) tools used to model the data have open source code, allowing additional 


customization of results. 


230 


When counting citations, co-authorship has been counted as one per author, 
instead of using fractions. Iftwo people author a paper, each is assigned the authorship 
of a “whole” paper, instead of half per each. Choosing to use between a whole counting 
and a fraction counting is an extensive question when analyzing citations, but using 
the fraction method is known to create difficulties when cooperation between countries 
is involved (Leydesdorff, 1991). 

One of the main problems when performing a bibliometric analysis is deciding 
on which database to use. As this study intends to analyze papers that cover the 
subjects “risk management” and “supply chain”, there is not a specific journal to be 
studied. Due to this, the researchers of this study chose to use the Scopus database 
to query these terms and analyze its results. Therefore, as Scopus provides 
information like abstract, reference list, author's names and affiliations, there is enough 
information to perform diverse analysis. 

As Scopus provides the data in Comma Separated Values (CSV) files, it is 
possible to model the data in other software. 

2.4 THE METRIA SOFTWARE 

As the data provided by Scopus did not provide enough details about the 
existing relationships in the data set, nor additional details about the references 
contained in the report, this study employed a specialist software named MetrlA (de 
Stefano et al., 2016). The software allows performing Natural Language Processing 
tasks in groups of text. As the data exported by Scopus contains the abstract of each 
article, it was possible to have a graphical representation of the content produced in 
the database by location and date. The graphs were rendered in the Gephi (Bastian et 
al. 2009) software using CSV files generated by MetrlA. 

The file “parse-coops.js” parses the “Affiliations” column of the input file (the 
CSV exported by Scopus). For each row, it splits each affiliation and identifies its origin 
country. As affiliations do not have a standard formatting (some include the complete 
address, others skip the city name, etc.), the script searchers for common keywords 
(“univ-” from “University”, “instit-” from “Institute”, and so on) and uses the section of 
the affiliation that uses the keyword. If it is unable to find one the keywords, it uses the 
whole affiliation name. 

After the identification, the software registers the cooperation between 
institutions and countries. If an article is authored by different institutions, MetrlA 


registers this relationship in an undirected graph. This type of graph is “the graph 


231 


formed by converting each edge of the directed graph into an undirected edge and 
removing duplicate edges. An undirected graph is connected if there is a path between 
every pair of vertices” (Tarjan, 1972). There is not a “source” and “target” relationship 
in an undirected graph — it just documents that there is a connection between two 
nodes. 

The “count-references.js” file counts all the items contained in the “References” 
column (each text in the extracted corpus can have multiple references in a single cell). 
As this information is not provided in a structured way, the script normalizes the 
reference and isolates its title and publishing date, as the data provided in the input file 
has variations between two instances of the same reference. Some references have 
as much as 10 variations, like including a print instead of an online version, 
presence/absence of page number, year being list before or after the title and others. 
The script attempts identify the parts of the reference, having an 87% success rate. 

The “parse-words.js” file identifies common words in the whole group of the input 
file, and by country. The file uses an open source Natural Language Processing (NLP) 
library, named Natural Node'. NLP “is an area of research and application that explores 
how computers can be used to understand and manipulate natural language text or 
speech to do useful things” (Chowdhury, G.G., 2003). The script identifies the column 
containing the abstract of the text and then separates each text into an array of words 
(tokenization). The following step is to remove common words from the English 
language (Stop Words), comparing each word with a dictionary and removing matches. 

Each word is also normalized into the singular form. This script also creates a 
graph of the words, showing the relationship between words used in the same abstract. 
To do so, it registers each word as a node and all words that occur in the same text 
are registered as edges. After the processing is completed, words that occurred less 
than five times are excluded to increase the performance of Gephi — even by doing so, 
graphs using large corpus tend to still have thousands of words. 

2.5 THE SCOPUS DATABASE 

To obtain large amount of scientific articles is a challenging task — a researcher 
interested into doing so needs to confront multiple systems that catalog their content 


without following a standard, creating difficulties to parsing the information. In addition, 


1 Available at https://github.com/NaturalNode/natural 


232 


given the amount of scientific articles that are published yearly, having the 
infrastructure to download and store large data sets of information — and the 
computational power to process them — requires expansive investment. 

In order to have access to many articles, the researchers of this study chose to 
employ the Scopus database. Scopus presents itself as a bibliographic database with 
abstracts and citations from scientific articles. As of January 2017, According to its web 
page, the database claims to contain 22,000 publications from 5,000 
different publishers. This study chose the Scopus database for the size of its catalogue 
and due to its ease of use — as it allows exporting query results into Comma Separated 
Value (CSV) files and then to model the data into other software. 

The first step was to access the Scopus database homepage and query the 
following parameters: Risk Management AND Supply Chain. The “AND” keyword is a 
logic operator to ensure that results will contain the expressions “Risk Management” 
and “Supply Chain”. The database provides around 12 thousand results for this query. 
As the concept of Risk Management and Supply Chain can be employed into different 
areas of study, adding a filter is required. The results have been limited to papers in 
the areas of “Business, Management and Accounting”, “Decision Sciences” and 
“Economics, Econometrics and Finance”. 

This filtering reduced the amount of results to 979 items. As this study intended 
to list the main references of each year since 2006, the results from the year 2017 were 
excluded from the query, as this year was not finished until the submitting of this study. 

Scopus provides some built-in tools to verify some insights about the queried 
data: authors, journals and countries listed by publication. Some of these results were 
also put into context in this study. 

To perform additional analyses, the query results were exported to a CSV file 
(by checking the “export all available information” option). Some tools from MetrlA are 
employed to parse the exported data. The objective of this analysis is to verify what 


the main sources of information in the corpus are. 


3. RESULTS 
The results generated by MetrlA using the data from Scopus are listed below: 
3.1 COOPERATION MAP - INSTITUTIONS 
The CSV data obtained on Scopus have been parsed by MetrlA and generated 
two CSV files for Gephi — one for the nodes (institutions) and one for the edges 


233 


(cooperation between them). This is a graphical representation of the cooperation 
between different institutions. A total of 713 nodes and 537 edges have been identified 
in this graph, but as there is a limitation to the amount of information that can be 
registered in paper, 31 nodes (a 4, 35 % of the total) and 61 edges (11, 36 % of the 
total) are visible in the graph below, showing nodes that had at least 5 links to other 
institutions in the examined period. 

The collaboration between institutions and countries has become more 
important in modern days, according to van Leeuwen (2008). The author points out 
that “scientific cooperation has taken a much more significant place in the worldwide 
science system”, as the number of articles elaborated by a single author shows a trend 
of decrease. 


Fig.1 - Cooperation graph per institutions, rendered by Gephi. 





univ. of intl. 


'ijing univ. of ae 


pf technology 


nd state univ. 


E United States E China [0] India EH United Kingdom Hong Kong 


Fonte: Os autores. 


The graph allows visualizing the relation between various universities and 


institutes. The size of the circles indicates the degree of the node - larges circles have 


234 


more connections. It is possible to see a relation between universities from the UK and 
the Hong Kong Polytechnic University that acts as a gate linking British to Chinese 
research, creating a chain. Various state universities from the US form a link, with only 
Michigan State University and lowa State University having external connections. 


3.2 COLLABORATION MAP - COUNTRIES 
The country affiliation from the authors of the studied items has also been 


analyzed. MetrlA used the CSV file provided by Scopus as a input and provided two 
CSV files ready for use on Gephi — one for the nodes (countries) and for the edges 


(when two or more countries cooperate for publishing an article). 


Fig.2 - Cooperation between countries. 











Japan Sweden 
ns” a ns” / ” e E 
Fes PS EN N a” New Zealand 
South Korea Hong Reno e 


Belgium 
”» q“ 
( Italy, - 
Mexico 
A a > 





Netherlands As Eu 
x Finland 


| Switzerland 


— (canada) ) “q 


Turkey 
Na” 


f h 
Ei 


Iran, 
E 


e 


Ireland 





Israel Greece 


Fonte: Os autores. 


235 


This graph displays the cooperation between different countries when doing 
Risk Management on Supply Chain research. The complete graph has 66 nodes and 
209 edges. The filtered version displayed above shows countries that published with 
at least three different countries. This version reduced the number of nodes to 31 (41, 
97 % ofthe total) and 183 edges (87, 56 % of the total). Larges nodes indicate a greater 
number of connections to other nodes. Larger nodes have darker colors. 

The graph shows that China, USA and UK are not only the leading publishers; 
they are also the most involved into collaborative research. The three countries also 
develop work together constantly, as the edges between them indicate. The graph 
allows the visualization that China has partnerships with its neighbors, composing most 
of its connections. The countries that have connections to all top three ones are 
Singapore, Canada, Sweden and Hong Kong — other countries have up to two out of 
three connections. In addition, Europe shows three hubs, one centered in France, other 
in Germany and another in Spain. 

3.3 COUNTRIES INVOLVED ON INTERNATIONAL COOPERATION (2006-2016) 

The countries that published most articles in cooperation with other countries 
are listed below. The list includes countries that published 9 or more papers alongside 


other countries. 


Table 01 - Countries that co-authored nine or more papers. 












































Country Papers published in Cooperation 
United States 58 
China 47 
United Kingdom | 39 
Canada 2a 
Germany 17 
Australia 12 
Hong Kong 11 
Singapore 10 
Brazil 9 
India 9 
Italy 9 
Spain 9 
Switzerland 9 














Fonte: Os autores. 


236 


The five countries in the top of list (United States, China, United Kingdom, 
Canada and Germany) have additional details listed below. 

3.4 COOPERATION - UNITED STATES 

The United States worked alongside other nations in 58 articles, being the 
country in the top of list of the most active locations. lts main collaborators are China, 
France and Canada. Countries with less than two works published in cooperation with 
the US have been grouped in the “Others” section. 


Fig.3 - Cooperation Chart, USA. 






United Kingdom 
3% 





Fonte: Os autores. 


3.5 COOPERATION — CHINA 

The China chart shows that the United States and Hong Kong are China's main 
partners in research. Countries that had less than two works published with the China 
have been grouped in the “Others” section. 


237 


Fig.4 - Cooperation Chart, CN. 


Others<1 
9% 











United Kingdom 

4% 
Australia 
4% 


Japan 

6% 

United States 
43% 


34% 








Fonte: Os autores. 


3.6 COOPERATION- UNITED KINGDOM 
The United Kingdom have the United States and Hong Kong as the main 
partners in research, the same two as China. Countries that had less than two works 


published with the UK have been grouped in the “Others” section. 


Fig. 5 - Cooperation Chart, UK. 


United States 
26% 


New Zealand 
5% 


Nederlands 





Fonte: Os autores. 


238 


3.7 COOPERATION CHART — CANADA 
The main partner of Canada's research is the United States, followed by Iceland. 


Other countries that are listed in the chart have a single work of cooperation. 


Fig. 6 - Cooperation Chart, Canada. 


United States 
64% 





Fonte: Os autores. 


3.8 COOPERATION CHART — GERMANY 
Germany shows as main partners the United States and Switzerland, followed 
by France, Belgium and the United Kingdom. 


Fig. 7 - Cooperation Chart, Germany. 


Russian South Korea 
Federation 6% 
Portugal. 6% 
6% 


India 
6% 
Australia 


6% United States 
17% 


United Kingdom 
12% 





Fonte: Os autores. 


239 


4. MOST CITED PAPERS 

The counting of cited papers is a simple metric that helps to determine the 
impact level of a publication. Below are listed the most cited articles amongst the 
analyzed items. According to Verbeek et al. (2002), “highly cited articles represent 
fundamental themes, concepts, research streams, and methods in science”. In other 


words, articles that are effective into presenting concepts have a higher chance of 


being cited, because other authors can refer to them to present new concepts. 


According to Wallin (2005), the number of references demonstrates correlation 


with the “peer judgments about scientific merit and excellence and the significance of 


contributions”. 


The table below lists the most cited papers in the group of 979 items that are 


being analyzed. It is important to note this number references to the total of citations 


that the papers received, including from sources beyond the analyzed papers. 


Table 2 — Most cited papers in the analyzed group. 

















Authors Title Year | Source title 
Angell L.C,, Integrating environmental issues into 1999 | Journal of Operations 
Klassen R.D. the mainstream: An agenda for Management 
research in operations management 
Agrawal V., Impact of Uncertainty and Risk Aversion | 2000 | Manufacturing and 
Seshadri S. on Price and order Quantity in the Service Operations 
Newsvendor Problem Management 
Blackhurst J., An empirically derived agenda of critical | 5005 | International Journal 
Craighead C.W., | research issues for managing supply- of Production 
Elkins D., chain disruptions Research 
Handfield R.B. 
Gan X., Sethi S.P.,| Channel coordination with a risk-neutral | 2905 | Production and 
Yan H. supplier and a downside-risk-averse Operations 
retailer Management 








Choi T.Y., Krause | The supply base and its complexity: 2006 | Journal of Operations 
D.R. Implications for transaction costs, risks, Management 
responsiveness, and innovation 
Integrating sustainable development in | 5907 | Journal of Operations 

















Matos S., Hall J. | the supply chain: The case of life cycle Management 
assessment in oil and gas and 
agricultural biotechnology 
Ireland R.D., A multi-theoretic perspective on trust 2007 | Journal of Operations 
Webb J.W. and power in strategic supply chains Management 
Tang C., Tomlin The power of flexibility for mitigating 2008 | International Journal 
B. supply chain risks of Production 





Economics 








240 





Braunscheidel 





Nurmaya Musa S. 





advancements in supply chain risk 
management 











The organizational antecedents of a 2009 | Journal of Operations 
M.J., Suresh firm's supply chain agility for risk Management 
N.C. mitigation and response 
Tang O., Identifying risk issues and research 2011 | International Journal 


of Production 
Economics 





Fonte: Os autores. 


5.1 MOST CITED PAPERS BY THE ANALYZED GROUP 


The references contained in the analyzed items composed another group of 


cited articles, making it possible to list the most cited papers by the studied items. It is 


possible to note the author Blackhurst, J. is present in this list and the previous list of 


papers with most citations amongst the corpus of this study. 





Table 03 — Most cited papers by the studied corpus. 












































Author(s) Title Year Journal 
Juttner, U., Peck, | Supply chain risk management: International Journal 
H. and outlining an agenda for future 2003 of Logistics: Research 
Christopher, M. | research and Applications 
Harland, C., Journal of Purchasing 
Brenchley, R. Risk in supply networks 2003 and Supply 
and Walker, H. management 
Chopra, S. and Managing risk to avoid supply- 2004 MIT Sloan 
Sodhi, M.S. chain breakdown management review 
The international 
Christopher, M. no = : E aa 
and Pes, H. Building the resilient supply chain | 2004 journal of logistics 
management 
, International journal 
Ericsson's proactive supply chain RO 
o E and risk management approach after 2004 PA distribution 
MSDN, Ao a serious sub-supplier accident 9 
management 
International journal 
Christopher, M. | Mitigating supply chain risk 2004 of physical distribution 
and Lee, H. through improved confidence & logistics 
management 
ao: Race dRnaasE Production and 
Kleindorfer, P.R. | Managing disruption risks in 
and Saad, G.H. | supply chains nos PperauoAs 
management 
an International Journal 
Perspectives in supply chain risk 
Tang, C.sS. management 2006 of Production 
Economics 
On the value of mitigation and 
contingency strategies for 
Tomiin, B. managing supply chain disruption suo Management Selents 





241 








risks 





International Journal 
2006 of Logistics: Research 
and Applications 


Robust strategies for mitigating 


Tang, C.S. supply chain disruptions 





Craighead, C.W., 

















Blackhurst, J., The severity of supply chain 2007 no ] 
Rungtusanatham, | disruptions: design characteristics Decision Sciences 
M.J. and and mitigation capabilities 

Handfield, R.B. 





Fonte: Os autores. 


Itis worth to note as the analyzed texts were from the 1975 to 2016 period, texts 
from the last years had a lower chance of being referred, creating a bias towards the 
counting of texts from earlier years. 

5.2 PUBLICATIONS ABOUT SCRM BY COUNTRY (2006-2016) 

The interest in the area of SCRM per country is demonstrated in the table below 
which lists the 10 countries with most publication in the area. It is possible to notice a 
surge in numbers of published articles by China in the years 2010-2011. The table is 
limited for the last 10 years to provide a clearer visualization of data. 


Table 04 — Countries with most publications between 2006 and 2016. 



































Country 2006| 2007| 2008 | 2009 |2010/2011|2012/2013/2014/2015/2016 
USA 3 9 14 25 29 125 |19 124 139 |23 130 
China 1 5 20 19 60 |25 |11 |8 13 117 [12 
UK 2 7 3 8 8 5 6 7 9 10 |8 
Germany 0 0 2 4 5 7 5 7 8 5 6 
India 1 2 0 1 2 3 7 5 2 9 8 
Italy 3 0 0 1 3 2 2 5 7 3 3 
Hong Kong |2 0 1 2 5 1 4 2 0 5 2 
Australia 0 0 1 3 1 4 2 3 2 5 3 
Canada 0 2 0 0 1 1 3 1 4 2 5 
South Korea |O 0 1 0 2 2 6 3 1 1 3 
Others 3 14 117 18 12 |14 |23 126 |37 |33 |34 












































Fonte: Os autores. 


5.3 AUTHORS WITH MOST PUBLICATIONS ABOUT SCRM 
The most frequent authors, their affiliations and countries have also been 
counted and parsed from the source file. This quantitative metric allows identifying 


242 


what authors are focusing into the area of SCRM. 

As this metric presents a raw number, it does not address the quality or the 
impact of the counted articles — to do that additional indicators are required. Still, it is 
possible to affirm that an article published in a peer-reviewed journal possess “a 
minimum level of quality or utility in terms of its success in passing the journal selection 
process” (Nederhof 2007). Due to this, the counted articles might not be the best of 
their group, but they indeed have at least some degree of quality. 

It is possible to notice that the name of Jennifer J. Blackhurst, from the 
University of lowa, is listed in both the most cited articles and most cited by the corpus. 


Table 05 — Authors with most publications about SCRM. 






































Authors Articles | Affiliation Country 
Wagner, S.M. 11 Swiss Federal Institute of Technology Zurich | Switzerland 
Cheng, T.C.E. z The Hong Kong Polytechnic University Hong Kong 
Choi, T.M. 7 The Hong Kong Polytechnic University Hong Kong 
Cruz, J.M. 6 University of Connecticut USA 
Blackhurst, J. 5 University of lowa USA 
Govindan, K. 5 University of Southern Denmark Denmark 
Gunasekaran, A. |5 University of Massachusetts Dartmouth USA 
Gurnani, H. 5 Wake Forest University USA 
Olson, D.L. 5 University of Nebraska USA 
Shankar, R. 5 Indian Institute of Technology Delhi India 

Xiao, T. 5 Nanjing University of Finance and Economics |China 




















Fonte: Os autores. 


The combined results show that there was a spike in Chinese output between 
the years 2010-2011, indicating that this area of research received additional attention 
in this period. This attention might be caused due to governmental, academic or 
corporate guidelines to perform analysis in this area. Looking at the list of papers in this 
period it is possible to notice that most of the articles have similar titles, hinting that the 
subjects have been partitioned between researchers, allowing covering whole topics 
in a reduced period. 

The cooperation between countries in the area of SCRM also provided some 
insights, displaying regional hubs of research of cooperation between distant locations, 
including the UK and Hong Kong 

Citations are able to provide relevant data to analyze the evolution of science 


243 


and technology, but their analysis alone is not enough to create a trustful portrait. As 
citations have their limitations (not all citations have the same “weight”, some citations 
have “negative value” when used to as a parameter to be countered), it is needed to 
use additional indicators to achieve a safer conclusion. 

The study found it difficult to parse reference text from the source data, but 
managed to obtain an 87 % success rate. Moed et al. (1985) noticed these problems 
related to data collection and handling in the field of bibliometrics, but also pointed that 
it is possible to overcome most of these problems. The author also observed that 
bibliometric indicators “can provide a “monitoring device” for university research- 
management and science policy”. 

Countries around the whole world show interest into SCRM, as countries in the 
Americas, Europe and Asia show engagement in the theme. The cooperation of 
different institutions has also been observed, making it possible to identify distinct 
“hubs” of research, notably the international connections of universities in China, Hong 
Kong, the USA and the UK. 

Future research in the field may create additional discussions about these 
results, portraying which topics of SCRM correlate with these co-authorships, allowing 
researchers in the field to identify the strategic interest of companies and governments 


in the area, as well hinting about new techniques and tools in development. 


5. CONCLUSION 

This amount of research about Risk Management in Logistics happens around 
the whole globe and is aligned with the imporance that external trade has for a given 
country. The countries that create more content in the area are also the ones that 
perform more research in partnerships with institutions of other countries. The 
cooperation between different countries happens mostly in countries that display 
strong economic activity between each other, with hubs centered in the US, China, UK 
and Germany. There are also local hubs of interaction in Europe and Asia. 

The variation in the amount of publications about SCRM shows a growing 
interest from researchers, their universities and support from their governments to 
perform the creation of content in the area. 

Future research about bibliometrics in the area ofSCRM may explore its relations 
with other areas of knowledge, as well to investigate more details about the co- 
authorships and the motivations to research in the area. 


244 


REFERENCES 


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246 


CAPÍTULO 14 


LUZ, CÂMERA, PALCO, AÇÃO: A CONTEMPORANEIDADE NO FIO DE UMA 
NAVALHA. 


Haydé Costa Vieira 

Professora de Língua Portuguesa e Literatura da Rede Estadual de Ensino de Mato 
Grosso do Sul (UFMS/CPTL). 

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras (área de concentração em 
Estudos Literários), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul — UFMS. 
E-mail: haydecosta(Dgmail.com 


Wagner Corsino Enedino 

Professor Associado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul — UFMS. Atua 
no Programa de Pós-Graduação em Letras, nível mestrado e doutorado, no Câmpus 
de Três Lagoas (UFMS/CPTL). 

Membro do GT Dramaturgia e Teatro da Associação Nacional de Pós-Graduação e 
Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll). 

E-mail: wagner.corsinoDufms.br 


RESUMO: Ancorado nos pressupostos teóricos de Magaldi (2004, 2008); Prado 
(1987); Pallottini (1989, 2006) e Enedino (2009), no que se referem à configuração do 
discurso teatral, nas contribuições de Aumont e Marie (2009); Xavier (2003) e Gomes 
(1987) para a abordagem da linguagem audiovisual do cinema, e nos aportes de 
Hutcheon (2011); Corseuil (2009) e Gomes (2008) acerca do desenvolvimento da 
adaptação cinematográfica, este trabalho visa refletir sobre o processo de 
transposição da obra dramática Navalha na Carne (1967), de Plínio Marcos, para o 
filme brasileiro A Navalha na Carne (1969), produção de Jece Valadão e direção de 
Braz Chediak . A escolha desse tema decorreu do interesse em investigar a literatura 
brasileira e sua relação com outras manifestações artísticas. Com efeito, serão 
destacados os discursos e as representações das personagens, assim como os seus 
espaços percorridos nas produções dramática e cinematográfica. 


PALAVRAS-CHAVE: Literatura Comparada; Teatro brasileiro contemporâneo; 
Adaptação cinematográfica; Violência; Plínio Marcos. 


ABASTRACT: Anchored in the theoretical assumptions of Magaldi (2004, 2008); 
Prado (1987); Pallottini (1989, 2006) and Enedino (2009), regarding the configuration 
of theatrical discourse, in the contributions of Aumont and Marie (2009); Xavier (2003) 
and Gomes (1987) for the approach of the audiovisual language of cinema, and in the 
contributions of Hutcheon (2011); this paper aims to reflect on the process of 
transposition of the play Navalha na Carne (1967), by Plínio Marcos, for the brazilian 
film A Navalha na Carne (1969), production of Jece Valadão and direction of Braz 
Chediak. The choice of this theme stems from the interest in investigating brazilian 
literature and its relation with other artistic manifestations. In fact, the speeches and 


247 


representations of the characters, as well as their spaces covered in dramatic and 
cinematic productions, will be highlighted. 


KEYWORDS: Comparative Literature; Contemporary brazilian drama; Film adaptation; 
Violence; Plínio Marcos. 


248 


1. INTRODUÇÃO 

A literatura contemporânea mantém o olhar firme na atualidade, dialogando 
com o passado e o futuro. Nessa direção, o filósofo Giorgio Agamben (2009, p. 65), 
assevera que “[...] ser contemporâneo é, antes de tudo, uma questão de coragem: 
porque significa ser capaz não apenas de manter fixo o olhar no escuro da época, 
mas também de perceber nesse escuro uma luz que dirigida para nós, distancia-se 
infinitamente de nós”. 

Apesar de percebermos, nesse lado tenebroso e obscuro uma claridade que 
se aproxima de nós, que nos diz algo, ela também se afasta, pois trata-se de uma 
realidade que está distante da nossa. Nessa perspectiva analítica, o professor 
universitário, teórico e crítico de literatura Karl Erik Schollhammer pondera que ser 
contemporâneo “[...] é ser capaz de se orientar no escuro e, a partir daí ter coragem 
de reconhecer e de se comprometer com um presente com o qual não é possível 
coincidir” (SCHOLLHAMMER, 2009, p. 10). 

O contemporâneo está em sintonia com o seu tempo, dialogando, 
transformando-o, buscando aquilo que nunca foi visto e sendo guiado por algo que 
extrapola sua vontade. Schollammer (2009, p. 9) argumenta que o contemporâneo 
busca o que há de mais obscuro para trazer à luz, pois “[...] graças a uma diferença, 
uma defasagem ou um anacronismo, é capaz de captar seu tempo e enxergá- lo”. 
Enxergar o tempo como ele é: com todos os seus problemas, diferenças e 
dificuldades, seja por identificação a outros períodos ou por distanciamento. Diante 
deste cenário permeado de (in)definição emerge, em solo nacional, a figura de 
Plínio Marcos; artista multifacetado e conhecido por trazer à baila a voz cáustica 
dos desvalidos. 

Plínio Marcos de Barros nasceu em Santos (SP), em 29 de setembro de 1935 
e faleceu em São Paulo (SP), em 29 de novembro de 1999. Iniciou a sua carreira 
artística em 1953 como o palhaço Frajola, no qual permaneceu alguns anos devido 
a sua paixão circense e, especialmente, por encanto a uma artista de circo. 

Em 1958, foi convidado por Paulo Lara a ensaiar Pluft, a fantasminha, peça 
infantil escrita pela dramaturga brasileira Maria Clara Machado. Após os ensaios da 
peça, decide escrever a sua primeira obra dramática, Barrela. Nessa época, 
conhece Patrícia Galvão, a Pagu, que o incentiva a realizar um espetáculo com o 
seu texto. Em 1959, sob a direção do próprio autor, Barrela estreia no Centro 


Português, de Santos, “para uma única apresentação, por ordem do presidente da 


170 


República, Juscelino Kubitschek” (MENDES, 2009, p. 91). 

Ocorre, todavia, que essa situação não o fez desistir da escrita de peças 
teatrais. Pelo contrário, durante a sua vida, Plínio Marcos produziu diversas obras 
dramáticas, tanto para o público adulto, como o infantil, nos quais se destacam 
Barrela (1958), Dois perdidos numa noite suja (1966), Navalha na carne (1967), 
Homens de papel (1968), O abajur lilás (1969), Querô, uma reportagem maldida 
(1979) — adaptação para o teatro do romance de mesmo nome, Jesus-Homem 
(1978), Madame Blavatski (1985), Balada de um palhaço (1986), A mancha roxa 
(1988), A dança final (1993), O bote da loba (1997) — no teatro adulto —, e As 
aventuras do coelho Gabriel (1965), O coelho e a onça (1988), Assembleia dos ratos 
(1989) — no teatro infantil. 

De acordo com crítico e ensaísta teatral Sábato Magaldi (2004), o dramaturgo 
Plínio Marcos foi, na década de 1960, a mais poderosa revelação de autor, uma vez 
que “A matéria peculiar de Plínio distingue-se da de seus antecessores, na medida 
em que fixa os marginalizados, os párias da sociedade, expulsos do convívio dos 
grupos estáveis pela ordem injusta” (MAGALDI, 2004, p. 307). No entanto, em 1964, 
conforme recordam Vieira e Enedino (2018), com os militares no poder, o teatro 
brasileiro começou a sofrer com as diversas perseguições e ações dos censores. 
Todas as peças que eram encenadas no país tiveram que ser submetidas à análise 
prévia do Departamento Federal de Segurança Pública. 

As décadas de 1960 e 1970 foram as mais difíceis na história das artes 
cênicas brasileiras, uma vez que “nesse ambiente de terror, o espaço para uma 
produção cultural de natureza crítica não existe. No caso do teatro, [...] convém 
lembrar que fora uma das principais trincheiras da resistência ao golpe militar, entre 
1964 e 1968” (FARIA, 1998, p. 164). Segundo a pesquisadora Luciana Stegagno 
Picchio (1997), o dramaturgo Plínio Marcos foi o mais censurado na moderna 
dramaturgia brasileira. 

Num país que tem por característica a pluridiversidade cultural, o artista fez 
uso de uma literatura envolta de signos que atravessam a cultura popular brasileira 
e trouxe para o palco dos teatros a dinamicidade de um país com variadas 
características geográficas, étnicas e sociais. O que inevitavelmente une os vários 
“Brasis” é a língua, o idioma, mas a multiplicidade e as variedades dessa língua é 
que garantem as particularidades das várias personagens que o artista criou; 
personagens que estão nas ruas, nos cabarés, no cais do porto de Santos, nos 


171 


mocós para encontros sexuais, em bares pestilentos, enfim, um leque de 
personagens que estão inseridas na adversidade e que exprimem a riqueza de suas 
falas e expressões. 

Toda essa variedade de pessoas que Plínio Marcos traz para o seu processo 
criativo está em todos os lugares e, especialmente, no inconsciente coletivo, o que 
facilita a decifração de seu código, muitas vezes considerado transgressor. São 
personagens que representam a face verdadeiramente brasileira do homem em 
cena, seja pelo realismo que exprimem, seja pelo tom lírico que muitas vezes reside 
nas suas falas. Em outras palavras, representam a voz cáustica de um povo que 
a sociedade considera com “sujeira” e que, na maioria das vezes, só se preocupa 
em esconder debaixo do tapete. 

Destaca-se que os textos do autor não eram exatamente de vertente política, 
de pobres contra ricos, porém trazia uma experiência amarga dos desvalidos, e isso 
representou uma grande novidade no âmbito da dramaturgia brasileira 
contemporânea. O autor foi durante muitos anos censurado, e apesar de não 
conseguir encenar durante a ditadura grande parte das peças que escreveu, marcou 
de forma indelével o teatro brasileiro com textos envoltos de poética dura, violenta 
e agressiva, haja vista que “Mesmo em um teatro de situações, como o de Plínio 
Marcos, a exposição de motivos traduz um aprendizado em relação à condição 
vivida pelos personagens” (GUINSBURG; FARIA; LIMA, 2006, p. 239). 

Nessa intensidade de opressão a que se submetem as maldades exercidas 
com terror, mas sem traços de piedade fazem de suas criaturas seres especiais no 
painel da dramaturgia brasileira e inscreve-as no que há de melhor de sua 
dramaturgia: diálogos com limpeza completa de ornamentos inúteis. Com efeito, 
Plínio Marcos é um dos autores mais censurados do nosso palco. E embora 
afirmasse enfaticamente que nunca escrevia pensando na censura, ela sempre 


exerceu um papel significativo negativo em sua criação. 


2. SOB O SIGNO DA RESISTÊNCIA: O TEATRO DE UM TEMPO MAU 

O teatro é um entre os diversos meios de manifestação de arte. A arte pode (e 
deve) ser vista como reflexão e transformação. Ela é um instrumento de influência e, 
consequentemente, introduz profundas mudanças na sociedade em geral. A arte 
possui dois pontos importantes: o primeiro, como função de reflexão, informação, 


educação e incitação e, o segundo, a da ação de divertimento e do prazer. 


172 


Para os estudos de teatro, “[...] costuma-se conceder prioridade ao texto, na 
análise do fenômeno teatral” (MAGALDI, 2008a, p. 15). O encenador Gaston Baty 
encontrou uma bela explicação para exprimir a precedência do elemento literário: 

O texto é a parte essencial do drama. Ele é para o drama o que o caroço é 
para o fruto, o centro sólido em torno do qual vêm ordenar-se os outros 
elementos. E do mesmo modo que, saboreado o fruto, o caroço fica para 
assegurar o crescimento de outros frutos semelhantes, o texto, quando 
desapareceram os prestígios da representação, espera numa biblioteca 
ressuscitá-los algum dia (apud MAGALDI, 2008a, p. 15). 

No teatro, como assevera Décio de Almeida Prado (1987a), temos a ação; 
enquanto no romance, a narração. As personagens do teatro constituem 
praticamente a totalidade da obra, pois nada existe a não ser por meio delas. “Em 
suma, tanto o romance como o teatro falam do homem — mas o teatro o faz através 
do próprio homem, da presença viva e carnal do ator” (PRADO, 1987a, p. 84). 

Desse modo, como reforça Prado (1987a), a personagem do teatro, para dirigir- 
se ao público, dispensa a mediação do narrador. Por conseguinte, a fábula não é 
contada, mas mostrada como se fosse de fato a própria realidade. O personagem é 
um determinante da ação, que é, portanto, um resultado de sua existência e da forma 
como ela se apresenta. O personagem é o ser humano (ou um ser humanizado, 
antropomorfizado) recriado na cena por um artista-autor, e por um artista-ator 
(PALLOTTINI, 1989, p. 11). 

De acordo com Enedino, Silva e Bulhões (2016), a dramaturgia de Plínio 
Marcos traz comportamentos, linguagens e, especialmente, um grande desafio de 
viver à margem da sociedade numa condição pós-moderna. Na obra dramática 
Navalha na Carne, na qual “Plínio concluiu em três noites” (MENDES, 2009, p. 158), 
conta com apenas três personagens marginalizadas: a prostituta Neusa Sueli, o 
cafetão Vado e o empregado homossexual de um hotel de quinta classe Veludo. 

Segundo Mendes (2009), uma portaria publicada pelo Departamento de Polícia 
Federal proibiu a encenação da peça Navalha na Carne, em 19 de junho de 1967. 
Após assistir ao ensaio desse espetáculo para alguns convidados, no Rio de Janeiro, 
a atriz brasileira Tônia Carrero viu naquela obra a oportunidade de superar o 
estereótipo da “mulher glamourosa, bonita, enjoadinha” (MENDES, 2009, p. 164). 
Sendo assim, decidiu entrar na luta contra a censura e a liberação da peça terminou 
no gabinete do Ministro da Justiça, para onde foram Tônia Carrero e Plínio Marcos. 


Devido à pressão sofrida, o ministro liberou o espetáculo para maiores de 21 anos e a 


173 


expedição da ordem de liberação foi publicada no dia 06 de setembro de 1967. 

A partir de outubro de 1967, no Teatro Maison de France, no Rio de Janeiro, 
esse espetáculo foi representado por Tônia Carrero (Neusa Sueli), Nelson Xavier 
(Vado), Emiliano Queiroz (Veludo) e Fauzi Arap para a direção da peça. Tônia 
relembra: 

Quando eu fiz Neusa Sueli engordei oito quilos, botei enchimento no peito, 
um traseiro enorme, deixei o cabelo sem pintar. As minhas rugas, que o Ivo 
Pitangui tinha tirado, eu pus todas de volta. Minha figura era uma tristeza, 
lamentável. Meu irmão falou assim: “Eu não vou ver, é uma vergonha”. Eu 
era casada desde 1964 com o César Thedim, que ajudou a Sara Ferez a 
fazer o cenário. César me aconselhava: “Não diga palavrão, não vai ficar 
bem; diga vaca, galinha, piranha em lugar de puta; eu duvido que Barbara 
Heliodora vá gostar de ouvir você falando essas coisas”. Realmente, a 
Barbara disse: “Olha, fica muito pesado na sua boca, troca”. Mas eu fui com 
a cara e a coragem e isso é que foi um espanto (apud MENDES, 2009, p. 
164). 

Navalha na Carne, escrita em 1967, é uma obra dramática em um ato. De 
acordo com o site Enciclopédia Itaú Cultural (2019), a peça apresentada no Rio de 
Janeiro (em 1967) foi parcialmente censurada e só retornou aos palcos, montada na 
íntegra, em 1980. O espetáculo de Tônia Carrero, Nelson Xavier e Emiliano Queiroz 
conquistou diversas premiações, dentre elas, o Prêmio Moliêre e a Associação de 
Críticos Cariocas para a atriz Tônia Carrero. 

A peça de Plínio Marcos tem como espaço um sórdido quarto de hotel de quinta 
classe, com um guarda-roupa bem velho, um espelho de corpo inteiro, uma cama de 
casal, um criado-mudo e uma cadeira velha. Após a tentativa de realizar alguns 
programas, Neusa Sueli retorna ao seu quarto e encontra o cafetão Vado, deitado na 
cama, a ler uma revista em quadrinhos. Está furioso com Neusa, pois não encontrou 
o dinheiro que costumava deixar no criado-mudo. Começa a agredi-la verbalmente e 
fisicamente devido a esse ato. Porém, a prostituta informa que deixou o dinheiro no 
lugar combinado. Após algumas discussões, Neusa Sueli suspeita que Veludo, o 
empregado do hotel, ao limpar o seu quarto, furtou o dinheiro para gastá-lo com o 
jovem do bar. Após essa afirmação de Neusa Sueli, Vado pede para chamá-lo para 
descobrir a verdade. “Interrogatório nos mais persuasivos métodos policiais, e Veludo 
acaba confessando que tirou a quantia destinada a Vado: a metade fora para o 
resistente rapaz do bar e a outra metade para a maconha” (MAGALDI, 2008b, p. 207). 

A partir desse momento, percebe-se que as três personagens estão envolvidas 


em uma relação de tensão psicológica e violência. “O círculo vicioso em que vivem as 


174 


três personagens revela a dependência e a dificuldade de tomada de novos rumos 
por parte delas” (ARAÚJO, 2015, p. 40). Assim sendo, Neusa Sueli, Vado e Veludo 
são personagens marginalizadas no submundo em que vivem: 


[...] NEUSA SUELI — É teimoso como uma mula. Vou te ajudar a lembrar. 
(Apanha uma navalha na bolsa.) Vou te arrancar os olhos! (Aproxima a 
navalha do rosto de Veludo.) 

VELUDO — Não! Pelo amor de Deus! Não, Neusa Sueli! Não! VADO — Pode 
cortar esse miserável! 

NEUSA SUELI — Vai contar tudinho? 

(Veludo faz que sim com a cabeça.) 

VADO — A bicha ficou apavorada. NEUSA SUELI — Então começa. VADO — 
Fala logo, anda! 

VELUDO — Estou sem ar. 

VADO — Não vem com frescura! Não vem com frescura! 

NEUSA SUELI — Veludinho, é melhor pra você contar tudo direitinho. É pro 
seu bem, querida. 

VELUDO — Você me perdoa, Neusa Sueli? Eu devolvo tudinho. Eu não 
aguentei. Eu vim arrumar o quarto, o Seu Vado estava dormindo, eu peguei 
o dinheiro e dei pro rapaz do bar. Eu estava gamado nele. Juro que devolvo. 
VADO — Canalha! Miserável! Veado safado! Deu todo o metal pro trouxinha? 
VELUDO — Só dei a metade. 

VADO — E o resto da grana? E o resto? VELUDO — Comprei um baseado de 
erva. 

VADO - Sacana! Eu de presa seca e ele se tratando. [...] (PLÍNIO MARCOS, 
2008, p. 150-151). 


Figura 01. Navalha na Carne, 1967. Com Tônia Carrero, Emiliano Queiroz e Nelson Xavier. Teatro 
Maison de France, Rio de Janeiro 





Após a promessa da devolução do dinheiro e a entrega do cigarro de erva a 
Vado, percebe-se um princípio de reconciliação. Vado e Veludo, começam a simular 
uma cena ambígua, na qual é cortada por Neusa Sueli que expulsa Veludo de seu 
quarto. Na saída, a cnama de “galinha velha” e Vado aproveita essa expressão para 
feri-la e humilhá-la: 


[...] VADO — Você é enganadora. 
NEUSA SUELI — Você anda por aí. E só perguntar pra qualquer uma. Elas te 
dizem como a barra anda pesada. 


175 


VADO -— Isso é desculpa de velha. NEUSA SUELI — Velha, não. 

VADO — Velha, sim. Todo mundo te acha um bagaço. Não viu o que o Veludo 
disse? NEUSA SUELI — O que foi? 

VADO — Te chamou de galinha velha. NEUSA SUELI — Despeito de bicha. 
VADO -— Falou certo. Você está velha mesmo. NEUSA SUELI — Só porque 
você quer. 

VADO - É, né? Mostra os teus documentos. 

(Vado vai pegar a bolsa de Neusa Sueli, ela o impede.) 

NEUSA SUELI — Tenho trinta anos. VADO — Deixa eu ver os papéis. 
NEUSA SUELI — Que onda besta! VADO — Deixa eu ver. 

NEUSA SUELI — Não torra a paciência! VADO — Está com medo? 

NEUSA SUELI — Medo, não. Acho besteira. 

VADO — Mentiu, agora não quer que prove a tua idade. NEUSA SUELI — 
Tenho trinta. 

VADO - No mínimo cinquenta anos [...] (PLÍNIO MARCOS, 2003, p. 162- 
163). 


Neusa Sueli tenta inverter a situação: com uma navalha em mãos, insinua 


que o Vado cumpra com os seus deveres de cafetão: 


[...] NEUSA SUELI — Vou te dar a grana. (Pega o dinheiro na bolsa.) Está aí 
todo o dinheiro que tenho. Pronto. É seu. Está contente? 

VADO — Tá legal. Assim é que é. Agora, tchau mesmo! 

NEUSA SUELI — Não, você não vai saindo assim, não. Não leva a minha 
grana? Não é meu cafetão? 

VADO — Vê se me esquece, velhota! NEUSA SUELI — Você não vai se 
arrancar! VADO — E por que não? 

NEUSA SUELI — Nós vamos trepar. VADO — Tá caducando? 

NEUSA SUELI — E vai ter que ser gostoso. [...] 

(Neusa Sueli fecha a porta do quarto e guarda a chave no seio.) 

NEUSA SUELI — Viu? Já se tocou? [...] 

VADO — (Deitando na cama.) Boa noite, velha! 

NEUSA SUELI — (Pega a navalha.) Vado, se você dormir, eu te capo, seu 
miserável! VADO — Que é isso? Tá louca? 

NEUSA SUELI — Estou. Estou louca de vontade de você. Se você não for 
comigo agora, não vai nunca mais com ninguém. 

VADO — Mas o que é isso, mulher? 

NEUSA SUELI — Pode escolher, seu filho-da-puta! [...] (PLÍNIO MARCOS, 
2008, p. 166-167). 


Figura 02. Navalha na Carne, 1967. Com Tônia Carrero e Nelson Xavier. Teatro Maison de France, 
Rio de Janeiro 





Foto: Reprodução 


176 


Ao se ver acuado, Vado começa a tratar bem Neusa Sueli, fala macio e finge 


seduzi-la. A prostituta se rende e desfaz-se da arma. Vado, sentindo-se seguro, sai 


de cena e a deixa sozinha: 


[...] NEUSA SUELI — Você sabe conversar. 

VADO — Que nada! Sou é da firmeza. Meu defeito é brincar muito. NEUSA 
SUELI — Eu estou na merda... Eu estou na merda... 

VADO — Que papo careca é esse? NEUSA SUELI — Você me arreou. 

VADO — Não complica. Larga o ferro e está tudo legal. 

(Neusa Sueli deixa cair no chão a navalha que segurava.) 

VADO -— Assim. Bonitinha. É gamada em mim, pra que fazer guerra? 

(Vado aproxima-se de Neusa Sueli, que está sentada na cama. Vado começa 
a acariciá-la, enquanto disfarçadamente, retira a chave da porta que estava 
no seio de Neusa Sueli. Em poder da chave, ele se encaminha pra porta, 
abre-a e sai. Neusa Sueli, quando percebe que Vado saiu, corre até a porta 
e grita:) 

NEUSA SUELI — Vado!... Vado!... Você vai voltar?... Você vai voltar”... 
(Neusa Sueli fica por algum tempo parada na porta, depois volta, pega um 
sanduíche de mortadela, senta-se na cama, fica olhando o vazio por algum 
tempo. Depois, prosaicamente, começa a comer o sanduíche.) (PLÍNIO 
MARCOS, 20083, p. 169). 


Figura 3. Navalha na Carne, 1967. Com Tônia Carrero e Nelson Xavier. Teatro Maison de France, 
Rio de Janeiro 





Foto: Reprodução 


Prado (1987b, p. 218) observa que o ponto de convergência entre as três 


personagens “é a luta feroz em torno de posições de superioridade e inferioridade, a 


ânsia de agredir para não ser agredido, de dominar para não ser dominado”. 


Para Magaldi (2008b), a matéria primordial que distingue as personagens é a 


tristeza, na qual pode ser caracterizada em diversas formas: Veludo é prisioneiro do 


vício e obrigado a furtar dinheiro de Neusa Sueli para obter afeto de um rapaz. Vado, 


também prisioneiro do vício, para conseguir se sustentar e conquistar mulheres mais 


jovens e bonitas que Neusa Sueli, precisa do dinheiro da prostituta. Neusa Sueli, 


177 


apaixonada por Vado, aguenta humilhações e violências físicas para ficar um pouco 
ao seu lado. A partir desses fatos, a personagem Neusa Sueli consegue perceber seu 


sentimento de que os três são seres reduzidos à imanência: 


“Às vezes chego a pensar: poxa, será que eu sou gente? Será que eu, você, 

o Veludo somos gente” (Triste) — Chego até a duvidar! Duvido que gente de 

verdade viva assim, aporrinhando o outro, um se servindo do outro”. A 

condição de objeto, de criaturas exiladas no mundo (no submundo), que Sueli 

intui, implica uma bonita nostalgia de transcendência, que engrandece a 

personagem e a recupera para uma ética superior (MAGALDI, 2008b, p. 210). 

Na visão de Magaldi (2008b, p. 210), “parecem-nos infelizes os consideranda 

do Departamento de Polícia Federal, ao proibir a encenação total ou parcial de 
Navalha na Carne em todo o País”. Toda obra de arte, em especial, a dramaturgia e 
o teatro, não têm o intuito de chocar gratuitamente o público. Isso ocorre, pois, a peça 
denuncia “uma realidade, que precisa ser corrigida, ela acabaria por resguardar a 


sociedade de males que a solapam” (MAGALDI, 2008b, p. 210). 


3. DA MARGEM AOS PALCOS; DOS PALCOS ÀS TELAS 

Na visão do pesquisador Paulo Emílio Sales Gomes (1987), o cinema é como 
teatro romanceado ou romance teatralizado. “Teatro romanceado, porque, como no 
teatro, ou melhor no espetáculo teatral, temos as personagens da ação encarnadas 
em atores” (GOMES, 1987, p. 106). 

Para a pesquisadora Linda Hutcheon (2011), o cinema é geralmente 


considerado a mais inclusiva e sintética das formas de performance, pois 
Uma linguagem compósita em virtude dos seus diferentes meios de 
expressão — fotografia sequencial, música, ruído e som fonético — o cinema 
herda” todas as formas de arte associadas a tais meios de expressão [...]- a 
visualidade da fotografia e da pintura, o movimento da dança, o décor da 
arquitetura e a performance do teatro” (STAM, 2000, p. 61, apud 
HUTCHEON, 2011, p. 63). 

Conforme (Gomes (1987), no cinema, como no espetáculo teatral, as 
personagens se encarnam em pessoas, em atores. A articulação entre personagens 
encarnadas e o público é bastante diversa nos dois casos. “De um certo ângulo, a 
intimidade que adquirimos com a personagem é maior no cinema que no teatro. Neste 
último a relação se estabelece dentro de um distanciamento que não se altera 
fundamentalmente” (GOMES, 1987, p. 112). 

No cinema, quando assiste a uma cena que provoca um descarregamento de 
sentidos e emoções, verifica-se, em vários espectadores, o acontecimento da catarse. 


178 


Esse fato também ocorre com o teatro, pois, segundo Aristóteles, a catarse (do grego 
kátharsis, que significa “purificação”, “evacuação” ou “purgação”) é o meio do qual o 
homem purifica a sua alma através da representação trágica. 

Desde que o cinema se impôs como espetáculo de massa, provocou o 
interesse de filósofos, sociólogos, historiadores, linguistas, literários, jornalistas e 
críticos de arte em pesquisar sobre a sua produção e os seus efeitos. Devido a esses 
estudos, perceberam que muitos filmes divulgados (e aqueles que estão previstos a 
serem lançados) surgiram de adaptações de romances, teatros, poemas, quadros, 
músicas, danças, dentre outros. 

A noção de adaptação, de acordo com os estudiosos Jacques Aumont e 
Michel Marie (2009), está no centro das discussões teóricas desde a origem do 


cinema, uma vez que estão ligadas às noções de especificidade e de fidelidade. 


A adaptação é, em certo sentido, uma noção vaga, pouco teórica, cujo 
principal objetivo é o de avaliar ou, no melhor dos casos, de descrever e de 
analisar o processo de transposição de um romance para roteiro e depois 
para filme: transposição das personagens, dos lugares, das estruturas 
temporais, da época onde se situa a ação, da sequência de acontecimentos 
contados etc. Tal descrição, no mais das vezes avaliadora, permite 
apreciar o grau de fidelidade da adaptação, ou seja, recensear o número 
de elementos da obra inicial conservados no filme (AUMONT; MARIE, 
2009, p. 11-12). 


Na visão de Hutcheon (2011, p. 30), a adaptação pode ser descrita de três 
modos: “[...] uma transposição declarada de uma ou mais obras reconhecidas; um ato 
criativo e interpretativo de apropriação/recuperação; um engajamento intertextual 
extensivo com a obra adaptada”. Desse modo, para Hutcheon (2011, p. 30), “[...] a 
adaptação é uma derivação que não é derivativa, uma segunda obra que não é 
secundária”. 

De acordo com os artigos publicados pelo professor André Luís Gomes (2008), 
o termo “adaptação” é negado por alguns estudiosos, pois entendem como facilitação 
e/ou modernização do texto literário. Logo, esses pesquisadores preferem utilizar os 


termos “transposição”, “transmutação” e “transcrição” ao invés de “adaptação”. 


1 


Pairam dúvidas sobre o melhor termo a ser utilizado, e essas dúvidas 
podem ser verificados quando se observa que, nos créditos dos filmes, 
temos ora “adaptação”, ora “adaptação livre”, ora “inspirado em”, ora 
“baseado em” etc. A escolha de um desses termos sugere, de certa forma, 
a intenção do roteirista e/ou diretor em dizer algo sobre os mecanismos e 
procedimentos adotados na transposição teatral ou fílmica (GOMES, 2008, 
p. 255). 


Ocorre, todavia, que quando o cinema percebeu o seu potencial narrativo, 


179 


procurou apoiar-se em um modo consagrado de narrar fábulas. Desse modo, a 

literatura ao se deparar com essa nova maneira de transmitir a sua história, decidiu 

experimentar e incorporar nessa nova situação. Nessa verve, cumpre ressaltar que: 
Qualquer comparação entre um filme adaptado e o texto literário poderá 
ser mais produtiva se levadas em conta, tanto as especificidades de cada 
meio como as similaridades das narrativas adaptadas e, a partir daí, propor 
uma reflexão crítica sobre os efeitos que a adaptação conseguiu ou não 
criar (CORSEUIL, 2009, p. 370). 

Como foi apontado por Magaldi (2008a), o cinema e a televisão sobrepujaram 
o teatro como artes coletivas. Porém, não podemos pensar que o teatro desaparecerá, 
pois “fornece um prazer estético preciso: o da comunicação direta do ator para o 
público” (MAGALDI, 2008a, p. 117). Assim sendo, o cinema, a televisão e o teatro são 
artes que proporcionam aos seus telespectadores e a sua plateia entretenimento, 
reflexão, informação e incitação. 

O filme desenvolveu rapidamente a sua marca narrativa característica e 
assim criou suas próprias histórias, em vez de meramente reproduzir as 
existentes. Mesmo uma adaptação fiel de uma peça ou romance é uma forma 
de história única, existindo por si só e de maneira bem distinta do original 
(ARMES, 1999, p. 117, apud GUIDO & ESTEVINHO-GUIDO, 2012, p. 26, 
itálico do autor). 

Com o movimento do Cinema Novo, após 1963, os cineastas do Brasil 
conseguiriam apresentar excelentes resultados à adaptação de obras literárias 
brasileiras, como, por exemplo, os romances Mémorias póstumas de Brás Cubas 
(1881), de Machado de Assis; Macunaíma (1928), de Mário de Andrade; Menino de 
engenho (1932), de José Lins do Rego; Triste fim de Policarpo Quaresma (1935), de 
Lima Barreto; Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos; Dona Flor e os seus dois 
maridos (1966), de Jorge Amado; Lavoura arcaica (1975), de Raduan Nassar; 
entre outras. 

O romance brasileiro adaptado para o cinema mais famoso é Cidade de Deus 
(1997), de Paulo Lins. Como recorda os pesquisadores Laurent Jullier e Michel Marie 
(2009), este filme foi projetado na seleção oficial de não competidores do Festival de 
Cannes de 2002 e quatro indicações ao Oscar (Melhor Diretor, Melhor Roteiro 
Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia). Este longa teve direção de Kátia Lund 
e Fernando Meirelles e roteiro de Bráullio Mantovani (baseado no romance de Paulo 
Lins). 

Na dramaturgia brasileira que tiveram seus textos adaptados para a sétima arte 
foram: Álbum de família (1946), A falecida (1953), Boca de ouro (1959), Beijo no 


180 


asfalto (1961), Toda nudez será castiga (1965) e Os sete gatinhos (1980), de Nelson 
Rodrigues; Auto da Compadecida (1955), de Ariano Suassuna; Lisbela e o Prisioneiro 
(1964), de Osman Lins; dentre outras. 

Dos textos dramáticos produzidos por Plínio Marcos e encenados em vários 
palcos brasileiros e estrangeiros, nos quais foram adaptados para o cinema brasileiro 
foram os Dois perdidos numa noite suja (1966), Navalha na carne (1967) e Querô, 


uma reportagem maldita (1979). 

Em Dois Perdidos, que se inspirou num conto de Alberto Moravia, ele deu 
ao conflito de duas criaturas em cena um tratamento paroxístico, em que 
se misturam violência, sadismo, exercício do poder e até uma “luta de 
cérebros” de conotações ambíguas. Uma prostituta, um cáften e o criado 
homossexual de um prostíbulo são as personagens de Navalha, 
exprimindo-se numa linguagem de inteira crueza, que não recua ante o 
palavrão. [...] (MAGALDI, 2004, p. 307). 

As violências física e verbal estão presentes nas peças de Plínio Marcos. As 
agressões entre as personagens, como verifica Araújo (2015), chega, em alguns 
momentos, a pico de uma tensão quase insuportável, especialmente, no que diz 
respeito ao poderio machista. “Assim, em muitos momentos, o prazer das 
personagens está em ver o outro sofrer, evidente demonstração do desgaste do 
contrato social na trama estabelecida por Plínio Marcos” (ARAÚJO, 2015, p. 76). 

A peça Navalha na carne foi transposta para o cinema, pela primeira vez, em 
1969, nos quais participaram a atriz brasileira Glauce Rocha (sendo a prostituta Neusa 
Sueli) e os atores brasileiros Jece Valadão (o cafetão Vado) e Emiliano Queiroz (o 
homossexual Veludo), filme dirigido por Braz Chediak e produzido por Jece Valadão. 
Em 1997, foi a vez da atriz brasileira Vera Fischer ser a Neusa Sueli, o ator cubano 
Jorge Perugorría (o cafetão Vado) e o ator brasileiro Carlos Loffler, o homossexual 
Veludo, com texto escrito e dirigido por Neville d'Almeida. 

Neste trabalho será abordado o longa-metragem de 1969: com duração de uma 
hora e meia, e com imagens em preta e branca, o filme A Navalha na Carne, tem como 
elenco Jece Valadão (Vado), Glauce Rocha (Neusa Sueli), Emiliano Queiroz (Veludo), 
Ricardo Maciel (rapaz do bar) e Carlos Kroeber (cliente). Original de Plínio Marcos e 
roteiro de Braz Chediak, Emiliano Queiroz e Fernando 
C. Ferreira. A equipe técnica foi composta pelo assistente de direção Sindoval de 
Aguiar, assistente de câmara Walter Nolausky, maquiador Luiz Abreu e assistente de 
montagem Jaime Justo. Laboratório Líder Cinematográfica, engenheiro de som Aloísio 
Viana, efeitos especiais Geraldo José e fotógrafo de cena Valentin. As perucas 

181 


utilizadas foram da Rosinha das Perucas. Equipe de produção Gilberto Lima e Souza 
e Fernando Lopes. Cenários de Cláudio Moura e montagem Rafael Valverde. 
Fotografia e câmera Hélio Silva. Produção de Jece Valadão. Direção Braz Chediak. 

Jece Valadão, pseudônimo de Gecy Valadão (1930-2006), foi um ator, diretor 
e produtor brasileiro. Nasceu no interior do Rio de Janeiro (Campos do Goytacazes), 
atuou e produziu diversos trabalhos na televisão, teatro e cinema. Glauce Rocha (1930- 
1971), nasceu em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, foi uma atriz que 
atuou no teatro, televisão e cinema brasileiro. Emiliano de Guimarães Queiroz, 
conhecido como Emiliano Queiroz (1936- ), nasceu em Aracati, estado do Ceará, e 
atualmente atua como ator, radialista, autor, diretor e roteirista brasileiro. 

O filme A Navalha na Carne, de 1969, inicia com as imagens de Neusa Sueli 
se arrumando em seu quarto. Logo depois sai para realizar os seus programas. Nesta 
ocasião aparecem cenas externas (de ruas) e a espera de Neusa Sueli para conseguir 
clientes. Além disso, surgem imagens de Veludo em um encontro amoroso com um 


rapaz do bar. Após muito tempo na rua à espera de um cliente, ocorre o programa. 


Figura 04. A Navalha na Carne, 1969. Com Glauce Rocha e Carlos Kroeber. Obra cinematográfica. 





Foto: Reprodução 


Naquela noite, Neusa Sueli consegue atender apenas um cliente e, no final do 
expediente, retorna exausta para casa. Ao adentrar ao hotel, vê o rapaz do bar saindo 


do quarto de Veludo: 


182 


Figura 05. A Navalha na Carne, 1969. Com Glauce Rocha e Ricardo Maciel. Obra cinematográfica. 





Foto: Reprodução. 


Ao entrar em seu quarto, encontra Vado deitado em sua cama. Essas cenas, 
que duram um pouco mais vinte e sete minutos, não possuem diálogos entre as 
personagens e, com as imagens e sons de carros e passos das pessoas, 


conseguimos compreender a fábula. 


Figura 06. A Navalha na Carne, 1969. Com Glauce Rocha. Obra cinematográfica. 





Foto: Reprodução. 


Os produtores do filme utilizaram a mesma fábula da peça para a montagem 
cinematográfica. Percebe-se também que os organizadores da obra cinematográfica 
de 1969 utilizaram os discursos da peça de Plínio Marcos, porém, decidiram alterar 
alguns verbetes ou expressões (neste caso, os palavrões) por vocábulos 


considerados “menos ofensivos”: 


[...] VADO — Então diz! Diz! Quero escutar. Diz de uma vez, antes que eu te 
arrebente. Por que eu fico com você? 

NEUSA SUELI — Por causa da grana. 

VADO -— Repete, sua vaca! Repete! Repete! Anda! NEUSA SUELI — Por 
causa da grana. 

VADO — Repete mais uma vez. NEUSA SUELI — Por causa da grana. VADO 
— Mais alto, sua puta nojenta! NEUSA SUELI — Por causa da grana. [...] 
NEUSA SUELI — Sei... Sei, sim (Chora.) 


183 


VADO — Para de chorar! Porra, será que vou ter de aturar até essa onda de 
choro? [...] (PLÍNIO MARCOS, 2008, p. 142-143). 

[...] VADO — Então diz! Diz! Eu quero escutar. Diz, antes que eu te arrebente. 
Por que eu fico com você? 

NEUSA SUELI — Por causa da grana. 

VADO -— Repete, sua vaca! Repete! Repete! Anda! NEUSA SUELI — Por 
causa da grana. 

VADO — Repete mais uma vez. NEUSA SUELI — Por causa da grana. VADO 
— Mais alto, sua vaca nojenta! NEUSA SUELI — Por causa da grana. [...] 
NEUSA SUELI — Sei... Sei, sim (Chora.) 

VADO -— Para de chorar, pô! Será que eu vou ter de aturar essa onda de 
choro, também? [...] (A Navalha na Carne, 1969, 35min42). 


Na obra dramática como na cinematográfica, observam-se várias cenas com 
agressões psicológicas e físicas. Fica claro, durante as cenas apresentadas, que o 
poder do sexo masculino se impõe sobre o feminino. Como afirma Araújo (2015, p. 73), 
“para descarregar sobre Neusa o seu ódio incontido, Vado se investe de todo o poder 
do 'macho' que ele aprendera a ser”. As ações de Vado estão repletas de uma 
misoginia que se manifesta no tratamento da mulher com quem tem um 


relacionamento e negócio. 


Figura 07. A Navalha na Carne, 1969. Com Glauce Rocha e Jece Valadão. Obra cinematográfica. 





Foto: Reprodução. 


Para demonstrar o seu poder, tanto na peça como no filme, Vado também utiliza 
da violência psicológica e física para conseguir a confissão de Veludo sobre o 
desaparecimento de seu dinheiro. Nesse segmento, pode-se afirmar que “Veludo, 
zelador homossexual da pensão em que moram Neusa Sueli e Vado, é quem provoca 
o conflito inicial da trama ao roubar certa quantia de dinheiro do quarto do cafetão 
enquanto dormia” (ARAÚJO, 2015, p. 41). 


184 


Figura 08. A Navalha na Carne, 1969. Com Emiliano Queiroz, Jece Valadão e Glauce Rocha. Obra 
cinematográfica. 





Foto: Reprodução. 


Em vista disso, Vado, cafetão, explorador de mão de obra de prostitutas, é um 
homem viril e violento. Em sua relação com as personagens, como reforça Araújo 
(2015, p. 41), “é aquele que supostamente representa o poder e o controle diante de 
todas as situações”. Verifica-se essa afirmação quando, em primeiro momento, 
agrediu Neusa Sueli devido à ausência do repasse do dinheiro. No segundo momento, 
quando interroga veludo para obter as informações dessa quantia que havia sido 
furtada. E no terceiro momento, após fazer as “pazes” com Veludo, o cafetão tenta 
força-lo a consumir maconha junto com ele. Sendo assim, Vado está no domínio de 
todas as situações da trama. 

O espaço da obra cinematográfica possui algumas diferenças, comparando 
com da obra dramática. No cinema, existem as gravações no estúdio (quarto de Neusa 
Sueli) e no ambiente externo (ruas e comércio local). A maior parte das filmagens 
ocorreu no espaço quarto de Neusa Sueli (com uma cama de casal, um criado-mudo, 
uma pia, um espelho pequeno, uma mesa pequena, duas cadeiras, uma caixa de 
madeira, uma cômoda, uma penteadeira, sendo todos os móveis velhos). 

Dessa maneira, pode-se observar que a transposição realizada (do teatro para 
o cinema), tem a presença de vários elementos em comum: as personagens 
principais, o espaço (quarto), à época, a sequência didática e os discursos. O que 
diferencia do teatro para o cinema é que, na transposição realizada, na obra 
cinematográfica procura expor alguns detalhes nos quais na obra dramática ficam 


apenas subentendidos ou citados nos discursos das personagens. 


185 


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

De acordo com Aumont e Marie (2009), quando realiza a análise de uma 
transposição, neste caso, do teatro para o cinema, permite o avaliador examinar o 
grau de fidelidade da adaptação. Na peça Navalha na Carne (1967), de Plínio Marcos 
e na obra cinematográfica A Navalha na Carne (1969), com roteiro de Braz Chediak, 
Emiliano Queiroz e Fernando C. Ferreira, produção de Jece Valadão e direção Braz 
Chediak, o espectador verifica que os produtores cinematográficos procuraram obter 
o grau mais próximo de fidelidade da adaptação. 

Um exemplo que pode ser apresentado é sobre as personagens. Vado, Neusa 
Sueli e Veludo aparecem nas duas obras de artes analisadas: texto dramático/teatro 
e cinema. Cliente e jovem do bar foram apenas citados na primeira obra de arte (nos 
discursos das personagens), todavia, surgem “encarnados” na segunda. As 
personagens, também podem ser transportados de um texto a outro, e, a rigor, 
conforme alega Murray Smith, são cruciais aos efeitos retóricos e estéticos de textos 
narrativos e performativos, pois engajam a imaginação dos receptores através do que 
ele chama de reconhecimento, alinhamento e aliança (SMITH, 1995, p. 4-6 apud 
HUTCHEON, 2011, p. 33) 

Nesse viés, a obra cinematográfica A Navalha na Carne possui uma 
transposição declarada de uma obra reconhecida (a peça dramática de Plínio 
Marcos). “Com as adaptações, parece que desejamos tanto a repetição quanto a 
mudança. Talvez seja por isso que, aos olhos da lei, a adaptação é uma obra 
“derivativa” — isto é, baseada numa ou mais obras preexistentes, porém 
'reencenada, transformada'.” (HUTCHEON, 2011, p. 33). 

Segundo Ismail Xavier (2003), houve uma época em que era mais comum 
certa rigidez de postura, e as “traições” de transposições quase não ocorriam. 
Porém, nas últimas décadas, as cobranças perderam terreno e “e passou-se a 
privilegiar a ideia de “diálogo” para pensar a criação das obras, adaptações ou não” 
(XAVIER, 2008, p. 61), isso ocorre, pois, cada filme tratou de definir a sua leitura da 


tradição literária. 


186 


REFERÊNCIAS 


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Paulo: Instituto Itaú Cultural, 2008. p. 61-89. 


188 


CAPÍTULO 15 


PERDA DE ÁGUA E A REABILITAÇÃO DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO 
WATER LOSS AND REHABILITATION OF SUPPLY SYSTEMS. 


Ana Alice Quintans de Araujo 

Doutoranda em Engenharia Ambiental da Universidade Estadual da Paraíba — UEPB 
Endereço: Av. Juvêncio Arruda, s/n - Universitário, Campina Grande/PB, CEP: 58109-790 
E-mail: anaalicegOgmail.com 


Amanda Raquel Bezerra de Lima 

Graduanda em Engenharia Ambiental da Universidade Estadual da Paraíba — UEPB 
Endereço: Av. Juvêncio Arruda, s/n - Universitário, Campina Grande/PB, CEP: 58109-790 
E-mail: amandarblimaDhotmail.com 


Sabrina Holanda Oliveira 

Graduanda em Engenharia Ambiental da Universidade Estadual da Paraíba — UEPB 
Endereço: Av. Juvêncio Arruda, s/n - Universitário, Campina Grande/PB, CEP: 58109-790 
E-mail: sabrina.holanda.oliveiraD hotmail.com 


Ruth Silveira do Nascimento 

Doutora em Recursos Naturais pela Universidade Federal de Campina Grande, 
Professora Associada A do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental do 
Centro de Ciencia e Tecnologia da Universidade Estadual da Paraíba — UEPB 
E-mail: ruthrnGOgmail.com 


Rui de Oliveira 

Doutor em Engenharia Civil da Leeds Metropolitan - LEEDS, Professor Associado B 
do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental do Centro de Ciencias e 
Tecnologia da Universidade Estadual da Paraíba — UEPB 

E-mail: ruideoDgmail.com 


RESUMO: Um sistema de distribuição de água é fundamental para que a população 
consiga receber a água de acordo com os padrões de potabilidade exigidos pelas 
normas. Proporcionalmente ao tempo de utilização, surgem problemas de operação, 
manutenção e deterioração da rede, exigindo alguns reparos que dificultam o 
andamento natural do processo e criando pontos frágeis no percurso. A qualidade do 
serviço de abastecimento de água é traduzida não apenas com base na confiabilidade 
do atendimento à demanda, mas também a outros aspectos importantes como: a tarifa 
cobrada pelo serviço; o grau de utilização e comprometimento dos recursos hídricos 
disponíveis. Sendo assim, a fim de saber quando se faz necessária a intervenção para 
solucionar estas questões, é preciso fazer o monitoramento dos indicadores em 
análise, de forma que representem as condições em operação e, portanto oriente na 
escolha a ser feita entre reabilitar ou implementar um novo sistema com vistas a uma 
abordagem mais eficiente do processo. Diante do exposto, o presente trabalho 
objetiva expor, através de revisão de literatura, o quadro brasileiro sobre a perda 


189 


hídrica e tecnologias de reabilitação existentes para a solução desta problemática. 
Finalmente, verificou-se que as perdas são medidas indiretas mas que estão 
intimamente relacionadas com o volume de água perdido e, portanto, utiliza-se de 
ferramentas, como a modelagem, que através de modelos conceituais e matemáticos, 
utilizando diagramas ou softwares, conseguem encontrar as falhas e propor uma 
melhor alternativa para a reabilitação efetiva do trecho, do bairro, ou do sistema com 
o melhor custo benefício. 


PALAVRAS-CHAVE: Modelagem, Perda hídrica, Restauração de sistemas de 
abastecimento de água, Técnicas de reabilitação de redes de abastecimento de água. 


ABSTRACT: A water distribution system is fundamental for the population to be able 
to receive water according to the potability standards required by the norms. In 
proportion to the time of use, problems arise in operation, maintenance and 
deterioration of the network, requiring some repairs that hinder the natural progress of 
the process and creating fragile points in the route. The quality of the water supply 
service is translated not only based on the reliability of the demand, but also on other 
important aspects such as: the tariff charged for the service; the degree of utilization 
and commitment of available water resources. Thus, in order to know when 
intervention is needed to solve these issues, it is necessary to monitor the indicators 
under analysis, so that they represent the conditions in operation and, therefore, guide 
the choice to be made between rehabilitating or implementing a new system for a more 
efficient approach to the process. Given the above, this paper aims to expose, through 
literature review, the Brazilian scenario about water loss and existing rehabilitation 
technologies to solve this problem. Finally, it was found that losses are indirect 
measures but are closely related to the volume of water lost and, therefore, we use 
tools, such as modeling, that through conceptual and mathematical models, using 
diagrams or software, can find the faults and propose a better alternative for the 
effective rehabilitation of the most cost-effective stretch, neighborhood, or system. 


KEYWORDS: Modeling, Water loss, Restoration of water supply systems, Techniques 
for rehabilitation of water supply networks. 


190 


1. INTRODUÇÃO 
O Brasil possui a maior disponibilidade hídrica do mundo. Da quantidade total 


deste fluido presente em nosso país 97 % são referentes aos oceanos, 2 % pertencem 
as geleiras e apenas 1 % do volume corresponde à água doce (Victorino, 2007). 

A partir destes valores pode-se perceber a importância da distribuição eficiente 
deste recurso que está diretamente ligado com a evolução das cidades e a 
manutenção da saúde. Entretanto a nação sofre graves problemas com o mau 
gerenciamento hídrico que é agravado devido aos grandes períodos de estiagens, o 
crescimento exponencial da população, o uso inadequado da água pelos usuários do 
sistema de abastecimento, bem como o desperdício no decorrer deste conjunto. 

Um sistema de distribuição de água é de fundamental importância para que a 
população consiga receber a água de acordo com os padrões de potabilidade exigidos 
pelas normas. Este complexo é formado por um conjunto de tubulações, acessórios, 
reservatórios, bombas etc., que tem a finalidade de atender, dentro de condições 
sanitárias, de vazão e pressão convenientes, a cada um dos diversos pontos de 
consumo de uma cidade ou setor de abastecimento (Porto, 2006). 

Além das questões já mencionadas, proporcionalmente ao tempo de utilização, 
surgem problemas de operação, manutenção e deterioração da rede, exigindo alguns 
reparos que dificultam o andamento natural do processo e criando pontos frágeis em 
seu percurso. Logo, simultaneamente ao período de utilização do sistema surgem 
outras variáveis que corroboram com essa fragilidade como o material utilizado, 
rugosidade do mesmo, diâmetro das tubulações, pressão nos nós, perda de carga, 
frequência de reparos entre outros. 

A qualidade do serviço de abastecimento de água é traduzida não apenas com 
base na confiabilidade do atendimento à demanda, mas também a outros aspectos 
importantes como: a tarifa cobrada pelo serviço; o grau de utilização e 
comprometimento dos recursos hídricos disponíveis em termos quantitativos e 
qualitativos; a sustentabilidade dos recursos e serviços a médio e longo prazos; a 
garantia do atendimento aos requisitos de pressão mínima e máxima na rede e a 
operação com o mínimo de perdas (Venturine e Barbosa, 2002). 

Sendo assim, a fim de saber quando se faz necessária a intervenção para 
solucionar estas questões, é preciso fazer o monitoramento dos indicadores em 
análise, de forma que representem as condições em operação e, portanto oriente na 


escolha a ser feita entre reabilitar o sistema ou implementar um novo com vistas a uma 


191 


abordagem mais eficiente do processo. Diante do exposto o presente trabalho objetiva 
expor, através de uma revisão de literatura, o quadro brasileiro sobre a perda hídrica 
e as tecnologias de reabilitação existentes para a solução desta problemática. 


2. METODOLOGIA 

Trata-se de um estudo que busca conhecer e ratificar a importância da gestão 
de sistemas de abastecimento de água na sociedade conteporânea. Classifica-se a 
investigação como descritivo-exploratória, realizada em outubro de 2019. As 
informações foram obtidas através da utilização de artigos científicos com abordagem 
da temática investigada. 


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
3.1 PERDAS DE ÁGUA AO LONGO DE UM SISTEMA DE ABASTECIMENTO 
Conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS 
(2015), as empresas de abastecimento geralmente operam com índices de perdas 
que variam, em média, entre 30 e 50 %, como observado no Quadro 01, sendo 
constatado que na região Nordeste as perdas são superiores a 40 %. 


Quadro 01 — Índice de perdas na distribuição de água nas regiões brasileiras. 

















Norte 46,3 
Nordeste 45,7 
Sudeste 32,9 
Sul 383,7 
Centro-Oeste | 35,5 
Brasil BOA 














Fonte: SNIS (2015). 


Coêlho (2001) afirma que perda é a quantidade de água que, em qualquer parte 
do sistema de abastecimento, não está contabilizada e faturada pela concessionária, 
ou que chega ilegalmente ao consumidor final, ou seja, toda água que foi produzida e 
distribuída, mas não chega a seu destino final em sua totalidade é classificada como 
perda, podendo ser física ou não física. Morais e Almeida (2002) explicam que as 


perdas físicas são as causadas por vazamentos visíveis ou não visíveis, aparelhos 


192 


mal aferidos ou fora de sua vida útil, baixa qualidade dos materiais hidráulicos, 
extravasamento nos reservatórios, falta de setorização por zonas de pressão, falta de 
um sistema de controle operacional, dentre outros, que ocorrem nas tubulações, 
conexões, válvulas e equipamentos de medição que compõem o sistema. Ainda 
segundo os autores, as perdas não físicas são aquelas em que a água é produzida e 
chega ao seu destino final por meios ilícitos e sem medição legal. 

Tendo em vista as inúmeras variáveis responsáveis pelas perdas físicas ao 
longo do sistema, entretanto, o processo de desgaste devido ao envelhecimento das 
redes é o fator potencializador para a perda de água tratada, a qual é um elemento de 
grande importância para a saúde e bem-estar da população abastecida. Tsutiya (2006) 
explica que as maiores deficiências observadas em sistemas de abastecimento de 
água se devem principalmente à deterioração dos sistemas mais antigos, 
especialmente na parte de distribuição de água, com tubulações antigas apresentando 
frequentes problemas de rompimentos e de vazamentos de água, ou mesmo a falta 
de abastecimento de áreas urbanas que apresentam rápido e desordenado 
crescimento. 

Lambert e Himer (2000) indicam que a gestão das perdas físicas pode ocorrer 
com a execução de quatro atividades complementares: 

e Gerenciamento de pressão: procura minimizar os excessos das pressões do 
sistema e a faixa de duração de pressões máximas, enquanto assegura os padrões 
mínimos de serviço para os consumidores; 

e Controle ativo de vazamentos: é a atividade de reparar os vazamentos 
apenas quando se tornam visíveis; 

e Velocidade e qualidade dos reparos: desde o conhecimento da existência de 
um vazamento, o tempo gasto para sua efetiva localização e seu estancamento é um 
ponto chave no gerenciamento das perdas físicas. Entretanto, é importante assegurar 
que o reparo seja bem realizado. Uma qualidade ruim do serviço irá fazer com que 
haja uma reincidência do vazamento horas ou dias após a repressurização da rede de 
distribuição; 

e Gerenciamento da infraestrutura: a prática das três atividades mencionadas 
anteriormente já traz melhorias à infraestrutura. Portanto, a substituição de trechos de 
rede só deve ser feita quando, após a realização das outras atividades, ainda que forem 
detectados índices elevados de perdas na área, pois o custo da substituição é muito 


oneroso. 


193 


3.2 MODELAGEM 

Segundo Orellana (2011), vários modelos conceituais e operacionais foram 
desenvolvidos em universidades e centros de investigação, como os modelos de 
avaliação da condição estrutural de tubulações baseados em análises estatísticas e de 
previsão e os modelos para verificação e exploração de estratégicas de reabilitação 
baseados em princípios técnicos e econômicos. Ainda segundo o autor, o primeiro 
tenta correlacionar o histórico de reparos de vazamentos e rompimentos com 
características da rede, tipo e idade da tubulação, características químicas da água 
transportada, tipo de solo e condições de operação, enquanto o segundo requer uma 
descrição detalhada da rede e da integração de dados econômicos. 

Logo, para aperfeiçoar o funcionamento das redes de distribuição e diminuir as 
perdas ao longo do percurso utiliza-se do recurso da modelagem, ou seja, cenários 
são simulados e averiguados quanto ao funcionamento das melhorias ou trocas 
realizadas, tendo como base as fragilidades atuais do sistema na tentativa de 
solucioná-los ou proporcionar uma melhoria na malha. 

Como as redes de distribuição de água são em geral localizam-se abaixo de 
vias com tráfego intenso, sua inspeção física é limitada e de difícil acesso. Logo, uma 
solução para o problema é análise do comportamento deste sistema de forma indireta 
com auxílio de software como o EPANET 2.0, por exemplo, que é um software gratuito. 

A partir da entrada de valores, é possível extrair do software dados como vazão 
das tubulações, pressão nos nós, nível de água dos reservatórios que abastecem o 
sistema, entre outros, bem como simular todo o transporte e destino de água e 
estabelecimento de cenários de projeto, o que possibilita uma visão sistêmica do 
processo de abastecimento e acompanhamento constante dos parâmetros hidráulicos 
desejados. 


3.3 REABILITAÇÃO DE UM SISTEMA DE ABASTECIMENTO 
Com o objetivo de promover uma melhoria das redes já existentes, reabilitação 


é a restauração da rede de distribuição de água, que pode variar de acordo com as 
necessidades de operação de cada zona, haja vista que os pontos são distribuídos 
em percursos com cotas topográficas distintas e que, portanto, necessitam atingir 
diferentes pressões a fim de ser conduzida à seu destino final. 

Muitos sistemas de abastecimento existentes atingiram sua vida útil e os 
investimentos de capital necessários para reabilitá-los são elevados. O 
desenvolvimento de modelos para o planejamento da reabilitação é necessário, a fim 


194 


de definir quando e como reabilitar as tubulações de um sistema de distribuição 
(ORELLANA, 2011). Entretanto, o envelhecimento da rede não é o único motivo que 
desencadeia a necessidade de reabilitação, como já discutido, mas uma associação 
de fatores. A partir da identificação destas causas deve ser tomada a decisão com a 
solução mais adequada ao sistema analisado. 

Venturini e Barbosa (2002) explicam algumas técnicas de reabilitação, 
conforme resumido a seguir: 

e Limpeza das tubulações: uma higienização periódica é feita nas tubulações 
com o objetivo de preservar o fluxo e a qualidade da água no sistema. Esta pode se 
dar por três formas: 

Limpeza hidráulica - um limpador provido de lâminas de aço é hidraulicamente 
impulsionado através da tubulação, pelo bombeamento de água ou do uso de um 
sistema de pressão. Um reservatório deve estar ao final da tubulação para separar e 
coletar os detritos de limpeza suspensos. 

Método Drag (método de arrastar) - limpador provido de uma série de lâminas 
raspadoras de aço e rodo de borracha, puxado por um guincho posicionado ao nível 
da terra, através de um poço de acesso. O limpador é arrastado por um guincho, 
primeiro em uma direção e depois em outra, até que a tubulação esteja 
suficientemente limpa. 

Método Scraper (método de raspagem) - o raspador é autopropulsor, tem uma 
cabeça raspadora rotativa equipada por fileiras de lâminas de aço capazes de limpar 
os arrebites e ao redor deles, permitindo a limpeza de todas as deformações presentes 
na tubulação. A passagem dessa máquina e a pressão aplicada pela cabeça 
raspadora à superfície da parede permitem que uma limpeza completa seja obtida em 
uma única passagem 

e Substituição das tubulações: consiste na troca das canalizações quando 
estas já foram rompidas repetidas vezes, estando sua estrutura comprometida. A 
execução deste serviço pode ser feita pela abertura de valas através de máquina 
escavadeira ou manualmente. 

e Revestimento não estrutural: são revestimentos aplicados nas canalizações 
sem função estrutural, que podem ser: 

Revestimento de argamassa de cimento - pode ser aplicado em tubulações de 
100 a 200 mm de diâmetro, sendo a cobertura bombeada diretamente de uma máquina 
com uma cabeça rotatória da qual é lançada, sob ação da força centrífuga, na parede 


195 


da tubulação e, por fim, pás rotativas alisam a argamassa aplicada até que o 
acabamento fique hidraulicamente eficiente. 

Revestimento de resina epóxi - com limite de aplicação de 200 metros de uma 
só vez, seu objetivo é melhorar as características hidráulicas das redes e, ao mesmo 
tempo, prevenir a formação de tubérculos nas paredes das tubulações. Este método 
não corrige nenhuma deterioração do encanamento, no entanto reduz as futuras 
deteriorações em seu interior. 

Processo AS - inicialmente é removida a rugosidade proveniente da oxidação e 
das incrustações existentes nas paredes internas das tubulações através da 
introdução de abrasivos especificamente dimensionados os quais se movimentam 
helicoidalmente e posteriormente é realizado o revestimento com resina epóxi, 
prolongando a sobrevida útil. 

e Método Brusting (Método de ruptura): primeiramente, um cabo é conectado 
a cabeça de um fragmentador que, por sua vez, é conectado à nova tubulação. 
Quando o cabo é puxado para a abertura de tração, a tubulação existente é 
fragmentada e a nova instalada. 

e Método da perfuratriz direcional: é um método não-destrutivo que utiliza um 
equipamento montado sobre uma esteira para o posicionamento da perfuratriz 
permitindo, desse modo, a perfuração a partir da superfície. Toda a perfuração é 
monitorada através de rastreadores eletrônicos sendo possível direcionar a 
perfuração e desviar de obstáculos e interferências existentes ou, ainda, atender às 
curvas e declividades especificadas em projeto. 

e Método cured-in-place - Slipling (Método de cura in loco - Deslizamento): o 
tubo é inserido achatado e enrolado em um grande carretel e puxado para o interior 
da tubulação, sendo, posteriormente, inflado através de ar ou vapor para formar o 
revestimento aderente à parede da tubulação. 

e Dosagem química — Introduzido por Evins et al. (1989) e Selvakumar et al. 
(2002), esse método é dirigido aos problemas de qualidade da água. Substâncias são 
adicionadas ao fluxo de água destinando-se a reduzir a taxa de corrosão das 
tubulações de ferro, ou para manter o produto da corrosão invisível aos consumidores. 

Neste sentido, de posse dos dados fornecidos, após análise das múltiplas 
variáveis, conforme já discutido, a exemplo da pressão, idade da tubulação e 
rugosidade, que interferem na qualidade do abastecimento, bem como o estudo das 
condições disponíveis para revitalização dos trechos, é possível escolher a técnica que 


196 


possui melhor custo-benefício para atender as exigências da região. 


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Mesmo com a disponibilidade de tantas tecnologias na sociedade moderna, é 
possível constatar através do estudo realizado, que existe um número bastante 
elevado de água potável perdida ao longo dos sistemas de abastecimento devido às 
falhas do seu processo. A perda hídrica acontence durante todo o percurso do 
sistema, desde a captação, adução, reservação e distribuição para a população que 
são os consumidores finais do processo. 

As perdas são medidas indiretas já que são medidas as falhas, ou seja a 
quantidade de erros, em vez do volume de água perdida. No entanto, esta 
mensuração nos revela, em outros termos, a atenção que deve ser dada à esta 
problemática por se tratar de um recurso limitado e escasso, bem como a urgência em 
procurar solucioná-los. 

Para tanto, existem ferramentas, como a modelagem, que através de modelos 
conceituais e matemáticos, utilizando diagramas ou softwares, conseguem encontrar 
as falhas e propor uma melhor alternativa para a reabilitação efetiva do trecho, do 


bairro, ou do sistema com o melhor custo benefício. 


197 


REFERÊNCIAS 


COÉLHO, A. C. Manual de Economia de Água (Conservação de Água). Comuigraf, Recife, 
2001. 


HOOGSTEEN, K. J. Basic Distribution System Maintenance. AWWA (American Water 
Works Association), Annual Conference and Exposition; Chicago, 1993. 


LAMBERT, A.; HIRNER, W. International Water Data Comparisons Ltd. Losses from water 
supply systems: standard terminology and recommended performance measures. IWA 
(International Water Association), The blue pages - The IWA information source on drinking 
water issues, 2000. 


MORAIS, D. C.; ALMEIDA, A. T. de. Avaliação multicritério para adequação de sistemas de 
redução de perdas de água. In: XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 
Curitiba — PR, 2002. 


NASCIMENTO, R.S. Modelo conceitual para a gestão da qualidade da água em sistemas 
de abastecimento de médio porte. Tese (Doutorado) — Universidade Federal de Campina 
Grande, Campina Grande-PB, 2016. 


ORELLANA, Alex. Contribuição ao estudo do planejamento de reabilitação de redes de 
distribuição de água. Dissertação (Mestrado) — Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura 
e Urbanismo, UNICAMP, 2011. 


PORTO, R. D. Hidráulica Básica. EESC-USP, São Carlos-SP, 2006. 


SARZEDAS, G. L. Planejamento para a substituição de tubulações em sistemas de 
abastecimento de água. Aplicação na rede de distribuição de água da Região Metropolitana 
de São Paulo. Dissertação (Mestrado) — Universidade de São Paulo, 2009. 


SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE SANEAMENTO - SINIS. 
Diagnóstico dos serviços de água e esgotos. Site institucional, 2015. Disponível em: 
<htip://www .snis.gov.br/>. 


TSUTIYA, M. T. Abastecimento de água. 3º ed, São Paulo, Departamento de Engenharia 
Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2006. 


VENTURINI, M. A.; BARBOSA, P. F. Subsídios à escolha de técnicas de reabilitação de 
redes de distribuição de água. Faculdade de Engenharia Civil, UNICAMP, Campinas-SP, 
2002. 


VICTORINO, C. J. Planeta água morrendo de sede: uma visão analítica na metodologia do 
uso e abuso dos recursos hídricos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. 


198 


CAPÍTULO 16 


ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E CLASSIFICAÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS: 
UM ESTUDO DE CASO NA UTFPR. 


Priscilla Lopes Bertolino 
(UTFPR) 
E-mail: lopespriscillaDhotmail.com 


Dario Dergint 
(UTFPR) 
E-mail: dergintOutfpr.edu.br 


Maurício Alves Mendes 
(UTFPR) 
E-mail: mauricioOutfpr.edu.br 


RESUMO: A compreensão sobre o modo como está estabelecida a estrutura 
administrativa de instituições universitárias é fundamental para a dirimir os gargalos e 
explorar as potencialidades relacionadas aos modelos adotados por essas 
organizações. O objetivo desta pesquisa é o de classificar os órgãos pertencentes à 
estrutura da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), de acordo com o 
modelo proposto por Di Pietro (2016), de modo que as informações obtidas a partir 
desta sistematização produzam subsídios à gestão. Trata-se de uma pesquisa 
descritiva e de abordagem qualitativa. Por meio de pesquisas de caráter bibliográfico 
e documental foi possível a elaboração de quadros, em que os órgãos da UTFPR 
foram classificados e, por conseguinte, forneceram os dados necessários à análise 
pretendida. O método utilizado para o alcance dos objetivos desta pesquisa foi o 
estudo de caso. Os resultados mais significativos da análise mostraram que a maior 
parte dos órgãos da UTFPR apresentam composição coletiva, estrutura composta e 
natureza ativa. Também evidenciou que as estruturas dos Campi e da Reitoria são 
bastante semelhantes, contudo, nesta relação apresentam-se fatores de 
complexidade relacionados à dispersão geográfica. Os dados obtidos com a pesquisa 
mostram-se importantes subsídios para tomada de decisão por parte dos gestores, no 
que se refere aos fluxos de tarefas, relações de hierarquia e subordinação e 
aperfeiçoamento de processos. 


PALAVRAS-CHAVES: Estrutura Organizacional. Órgãos Públicos. Gestão 
Universitária. 

ABSTRACT: The understanding about of the way that the administrative structure of 
university institutions was established is elementary to solve the problems and to 
explore the potentialities related to the models adopted by these organizations. The 
objective of this research is to classify the Federal Technological University - Paraná 
(UTFPR) departments”, according to the model proposed by Di Pietro (2016), so that 
the information obtained from this systematization ensure subsidies to the 
management. It is a descriptive research with qualitative approach. Through 
bibliographic and documentary researches it was possible to do a table with a 
classification of the UTFPR departments that provided the needed information for the 


199 


analysis. The case study was adopted as strategy to achieve the objectives of this 
research. The most significant results the analysis snowed that many departments of 
the UTFPR are collective, as well as having compound structure and active nature. It 
was also showed that the structures of the Campi and Rectory are quite similar, 
however, this relation show complexity factors related to the geographic dispersion. 
The information obtained from the research are important subsidies for managers” 
decision- making, related to the workflows, hierarchy and subordination relationships 
and improvement of processes. 


KEYWORDS: Organizational Structure. Public Departments. University Administration. 


200 


1. INTRODUÇÃO 

Na atualidade, transformações de ordem social, econômica, política e 
tecnológica têm influenciado a dinâmica de gestão das estruturas organizacionais, em 
especial na tocante distribuição de competências. Na esfera pública, a adoção de 
estruturas administrativas inadequadas pode acarretar muitos entraves ao alcance 
dos objetivos estratégicos e ao cumprimento da missão das instituições. 

De acordo com Hall (2004), as estruturas organizacionais precisam atender a 
três requisitos básicos: apresentar eficácia, regular da influência das variações 
individuais na organização e, por fim, gerenciar o cenário no qual as decisões são 
tomadas e as atividades realizadas. 

Compreender a estrutura administrativa de instituições públicas mostra-se uma 
tarefa naturalmente complexa. Os reveses desse caminho acentuam-se quando o 
desafio é analisar o desenho organizacional de universidades públicas. Meyer Junior 
(2014) salienta que a complexidade verificada nas estruturas universitárias deriva, 
especialmente, da influência dos objetivos e especificidades dessas organizações. 

O entendimento sobre o modo como ocorre a divisão das funções e como se 
estabelecem as relações hierárarquicas entre os diferentes órgãos que integram 
essas estruturas opera como um mecanismo de subsídio à gestão, no sentido de 
elucidar gargalos e oportunidades relacionadas aos níveis de coordenação, 
comunicação e interação entre as unidades administrativas. Tendo em vista a 
complexidade de suas características e o modo como ocorre a interação entre os 
órgãos, a matéria tem sido explorada por diferentes áreas do conhecimento. 

O presente artigo busca, portanto, investigar o modo como está desenhada a 
estrutura organizacional da UTFPR e como se classificam os seus órgãos, tomando 
por base concepções teóricas de pesquisadores da área do Direito Administrativo, 
como Di Pietro (2016), Meirelles (2005) e Bandeira Mello (2001). 

O trabalho está organizado em cinco seções, que se inicia por esta, introdutória. 
Na sequência, apresenta-se a revisão bibliográfica, seguida da abordagem 
metodológica da pesquisa. Encerra-se o estudo com a apresentação e análise dos 


resultados e com as considerações finais. 


2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
Esta seção aborda o referencial teórico sobre o tema, necessário à 


compreensão do estudo em questão. 


201 


2.1 ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 

O Estado, ao estruturar suas atividades, outorga competências aos vários 
níveis que compõem a sua pirâmide organizacional. Diante disso, concentra 
determinadas atividades em razão de sua natureza ou distribiu grande volume de 
atribuições, a fim de garantir um desempenho mais racional da organização. 

Segundo Di Pietro (2016), para que se estabeleça o processo de definição das 
atribuições dos órgãos administrativos, cargos e funções e para que haja harmonia e 
unidade de direção, são estabelecidas relações de hierarquia, ou seja, de 
coordenação e subordinação entre os vários órgãos que integram a Administração 
Pública. 

Deste modo, os órgãos públicos são derivados da desconcentração das 
funções administrativas, que Bandeira Mello (2011, p.16) define como “o fenômeno 
da distribuição interna de plexos de competências decisórias, agrupadas em unidades 
individualizadas”. Esse mecanismo se legitima tanto em razão da matéria, isto é, do 
assunto, como em razão do grau, ou seja, do nível de responsabilidade decisória 
conferida aos distintos escalões que correspondem aos diversos patamares de 
autoridade. 

Vale ressaltar que, segundo Meirelles (2005, p. 3), os órgãos públicos são: 


unidades de ação com atribuições especificas na organização estatal. Cada 
órgão, como centro de competência governamental ou administrativa, tem 
necessariamente funções cargos e agentes, mas é distinto desses 
elementos, que podem ser modificados, substituídos ou retirados sem 
supressão da unidade orgânica. Isto explica porque a alteração de funções, 
ou a vacância dos cargos, ou a mudança de seus titulares não acarreta a 
extinção do órgão. 

Di Pietro (2016, p. 646) explica que o órgão não se confunde nem com a 
pessoa jurídica, pois figura como uma de suas partes integrantes, nem com a pessoa 
física, o agente público, pois congrega funções que este vai exercer. Com o objetivo 
de categorizar os órgãos públicos, a autora buscou classificá-los com base em 


alguns critérios, descritos no quadro abaixo. 


202 


Quadro 1 - Critérios de Classificação dos Órgãos Públicos. 





Quanto à esfera de ação 





Centrais: que exercem atribuições em todo 
o território nacional, estadual ou municipal. 


Locais: que atual sobre uma parte do 


território. 





Quanto à posição estatal 





Independentes: são | Autônomos: estão Superiores: são órgãos Subalternos: 
representativos dos |localizados na cúpula |de direção, controle e estão subordi- 
três Poderes do e subordinados comando, mas sujeitos à |nados aos 
Estado, sem diretamente à chefia |subordinação e ao Órgãos 
qualquer dos órgãos controle hierárquico de superiores de 
subordinação independentes; gozam| um chefia; não gozam de | decisão, 
hierár- quica ou de autonomia autonomia administrativa, | exercendo 
funcional. administrativa, nem financeira. funções de 

financeira e técnica e execução. 

participam das 

decisões 

governamentais. 











Quanto à estrutura 





Simples ou unitários: constituídos por um 
único centro de atribuições, sem 
subdivisões internas. 


Compostos: constituídos por vários 
outros órgãos até chegar nos órgãos 
unitários, em que não existem mais 
subdivisões. 





Quanto à composição 


Singulares: quando integrados por um 
único agente. 


Quanto às funções 





Coletivos: quando integrados por vários 
agentes. 











Controle: desenvolvimento de 
uma atividade de controle de 
outros órgãos. 


Consultivos: 
desenvolvimento de uma 
atividade consultiva. 


Ativos: desenvolvimento 
de uma administração 
ativa. 


Fonte: DI PIETRO (2016). 

















Meirelles (2005) esclarece que os órgãos, à medida que integram a estrutura 
do Estado e das demais pessoas jurídicas, atuam como partes desses corpos vivos, 
dotados de vontade e capazes de exercer direitos e contrair obrigações para a 
consecução de seus fins institucionais. Por esta razão, não possuem personalidade 
jurídica, mas expressam a vontade da entidade a que pertencem e a vinculam por 
seus atos na área de suas atribuições e nos limites de sua competência funcional. 

A organização de instituições públicas por meio de órgãos consubstancia a 
gestão e a distribuição interna de competências, viabilizando, deste modo, a prestação 


de serviços à sociedade. 


3. METODOLOGIA 
3.1 TIPO DA PESQUISA 
No que se refere à forma da abordagem, esta pesquisa é classificada como 


203 


qualitativa, definida por Gil (1999) como aquela em que há uma relação dinâmica entre 
o mundo real e o sujeito, não passível de ser traduzida em números. Neste artigo, os 
resultados do estudo foram representados qualitativamente, com o intuito de 
categorizar os órgãos da UTFPR e verificar o modo como a estrutura administrativa 
da Instituição está estabelecida. 

Adotou-se como método de pesquisa o estudo de caso, que, de acordo com 
Yin (2005), é adequado à investigação de um fenômeno contemporâneo. Lakatos 
(2010) destaca que, neste método, os resultados da pesquisa são restritos ao caso 
que analisa, não podendo ser generalizados. Nesta pesquisa, investiga-se a 
conjuntura atual e específica da estrutura de uma organização pública, a UTFPR. 

Segundo Gil (2008), as pesquisas podem ser classificadas quanto aos objetivos 
e quanto aos procedimentos técnicos. No caso deste estudo, em relação aos 
objetivos, é considerada descritiva, uma vez que realiza a análise, o registro e a 
interpretação dos fatos do mundo físico sem a interferência do pesquisador (BARROS; 
LEHFELD, 2007), restringindo-se à análise dos dados presentes nos documentos 
oficiais da Instituição. Também é exploratória, à medida que 

Quanto aos procedimentos técnicos, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, 
constituída a partir de buscas em livros e artigos científicos, em especial, da área de 
Direito Administrativo, e documental, à medida que se volta à análise de documentos 
oficiais da UTFPR, tais como o estatuto, regimento, regulamentos e organogramas. 

3.2 COLETA E ANÁLISE DE DADOS 

O estudo considerou o conjunto dos órgãos da UTFPR em sua totalidade, 
verificando-se as características inerentes a cada um deles e organizando-os 
sistematicamente em quadros, segundo critérios oriundos da concepção de Di Pietro 
(2016): a) esfera de ação; b) posição estatal; c) estrutura; 

d) composição; e) função. 

A construção dos quadros foi subsidiada por buscas nos documentos oficiais 
da Instituição, com o intuito de verificar o posicionamento de cada um dos órgãos no 
organograma, sua relação com outros departamentos e descrição de suas atribuições. 
De posse dos dados emanados dos quadros, foi possível partir para a interpretação 
dos resultados e elaboração das conclusões. 

3.3 A ORGANIZAÇÃO 

A UTFPR apresenta uma estrutura multicampi de organização, sendo sua sede 
localizada na cidade de Curitiba. Também fazem parte de sua estrutura outros doze 


204 


Campi, distribuídos nas cidades de Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, 
Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Guarapuava, Londrina, Medianeira, Pato Branco, 
Ponta Grossa, Santa Helena e Toledo. 

De acordo com o Plano de Desenvolvimento Institucional da UTFPR (2013- 
2017), desde o ano 2000 a Instituição adota um modelo sistêmico de organograma, 
no qual a administração institucional e acadêmica atua sob a forma matricial no 


gerenciamento de uma estrutura multicampi. 


4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 

A seguir, serão apresentados os Quadros 2 e 3 que, agregados aos 
documentos institucionais que tratam das competências dos órgãos da UTFPR, 
subsidiaram a análise dos resultados. 


205 


Quadro 02 - Relação dos órgãos ligados à Reitoria da UTFPR e suas classificações, conforme abordagem de Di Pietro (2016). 





E Quanto à estrutura | Quanto à posição Quanto à composição | Quanto às funções 
Orgão estatal 





Simples | Composto| Superior | Subalterno | Singular | Coletivo | |Ativo | Consultivo | Controle 











Parte 1 
Conselho Universitário (COUNI) X X X X X 
Reitoria / Vice-Reitoria X X X X X 





Conselho de Graduação e Educação 
Profissional (COGEP) 

Conselho de Pesquisa e Pós-Graduação 
(COPPG) 

Conselho de Relações Empresariais e 
Comunitárias (COEMP) 

Conselho de Planejamento e 
Administração (COPLAD) 





Fórum de Desenvolvimento da UTFPR 
(FORDUT) A A a x 
Fórum dos Executivos dos Municípios da 
UTFPR (FOREM) 

Fórum Empresarial e Comunitário (FOREC) 





Parte 2 

















Gabinete da Reitoria (GABIR) X X X X 
Auditoria (AUDIN) X X X X 
Ouvidoria X X X X 
Comissão Permanente de Pessoal Docente X X X X X X 
(CPPD) 

X X X X 


Comissão Interna de Supervisão (CIS) 






































206 





Assesoria de Desenvolvimento Institucional 
(ASDIT) A a X X X 
Assessoria de Desenvolvimento Acadêmico 
(ASDIT) 
Assessoria de Desenvolvimento Intercampi 
(ASDIC) 





Procuradoria Jurídica (PROJU) X X X X X 





Gestor do Sistema Integrado de Controle de X X X 
Ações da União (GESICAU) 





Pró-Reitoria de Graduação e Educação X 
Profissional (PROGRAD) X X X X X 
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação 
(PROPPG) 

Pró-Reitoria de Relações Empresariais e 
Comunitárias (PROREC) 

Pró-Reitoria de Administração (PROPLAD) 





Diretoria de Gestão da Comunicação X X X X X 
(DIRCOM) 








Diretoria de Gestão de Pessoas (DIRGEP) 
Diretoria de Gestão da Informação (DIRGTI) 











E Quanto à estrutura Quanto à posição estatal | Quanto à composição | Quanto às funções 

Orgão Simples | Composto | Superior | Subalterno Singular | Coletivo Ativo | Consultivo | Controle 
Diretoria de Educação Profissional (DIREPRO) 

Diretoria de Garduações (DIREGRAD) X X X X X 

Diretoria de Pós-Graduação Stricto Sensu 

(DIREPG) 


Diretoria da Agência de Inovação (DIRAGI) 








Diretoria de Gestão Acadêmica (DIREGEA) 
Diretoria de Pesquisa (DIREPEQ) 
































207 








Diretoria de Relações 

Interinstitucionais (DIRINTER) 

Diretoria de Extensão (DEPEXT) 

Diretoria de Materiais e Patrimônio (DIRMAP) 
Diretoria de Projetos e Obras (DIRPRO) 
Diretoria de Orçamento e Finanças (DIROF) 
Diretoria de Serviços Gerais (DEPAD) 








Departamento de Bibliotecas (DEPBIB) 
Departamento de Registros de Diplomas 
(DERED) 

Departamento de Processos Seletivos 
(DEPPS) 

Departamento de Iniciação Científica e 
Tecnológica (DEICT) 

Departamento de Extensão (DEPEXT) 
Departamento de Patrimônio (DEPAT) 
Departamento de Materiais e Importação 
(DEMIMP) 

Departamento de Projetos Civis (DEPROJ) 
Departamento de Obras e Manutenção de 
Imóveis (DEOMA) 

Departamento de Contabilidade (DECONT) 
Departamento de Apoio Administrativo 
(DEPAD) 

Departamento de Comunicação e Marketing 
(DECOM) 

Departamento de Documentação Histórica 
(DEDHIS) 
































208 








Departamentos de Sistemas de X X X X 
Informação (DESIS) 

Departamento de Infraestrutura em 
Tecnologia da Informação (DEINFRA) 




















Quanto à estrutura | Quanto à posição Quanto à | Quanto às funções 
estatal composição 





Órgão 
Simples | Composto | Superior |Subalterno | Singular |Coletivo | lAtivo | Consultivo | Controle 





Divisão de Assistência Estudantil (DIASE) 
Divisão de Manutenção de Sistemas de 
Informação (DIMSIS) X X X X X 
Divisão de Projetos de Sistemas de 
Informação (DIPSIS) 

Divisão de Banco de Dados (DIBDA) 

Divisão de Redes de Computadores e 
Comunicações (DIREDE) 

Divisão de Manutenção e Suporte ao Usuário 
(DIMSUP) 

Divisão de Mídias (DIMIDI) 


Coordenação de Tecnologia da Educação 
(COTEDUC) x X X X X 
Coordenação de Documentação e Legislação 
Educacional (CODOC) 

Coordenação de Pós-Graduação Lato Sensu 

(COESP) 

Coordenação de Fomento e Bolsas (COFOP) 
Coordenação de Relações Interinstitucionais 

(CORELI) 


Assessoria de Projetos Cooperados (ASPROJ) 
Assessoria de Gestão Administrativa 
(ASGEAD) 

Assessoria de Legislação e Normas (ASLEN) X X X X 


Assessoria de Projetos e Financiamento 
209 












































(ASPROF) 

Assessoria de Estatística e Pesquisa 
Institucional (ASEPI) 

Assessoria de Desenvolvimento Estratégico 
(ADEST) 

Assessoria de Avaliação Institucional (ADAVI) 
Assessoria de Legislação (ASLEG) 





Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) X X X X X X 
































Editora Universitária (EDUTEF) X X X X X 











Fonte: Autoria Própria (2017). 


210 


No desenho organizacional da UTFPR, o Conselho Universitário (COUNI) é a 
autoridade máxima, de modo que todos os demais estabelecem uma relação de 
subordinação ao seu controle hierárquico. 

Analisando-se a primeira parte do Quadro 2, é possível destacar que, com 
exceção da Reitoria, os órgãos posicionados no topo do organograma institucional 
possuem caráter colegiado, ou seja, formados por uma coletividade de pessoas físicas 
que estão ordenadas de maneira horizontal e não estabelecem entre si relação 
alguma de hierarquia (DI PIETRO, 2016). Segundo Falcão- Martins (2006, p. 8) 
estrututuras colegiadas “aumentam a legitimidade das organizações, mas torna os 
processos deliberativos, de prestação de contas e decisórios mais morosos e 
complexos”. Em relação às suas funções, o caráter consultivo é função exclusiva no 
caso dos Fóruns, que também foram os únicos órgãos categorizados nessa seção 
como simples, uma vez que não possuem outros órgãos a eles subordinados. 

Ainda que o desenho do organograma não evidencie órgãos subordinados aos 
Conselhos (COGEP, COPPG, COEMP e COPLAD), seus Regimentos Internos 
indicam a criação de Câmaras Temáticas, o que determina que sejam classificados 
como compostos. 

Vale dizer que a interpretação da coluna “posição estatal”, presente nos 
Quadros 2 e 3, foi subsidiada pela descrição das atribuições e das atidades típicas do 
órgão nos documentos institucionais. Percebeu-se que os departamentos cujas 
funções são típicas de órgãos superiores, na descrição de suas competências, 
apresentavam expressões literais ou análogas relacionadas aos vocábulos coordenar, 
supervisionar, controlar, administrar, prover, avaliar, deliberar, determinar, convocar; 
ao passo que, para os órgãos subalternos, foram recorrentes as terminologias: 
cumprir, executar, assegurar, receber, preparar, zelar, atender, auxiliar, acompanhar, 
verificar, atestar. 

Verificou-se, também, que apenas o COUNI, a Reitoria e o COGEP apresentam 
caracerísticas de órgãos superiores, enquanto os demais ocupam posição subalterna 
em relação ao controle hierárquico dos primeiros. 

Além disso, apresentam funções ativas, com exceção dos Fóruns, em que essa 
atividade lhe é exclusiva. A função de controle, nesta primeira parte do quadro, está 
restrita ao COUNI e à Reitoria, embora aos outros órgãos sejam atribuídas algumas 
funções relacionadas à supervisão de atividades específicas e isoladas. 


A análise dos órgãos relacionados na segunda parte do Quadro 2 permite 


211 


verificar a predominância de estrururas simples, ou seja, observa-se a escassez de 
subdivisões internas entre eles, ao passo que apenas a Procuradoria Jurídica, as Pró- 
Reitorias, as Diretorias e alguns departamentos apresentam ramificações que 
originam outros órgãos. 

As Pró-Reitorias também apresentam funções relacionadas ao controle em 
questões concernentes ao seu escopo de atuação, inclusive, exercendo esse poder 
em relação aos Campi. Também se verificou que a função de controle é evidente na 
AUDIN, órgão responsável pelas auditorias internas, no qual esta atividade lhe é típica 
e exclusiva. São também coletivos, ou seja, integrados por vários agentes, à exceção 
de um, o GESICAU, representado pela fígura de uma única pessoa física. 

Muitos órgãos também acumulam funções consultivas e ativas, portanto, além 
de executarem atividades práticas e diretas, são consultados sobre questões que lhe 
competem, em especial, prestando orientações aos Campi. 

Além disso, são, em sua maioria, superiores, ainda que sujeitos à subordinação 
e ao controle hierárquico da Reitoria e o COUNI. 

Finalizadas, a priori, as considerações acerca dos órgãos ligados à Reitoria, a 
seguir, serão descritas as características dos Campi da UTFPR. 


212 


Quadro 3 - Relação dos órgãos ligados aos Campi da UTFPR e suas classificações, conforme abordagem de Di Pietro (2016). 





Órgão 


Quanto à estrutura 


Quanto à posição 


estatal 


Quanto à 


composição 


Quanto às funções 





Simples 


Composto 


Superior 


Subalterno 


Singular 


Coletivo 


Ativo 


Consultivo 


Controle 





Direção-Geral (DIRGE) 


X 


X 


X 


X 


X 





Gabinete da Direção-Geral (GADIR) 


X 





Fórum Empresarial e Comunitário (FOREC) 


x 





Núcleo Permanente de Pessoal Docente (NPPD) 





Comissão Interna de Supervisão (CIS) 


x| x| x| x 


x 





Ouvidoria (OUVID) 


xX| x|x| x| x 





Diretoria de Graduação e Educação Profissional 
(DIRGRAD) Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação 
(DIRPPG) 


Diretoria de Relações Empresariais e Comunitárias 
(DIREC) 


Diretoria de Planejamento e Administração 
(DIRPLAD) 





Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos 
(COGERH) 

Coordenadoria de Gestão da Tecnologia da 
Informação (COGETI) 





Coordenações de Cursos Coordenação de 
Tecnologia da Educação (DEPED) 

Coordenação de Estação Experimental (COEXP) 
Coordenações dos Programas de Pós-Graduação 





Departamento de Registros Acadêmicos (DERAC) 
Departamento de Recursos Didáticos (DERDI) 
Departamento de Educação (DEPED) 


Departamento de Extensão (DEPEX) 


Departamento de Relações Interinstitucionais 
(DERINT) 






































213 





Departamentos Acadêmicos 
Departamento de Apoio a Projetos 
Tecnológicos (DEPET) 

Departamento de Estágios e Cursos de 
Qualificação Profissional Departamento de 
Materiais e Patrimônio (DEMAP) 


Departamento de Serviços Gerais (DESEG) 
Departamento de Projetos e Obras (DEPRO) 























Órgão 


Quanto à estrutura 


Quanto à posição 


estatal 


Quanto à 


composição 


Qua 


nto às funções 





Simples 


Composto 


Superior 


Subalterno 


Singular 


Coletivo 


Ativo 


Consultivo 


Controle 








Divisão de Projetos Tecnológicos (DIPET) 
Divisão de Estágios e Empregos (DIEEM) 
Divisão de Cursos de Qualificação Profissional 
(DICPRO) 

Divisão de Contabilidade (DICONT) 

Divisão de Almoxarifado (DIALM) 

Divisão de Compras (DICOM) Divisão de 
Patrimonio (DIPAT) 

Divisão de Serviços Auxiliares (DISAU) 
Divisão de Conservação de Bens Móveis 
(DICOBEM) 

Divisão de Obras e Manutenção de Imoveis 
(DIOMAI) 

Divisão de Projetos Civis (DIPROC) 

Divisão de Cadastro (DICAD) 

Divisão de Pagamento (DIPAG) 

Divisão de Recrutamento e Movimentação de 
Pessoas (DIMOP) 



































214 





Divisão de Beneficios e Qualidade de Vida 
(DIBEN) 

Divisão de Desenvolvimento de Pessoas 
(DIDEP) 

Divisão de Projetos de Sistemas de Informação 
(DIPROSI) 

Divisão de Redes de Computadores e 
Comunicação (DIREDE) 

Divisão de Manutenção e Suporte ao Usuário 
(DIMASU) 





Divisão de Empreendedorismo e Inovação 
(DIEMI) 





Assessoria de Pesquisa (ASPEQ) 

Assessoria de Pós-Graduação Stricto Sensu 
(ASPPG) 

Assessoria de Pós- Graduação Lato Sensu 
(ASESP) 

Assessoria de Comunicação (ASCOM) 
Assessoria de Avaliação Institucional (ASAVI) 
Assessoria Executiva (ASSEC) 

Assessoria de Cerimonial e Eventos (ASCEV) 





Secretaria de Bacharelados e Licenciaturas 
(SELIB) 
Secretaria de Gestão Acadêmica (SEGEA) 






































Fonte: Autoria Própria (2017). 


215 


Nos Campi, verifica-se a existência de estruturas simples e compostas de 
maneira relativamente equilibrada. Também se constata que é predominante o caráter 
coletivo, característica esta também presente no quadro da Reitoria. A exceção está 
na Ouvidoria, na Direção-Geral e nas Diretorias, representadas pela figura de uma 
única pessoa física, sendo que todos os outros órgãos contam com a presença de 
uma coletividade de indivíduos desempenhando as atividades que lhe são pertinentes. 

Além disso, verificou-se que, comparado ao organograma da Reitoria, há 
número expressivo de órgãos com característica subalterna e com funções ativas, ou 
seja, de execução. O Fórum de Relações Empresariais e Comunitárias (FOREC) é o 
único que não apresenta funções ativas, apenas consultivas. A atividade típica do 
controle é apresentada apenas no conjunto das atribuições da Direção-Geral e em 
nenhum outro. 

Sobre a relação entre Campi e Reitoria, no que se refere ao desenho 
organizacional, vale mencionar que Hall (2004, p.54) se refere ao fator “dispersão 
geográfica” como um elemento de complexidade, uma vez que “com o 
desenvolvimento de atividades dispersas geograficamente, a complexidade aumenta, 
mesmo que a diferenciação vertical permaneça a mesma entre as unidades 
geograficamente distantes”. O autor destaca que as tarefas desempenhadas pelos 
vários escritórios regionais são essencialmente idênticas e o poder na organização é 
diferenciado entre o escritório central e os escritórios regionais. 

A UTFPR, ao adotar como modelo de organização uma estrutura matricial, está 
sujeita à influência do fator de dispersão geográfica, evidenciando-se, desta maneira, 
um elemento de complexidade à gestão. 


4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A proposta desse artigo foi a de compreender a estrutura organizacional da 
UTFPR, estabelecendo-se classificações para seus órgãos de acordo com os critérios 
propostos por Di Pietro (2016), que forneceu subsídios para uma análise sobre o modo 
como a Instituição desconcentra suas atividades. 

A partir da verificação das estruturas organizacionais da Reitoria e dos Campi, 
é possível afirmar que o desenho projetado para ambos é bastante próximo e que, 
muitas vezes, se replicam. 


Também se constatou que, no caso da Reitoria, a maior parte dos órgãos foram 


215 


classificados como superiores, enquanto que, nos Campi, observou-se a 
predominância de órgãos com características subalternas. Sobre tal constatação é 
necessário destacar que a análise foi fundamentada tão somente nas descrições dos 
órgãos relacionadas nos documentos selecionados no estudo e que, portanto, 
apresenta limitações. 

Dada a complexidade da matéria, aponta-se para a necessidade de 
desenvolvimento de outras pesquisas, com vistas à realização de investigações 
fundamentadas em condicionantes como o grau de autonomia conferido a esses 
órgãos e estilos de gestão, com foco na interação Campi e Reitoria. Também não foi 
possível, neste artigo, questionar a eficiência e a eficácia do modelo organizacional 
adotado pela Universidade. Sugere-se o desenvolvimento de pesquisas futuras, 
capazes de avaliar esse aspecto do desenho organizacional e, sendo este o caso, 
propor modificações. 

O conjunto de observações concebidas a partir deste estudo fornece 
importantes contribuições à gestão no âmbito da UTFPR. A partir dos dados obtidos, 
é possível, ao gestor, encontrar respostas para gargalos e oportunidades 
relacionados, por exemplo, aos fluxos de tarefas, relações de hierarquia e 
subordinação e aperfeiçoamento de processos. 


216 


REFERÊNCIAS 


BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 29 ed. São 
Paulo: Malheiros Editores, 2011. 


BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de 
Metodologia Científica. 3.ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2007. 


DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 29. Ed. São Paulo, Atlas, 2016. 
FALCAO-MARTINS, H. Uma metodologia de modelagem da estrutura organizacional. 


Brasília: ENAP: Escola Nacional de Administração. Cadernos ENAP, nº 28, 2011. Disponível 
em: 

<http://antigo.enap.gov.br/downloads/ec43ea4fuma metodologia.pdf>. Acesso em: 10 
jun.2017. 


GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1999. 


HALL, Richard H. Organizações — Estruturas, Processos e Resultados. 8º ed. Rio de 
Janeiro: Prentice- Hall, 2004. 


MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 
2005. MEYER Jr., V.. A prática da administração universitária: contribuições para a 
teoria. Universidade em Debate, v. 2, p. 12-26, 2014. 


Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Estatuto da UTFPR. Disponível em: 
<htip://Awww .utfpr.edu.br/a-instituicao/documentos-institucionais/estatuto- 
1/Estatuto%20da%20UTFPR.pdf>. Acesso em 30 jun. 2017. 


. Organograma da Reitoria. Disponível em: <http://www utfpr.edu.br/a- 
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. Organograma dos Câmpus. Disponível em <https://www .utfpr.edu.br/a- 
instituicao/documentos- institucionais/organograma-dos-campus/view>. Acesso em 17 de 
jun. de 2017. 


. Plano de Desenvolvimento Institucional 2013-2017. Disponível em: 
<htip://www .utfpr.edu.br/estrutura-universitaria/diretorias-de- 
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jul. de 2017. 


. Regimento dos Campida UTFPR. Disponível em: 
<http://www .utfpr.edu.br/cornelioprocopio/comissoes/Regimento dos Campi UTFPR.pdf>. 
Acesso em 29 de jun. de 2017. 


. Regimento Geral da UTFPR. Disponível em < http:/Avww utfpr.edu.br/a- 
instituicao/documentos-institucionais/regimento- 
geral/RegimentoGeral-AprovCOUNI-07- 2009V%20finalPublica.pdf>. Acesso em 29 de jun. 
de 2017. 


YIN, R.K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. 


217 


SOBRE O ORGANIZADOR 


Edilson Antonio Catapan: Doutor e Mestre em Engenharia da Produção pela 
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (2005 e 2001), Especialista em 
Gestão de Concessionárias de Energia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná 
- UFPR (1997), Especialista em Engenharia Econômica pela Faculdade de 
Administração e Economia - FAE (1987) e Graduado em Administração pela 
Universidade Positivo (1984). Foi Executivo de Finanças por 33 anos (1980 a 2013) 
da Companhia Paranaense de Energia - COPEL/PR. Atuou como Coordenador do 
Curso de Administração da Faculdade da Indústria da Federação das Indústrias do 
Paraná - FIEP e Coordenador de Cursos de Pós-Graduação da FIEP. Foi Professor 
da UTFPR (CEFET/PR) de 1986 a 1998 e da PUCPR entre 1999 a 2008. Membro do 
Conselho Editorial da Revista Espaço e Energia, avaliador de Artigos do Encontro 
Nacional de Engenharia de Produção - ENEGEP e do Congresso Nacional de 
Excelência em Gestão - CNEG. Também atua como Editor Chefe das seguintes 
Revistas Acadêmicas: Brazilian Journal of Development, Brazilian Applied Science 
Review e Brazilian Journal of Health Review. 


218 


Agência Brasileira ISBN 
ISBN: 978-65-86230-11-6